

Quando nasceu?
Em 19.12.1939.
Onde?
Em Roque Gonzales, RS.
Como se chamam seus pais?
Theobaldo Hoffmann e Rosa Hoffmann (ambos falecidos).
De onde são?
Do atual, e vizinho, município de São Pedro do Butiá, RS.
O que você herdou do seu pai?
A vontade de ser bom, a disposição de servir à comunidade e o cuidado com os detalhes, as coisas mínimas.
E de sua mãe?
O espírito de família, o desejo de cultura e o sonho.
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
Tenho por regra gostar das pessoas e, realmente, quero bem a todos (= vontade de ser bom); até me aposentar, não me lembro de alguma ação, entidade ou organização social que tenha surgido, ou exercido atividades em Roque Gonzales/RS, e de que eu não tenha participado (= servir à comunidade); e sou um perfeccionista, o que, por vezes, até me prejudica pela insistência em permanecer na busca de correções mínimas (= cuidado com os detalhes).
Meus filhos e meus netos são tudo para mim, só com eles me sinto bem, realizado e feliz (= espírito de família); minha vida toda é uma busca de crescimento interior, intelectual, espiritual (= desejo de cultura); e o fato de estar sempre, desde a infância, envolvido com livros, leituras e escrita, é mais que suficiente para mostrar o grande sonhador que eu sou (= o sonho).
Quem é você?
É a pergunta que eu também sempre me faço: Quem sou eu? Por que e para que estou aqui? Em suma: sou mesmo uma Pergunta Ambulante.
Mais fatos.
Escrevo porque preciso escrever. Preciso escrever porque tenho perguntas. Tenho perguntas porque sou limitado. Sou limitado porque as respostas que encontro não satisfazem. Não satisfazem porque essas respostas são novas perguntas. As novas perguntas exigem novas escritas que geram novas repostas que mostram novas limitações que angustiam com novas perguntas que me obrigam a novos rabiscos que…
E sua infância?
Tranqüila, boa. Até diria, feliz. Como toda a infância de uma família boa, isto é, bondosa, carinhosa.
Como brincava?
Normalmente, só. Sempre fui bastante solitário, de poucos amigos. Gosto das pessoas, mas sou reservado, amigo do silêncio. Desde a infância. Meu brinquedo preferido era fabricar brinquedos: caminhãozinhos de madeira, então, era uma especialidade minha. Meu pai tinha serraria e, junto, toda uma aparelhagem de marcenaria. Era o meu mundo, quando não descobria algum livro esquecido, revista... Estes, uma raridade, naquele tempo, no meio destes matos. Com um livro, sumia o mundo e eu sumia junto.
Quando deixou sua terra?
Nunca deixei minha terra. Apenas passei quase duas décadas fora, estudando (ginásio, 2º grau, faculdades), a partir do ano de 1952, quando cheguei aos 12 anos de idade.
Que coisas tem feito?
Nasci, brinquei, estudei, viajei, casei, tenho dois filhos e três netos. Sofri muito e vivi bem.
Formei-me em Contabilidade, Direito, Letras e deixei Filosofia inconcluso. Fui serrador, seminarista, colono, auxiliar de escritório, bancário, jogador de futebol, estudante sempre, contabilista e advogado com banca própria, corretor de seguros, despachante, funcionário público e várias vezes secretário municipal, assessor jurídico, consultor, secretário executivo, professor, conselheiro editorial, repórter, articulista de jornais, correspondente de revistas, autor de livros, leitor compulsivo de milhares de livros…
Hoje, só cuido de livros e netos.