EXPLICAÇÕES PIORES DO QUE O SONETO

10 de março de 2010

Por Josias de Souza, da Folha de São Paulo

Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”.

Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba.

Na ilha de Fidel, lamentou que um preso “se deixe morrer de greve de fome”.

Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de “explicações”.

Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de “esclarecimentos”.

Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro:

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada “Lei de periculosidade”. Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere “perigosas”.

Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por “perigoso”, pode delinquir.

Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, recorrem à privação alimentar:

“Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou.

Comparou os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos ao sistema carcerário paulista:

“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade”.

Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, igualando-o a um Marcola qualquer.

Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba “não acontecesse”. Mas…

“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”.

Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num alaporado ideológico.

É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele.

Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira.

BANCOOP:DESVIO PODE CHEGAR A 100 MILHÕES

10 de março de 2010

Do jornal O Estadão de São Paulo

José Carlos Blat diz não ter dúvida de que uma fatia desse montante foi destinada a campanhas eleitorais do partido

Pode ultrapassar R$ 100 milhões o total do desvio de recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), calcula o promotor de Justiça José Carlos Blat, da 1ª Promotoria Criminal da Capital. “A movimentação sob suspeita indica que o rombo supera R$ 100 milhões”, disse Blat, após análise parcial de 8,5 mil extratos bancários da cooperativa, relativos ao período de 2001 a 2008.

Blat está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT - ele não aponta valores exatos que teriam tomado esse rumo porque, alega, depende de investigações complementares.

Na sexta-feira, o promotor requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa até fevereiro, quando deixou o cargo para assumir o posto de tesoureiro do PT. Também foi pedida uma devassa nos investimentos de dois ex-diretores da entidade, Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga.

Promotor quer o bloqueio das contas da Bancoop

“Que houve desvio eu não tenho mais dúvida alguma”, diz o promotor, após dois anos e meio de apuração. “Os dirigentes da cooperativa transformaram-na em negócio lucrativo, utilizando os benefícios da lei para lesar milhares de cooperados que aderiram através de contratos para a construção de moradias. Uma parte desse dinheiro foi para o PT, outra parte para o enriquecimento ilícito de ex-dirigentes da Bancoop.”

Ele identificou “milhares de movimentações financeiras fraudulentas visando a ludibriar os cooperados”. O promotor identificou “operações inusitadas, obviamente para mascarar o desvio de dinheiro para caixa 2 de campanhas eleitorais”. Estadão (aqui)

LULA, O ‘MESSIAS’

10 de março de 2010

Por Carlos Vereza, ator

Lula, não é um caso de análise politica e sim de um tratamento psiquiátrico.Ele não tem nenhum projeto de governar, de criar uma sociedade onde a cultura da cidadania seja exercitada. O Grande Timoneiro, em verdade, quer “vingar-se” pleno de ressentimento dos “burgueses” que, segundo sua paranóia, o “castigaram ” com uma vida marcada pelas privações de toda ordem.

Não é necessário recorrer a Freud para constatarmos que estamos diante de um cidadão tipicamente borderline, um transtorno psiquiátrico, misturando a personalidade aparentemente normal com momentos psicóticos. Daí, as bruscas mudanças de comportamento, aliadas a uma visão super idealizada de si mesmo, que, quando confrontadas com uma “rejeição,” pode levá-lo à atitudes extremas.

Todo este quadro, mais uma imensurável megalomania, e temos, no caso de Lula, um eterno aspirante ao poder absoluto; um “Messias” vocacionado a “mudar o mundo”, não importando os meios necessários para fazê-lo.

É evidente que esta disfunção psicológica não justifica a canalhice politica que lhe é peculiar, senão todos os portadores deste desequilibrio, perfeitamente controlável por medicações, seriam meliantes, perdão, digo militantes do PT.

A ditadura, que já começa matreiramente, a instalar-se no país é, em verdade, um projeto duradouro de permanencia no poder, sem uma ideologia que almeje um Brasil realmente de todos os brasileiros. Sendo assim, São Lula após “reformar” a ordem mundial em parceria com os seus coadjuvantes Chávez, Ahmadinejad e Marco Aurelio Garcia, ascenderá aos céus, louvado por cânticos entoados pela beata Ideli Salvati!

Ao fundo José Dirceu, carregado em triunfo pela horda do MST, assumirá a presidência do país.

FALHA HUMANA

10 de março de 2010


Por Edilson França,
SubProcurador Geral da República

E-mail: edilsofranca@hotmail.com

Entre perplexo e arrependido, lembramo-nos bem, o preso foi exibido durante o chamado horário nobre, em noticiário televisivo nacional. Seu crime: raspou, indevidamente, a casca de uma árvore. Em conseqüência, se viu incurso nas severas sanções da lei penal que tutela o meio ambiente.

Naquele momento, pouco lhe adiantou acenar com sua reconhecida ignorância nem, muito menos, revelar sua urgente necessidade de preparar um remédio para sua mulher. Negou-se-lhe, contrariando conhecida lição de D. Hélder Câmara, até mesmo o direito de mentir, se é que o pó raspado da protegida árvore tinha finalidade diversa daquela declarada. O certo é que aquele noticiado crime ecológico resta esquecido. Até porque o dano dele decorrente afigurou-se mais irrisório do que se pretendeu.

A infração ecológica do momento é outra, bem mais grave que aquela perpetrada pelo homem que ousou tirar algumas raspas da solitária árvore. Nesse novo ato ilícito, dado como decorrente de “falha humana”, não se faz possível avaliar, em raspas, em unidades, em metros ou em quilômetros, o montante do dano ecológico causado. A avassaladora capacidade destrutiva do óleo derramado em terras e águas paranaenses reduz o delito do homem da casca a inocente brincadeira de criança.

Esse outro crime, mais recente, impressiona pela capacidade destrutiva. Não só atingiu o meio natural em seus elementos mais complexos, como afetou, em grande escala, o equilíbrio ecológico enquanto patrimônio coletivo.

Rios, riachos e adjacências estão sofrendo as conseqüências do caldo tóxico. Sem dúvidas, com seus estômatos fechados pelo óleo, milhares de plantas ainda morrerão no mesmo passo em que a vida animal vem sendo parcialmente dizimada.

Nesse contexto, um dos pontos que mais nos preocupa e desperta antecipada compaixão, é aquele relativo ao que vai acontecer aos responsáveis pelo crime do rio Iguaçu. Se o homem da casca, com bons antecedentes, foi preso, algemado e exibido em jornal televisivo nacional, o que não será dos “homens do petróleo”, quando responsabilizados pelos danos decorrentes do sinistro “banho” de quatro milhões de litros de óleo, vazados da refinaria de Araucária.

O nosso maior receio é que o rigor punitivo que certamente virá, não se inicie por algum daqueles peões contratados que, cansados da extenuante faxina ecológica, venham pisar em algum pequeno animal que porventura tenha sobrevivido ao cataclismo e, por isso, em sinal do bom exemplo, sejam, de antemão, presos, processados e devidamente punidos.

Pior ainda, o temor aumenta quando se sabe que homens como aquele da “casca raspada”, ao contrário dos homens do petróleo derramado, não têm como desenvolver suas defesas em torno de uma teoria científica, baseada, por exemplo, na “fatiloqüência da falha humana em concausa com o déficit igualmente fortuito de um plano básico de contingência”.

Sinceramente, todos nós esperamos que peões não sejam acusados e, desta feita, buscando-se encontrar os verdadeiros culpados, sejam as teorias científicas por eles desenvolvidas, apreciadas com os pés no chão; enquanto terra firme existe.

