Arquivo de fevereiro de 2010

A ‘DIREITA’ QUE A ESQUERDA ADORA

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Por Heitor De Paola, de Mídia Sem Máscara

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas.

Não vim para debater, mas para combater.

Não sei se a frase em epígrafe já foi dita por alguém. Caso não tenha sido, é minha mesmo, pois resume a segunda parte deste artigo. Inverti a ordem original porque estou irritado, profundamente irritado!

Nos dias, desde a morte de Orlando Zapata coincidindo com a visita de Lula a Cuba, tenho recebido inúmeros emails de pessoas que se dizem conservadoras, “de direita”, e artigos de jornalistas idem, profundamente chocados com o silêncio de Lula em relação aos “dereitos omanos” por lá, ou condenando sua “pusilanimidade”.

Será que ainda não entenderam que o encontro de Lula com Fidel foi o encontro entre os dois fundadores do Foro de São Paulo, a maior organização comunista que já existiu na Iberoamérica?

Será que ainda não entenderam que Lula É comunista? Continuam achando que Lula é apenas “populista” e pertence a uma fantasiosa “esquerda vegetariana” e é um aliado da direita para enfrentar Chávez e a ficção chamada “bolivarianismo”?

Será que realmente acreditam que Lula queria protestar e não o fez por pusilanimidade (ao menos como entendo o termo: covardia, fraqueza, timidez)?

Será que ainda não entenderam que Lula apóia incondicionalmente tudo o que acontece em Cuba e quer implantar aqui e, se ainda não o fez é porque temos instituições que o impedem, principalmente as Forças Armadas que seu governo tudo faz para sucatear e destruir, principalmente o Exército?

Será que ainda não entenderam que se Lula falasse algo seria a favor, o que quase fez ao condenar a greve de fome como instrumento de luta (com o que concordo!) e deve ter sido objeto de vários brindes de excelente rum e baforadas de charuto entre Lula, Fidel e Raúl? O único depoimento sincero é o do Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano (vejam o título e as fotos no site).

Retorno agora à epígrafe cuja autoria reivindico: enquanto o comunismo avança celeremente sobre nós, financiado por banqueiros e empresários corruptos que já estão sentindo e gostando do bafo no cangote, o que faz a “direita”? Eventos e conclaves - financiados pelos ditos - para debater populismo, liberdade de expressão e qualquer coisa que imaginem que, se discutirem bem, vai resultar alguma coisa.

É a direita seguindo as diretrizes do PT: “precisamos discutir com toda a sociedade!”. Só que aprenderam mal: o PT discute somente entre as esquerdas, a “direita” burra convida comunistas para discutir sobre liberdade de expressão!

Sugiro que sigam outras diretrizes também, como discutir o orçamento dos grandes bancos na forma do “orçamento participativo”- e me convidem, de preferência para a “democratização” do capital!

Este bando que tem a desfaçatez de se dizer defensor das liberdades, da democracia, do estado de direito, ao mesmo tempo precisa sempre condenar a “ditadura”, pois tem vergonha de reconhecer que foi a Contra-Revolução de 64 que os (nos) salvou de já estarmos há 46 anos sob um regime castrista que ainda teremos, se depender destes idiotas cujo único interesse é amealhar fortunas ou conseguir um empreguinho nos grandes grupos de comunicação enquanto o Brasil afunda! Jamais reconhecem que o desenvolvimento de nosso País foi obra dos “milicos” que odeiam tanto quanto a esquerda.

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas. Enquanto eles ainda não sabiam falar ou controlar os esfíncteres, eu já estava nas ruas tentando conseguir armas para a campanha da “Legalidade” de Leonel Brizola, fazendo pichações contra a “ditadura” da qual só ouviram falar e nem sabem o que foi, pois acreditam no discurso esquerdista como sua bíblia. Enquanto eles começavam a balbuciar, eu estava preso em Fortaleza.

Mas naqueles tempos existia uma direita de verdade que nos derrotou. A Ação Católica, os militares honrados que assumiram o poder e morreram pobres (Castelo Branco, Emílio Medici), políticos com ideologia definida - Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, Mem de Sá, Britto Velho, Daniel Krieger - e não como hoje, interessados apenas em guardar dinheiro nas meias - só se distinguindo do PT pela peça do vestuário preferida como cofrinho! Aquela direita já teria expulsado a quadrilha que tomou conta de Brasília desde 1994. Combatia, não debatia!

Lula já disse: no Brasil a direita acabou! E o burro é ele? Com esta “direita” a esquerda está feita na vida!

EXILADOS OCUPAM CONSULADO EM MIAMI

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um grupo de exilados cubanos ocupou nesta sexta-feira, durante uma hora, o consulado do Brasil em Miami. O objeto do protesto, que aconteceu de forma pacífica, foi denunciar a “cumplicidade” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no “assassinato” do preso político Orlando Zapata Tamayo.

Cerca de 15 integrantes da Assembleia da Resistência, entre ex-presos políticos cubanos e membros de organizações do exílio, entraram nas instalações do consulado do Brasil e ocuparam uma das salas enquanto exclamavam: “Lula, cúmplice!”, “Vergonha para Lula!” e “Viva Orlando Zapata Tamayo!”.

“Lula é cúmplice da ditadura castrista e do assassinato de Orlando Zapata”, expressou Orlando Gutiérrez, diretor do Diretório Democrático Cubano, que liderava o grupo que entrou no consulado brasileiro.

Gutiérrez ressaltou que o objetivo da ocupação era pôr em evidência a “vergonha que representa para o Brasil o fato de Lula aparecer abraçado aos irmãos Castro no momento em que estão assassinando um homem pelo mero fato de discordar”.

O presidente brasileiro se reuniu com Raúl e Fidel Castro na quarta-feira, dia seguinte da divulgação da morte de Orlando Zapata como consequência de uma greve de fome de 85 dias.

O grupo de exilados, pertencentes a organizações como Plantados e Madres y Mujeres Antirepresión por Cuba (MAR), entregou ao cônsul brasileiro, Luiz Augusto de Araújo Castro, uma foto na qual Lula abraça Fidel Castro, com a imagem de Zapata Tamayo impressa entre os dois.

No verso da fotografia se lê: “Fidel Castro, assassino; Lula, cúmplice”. A imagem, que o grupo pediu que o cônsul entregue ao presidente, “deve envergonhar Lula”.

“Não há melhor documento que o rosto do prisioneiro político que ia ser assassinado pelo regime castrista”, disse a presidente da MAR, Sylvia Iriondo. “O caso de Orlando mostra a trajetória e história de crimes e violações perpetradas pelo castrismo”, disse.

Sylvia denunciou que “ainda restam muitos presos políticos cubanos em condições críticas”, ao mesmo tempo que pediu à comunidade internacional para que não tolere a “impunidade e falta de vergonha” do regime de Havana.

Gutiérrez explicou que a ação de hoje é o “começo de uma campanha para alertar o povo brasileiro de que as ações de Lula são prejudiciais para o povo cubano”.

‘NOVO JORNAL’ PROMOVE WORKSHOP

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

Novo em tudo, até na maneira de relacionar-se com os seus funcionários, o Novo Jornal reuniu sua equipe de profissionais em almoço seguido de workshop, ontem, sábado 27, no Hotel Vila do Mar, na Via Costeira, num momento de trabalho e confraternização. A ideia é tornar esses encontros rotineiros.

Cassiano Arruda Câmara - que estava comemorando o fato de ter-se tornado avô naquele dia - quis fazer um balanço dos quatro meses de trabalho e anunciar mudanças, entre as quais, novas contratações e implantação de projetos, como a criação de novos cadernos e ampliação do raio de ação do jornal que conquistará novos leitores.

O balanço, em resumo, foi positivo. Em apenas 87 edições o jornal já tem 82 pontos de vendas em Natal, Parnamirim e praias e, nas próximas semanas, estará presente também em Mossoró, a segunda maior cidade do estado. A criação de um portal na internet faz parte dos planos a médio prazo.

Dentre as novidades, a estreia de Marcos Sá com uma página de sociedade que foge ao padrão comum das colunas sociais em circulação na imprensa local. E, já a partir desta semana, o jornalista Roberto Guedes deixa o Plural e passa a ter o seu próprio Jornal, em substituição ao da jornalista Ana Maria Cocentino. Será substituído por Paulo Tarcísio Cavalcanti. Ivan Cabral, o novo cartunista da primeira página, está rendendo Tulio Ratto que sai do jornal para dedicar-se a um programa de humor na TV Cabo Mossoró.

Novo pela forma diferenciada de apresentar a informação com responsabilidade e pluralidade, através de uma equipe comprometida com a verdade e a satisfação do leitor - seu principal alvo - o Novo Jornal está contribuindo com talento e criatividade para o aperfeiçoamento da democracia e do desenvolvimento do Rio Grande do Norte, estimulando o diálogo e a reflexão, adotando novos paradigmas que mudem conceitos e lancem olhares plurais sobre a realidade.

ASSASSINOS E CÚMPLICES

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Por Norma Braga

normabraga.blogspot.com

Graças ao Senhor de toda a justiça, a morte de Tamayo está provocando protestos no mundo inteiro. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá exigem a libertação de todos os presos políticos em Cuba (duzentos, segundo os dissidentes).

Em artigo para o Boston Globe, o jornalista Matthew Price conta que perguntaram para o propalado historiador Eric Hobsbawn, leitura obrigatória nas universidades brasileiras, se a perda de vinte milhões de pessoas no regime comunista da antiga União Soviética havia sido justificável. Sem hesitar diante das câmeras de TV, Hobsbawn respondeu: “Sim.”

Há quem diga que o comunismo acabou, mas (que curioso!), mesmo morto, continua matando. Dias depois da publicação do artigo de Price, em março de 2003, houve a chamada Primavera Negra em Cuba, uma onda de prisões de dissidentes do regime castrista. Entre 75 outros cubanos, Orlando Zapata Tamayo foi preso. Seus crimes: “desrespeito, desordem pública e resistência”. Sua pena: 36 anos de detenção.

