AS RUÍNAS DO COLISEU

Por Edgar Barbosa

Lê-se em Tácito que, mesmo depois das guerras sociais,a miséria e a depravação se exacerbaram em Roma.

Os cidadãos pobres vendiam o seu voto, o seu testemunho ou o seu punhal e as familias indigentes se apinhavam, como caranguejos, na lamacenta Suburra ou nos casebres que o Tibre afogava a cada inundação.

Essa plebe imunda e mal nascida era o caldo de cultura de onde começaram a sair, sob os Césares da decadência, os validos e favoritos de imperadores pervertidos.

A mania dos ricos era, naquele tempo, imitar os gregos, não nas suas virtudes mais homéricas, porém nos hábitos de moleza e volutuosidade. Por isso certo escritor, contemporâneo de Cícero, comparava os romanos aos bárbaros mercenários, tanto mais depravados quanto mais grego sabiam.

Todo o nobre romano que se prezava ia, realmente, acabar a sua educação na Grécia, no convivio dos filósofos e das escolas célebres de Atenas. Mas, se voltavam instruidos em literatura, eloquentes e desenvolvidos na arte do discurso, vinham muito mais conhecedores da parte prática da filosofia epicurista.

Estava em moda desprezar-se os deuses, negar-se a providência, fazer praça de uma espécie de existencialismo risonho e descuidado.

Os próprios mestres mais escutados e conhecidos recomendavam gozar o quanto possivel, para não seguir o exemplo da plebe que morria nos anfiteatros, que se inutilizava nas guerras, mais pelo prazer da morte do que pelo orgulho de servir à pátria.

Foi nesse estado que os germanos surpreenderam Roma no quinto século desta era, quando os palácios dos ricos, bem como a corte dos césares, eram pasto de aduladores, aventureiros e párias de toda procedência.

Eram os “clientes”, primeira safra mundial dos bajuladores, que enchiam o “atrium”, antes do romper do dia, para saber noticias do amigo e protetor, que só era isso enquanto rico e enquanto estava de cima.

A chusma invadia os aposentos mais íntimos, por vezes se arriscando aos golpes da vara do porteiro, a fim de chegar até ao dormitório do poderoso, que ainda se enroscava no torpor do sono.

E então, depois de assistir ao seu despertar, os desocupados iam esperar, lá fora, a primeira refeição do patrono, qual uma nuvem de moscas em torno de uma sobremesa abandonada.

Fragmento do livro Imagens do Tempo

Um comentário para “AS RUÍNAS DO COLISEU”

  1. Boy Detonação disse:

    ESTAMOS VIVENDO NUMA ÈPOCA BÀRBARA>

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