LEMBRANDO CARMO BERNARDES

8 de março de 2010


Por Franklin Jorge

Alcyone Abrahão já havia me avisado que eu gostaria de Carmo Bernardes à primeira vista. “É um gentil-farmer bonacheirão”, disse-me, “sem herdade nem eira, mas dotado de grande carisma”. Nada mais preciso e correto do que esse juízo dessa que foi uma grande divulgadora da cultura goiana em Natal e da cultura norte-rio-grandense em Goiás.Ela ainda ajuntou que se eu chegasse a encontrá-lo algum dia, logo o reconheceria…

Conheci-o, sim, em Goiânia, à minha espera nas proximidades dum ponto de baldeação de ônibus, numa luminosa tarde de setembro. Modestamente vestido como um homem da roça, logo que saltei e meus olhos caíram sobre aquele velho que esperava encostado numa brasília chamativamente cor de abóbora, percebi de quem se tratava. Fiz-lhe um aceno e ambos nos encaminhamos, ele bem lentamente, um para o outro. Ele usava umas calças marrons e uma camisa xadrez decentemente passadas.

Carmo quis que nos encontrássemos ali, para evitar-me o cansaço de procurar a sua casa num bairro populoso e, segundo ele, distante de onde eu me achava hospedado, “num bairro de ricos e de gente metida a rica”. “Como sabe por experiência própria”, disse-me, “quem sabe escrever e tem opinião jamais consegue prosperar do ponto de vista material. Quem detém o poder, quer escribas servis… Pelo que já ouvi a seu respeito, creio não ser o nosso caso.” Sem delongas, rendi-me imediatamente aos carismas daquele homem que era também, a meu ver, um grande e original escritor que havia muito me enredara com a sua arte de concatenar em textos ricos de forma e conteúdo o fruto de suas observações.

Teria já uns setenta anos, mas não dava conta disso, apesar do rosto sulcado de rugas. Notei que tinha as mãos grossas e calosas, como as de alguém que lutara no cabo da enxada amanhando a terra benévola de seus antepassados, uma gente que em algum momento viera de Minas para Goiás, em busca de uma nova vida, conforme fiquei sabendo depois ao ler um livro seu de memórias que durante anos, especialmente durante os anos que vivi na Amazônia, me acompanhou por toda a parte, a ponto de praticamente se desfazer em minhas mãos.

Uma vez, tendo o esquecido esse livro num quarto de hotel, em Cabixi ou Pimenteiras, fiz o motorista voltar trezentos quilômetros para recuperá-lo, aborrecendo com isso enormemente ao governador, que depois de me ouvir sobre a grandeza do seu conterrâneo, se divertia contando aos amigos que eu me atrasara por causa de “um livro velho”…

Autodidata, dotado de uma cultura popular enciclopédica, nada havia entre o céu e a terra que não lhe despertasse o interesse e estimulasse a sua inteligência e capacidade de análise. Passei algumas horas esplêndidas, ouvindo-o sobre a grandeza da terra e o engenho dos pobres, que são muitos, e, portanto, algum dia, tornarão a vida dos ricos insuportável, se a justiça social não for implementada em quanto há tempo. Sem ser um leitor de Borges, ele repetia assim o que dissera o velho bruxo das letras acerca da revolução que se fará, não pelos pobres, mas pelos ricos, que não suportarão viver num mundo de miseráveis…

Seu eu jornalístico, habituado a reagir e a opinar, fez de Carmo Bernardes, talvez, o cronista mais lido e querido de Goiás. Escrevendo sobre a terra e o povo, que conhecia em extensão e profundidade, reuniu em torno de suas letras um verdadeiro fã-clube, apesar de sua condição de homem pobre e avesso ao que chamamos de “vida literária”. Cônscio, porém, do seu talento, nunca transigiu com o compadrio que infesta e domina o oficialismo, fazendo-se reconhecer inclusive fora do país, ao receber o prestigioso prêmio literário conferido em Cuba pela “Casa de las Américas”, o que o coloca no mesmo elenco de outros grandes autores latino-americanos distinguidos com a láurea.

UM GOVERNO QUE MANCHA A MULHER

8 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Francisca Lúcia Lopes Dantas, 30 anos, mulher do traficante Jackson Michael da Silva, 21, foi executada - suspeita-se que por policiais - ao deixar a delegacia após prestar depoimento sobre ocorrencia envolvendo seu marido. Retaliação e possivelmente queima de arquivo, levada a efeito algumas horas depois de Michael ter matado um policial.

Esta, a policia da governadora Wilma de Faria, que ainda não se manifestou sobre o caso nem determinou providencias para esclarecimento dos fatos. Mais um caso não solucionado por este governo que mancha a mulher com inépcia e maus exemplos?

E aí, Dona Wilma?

Todo o Rio Grande do Norte aguarda suas providencias neste 8 de março em que o Dia da Mulher é comemorado. Que não seja apenas mais uma falácia, essa comemoração, aqui no estado.

DE PERNAS PARA O AR

8 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em recente encontro em Mossoró, a governadora Wilma de Faria aproveitou a oportunidade para criticar a senadora Rosalba Ciarline, candidata da oposição ao governo do estado, mas acabou cometendo um disparate que caiu no gosto do povo.

Disse a governadora, sem olhar para o rabão, que não fica bem votar em mulher que tem alguém por trás dela, mexendo a colher. Zé da Bodega, que não deixa passar nada sem comentário, ao saber do fato saiu-se com esta pérola que agora anda de boca em boca:

“A Gove tá é chorando pelo fim do seu trágico mandato…”

E, antes que alguém quisesse pedir-lhe maiores esclarecimentos, ele acrescentou, servindo uma meladinha como somente ele, depois do Nazir, sabe fazer:

“Logo ela, que em seu governo teve gente mexendo atrás, na frente, em cima e em baixo, a ponto de fazer ela deixar o Rio Grande do Norte de pernas pro ar”.

Bem pensado, Zé.

A DECEPCIONANTE VISITA DE LULA

8 de março de 2010


Por Mario Vargas Llosa,
transcrito do Estadão

Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.

Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.

Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.

DESCARAMENTO

Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.

O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.

Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.

Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.

Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.

O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.

O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao “estadista” brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário “democrático” latino-americano.

Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de “progressistas” que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.

Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: “Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos.” O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.

De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.

Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.

O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina.

MARKETING FEMININO

8 de março de 2010

Por Marcos Morita

O dia 8 de março pode ser representado por uma mulher emancipada, independente, realizada e madura, completando 35 anos de vida. A data, instituída em 1975 pela ONU, teve como objetivo lembrar ao mundo suas lutas contra a violência e a discriminação. Apesar do avanço inegável, alguns países parecem ainda estar em 1857, ano em que uma fábrica de tecidos norte-americana foi incendiada para calar a voz de mais de 130 tecelãs que reivindicavam melhores condições de trabalho e equiparação de salário com os homens.

 

Felizmente não pertencemos mais a este grupo, assim como as discussões entre as diferenças dos sexos já não são tão acaloradas. Sabemos que os homens das cavernas partiam para caça, enquanto as mulheres guardavam e zelavam a cria e o lar. Mesmo assim, protegemos e falamos de maneira mais carinhosa com bebês vestidos de cor-de-rosa. Criamos filhos e filhas com enfoques diferenciados.

