Arquivo de 2 de março de 2010

FIDEL FAZ A DEFESA DO AMIGO LULA

terça-feira, 2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Num instante em que Lula tenta virar a página escrita na semana passada, em Cuba, o ditador aposentado Fidel Castro cuidou de redigir mais um capítulo.

Fidel manifestou-se em nota. No texto, remexeu o caldo que mistura a visita de Lula e a morte do dissidente cubano Orlando Zapata.

Acusado de “cúmplice” pelos opositores do regime de Havana, o presidente brasileiro foi defendido por Fidel.

Divulgada na TV estatal cubana, a nota companheira realça, a certa altura:

“Lula sabe, há muitos anos, que em nosso país jamais se torturou alguém, jamais se ordenou o assassinato de um adversário, jamais se mentiu para o povo”.

Zapata sucumbiu após 85 dias de greve de fome. Feneceu na terça-feira da semana passada, horas antes da chegada de Lula a Havana.

Instado a comentar o episódio, Lula lamentou que “uma pessoa se deixe morrer” por greve de fome, expediente que já adotou e desrecomenda.

Não pingou dos lábios de Lula nenhuma palavra que soasse a desaprovação à falta de democracia em Cuba.

O silêncio custou a Lula declarações acerbas dos dissidentes que permanecem em Cuba e um protesto barulhento de exilados, no consulado brasileiro de Miami.

Inveja pura, segundo Fidel: “Alguns invejosos de seu prestígio e de sua glória, ou pior ainda, os que estão a serviço do Império, o criticaram por visitar Cuba. Utilizaram para isso as calúnias que há meio século usam contra Cuba”.

No estágio seguinte de sua fatídica viagem, Lula voou para El Salvador. Ali, levou aos microfones uma declaração que agora ecoa como aprovação prévia à nota de Fidel:

“Não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome”.

O que dizer? Com um defensor do porte de Fidel, Lula já não precisa de agressores.

Depois de converter o romantismo de de Sierra Maestra num pesadelo de cinco décadas, o protoditador, metido em agasalho Adidas, decidiu matar o tempo como ficcionista.

Seus opositores, em trilha inversa, como que convertem Manuel Bandeira em realidade, adaptando-lhe a poesia:

Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do rei
Não tenho nada que quero
E sei que jamais terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui não sou feliz
A cana é muito dura
E os ditadores são senis…

PAC TEM NÚMEROS MAQUIADOS POR DILMA

terça-feira, 2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

O governo maquiou os balanços oficiais do PAC com o propósito de esconder atrasos na execução das obras

Deve-se a revelação aos repórteres Eduardo Scolese e Ranier Bragon. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa:

“Três de cada quatro ações destacadas no primeiro balanço do PAC não foram cumpridas no prazo original”.

Para encobrir o problema, recorreu-se à maquiagem. Vão abaixo os detalhes que evidenciam a manobra:

1. Gestora do PAC, a ministra-candidata Dilma Rousseff reuniu os jornalistas, no início de fevereiro, para divulgar o balanço de três anos do programa.

2. Sob holofotes, a “mãe do PAC” anunciara que 40% das ações previstas no programa já haviam sido cumpridas.

3. Nas principais obras, a taxa de conclusão era, segundo a chefe da Casa Civil, de 36%.

4. Para corroborar as palavras da ministra, o Planalto distribuíra aos repórteres um documento em que a lista de obras é adornada por ilustrações.

5. Ao lado de cada empreendimento, três vocábulos traduziam o estágio em que se encontravam os canteiros de obras.

6. Para a maioria das obras mais relevantes do PAC, utilizou-se um carimbo verde: “Adequado”.

7. Os carimbos em amarelo –“Atenção”—e em vermelho –“Preocupante”— figuram no levantamento oficial como escassas exceções.

8. Os repórteres compararam esse levantamento de fevereiro ao balanço inaugural do PAC, que Dilma fizera em maio de 2007.

9. Confrontaram os dados também com os indicadores apresentados nos oito balanços que se seguiram ao primeiro.

10. Descobriram: muitas das obras que aparecem no balanço mais recente com o carimbo verde passaram por uma revisão de metas.

11. Os prazos de conclusão foram dilatados. Parte das obras, cuja conclusão fora prevista ainda para a era Lula, simplesmente foram jogadas para a próxima gestão.

12. O governo lançou mão do pa©osmético sem mencionar, de um balanço a outro, que ajeitava com ruge e batom a face do programa.

