

Poeta, contista, tradutor, publicitário e editor. 52 anos. Formado pela Universidade de São Paulo, complementou seus estudos na França e na Alemanha. Trabalhando sempre ligado ao mercado publicitário, foi redator, diretor de criação e diretor de filmes comerciais para as principais agências promocionais de São Paulo e Rio de Janeiro.Tendo vivido na cidade de São Paulo a maior parte de sua vida, vive hoje no Rio de Janeiro, onde trabalha como editor da Ibis Libris Editora, em parceria com a poeta Thereza Christina Rocque da Motta.
Quando nasceu?
Nasci no dia 10 de agosto de 1956 – dia de São Lourenço – segundo a liturgia católica, que não sigo.
Onde?
Em Barretos, SP, muito conhecida pela Festa do Peão de Boiadeiro, a qual não recomendo a ninguém.
Como se chamam seus pais?
Álvaro e Vera.
De onde são?
Álvaro era de Patos de Minas, MG, e Vera, de Jaborandi, SP, ambos de lugar nenhum, como era comum no Brasil de então.
O que você herdou do seu pai?
O gosto pelo trabalho e a generosidade.
E de sua mãe?
A capacidade de inventar.
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
Meu pai, fizesse frio ou calor, nunca levantou-se depois das seis. Quando já não tinha mais o que fazer, arranjava. Em tempos bons ou ruins sempre pensava em terceiros e dava o que tinha para dar. Achava mais simples dar, e nunca olhava para trás. Minha mãe, tivesse ou não comida para por na mesa, inventava e a comida aparecia, e nunca menos que maravilhosa. Aos mais novos, que sempre esperam algum doce, com dois ovos, uma colher de açúcar e uma frigideira com óleo quente, inventava a sobremesa dos deuses.
Quem é você?
Sou o que posso lembrar. E lembro muito as coisas que li e leio, e muito as coisas que vi e vejo, as pessoas que conheci e conheço, as coisas que escrevi e escrevo. Mas, essencialmente, sou o que escrevo.
Mais fatos.
Entre o boteco e a boate, fico com o boteco, tem mais variedade de gente. Entre um filme e um livro, evito o confronto, e arranjo tempo para os dois. Entre o romance e a poesia, fico com a poesia, que é mais o meu fazer. Entre você e eu, primeiro você, é uma questão de educação.
E sua infância?
A mais remota não tenho lembrança. Reconheci o mundo pela primeira vez por volta dos 7 anos e já me senti velho. Jamais ganhei presente de Natal e nunca senti falta. Estive sempre atento à conversa dos adultos. Me achava mais sensato que os adultos e muito, mas muito mesmo, mais afetivo.
Como brincava?
Qualquer paixão me divertia. E tudo era paixão. Tinha um certo pendor para a liderança, mas nunca o exerci entre os amigos.
Quando deixou sua terra?
Nunca tive muito apego a lugares. É bom saber onde nasci, mas isso não muda nada, em essência. Tive mais relação com as casas que habitei. E foram muitas. A última casa (terra) que deixei era em São Paulo. Agora vivo em outra terra, a mesma terra, outra casa, no Rio de Janeiro. Uma casa que você sinta ser a sua casa é a terra, e essa eu nunca deixei.
Que coisas tem feito?
Hoje, trabalhando como editor, sinto mais utilidade em trabalhar. Já que todos os outros trabalhos eram mais pelo dinheiro, e não sinto por eles nem orgulho nem desprezo. Hoje, trabalho muito, mas isso eu sempre fiz, e gosto de trabalhar. Tenho escrito meus poemas e isso nunca esqueço que é o principal trabalho, e também o mais prazeroso. Ultimamente, dei de escrever ensaios. Na verdade, não sei se podem ser chamados assim. É mais como uma simples exposição de idéias. Talvez esteja querendo provar que ter passado pelas universidades teve alguma valia. E continuo lendo, todos os dias, e de tudo um pouco. Beijo minha mulher todos os dias.