Homens têm cromossomos x e mulheres y. Competitividade, excesso de confiança e espírito de aventura no primeiro caso. Proteção, abrigo e nutrição no segundo. Talvez por isso meninos tenham brincadeiras agressivas e competitivas, gostem de filmes de aventura e vídeo games de ação, enquanto meninas brincam de papai e mamãe, adoram bonecas e se deliciam com filmes românticos.

A mulher utiliza os dois lados do cérebro ao invés do direito apenas. Há também mais conexões através dos dendritos, possibilitando maior capacidade de pensar holisticamente e expressar suas emoções. Tente discutir com sua esposa ou namorada e comprove o número de palavras por minuto, as histórias resgatadas do fundo do baú e a facilidade em transformar sentimentos em lágrimas.

Com o crescimento do poder de compra, as mulheres não mais influenciam as decisões nas unidades familiares. Preferem ir direto ao consumo. Carros e apartamentos substituíram roupas, compras de supermercado e educação dos filhos. Perdidas estão as empresas e profissionais de marketing que ainda tratam as mulheres como um mercado em ascensão. Hoje elas são o mercado.

Há ainda alguns nichos que podem ser explorados. O advento da internet, a queda brutal nos custos das comunicações e a globalização, possibilitaram que grupos anteriormente excluídos pelas empresas pudessem se tornar comercialmente interessantes. O pesquisador americano Mark Penn utilizou o termo microtendências para defini-los.

Segundo Penn, microtendências são pequenas forças imperceptíveis que podem envolver até 1% da população, moldando a sociedade de forma irreversível. Considerando uma população de aproximadamente 100 milhões de brasileiras, teríamos um mercado nada desprezível de um milhão de consumidoras esperando para terem suas necessidades atendidas. Vejamos algumas.

Solteiras demais: creio que já tenha discutido com sua esposa ou família, o fato de alguma prima ou conhecida ter ficado para a titia. Inteligentes, bonitas e com bons empregos, seriam partidões caso tivessem nascidos com outro cromossomo. O comportamento agressivo na juventude e os casais homossexuais em maior número pendem a balança para o lado das mulheres.

Tigresas: apesar do ar de reprovação de algumas pessoas, é fato que o número de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens vem aumentando. Artistas e socialites cujas vidas são escarafunchadas são os exemplos mais visíveis. A independência financeira e sexual conquistada pelas gerações anteriores tem feito que mulheres maduras optem pelo divórcio.

Mulheres prolixas: as mulheres têm demonstrado aptidão em áreas que exigem o uso da palavra escrita ou oral. Algumas profissões estão se tornando redutos femininos. Cursos de jornalismo, direito e propaganda são bons exemplos. Apresentadoras, advogadas, juízas, deputadas, prefeitas, governadoras e quem sabe até a próxima presidenta, comprovam o sucesso feminino quando o assunto são palavras.

Utilizaria o termo oportunidade caso tivesse que resumir esta data em apenas uma palavra. Os especialistas em mulheres e seus comportamentos de compra têm hoje apenas uma foto do presente e a história escrita do passado. As microtendências provam que ainda há muito a avançar neste intrincado terreno que é o cérebro feminino. Mãos à obra, homens!

  

 

 

 

O JULGAMENTO DE OSCAR WILDE

7 de março de 2010

Por Marcelo Alves Dias de Souza

Já de algum tempo sou fã das comédias teatrais de Oscar Wilde (1854-1900). Coincidentemente, essa semana, uma notícia que vi na Web me levou a ele: a crescente perseguição a homossexuais em Uganda, onde a prática do homossexualismo é castigada com pena de morte.

Aliás, curioso, dei uma pesquisada e vi que ao homossexualismo é atribuída pena de morte em pelo menos mais cinco países: Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão, Irã e Iêmen. No mesmo caminho, vão dois outros países: Nigéria e Somália. Isso sem falar que mais de 70 países ainda consideram como crime o homossexualismo, com punições que vão desde chibatadas à prisão. Juntando uma coisa com a outra, lembrei que é de Oscar Wilde, certamente, o mais famoso julgamento pelo “crime” de homossexualismo.

O fato é que Wilde, o grande conversador e dândi da Londres de fins do século XIX, está entre os mais lidos e traduzidos escritores de língua inglesa de todos os tempos. Irlandês de Dublin, ele foi jornalista, poeta, contista, romancista e dramaturgo. As peças a que me referi são do seu grande período de fertilidade artística, os anos 1890, que condensa o melhor de sua obra: o romance “The Picture of Dorian Gray” (1890) e a série de comédias teatrais “Lady Windermere’s Fan” (1892), “A Woman of No Importance” (1893), “An Ideal Husband” (1895) e “The Importance of Being Earnest” (1895).

Entretanto, os anos 1890 marcam a vida de Wilde multiplamente. Em 1891, tem início sua desastrosa relação homossexual com Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como Wilde o chamava), segundo seus biógrafos, o grande amor de sua vida.

Apesar da educação protestante e conservadora do escritor (com passagens pelos prestigiosos Trinity College, Dublin University e Magdalen College, Oxford University) e de seu casamento com Constance Lloyd, com quem teve dois filhos.

Foi em 1895 que Oscar Wilde tomou a insensata decisão de processar criminalmente o pai de Bosie, o irascível Marquess of Queensberry (John Sholto Douglas), dando início a uma série de eventos que levariam ao seu próprio julgamento por homossexualismo.

Nutrido pelo ódio, o Marquês perseguia e procurava destruir a reputação de Oscar Wilde, tachando-o de sodomita. Em princípio, Wilde, apesar de ofendido, não pretendia tomar quaisquer medidas legais contra o enfurecido Marquês. Mas, compelido por seu amante (e desatendendo à recomendação dos amigos), decidiu processar o Marquês por crime contra a honra.

No auge do seu prestigio, Wilde foi apanhado numa armadilha. Por Bosie (ou sob a influência dele), abandonou a arte, para se dedicar a uma vendeta que, mais tarde, se voltaria contra ele. O Marquês estava preparado para a batalha. Contratou detetives e vasculhou a vida íntima do grande escritor. Reuniu provas contundentes em sua defesa e foi absolvido à unanimidade.

Kafkamente, como resultado, Oscar Wilde é levado à prisão, com fundamento, precisamente, nas provas produzidas em seu “desfavor” no julgamento do Marquess of Queensberry. Preso por um mês e tornado réu, antes mesmo do seu badalado julgamento (em Old Bailey, famosa sede das cortes criminais em Londres), ele teve sua insolvência civil declarada.

O caso, na Inglaterra vitoriana de então, não poderia ter outro desfecho. Era a mentalidade de uma época, que processava Wilde por homossexualidade, mas, hipocritamente, por exemplo, fechava os olhos para a proliferação da prostituição, que era a principal causa de índices alarmantes de doenças venéreas e outros males da época.

Wilde, agora no Banco dos réus, segundo se conta, continuou a agir como se em sociedade ainda estivesse ou, talvez, como o Lord Goring, a personagem dândi e irônica de “An Ideal Husband”. Abandonado por Bosie (que, se fosse o caso de processar Wilde, deveria, como seu amante, ter sido processado também), pego em mentiras e com a vida íntima completamente exposta, o desempenho de Wilde, na solenidade das cortes vitorianas, foi desastroso. O veredicto: culpado. Pena: 2 anos de prisão, com trabalhos forçados.

Em dado momento, liberto sob fiança antes da sentença, Oscar Wilde foi aconselhado pelos amigos a fugir para o Continente. Preferiu ficar em Londres. As razões: orgulho, falta de recursos financeiros ou a paixão que ainda o ligava a Bosie? Em maio de 1895, é novamente preso.