13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável.

14. Há mais: numa das obras que teve preservado o prazo de entrega trocou-se o objeto: em vez da conclusão da obra, a meta passou a ser a “entrega do projeto”.

15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes.

16. O primeiro balanço do PAC, aquele de maio de 2007, cobria o primeiro quadrimestre do progama –de janeiro a abril daquele ano.

17. O texto classificava como grandes 76 obras. Comparando-se esse levantamento com os posteriores, sobretudo o último, verifica-se:

18. Nada menos que 75% das grandes obras (57) padecem de atraso no cronograma. Onze foram empurradas para dentro da próxima gestão, a ser inaugurado em 2011.

19. Desses 57 empreendimentos atrasados, 38 ainda estão em andamento. Ganharam novos cronogramas.

20. O atraso médio é de um ano e meio em relação ao que fora prometido em 2007.

21. Significa dizer que que essas 38 obras deveriam figurar no último balanço trazido à luz por Dilma com carimbos amarelos ou vermelhos. Porém…

22. Porém, apenas 16% delas figuram na peça acompanhadas das inscrições “Atenção” e “Preocupante”. As demais foram brindadas com sombra verde: “adequado”.

No último dia 20 de fevereiro, ao discursar no Congresso petista que aclamou Dilma como presidenciável oficial, Lula dissera:

“Posso dizer que nunca antes na história do país houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado, tão discutido e tão planejado como nós fizemos o PAC”.

Considerando-se a checagem de Scolese e Bragon, Lula talvez estivesse falando de outro PAC, até aqui insuspeitado: o Programa de Aceleração do Cosmético.

O PATÍBULO DAS URNAS

terça-feira, 2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf…

…Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

1. “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade”.

2. “Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso”.

O Lula-1994 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Ouça-se o que dizia: “Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios…”

“…[...] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia…”

“…[...] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção”. Fecha parêntese.

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula.

Percebeu?

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1994: “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

“Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

REPERCUSSÃO: ‘MICARLA DE MIOLO MOLE’

terça-feira, 2 de março de 2010

Da Redação

‘Micarla de miolo mole’, artigo aqui publicado no último sábado pelo jornalista Franklin Jorge, repercutiu extraordinariamente, conforme provam os comentários suscitados desde então. Espelham, de maneira veraz e incomplacente, como os natalenses julgam o “governo verde” da prefeita Micarla de Souza, que tem conjugado ao mesmo tempo em sua rotina incompetência e corrupção.

Mas, deixemos as palavras com os leitores:

21 comentários para “MICARLA DE MIOLO MOLE”

Magnaldo Silva - Cidade Satélite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 12:01
Boooooooooooooooooooooooooooooooa!!!

Pérola Martins, Cidade Verde disse:
28 de fevereiro de 2010 às 13:43
Micarla não (tem) preparo para ser prefeita de Natal. Não sabe o que está fazendo. Já começa que mantém em seu secretariado arrogante e mal-educadissimo Augusto Carlos Viveiros, o Rodrigues Neto, o Bosco Afonso, o Kalazans, o Kelps… Ela está enterrando definitivamente o seu futuro na politica. É uma nuvem passageira.

Wanda Lins disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:04
Ela está acabando com a nossa querida Natal. Uma horror, essa mulher!

Carlos José disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:05
Meus cumprimentos pelo sucesso desta página.

Paulo Chaves - Lausanne disse:
28 de fevereiro de 2010 às 15:07
Tenho acompanhado o crescente número de acessos computados nesta página. Mérito é isto: cultura, lucidez, competência para criar o novo em alguns textos inesqueciveis, como o que tem escrito sobre a governadora e a prefeita de Natal. Suas colocações são sempre apropriadas e atingem o alvo em artigos como “Governadora à beira de um ataque de nervos”, “A orgia do poder”, “Borboletário em transe” e muitos outros, como as transcrições que tem feito aqui dos artigos publicados aos domingos no Novo Jornal, onde você mostra o intelectual que é, sério, culto, da mesma categoria do seu mestre Antonio Carlos Villaça, que o admirava como um de seus mais caros confrades. Você não escreve para ocupar espaço, sem ter o que dizer, mas para transmitir conhecimento e dar prazer aos seus leitores em páginas que lhe sobreviverão. Não passo um dia sem acessá-lo! Seu velho amigo e admirador.

