CENTENÁRIO: UM ESCLARECIMENTO

Por Franklin Jorge

Peço desculpas aos leitores por equivocar-me ao noticiar o centenário de nascimento de Maria Eugenia Maceira Montenegro. Trata-se, na verdade, da leitura do necrológio da escritora, solenidade a realizar-se na Academia Norte-rio-grandense de Letras - na proxima terça-feira -, um dia antes da data do seu nascimento e três anos depois do seu falecimento na cidade do Assu. A oradora será a acadêmica Anna Maria Cascudo Barreto, sua amiga de muitos anos: nenhuma duvida a este respeito.

Confesso que fiquei em duvida ao tomar conhecimento do fato, isto é, do transcurso do centenário, porém, apesar da amizade que nos uniu por mais de 40 anos, só fiquei sabendo da data de nascimento da escritora em 2001, quando ela me confessou numa das nossas conversas, que estava já muito velha e ansiosa para conhecer “o outro lado”…Vaidosa como a maioria das mulheres,  por muitos anos ela me fez segredo da sua idade. Fiquei surpreso ao saber que nascera, em 1915, no mesmo ano do grande escritor Ascendino Leite.

Eu sabia, sim, do dia do seu nascimento, 7 de outubro, como todas as demais pessoas que leram o seu livro de estréia, “Saudades tem Nome é Menina”… Nunca tive a curiosidade de saber a idade das mulheres, pois sempre tive em mente as palavras do mestre Cascudo, um expert nesse assunto. Lembro-me assim que ele costumava dizer que a mulher só envelhece do umbigo para cima e que por isso tem a idade que diz que tem… Ora, se o expediente não é verdadeiro é pelo menos elegante e bem arranjado. 

Uma amiga que tive, a grande escritora argentina Luisa Mercedes Levinson - que, como se sabe, foi namorada e colaboradora de Jorge Luis Borges – sempre me disse que nascera em 1914; ao morrer, teria então 74 anos. Qual não foi a minha surpresa, ao ler os jornais do seu pais, na ocasião do seu falecimento – quando o seu nome era cogitado para o Prêmio Nobel de Literatura por instituições culturais francesas –, que ela já estava beirando os 80 (alguns jornais davam-lhe uns dez anos a mais, ou seja, alguma coisa aí por volta dos 90…).

Exceção da ministra Dilma Rousseff e de uma politica muito manjada entre nós, nunca duvidei das mulheres. Pensei então que eu é que estivesse equivocado e que tivesse ocorrido com dona Maria Eugenia o mesmo que ocorrera alguns anos antes com Luisa Mercedes, que me fez acreditar que tivesse uns vinte anos a menos. E não lhe tiro a razão: era tão mais jovem do que muitos outros jovens que conhecemos, motivo pelo qual Borges costumava dizer, ao deparar-se com jovens em franco exercício da jovialidade, que “lá vai um grupo de jovens disfarçados de Lisa Mercedes”..

A confusão se deu por causa da negligencia da Academia,que postergou por três anos a realização de um rito que geralmente ocorre 30 dias depois da morte de um de seus membros. Assim, diante do lapso de tempo decorrido desde a morte da escritora mineiro-potiguar até esta comemoração funerária do dia  6, pensava que tal solenidade já tivesse se realizado e sua vaga ocupada. Confesso que em alguns momentos cheguei a alimentar a curiosidade de saber quem estava ocupando a sua vaga, mas, por tratar-se da Academia, foi deixando para depois, como ela fez em relação á leitura do necrológio de Maria Eugenia… Creio que a Academia, aqui, foi negligente:  a vaga, criada com o falecimento da escritora em 2006, continua aberta e sem ocupante…

Este o esclarecimento que precisava fazer. Aos leitores que me alertaram sobre o meu equivoco, agradeço e peço desculpas a todos. Estou ficando velho e, como tal, como ocorre a muitos velhos, também estou ficando um tanto esquecido…

2 comentários para “CENTENÁRIO: UM ESCLARECIMENTO”

  1. Celeste Gonçalves disse:

    Franklin sempre diz que não tem “perfil academico” e a prova aí está: a Academia não lhe desperta nenhum interesse. Garanto que ele nem sabe que Sonia Fernandes Faustino é “imortal”!

  2. Cida Lopes disse:

    Que importancia tem, centenario ou necrologio… Ninguem liga para a Academia.

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