

Professora, formada em Letras e Serviço Social pela UERN, nascida na Maternidade Januário Cicco. Dedica-se também aos trabalhos artesanais. Uma das personalidades mais famosas de Mossoró, pertence à Confraria do Bagdad, instituição oficiosa que reúne diversos profissionais liberais que apreciam o café e um bate-papo.
Quando nasceu?
Em cinco de março de mil novecentos e cinquenta e uns...
Onde nasceu?
Em Natal-RN.
Como se chamam seus pais?
Pedro Câmara e Maria Cecy Câmara.
De onde são?
Meu pai nasceu em Felipe Guerra-RN. Minha mãe, em Pombal-PB.
O que você herdou de seu pai?
O gosto pela vida, o amor às viagens, conversar com os amigos, apreciar nos outros a inteligência e a sabedoria, o senso de liberdade e independência, a integridade de valores e sentimentos.
E de sua mãe?
A habilidade para as artes manuais, o gosto pela vida pacata e simples.
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças?
A capacidade de trabalhar me divertindo, a alegria, o respeito aos outros. Deles só não herdei o gosto de comprar, mas sempre pagando em dia.
Quem é você?
Sou uma pessoa alegre e extrovertida, que gosta de festa e de passear. Porém não me realizei profissionalmente, pois a vida de professora deixa muito a desejar, seja pela má remuneração, seja pelo sucateamento das escolas e a falta de condições para um perfeito desempenho da função, seja pelo desinteresse dos alunos. Além disso, sinto a falta do filho que não tive. Mas sou feliz, porque Deus me ajuda. Sou uma pessoa que anda devagar, levando esse sorriso, pois já tive pressa...
Mais fatos.
Como assistente social só tive a experiência do estágio, que foi no Fórum Desembargador Silveira Martins, na Vara da Infância, onde trabalhei com Simone Ramos, Vilayne, Rejane e minha amiga de guerra Neide Queiroz, sem a qual eu não teria concluído o meu curso. Foi uma época importante em minha vida, pois tive como professoras, no curso de Serviço Social, Wálbia Carlos, Eva Fonseca, Telma Gurgel, Zélia Rodrigues, Regina Cláudia, Marlene...
E sua infância?
Tive uma infância normal como qualquer criança de uma classe social menos favorecida, porém com um diferencial – nunca passei minhas férias em Mossoró. Sempre, nessa época, pegava o trem com meus pais e íamos de Mossoró para Souza, na Paraíba, onde ficávamos numa fazenda, tomando leite no curral, brincando de queimado e de cozinhadinho, tomando banho de rio, me divertindo com os momentos felizes que uma vida simples pode proporcionar.
Como brincava?
Brincava, como todas as meninas, de bonecas, de esconde-esconde, de cantigas de roda, ajudando minha mãe em casa, encerrando o piso, arrumando os móveis, participando das festas populares e religiosas da cidade, como a da padroeira Santa Luzia, quando a gente tinha direito a sapatos e roupa nova.
Quando deixou sua terra?
Meu pai trabalhava na Saúde, em Natal, e foi transferido para Mossoró quando eu tinha cinco anos. Aqui o meu avô era bem estruturado, economicamente, deu-lhe uma casa de presente, essa casa onde moro até hoje.
Que coisas tem feito?
Fiz de tudo, menos usar drogas. Estudei, costurava para minhas amigas e pessoas do meu bairro, em certa época passei a fabricar fardamentos escolares, mas desisti depois de algum tempo, pois todo mundo, ao ver o meu êxito, passou a explorar esse filão e resolvi parar, por não ser competitiva. Fabriquei bijouterias, o que faço até hoje, embora com prejuízos, pois algumas pessoas, talvez por pensarem que eu não preciso desse adjutório, se esquecem de pagar... Ainda assim, com prejuízo, orgulho-me dessa habilidade, especialmente quando as pessoas olham os acessórios que crio e dizem “que coisa linda”, e eu posso lhes responder, foram feitos por mim...