PARA RODRIGO LEVINO
Por Franklin Jorge
Rodrigo Levino está ansioso para ler os contos de Luisa Mercedes Levinson, autora argentina de grande personalidade, novelista e contista personalíssima, criadora de uma comedia humana realista e fantástica.
Tenho um capitulo com Lisa, Lisa Mercedes, autora de “La Isla de los Organilleros”, que traduzi como “A Ilha dos Tocadores de Harmônica”. Autora cuja dificuldade se faz notar a partir do titulo.
Luisa Mercedes Levinson visitou o Brasil em 1972, como parte de uma delegação de escritores do seu país. Foi quando tive dela a primeira noticia num artigo de Stella Leonardos [in Jornal de Letras] sobre a recepção na Academia Brasileira de Letras.
Ela acreditava numa energia extraordinária e coisas prodigiosas costumava acontecer-lhe. Eu podia contar uma dezena de fatos desses, como o seu encontro com Alejandro Becerra e, mesmo, o Jorge Antonio cuja amizade partilhamos.
Lisa não gostava muito de escritores. Preferia os pintores aos escritores, uns seres solenes e pretensiosos, sempre muito sérios, incapazes de se divertirem com os pintores. Eu, por uma dessas correspondências baudelerianas, era artista plástico e pintava gatos, meninos, árvores.
Rodrigo, para quem não sabe ainda – e todos sabem quando aporta o talento – é o sol que se alevanta. Nosso mais importante cronista, um talento jovem oriundo do Patú que já nos deu, recentemente, Márcio de Lima Dantas. À sombra do Lima, Patu nos dá uma poesia sofisticada, a de Rodrigo, em prosa. Uma prosa aliás saborosíssima, em alguns momentos de uma espécie de sensibilidade feminina permeando seu texto; um texto inteiriço, sem rebarbas, dizendo com originalidade e precisão.
“Dias Estranhos” é um grande livro. Um livro escrito sem concessões, permeado – eu diria – de uma doído senso de realidade transcrita em alta voltagem poética. Não esperem de Rodrigo baboseiras sentimentais classificada como líricas, abundantes em Serejo. Nem padece dessa síndrome da subjetividade que deu, segundo o Nelson Rodrigues, o “idiota da objetividade”.
Rodrigo Levino forma no melhor time da crônica. É hours concours em qualquer época. Seu livro, “Dias Estranhos”, parece-me até que alguém já desapropriou o meu exemplar com o autógrafo do autor…
Ah, antes que me esqueça. Em breve publicarei alguns textos curtos de Luisa Mercedes Levinson que traduzi, entre os quais, “O Anjo”, “O Descampado”, “O Sonho Violado”, “Uma vez em Bruxelas” etc. Uma de suas melhores entrevistas está publicada em meu livro “Fantasmas Cotidianos”, livro batizado pela grande escritora argentina.
7 de setembro de 2008 às 0:57
Franklin,
Já ouvi falar do Levino e do Jovens Escribas.
Falta lê-lo e conhecê-lo.
O seu aval indica que é hora de fazer isso.
Grande abraço,