TENSÃO NA MAGISTRATURA DO RN

Por Franklin Jorge
A sociedade norte-rio-grandense acompanha com interesse e ansiedade que a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no momento realizando vistoria nos sistema judiciário local, faça o trabalho que os magistrados e o Ministério Público do Estado deixaram pela metade em processos que envolvem altos escalões do governo. Ou sequer que se deram ao trabalho de investigar suas motivações, como aconteceu há pouco com o Verão de Todos, farra milionária promovida com dinheiro público para alavancar a candidatura governista.
Dois processos, em especial, morosamente conduzidos pela justiça, dão margem à suspeita de que o poder judiciário local não tem cumprido com o rigor esperado a apuração dos fatos que envolvem um irmão e, por último, um filho da governadora e aspirante a um mandato de senadora, Wilma de Faria, protagonistas de dois famosos escândalos que ficaram conhecidos como Foliaduto e Operação Hígia.
Neste último, Lauro Maia, filho da governadora e candidato a um mandato de deputado estadual, tornou-se suspeito de chefiar uma organização criminosa que lhe rendia por mês R$ 70 mil, propina oriunda dos recursos da Secretaria Estadual de Saúde.
O Foliaduto, escândalo que estourou há quatro anos, após a reeleição da governadora, teria como mentor intelectual um irmão de Wilma, o médico Carlos Faria, que hoje considera o caso “uma coisa velha” e, portanto, sem mais nenhum interesse, segundo declarou ao Novo Jornal que vem fazendo uma cobertura implacável dos desmandos do atual governo.
O esquema teria desviado mais de R$ 2 milhões usando a Fundação José Augusto para a contratação de bandas fantasmas, entre as quais, uma já extinta há vários anos no momento em que, segundo documentos apócrifos, estava sendo contratada pelo governo para realizar shows fictícios em vários municípios do estado.
O dinheiro, assim desviado, era usado para pagar “restos de campanha”, ou seja, compromissos financeiros contraídos durante o processo de reeleição da governadora que deixará o cargo em abril para disputar uma vaga de senadora.
Na época do escândalo, Carlos Faria era o secretário-chefe da Casa Civil e tinha como preposto um parente distante, Ítalo Gurgel, funcionário da governadoria e factótum da governadura desde a época em que ela exerceu com um intervalo de quatro anos três mandatos de prefeita em Natal. Italo começou como seu motorista particular e acabou como um dos principais operadores do Foliaduto, por ser pessoa da sua maior confiança.
A fiscalização em curso, até amanhã, sexta-feira, criou uma grande expectativa em todo o Rio Grande do Norte, pois, a repetir-se aqui o que foi realizado em outros estados, a má conduta dos magistrados se tornará pública, a exemplo do que ocorreu recentemente no estado do Mato Grosso, onde três desembargadores e sete juízes foram condenados anteontem, 23, por unanimidade, à pena máxima no julgamento do processo administrativo conduzido pela Comissão Nacional de Justiça, órgão fiscalizador empenhado em moralizar o poder judiciário, punindo-lhe os erros.
Suspeitos de desviarem R$ 1,5 milhão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, serão aposentados sumariamente e ainda correm o risco de terem a aposentadoria cassada. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o CNJ levará o caso ao Ministério Público, para que seja exigida a devolução do dinheiro por meio de ação civil pública.
No caso do Rio Grande do Norte, a morosidade dos processos em questão, além do arquivamento de outros processos tem gerado um clima de suspeição que pesa sobre a magistratura do estado, contribuindo para o crescente e universal descrédito da instiuição judiciária. Porém, até o momento, não há nenhum indício que confirme o envolvimento dos magistrados locais em esquemas criminosos.
25 de fevereiro de 2010 às 4:32
Será mesmo, Franklin Jorge? Será que os magistrado da ‘terra potiguar’ são tão bonzinhos assim???????
25 de fevereiro de 2010 às 8:08
Franklin, só pode ser brincadeira. Indicios não faltam.V. e seu incrivel senso de humor…
25 de fevereiro de 2010 às 8:19
Aqui o TJ só pune vereadores e prefeitos dos chamados grotões. Duvido que algum dia, a não ser que o CNJ bote moral nisso, cidades como Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo, Macau, Assu, Ceará-Mirim, Caicó, Currais Novos, Caraúbas, Pau dos Ferros etc, tenham prefeitos cassados! a justiça é para ladrões de galinha.
