Vale a pena ler de novo

BORBOLETÁRIO EM TRANSE

Por Franklin Jorge

Crivada criticas por todos os lados, a prefeita Micarla de Souza reuniu-se recentemente, durante dois dias, em luxuoso hotel na Via Costeira, para discutir com o seu secretariado e técnicos da Fundação Getúlio Vargas soluções para os inúmeros problemas que enfrenta o seu borboletário. A isto ela chamou jocosamente de “imersão de gestão”.

Tendo inaugurado a pouco o segundo ano do seu mandato, seu governo é flor que já murchou. De fato, a cidade está completamente acéfala e manca, pois o seu governo está sem pernas e sua credibilidade mais em baixa do que barriga de cobra.

Além disso, não tocou num assunto esperado por todos: a faxina que prometeu fazer em seu secretariado. as perspectivas, porém, nesse aspecto, não são nada promissoras e admite-se que ela vai trocar seis por meia dúzia. Mesmo da prefeita Micarla de Souza.

Boiando entre a corrupção e a inércia, o governo de Micarla é um sétimo dia. Terminou, antes de ter começado com aquele famoso bate-boca em que queria por queria atingir o seu antecessor no cargo e, por inabilidade, acabou promovendo-o: a posição do ex-prefeito Carlos Eduardo é hoje bem melhor do que a sua, pois os natalenses já tiveram tempo suficiente para fazer o confronto entre os dois governos.

Ora, um governo que tem esse secretariado que conhecemos já tem digitais suficientes para dizer a que veio. Um governo que desmumificou - digamos assim - Augusto Carlos Vieiros, um homem que já estava morto politica e administrativamente e dele fez um supersecretário, graças às malasartes de ressuscitador do senador José Agripino Maia, que ao fazer semelhante indicação nos provou a todos que este governo é um balaio sem fundo que acolhe até os indesejáveis.

A propósito, para ministrar o workshop milionário os ‘tubarões’ - desculpem-me, os técnicos… - da Fundação Getúlio Vargas embolsarão do município a bagatela de R$ 3,3 milhões. E ainda há quem insista em alardear como estratosférico o cachê de R$ 221 mil cobrado pelo padre Fábio de Melo, pode? Problema de gosto não se discute, já de gastos exorbitantes e falta de transparência…

Pois bem. Sob o título Transparência zero na Urbana, o Território Livre (TL), blogue da jornalista Laurita Arruda abriu o verbo no sábado 16 do corrente, sobre a caixa preta da estatal, que como sabemos tem um histórico nada recomendável, sobretudo nos velhos tempos do ex-presidente Marcilio Carrilho. É uma sujeira só.

Diz ela, Laurita, comentando reportagem do Novo Jornal:

A preponderância das empresas terceirizadas para aquela empresa demonstra que a delegação do serviço não otimizou sua qualidade. Pelo contrário. E a culpa de quem é? Do povo, a falta de educação de sua gente. Está dito no jornal como “desculpa” dos administradores do lixo.

O presidente da companhia Bosco Afonso não quis citar os nomes das empresas contratadas: “Não gostaria de citar porque não fica bem ficar falando sobre o que cada empresa ganha”.

Segundo o Sindicato dos Garis de Natal, a Urbana economizaria 50% de seu orçamento se ela mesma prestasse o serviço que terceirizou. O orçamento anual da Urbana é de R$ 116 milhões, e mais da metade é destinado ao pagamento de empresas terceirizadas.

O Novo Jornal mostra, ainda, que a política de reciclagem praticamente não existe na Urbana. Fato, no mínimo, curioso para uma administração que se diz verde…

Na confusão de vozes quem também entrou em cena a Controladora Geral do Município, Regina Bezerra Mota, que foi logo avisando: “Todos os contratos pactuados entre a Urbana e empresas terceirizadas estão, sim, disponíveis no site da Prefeitura de Natal. Inclusive com nomes e valores relacionados a cada contratada”.

Menos mal, diria a blogueira que noutro post reafirmaria as “sombras” da mesma caixa preta:

Enquanto a caixa preta da Urbana não fica bem ser aberta, o TL recebe a informação que as empresas terceirizadas não estão nada satisfeitas com os pagamentos do Município de Natal. Estão em atraso três meses de 2008 e oito meses de 2009.

Algumas empresas terceirizadas já pensam em suspender a prestação de serviço. Outras, Lider e Marquise, por exemplo, não prestam mais horas extras. Daí o acúmulo de lixo na cidade.

Será que os técnicos da FGV recomendaram maior apego ético e transparência com os gastos públicos aos escafandristas do borboletário? Ou embolsará a sua grana e deixará o estafe “cagando e andando” para os bestas dos contribuintes?

5 comentários para “Vale a pena ler de novo”

  1. Maria Barbosa (Barro Vermelho) disse:

    O governo de Micarla já dá um livro. São tantas “mancadas”…

  2. Avany Santos, Praia da Redinha disse:

    Você disse aqui o que pensamos. Obrigada!

  3. Arlindo Matias disse:

    “Desmumificou” é ótimo, embora no caso em questão não combine muito com a enxudiosa figura do referido cidadão.

  4. Vicente Inácio disse:

    É verdade, o homem tem bem uma arroba de banhas…Mas penso que Franklin empregou o termo em sentido figurado: quis mostrar que o portentoso secretário estava na geladeira e o senador Agripino o mandou direto, como seu representante, para a caçarola de Micarla.

  5. Liège Oliveira disse:

    Dez estrelado!

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