No cárcere, vinha sofrendo graves espancamentos, maus-tratos e tortura psicológica. Quase sete anos depois, no dia 3 de dezembro de 2009, Tamayo decidiu que seu martírio não seria em vão: começou uma greve de fome pelo fim da ditadura em Cuba. O chefe da prisão resolveu “dar uma forcinha” para a greve e mandou que negassem água ao preso. Hospitalizado com falência renal, foi posto nu em um quarto com um forte ar-condicionado e contraiu pneumonia. Em seguida, sem tratamento, foi levado de volta para a prisão, largado para morrer. No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 85 dias sem se alimentar, morre Tamayo.

Diante do ocorrido, qual o veredito de Raúl Castro, irmão do ditador? “A culpa é dos Estados Unidos.”

Graças ao Senhor de toda a justiça, a morte de Tamayo está provocando protestos no mundo inteiro. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá exigem a libertação de todos os presos políticos em Cuba (duzentos, segundo os dissidentes). Na República Checa, o parlamento guardou um minuto de silêncio em homenagem a ele.

Lech Walesa, líder que trabalhou pelo fim do comunismo na Polônia, está pressionando o governo cubano a favor dos encarcerados, e a Anistia Internacional se pronunciou sobre a repressão violenta do regime. A movimentação chega tarde demais, porém: desde 1957, a Cuba socialista já matou 17 mil diretamente e 83 mil no mar, tentando deixar a ilha.

E o Brasil, o que fez?

Lula estava lá e, representando-nos, calou-se diante de tudo isso.

Conta o jornalista que Hobsbawn, cúmplice ideológico do assassinato de milhões de pessoas, alegrou-se muitíssimo com a eleição de Lula para presidente do Brasil. Compreende-se. Diante das mortes simbólicas e reais do mundo socialista, ambos se irmanam em suas justificações.

Price também escreve que hoje poucas figuras da envergadura do historiador mantêm a mesma devoção ao comunismo.

Isso certamente não é verdade no Brasil. Se fosse, o barulho em torno da morte de Tamayo seria maior. Bem maior. Haveria uma indignação gigantesca contra o silêncio conivente de Lula. ONGs fariam passeatas, ativistas de direitos humanos bradariam de horror. Entre os cristãos, haveria ainda mais protestos. Na igreja protestante brasileira, pastores iriam a público pedir perdão a seus fiéis por terem apoiado Fidel e seus seguidores - Chávez, Morales, Lula. É isso que espero dos pastores brasileiros. Há muito tempo, na verdade.

E você, cristão esquerdista que apoia Fidel, que gosta de Lula, que anda com a camisa do Che, que louva as maravilhas do socialismo, já se informou? Já pediu suas desculpas em público? Até quando será cúmplice da tirania e do assassinato?

MICARLA DE MIOLO MOLE

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

A prefeita Micarla de Sousa parece ter um neurônio a menos. Como gestora é esse formidável desastre que todos já sabemos: sob a sua administração Natal está completamente à deriva e prestes a soçobrar, arrastando nessa procela além da confiança que o natalense depositou em seu mandato, durante a campanha eleitoral, o seu futuro político.

Natal, hoje, tem somente - e não é pouco - o Partido Verde devastando tudo, acabando com tudo, desmanchando tudo… Em verdade, ao darmos crédito aos nossos olhos e ouvidos,Natal não tem saúde, não tem educação, não tem cultura, não tem meio ambiente, não tem limpeza pública, não tem futuro nem esperança.

Nesse oceano de desgosto e incertezas sobre o qual boia a “prefeitura verde” como bosta nágua - como diria o culto presidente da Fundação Capitania das Artes -, uma coisa é certa. Micarla não é capaz de tirar lições da experiência.

Aí está a prova: depois da malograda gestão do engenheiro Kalazans Bezerra como titular da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, um dos mais formidáveis malogros dessa “administração verde” que seria inconsequente se os seus erros cometidos pela prefeita não tivessem consequencias, o arrogante e despreparado “ambientalista” míope vai ser remanejado para a chefia da Casa Civil; logo ele, que não tem “jogo de cintura” e já deu provas de que não tem capacidade como gestor…

Mas o descalabro do governo micarlista não termina nessa nomeação estapafúrdia. Micarla vai substituir Kalazans por um petroleiro, Olegário Passos, que não tem nada em sua ficha que possa aboná-lo para titular de uma pasta complexa e especializada que requer, mais que acordos políticos de bastidores, preparo e competência, pois trata-se de um setor especialmente visível e sujeito à intervenção da sociedade que já não mais se contenta em baixar a cabeça e ficar calada diante dos erros dos governantes.

A escolha desses nomes pressupõe um desastre anunciado. Quem viver, verá…

OLHANDO A CHUVA

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por Geraldo Batista de Araújo

geraldobatistaaraujo@gmail.com

Naquela tarde chuvosa de um domingo sem graça, fiquei olhando a chuva que batia na vidraça da janela. Não havia nenhum movimento na rua. Natal naquela época ainda era uma província, onde se podia viver sem preocupação com segurança. Assalto era coisa de cinema.

Eu era feliz e não sabia, como cantava Ataulfo Alves. Eu não passava de um jovem pobre e sonhador.

Nas grossas gotas que escorriam da vidraça eu via apenas as silhuetas de duas jovens que tinham deixado no coração daquele menino grandes marcas que o tempo teimava em não apagar. A primeira tinha, no máximo 14 anos. Mesmo de olhos fechados, eu a via do mesmo jeito brejeiro de menina simples que trabalhava na cozinha do seminário para ajudar ao parco orçamento familiar.

No refeitório eu só a via da cintura para cima e dependendo da posição nem sequer via seu rosto. Mas ela sempre dava um jeito de mostrar sua carinha risonha me fitando com seus olhinhos dos quais eu via sair faíscas que flechavam meu coração. Aquilo para um jovem de 16 anos era a glória suprema. Eu me sentia o máximo. Repetia para mim mesmo, essa menina linda gosta de mim.

Na verdade, Nevinha não era linda. No máximo, engraçadinha. Mas isso era apenas um detalhe sem a menor importância naquela idade. Agora eu podia dizer aos meus colegas de minha confiança que estava flertando com a menina que ajudava às freiras. Se Antenor, o dedo duro descobrisse, eu seria expulso.

Escrevi inúmeros bilhetes para ela. Jamais tive coragem de entregar pelo menos um. Todos tinham o mesmo triste fim, picados bem miudinhos e jogados na privada.

A missa dominical era o momento mais esperado da semana. Nesse dia, eu a via de corpo inteiro, podia admirar sua blusinha exibindo um pequeno par de seios pedindo mais tecido para se acomodarem. A troca de olhares fazia que a missa passasse rápida, por mais demorado que fosse o sermão.

Minha grande frustração foi quando ela, não sei por que razão, deixou de trabalhar com as freiras. As refeições já não tinham o mesmo sabor. Faltava o sal do olhar de Nevinha, um amor que morreu sem ter nascido, como diria Olavo Bilac.

A segunda era muito diferente da primeira, devia ser filha de gente “mais ou menos” como se falava para dizer que alguém era da classe média, pois estudava interna em um colégio de freiras.

Ela me descobriu durante uma procissão do Senhor Morto, numa Sexta-feira Santa. Era realmente muito mais bonita do que Nevinha. Durante muitos meses, a via todos os dias, na missa do colégio, onde eu ia ajudar ao padre Cornélio a celebrar a missa.

Mas, nem sequer sabia seu nome.

Somente em outra procissão, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, consegui trocar meia dúzia de palavras com ela e descobrir que se chamava Cristina. Já era quase noite. Foi o suficiente para passar a noite quase em claro para que seu rostinho lindo e sua cabeleira loura não saíssem de minha cabeça. Tinha nome de rainha, mas para mim era uma princesa.

Um dia, o destino nos separou. Cristina não passou de uma estrela cadente que a gente acha muito bonita mas, some de repente.

Quando vim para Natal, as duas vieram em minha bagagem sentimental e naquela tarde de chuva ficaram brincando com minha imaginação. Mesmo sem querer, senti “o gosto de jiló verdinho, plantado na lua nova do penar”, uma saudade boa danada.

RELENDO FREI VICENTE DO SALVADOR

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Aproveitei meu domingo relendo trechos da História do Brasil escrita por Frei Vicente de Salvador (1564-1639?), na edição revisada por Capistrano de Abreu (1853-1927) e pelo meu ilustre conterrâneo do Ceará-Mirim, Rodolfo Garcia (1873-1949), entre outros prestigiosos comentaristas. Apresentando-a, diz-nos Aureliano Leite que, no Brasil seiscentista, Frei Vicente não foi o melhor do seu tempo, foi o único, ao doar-nos uma história geral do Brasil que é também uma enciclopédia.

É talvez o primeiro historiador da corrupção em solo pátrio, ao registrar que os feitores, aqui, davam em conta a despesa pela receita…

Nascido na dionisíaca e pagã Bahia de São Salvador (daí a adoção do nome da cidade pelo qual se fez conhecido), não é o Frei Vicente um historiador sisudo e dogmático. Os que o leram ou anotaram, louvam-lhe o espírito e a prosa quase sempre bem cuidada, minuciosa e sintética, lavrada num estilo que se esquiva de aborrecer ao leitor que se compraz no conhecimento do nosso passado.

Foi leitura cara ao nosso querido mestre Luis da Câmara Cascudo, que nele encontrou (e certamente terá se deliciado) curiosas e verídicas informações sobre a nossa província, então considerada “o pior território” da colônia havia pouco descoberta, como as que referem aos chefes indígenas potiguares Pau Seco, Braço de Peixe, Zorobabé, Ilha Grande (que suponho um dos chefes tribais do Ceará-Mirim antigo), as guerras com os “bárbaros”, franceses e holandeses e a repartição da primitiva Terra Papagalli em capitanias hereditárias etc.

Escrita segundo a ordem cronológica, à maneira da crônica dos reis, alguns livros ou capítulos da obra se perderam, porem o que sobreviveu não deixa de constituir uma enciclopédia viva dos atos administrativos, da política, dos costumes, da ecologia e da mitologia, num período que vai do Descobrimento, em 1500, até 1627. Objetivo, assim principia a sua História do Brasil:

“A terra do Brasil, que está na América, uma das quatro partes do mundo, não se descobriu de propósito e de principal intento, mas acaso, indo Pedro Álvares Cabral, por mandado de el-rei Dom Manuel no ano de 1500 para a Índia por capitão-mor de onze naus. Afastando-se da costa de Guiné, que já era descoberta, ao Oriente, achou estoutra ao Ocidente, da qual não havia noticia alguma; foi a costeando alguns dias com tormenta até chegar a um porto seguro, do qual a terra vizinha ficou o mesmo nome (…)”.

