
Foto by Renata Stoduto

Professor universitário, poeta performático, poliédrico, hiperativo, como se define. 35 anos. Sua aparência revela essa atração pelo diferente: unhas pintadas, óculos coloridos e cabelos raspados, sempre com um desenho diferente a cada semana. Ao mesmo tempo em que seus poemas são recitados pela cantora Ana Carolina na turnê "Dois Quartos", aparecem como questão de grande parte dos vestibulares do Rio Grande do Sul, como a UFRGS, a Unisc e a UCS.
Quando nasceu?
23 de outubro de 1972
Onde?
Caxias do Sul, RS
Como se chamam seus pais?
Carlos Nejar e Maria Carpi
De onde são?
Porto Alegre e Guaporé
O que você herdou do seu pai?
Insistência.
E de sua mãe?
Transcendência.
Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
Meu pai, quando jovem, recebeu uma perspectiva médica de que teria apenas 6 meses de vida em função de problemas no coração. Está vivo dentro e fora dos livros. Minha mãe usava o terço como marcador de página. Suas leituras viviam rezando.
Quem é você?
Um menino que nunca matou passarinho. E não desceu do telhado para jantar.
Mais fatos.
Era tímido, retraído e religioso, recolhia os passarinhos das valas do bueiro e os gatos mortos do terreno baldio para enterrá-los em meu pátio. Enterrar não é esconder, é mostrar para Deus.
E sua infância?
Minhas lembranças nunca chegaram a doer porque vivia abraçado nas árvores.
Como brincava?
Com pião, carrinho de rolimã, bolas de gude e de futebol. Minhas mãos foram pandorgas presas nos fios elétricos. Escrevo para dar choque.
Quando deixou sua terra?
Nunca. Ela é a forma que tenho de abrir a boca. O vento é meu sotaque.
Que coisas tem feito?
Intimidade com muitas estranhezas.