Arquivo de 14 de julho de 2010

DEU NO BLOG DE ROBERTO GUEDES

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Juiz federal recebe aplauso pelo respeito à liberdade de imprensa

O jornalista Walter Medeiros, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio Grande do Norte, vibrou nesta terça-feira, 13, ontem, ao ler, no “Jornal de Roberto Guedes Via e-mail”, a informação de que, ao condenar um “blog” por ofensas a integrantes de um partido político, o juiz federal Ivan Lira de Carvalho se recusou a censurar o veículo.

Ele manifestou seu contentamento em mensagem que endereçou ao jornalista Roberto Guedes, idealizador e editor deste periódico virtual.

Esta é, na íntegra, a missiva de Walter:
“Caro Roberto:
Seu jornal virtual trouxe hoje matéria sobre uma decisão que é uma verdadeira aula de justiça, estado de direito e respeito à liberdade de expressão, a decisão do juiz federal Ivan Lira de Carvalho, que se recusou a atender um pedido para que fosse censurado previamente um ‘blog’.

Esta decisão deve servir de exemplo para todos os meios judiciários e para os cidadãos brasileiros, pois trata-se de um fio de esperança de que nosso mundo ainda pode ter jeito. Parabéns ao magistrado, cujo trabalho conhecemos de longas datas. Trata-se de um julgador sério, moderno, atualizado e competente. No caso, é de se defender que cada um deve ter liberdade para se manifestar, naturalmente assumindo as conseqüências pelos excessos que esperamos não ocorram.

Eis o trecho no qual a matéria se refere à decisão citada: ‘Está fora do ar o blog condenado pela justiça a retirar posts ofensivos. A decisão foi dada como liminar. Quanto a outro pedido formulado pelo PHS, para que o ‘blog’ se abstenha de veicular propaganda eleitoral negativa antecipada, o juiz o indeferiu, mostrando tratar-se de solicitação genérica, com características de censura prévia, proibida pelo art. 220, §2º da Constituição Federal’.
Um abraço,
Walter Medeiros”

PRESIDENTE FORA-DA-LEI ZOMBA DO JUDICIÁRIO

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Por Augusto Nunes,
da Veja Online

Não existem brasileiros acima da lei. Existem os cumpridores da lei e os fora-da-lei. Ao colecionar delinquências que afrontam o cargo que ocupa e o Tribunal Superior Eleitoral, o presidente da República se incluiu acintosamente na segunda categoria e reduziu a contraventores aprendizes os governadores cassados por safadezas eleitoreiras. É preciso detê-lo agora. Ou o Judiciário enquadra Lula ou Lula desmoraliza o Judiciário. Não existe uma terceira opção.

A debochada reincidência desta terça-feira sublinha com tinta vermelha essa advertência feita pela coluna no começo de junho. De volta de mais uma viagem inútil, o presidente fora-da-lei começou a entender o que é um mandato em seu ocaso.

Há trinta anos no palanque, enfim vai descobrindo que precisa pensar em algum emprego. Daqui a 170 dias, acordará longe do Palácio da Alvorada e sem direito a entrar sem bater no gabinete que já não será seu.

Devolvido ao Brasil real ─ sem ajudantes-de-ordens, sem agentes de segurança, sem carregadores de mala, sem o exército de empregados, assessores e secretárias, sem a multidão de áulicos, sem cartões administrativos, sem plateias amestradas, sem helicópteros, sem o Aerolula, sem intérpretes e, sobretudo, sem poder ─, Lula logo entenderá por que o general Golbery do Couto e Silva vivia dizendo que, no País do Carnaval, nasce capim na porta da casa de todo ex-. Os visitantes começam a rarear no primeiro mês e desaparecem no segundo. Há endereços mais lucrativos a frequentar.

Se Dilma Rousseff perder a eleição, Lula vai tentar a volta a Brasília no sereno, num Brasil que terá percebido o logro imenso da Era Lula. Se Dilma vencer, vai sonhar com o retorno já transformado em ilustração da regra sem exceção: toda criatura esquece que houve um criador e ocupa inteiramente o espaço político que herdou. Como a segunda hipótese é menos aflitiva, o chefe de governo se reduziu a chefe de campanha. E faz o que pode, e a lei não permite, para eleger a sucessora que inventou.

A fábrica de mentiras em funcionamento desde janeiro de 2003 passou a trabalhar em três turnos depois da constatação feita pela FIFA: falta tudo para a Copa do Mundo de 2014. Nos últimos três anos, nada saiu do relatório que desenhava um Brasil com cara de Europa.

“Precisamos construir estádios, estradas, o sistema de telecomunicações, aeroportos e ver mesmo se há capacidade suficiente em hotéis”, alarma-se o secretário-geral da entidade, Jerome Valcke.
No caso, a primeira pessoa do plural é uma licença esportiva. Os cartolas internacionais estão fora desse “nós”, restrito aos pais-da-pátria que se metem em aventuras bilionárias e a nós, brasileiros comuns, que pagamos a conta.

