
[FotoArquivo]

Maria do Carmo de Freitas Rego, idade não declara. Médica, divorciada, mãe de Vinicius de Freitas Rego Montenegro, estudante do Curso de Medicina da UnP-Natal. Formada pela Universidade Federal da Paraíba, vive e trabalha em Mossoró.
Quando nasceu?
Esse negócio de idade é engraçado, porque a gente vai envelhecendo mas ao mesmo tempo permanece sendo como sempre foi. Quando nasci, na década de 50, uma pessoa de 40 anos era considerada velha. A única vez que parei para pensar nisso foi quando fiz 30 anos de idade. Talvez um dia eu me descubra com 60 e tenha um ataque, mas, até agora, nada... É uma realidade: a gente envelhece. Minha avó dizia que velhice não é uma escada que você vai descendo, são degraus. É óbvio que é mais legal ser jovem. Mas, não voltaria um dia para trás. Se não houvesse espelho e nem amigo de infância, a gente ficaria a vida inteira com 20 anos.
Onde?
Portalegre-RN.
Como se chamam seus pais?
Alvacir de Albuquerque Rego, 90 anos. E Alaíde de Freitas Rego, 87.
De onde são?
[Não respondeu]
O que você herdou do seu pai?
[Não respondeu]
E de sua mãe?
[Não respondeu]
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
Meus pais me influenciaram em todos os sentidos, como ter um caráter reflexivo, muito denso. Porque são pessoas que têm uma vida consistente, de valores, como ética, responsabilidade, amor.
Quem é você?
Eu sou sou assim... do jeito que sou. Uma pessoa do bem, alegre, curiosa e que adora a profissão. Sou pavio curtíssimo, mas hoje estou mais tolerante. Antes, qualquer coisa podia mudar meu humor. Não suporto injustiça, preconceito, negligência. Busco a simplicidade, seja no meu trabalho, na minha alimentação ou no meu jeito de vestir. Faço questão de estar bem fisicamente levando uma vida saudável. Tenho minhas vaidades, mas há um limite para a vaidade. É triste ver algumas mulheres exagerando nas plásticas e no botox: tornam-se caricaturas de si mesmas.
Gosto muito de minha solidão, me entretenho muito comigo mesma. Não sou uma pessoa de badalações. Tenho pânico de muvuca. Tenho uma tendência saudosista. Mantenho um vinculo afetivo com as origens e laços familiares. Guardo muitos valores que estiveram em voga e que hoje andam esquecidos... As relações pessoais estão focadas no interesse próprio. Sou feliz porque consegui amigos de Portalegre [do meu tempo]. Elas são uma referencia para mim. Guardo com carinho todos os meus companheiros.
A maturidade foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Não sou religiosa, mas espiritualizada. Procuro Deus, sempre. Deus é tudo. Fui criada no catolicismo, mas acredito na reencarnação, no carma, que a gente colhe o que plantou. Não sei como nem onde, mas acho que a alma permanece. Não posso acreditar que tudo o que somos simplesmente termine com o final da travessia.
Tenho medo. Medo de perder quem amo... Não sei viver sem minha família. Não abro mão de compromissos familiares.
É... Sou uma pessoa interessante. O tempo me deu isso: tenho um estilo. Estou mais tratada, mais consciente, mais seletiva e mais segura.
Mais fatos.
[Não respondeu]
E sua infância?
Ah que saudades que eu tenho da aurora da minha vida,
Da minha infância querida que os anos não trazem mais...
Minha infância foi muito feliz. Tudo o que uma criança de uma cidade interiorana poderia fazer eu fiz.
Como brincava?
Brinquei com minhas bonecas [bruxinhas de pano que a gente mesma fazia], pulava corda... Participei de pastoris e à noite brincava ao ar livre sob a luz do luar [não havia energia elétrica na época] e dançava ao som da Amplificadora Serrana, de propriedade de meu pai, ainda do tempo de discos de vinil...
Quando deixou sua terra?
Ainda criança, deixei minha cidade natal, Portalegre, em companhia de minha família, com destino à cidade de Mossoró em busca de um lugar ao sol. Mas sempre lembrando minhas raízes, meus amigos de infância, minhas travessuras e minha querida cidade serrana. Aqui fizemos novas amizades, conquistamos nosso espaço, encontramos o nosso porto seguro. Aqui somos felizes e gratos a Mossoró que nos deu condições para sermos o que somos hoje: pessoas realizadas na vida.
Que coisas tem feito?
Trabalho... Família... Trabalho. O dia a dia é sempre uma luta para a organização de horários. Tenho um tempo comigo mesma à noite. Meus maiores prazeres são os mais simples: ficar em casa lendo histórias de amores arrebatadores, e sobre filosofia Zen. Acho engraçado como hoje Zen tem outro significado. Virou sinônimo de pessoa calma, desligada do mundo, quando na verdade chegar à Zen é estar atento, conectado em tudo.
Não vivo sem música. É gostoso ouvir Elton John, Billie Holliday, Bob Marley e MPB em geral. Em casa gosto de assistir filmes. Quando quero relaxar vou à praia de Tibau. Costumo ir ao shopping Liberdade reencontrar a confraria do Café Bagdad é outra coisa que faço com freqüência.