Após uma sucessão de transferências, finalmente chega à prisão de Reading, famoso porto de sua Ballad. Não foi abandonado por seus fiéis, mas impotentes, amigos, com exceção, claro, de Bosie. As humilhações que passou, o horror da prisão em si, por ele descritos, podemos muito bem imaginar.

Cumprida a pena, foi liberto em maio de 1897, mas humilhado, falido e ceifado, até mesmo, do contato com os filhos. Para a outrora celebridade dos salões londrinos, após isso, apenas restou o autoexílio em Paris. Em 1900, aos 46 anos, convertido ao catolicismo (recebendo em seu leito de morte os sacramentos do Batismo e da Extrema Unção), morre de meningite, talvez causada pela sífilis e certamente agravada pelo seu alcoolismo. Ainda hoje descansa no exílio, no Cemitério de Père Lachaise, em Paris.

Não tenho dúvida que criminalizar o homossexualismo é, acima de tudo, dividir as pessoas entre boas e más, por razões estritamente morais (e sabemos como a moral flutua, no tempo e no espaço). Nesse contexto, Oscar Wilde, o grande frasista, tinha razão: “É absurdo dividir as pessoas em boas e más”. Para ele, “as pessoas ou são encantadoras ou são aborrecedoras”. Wilde, respeitadas as suas preferências, foi uma pessoa e, acima de tudo, um escritor encantador.


Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador da República
Mestre em Direito pela PUC/SP
Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL

A FAMÍLIA FORA DA LEI

7 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em reportagem do jornalista Rafael Duarte, sob o titulo “Laços de Familia”, publicada pelo Novo Jornal deste domingo, o leitor se depara com uma radiografia da família da sra. Wilma de Faria, mostrando o seu envolvimento com o crime.

Irmãos, filho e genro da governadora estão na lista de parentes que, usando do tráfico de influência, acharam fácil engordar suas contas bancárias com dinheiro desviado de secretarias e fundações, como a da Saúde que através do concurso de empresas terceirizadas botava todos os meses R$ 70 mil na mão do lobista Lauro Maia, filho da governadora e candidato a deputado estadual, segundo alguns observadores da cena política local, já previamente eleito com o apoio de vários prefeitos que se deixaram contaminar pelas facilidades que lhes foram oferecidas como contrapartida, entre as quais o famigerado “cheque-reforma” cujo manejo, como instrumento de compra do voto, acaba de ser suspenso pelo procurador eleitoral Flávio Venzon.

A poucos dias do término do seu mandato, do qual se afastará para disputar uma cadeira no Senado, Wilma de Faria tem sido bombardeada por manchetes desagradáveis que dão conta de que o seu mandato foi usado para enriquecer seus parentes e contraparentes. “Ao todo, seis parentes de Wilma respondem a processos na Justiça ou aparecem em ligações suspeitas de envolvimento com fraudes em quatro escândalos nas áreas da cultura (Foliaduto), saúde (Hígia), tributação (Ouro Negro) e educação (o único que não tem apelido)”, informa o Novo Jornal.

Por último, dois irmãos da governadora, filhos do primeiro casamento do seu pai, os chamados “gêmeos” Newton Nelson e e Nelson Newton, foram denunciados…

Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia

ERRAMOS

7 de março de 2010

Da Redação

O artigo “O ativismo judicial”, aqui publicado no último dia 3 de março, foi erroneamente atribuido ao SubProcurador Geral da República, Edilson Alves de França, quando o seu autor é o Professor Honório de Medeiros, ambos colaboradores efetivos desta publicação.

Nossas desculpas.

O VELHO CHICO BATISTA

7 de março de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Apesar das penúrias do corpo o velho ri, alegre, triunfante, porque superou os obstáculos e chegou aos oitenta anos. Oitenta janeiros, reitera festivamente, mostrando os dentes álveos. Oitenta janeiros… Não é todo mundo que alcança essa graça, diz, sentado na beira da rede armada no meio da sala desprovida de móveis. Apenas alguns tamboretes, cangalhas e arreios encostados a um canto da parede de onde pendem litogravuras já um tanto esmaecidas representando o Coração de Jesus e o Coração de Maria ladeadas por um grande rosário.

Tinha dez anos em 1910 quando seus pais deixaram a fazenda Pocinhas e se mudaram para uma encruzilhada entre dois rios, a meio caminho da várzea e dos tabuleiros, recorda.

Reside há muitos anos em companhia de uma filha, Albertina, que não se casou e agora se dedica exclusivamente a cuidar de sua saúde e do seu bem-estar.

Há muitos anos viúvo de dona Olívia, mestra obstinada que no Estevão desasnou com abnegação e paciência três ou quatro gerações, ensinando-lhes a carta de ABC e as primeiras noções de português e aritmética, tornou-se famosa por fomentar e promover pontualmente desfiles cívicos, quando botava todo mundo para marchar por essas estradas cheias de pó.

Se conheci Bibi? E como a conheci! Desde que me entendi de gente na várzea do Açu, conheci Bibi. Sempre bem arrumada e empoada, cheirando a loção. Não dispensava os seus brincos e trancelim de ouro em volta do pescoço. O cabelo enroladinho como bosta de cabra… Era gente do velho João Feitor, filho do velho Maneo Feitor, uma tribo de negros que viviam nas terras do velho Lulu, pai de Cazuzô.

Entre os antepassados dela havia um Maneo José Novo, para diferenciar de Maneo José Velho, que tinha a fama de adivinhão. Ah, como os conheci! Como os conheci! Pois veja só a astúcia desse negro, Maneo José Velho. Quando alguém lhe perguntava se ia chover, ele respondia invariavelmente dessa forma, Hoje chove ou não chove… Sim, essa era a sua eterna ladainha. Hoje chove ou não chove… O certo é que ele sempre acertava no seu palpite, pois afinal chovia ou não chovia. Mesmo assim, sempre havia alguém para gabar o negro e reconhecer o acerto de suas previsões. Ouvi muito o povo dizer, o Velho tinha razão…

Bibi era muito cavaquista e se arreliava com tudo. Era muito geniosa. Segurava uma pendenga danada com qualquer um que a provocasse, e não se cansava. Levava tudo a sério, sem discernir que as pessoas só queriam brincar com ela, ao provocá-la daquele maneira… Negra retinta, tinha o lábio inferior um tanto despencado que lhe dava a parecença de um peixe sonâmbulo dentro de um aquário. Se bem que nunca vi um aquário.

Acabou esclerosada, jogando dentro dos potes toda porcaria que encontrava. Todo doido tem sua mania, não é mesmo? Por que Bibi haveria de ser diferente? Ela tinha uma risada que era só dela. Mas não pense que ela ria muito não. Era uma mulher calada, que vivia pensando o dia inteiro, mormente quando não tinha nada para fazer. Ficava sentada num tamborete durante horas, sozinha, pensando. No fim, falava numa língua que ninguém entendia.

O velho ri gostosamente, lembrando-se de Bibi do Velho João Feitor. Noto que tem uma boa dentadura, de dentes brancos esfregados todos os dias com casca de juá. Nem mesmo os jovens que vivem nos matos têm uma dentadura assim, gaba-se, sem economizar no riso. Porém a vista é que não é boa. A vista é que não é boa, mas, que fazer?

Seu Chico não é como outros velhos que sentem uma nostalgia inenarrável do passado. Para ele, tempo bom é o presente.