“As providências estão impressionantemente atrasadas”, confirma o relatório do Tribunal de Contas da União. “Potencializa-se o risco de que o governo federal assuma custos não-previstos”, avisa o ministro Valmir Campelo.

Confrontado com a onda de sinais de alerta, um estadista faria uma análise sóbria do quadro preocupante. Surpreendido pelo cartão vermelho da FIFA, Lula reagiu com mais pontapés nos juízes: fez outro comício criminoso.

Ao usar como pretexto a inauguração do lançamento do edital de um trem-fantasma, conseguiu superar-se. Há oito anos no poder, transferiu a culpa pelo que não fez para os presidentes dos 25 anos anteriores.

No fim do segundo mandato, depois de ter agravado sensivelmente a situação falimentar do transporte ferroviário, prometeu que o trem-bala chegará antes da Copa do Mundo. Daqui a quatro anos.

Em junho de 2007, o Ministério dos Transportes informou que a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estava em Roma para concluir a montagem do grupo de investidores estrangeiros ansiosos por embarcarem na maravilha sobre trilhos. A viagem entre o Rio e São Paulo duraria uma hora e 25 minutos.

Pelo prazer de cruzar o Vale do Paraíba a 360 quilômetros horários, os passageiros pagariam US$ 60 por cabeça. Orçado em US$ 9 bilhões, o colosso mobilizaria dúzias de canteiros de obras durante oito anos. Mas valeria a pena: sem que o governo gastasse um só tostão, o Brasil inauguraria o primeiro trem-bala do subcontinente em 2015. Palavra de Dilma Rousseff.

Nesta terça-feira, Lula elogiou-se pela autoria da ideia, elogiou Dilma pela execução e avisou que a locomotiva estará apitando na curva em 2014. Sem maiores explicações, o que começará três anos mais tarde ficará pronto um ano mais cedo.

É cinismo demais e vergonha de menos. É muita vigarice.

VICE DE SERRA É FICHA LIMPA

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Candidato à vice-presidência, Antonio Pedro de Siqueira Indio da Costa é coordenador da campanha de Serra no Rio de Janeiro e “peça-chave” na mobilização da juventude; seguindo afirma em entrevista ao Portal Terra, a turma do “Mensalão” voltaria ao poder numa eventual vitória de Dilma Rousseff

Por Marcelo Rocha


“As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário (…) Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá.” Em entrevista ao Terra, o candidato da oposição à vice-presidência, Indio da Costa, revela que teria desistido da carreira política se não tivesse se envolvido na aprovação do projeto Ficha Limpa no Congresso. Fala sobre sua trajetória política, suas atribuições na campanha presidencial de José Serra (PSDB) e garante que pretende “utilizar profundamente” o exemplo deixado pelo senador Marco Maciel (DEM), vice de FHC entre 1995 e 2002. “A sociedade tem a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice”, destaca. Formado em direito, o carioca atribui as acusações contra ele sobre fraude na merenda escolar à “quebra de um cartel”. Não poupa críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusa “falta de conteúdo” na candidatura de Dilma Rousseff (PT). “Ela (Dilma) está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão (…) que saiu do governo - e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano”, dispara. Indio foi escolhido vice após conturbadas negociações entre os aliados PSDB e DEM. Após repassarem uma série de possibilidades, a cúpula tucana - e o próprio Serra - apresentaram aos aliados o nome do senador paranaense Alvaro Dias, que também ajudaria a resolver querelas regionais. A escolha de Dias - sem negociação prévia com os aliados - provocou indisposição entre as siglas da coligação oposicionista, e o DEM reivindicou a vaga de vice. Numa conversa interrompida mais de uma vez por sua filha Sofia, de seis anos, Indio revela que a menina estará presente em algumas reuniões de campanha. Sofia mora em Madri com a mãe Olivia e visita o pai a cada dois meses. “Fico alucinado de saudades”, diz. Pontual, “sempre que pode”, o candidato se diz admirador do filme Perfume de Mulher. Aventureiro, praticava asa-delta - “quando eu era jovem”, diz. No momento, o que embala suas caminhadas é o sucesso do axé baiano, Alexandre Peixe e banda. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra - A oposição tem feito um embate de currículos entre Serra e Dilma. O histórico do senhor é o bastante para acompanhar Serra?
Indio da Costa - Temos similaridades. Serra começou muito cedo e eu também. Comecei na política com 22 anos de idade. Quando eu chegar à idade dele, terei o mesmo tempo de política que ele tem. Ambos defendemos um bom desempenho no serviço público e a meritocracia. Já ganhamos várias eleições. Eu já ganhei quatro e ele já ganhou várias ao longo da vida dele. Ou seja, temos experiência eleitoral. Outra similaridade é que nós dois damos muita importância às políticas públicas e nos preocupamos em como resolver problemas de maneira concreta. O que é importante nisso é que tanto Serra quanto eu temos essa visão de um serviço público em que se pode gastar menos internamente e produzir mais para fora. E mais, você pode fazer isso prestigiando os servidores.