Sonia Mary disse:
28 de fevereiro de 2010 às 17:20
Essa menina mostra que não tem um pingo de juízo. Jogou fora a oportunidade de se livrar definitivamente do secretário-trapalhão (Kalazans) com o beneplácito dos natalenses. E agora esse Olegário, deus nos acuda!

Saul Urbano disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:48
Micarla perdeu uma grande oportunidade de se tornar liderança em Natal. Este é seu ultimo mandato.

Erick Rocha disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:51
Franklin, é verdade que o secretário Carlos Augusto Viveiros está retendo o pagamento de pessoas que trabalharam nos autos natalinos e queima de fogos? Li em algum lugar. Investigue e escreva a respeito.

Severino Miranda Leite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:03
Micarla, v. ainda pode mudar para melhor. Crie juízo, minha filha.

Bento Duarte disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:15
Essa filha de Carlos Alberto passou o pé pela mão, como diz Franklin, comentando o desastre que é o seu governo. Esses “verdes” são uma verdadeira calamidade. São os gafanhotos da politica em Natal.

Mariana Freire disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:31
Micarla, não se acanhe de corrigir o erro. Ruim é persistir nele.

Antenor Bulhões disse:
28 de fevereiro de 2010 às 20:01
Viveiros é um dinossauro. Não sei com o Micarla o mantém.

Boy Chibata disse:
28 de fevereiro de 2010 às 21:27
Micarla taaa mais perdida do que cego em tiroteiooooooooo!

Walter Rodrigues - Neópolis disse:
1 de março de 2010 às 0:01
Vamos ser francos: O Partido Verde está “ferrando” Natal.

Zilma Feccoli - Vila de Ponta Negra disse:
1 de março de 2010 às 0:41
Nem o virtuoso Padre João Maria, santo popular de Natal, salvaria este desastre verde.

Manuca Benevides - Altos da Candelária disse:
1 de março de 2010 às 8:36
A “Borboleta” não tem um pingo de juizo! O apelido (um dos únicos acertos do seu pai) dela já diz tudo: futil, superficial, aerea… Sem os pés no chão, funcionando de arranco, tem dado todas essas mancadas. Ainda mais sendo de um partido de aproveitadores, de gente que não sabe distinguir um pé de milho de um de feijão, de um batata de um de macaxeira…Natal vai mal nas mãos dessa ciclotimica.

Rodrigo disse:
1 de março de 2010 às 13:21
e mais duas novidades da prefeita-bomba: fim da gestão democrática nas escolas e o aluguel vergonhoso do hotel da ladeira do sol, ao custo de cerca de 120 mil reais/mês, para funcionar duas secretarias num local totalmente inadequado. Até onde vai a cara-de-pau dessa mulher?

Jomar Chaves, Santos Reis disse:
1 de março de 2010 às 16:26
É uma deslumbrada essa prefeita de Natal. Tudo nela é falso, a começar pela bandeira verde, sabendo-se como se sabe em toda Natal que ela nunca plantou um pé de coentro ou alguma vez tenha se manifestado (antes da sua filiação a esse partido que aqui caiu nas piores mãos) em defesa do meio ambiente ou da preservação da natureza. Fico besta com tamanha hipocrisia… Micarla não é nada, só essa deslumbrada que está levando a cidade ao caos.

Mariele Bastos disse:
1 de março de 2010 às 18:11
Micarla não se emenda com o erro e está sempre se esmerando em errar mais. Vai acabar apenas com seus puxa-sacos.

Erasmo Neves disse:
1 de março de 2010 às 19:03
Se alguem fotografar Micarla ladeada por todo o seu secretariado vai pensar que se trata de um elenco mambembe e não de uma equipe governo. É visivel a olho nu a arrogância e o despreparo encarnados no “supersecretario” Augusto Viveiros e nos demais auxiliares e (na) “capitã” do time. Uma lástima!

Souza Neto disse:
1 de março de 2010 às 19:32
Seus adversários já podem comemorar antecipadamente mais esse desastre ‘made in’ prefeitura do Natal.

Leia mais sobre o governo de Micarla de Souza em postagens mais antigas, acessando o mecanismo de Busca colocado no alto à direita desta página. Neles, Franklin Jorge resume e comenta os disparates da prefeita de Natal.

Vale a pena ler de novo

terça-feira, 2 de março de 2010

BORBOLETÁRIO EM TRANSE

Por Franklin Jorge

Crivada criticas por todos os lados, a prefeita Micarla de Souza reuniu-se recentemente, durante dois dias, em luxuoso hotel na Via Costeira, para discutir com o seu secretariado e técnicos da Fundação Getúlio Vargas soluções para os inúmeros problemas que enfrenta o seu borboletário. A isto ela chamou jocosamente de “imersão de gestão”.