Antigamente havia muitas coisas boas, mas ninguém queira que o passado volte. Tudo o que vive anda para frente, a não ser caranguejo que anda para trás, segundo sempre ouvi da boca de muita gente. Porém não posso jurar sobre isto porque estou nessa idade e nunca vi um caranguejo. Só dou minha opinião sobre o que conheço. Nunca vi o mar…

Cercado de netos, o velho observa a vida através duns óculos de lentes espessas e embaçadas pela abundante transpiração. A vida, àquela hora no Panom, está mergulhada no calor comatoso do meio-dia. O cabelo rebelde lhe dá uma aparência de menino vivaz.

Alcancei a casa do meu avô com jiraus cheios de queijos que sobravam de um ano para o outro, pois não havia fome suficiente para dar cabo de tanta fartura. Ah, pode escrever. Naquele tempo não havia fome que desse baixa em tanta fartura. Quase tudo era produzido em casa: a carne, o queijo, a manteiga, a farinha, o fubá, o mel, a banha… Mas, apesar de tudo, as casas eram cobertas de palha e as mulheres, por mais ricas que fossem, pariam sobre camas feitas de talos de carnaubeira.

Agora aqui todo mundo tem colchão de mola e luz elétrica; quase toda casa é feita de alvenaria e tem televisão. Eu prefiro o tempo de hoje, embora o sujeito só possa comprar um quilo de carne duas ou três vezes por semana. Penso que é melhor comer menos e dormir melhor. Melhor ainda, para quem pode, é comer e dormir bem. Isto sim é que é vida para a gente pedir a Deus. O resto é enfado e penitência.

Não tenho nada contra que anote nossa conversa. Pode anotar à vontade. Eu sempre soube que você vivia de anotar essas maluquiças de gente velha. Anote o que puder e quiser sem sobrosso e sem o receio de se fazer aborrecível. Pelo menos assim as coisas não se perdem e no futuro alguém vai saber que um dia, sem aviso, lhe recebi em minha humilde e honrada casa, já homem feito, depois de lhe ter visto menino recebendo as lições de Olívia e da sua avó.

Sempre soubemos que você não foi um menino igual aos outros. Sei que lia muito desde pequeno, orientado por sua avó que Seo Fonseca foi buscar no Ceará-Mirim, para reinar e ser dona dessas terras todas… Ler, como sabe, ajuda a pensar.

Trabalhar no Novo
Frequentemente sou abordado por amigos e colegas, geralmente da minha geração, sobre um assunto que está na boca de muita gente - este Novo Jornal.

Como é trabalhar no NJ, querem saber, às vezes com uma certa incredulidade. “É verdade que lá os colaboradores são pagos?” Esta indagação é feita fatalmente por todos, no começo ou no fim da conversa, pois afinal nenhum dos nossos jornais jamais adotou essa prática. Afinal, o trabalho intelectual, segundo alguns espertos, não tem preço…

Certa vez, ao ser convidado a colaborar num jornal local, o dono me disse à queima-roupa, logo após formalizar o convite: “Você é um grande intelectual. Por isso, não vou falar em dinheiro, para não ofendê-lo…”

Eu me lembro agora duma conversa com Dorian Jorge Freire, que se mostrava aborrecidíssimo com a poetisa Zila Mamede, a quem ele convidara havia um ou dois mses para escrever aos domingos no jornal que ele então dirigia. Pois bem, ela mandara a conta! “Nunca pensei que Zila fosse tão mercenária”, queixou-se, visivelmente contrariado. E, desta forma, matou a minha curiosidade sobre a repentina suspensão da colaboradora que, embora uma grande artífice do verso, produziu circunstancialmente uma prosa medíocre, insípida e sem estilo.

Pois, aqui, os colaboradores recebem, sim. Mas isto não é tudo. Também temos, por exemplo, workshops, como o que se realizou no penúltimo sábado no Vila do Mar, depois de um almoço em que nos confraternizamos, do diretor ao moço da portaria. Afinal, como costuma dizer-nos Cassiano Arruda Câmara, o principal capital do Novo Jornal é o elemento humano. E, sobretudo, diria eu, a transparência que rege as relações internas e externas da empresa com todos.

Confesso que pela primeira vez, depois de tantos anos de redação, fui testemunha, nessa confraternização, de um fato excepcional: a direção de um jornal detalhando para os seus funcionários o seu fluxo de caixa e informando-os sobre seus projetos. Outra coisa surpreendente, aqui, é a liberdade de opinião que desfrutamos, pelo menos até este momento. Sei que já até pediram minha cabeça à direção, mas ela, a cabeça, continua firme sobre os meus ombros e o jornal, firme e forte em sua disposição de bem informar aos cidadãos.

COOPERATIVA DESVIOU DINHEIRO PARA O PT

6 de março de 2010

A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT. Ela ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002

Do site Movimento Ordem Vigília
Contra a Corrupção
/revista Veja

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop.

Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros.

Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína. Agora, começa-se a entender por quê.

Leia no blog do Reinaldo Azevedo:
“A cada enxadada, uma minhoca”. Quando se lança a ferramenta em solo petista, então, basta que se tire um pouquinho de terra, e o que se vê é aquela celebração de anelídeos se retorcendo. Acostumados aos subterrâneos, reagem à luz. O Brasil assiste atônito, mas também satisfeito, ao descalabro instalado no Distrito Federal. Atônito com a canalhice. E satisfeito em ver José Roberto Arruda na cadeia.

Mas há uma coisa que, até agora, está no grupo das coisas jamais vistas — como enterro de anão e cabeça de bacalhau: petista na cadeia! A sensação, não muito distante da realidade, é a de que membros do partido têm especial licença para a falcatrua. E olhem que nem é preciso falar do mensalão do PT.

WILMA DE FARIA NO INFERNO

6 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em fins do ano passado fomos agradavelmente surpreendidos certa manhã, na redação do Novo Jornal, com a inesperada visita da prefeita Micarla de Souza que, fazendo-se acompanhar de seu staff, fora desejar-nos um Feliz Natal e Ano-Novo.

Lá para tantas, dirigindo-se aos que ali se encontravam em pleno expediente, encareceu a importância da Imprensa e pediu-nos que deixássemos as coisas ruins de lado e escrevêssemos sobre as boas, porém ao fazê-lo ela, como jornalista que é, parece ter caido na real e, imediatamente, quase sem transição, reconheceu que dissera um disparate e voltou atrás, admitindo que havia muito mais coisas ruins do que boas para noticiarmos.

Penso em nossa jovem e açodada prefeita ao deter-me em comentários sobre o atual governo do Rio Grande do Norte, que já vários meses fornece combustível a péssimas notícias, a maioria de corrupção envolvendo pessoas do seu real sangue, a começar pelo primeiro-filho Lauro Maia, candidato a deputado estadual que já esteve preso o ano passado pela Polícia Federal, sob a suspeita de chefiar uma organização criminosa que molhava a sua mão todos os meses com uma propina de R$ 70 mil oriunda dos recursos da Secretaria de Estado da Saúde. Um dinheiro subtraído da população que depende do estado em suas vicissitudes.