Mais do que com a história em si, deliciei-me com a saborosa dicção quinhentista e as descrições do clima, do temperamento, das riquezas minerais, das árvores agrestes, das ervas medicinais, dos mantimentos, dos animais, dos bichos, das aves e das coisas que há no mar e terra do Brasil, então ainda em pro-cesso de povoamento. Do cajueiro e do maracujá, tão nossos conhecidos e apreciados, eis o que nos diz o atilado historiador:

“Os cajueiros dão a fruta chamada cajus, que são como verdiais, mas de mais sumo, os quais se colhem no mês de dezembro em muita quantidade, e os estimam tanto que não querem outro mantimento, bebida ou regalo, porque eles lhes ser-vem de fruta o sumo de vinho, e de pão lhes servem umas castanhas que vem pegadas a esta fruta, que também as mulheres brancas prezam muito, e secas as guardam todo o ano em casa pera fazerem maçapães e outros doces (…) Maracujás é outra planta que trepa pelos matos, e também a cultivam e põem em latadas nos pátios e quintais; dão fruto de quatro ou cinco sortes, uns maiores, outros menores, uns amarelos, outros roxos, todos mui cheirosos e gostosos. E o que mais se pode notar é a flor, porque, além de ser formosa e de várias cores, é misteriosa: começa no mais alto em três folhinhas, que se remetam em um globo que representa as três divinas pessoas em uma divindade, ou (como outros querem) os tres cravos com Cristo foi cravado, e logo tem abaixo do globo (que é o fruto) outras cinco folhas, que se rematam em uma roxa coroa, representando as cinco chagas e coroa de espinhos de Cristo Nosso Redentor…”

E, da preguiça, que, curiosa-mente, jamais alguém pensou para símbolo nacional:

Outro animal há a que chamam preguiça, por ser tão preguiçoso e tardo em mover os pés e mãos que, pêra subir a uma árvore ou andar um espaço de vinte palmos, há mister meia hora e, posto que o aguilhoem, nem por isso fogem mais depressa…”

Detive-me, porém, nas referências à história e geografia fluminenses, onde há uns quarenta anos, à sombra do jardim plantado por Dom João V, no Rio de Janeiro, li o bom frade pela primeira vez. De seus relatos das guerras movidas pelo colonizador contra o gentio, lembrou-me, de alguma forma, o que escreveu Sir Walter Scott sobre os piratas que, por essa mesma época em que compunha seu livro, dominavam os mares noutras longitudes.

Uma das passagens de que mais gosto, a da participação de São Sebastião, santo guerreiro, ajudando os portugueses - que defendiam a valorosa cidade do Rio de Janeiro -, em renhida batalha contra os Tamoios. Só não a transcrevo a aqui por ser demasiado longa para ocupar este espaço. Como se sabe, Sebastião, santo guerreiro, é o padroeiro da valorosa cidade do rio de Janeiro, que o homenageia com aquela curiosa e monumental estátua chantada diante do mar, no aterro da Glória; e que prefigura, na opinião de um velho e espirituoso amigo cea-rense, o nosso primeiro monumento gay nacional…

Dou-lhe, porém, leitor desprevenido, a descrição da cidade feita pelo autor da História do Brasil, que tanto me tem agradado:

“O Rio de Janeiro está em vinte e três graus abaixo do trópico de Capricórnio, e impropriamente se chama rio, porque antes é um braço de mar, que ali entra por uma boca estreita que se pode facilmente defender de uma parte a outra com artilharia; mas dentro faz uma baía ou enseada em que entram muitos rios e tem perto de quarenta ilhas, das quais as maiores se povoam e as menores servem de ornar o sitio, ou de portos onde se abriguem os navios. Estas comodidades e outras muitas deste rio e baía, juntas com a fertilidade da terra, a faziam digna de ser povoada, quando se povoaram as mais do Brasil…”

O NOVO CONTRA O VELHO EM LUIS GOMES

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Luciano Pinheiro de Almeida*

Muitas coisas acontecem no nosso meio e não dá para compreender porque os que estão no poder se preocupam tanto em camuflá-las e quando não dá, minimizam. Se alguém mais afoito resolve questionar é taxado de desocupado, leviano e outros adjetivos de mesma linha.

Frequentemente costumo ouvir deles uma retórica de desaforo sem que ao menos eu veja nos meios de comunicação de Luís Gomes alguém dizendo o que não seja verdade.

É um poder muito melindroso que estrebucha com críticas inocentes. Inocentes, mas verdadeiras. Imagine se alguém resolve ir fundo nas observações e endurece o jogo!

Não dá para ficar apenas como expectador, de maneira alguma. Aprendi quando adolescente, logo nos primeiros passos da minha formação social e política, e carrego essa lição até hoje, a não ter medo de falar.

Mas, muito mais importante do que falar é ser verdadeiro. Fiz isso sempre com muita responsabilidade, nunca dei margem para que os adversários de minhas ideias abalassem a credibilidade dos meus posicionamentos.

Luís Gomes está mudando. Não é mais um grupinho que pensa diferente, agora é muita gente que pensa diferente, basta ver o resultado das últimas eleições municipais. O “grupinho” de outrora plantou muitas sementes que cresceram, frutificaram e geraram outras sementes de muito boa qualidade.

Os jovens, a maioria, mesmo que de forma silenciosa e anônima, conseguem, através da internet principalmente, vomitar suas insatisfações. Nas urnas já demonstram que não são mais os mesmos, que estão aprendendo a diferenciar o joio do trigo.

Saindo da introdução para o desenvolvimento, porque caso não adiante vou demorar chegar à conclusão, as coisas não estão caminhando muito bem no meio político luisgomense.

Falhas acontecem porque somos passíveis delas cotidianamente, mas aqui na Serra do Bom Jesus, de clima não mais tão agradabilíssimo, como era noutros tempos, está extrapolando todas as expectativas de quem torcia por isso.

Ainda no ano passado, no plenário da Câmara Municipal, numa das minhas falas, cheguei a questionar a falta de atuação de alguns secretários municipais, os mesmos que menciono abaixo.

Compreendo as limitações de um secretário numa cidade como a nossa, de parcos recursos; de gestões historicamente muita centralizadas na figura do prefeito, mas bem que é possível, pelo menos tentar, fazer diferente.

O prefeito municipal Carlos José Fernandes, muito cobrado desde os primeiros dias da sua administração, nas esquinas e pela internet, especialmente por viver tão ausente do município, precisa refletir também sobre a qualidade e caráter de alguns dos seus colaboradores mais próximos, membros do segundo escalão e secretários.

É hora de fazer ajustes e mais urgentemente repensar o trabalho de alguns secretários. Major Sales NÃO é Luís Gomes. Nós, luisgomenses, despertamos antes.
Quanto aos secretários, vejamos:

O Secretário de Agricultura, Coronel Glicério Eduvirgens da Silva, um homem muito inteligente e probo, não é o nome ideal para a pasta. O maior agravante está no fato dele residir em Natal e raras vezes se encontrar na nossa cidade. Foi empossado no cargo, certamente, porque ficou na primeira suplência de vereador.

A Secretaria de Agricultura sempre foi tratada com descaso no nosso município. O Secretário anterior, meu amigo Salatiel Fernandes, tinha muita competência, mas também não residia em Luís Gomes e dificilmente se fazia presente a este município.

O Secretário de Obras e Urbanismo, o engenheiro Cláudio Fídias Freitas, mora em Pau dos Ferros e quem parece exercer a função é seu assistente o senhor, Regenildo.

O que mais pesa de negativo contra a pessoa do secretário - e sobre o quê a atual administração faz vista grossa - é o fato de estar sendo ele indiciado, pelo Ministério Público Federal, juntamente com outros, por envolvimento em licitação simulada em obra construída no município de Pau dos Ferros.

A denúncia foi publicada em diversos jornais e blogs do estado no final do ano passado. Ainda segundo a imprensa, tais irregularidades teriam sido praticadas com o uso de verba repassada pelo Ministério dos Esportes.

O Secretário de Finanças Alyssom Batista Fernandes Paschoal, apesar de morar na cidade, tem sido alvo de muitas críticas. As pessoas que lhe tem procurado para resolver assuntos da pasta que ele ocupa não conseguem ser atendidos com facilidade porque dificilmente ele dá expediente na prefeitura e, quando contrário, tem sempre a mania de dispensá-las com a desculpa de que não há cheques assinados pelo prefeito.

A ausência dele da prefeitura vem desde a administração passada quando já assumia este mesmo cargo, mas na atual gestão a situação tem piorado e muito. Para manchar ainda mais a sua biografia, no último dia 12 de fevereiro, dentro da prefeitura, ele, Alissom, agrediu fisicamente o funcionário público municipal, o comunicador Erisvaldo Silva.

A vítima imediatamente se dirigiu a delegacia e prestou queixa. Percebendo ele, segundo ouvi de pessoas ligadas ao mesmo, que a Polícia Militar não tentaria prender o secretário, o que de fato não ocorreu, voltou a Prefeitura e “fez justiça” com as próprias mãos: encontrou-o (o tesoureiro) na porta principal e deu-lhe um soco.

A polícia que no momento do segundo confronto estava em frente à prefeitura, quando o comunicador voltou para revidar, e que deveria ter detido os dois, levou preso e algemado apenas Erisvaldo.

Resultado final: não esperem mais do que isso. A queixa foi retirada e Erisvaldo, que teve seus óculos quebrados na contenda, “deve”, no máximo, caso encontre o tesoureiro (sorte de loteria), receber um cheque para comprar um novo.

A Polícia Militar, que recebeu a queixa crime e que está sendo questionada de não ter agido diferente, bem que poderia expedir uma nota de esclarecimento à imprensa. A polícia agiu com imparcialidade neste caso? Se fosse uma outra pessoa, ainda mais comum que o secretário de finanças, teria a polícia dispensado o mesmo tratamento? Não sei.

