MEU DIÁRIO DE NATAL [1]

DE VOLTA A NATAL

Por Franklin Jorge

Natal - Após uma ausencia de quase tres anos, nos quais só eventual e rapidamente passei por esta brava Terra de Poti, estou de volta, atendendo a convite do jornalista Cassiano Arruda Câmara para ser um dos editores do seu Novo Jornal que começa a circular no proximo mes.

Ontem, num hotel da Via Costeira, tivemos nossa primeira reunião de trabalho, sob o comando de Adriano de Souza, que explicou em detalhe o projetode um jornal que tem como filosofia respeitar o leitor para ter o leitor, segundo a síntese dos eu fundador.

Confesso que me senti lisonjeado ao saber que fui dos primeiros nomes convidados para sua equipe, ao mesmo tempo por ele, Cassiano, e por Adriano — com que trabalhei há bons vinte anos — que pensam o jornal como um espaço critico capaz de dialogar com a realidade e propiciar a interação necessária e imprescindivel com o leitor.

Surge assim o Novo Jornal com uma proposta que desarticula o estado de catatonia cronica da imprensa local, levada por qualquer jeito por assessores de imprensa, implementando, ao mesmo tempo, uma politica de conteúdos de que nos ressentiamos e que tem levado os jornais convencionais a uma situação incomoda e mesmo insustentável, como ocorreu recentemente com o velho e tradicional Diário de Natal, que por muitos anos dominou o mercado e acabou substituido, no gosto do leitor, pela Tribuna do Norte, até o seu suspiro final sob a forma do atual panfleto que lembra mais um jornal de bairro.

Ora, um jornal que não provoca crises e não revela o que jaz sob essa carapaça, criada no curso dos anos pelo comodismo de editores e reporteres que se limitam a cumprir o deadline, está com os dias contados depois do advento da internet, espaço ideal para a exposição de uma pletora de idéias que fatalmente se contradizem, energizando o exercicio dialético que não pode faltar numa imprensa moderna e polifônica.

Foi o que me serviu de motivação e me fez reconsiderar o meu desinteresse inicial, depois de tantas decepções que me levaram a prever, ainda nos anos 90, conforme  várias vezes manifestei aos meus superiores, ao tempo em que dirigi a Sucursal dos Diários Associados em Mossoró, o desfecho que culminou com o aniquilamento de um jornal que fizera história durante setenta anos e que não sobreviveu à aposentadoria dos eu grande gestor Luis Maria Alves, que para muitos foi uma espécie de Chateaubriand provinciano.

E aqui estou, pois, de volta a Natal e ao jornalismo diário com a missão de editar Cultura e os noticiários internacionais, além de assinar toda semana uma coluna sobre assunto de minha preferencia e que desperte meu interesse no momento, contribuindo assim, modestamente, ao lado de nomes consagrados e emergentes, mas talentosos, para que tenhamos uma nova e instigante opção de leitura e um Novo Jornal critico e interativo, na medida das exigencias dos leitores que se ressentiam, como disse, dessa saudável prática que deve ser o sangue e o combustível de uma publicação moderna e antenada com um mundo, permanentemente, em transformação.

11 comentários para “MEU DIÁRIO DE NATAL [1]”

  1. Ana Guedes disse:

    SEJA BEM VINDO NESSA VOLTA A NATAL!

  2. NABUCO disse:

    Fico muito feliz com seu ingresso no Novo Jornal, do qual serei leitor diário!

  3. Paulo Sérgio Martins disse:

    Em tempos de RAC (Reportagem com Auxílio de Computador) e de Jornalismo 2.0, o que não me surpreende mais é constatar o crescente número de leitores pedindo o cancelamento de suas assinaturas de revistas e jornais impressos. Eles alegam, na maioria das vezes, que se utilizam da internet como principal meio de informação, além do produto impresso representar um problema para o meio ambiente. Isto mesmo, o leitor contemporâneo prefere a informação em Tempo Real a sujar seus dedos com a tinta de um noticiário anacrônico e, não raro, escuso e questionável. É nesse contexto que considero ousado o projeto do “Novo Jornal”, apesar de contar com um elenco de profissionais capazes e até futuristas, como Franklin Jorge, um jornalista webnativo.

  4. Assis Antunes disse:

    Agora vamos puder saborear novamente a sua verve e o seu talento!

  5. Rosemeire Gondim da Câmara Mello disse:

    Ora pra que Novo Jornal ou Jornal Novo numa cidade sem notícias? Nesses dias de Aquecimento Global e Ecologia na crista da onda, penso ser um atentado aos parcos recursos naturais e um desperdício de celulose…..

  6. Rosemeire Gondim da Câmara Mello disse:

    Adoraria acreditar em mídia independente dos sabores da política partidária em nosso torrão natal…juntamente com gnomos, papai noel e outras figuras lendárias….

  7. Robson Assunção disse:

    O jornal pertence a que grupo partididário? Segundo Ailton, é de José Agripino, para catapultar a candidatura de Rosalba, consequentemente está com Micarla. É possével servir a esse pessoal, com isenção e crítica?

  8. Rosemeire Gondim da Câmara Mello disse:

    Bom, contrariando as Sagradas Escrituras, pode-se sim servir a dois senhores….Bom, para os que detonam a borboletíssima Micarla, estarão laborando em um periódico mantido pelo ventríloquo doutrinário e ideológico da neoverde prefeita….

  9. Berilo Albuquerque disse:

    Ora, quem liga para ideologia, todo mundo vai é querer faturar em cima do grupo político. Gente que andou falando mal deles, agora vai se sentir na situação constrangedora de engolir muito sapo….Jornal com os dias contados, quer apostar que vão dar de graça uma boa parte? O jornal não vai se autosustentar em tempos de NET.

  10. Venancio Neto disse:

    Fico muito feliz em saber que voltamos a ter um escritor, jornalista, filósofo, cronista e tudo o mais que carecterize a “Cultura” na sua forma mais ampla para nos deleitarmos ao abrir o jornal no cotidiano natalense…Bravo Franklin Jorge!!!

  11. Venancio Neto disse:

    Moderação??? Nada tenho a moderar com relação a Franklin Jorge. Aliás, voces sabem muito bem que tudo o que escrevi sobre ele ainda é pouco diante da sua realidade cultural, aliás, profundíssima…Franklin Jorge é um homem culto e preparado para ensejar novidades capazes de enriquecer a cultura dos desafortunados neste aspecto

Deixe um comentário