Ontem mesmo, aqui, confessava o meu desânimo diante dessa como que fatalidade de escrever quase sempre sobre o mesmo assunto, ou seja, sobre as denúncias de corrupção que se tornaram rotineiras no curso dos dois mandatos da governadora Wilma de Faria, algumas ocorridas já há muito tempo e agora requentadas pelo Judiciário que responde assim ao clamor popular que, reanimado pela recente prisão do governador de Brasília, levou-nos a acreditar que a lei foi feita para todos, até, para os chamados “colarinhos brancos” ou aqueles contraventores que parecem ter as “costas largas” e que o vulgo, usando do insofismável direito de espernear, chama, jocosamente, de “picas grossas” (com perdão da má palavra…). Como o filho e os irmãos da sra. Wilma de Faria, nossa primeira mandatária, também chamada respeitosamente por todos de “a Gove”…

A poucas semanas do término do seu governo que entra para a história como um dos mais desastrosos e ineptos, a governadora Wilma de Faria tem experimentado o desgosto de ver o seu castelo ruir fragorosamente, por pressão de seus antigos aliados, do julgamento da opinião pública e da ação do Judiciário que resolveu, de uma só vez, fazer andar vários processos que dormiam nas gavetas envolvendo familiares seus que já se consideravam fora do alcance da lei.

O caso de seus irmãos gêmeos, Newton Nelson e Nelson Newton é sintomático. Já pareciam inocentados pelo silêncio do Ministério Público, até que o juiz Raimundo Carlyle aceitou a denúncia apresentada contra eles, fazendo o processo andar. Os dois vão responder por envolvimento em negócios escusos com a Secretaria da Educação e gráficas que lhe prestavam serviços e fornecia-lhe material superfaturado de uso nas escolas. Suspeita-se que a “diferença” paga pelo estado ia para o bolso deles. Já o médico Carlos Faria, também irmão da governadora, está atolado no lamaçal do Foliaduto, escandalo referente ao desvio de mais de R$ 2 milhões usados para a contratação de shows de axé music e forró que nunca se realizaram.

Para a governadora, que quer ser senadora, tudo isto representa dificuldade, ainda mais em ano eleitoral, quando a roupa suja é lavada com a mesma crueza com que o açougueiro esquerteja a rês. Desses “esquartejadores”, os deputados já deram provas que a governadora que não obedecem mais ao seu comando e não se mostram dispostos, mesmo seus tradicionais aliados, a ampliar seu aboio sobre o rebanho pacifico de eleitores encurralados. O presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria, por muitos anos seucprincipal colaborador na esfera legislativa, está agora “do outro lado”, como candidato a vice na chapa ao governo do estado escabeçada pela senadora Rosalba Ciarline.

Mas, o grande obstáculo é o Judiciário. Uma verdadeira pedra no sapato da governadora, até a Justiça Eleitoral começa a desmanchar-lhe todo um trabalho de financiamento de campanha disfarçado de ação administrativa. O “cheque-reforma”, uma forma sutil de compra de voto, teve a sua distribuição suspensa pelo procurador eleitoral Flávio Venzon, do Tribunal de Justiça Eleitoral. De junho a outubro está suspenso. Também não era para menos: em ano eleitoral, o “cheque-reforma” teve reajuste superior a 700% em relação ao ano de 2008, uma generosidade que deixou os agentes da lei de orelhas em pé. em 2008, por exemplo, a governadora aplicou no sistema R$ 592.750 e, este ano, a “bagatela” de R$ 4,5 milhões! Esmola grande demais, o santo desconfia, D. Wilma!

Mas tem mais…


Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia.

BANCOOP: ESQUEMA FINANCIOU LULA E PT

6 de março de 2010

Do site Movimento Ordem Vigília

Contra a Corrupção/revista Veja

O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa.

A favor do despejo
Do site deputado Aleluia
“O sindicato sempre foi um defensor da minha classe. Por isso, na hora de fazer um financiamento com eles, não tive dúvidas. Comecei a pagar um apartamento de 45 000 reais em 1997. Suei para honrar as prestações. Vendia coxinha e bolo para complementar a renda. Esse imóvel representava muito para a minha família. Onde morávamos, meus filhos dormiam na sala. Em 2000, quitei o apartamento e nós nos mudamos. Seis anos depois, porém, passei a receber boletos com o valor de 470 reais. Eles diziam que precisavam cobrir gastos excedentes. Até pagaria, se pudesse. Mas a minha renda era de 600 reais. Em 2008, a Bancoop entrou com uma ação de despejo contra mim. Ela não foi concluída, mas, desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes.” Maria de Fátima Bonfim, 55 anos, bancária aposentada.

Calote Duplo
“Conheci a Bancoop em 2004, quando vi uma placa de propaganda em frente a um terreno vazio. Eles iriam construir um imóvel perto da minha casa. Achei a oportunidade ótima: o preço era bom e a instituição tinha credibilidade. Demos nossa economia de 10 000 reais de entrada e passamos a pagar as prestações. Alguns meses depois, porém, desconfiei do empreendimento. Eu passava em frente ao terreno e não via nenhum pedreiro lá. Diziam sempre que a construção estava para começar. Não acreditei e consegui transferir o dinheiro que havia investido para outro imóvel deles. Dessa vez escolhi um local cuja construção já estava pela metade. Como fui inocente… Esse imóvel também nunca foi concluído. Empatamos 80 000 reais nessa história. Não confio mais nas instituições.” Tania de Oliveira, 42 anos, advogada.

Mais uma vítima do esquema Bancoop
Do site de Reinaldo Azevedo
“Aos 43 anos, decidi dar um grande passo: comprar meu primeiro imóvel. Usei os 20 000 reais que havia juntado e entrei no financiamento de um apartamento de 60 000 reais. As prestações eram metade do meu salário. Um dia, recebi uma cobrança extra de 1 800 reais. Seria a primeira de muitas. Tive de tirar um empréstimo bancário. Em dois anos, estava endividado, mas havia quitado meu imóvel. Sentia-me orgulhoso - jamais atrasei uma parcela. Mas em 2005, enquanto esperava o sorteio das chaves, soube que a Bancoop não estava honrando seus compromissos com muitos cooperados. Eu era um deles. Meu imóvel nunca saiu do chão. No início, briguei, participei de protestos vestido de palhaço. Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças.” Oscar Costa, 52 anos, bancário aposentado.

MP INVESTIGA RELAÇÕES DO PT COM BANCOOP

6 de março de 2010

Por Ana Paula Schinocca, Agencia Estado

O Ministério Público de São Paulo teve acesso, pela primeira vez, a registros de transações bancárias realizadas pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) entre 2001 e 2008. Essas movimentações teriam como destino o caixa das campanhas eleitorais do Partidos dos Trabalhadores (PT), segundo reportagem da revista Veja que chegou hoje às bancas.

O MP investiga há quase três anos a Bancoop, que surgiu com a promessa de entregar imóveis com custos abaixo do mercado. De acordo com a revista, pelo menos 400 famílias movem processo contra a cooperativa. Muitas delas estão até hoje sem receber seus imóveis e outras alegam, na Justiça, dificuldade de continuidade de pagamento das parcelas em função de reajustes considerados acima do valor de mercado.

A investigação do MP, diz a revista, revela que saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop, para ela mesma ou seu banco, chegavam a R$ 31 milhões. Os recursos teriam sido usados para financiar, inclusive, a campanha de 2002 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na última sexta, o promotor José Carlos Blat pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop. Além disso, solicitou a quebra do sigilo bancário do ex-diretor financeiro e ex-presidente da cooperativa, João Vaccari Neto. Ele é apontado como principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da Bancoop. Recentemente, Vaccari Neto foi nomeado tesoureiro do PT. Entre suas novas atribuições, está a de cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

Ainda segundo a revista, outros cheques, no valor total de R$ 10 milhões, foram encontrados. Eles eram referentes ao período de 2003 a 2005 e teriam como destino quatro dirigentes da cooperativa: o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga. Os três primeiros citados morreram em um acidente de carro, em 2004, em Petrolina (PE).