Por ser cidadão luisgomense e vereador, eleito para ajudar a melhorar a vida das pessoas, propondo projetos e fiscalizando a administração municipal, disse o que era preciso e talvez fora de prazo.

(*) Luciano Pinheiro de Almeida, vereador do Partido dos Trabalhadores

CORRUPTOS & CIA

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Hugo Souza, do
site Opinião e Notícia

O governador ora encarcerado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, personifica o que há de pior na política brasileira, e não é de hoje. Sabe-se, desde que ordenou a violação do painel eletrônico do Senado Federal, em 2001, que ali está um político useiro e vezeiro da corrupção, demagogia, descaso e outros vícios mais, todos bem conhecidos de um povo permanentemente indignado.

Outros vícios, os do processo eleitoral em nosso país, explicam o fato de ter sido o deputado federal mais votado do DF em 2002, e depois, em 2006, eleito no primeiro turno para governar Brasília. Sua prisão é justa, e sua submissão ao opróbrio público pelos meios de comunicação tem dimensão diretamente proporcional à desfaçatez dos atos nos quais foi flagrado.

Em bilhete “a amigos” divulgado pela imprensa no mesmo dia em que foi em cana, entretanto, Arruda escreveu algumas verdades que tendem a ser relegadas a segundo plano em função do punho de onde provêm, mas não deveriam.

Ele diz que “nos momentos mais graves da vida brasileira, como o impeachment de Collor, e mais recentemente a crise do mensalão do PT ou do governo do Rio Grande do Sul, não se viu medidas judiciais coercitivas dessa gravidade”.

Substituindo a expressão “medidas judiciais coercitivas dessa gravidade” — exagero que denota algum tipo de injustiça que se estaria praticando contra o signatário – por algo como “tamanho empenho em prol do esclarecimento dos fatos e punição dos responsáveis”, teremos assim uma verdade absolutamente inconveniente para muitos políticos, grupos, partidos e que tais que circulam por Brasília e outros pólos de poder.

Em suma, pode-se dizer que Arruda está neste momento no lugar certo, na cadeia, mas seria apropriado, inteligente e fundamental que o povo brasileiro não se deixasse iludir, fazendo ecoar a pergunta certa: por que o PT não é destinatário do mesmo justo e correto rigor, ou pelo menos de um rigor semelhante?

A impunidade que se seguiu ao escândalo do mensalão do PT, mencionado por Arruda, é apenas a lembrança mais imediata, e a mais indigesta, tendo em vista que Palocci e Dirceu não foram para o xadrez, mas sim para a articulação política de bastidores do partido que há sete anos comanda o país.

Outros casos de alta corrupção e até de assassinatos nos quais o nome do PT está envolvido direta ou indiretamente, entretanto, permanecem pendentes de investigações mais aprofundadas e responsabilizações penais dos culpados.

No último dia 20 de janeiro, por exemplo, a família do ex-prefeito petista de Santo André morto de forma brutal há oito anos, Celso Daniel, divulgou mais uma carta pública pedindo o esclarecimento do crime e ironizando com muita perspicácia o Plano Nacional de Direitos Humanos anunciado recentemente pelo governo:

“Acreditamos que um país que através de seu governo e de suas instituições não se mostra capaz de impedir mortes como a de Celso, de Toninho do PT e de tantos outros, e incapaz de desvendá-las, de julgar e punir seus verdadeiros assassinos, tem um longo caminho a percorrer antes de se arvorar um país dos direitos humanos”.

Para ilustrar a notícia sobre a carta da família de Celso Daniel, o jornal ABC Repórter publicou uma charge na qual o presidente Lula, vestido de rapper, diz: “Aí ó!… Não é direitos humanos, é direito pros manos… do PT, tá ligado?”.

Voltando às suspeições mais recentes, o PT foi descaradamente deixado de fora do relatório final da operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou as, digamos, relações inadequadas entre empreiteiras, partidos políticos e a administração pública.

Poucos meses depois, o governo lançou um “plano anticorrupção” prometendo até extinguir empresas que tentarem corromper funcionários públicos e membros do governo, mas ao mesmo tempo quer deixar o tema “corrupção”de fora dos debates em torno do próximo processo eleitoral, do mesmo jeito que se esmera para deixar seus grão-duques longe da mira da polícia, do Ministério Público e dos tribunais.

Dois dias antes de Arruda ir preso, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro deu uma entrevista dizendo, literalmente, que “corrupção não é tema para campanha”. Tarso é o candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul.

Ao fundamentar seu decreto de prisão preventiva para José Roberto Arruda, o ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, caprichou na oratória:

“A desfaçatez e a desinibição dos agentes de infração penal no uso indevido da coisa pública reclamam decisão proporcional do Poder Judiciário. Cabe ao Judiciário assegurar efetivamente a ordem pública, paralisando a atuação ilícita deste grupo criminoso e prevenindo a ocorrência de outros crimes que venham a praticar”.

E mais:

“Na República, o direito penal exerce o importante papel de zelar pelo bom trato da coisa pública, que inclui o patrimônio, a moralidade e a confiança do público na destinação correta que será dada aos bens públicos, sem desvio e sem apropriação ilícita”.

Cabe aqui a ideia muito usada de imaginar um marciano que chega à Terra sem saber de nada a nosso respeito. Caso esse marciano lesse a brava justificativa do doutor Gonçalves, acreditaria, coitado, que nesse imenso país ao sul do Equador todos os corruptos, da situação ou da oposição, são punidos de maneira sistemática e exemplar.

FOLIADUTO: JUÍZA FAZIA ‘CORPO MOLE’

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

Foliaduto, escândalo que resultou da contratação de bandas de axé music e orquestras de frevo para a realização de 31 shows que só aconteceriam no papel, tornou-se um tabu, pelo menos para a juíza Ada Maria da Cunha Galvão, que ‘esqueceu’ de fazer o processo andar, ao deixar de ouvir o principal implicado, o médico Carlos Alberto Faria - irmão da governadora Wilma de Faria-, segundo depoimentos, o mentor intelectual da organização criminosa.

Por este expediente, mais de R$ 2 milhões foram desviados através da Fundação José Augusto, para pagar “restos de campanha”, segundo ficou caracterizado no inquérito. Os criminosos agiram tão confiadamente a ponto de incluírem, entre as bandas ficticiamente contratadas, uma que já fora extinta havia vários anos.

Na última quinta-feira, porém, a juíza saiu da sua letargia e, depois de um ano, expediu uma segunda intimação contra o irmão da governadora, reabrindo um caso que dormia a sono solto nos escaninhos da 5ª Vara Criminal, sob a desculpa de que o acusado não fora localizado.

Dessa vez, porém, Carlos Faria foi imediatamente localizado, apesar da blindagem que o deixara durante todo esse tempo imune ao alcance do longo braço da lei. Agora, ele tem dez dias para explicar-se e, se não o fizer, a juíza nomeará um defensor público para atuar na defesa do irmão da governadora. Além da ação penal, a denúncia apresentada pelo Ministério Público deu ensejo a uma ação de improbidade administrativa que corre na 2a. Vara da Fazenda Pública, que não deu andamento ao processo que está parado desde 2009.

Passados quatro anos desde o estouro do Foliaduto, em 2006, Carlos Faria era o único dos envolvidos que ainda não tinha sido ouvido pela Justiça do Rio Grande do Norte. A alegação era a de que ele não fora encontrado, apesar de todo o Rio Grande do Norte saber que ele exercia, até pouco depois de estourar o escândalo o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do Governo; por outro lado, tratava-se de um médico conhecido e com atuação profissional e domicílio em Natal.

Somente o Ministério Público Estadual ignorava o fato, mas essa ignorância acabou quando o Conselho Nacional de Justiça instalou-se em Natal para fazer uma correição de rotina nas atividades dos nossos magistrados e verificar o andamento dos processos. Agora, este e outros processos envolvendo o desvio de recursos públicos, em curso no TJ, serão monitorados pelo plenário do CNJ.

O caso, que parecia fadado ao esquecimento, foi afinal “requentado” pelo Novo Jornal, que por esse meio chamou a atenção do juiz corregedor da CNJ, para este e outros casos que pareciam insolúveis, como a chamada Operação Hígia, que teria o único filho varão da governadora como o principal operador.Conforme consta dos depoimentos referentes a Operação Hígia, o advogado Lauro Maia embolsava mensalmente R$ 70 mil, propina oriunda dos recursos da Secretaria Estadual de Saúde, em cumplicidade com empresas terceirizadas. Este caso também parecia destinado ao arquivo morto do Tribunal de Justiça, como mais um escândalo sem punição.

Leia a continuação deste artigo a qualquer momento

A MÃE DOS ESCÂNDALOS

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por Ipojuca Pontes,
de Mídia Sem Máscara

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. Logo depois, enxergando na provocação do bêbado um “negócio da China”, Juscelino Kubitschek passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu “plano de metas”.

Mergulhada num eterno mar de corrupção e sufocada por ondas sucessivas de escândalos, Brasília vai completar 50 anos no próximo 21 de abril. Os principais veículos da mídia cabocla estão faturando alto com anúncios programados pelo ora trancafiado (ex-) governador José Roberto Arruda, que, entre outras bravatas, diz ser a cidade artificial uma das “mais admiráveis do mundo”.

No recente carnaval do Rio, os bicheiros da Escola de Samba Beija-Flor também não se deram mal, faturando a partir de contrato com o governo do Distrito Federal mais de R$ 5 milhões para o desfile do samba-enredo “Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”.

Na onda das festividades, o insaciável Arruda, homem para quem a política é a melhor forma de se navegar na lama, tratava também de trazer à Capital Federal, por alguns milhões de Euros, o ex-beatle Paul McCartney - queria ouvir de perto “Yesterday”.