Tendo inaugurado a pouco o segundo ano do seu mandato, seu governo é flor que já murchou. De fato, a cidade está completamente acéfala e manca, pois o seu governo está sem pernas e sua credibilidade mais em baixa do que barriga de cobra.

Além disso, não tocou num assunto esperado por todos: a faxina que prometeu fazer em seu secretariado. as perspectivas, porém, nesse aspecto, não são nada promissoras e admite-se que ela vai trocar seis por meia dúzia. Mesmo da prefeita Micarla de Souza.

Boiando entre a corrupção e a inércia, o governo de Micarla é um sétimo dia. Terminou, antes de ter começado com aquele famoso bate-boca em que queria por queria atingir o seu antecessor no cargo e, por inabilidade, acabou promovendo-o: a posição do ex-prefeito Carlos Eduardo é hoje bem melhor do que a sua, pois os natalenses já tiveram tempo suficiente para fazer o confronto entre os dois governos.

Ora, um governo que tem esse secretariado que conhecemos já tem digitais suficientes para dizer a que veio. Um governo que desmumificou - digamos assim - Augusto Carlos Vieiros, um homem que já estava morto politica e administrativamente e dele fez um supersecretário, graças às malasartes de ressuscitador do senador José Agripino Maia, que ao fazer semelhante indicação nos provou a todos que este governo é um balaio sem fundo que acolhe até os indesejáveis.

A propósito, para ministrar o workshop milionário os ‘tubarões’ - desculpem-me, os técnicos… - da Fundação Getúlio Vargas embolsarão do município a bagatela de R$ 3,3 milhões. E ainda há quem insista em alardear como estratosférico o cachê de R$ 221 mil cobrado pelo padre Fábio de Melo, pode? Problema de gosto não se discute, já de gastos exorbitantes e falta de transparência…

Pois bem. Sob o título Transparência zero na Urbana, o Território Livre (TL), blogue da jornalista Laurita Arruda abriu o verbo no sábado 16 do corrente, sobre a caixa preta da estatal, que como sabemos tem um histórico nada recomendável, sobretudo nos velhos tempos do ex-presidente Marcilio Carrilho. É uma sujeira só.

Diz ela, Laurita, comentando reportagem do Novo Jornal:

A preponderância das empresas terceirizadas para aquela empresa demonstra que a delegação do serviço não otimizou sua qualidade. Pelo contrário. E a culpa de quem é? Do povo, a falta de educação de sua gente. Está dito no jornal como “desculpa” dos administradores do lixo.

O presidente da companhia Bosco Afonso não quis citar os nomes das empresas contratadas: “Não gostaria de citar porque não fica bem ficar falando sobre o que cada empresa ganha”.

Segundo o Sindicato dos Garis de Natal, a Urbana economizaria 50% de seu orçamento se ela mesma prestasse o serviço que terceirizou. O orçamento anual da Urbana é de R$ 116 milhões, e mais da metade é destinado ao pagamento de empresas terceirizadas.

O Novo Jornal mostra, ainda, que a política de reciclagem praticamente não existe na Urbana. Fato, no mínimo, curioso para uma administração que se diz verde…

Na confusão de vozes quem também entrou em cena a Controladora Geral do Município, Regina Bezerra Mota, que foi logo avisando: “Todos os contratos pactuados entre a Urbana e empresas terceirizadas estão, sim, disponíveis no site da Prefeitura de Natal. Inclusive com nomes e valores relacionados a cada contratada”.

Menos mal, diria a blogueira que noutro post reafirmaria as “sombras” da mesma caixa preta:

Enquanto a caixa preta da Urbana não fica bem ser aberta, o TL recebe a informação que as empresas terceirizadas não estão nada satisfeitas com os pagamentos do Município de Natal. Estão em atraso três meses de 2008 e oito meses de 2009.

Algumas empresas terceirizadas já pensam em suspender a prestação de serviço. Outras, Lider e Marquise, por exemplo, não prestam mais horas extras. Daí o acúmulo de lixo na cidade.

Será que os técnicos da FGV recomendaram maior apego ético e transparência com os gastos públicos aos escafandristas do borboletário? Ou embolsará a sua grana e deixará o estafe “cagando e andando” para os bestas dos contribuintes?