O FUTURO ESMURRA A PORTA
Por Alon Feuerwerker,
Do Blog do Alon
A transmissão pelo YouTube do Teleton “Hope for Haiti Now”, sexta à noite, foi uma antevisão do futuro, em meio à tragédia do presente. Talvez o terremoto tenha convertido o destroçado Haiti num ícone das dificuldades para universalizar o progresso e o bem-estar. No outro polo, a tecnologia permite a transmissão de um show daqueles pela internet, em alta definição, com qualidade excepcional.
Assim como é apenas questão de tempo as novidades de um Fórmula 1 chegarem ao carro zero que você vai comprar na concessionária, também tem data para chegar o mundo dominado pela convergência digital, que, batida, virou chavão. O que embute um risco: de tanto ouvir falar e nunca ver, você começa a achar que ela não virá mais. Pois ela chegou aos nossos computadores e celulares na sexta. Se você não viu, perdeu.
Toda inovação tende a universalizar-se, ainda que o processo não seja linear e sem buracos na estrada. Quais os principais obstáculos à convergência: a oferta de “banda”, o canal que conduz a informação distribuída em pequenos pacotes na rede, e a disponibilidade de conexões simultâneas ao servidor. No Teleton do Haiti, a conta de ambos foi para os veículos digitais e as empresas de tecnologia, que arcaram com os custos de oferecer uma infraestrutura “ilimitada” para que tudo corresse bem.
Foi um pool gigantesco, que virou conceitualmente a rede pelo avesso. Internet é pulverização, mas na sexta o “pool” inverteu a equação. Precisou apenas de massa crítica, atingida com a mobilização em torno do Haiti.
O que isso tem a ver conosco, com a política? Tudo. Se já éramos um país com milhões de técnicos de futebol, agora, além de milhões de cientistas políticos (Lula vai transferir os votos para Dilma ou não?), nos últimos tempos universalizamos também o debate sobre a democracia na comunicação.
Aqui há um problema: nossas discussões parecem focadas no passadismo, enquanto o futuro esmurra a porta pedindo desesperadamente para entrar. O que é o passadismo? Alguém imaginar que vai restringir o fluxo de informação na rede a partir de formas orgânicas de “controle social”, de restrições. O cenário do futuro é outro. É a disponibilidade “universal” de canais, banda e conexões. É a universalização da capacidade de dizer as coisas e ser ouvido.
A polícia e a Justiça irão adaptar-se para combater o crime na nova esfera, mas fora isso — e a não ser que se esteja a falar em censura — o controle será necessariamente distribuído, pulverizado. Não vai ser refém da esfera estatal, ou paraestatal, como acontecia na época em que predominava o broadcast, a radiodifusão. Ou em que era necessário um capital volumoso para bancar os custos fixos do impresso.
Talvez uma parte, a maior parte, da energia nacional investida no tema devesse então ser canalizada para encontrar meios de prover abundância tecnológica, para baixar radicalmente os custos de distribuição digital. Quem sabe não é um bom tema para a campanha eleitoral?
28 de janeiro de 2010 às 8:37
A Internet é incontrolável. E, nas comunicações, o futuro no presente de todos.
28 de janeiro de 2010 às 9:06
A internet é a democracia nas comunicações. Alédm disso é uma rede de alcance universal. Não há como controlar a internet. Os politicos é que vão precisar se adaptar a esta nova realidade.