Por sua vez, como a cultura no Brasil vive sempre farejando “bons negócios”, vários cineastas tupiniquins, permanentemente ativos na “captação” das perdulárias verbas públicas, trataram de articular projetos cinematográficos para louvar a Jóia da Coroa. O próprio Carlos Diegues, o velhíssimo Cacá, prefaciador de indigente livro de José Roberto Arruda sobre a mãe de Glauber Rocha (”Lúcia - A mãe de Glauber” - Geração Editorial, São Paulo, 1999), já havia se reunido em Brasília com o governador “mensaleiro”, tramando a produção de filme milionário para “celebrar” os 50 anos da “Capital da Esperança”.

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. O negócio foi assim: em abril de 1955, Juscelino Kubitschek, então candidato à presidência da República, saltou na pequena cidade de Jataí, Goiás, para fazer discurso de campanha. Lá para tantas, no final do comício, entre promessas, acenos e sorrisos, JK foi interrompido por um popular - o Toniquinho da Farmácia - que estava completamente embriagado. Sem se agüentar nas pernas, voz pastosa, a folclórica figura jataíense provocou o candidato:
- “Se vosmecê for eleito vai mudar a Capital Federal para o Centro Oeste, conforme reza a Constituição de 1891?”.

Tomado de surpresa, Juscelino, raposa velha, improvisou:

- “Sendo um preceito constitucional, daria, sim, os primeiros passos neste sentido”.

Mas logo depois, enxergando na provocação do bêbado um “negócio da China”, passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu “plano de metas”.

Ninguém contesta hoje que Brasília é uma cidade visceralmente corrupta - páreo duro para Sodoma, a urbe que, segundo relato bíblico, por excesso de corrupção foi destruída por bolas de fogo e enxofre enviadas pela vontade divina. Para construí-la Juscelino, sujeito totalmente irresponsável, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos em larga escala e estourou inúmeros orçamentos, fomentando gastos colossais que levaram o país à inflação galopante e, por extensão, boa parte da população pobre à miséria brutal.

Na nova capital, o próprio JK incrementou um regime de privilégios e negociatas que fez de Brasília símbolo da degradação nacional. Para povoar o serrado desértico, ele importou do Rio uma burocracia sedenta de benesses, mais tarde transformada em nomenclatura despótica, a produzir, em ritmo alucinante, tão somente - papel, discursos e impostos.

(Neste universo degradante, fechado sobre si mesmo e afastado do trabalho produtivo, a padrão da moralidade pública viu-se reduzido à zero. Basta observar: transpira no lugar uma atmosfera diuturna de subornos, propinas, traições, mentiras e conchavos os mais indecentes, capaz de atordoar o próprio Demônio. Por conseqüência, convive-se neste ambiente doentio com elevados índices de alcoolismo, dependência tóxica, loucura, suicídio, prostituição, adultério, cleptomania, ociosidade e, inevitavelmente, o apelo à prática da baixa magia - esta, consagrada pelo rito do sacrifício animal).

Em retrospecto, no ano de 1961, Jânio Quadros - um louco de pedra - tomou posse do governo em Brasília prometendo prender JK, mas, de porre permanente, terminou por condecorar o sanguinário “Che” Guevara e renunciar ao cargo com 7 meses de mandato.

Por sua vez, ainda em Brasília, feito presidente, o latifundiário Jango, parceirinho de comunistas históricos (”Com Goulart em Brasília, nós já estamos no poder” - Luiz Carlos Prestes à revista “Manchete”, em junho de 1963), ao tentar golpear a nação e transformá-la numa república “popular sindicalista”, levou-a aos estertores - o que obrigou a milicagem de plantão, na base do contragolpe, a tomar o mando político do país.

Com o Marechal Castelo Branco em Brasília, estancado o drama da subversão janguista, vieram as cassações e a pretensão de se manter o poder sem a legitimidade do voto, o agitprop da subversão comunista, o AI-5 de Costa e Silva, as guerrilhas terroristas de Marighella e Fidel Castro, o vigoroso governo Médici e a estupidez estatizante de Geisel, Golbery e Figueiredo - generais “simpatizantes da esquerda” que devolveram o poder à mesma corriola vermelha pré-64.

Já na transição para a sôfrega “Democracia Permissiva”, Zé Sarney, o Impostor, típica flor do lodo brasiliense, não só estuprou a nação com a hiperinflação de 3% ao dia, como ajudou, pela inépcia, a eleger Collor de Mello, o “Caçador de Marajás”.

Figura insensata e vã, Collor de Mello, de formação 100% brasiliense, foi deposto do poder por causa de um Fiat Elba, indício, para o PT (bons tempos, hein!), de “grossa corrupção”. Seu sucessor, Itamar Franco, o “Inocente Inútil”, além das tolices de praxe, apenas adubou o terreno para o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, marxista protetor de banqueiros e criador do Proer e outros bichos arrepiantes.

Por fim, este velho senhor, sempre lépido e falante, depois de oito anos de poder, passou a bola para Lula, o Messiânico, afinado instrumento do totalitarismo petista, cujo governo já contabiliza para mais de 3 mil escândalos, todos rigorosamente impunes, entre os quais o do mensalão - modelo seguido ipsis litteris por Zé Arruda, o governador delinqüente.

Para concluir, eis o que previ sobre o “futuro de Brasília”, conforme solicitado por um editor de jornal do Rio, ainda a ser publicado (ou não): “Nada indica que Brasília mude de rota ou padrão ao completar meio século de existência. Pelo contrário.

A perspectiva inelutável, nas próximas décadas, com gente da estatura de Dilma Roussef e congêneres no comando, é que a cidade se torne ainda mais sinistra, totalitária e deletéria, fazendo do resto do país refém de sua infinita miséria moral, política e ideológica, como bem evidencia o Programa Nacional de Direitos Humanos - o famigerado PNDH3 - assinado por Lula”.

PS - Alguns “formadores de opinião” têm por hábito tratar Brasília, ironicamente, como a “Ilha da Fantasia”. Nada mais irreal. Ali ninguém sonha com nada, tudo é muito concreto, na base do toma lá da cá. O mero voto aliado é trocado por rios de dinheiro e sua nomenclatura está sempre ávida por novos tetos salariais, isonomias e privilégios mesquinhos. Não é em vão que, sem produzir nenhuma riqueza socialmente útil, detenha há anos a maior renda per capita do país - em 2008 quase o triplo da renda nacional: R$ 37, 700 mil.

LEI PARA TODOS

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Cassiano Arruda Câmara

Nosso Rio Grande do Norte recebe, pela primeira vez, uma equipe do Conselho Nacional de Justiça para uma correição de rotina, examinando a atuação do Judiciário local.

Finalmente, depois de mais de vinte anos da estabilidade garantida pelo exercício do pleno Estado de Direito, a sociedade brasileira ganha mecanismos de controle sobre o Poder Judiciário.

Por mais que um Poder esteja funcionando bem, a possibilidade de se realizar um balanço das suas atividades em nada o diminui os seus integrantes ou constitui ameaça à sua autoridade.

Muito pelo contrário.

A Constituição Federal criou uma série de mecanismos para fortalecer o Poder Judiciario, tão sentido - e reclamado - nos anos de arbítrio que o Brasil viveu ao longo do regime militar. Porém, faltava um mecanismo de controle estabelecendo limites e facultando à sociedade a possibilidade de apresentar reclamos sobre seu funcionamento e o comportamento dos seus integrantes. O Conselho Nacional de Justiça aparece como o elo entre o Poder Judiciário e a sociedade brasileira.

O mais importante na presença do CNJ, aqui e em qualquer outra região, é a visibilidade oferecida a um dos princípios fundamentais da democracia plena que estamos desfrutando: a certeza de que não pode existir ninguém colocado acima da lei.

Se não forem apurados abusos ou desvios, maravilha! Mesmo assim, o CNJ veio sinalizar que ninguém pode se colocar acima da Lei e que a a Nação deve estar acima do Estado.

Os operadores da Lei, mais do que ninguém, precisam entender que além de direitos eles têm deveres.

Deveres com a sociedade.

Os enviados do Conselho Nacional de Justiça terminam se transformando em mensageiros da sociedade e da democracia. Depois da partida da força-tarefa do CNJ - esperamos convictos - não existirão mais dúvidas de que no Judiciário do nosso Rio Grande do Norte não poderia existir um mercado de sentenças, corretagem de liminares ou uma convivência promíscua entre advogados, servidores e magistrados para direcionar processos e infuenciar resultados. Sem falar na certeza da correta aplicação dos recursos públicos destinados ao Poder Judiciário.

Aguardar os resultados do que for apurado talvez tenha menor efeito do que a sinalização de que numa democracria plena, todos, inclusive aqueles colocados nas posições mais elevadas, têm contas a prestar sobre as suas atuações e os seus limites. E não existe mais nenhum setor público livre de controle. Ou seja: a transparência passa a ser efetivamente praticada em toda sua dimensão.

JUÍZA FAZIA ‘CORPO MOLE’

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Da Redação

Leia, ainda hoje, aqui, o novo artigo do jornalista Franklin Jorge sobre o Foliaduto, escândalo que tem como pivô a contratação de bandas para 31 shows que não se realizaram.

O principal envolvido é o médico Carlos Alberto Faria, irmão da governadora Wilma de Faria, o único de sete que ainda não tinha sido ouvido, porque seu endereço era desconhecido pelo Ministerio Público Estadual, apesar de tratar-se de figura notória e conhecida na sociedade local, tendo exercido, até a culminação desse escândalo, o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado.

Dessas bandas, pelo menos uma delas já não existia há vários anos quando foi relacionada nessa que foi uma das maiores maracutaias jamais registradas, na história do Rio Grande do Norte, tendo como protagonistas algumas pessoas muito proximas da governadora, que, neste momento, parece bracejar no encapelado e tumultuoso mar do infortúnio.

Leia também a transcrição de comentário do jornalista Cassiano Arruda, publicado na coluna Roda Viva, na edição desta sexta-feira do Novo Jornal, que, segundo o principal acusado no escândalo, Carlos Faria, teria “requentado” um processo que dormia impunemente há quatro anos.

A CORRUPÇÃO CUSTA ATÉ 40 BILHÕES

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por Tamara Walid, da Reuters

A corrupção custa aos países em desenvolvimento de 20 bilhões a 40 bilhões de dólares por ano e mercados emergentes e centros financeiros são cada vez mais portos-seguros para o dinheiro desviado, disse a diretora-gerente do Banco Mundial, Ngozi Okonjo-Iweala.

