TEAM, 50 ANOS DEPOIS
Por Franklin Jorge
De volta a Natal depois de passar o fim de semana no País de Mossoró, cuidando de minha mudança, vinha pensando escrever uma crônica sobre os 50 anos do Teatro Escola de Amadores de Mossoró (TEAM), grupo que fez história e que por algum tempo, a partir dos meus 17 anos, acompanhei, ao tempo em que vivia numa fazenda de algodão no Vale do Açu.
Não poucas vezes fui assistir às suas representações, no auditório da Facem (Faculdade de Ciências Econômicas de Mossoró), dormindo então no Grande Hotel ou no Hotel Caraúbas e, numa época posterior, hospedando-me na casa do meu amigo Joseph Boulier Sidou à rua Juvenal Lamartine, apenas para não perder seus espetáculos que lotavam o auditório.
Lembro-me ainda do sucesso de algumas peças, como “O Pagador de Promessa” e do desempenho de atrizes como Maria Lúcia Escóssia e Ivoneth de Paula, esta excepcionalmente dotada de histrionismo e de talento para o canto. No palco, agigantava-se especialmente nas cenas de maior dramaticidade, nas quais desnudava a sua alma, eletrizando a plateia. Não posso esquecer de citar o ator Kiko Gurgel, que juntamente com Paulo Lúcio podiam ter feito carreira em centros culturais como Rio e São Paulo, mas preferiram o anonimato.
Foi uma grande e oportuna comemoração que proporcionou aos mais jovens o acesso a uma página empolgante da história e da cultura da segunda mais importante cidade do nosso Rio Grande do Norte. Uma história de idealismo e heroísmo que teve em Lauro Monte Filho o seu grande esteio e que, já há muitos anos, teve o seu nome mergulhado no mais denso anonimato.
Vale lembrar que Mossoró, então, investiu de maneira pioneira na contratação de grandes diretores, como o cearense B. de Paiva e de Martim Gonçalves que difundiram novas técnicas e colocaram os artistas locais em contato com as novidades cênicas. Além disso, havia uma obsessão no sentido de popularizar textos de grandes autores, antigos e modernos.
Absorvido pelas providêrncias da mudança, acabei perdendo uma boa oportunidade de escrever sobre o TEAM e sua contribuição à cultura, através do teatro que em Mossoró, nessa época, teve status e se constituiu em motivo de orgulho para os mossoroenses. A propósito, há um livro que conta a história do grupo, que nunca li embora, alguns dias depois do seu lançamento, o autor o tenha autografado para mim. Nesse dia, porém, fui visitar Rafael Negreiros em seu escritório e levei o livro comigo - que acabara de ganhar - e, ele, apesar da dedicatória em meu nome, fez fincapé dizendo-se o dono do livro… Aquiesci de boa vontade.
Num trabalho de garimpagem excepcional, foram reunidos e homenageados 50 ex-integrantes do grupo. Numa noite que passa a fazer parte da história de Mossoró.