O FIM DO JORNALISMO
Há pouco o jornalista João Batista Machado divulgou um pequeno e significativo artigo sobre uma espécie de jornalismo que se generaliza sob o signo da concessão e da indiferença à ética. Um jornalismo nivelado por baixo, praticado por fabricantes de releases e plantadores de notícias – subsidiados por interesses que envergonham todos aqueles que exercem a profissão com dignidade.
Li, recortei e guardei, para reler outras vezes, como estímulo nos momentos de desânimo, oriundos da impotência e do ceticismo diante dos fatos.
Era tudo o que eu gostaria de ter escrito, assim, com toda essa clareza e irresignação que pulsa do texto machadiano.
Algumas poucas linhas, enformadas por uma rica vivência do jornalismo e do batente das redações, Machadinho assimila e resume corretamente uma realidade que desmoraliza o nosso obscuro ofício e o confunde, perigosa e vulgarmente, com o seu antípoda – a publicidade –, que corrói a credibilidade ao dar foros de realidade ao que é meramente virtual.
Dominado por marqueteiros onipresentes e expressando-se através de notinhas mercenárias, o jornalismo perdeu a sua essência vital, transformando-se, como instrumento de barganhas, em balcão de negócios e paraíso de extorsionários.
Não tenho nenhuma dúvida de que o jornalismo, como costuma ser praticado, está falido e condenado, se não ao desaparecimento a uma reforma urgente e profundamente necessária, que priorize, como forma de sobrevivência, o pleno exercício da ética.
Como um corpo sem alma, nossos jornais não repercutem mais a indignação dos cidadãos regidos pela decência.
Diante desse cenário corrosivo, tão bem pintado pelo jornalista João Batista Machado, o mínimo que podemos dizer, em favor do jornalismo, é que o leitor – para quem deve ser feito o jornal – espera mais do que recebe.