25 de fevereiro de 2010 às 8:52
Não acredito que essa investigação resulte em alguma coisa. Tudo aqui acaba sendo arquivado e esquecido, como o relatório do Foliaduto, que desapareceu da Governadoria. Aí está o procurador Jorge Galvão com cara de tacho!
25 de fevereiro de 2010 às 17:13
Vc colocou bem. Mais uma vez, parabéns pelo sucesso deste blogue.
25 de fevereiro de 2010 às 18:46
Tudo indica que o Foliaduto não vai dar em nada. Wilma colocou uma montanha granito sobre o suspiro, a começar pelo desaparecimento do relatório do inquérito administrativo. Uma belezura!
25 de fevereiro de 2010 às 18:52
Franklin, este foi um de seus melhores artigos aqui publicados. Vibrei quando li e o enviei para uma corrente de amigos. Você e o Adriano de Souza são quem melhor escrevem, hoje, no RN. Seus artigos sobre politica fazem a diferença e como já disse o François Silvestre em seu “Dicionário de Politica”, suas ideias influem na formação do pensamento politico no estado. O que mais admiro em você é a coerencia; podendo ser rico, como o $erejão dos negócios, preferiu ser independente, ficando ao lado dos leitores e das suas convicções.
25 de fevereiro de 2010 às 19:11
O RN tem um histórico de impunidades. Aqui, tudo se arranja da melhor forma. Até parece que não vimos o caso daquele juiz, não-sei-que Lacerda, que mandou matar o promotor e acabou indenizado porque tinham suspendido o pagamento do seu salário???? Querem exemplo mais contundente?
25 de fevereiro de 2010 às 20:18
Não é todo dia que podemos ler na imprensa local os artigos que vem publicando aos domingos no Novo Jornal. Cassiano Arruda, homem da comunicação, enxergou longe ao contratá-lo para articulista e um dos editores do seu jornal. Queríamos que publicasse mais, aqui e lá,mas a literatura deve absorver grande parte do seu tempo. (Enquanto escreve tenho ao meu lado o exemplar do “Spleen de Natal” com o autógrafo que colhi por mero acaso, ao acabar de adquirir o livro no momento em que v. visitava uma livraria da cidade. Um grande momento de prazer intelectual.
25 de fevereiro de 2010 às 20:54
Ninguém se engane: as coisas estão mudando no Brasil. Primeiro foi a prisão do governador de Brasilia e agora por último, a de tres desembargadores e sete juizes no Mato Grosso. Finalmente, todos começam a perceber que as coisas já não são mais como antigamente. O crime começa a ser punido em todas as esferas, o que inclui os “colarinhos brancos”, os donos do poder e até os “homens da lei”. Não há mais discriminação entre ricos e pobres, entre poderosos e os zé-ninguém”. Também já não era sem tempo…
26 de fevereiro de 2010 às 8:45
aqui tudo acaba em tapioca!
26 de fevereiro de 2010 às 9:11
Franklin, aguardamos seu comentário sobre o desfecho dessa investigação da CNJ.
26 de fevereiro de 2010 às 15:50
Seu Blog é um grande sucesso. Vc não imagina a repercussão deste artigo em certos meios. Em muitos lugares por onde andei ouvi comentários a respeito e elogios ao seu trabalho. Um desses, reproduzo: “Não adianta persegui-lo, pois o talento é indomável”. Vibrei, como admirador seu que sou.
26 de fevereiro de 2010 às 19:51
A bandalheira aqui estava sem controle. Quando o secretário de Educação morreu, em desastre de automóvel, estava “enforcando” a sexta feira para fazer visita em caráter particular, à ex-mulher que mora no Recife, usava um carro e motorista da Secretaria da qual era titular e, se apurarem, garanto que estaria tambem desfrutando indevidamente de diárias e ajuda de custo, que esses malandros não deixam por menos! A imprensa local endeusou o homem. Nenhum jornal local, nem mesmo o “Novo Jornal”, publicou uma linha sobre essa particularidade indecente.
26 de fevereiro de 2010 às 19:58
Agora o nó começa a ser desatado, graças à correição do Conselho Nacional de Justiça.
28 de fevereiro de 2010 às 10:41
Juiza, estamos de olho!!!