MEU DIÁRIO DE NATAL (2)

Por Franklin Jorge

Natal - Desde ontem, após o feriadão, comecei de fato minha rotina na redação do Novo Jornal, cujo lançamento está previsto para a segunda quinzena deste mês.

Antes, na semana anterior, tivemos reuniões em que a filosofia do jornal foi esmiuçada para repórteres e editores, em workshop em hotel na Via Costeira e, em seguida, na própria redação do jornal, quando forjamos as primeiras pautas e caimos em campo em busca da noticia que constitui o pão de cada dia do repórter.

Somos uma equipe empenhada em fazermos um jornalismo critico, ou seja, um jornalismo que tratará a opinião como opinião e a noticia como noticia, respeitando o leitor para que tenhamos dele o respeito de que precisa toda imprensa apta ao exercicio dessa forma de  advocacia popular.

Muita gente jovem e alguns veteranos, entre os quais me incluo com o Cassiano - que aliás levantou essa questão. - Trabalhando numa sala que ostenta em uma das paredes uma frase do jornalista Luis Maria Alves - “O jornal não é guardião da honra de ninguém” -, ele me perguntava se eu estava feliz, participando daquele momento que assinala, de fato, o surgimento de um jornal que, ao contrário de outros, resultou, digamos assim, de um esforço de pesquisa cientifica que levou em conta o mercado e as exigencias dos leitores, que têm sido, entre nós, os grandes excluidos, na medida em que a sua opinião não tem sido levada em consideração, por editores e por jornais que defendem, apenas, seus próprios interesses.

Ora, sou um homem feliz, respondi prontamente, porque a rigor não tenho desejos nem me deixo levar pela aparencia irrisória e devoradora das coisas que se impõem, tragicamente, em nossas vidas, queiramos ou não. Mas, logo cai na real, e pensei que não posso ser inteiramente feliz se, lamentavelmente, sou uma vitima desse vicio medonho de pensar. Neste sentido, sou menos feliz do que gostaria e do que me permite a realidade comezinha.

Não, reformo aqui o que respondi a Cassiano, naquele momento, levado pelo entusiasmo de participar da criação de uma obra. Nenhum homem, minimamente decente, pode jactar-se de que é feliz, se fazemos todos parte deste mundo vário e absurdo. Contudo, essa infelicidade há de ser relativa, concedo, pois pensando e escrevendo, há mais de 30 anos, vou exercendo, como posso e me permite a circunstancia, essa parte da vida que me toca e que, ao se expressar através do jornalismo, continua pensando e sendo do contra, desta forma afagando a insatisfação que procria a obra.

6 comentários para “MEU DIÁRIO DE NATAL (2)”

  1. Rafael disse:

    Gosto dessa maneira que Franklin tem de se expressar com toda sinceridade. Desmente seus desafetos, que se esforçaram a vida inteira para criar uma carapuça de arrogante, de dono da verdade fechado ao diálogo e sem respeito pela opinião alheia… Tudo mentira desses invejosos que não tendo talento nem cultura, difamam, confundem, pervertem. Eu só queria ver qualquer um dos nossos “intelectuais” ter a coragem de escrever um artigo destes! Pago pra ver! Arrogantes são eles. Arrogantes e mortos de inveja, querendo negar a verdade e tapar o sol com uma peneira. Cada vez mais admiro Franklin Jorge e percebo o tamanha da perfidia de que ele tem sido vitima, aqui, da lingua desses mediocres que não produzem nada e morrem de inveja de quem tem talento, tem cultura e muita disposição para trabalhar, como faz o nosso maior escritor e jornalista cultural, enquanto eles ficam bebendo e fumando maconha no Beco da Lama e em alguns sebos da cidade.Rafael Medeiros

  2. Juca Catunda - Rio disse:

    Não seria “procria”…? Outra coisa: vai publicar algum artigo do Ipojuca (maravilhosos!) sobre a Marina Silva? Ela também está no páreo.

  3. Frederico Queiroz - Tirol disse:

    Espero, meu amigo, que passando a escrever nesse novo jornal você não se descuide desta página (já notei que hoje não postou nada…) e dos seus leitores que curtem a blogosfera e não querem saber mais de impressos. Estou sentindo falta dos seus artigos. O tema “Funcarte” ainda está fresquinho e não se esgotou: você pode ainda explora-lo bem, acompanhando os passos do novo presidente e do ex que segundo dize por aí continua lá como uma e “eminencia parda”: o que prova o despreparo da prefeita em apoiar-se num cara que não se sustentaria se não bajulasse tanto os arquitetos de Natal. Vá em frente, homem, e mostre o seu valor.

  4. Marcelo Moura (Alto da Candelaria) disse:

    Franklin, cadê seus artigos, homem? Não deixe o Cassiano devorar vc com essa história de Novo Jornal. Pense nos seus leitores e no futuro do seu Blog. Arranje um jeito de continuar escrevendo aqui todos os dias, com ou sem jornal impresso.

  5. Christiane Duarte de Sousa disse:

    Franklin, vc devia ampliar o debate sobre a Funcarte. Aquilo ali é um sangradouro de recursos púbicos, agora nas mãos de um “pastoril de nulidades” (como vc costuma dizer das instituições culturais da nossa capital). A corrupção está na ordem do dia: nunca vi uma instituição contratar serviços de alguém que é funcionário ou já ocupa nela um cargo comissionado, como é o caso do Edson Soares, um dos diretores e mesmo assim contratado para prestar serviços, escrevendo o libreto do Auto de Natal. É muita corrupção. Já que o MPE não faz o seu serviço, escreva e mostre que a corrupção comanda a Funcarte.

  6. Maricélia Cartaxo disse:

    Estou ansiosa para ler você no Novo Jornal. Seja bem vindo! Cassiano mostra que é um empresário sagaz, contratando-o para o seu jornal.

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