DOROTHÉE DENUNCIA EDITORA UNESP
Da Redação
A tradutora profissional Dorothée de Bruchard, em e-mail enviado a esta página em 22 de março, referindo-se ao artigo de Franklin Jorge sobre o filósofo francês Vauvernagues aqui publicado, esclarece que não é a autora da tradução mas o seu irmão Hely de Bruchard, já falecido.
Sua denúncia é muito grave, pois envolve uma editora de prestigio no meio acadêmico, a UNESP, que fica devendo assim esclarecimentos à opinião pública e uma satisfação a Dorothée, vitima da má fé de uma instituição que devia pautar-se pela transparência e respeito devido aos direitos do autor.
Abaixo transcrevemos na íntegra a correspondência:
Dorothée de Bruchard disse: 22 de março de 2009 às 10:03 – “A tradução das Máximas de Vauvenargues não foi feita por mim, e sim por meu irmão, HELY DE BRUCHARD, falecido em 1991, aos 25 anos. Pela antiga editora Paraula, publiquei sua tradução (edição bilíngue, 1993), como forma de honrar sua memória.
“Quando a Editora Paraula encerrou as atividades, em 2000, a editora da UNESP interessou-se em reeditar a obra - feliz por perpetuar o trabalho do meu irmão, cedi-lhe os direitos da tradução.
Em 2007, era publicada a edição da Unesp que você menciona.
“A edição da Paraula, tal como traduzida por Hély, seguia a edição francesa revisada e aprovada por Vauvenargues antes de morrer. A Unesp optou por reinserir as máximas que haviam sido eliminadas pelo autor, pedindo a Fulvia Moretto que fizesse a tradução e o prefácio.
“E, EQUIVOCADAMENTE, atribui a mim a tradução. Apesar de meus inúmeros contatos com a Unesp, inclusive através de advogados quando vi que não havia chance para o diálogo, o livro, que era para ser uma homenagem à memória de meu irmão, continua circulando como tradução minha.
“Sou tradutora profissional há muitos anos e, como é inevitável, vivi algumas (poucas) situações desagradáveis com editoras ao longo da trajetória. Mas nunca tinha vivido nada tão triste, nunca tinha sentido tamanha impotência… Tento então, num trabalho de formiguinha, desfazer o equívoco quando possível.
Obrigada.”
23 de março de 2009 às 19:43
A desonestidade intelectual tornou-se uma praxe atualmente no Brasil. Não admira que uma editora mesmo ligada ao mundo acad~emico como afirma o artigo acima, tenha agido dessa forma reprovável, burlando a autoria do seu irmão. E há ainda a questão da piratarai que não foi colocada. Recentemente recebi o telefonema de um professor me pedindo informações sobre a obra de Franklin Jorge, de quem sou amigo e admirador. Qual não foi minha surpresa descobrir logo depois que tudo que eu havia dito tinha sido reproduzido num artigo de jornal sem a citação do meu nome ou fonte, como um intelectual honesto faria. Também Franklin tem me contado que textos seus são publicados sem autorização. Estou informado que são praticas que es~tao se difundindo mesmo nas universidades o que é lamentável pois deixa exposta a falta de ética e a desconsideração para com o trabalho intelectual que é sempre o fruto de muita pesquisa, desgaste mental, fisico e emocional, e geralmente não tem remuneraçláo compativel. Que coisa feia, Editora UNESP!