Procurada, a Bancoop negou, por meio de seu advogado, Pedro Dalari, as informações divulgadas por Veja. Ele afirmou que a intensa movimentação bancária da cooperativa ocorre porque cada empreendimento tem uma conta corrente própria. Explicou ainda que a segmentação das contas foi feita em acordo com o próprio Ministério Público. Dalari disse ainda ver interesse eleitoral na divulgação da matéria às vésperas da instalação de uma CPI, requerida pelo PSDB, na Assembleia Legislativa paulista sobre a Bancoop.

TEMPO NUBLADO NA AMÉRICA

6 de março de 2010

Estamos nos transformando em um estado policial. Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas

Por John W. Whitehead*

“Ao olhar para a América, hoje, eu não tenho medo de dizer que estou com medo.” - Bertram Gross, in Friendly Fascism: The New Face of Power in America.

Há muito tempo que acontecimentos de mau-agouro vêm se formando nos Estados Unidos, em parte precipitados por “nós, o povo1″ - cidadãos que estão dormindo ao volante por muito tempo. E embora certos eventos tenham soado o alarme, nós falhamos em dar atenção aos alertas.
Apenas considere o estado da nossa nação:

Estamos encerrados naquilo que alguns estão chamando de campo de concentração eletrônica. O governo continua a acumular informações sobre um número cada vez maior de norte-americanos. Em todos os lugares que vamos, somos vigiados: nos bancos, no supermercado, no shopping, atravessando a rua. Essa perda de privacidade é sintomática da crescente fiscalização que se exerce sobre o cidadão americano comum.

Essa vigilância vai pouco a pouco envenenando a alma de uma nação, fazendo-nos passar de um estado em que todos somos inocentes até que se prove o contrário para outro em que todos são suspeitos e presumidamente culpados. Assim, a pergunta que deve ser feita é: a liberdade nos Estados Unidos pode florescer em uma época em que os movimentos físicos, as compras, as conversas e as reuniões de todo e qualquer cidadão estão sob a constante vigilância de companhias privadas e agências governamentais?
Estamos nos transformando em um estado policial.

Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas. Mais do que nunca, a tecnologia, que se desenvolveu em um ritmo rápido, oferece àqueles que estão no poder as mais invasivas e terrificantes ferramentas. Os centros de fusão - agências de coleta de dados espalhadas pelo país, amparadas pela National Security Agency2 - monitoram constantemente as nossas comunicações: tudo, desde a nossa atividade na Internet a pesquisas na web até mensagens de texto, telefonemas e e-mails.

Esses dados alimentam agências governamentais, que estão agora interligadas - a CIA ao FBI e o FBI à polícia local - uma relação que vai fazer a transição para a lei marcial muito mais fácil. Poderíamos muito bem pensar que estaríamos a salvo de um ataque terrorista ao ver as forças armadas nas ruas - e o povo americano talvez não oferecesse muita resistência. De acordo com um estudo recente, como conseqüência do mal sucedido ataque terrorista no último dia de Natal, aquele em que o homem-bomba carregava explosivos na virilha, uma porcentagem cada vez maior de americanos está disposta a sacrificar suas liberdades civis para se sentir mais segura.

Nós somos flagelados por uma economia vacilante e um déficit financeiro monstruoso que ameaça nos levar à falência. Nossa dívida nacional é de mais de U$ 12 trilhões (que se traduz em mais de U$ 110 mil por contribuinte), e deverá quase dobrar para US $ 20 trilhões em 2015. A taxa de desemprego está superior a 10% e crescendo, com mais de 15 milhões de americanos sem trabalho e outros muitos obrigados a subsistir com empregos de baixa remuneração ou de tempo parcial.

O número de famílias norte-americanas que estão na iminência de perder suas casas subiu para quase 15% apenas no primeiro semestre do ano passado. O número de crianças vivendo na pobreza está a aumentar (18% em 2007). Como a história ilustra, regimes autoritários assumem mais e mais poder em tempos de desordem financeira.
Nossos representantes na Casa Branca e no Congresso têm pouca semelhança com as pessoas que os elegeram.

Muitos dos nossos políticos vivem como reis. Levados de um lado para outro em suas limusines por seus choferes, voando em jatos particulares e comendo refeições dignas de um gourmet - tudo pago pelo contribuinte americano -, eles estão muito distantes das pessoas as quais representam. Além do mais, eles continuam a gastar o dinheiro que não temos em pacotes de estímulo financeiro (que estão carregadinhos de dinheiro destinado a pagar favores políticos) ao mesmo tempo em que alimentam um enorme déficit e deixam que os contribuintes americanos paguem a conta. E embora os nossos representantes possam até dar um show de disputas partidárias, a elite de Washington - isto é, o presidente e o Congresso - vai avançando com tudo o que ela quer, dando pouca atenção à vontade do povo.

Estamos enredados em guerras globais contra inimigos que parecem atacar do nada. Espalhadas ao redor do globo e sob fogo constante, nossas forças armadas são levadas ao seu limite. A quantidade de dinheiro gasto com as guerras no Afeganistão e no Iraque está próxima de U$ 1 trilhão e estima-se que alcance um total de mais ou menos 3 trilhões de dólares antes que tudo termine.

Isso não leva em conta os países devastados que ocupamos, os milhares de civis inocentes mortos (incluindo mulheres e crianças) ou os milhares de soldados americanos que foram mortos ou feridos gravemente ou que estão cometendo suicídio a uma taxa alarmante. Nem leva em conta as famílias dos 1,8 milhões de americanos que serviram ou estão servindo em missões no Iraque e no Afeganistão.

O lugar dos EUA no mundo também está passando por uma mudança drástica, com a China programada para emergir como a maior economia da próxima década. Dada a dimensão da nossa dívida para com a China, a influência dela sobre a forma como o nosso governo realiza seus negócios, bem como sobre a forma como lida com os seus cidadãos, não pode ser desconsiderada. Em julho de 2009, a China se apropriou de 800,5 bilhões de dólares da nossa dívida - que é 45% do total da nossa dívida externa - tornando-a a maior detentora estrangeira da dívida externa norte-americana.

Não se admira, então, que a administração Obama tenha se prostrado ante a China, hesitando desafiá-la abertamente em questões cruciais como os direitos humanos. O mais recente exemplo disso pode ser visto na relutância inicial da administração Obama em confrontar o governo chinês quanto aos ataques cibernéticos dos chineses contra o Google e outras empresas de tecnologia americanas.

Como as fronteiras nacionais estão se dissolvendo em face da expansão da globalização, aumenta a probabilidade de que a nossa Constituição, que é a lei suprema da América, seja subvertida em favor de leis internacionais. Isso significa que a nossa Constituição cada vez mais será alvo de ataques.

A mídia corporativa, atuando cada vez mais como uma porta-voz da propaganda governamental, já não exerce sua função principal de vigilância, protegendo-nos contra a usurpação de nossos direitos. Em vez disso, a maior parte da grande mídia se entregou àquele estúpido noticiarismo das celebridades, o que é um mau presságio para o nosso país. Quer se trate das notícias dos tablóides, do mundo do entretenimento, ou dos telejornais legítimos, já não importa, pois há pouquíssima diferença entre eles. Infelizmente, a maioria dos americanos comprou a idéia de que tudo o que a mídia possa vir a relatar é algo importante e relevante.

