[Esta coluna se publica duas vezes por semana] 

 

Publicado em 05 de Setembro de 2008


À direita,Vitoriano. FotoArquivo de Franklin Jorge.

Vitoriano é de Mossoró. Valha, 54 anos.  Vicente Vitoriano Marques Carvalho, arquiteto, professor universitário, artista plástico, poeta, contista, músico, um dos criadores de Gato Lúdico uma banda performática cult de Natal nos anos 70-90 do século passado, dramaturgo, ator, diretor etc. Assina coluna semanal especializada no Diário de Natal. Um dos fundadores do Grupo Cobra que reuniu os jovens valores mais talentosos sob a inspiração de Franklin Jorge, os pintores Fernando Gurgel, Flávio Américo, Gilson Nascimento,o próprio Vitoriano, uma plêiade.

 

 

 

Quando nasceu?


01.06.54

 

Onde?


Mossoró, RN

 

Como se chamam seus pais?


José Victor de Carvalho e Maria de Lourdes Marques

 

De onde são?


Ele Mossoró-RN, Ela Castanhal-PA

 

O que você herdou do seu pai?


A origem indígena.

 

E de sua mãe?


Uma perspectiva humanitária sobre a sociedade, sobre a vida.

 

Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.


Minha cara de lua e o corpo sem pelos denunciam minha origem indígena, além da pele avermelhada. A devoção católica de minha mãe e a própria educação religiosa que ela transmitiu tiveram a capacidade de me formar pacato e de me fazer compreender o pecado como o prejudicar o próximo. Acho que é por aí.

 

Quem é você?


Um homem preocupado em aprender coisas.

 

Mais fatos.

[Não respondeu]

 

E sua infância?

Que me venham as imagens

todas assim desbotadas

velhas fotos roídas por traças

rasgões que sinto por dentro

por dentro de cada nervo

por dentro de cada osso

Onde estou o eu que fui moço?

 

Que me venham as roladeiras de ferro

e os tambores de papel e de lata

ou um corrupio de tampa de garrafa

As bolas de meia encharcadas de lama

O gado de ossos, bonecos de milho

E os globos de espuma que vêem e que vão

soprados do talo da folha do mamão

 

Que me venham as paredes

Salitradas e decadentes

Os muros, os matos, os monturos

Os montes de coisas, tesouros

Ferro, cordas, gesso e sal

O cheiro da cera de carnaúba

E o pelo tênue das bagas da rosa-cera

 

Que me venham as chuvas

Com trovões avassaladores

E relâmpagos estroboscópicos

valendo sóis no meio da tarde

os riachos das ruas sem calçamento

Os diques, os charcos e as poças

os sapos, os pregos e as mariposas

 

Que me venham serpentinas as curvas do rio

o perigo dos banhos sempre proibidos

As batatas cavadas embriagantes

camas verde-violeta do aguapé

cortinas verde-laranja do melão-caetano

mangas, cajus, cajaranas e siriguelas

e falsas caças ao passarinho de papo amarelo

 

Que me venham os trilhos em brasa

Os dormentes passivos como suas casas

As pedrinhas roladas boas de baladeira

ariscos calangos e as lagartixas

O trem, vagões, os tanques, engates

Poeira, fumaça, madeira que range, ferros tinindo

E os pulos certeiros de clandestino

 

Que me venham as horas de vozes e música

saídas do rádio na mesinha do canto

Violeiros, cantadores, Chopin e os boleros

As aulas de inglês, Chapeuzinho Vermelho

Novelas e gingles, a música de filmes

Ave-marias, de tarde, dolentes

calmando a febre e a dor de dente

 

 

Como brincava?


Veja poema acima

 

Quando deixou sua terra?


Em 1974, vindo para Natal, cursar Arquitetura e Urbanismo, na UFRN.

 

Que coisas tem feito?


Participado de exposições coletivas com trabalhos que especulam a história da arte, em particular os procedimentos da pop arte. Em paralelo, há uma produção experimental (amadora mesmo) com fotografia e as aquarelas que são minha paixão. Estas últimas têm sido produzidas junto ao Grupo Universitário de Aquarela e Pastel, que coordeno na UFRN.

 

Continuo trabalhando como professor na UFRN, estudando e orientando estudos sobre a história da arte antiga ou contemporânea, embora meu interesse incida sobre o modernismo artístico. Lá também participo de uma base de pesquisa em que desenvolvo estudo sobre história da metodologia do ensino de arte.

 

Atualmente faço uma pesquisa comparativa entre o modelo acadêmico e modos autodidáticos de aprendizagem artística.  

À parte, tenho escrito uma coluna sobre artes visuais no Diário de Natal e venho atuando como curador em projetos de exposições para o SESC-RN, tendo realizado uma exposição com obras de Newton Navarro, do acervo daquela instituição. No momento, faço a curadoria de uma amostragem dos desenhistas do Rio Grande do Norte. A exposição será montada em Natal, Mossoró e Caicó.


 


ARQUIVO
16/02/2009 - Astrid Cabral
11/02/2009 - Miguel Sanches Neto
07/02/2009 - Michelle Ferret Badiali
23/12/2008 - Adriano de Souza
18/12/2008 - Henrique Marques-Samyn
31/10/2008 - Maria do Perpetuo Socorro Wanderley de Castro
27/10/2008 - Maria Ione Câmara
24/10/2008 - Francisco Miguel de Moura
20/10/2008 - Nelson Hoffmann
17/10/2008 - Dorotéa Dantas
13/10/2008 - Raimundo de Moraes
10/10/2008 - Laélio Ferreira de Melo
06/10/2008 - Pedro Macário
03/10/2008 - Maria Rizolete Fernandes
29/09/2008 - Carlos Roberto de Miranda Gomes
26/09/2008 - João José de Melo Franco
22/09/2008 - Clauder Arcanjo
19/09/2008 - Sérgio Chaves
15/09/2008 - Anderson Braga Horta
12/09/2008 - Mário Alves de Oliveira
08/09/2008 - Marcel Lúcio Matias Ribeiro
05/09/2008 - Vicente Vitoriano
01/09/2008 - Natércia Pontes
29/08/2008 - Fabrício Carpinejar
25/08/2008 - Paulo Benz
22/08/2008 - Rodrigo Levino
18/08/2008 - Maria do Carmo
15/08/2008 - Bruno Gaudêncio
11/08/2008 - Franklin Jorge