AUTOR POTIGUAR É REVELADO AO MUNDO

Da Redação

Em pleno auge do blog e de outras tendências editoriais que a internet oferece, cresce o fenômeno das editoras “por encomenda”, receptivas a todo tipo de criação autoral e disponibilizando espaços para venda virtual, onde o leitor tem a escolha de obras de todas as partes do mundo, seja impressa ou por download, sobre o tema desejado e recebe as encomendas dos livros em sua própria casa.

Fundada em 2002, a Lulu.com é o primeiro mercado web de livros independente destinado a pessoas que desejam publicar suas próprias obras em formato digital. A Lulu publica por demanda, ou seja, através das encomendas dos autores ou leitores. O projeto foi criado por Bob Young, um empresário norte-americano que joga futebol com seus empregados e com eles reúne-se uma vez por mês para saber como vão as coisas. Bob foi co-fundador da Red Hat, líder mundial de recursos livres e gratuitos.

A Lulu.com chega a faturar cerca de US$ 1 milhão por mês. Para Bob, tal êxito mercadológico deve-se ao fato de a empresa proporcionar diretamente aos autores maior sucesso com sua iniciativa. Reconhecidamente inovadora, a Lulu não compete com as editoras tradicionais. Ela apenas oferece milhares de livros que não tem ninguém interessado em publicar.

Sem custos iniciais nem pedidos mínimos, o autor tem o controle dos direitos autorais e fixa o próprio preço da obra. Cada produto, sejam livros, álbuns, fotos, desenhos, CDs, DVDs, calendários, folhetos etc., se imprime no momento que se faz o pedido. Sem excesso de burocracia, se vende de um livro a 10.000 exemplares, bastando para tanto aparecer encomenda. Os produtos são distribuídos em média com prazos de 30 a 35 dias. As vendas são feitas somente por cartão de crédito internacional. Quando as vendas atingem vinte dólares, o autor recebe royalty a cada trimestre.

Na verdade, trata-se de um provedor que serve de ferramenta para os autores independentes, que produzem suas obras em casa e depois transferem os arquivos pela internet para que a editora virtual possa imprimir e distribuir. São mais de 85.000 títulos em vários idiomas e que fazem sucesso nos EUA e na Europa. Na sua maior parte, são autores que foram ignorados pelas editoras convencionais, ou mesmo pessoas simples que desejam apenas publicar um livro, contando sua vida ou homenageando um ente querido. Na Lulu, até as crianças se fazem publicar.

A Lulu.com ainda está expandindo aos poucos seus negócios para a América Latina. No Brasil, particularmente, é um fotógrafo de Natal (RN) que vem se destacando na divulgação e publicação de livros. Professor de arte e fotojornalista, Adrovando Claro tem uma produção que remonta os anos 1980, quando já publicava seus fanzines, jornais e revistas de forma independente. Ele descobriu a editora virtual por intermédio do professor Millard Schisler, da Universidade de Rochester (USA), também fotógrafo e com quem manteve intercâmbio cultural. E, em pouco mais de um ano, Adrovando já lançou uma dezena de livros de fotografia.

“Em julho do ano passado, fiz apenas um teste para me familiarizar com o provedor e fui achando muito prática a parceria. Tenho oito livros em estilo portfólio com vários temas em fotografia e dois ensaios publicados, um sobre danças folclóricas e outro acerca do trabalho envolvendo a fabricação de tijolos, farinha e rapadura”, relata o autor. Além dos livros de fotografia, Adrovando disponibilizou ainda desenhos e fotos avulsas para quem deseja adquirir por meio de download.

O fotógrafo potiguar foi destaque em dezembro e janeiro passados, no concorrido blog da Lulu.com, quando enviou reportagens de jornais e revistas do Brasil que divulgaram a ideia revolucionária do provedor. “Sei como é difícil ser autor independente, pois desde a adolescência que ‘brincava’ de editor com a produção em pequenas tiragens, seja em xerox ou offset, de revistas em quadrinhos e fanzines”, lembra. “Se você não divulga seus livros com os meios que tem ao seu alcance, ninguém conhece o trabalho e os livros acabam esquecidos ou sequer lembrados”, constata.

“Ao exibir meus livros e produtos em sua loja virtual [www.lulu.com/adrovando], a Lulu faz a parte dela, cabendo ao autor a difusão da sua obra. Cada autor só recebe royalties se vender seu material a partir da internet”, esclarece Adrovando. Experiente, ele não se encaixa no perfil de “marinheiro de primeira viagem”. Já trabalhou por seis anos com editoras de quadrinhos do centro-sul do Brasil, porém, como era mal remunerado e nunca recebia por seus direitos autorais, desistiu da carreira de desenhista e passou a se dedicar à fotografia.

Navegante webnativo, Adrovando mantinha engavetado o projeto de publicar um livro havia três anos, quando “descobriu” a Lulu, no ano passado. Façanha que para ele traduziu-se, a um só tempo, em porto seguro e salvação da lavoura. “A fotografia tem sido um meio de mostrar minha visão de mundo. Geralmente meus livros são a soma de recortes da realidade, um mosaico do que de alguma forma tento traduzir como um momento da história cotidiana da vida. Em cada obra tem de tudo um pouco, paisagismo, figuras humanas, formas abstratas, sequências de fotografias que selam um olhar aos aspectos do mundo contemporâneo”, resume.

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