Nesse processo, os americanos perderam grande parte da capacidade de fazer perguntas e fazer análises críticas. Com efeito, a maioria dos cidadãos tem pouco conhecimento sobre os seus direitos ou mesmo de como o seu governo funciona, se é que ainda tem algum. Por exemplo, uma pesquisa nacional constatou que menos de um por cento dos adultos era capaz de citar as cinco liberdades protegidas pela Primeira Emenda Constitucional.

Por fim, eu jamais vi um país mais espiritualmente abatido do que os Estados Unidos.

Perdemos o nosso senso de orientação moral. Um número crescente de nossos jovens já não vê sentido ou propósito na vida. E nós já perdemos o senso de certo e errado e de uma maneira de responsabilizar o governo. Esquecemos que a premissa essencial do regime governamental americano, conforme anuncia a Declaração de Independência, é a de que se o governo não prestar contas ao povo, então sem dúvida ele deverá fazê-lo perante o “Criador.”

Mas, e se o governo não é responsável perante o povo nem perante o Criador?
Como escreve Thomas Jefferson na Declaração, é então direito do “povo de alterá-lo ou aboli-lo” e formar um novo governo.

(*) Advogado constitucional e autor, John W. Whitehead é fundador e presidente do Instituto Rutherford. Ele pode ser contatado pelo johnw@rutherford.org. As informações sobre o instituto estão disponíveis no www.rutherford.org

Notas do tradutor:
[1] “We, the people…” são as primeiras palavras da constituição americana.
[2] Agência Nacional de Segurança.
Tradução: Rafael Resende Stival
Revisão: Alessandro Cota

FRANKLIN ESCREVE SOBR O INFERNO DE WILMA

5 de março de 2010

Da Redação

Em seu conceituado blog Território Livre a jornalista Laurita Arruda aludiu, em postagem recente, sobre o fato de estar a governadora Wilma de Faria - no mês do seu aniversário e a poucos dias do fim do seu mandato - vivendo em um verdadeiro e autentico inferno astral.

Ampliando o mote, o jornalista Franklin Jorge publica amanhã artigo esmiuçando a natureza desse inferno que tem visivelmente tirado o sono da primeira mandatária, deixando sulcos profundos e indisfarçáveis em sua máscara facial. Prova-o suas últimas fotos, publicadas no Novo Jornal, que vem mostrando os bastidores do seu governo e a grande batalha que trava de maneira desesperada para manter-se no poder, desfrutando as benesses inerentes a um mandato de senadora.

Uma batalha que, segundo fica cada vez mais claro para todos, parece ser a última. Pelo menos, delineia-se como a batalha decisiva, aquela que decidirá o futuro da senhora Wilma de Faria, depois de tantas traições e enganos.

Amanhã, aqui.

MARACUTAIAS DEMAIS DA CONTA

5 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Confesso meu desânimo e a dificuldade de, como jornalista, cobrir tantas ocorrências escandalosas: Universidade Estadual (UERN), prefeita de Natal Micarla de Souza e seus mambembes, governadora Wilma de Faria…

Ah, Dona Wilma danada! Somente os seus irmãos e filho já dariam ocupação para uma redação inteira que se empenhasse  em revelar aos leitores as maracutaias que, segundo a caudal de denúncias e inquéritos, estariam envolvidos os do seu sangue. Uma gente que saiu lá do Buraco do Tatu, em Mossoró, para fazer feio em todo o Rio Grande do Norte.

São ocorrências, como diria Shakespeare, de deixar a alma triste. Como esta, por exemplo, que acaba de ser requentada pelo Ministério Público, envolvendo os chamados “gêmeos”, os irmãos Newton Nelson e Nelson Newton de Faria, que pelo arranjo dos nomes já deixam margem às confusões e aos enganos. Nesse caso, até o destino colaborou, fazendo-os gêmeos idênticos não apenas nos nomes, mas na caratonha sisuda que supõe seriedade e respeito.

Pois bem, o juiz Raimundo Carlyle acatou denúncia contra a dupla, que, juntamente com mais outros sete acusados tornaram-se réus em ação penal que tramita na 4a. Vara Criminal. Nunca se trabalhou tanto, nessa e noutras instâncias, desde a correição feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em nosso Judiciário, que parecia andar devagar em certos assuntos que envolviam os interesses da governadora do estado.

Todos - os irmãos da governadora e os demais - são acusados de participarem em um suposto esquema de superfarturamento na aquisição de material escolar. Mais uma vez, a Secretaria de Estado da Educação parece envolvida em ilícitos, como dirá o processo claramente, agora que o juiz deu-lhe esse pontapé que o fará andar nos trilhos, como todos os cidadãos norte-rio-grandenses ansiosamente esperavam fazia um tempão! sim, porque  os escândalos nesse governo não são de hoje. Por isso, tudo parece estar sendo requentado pelos homens da lei.

Já no âmbito da prefeitura de Natal, o escândalo da vez envolve o aluguel de um hotel de luxo que acolherá, ao preço mensal de R$ 126 mil as secretarias da Saúde e da Educação, um fato que vem sendo minuciosamente esmiuçado em reportagens diárias do Novo Jornal. Uma verdadeira aberração aos olhos da maioria dos natalenses que acompanham o descarrilamento administrativo e moral da caravana verde.

Gostaria, nesse caso, de comentar as “explicações” e “justificativas” das secretárias Ana Tania (Saúde) e Adriana Trindade (Educação), que têm feito “corpo mole” para solucionar os gravíssimos problemas de suas pastas, mas aqui se mostram dispostas a colaborar com o que aos olhos de todos parece sumamente questionável e envolto em suspeição. O aluguel de um hotel de luxo, de propriedade de um dos principais acionistas da campanha que elegeu a prefeita Micarla de Souza.

São duas cínicas a zombar da inteligência e da paciência dos natalenses.Tanto a secretária Ana Tania (da Saúde) quanto Adriana Trindade (adjunta da Educação) defendem em uníssono a transferência de suas pastas, do edifício Ducal para o Novotel com uma tal convicção que têm sonegado a solução dos problemas que lhes caberia resolver.

E, como uma espécie de assinatura, Micarla troca o Ducal pelo Novotel deixando um calote de R$ 300 mil em aluguéis atrasados. Não por falta de dinheiro, pois o aluguel do Novotel custará aos cofres da prefeitura uma diária de pouco mais de R$ 4 mil, que, somados, chegam no final do mês a R$ 126 mil. Dinheiro que devia ser investido em Saúde e Educação.

Eis a verdade que elas omitem e não querem ver: postos de saúde do município caindo aos pedaços, sem médicos e sem medicamentos; contas em atraso; centenas de crianças fora da escola, por falta de salas de aula e de professores, um prejuízo incalculável para centenas de famílias natalenses e tudo isto porque essas senhoras confundem o essencial com o acessório, mostrando-se, assim, completamente despreparadas para a função que, por equívoco de Micarla, exercem no município.

Por isso, fizeram a opção errada, a opção que prejudica Natal e os natalenses; a opção que privilegia um dos principais financiadores da campanha da prefeita Micarla de Souza, empresário Haroldo Azevedo, em detrimento do povo de Natal e, em especial, daqueles que dependem dos serviços públicos, na área da saúde e da educação no município. Este, sem tirar nem pôr, o retrato verde de um governo que traiu a confiança depositada nas urnas.

E - toda Natal quer saber - o que o Ministério Público pensa sobre tais desmandos?

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