VENEZUELA: ARBÍTRIO EXPLÍCITO

Do Editorial do Zero Hora

Hugo Chávez, na busca do que eufemisticamente está sendo chamado de “hegemonia comunicacional”, atropelou mais uma vez a liberdade de imprensa em seu país. Seu governo determinou a suspensão do sinal da RCTV (Rádio Caracas Televisão), que se recusou a integrar uma rede nacional para transmitir um discurso do presidente a seus apoiadores, no sábado.

Essa emissora, quando era a mais importante voz a criticar Chávez, em 2007, não conseguiu renovar sua concessão e, apesar de ser a mais importante emissora venezuelana em canal aberto, foi forçada a migrar para a transmissão a cabo. Mesmo assim, manteve boa parte de sua audiência e continuou criticando o governo. Agora, o presidente usa o pretexto da rede nacional para calar essa voz incômoda e as de outros cinco canais.

A marcha batida do presidente Chávez contra a liberdade de expressão fez outras vítimas além dessas. Em julho do ano passado, a Comissão Nacional de Telecomunicações revogou a concessão de 240 emissoras de rádio AM e FM, sob a alegação de que haviam perdido um prazo de recadastramento.

E a Globovisión, que atualmente canaliza as reações contra o arbítrio governamental, tem sido ameaçada por autoridades e por manifestantes chavistas, acusada de fazer “terrorismo midiático” apenas porque não se conforma em dançar na toada do coronel-presidente.

Num processo que expõe a vocação totalitária de alguns governantes do continente, esse avanço agressivo sobre um princípio tão caro e tão essencial às democracias como é o da liberdade de imprensa representa um retrocesso.

Infelizmente, tal viés liberticida encontra defensores e seguidores, como está acontecendo no Equador e na Bolívia, como chegou a conquistar a maioria parlamentar argentina e como, vez por outra, renasce em projetos do governo brasileiro.

2 comentários para “VENEZUELA: ARBÍTRIO EXPLÍCITO”

  1. Tasso disse:

    Parabéns pelos inúmeros acessos. Seu Blog não tem rival por aqui.

  2. Samira Gomes disse:

    Que sirva de exemplom para o prfes. Lula.

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