O FIGURINO DA MORDAÇA
Por Josué Maranhão, do site Última Instância
A tentativa dos lulo-petistas de impor uma blindagem em torno do presidente Lula e do seu governo não é um posicionamento isolado.
A idéia fixa, quanto ao cerceamento à liberdade de comunicação, o controle da mídia, entranha-se na programática do Partido dos Trabalhadores.
A revelação de um documento oficial do partido, faz-me voltar ao tema, muito embora não pretendesse rediscuti-lo, de imediato.
O documento, com o título “Resolução Sobre a Estratégia Petista na Confecom”, contém as propostas que o PT pretende apresentar na “Conferência Nacional de Comunicação”, simpósio a ser realizado no próximo mês, promovido pelo governo federal.
A “Confecom” é mais uma tentativa dos setores mais radicais, no firme propósito de instituir no Brasil um controle das informações que a nação recebe, a exemplo do que ocorre em Cuba e na China, há tempos e, mais recentemente, na Venezuela, Equador e Bolívia.
O enunciado da proposta do PT, aliás, não tenta sequer esconder o cerceamento que o governo vem tentando implantar. É ostensiva a tentativa de impor censura. No programa aprovado e que será apresentado na tal Conferência, está expresso que o intento é, entre outras aberrações, estabelecer a “regulação de conteúdo” e “mecanismos de controle público das informações que a mídia divulga”. Vai além, quando prevê que é necessário o “fortalecimento dos meios de produção público-estatais”.
O estabelecimento de regras que se sobreponham à Constituição resta flagrante, quando o documento fala em “criação de um modelo que garanta mecanismos efetivos de sanção aos meios de comunicação”.
Resvala, ainda, revelando até o sentimento racista, quando propõe a imposição de paridade racial no setor de publicidade.
Tudo isso ocorre quando o presidente Lula pretende, usando os recursos mais diversos, aparecer perante todos como um líder mundial. E, ainda, enquanto o Brasil incrementa a campanha para conseguir um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Sem dúvida, o sucesso na continuidade da política econômica, inclusive com a superação mais rápida dos efeitos da crise financeira mundial, destacaram, mais ainda, a figura do presidente Lula no cenário internacional.
Antes, a admiração pelo presidente Lula se devia ao fato de ser ele um ex-operário, que atingiu o posto de Chefe de Estado e de Governo. Idêntica projeção alcançou Lech Walesa, também um operário que chegou a presidente da República da Polônia. Com um destaque, ainda, diante da circunstância de haver enfrentado o poderio e a resistência da União Soviética, dominadora dos países da chamada “Corte de Ferro”, então existente.
Os méritos do presidente Lula que lhe eram reconhecidos, não justificam que se torne uma figura inatacável. Afinal, chegou onde se encontra em decorrência do aprendizado que adquiriu, enfrentando três derrotas em disputas anteriores pela presidência da República.
Críticas são merecidas, aliás, desde quando o presidente Lula, tornando-se vencedor depois de tanta luta, relegou e abandonou os grandes mestres que teve e aos quais deve muito do que sabe, a exemplo de Florestan Fernandes e Plinio de Arruda Sampaio, fundadores do PT. Preferiu, inicialmente, seguir os conselhos duvidosos de figuras como Zé Dirceu. Pior, ainda, quando se acercou e tornou-se defensor de tipos como José Sarney e Fernando Collor, ao quais havia chamado, textualmente, de ladrões e, ainda, Renan Calheiros, formando-se assim uma “santíssima trindade” famigerada.
O fato de ser o presidente Lula um nordestino não o credencia mais do que quaisquer outros brasileiros. O crédito que tem é o fato de haver sido eleito duas vezes para dirigir os destinos do Brasil. Isto ninguém pode lhe arrebatar, legalmente. Escolhido pelo povo como o melhor, no entanto, não significa que se torne intocável e imune a quaisquer críticas. Sob o regime democrático, é e deve continuar sendo, o chefe de Estado e de Governo, até o final do seu mandato. E como tal respeitado. Torna-se, todavia, uma vidraça, como ele próprio já declarou, quando disse que trocou de lado, deixando de “atirar pedras” nas vidraças dos governos que o antecederam e aos quais fez oposição sistemática.
É incorreto, ainda, o posicionamento muito comum entre os lulo-petistas, sempre fazendo comparações com os governos anteriores. O que interessa é que o atual governo seja o melhor e, dessa forma, respeite o crédito de confiança que a nação inteira lhe deu. Aliás, deu por duas vezes e, ainda, o coloca sempre em índices de aprovação que nenhum outro sequer atingiu e muito menos manteve por tanto tempo. Na realidade, o objetivo deve ser o melhor, não importando o que os antecessores fizeram ou deixaram de fazer.
De nenhuma forma, no entanto, o presidente Lula poderá almejar entrar para a história como o melhor, se mantido o propósito de cercear o direito de informação e impor a censura. As críticas que lhe sejam feitas, quando procedentes, devem ser aceitas com humildade, até como forma de lhe permitir corrigir eventuais erros. De igual modo é inaceitável o comportamento daqueles lulistas fanáticos, que investem até com ofensas pessoas contra aqueles que tenham a veleidade de criticar o presidente. Improcedentes que sejam as críticas, o correto é apontar os erros e mostrar os acertos do governo. Ou recorrer ao Judiciário, para punir quem houver cometido crimes.
Tudo isto faz parte do jogo democrático! Mas, o que surpreende e amedronta é o figurino da mordaça, elaborado pelo PT.