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Um dos mais talentosos escritores de sua geração, 26 anos, dedica-se também ao jornalismo cultural. Ex-editor de cultura de “O Jornal de Hoje”, colabora na revista “Piauí” desde a sua criação. Acaba de lançar “Dias Estranhos”, reunião de crônicas de um talento inovador.
Quando nasceu?
1982, sob os fogos da fatídica Copa do Mundo de 1982.
Onde?
Patu, no pé da Serra do Lima.
Como se chamam seus pais?
João Batista Rodrigues Dantas e Miriam Levino.
De onde são?
Meu pai de Messias Targino, minha mãe de Patu. Cidades vizinhas.
O que você herdou do seu pai?
O gosto pelo risco, que embora ele tenha assumido apenas num determinado
período da vida, admiro mais que a postura linear desde o fim dessa fase
até hoje.
E de sua mãe?
Coragem, penso eu.
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
Do meu pai o pouco medo que tenho de arriscar, mudar, sair do que não me
dá prazer. Larguei Direito, nunca exerci, quando percebi que não teria
prazer algum fazendo aquilo, cercado de códigos, leis. Decidi escrever
e viver disso, ir contra a maré da estabilidade, do jeito que ele fez
quando um dia saiu de Messias Targino e se danou pelo mundo, voltando
anos depois. Da minha mãe a coragem de esgotar todas as possibilidades
para conseguir o que quero, diante de portas na cara, chás de cadeira.
Não desisto.
Quem é você?
Um contador de histórias. Observador da banalidade alheia.
Mais fatos.
Dia desses indo para o trabalho pela estrada de Ponta Negra, num ônibus
demoniacamente lotado, vi um gari deitado no canteiro, na grama,
cheirando uma flor. Foi a coisa mais sublime que testemunhei na cidade.
Uma xanana, que não se perca pelo nome. Outra soberba foi o Rio
Amazonas. Chorei enquanto aquele mundo d’água se descampava na minha
vista. Fiquei emocionado. Me arriscaria naquele rio, teria coragem de
ir por suas locas e igarapés. Herdei o gosto por água doce dos meus
pais. Açudes da infância.
E sua infância?
No sertão. Correndo a cavalo, acordando cedo nas férias que passava na
fazenda da minha avó, em Patu. Água de cacimba, galão, carneiro
torrado, galinha caipira, tejo-açu, buchada, codorna, caças de todos os
tipos. Comi tudo desde sempre, boca boa, filho de pobre. Depois com o
tempo ficava um período de férias na fazenda, outro na casa de praia.
Mar e açude, mas prefiro açude.
Como brincava?
De quase nada. Usando quase nove graus de miopia junto com astigmatismo,
não via quase nada sem os óculos. Não podia jogar bola com eles, com
medo de quebrar, não podia nada, me dava agonia. Andava de bicicleta,
soltava pipa e lia.
Quando deixou sua terra?
Patu aos dois anos, mas retornava várias vezes por ano desde então.
Caicó, aonde me criei, aos 15 anos.
Que coisas tem feito?
Leio e escrevo, o quanto posso.