Iweala disse que “uma ação global simultânea” tanto por países desenvolvidos como em desenvolvimento é necessária para controlar o fluxo de fundos ilícitos e pediu aos governos que ratifiquem a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção (CNUCC).

“Estima-se que de 20 bilhões a 40 bilhões de dólares por ano de recursos desviados saem de países em desenvolvimento para países desenvolvidos todos os anos”, afirmou Iweala, ex-ministra das finanças da Nigéria, à Reuters durante conferência contra a corrupção na capital do Catar.

“Cada vez mais vemos que os países emergentes e os centros financeiros também são portos de destino para esse dinheiro.”

A representante do Banco Mundial disse que uma promessa do G20 de ajudar a prevenir o fluxo de capital ilegal e tentar devolver o dinheiro aos países de origem é um primeiro passo importante.

“Agora, o que precisamos é de mais ação”, disse ela. “Os países desenvolvidos que recebem esse dinheiro têm de implementar a CNUCC e enviar esse dinheiro de volta e os países em desenvolvimento têm de pedir a ajuda dos países desenvolvidos.”

A adoção da convenção da ONU permitiria uma base para lutar contra a corrupção, disse ela, e ajudaria a superar obstáculos legais em diferentes jurisdições.

“Portanto, se os países realmente querem fazê-lo, eles podem porque eles podem eliminar todas essas exigências legais e congelar os ativos, tomá-los e enviá-los de volta”, disse ela.

Iweala disse esperar que a convenção anti-corrupção da ONU “não seja mais um plano bom que virará um depósito de poeira”, mas um que todos os países vão assinar. “Quando você o ratifica, precisa aplicar seus princípios a seu ambiente regulatório”, disse ela.

Entre os países que estão “fazendo um grande esforço” para devolver os recursos desviados estão a Suíça, o Reino Unido e os Estados Unidos, disse ela.

A divisão de integridade do Banco Mundial proibiu algumas empresas acusadas de corrupção de participar de seus processos de licitação, algo que tem evitado a proliferação da atividade, segundo ela.

“Essas empresas incluem nomes importantes do mundo desenvolvido e de países em desenvolvimento”, acrescentou ela.

O Banco Mundial estima que nos últimos 15 anos aproximadamente 15 bilhões de dólares foram recuperados por todas as jurisdições, segundo ela. Iweala acresentou: “Isso é apenas uma gota na bacia do que acontece todos os anos.”

“Países em desenvolvimento têm de trabalhar duro para lutar contra a corrupção e impedir as pessoas de roubar dinheiro”, disse ela. “E os países que recebem os recursos desviados devem enviá-los de volta e mostrar a essas pessoas que não há impunidade.”

TENSÃO NA MAGISTRATURA DO RN

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

A sociedade norte-rio-grandense acompanha com interesse e ansiedade que a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no momento realizando vistoria nos sistema judiciário local, faça o trabalho que os magistrados e o Ministério Público do Estado deixaram pela metade em processos que envolvem altos escalões do governo. Ou sequer que se deram ao trabalho de investigar suas motivações, como aconteceu há pouco com o Verão de Todos, farra milionária promovida com dinheiro público para alavancar a candidatura governista.

Dois processos, em especial, morosamente conduzidos pela justiça, dão margem à suspeita de que o poder judiciário local não tem cumprido com o rigor esperado a apuração dos fatos que envolvem um irmão e, por último, um filho da governadora e aspirante a um mandato de senadora, Wilma de Faria, protagonistas de dois famosos escândalos que ficaram conhecidos como Foliaduto e Operação Hígia.

Neste último, Lauro Maia, filho da governadora e candidato a um mandato de deputado estadual, tornou-se suspeito de chefiar uma organização criminosa que lhe rendia por mês R$ 70 mil, propina oriunda dos recursos da Secretaria Estadual de Saúde.

O Foliaduto, escândalo que estourou há quatro anos, após a reeleição da governadora, teria como mentor intelectual um irmão de Wilma, o médico Carlos Faria, que hoje considera o caso “uma coisa velha” e, portanto, sem mais nenhum interesse, segundo declarou ao Novo Jornal que vem fazendo uma cobertura implacável dos desmandos do atual governo.

O esquema teria desviado mais de R$ 2 milhões usando a Fundação José Augusto para a contratação de bandas fantasmas, entre as quais, uma já extinta há vários anos no momento em que, segundo documentos apócrifos, estava sendo contratada pelo governo para realizar shows fictícios em vários municípios do estado.

O dinheiro, assim desviado, era usado para pagar “restos de campanha”, ou seja, compromissos financeiros contraídos durante o processo de reeleição da governadora que deixará o cargo em abril para disputar uma vaga de senadora.

Na época do escândalo, Carlos Faria era o secretário-chefe da Casa Civil e tinha como preposto um parente distante, Ítalo Gurgel, funcionário da governadoria e factótum da governadura desde a época em que ela exerceu com um intervalo de quatro anos três mandatos de prefeita em Natal. Italo começou como seu motorista particular e acabou como um dos principais operadores do Foliaduto, por ser pessoa da sua maior confiança.

A fiscalização em curso, até amanhã, sexta-feira, criou uma grande expectativa em todo o Rio Grande do Norte, pois, a repetir-se aqui o que foi realizado em outros estados, a má conduta dos magistrados se tornará pública, a exemplo do que ocorreu recentemente no estado do Mato Grosso, onde três desembargadores e sete juízes foram condenados anteontem, 23, por unanimidade, à pena máxima no julgamento do processo administrativo conduzido pela Comissão Nacional de Justiça, órgão fiscalizador empenhado em moralizar o poder judiciário, punindo-lhe os erros.

Suspeitos de desviarem R$ 1,5 milhão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, serão aposentados sumariamente e ainda correm o risco de terem a aposentadoria cassada. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o CNJ levará o caso ao Ministério Público, para que seja exigida a devolução do dinheiro por meio de ação civil pública.

No caso do Rio Grande do Norte, a morosidade dos processos em questão, além do arquivamento de outros processos tem gerado um clima de suspeição que pesa sobre a magistratura do estado, contribuindo para o crescente e universal descrédito da instiuição judiciária. Porém, até o momento, não há nenhum indício que confirme o envolvimento dos magistrados locais em esquemas criminosos.

ELLE QUER CINEMAS PARA O SEU FILMECO

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Klauber Cristofen Pires

Por que só agora aparece uma reportagem desta no JN? Será que é por causa do filme “Lula, o filho do Brasil”? Será que Lula pretende agora criar cinemas “públicos” pelo Brasil afora para exibir seu filmeco?

Na edição do dia 26 de dezembro, o Jornal Nacional lança ao ar uma matéria assim intitulada: “Pesquisa revela que Brasil vive um apagão cultural”. A reportagem declara que uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - um órgão ligado à Presidência da República - descobriu que “de cada 100 municípios, 98 não têm sala pública de cinema, nem centros culturais, e 83 não possuem salas de espetáculos ou teatros que pertençam ao município”.

Preste atenção, caro leitor: a tomada não expõe que literalmente faltem cinemas na maioria das cidades; o que declara é que a maioria delas não possui tais facilidades “PÚBLICAS”! A certa altura da reportagem, Márcio Porchmann, presidente da instituição que produziu a informação, declara: “A presença do estado é muito reduzida e precisaria avançar do ponto de vista do país se transformar em uma grande nação onde o conhecimento e a cultura se transformam no principal ativo na sociedade do conhecimento”.

Da forma como foi apresentada a notícia, não é possível afirmar em quantas cidades não existam iniciativas privadas ligadas à cultura (ou será mais adequado usar o termo “entretenimento”?), tais como cinemas, teatros e centros de exposições. Creio mesmo que não sejam poucas, embora certamente representem percentuais um pouco mais favoráveis do que o indicado.

Considere-se adicionalmente que, depois da Constituição de 1988, houve um verdadeiro trem da alegria de criação de municípios, de tal forma que hoje há alguns cuja população não ultrapassa a quantidade de moradores em um condomínio. Colocadas todas as cartas na mesa, a relação entre as pessoas que têm um acesso relativamente próximo a um cinema ou teatro em relação às que sofrem a privação destes serviços é bem menos disparatada do que parece.

Oportunamente, esta lacuna apontada nos proporciona a chance de refletirmos um pouco sobre os serviços públicos. Os seus defensores frequentemente afirmam que uma das razões principais para a necessidade de haver tal cobertura por parte do poder público é a de que tais serviços não seriam oferecidos onde a iniciativa privada não vislumbrasse a chance de ter lucro.

No caso acima temos a confirmação deste argumento, que não é falso. O que é falso é o que não é dito, isto é, que estes serviços necessariamente devam ser prestados! Em outras palavras, deve haver alguma razão pela qual os empresários ligados a esta área terem decidido fazer poucos investimentos fora dos grandes centros: público pequeno, ou de limitado poder aquisitivo, ou simplesmente desinteressado.

Claro, da mesma forma, devemos colocar nesta conta as dificuldades postas pelo próprio estado: impostos; cotas para exibição de filmes que ninguém quer assistir; entradas francas ou reduzidas para estudantes, idosos e assim por diante. Estas dificuldades hoje parecem ser tantas que podem explicar o fato de que mesmo nas localidades onde há cinemas e teatros estes se vêem frequentemente com dificuldades de lotar seus recintos.

Opa, não nos esqueçamos também da pirataria: hoje as cópias dos lançamentos - títulos que são filmados de dentro das salas - são vendidas livremente nas esquinas, revelando uma flagrante negligência do estado que deveria lembrar-se disto antes de se meter a empresário do setor.

Ademais, em cidades do interior, há formas de entretenimento e eventos culturais que em geral os habitantes das cidades grandes não têm acesso: banhos de rio ou de mar, cachoeiras, pescarias, cavalgadas, feiras agrícolas ou torneios de peões, piqueniques em fazendas ou churrascos com animadas partidas de futebol são alguns exemplos.

Que forma de ação da social-democracia - o sistema de socialismo fundado na igualdade de oportunidades, segundo Hoppe, poderia suprir este problema? Construir uma cachoeira artificial na praça da Sé, no centro de São Paulo? Isto já foi feito no Japão… pela iniciativa privada, claro.

