AINDA SOBRE DONA MARTHA

Da Redação

O jornalista Paulo Sérgio Martins enviou a Franklin Jorge um curto depoimento sobre D. Martha Wanderley Salém, falecida no último sábado. Vale transcreve-lo, numa homenagem à notável assuense que parece ter sido pioneira, entre nós, no exercício do “voluntarismo”, atualmente tão em moda e politicamente correto.

Era uma grande divulgadora do idioma alemão e, embora sem jamais ter visitado o país, conhecia perfeitamente sua cultura e discorria sobre suas cidades como se lá tivesse vivido…

Eis o que escreveu o jornalista Paulo Sérgio Martins:

“Fui seu aluno de língua alemã, logo depois de vir morar em Natal, final dos anos 90 do século passado. Na época eu dava expediente no gabinete de Nélter Queiroz, na Assembléia Legislativa, onde compartilhava o ambiente com Sandra Medeiros (aquela a quem visitamos em seu restaurante na rua Apodi, lembra?) que não se cansava de dizer da sua admiração por dona Martha.

Sandra é sobrinha de Ione Medeiros Salem, a viúva de Emílio. De tanto ela insistir, um dia fomos à casa simples e bem cuidada localizada ao pé do morro do Tirol, onde moravam dona Martha e uma filha. Ao apresentar-me àquela velhinha simpática, Sandra fez questão de enfatizar minha origem assuense e de ser “amigo de Franklin Jorge, aquele seu amigo jornalista…” Aí dona Martha foi logo me perguntando sobre o seu paradeiro, que era “um moço muito inteligente e atencioso”, essas coisas.

Aproveitando a nossa longa conversa, Sandra resolveu “dar um pulinho” na cidade e que logo estaria de volta. Sabe Deus para onde ela voltou. Já era noite quando saí de lá, a pé, quase rouco de tanto ouvir e tomar café.

Dias depois eu estaria de volta àquela casa, todas as tardes, para minhas primeiras aulas de alemão. Rotina abreviada pela campanha eleitoral que se avizinhava e da qual tive que participar em busca de um troco.

Ausentei-me sem avisar previamente e não tive mais como encarar a mestra, temendo uma provável repreensão.

Ela não cobrava pelas aulas, mas, em compensação, requeria a máxima aplicação do aluno. Infelizmente, não deu. E construí assim o meu caminho sem volta.


Tenho a consciência culpada de que fui descortês e indelicado com dona Martha, mulher sensível e abnegada que me dispensou o melhor de suas qualidades. Quem sabe um dia tomo jeito.”

 

Um comentário para “AINDA SOBRE DONA MARTHA”

  1. Eudes José disse:

    Outros deviam dar o seu depoimento sobre D. Martha, como fizeram aqui os jornalistas Paulo Sérgio e F. Jorge.

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