[Esta coluna se publica duas vezes por semana] 

 

Publicado em 12 de Setembro de 2008


Poeta e biógrafo de Casimiro de Abreu, passou a infância e a adolescência em vilas e cidades fluminenses e mineiras, como Passa Três, Rio Preto, Valença, Barra do Piraí, Barbacena e Resende. Em 1958, com 20 anos, voltou para o Rio, donde não mais saiu. Foi da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, do Campo dos Afonsos, da Academia Militar das Agulhas Negras. Abandonando a vida militar, entrou para o Banco do Brasil, que só deixou aposentado, em 1986. Acaba de completar 70 anos.

 

 

Quando nasceu?

 

Nasci em 10 de julho de 1938.

 

Onde?


No Rio de Janeiro
.

 

Como se chamam seus pais?


Mário Ventura de Oliveira e Emília Alves de Oliveira, ambos falecidos.

 

De onde são?


Ele, mineiro, de Rio Preto; ela, portuguesa, de Mondim de Basto.

 

O que você herdou do seu pai?


Uma desgastante tendência ao excesso de compreensão em relação às pessoas.

 

E de sua mãe?


Quando ela morreu, em 30 de junho de 1945, eu tinha menos de sete anos. Ela não chegou a me influenciar. Só tive a minha atenção voltada para ela quando já estava casado e com filhas. Fiz então em sua memória um poema que agrada muito a quem o lê, e que tem por título “Uma de nome Emília” –

 

                                  uma mulher nasceu em Trás-os-Montes

                                  e veio dar-me à luz cá no Brasil.

                                  dela só soube o nome[e era Emília].

                                  antes que eu mais soubesse, ela partiu.

                                

                                 deixou porém vagando no meu sangue

                                 caravelas herdadas a Cabral

                                 que inflando suas velas invisíveis

                                 me pedem mar...distâncias... Portugal.

 

                                 trazem-me estranhas, vagas nostalgias

                                 daquilo que eu não vi nem foi sonhado,

                                 de gentes que eu amei sem tê-las visto,

                                 de campos que eu cruzei sem ter cruzado.

 

                                 leva-me às vezes com tal força o vento

                                 na direção do mar, daquelas terras,

                                 que em pensamento parto na procura

                                 do que ficou de mim além das serras.

 

                                 caminho então por vilas abstratas

                                 em que há ruas e casas de neblina

                                 e espero ver um vulto que me chame

                                 detrás de alguma porta, de uma esquina.

                               

                                 mas nada vejo dessa sombra antiga

                                 que o deslizar do tempo consumiu,

                                 nada que lembre certa transmontana

                                 que teve certo filho no Brasil.

                                  

                         De “O Sal do Saldo” [Editora Leitura, Rio, 1969]

 

 

Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.


Creio que já respondi.

 

Quem é você?


Um poeta que sempre relutou em se assumir como tal.

 

Mais fatos.


[Não respondeu]

 

E sua infância?


Embora órfão de mãe, tive ótima infância, pois fui criado por tios carinhosos.

 

Como brincava?


Era moleque de rua, jogava bola de gude até tarde, voltava pra casa sujo, e muitas vezes ia dormir assim mesmo, pois éramos pobres e chuveiro não havia.

 

Quando deixou sua terra?


Creio que já respondi.

 

Que coisas tem feito?

Há 17 anos estudo a vida e a obra de Casimiro de Abreu, para publicar uma série de livros sobre ele, vale dizer, uma biografia, que está pronta pela metade e se intitula Casimiro de Abreu e seu pai: uma tragédia luso-afro-brasileira, a Obra Completa, a Correspondência Completa, que foi publicada em 2007 pela Academia Brasileira de Letras, e outros livros em andamento. Serão ao todo cinco ou seis volumes, incluindo uma fotobiografia. Além disso, consciente de que não escreverei mais poesia, pretendo reunir os poemas que escrevi na vida, e que beiram uma centena. Terá por título Aqui bem perto.


 


ARQUIVO
16/02/2009 - Astrid Cabral
11/02/2009 - Miguel Sanches Neto
07/02/2009 - Michelle Ferret Badiali
23/12/2008 - Adriano de Souza
18/12/2008 - Henrique Marques-Samyn
31/10/2008 - Maria do Perpetuo Socorro Wanderley de Castro
27/10/2008 - Maria Ione Câmara
24/10/2008 - Francisco Miguel de Moura
20/10/2008 - Nelson Hoffmann
17/10/2008 - Dorotéa Dantas
13/10/2008 - Raimundo de Moraes
10/10/2008 - Laélio Ferreira de Melo
06/10/2008 - Pedro Macário
03/10/2008 - Maria Rizolete Fernandes
29/09/2008 - Carlos Roberto de Miranda Gomes
26/09/2008 - João José de Melo Franco
22/09/2008 - Clauder Arcanjo
19/09/2008 - Sérgio Chaves
15/09/2008 - Anderson Braga Horta
12/09/2008 - Mário Alves de Oliveira
08/09/2008 - Marcel Lúcio Matias Ribeiro
05/09/2008 - Vicente Vitoriano
01/09/2008 - Natércia Pontes
29/08/2008 - Fabrício Carpinejar
25/08/2008 - Paulo Benz
22/08/2008 - Rodrigo Levino
18/08/2008 - Maria do Carmo
15/08/2008 - Bruno Gaudêncio
11/08/2008 - Franklin Jorge