Não obstante, nem por isto a iniciativa privada se fez ausente para satisfazer as necessidades destas populações de uma forma economicamente mais viável: hoje as antenas parabólicas e as locadoras são muito comuns, o que pode nos autorizar a comentar sobre o anacronismo deste trabalho investigativo.

Mas, esperem um pouco… então esta pesquisa foi divulgada pelo IPEA, “um órgão ligado à Presidência da República”? “Aham”, neste mato tem coelho! Isto não está parecendo um tanto assim… oportuno? Senão vejamos: desde quando é assim?

Por que só agora aparece uma reportagem desta no JN? Será que é por causa do filme “Lula, o filho do Brasil”? Será que Lula pretende agora criar cinemas “públicos” pelo Brasil afora para exibir seu filmeco? Ou será que notou um problema real somente depois que se viu atingido por ele? Já estou vendo um “plano de aceleração da cultura” para construir cinemas em municípios onde não há hospitais, escolas ou uma mera rua asfaltada…

Ora, ora: num cúmulo de literal ofensa à moralidade pública, depois de cometer o desvario de gastar milhões para produzir um filme em que se auto-santifica, agora pretende vir reclamar que não há salas públicas para exibir o seu filme chulo para o povão do interior? Que houve? O das capitais o vaiou muito?

A DOENÇA BRASILEIRA

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por André Frantz*

No instante em que a consciência moral atua de forma invertida, com os pólos trocados, o senso da realidade é corrompido e a mente passa a trabalhar e a se movimentar dentro de uma estrutura lógica de um mundo de fantasias.

Os debates públicos no Brasil estão totalmente descolados da solidez inescapável da realidade. No presente momento, praticamente todos os diálogos entre brasileiros podem ser classificados em essência como papo entre cachaceiros bêbados, em maior ou menor grau.

Há muito tempo, os discutidores brasileiros já deixaram o terreno do uso dos expedientes da dialética erística da pilantragem consciente, para adentrarem o recinto da patologia clínica da esquizofrenia verborrágica inconsciente.

Os discursos não se encontram mais apenas nos patamares da dissimulação mentirosa cara-de-pau, características essenciais do intelecto tupiniquim, mas rebaixaram-se também às esferas da loucura mental pura e simples.

O uso da linguagem brasileira transfigurou-se na glamourização da padronização da macaquice, na insanidade da pretensão do vazio, na idiotice do falar por falar.

Hoje, tudo o que é dito e escrito no Brasil não apenas carece da mais mínima lógica lastreada na concretude dos fatos do mundo, mas chega ao ponto das extrapolações e contradições mais absurdamente hiperbólicas, as quais conseguem inverter a compreensão do sentido da totalidade do cosmos.

É uma coisa impressionantemente monstruosa! O maldizente vulgar, que é quase tudo o que se tem no Brasil hoje, não percebe que o que ele está dizendo contraria a possibilidade de ele estar dizendo o que está dizendo no mesmo instante em que diz o que está dizendo, and so on.

O país não pode estar em outro lugar que não a unidade de tratamento intensivo do hospício mais horripilante. As almas brasileiras só podem estar acorrentadas nos últimos porões do inferno. Um horror!

Eu entendo que essa hiperenfermidade aterrorizante é a representação da essência da maldade geral que impera no Brasil. Vejo nesses abusos atentatórios, um reflexo muito nítido daquilo que fundamenta e sustenta o fracasso nacional em todos os campos da existência humana: a confusão.

A confusão é o combustível de máxima octanagem do mal, e o “amor” por aquela é a essência deste. Não há o que seja mais desprezível e repugnante do que o orgulho da insanidade escalar.

A maldade de Banânia funciona exatamente assim: ela é indireta, porém, poderosa! É a maldade exercida soberbamente por aquele que tem a absoluta certeza de que está praticando o mais puro bem. É a lógica invertida luiciferiana, que, encontrando terreno fértil nas mentes preguiçosas e confusas daqueles que se acostumaram com o sabor amargo da desgraça perpétua, acaba se transmutando na noção mesma de bem, no axioma estruturante de todas as leis de convívio social.

Longe de atenuar a responsabilidade subjetiva pela perenidade da loucura objetiva nacional, o mal disseminado sem intenção é tão devastador quanto aquele que é feito conscientemente. Pior ainda: a falta de intencionalidade e a incapacidade para identificá-lo podem servir como ingredientes importantes que o tornam ainda mais nocivo.
No instante em que a consciência moral atua de forma invertida, com os pólos trocados, o senso da realidade é corrompido e a mente passa a trabalhar e a se movimentar dentro de uma estrutura lógica de um mundo de fantasias.

O indivíduo acaba por criar justificativas e mais justificativas interiores para fazer um “bem” criado por ele mesmo, algo que seguidamente espelha nada mais do que os seus próprios interesses e conveniências.

Como ele evidentemente acaba não fazendo o bem, começa a ficar culpado e, não compreendendo o que deu errado da primeira vez, tenta corrigir o bem que não conseguiu atingir com mais tentativas de fantasias de bem. Enfim, ele acaba injetando ácido no paciente grave pensando que é antibiótico. Isso é uma espécie de neurose da alma que cria novas noções de bem e mal, de verdadeiro e falso, de certo e errado, fato que, em instância final, alimentará sempre o crescimento do mal.

Não é preciso ser um santo para compreender um pouco sobre as origens dessa desgraça nacional. Um sistema com tamanho estrago generalizado nada mais é do que a resultante de um somatório de unidades problemáticas e relações deficientes.

O Brasil é um sistema formado por unidades e partes que não prestam. É um país composto por pessoas profundamente confusas, incapazes de prestar ajuda mínima a elas mesmas.

A elite tupiniquim, que é o coração do sistema, em seus mais variados aspectos, representa, ao mesmo tempo, a cristalização e a fonte do intenso e extenso fracasso geral da nação continental sul-americana.

Todo o universo da elite contemporânea brasileira, representada por intelectuais, acadêmicos, empresários, políticos, banqueiros, jornalistas, etc. virou a representação máxima do refúgio dos pseudo-homens castrados, os quais, locupletando-se conspirativamente com suas fraquezas de caráter, entraram em consenso para a manutenção ad aeternum da progressividade de sua patologia moral crônica. Se a elite está gravemente doente, a sociedade já está praticamente morta.

A elite intelectual de um país funciona como um capitão de navio. Podemos, da mesma forma, fazer uma analogia com uma locomotiva que puxa um trem muito grande e pesado. Se a elite está doente, temos um capitão incapacitado ou uma locomotiva desgovernada. Exatamente como o barqueiro, a morte, ela conduzirá as almas pelo caminho do sofrimento que leva ao dead end, à morte agonizante da inteligência.

O estado de coisas é por demais sério. Creio não ser possível uma compreensão mínima acerca do tamanho do problema que vivemos no Brasil, abstendo-nos de uma análise lastreada numa observação bem mais profunda da mentalidade tortuosa do brasileiro, ou seja, sem trilhar os caminhos espinhosos da análise dos fundamentos doentios subjetivos que invariavelmente levam à autodestruição das consciências individuais.

Entretanto, isto é um assunto imensamente vasto e de profundas complexidades, que requereria o desenvolvimento de uma obra específica para tentar elucidá-lo, o que não é a minha pretensão no presente momento, por fugir de minhas possibilidades momentâneas.

Por hora, limito-me às humildes contribuições através de exposições breves, esporádicas e muito superficiais, para ajudar nas tentativas de compreensão daquilo que vejo como sendo um problema de gravidade e complexidade bárbaras, e que, impressionantemente, não está sendo objeto de atenção mínima.

O que precisamos perceber com a máxima urgência no momento, é que as graves anomalias políticas e sociais vividas no Brasil, representadas pelo totalitarismo revolucionário petista, pelos 50 mil homicídios anuais, etc. etc. são detalhes conseqüentes, embora gravíssimos, de uma anomalia muito complexa que começa e ganha força dentro de cada um de nós

Precisamos mudar o eixo do deslocamento de energia e começar a entender o problema real para saná-lo.

No momento atual, é imperativo elevar o nível das discussões às esferas das responsabilidades superiores do plano moral, caso queiramos, efetivamente, alterar o destino sombrio de nosso trem desgovernado. Para que isto seja possível, a existência da vontade de aprimoramento pessoal deve ser identificada e ouvida antes de tudo.

Ninguém ajuda outrem sem antes ter ajudado a si mesmo. O mesmo vale tanto para um capitão de time de futebol, quanto para as lideranças de uma nação continental.

A punição da própria carne, o aperfeiçoamento pessoal do intelecto e o hábito permanente da autocorreção são prerrogativas pétreas absolutamente imprescindíveis para a possibilidade de qualquer juízo alheio, ou de qualquer proposição que vise à correção ou ajuste de algum problema real do mundo externo.

O primeiro passo para o enfrentamento do mal é, sabendo que ele existe, a busca pela recuperação individual da própria autoconsciência, do intelecto, da alma. Sem isso, não seremos minimamente capazes de distinguir entre a normalidade e a anormalidade, o que quer dizer que será inteiramente impossível diagnosticar corretamente qualquer problema e prescrever tratamentos eficazes.

O ponto zero é uma opção pura e simples, é a escolha, a decisão interna para fazer o que deve ser feito. Só compreende a si mesmo aquele que realmente quer.

A vontade para a busca do autoconhecimento deve substituir o desejo infantil de exposições públicas deletérias.

A vontade, por sua vez, deve se harmonizar com a sinceridade. E isto só é possível quando optamos pela subordinação à verdade, pela decisão de cessão à realidade e de submissão ao princípio da prova real.

A docilidade frente à necessidade verdadeira das coisas advém da inquietação moral que se nutre da sinceridade. E a busca contínua pelo senso da verdade através da sinceridade é o que, em última instância, restaura o intelecto e ilumina a vida.

A batalha é esta! O resto vem naturalmente e sem maiores esforços.
Se não optarmos pela luta contra a confusão do mal, de forma muito confusa estaremos nos sentenciando à morte agonizante, resultado de uma briga sangrenta de foices entre cegos confusos que acham que o bem é o mal e vice-versa.

(*) Administrador de empresas e aluno do Seminário de Filosofia Online do professor Olavo de Carvalho, André Frantz é natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

O DIA EM QUE A TELEVISÃO DA SALA PIFOU

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Profa. Maria Cristina Pavarini de Lima*

Sabia que isso iria acontecer. A danada já estava avisando fazia dias. Os chiados eram cada vez mais altos todas as vezes que nós a ligávamos. Até que do nada, nada de som ou de imagem. Foi um caos. Assim que eu cheguei em casa, o meu filho mais velho veio correndo me avisar. A empregada largou as panelas e tascou logo a notícia. De noite foi a vez do filho mais novo.

- E ai, mãe. Viu que a televisão quebrou?

- Que maravilha eu pensei, justo agora que começou o BBB 2010. Isso vai ser um sossego, a paz irá reinar em casa. Nada daqueles indivíduos interferirem no dia-a-dia da minha casa. Muito bom. Bendita seja a televisão quebrada. Nem por isso, deixamos de saber sobre as principais ocorrências no mundo.

A rotina de casa mudou, completamente. Não preciso dizer que a mudança foi para melhor. Uma noite dessas nós três ficamos conversando até mais de meia noite, sobre coisas que nunca havíamos conversado antes. Imaginem que nos distraímos horas, olhando a gaiola das hamsters e nos divertindo com as peripécias das duas.

Resolvi até fazer uma alteração no leiaute das salas de visita e de jantar. As energias foram renovadas. Sabemos que existem pessoas dentro de casa com as quais podemos conversar. Começamos a perceber que existem outras coisas possíveis de serem realizadas, ao invés de sentar em frente à tela da televisão.

Nada de soar contraditório por eu ser da área de Comunicação Social. Mesmo que a televisão seja um meio de sobrevivência do comunicólogo, não significa que devemos aceitar o processo de intoxicação. Quem sabe, nos próximos dias, além das conversas não sobre tempo para uns joguinhos de tômbola, dama, dominó, etc. E se a energia elétrica acabar ai então talvez possamos contar uns “causos” à luz de vela, como nos tempos da vovó.

(*) Coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda/Fatern Gama Filho

DE JOELHOS ANTE SUA INSOLÊNCIA

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Olavo de Carvalho

A elite brasileira é vítima de seu próprio desamor ao conhecimento, agravado de um culto idolátrico aos símbolos exteriores de prestígio e bom-mocismo.

Pelo noticiário dos últimos dias, os leitores devem ter tomado consciência de que são governados por um indivíduo que se gaba de um crime de estupro, real ou imaginário, e revela sentir uma nostalgia profunda dos dias em que os meninos do interior do Nordeste mantinham relações sexuais com cabritas e jumentas.

O que não sei é se percebem o grotesco, a infâmia, a abominação de continuar a chamar esse sujeito de Vossa Excelência, quando Vossa Insolência seria muito mais cabível, fazendo de conta que estão diante de um cidadão respeitável quando estão mesmo é de joelhos ante um sociopata desprezível.

Nenhum político do mundo jamais fez declarações tão insultuosas à moralidade geral e à simples dignidade humana. Muito menos as fez e permaneceu no cargo.

Lula não só permanecerá como fará tranquilamente a sua sucessora, porque a sociedade brasileira inteira já se acanalhou ao ponto de aceitar como decreto divino tudo o que venha do “Filho do Brasil”. Todos preferem antes ser humilhados, achincalhados, envergonhados ante o universo, do que correr os riscos de uma crise política. Sabem por que? Porque foram reduzidos a uma tal impotência que já não têm meios nem de criar uma crise política.

Em fevereiro de 2004 escrevi: “Quem quer que, a esta altura, ainda sonhe em ‘vencer o PT’, seja nas próximas eleições, seja ao longo das décadas vindouras, deve ser considerado in limine um bobão incurável, indigno de atenção.

O PT, como digo há anos, não veio para alternar-se no poder com outros partidos - muito menos com os da ‘direita’ - segundo o rodízio normal do sistema constitucional-democrático. Ele veio para destruir esse sistema, para soterrá-lo para sempre nas brumas do passado, trocando-o por algo que os próprios petistas não sabem muito bem o que há de ser, mas a respeito do qual têm uma certeza: seja o que for, será definitivo e irrevogável.

Não haverá retorno. O Brasil em que vivemos é, já, o ‘novo Brasil’ prometido pelo PT, e não tem a menor perspectiva de virar outra coisa a médio ou longo prazo, exceto se forçado a isso pela vontade divina ou por mudanças imprevisíveis do quadro internacional.”

Fui chamado de radical, de paranóico, de tudo quanto é nome. Os que assim reagiam não tinham - e não têm até hoje - a menor ideia de que existe uma ciência política objetiva, capaz de fazer previsões tão acertadas quanto as da meteorologia, com a diferença de que estas são feitas, no máximo, com antecedência de algumas horas. Quão preciosa não seria essa ciência nas mãos dos planejadores estratégicos, seja na política, seja nos negócios! Recusando-se a acreditar que ela existe, preferem confiar-se aos pareceres dos acadêmicos consagrados, que são tão bem educadinhos e jamais os assustam com previsões certeiras.

Ainda lembro que, em 2002, o Los Angeles Times consultou duas dúzias de eminentes “especialistas” sobre as eleições no Brasil. Todos disseram que Lula não teria mais de 30 por cento dos votos. Só eu - o radical, o alucinado - escrevi que a vitória do PT era não apenas certa, mas absolutamente inevitável.

Do mesmo modo, sob insultos e cusparadas, anunciei que a passagem do tempo desfaria a lenda da “moderação” lulista, pondo à mostra o compromisso inflexível do nosso partido governante com o esquema revolucionário internacional.

Hoje isso está mais do que evidente, e sinais de um temor geral que antes ninguém desejava confessar começam a despontar por toda parte. E que fazem, diante do perigo tardiamente reconhecido, essas consciências recém-despertadas? Correm em busca dos mesmos luminares acadêmicos que já os ludibriaram tantas vezes com suas palavras anestésicas, como instrutores de auto-ajuda.

A elite brasileira é vítima de seu próprio desamor ao conhecimento, agravado de um culto idolátrico aos símbolos exteriores de prestígio e bom-mocismo. Seguindo essa linha inflexivelmente ao longo dos anos, enfraqueceu-se ao ponto de, hoje, ter de baixar a cabeça ante a torpeza explícita, arrogante, segura de si.

O HOSPITAL E O OLHAR DA CRIANÇA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Por Anna Valeska Procópio*

O hospital configura-se como uma entidade que, culturalmente, representa sofrimento, dor, medo, angústia. O indivíduo ao necessitar dos cuidados hospitalares, se vê diante desse cenário socialmente construído desencadeando, muitas vezes, um pré-sofrimento de incertezas e inseguranças.

É comum que isto aconteça. As doenças a nível hospitalares traz, com ela, no mínimo, inquietações e cuidados diferenciados. Com maior razão explicam-se estes desconfortos psicológicos nas crianças submetidas a tratamentos hospitalares.

Nestas condições, é preciso identificar os fatores que direta ou indiretamente concorrem para desestabilizar as defesas psicológicas das crianças. Um deles resulta das vivências familiares. Na prática, percebe-se que a criança, na maioria dos casos, já vem ao hospital com uma percepção construída na família como frases do tipo: “Se não comer vai ficar doente”, “Se desobedecer vai para o hospital levar injeção”, entre outras ameaças.

Essas insinuações provavelmente não contribuem para uma compreensão razoável acerca das instituições hospitalares, atribuindo a eles uma postura de punição ou de castigo.

Independente dessas influências domésticas sobre o processo de hospitalização da criança deve-se considerar outros momentos de internações anteriores que podem trazer a lembrança de vivências antigas, de outras internações que marcaram o imaginário infantil.

É aconselhável, em ambas as hipóteses, que os pais realizem, sendo possível, visitas antecipadas ao hospital no intuito de obter informações necessárias a capacitá-los nas relações com seus filhos. Estas informações são uma ponte entre as instituições hospitalares e a família da criança gerando confiança e desinibições.

Não se pode negar que a estrutura institucional, bem como as relações existentes no que concerne a assistência à criança e à família, se revelam também como fatores prejudiciais ou não.

Dessa maneira, acredita-se que seja de fundamental importância que a criança possa estar “preparada” para a hospitalização e possa conhecer as causas de sua internação, que entendam os sintomas que vivencia; enfim, que participe ativamente do processo. Portanto, esse “preparo” precisa ser realizado pelos pais ou outros responsáveis, pessoas que representem segurança e seja significativas para o paciente infantil.

É essencial que a criança participe dessa preparação, isto é, que possa questionar e tirar dúvidas, que indique caminhos, que seja ouvida e compreendida em seus medos, fantasias e que possa, em seu nível de entendimento, reavaliar a situação.

Como destaca Crepaldi, entre outros autores, nesse momento a explicação não deve ser prolongada ou excessiva, rica em detalhes que talvez a criança nem vivencie. O excesso de informações pode aumentar a ansiedade e fantasias da criança.

É importante que eles saibam se existem espaços lúdicos como fatores de amenidades infantis. Esse conhecimento é indispensável para que possam, também, levar o brinquedo que tenha significado relevante para a criança.

Este trabalho tem amplitude bem maior que os limites familiares.

Os educadores são outros segmentos que podem ter participação ativa nessa preparação de suavizar a dor e os receios das crianças. Como? Inserindo em suas propostas curriculares informações e reflexões acerca do processo saúde/doença como meio de construção biopsicossocial do indivíduo.

Diante das informações não se pode deixar de citar os profissionais de saúde, como outros agentes indispensáveis na experiência hospitalar infantil. A formação acadêmica necessita rever seus postulados no que faz referência aos cuidados subjetivos à criança hospitalizada.

Assim, não se pode desprezar que as crianças são seres pensantes, inteligentes e vivenciam emocionalmente os episódios da vida. É necessário institucionalizar esses cuidados para efetivar o apoio pretendido. Desta forma, é preciso que a criança possa aceitar o hospital já que ela não pode, muitas vezes, compreender a sua dor.

(*) Psicóloga do Hospital Infantil Varela Santiago