Terra - O PT também reivindica a “paternidade” do projeto Ficha Limpa e diz que o acordo só foi alcançado depois que o petista José Eduardo Cardozo assumiu a relatoria. Como o senhor lida com isso, tendo em vista que é uma bandeira que valora a sua candidatura de vice?

Indio da Costa - Eu lido muito bem. Em primeiro lugar quem indicou Cardozo fui eu. Fiz isso publicamente ao lado de Michel Temer numa entrevista coletiva. Foi uma forma de comprometer o PT. O governo, na Câmara, era contra. O líder do PT era contra. O PT, através do PMDB e de outros partidos aliados, fez de tudo para bloquear o Ficha Limpa. Fiz o que era possível para aprovar o projeto. Conversei com todos os setores, não só na Câmara, mas no Senado também. Fui ao STF também falar com ministros e com pessoas do TSE para saber a opinião deles sobre o texto que estava posto.

Terra - Por que o senhor indicou Cardozo?
Indio da Costa - Ele é um deputado sério, que estava desistindo de se candidatar novamente por entender que a política não estava caminhando bem. Tive uma conversa com ele na mesma direção em dezembro do ano passado, sobre minha vida política. Eu estava cansado de ver um Congresso como aquele e estava pensando seriamente em não me candidatar a deputado. No fim, ele me convenceu a cumprir mais um mandato. Confesso que eu estava muito balançado e com o Ficha Limpa acabei me animando novamente. Se eu não tivesse conseguido aprovar o Ficha Limpa, a probabilidade de eu não me candidatar a deputado seria muito grande. Quando chegou fevereiro, sabendo da seriedade dele e que está na coordenação da campanha de Dilma, eu disse a Temer que seria bom que o PMDB ou o PT assumissem a relatoria para trazer a base do governo.

Terra - Foi tático?
Indio da Costa
- Isso foi pensado com as lideranças do meu partido. Paulo Bornhausen sentou comigo e disse que teríamos que colocar o PT ou PMDB na relatoria para que o projeto fosse aprovado. Até então, as lideranças eram contra. Basta ver as declarações deles, de Vaccarezza e de Genoíno, que subiu várias vezes ao plenário para falar que era contra. Propusemos José Eduardo Cardozo, porque supomos que Dilma não poderia ficar viajando o País todo e sendo criticada por ser contra o Ficha Limpa.

Terra - Qual é o perfil ideal de um vice-presidente?
Indio da Costa
- Um vice é a pessoa que vai contribuir para que o programa do presidente seja levado adiante. Diferente de outras candidaturas, a nossa tem muito conteúdo. A gente sabe exatamente por que quer chegar lá. Essa sinergia, não só entre o presidente e seu vice, deve existir entre os dois e a sociedade. Estamos propondo ideias e projetos. O papel do vice é fazer com que a sociedade tenha a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice. Vou sempre dar minha contribuição e sugestões, mas dentro do programa que está sendo proposto.

Terra - Como o senhor avalia o trabalho realizado por José Alencar?
Indio da Costa
- Não tenho críticas a José Alencar. Ele é um vice que busca fazer bem o seu trabalho.

Terra - E Marco Maciel?
Indio da Costa
- Marco Maciel é um exemplo em todos os sentidos. Ele e Alencar são figuras diferentes. Alencar é um empresário. Marco tem uma trajetória dentro da política nacional. É uma pessoa muito séria, muito correta. Politicamente honesto e do ponto de vista intelectual também. Eu pretendo muito seguir essa linha dele. Sempre que eu tiver uma sugestão a fazer, isso será articulado com o presidente, porque ele é que é o presidente. Vou utilizar profundamente a experiência de Marco Maciel, no caso de a nossa eleição ser bem-sucedida.

Terra - Quando o senhor conheceu Serra?
Indio da Costa
- Já estive tantas vezes com Serra que não consigo precisar uma data. Serra já era parte integrante da minha vida. Ao longo de dúvidas que tive, consultei, mandei textos, não tenho uma memória de exatamente quando.

Terra - Algumas pessoas falaram que não se conheciam…
Indio da Costa
- Não, não, não. Já trocávamos, há muito tempo, informações de um lado para o outro.

Terra - Lideranças da oposição olhavam para um acordo Serra-Aécio como a melhor saída. Além disso, a escolha do núcleo de campanha e do próprio Serra, segundo ele mesmo já afirmou, era por Alvaro Dias. O senhor não teme que sua candidatura seja vista como uma solução para acordos políticos que fracassaram?
Indio da Costa
- Não posso me preocupar com o que os outros vão achar. Essa é uma dupla que tem muito a fazer pelo Brasil. Eu ouvi por muitos anos, desde que eu nasci, que a presidência da República é destino. E hoje em dia, entendo que a vice também é. Não se constrói uma presidência, ou vice, sozinho. Isso tudo é um processo que depende de conjuntura, de momento, de oportunidade, de muitas coisas no meio do caminho. O que é importante neste momento é a nossa empatia e o nosso desejo de trabalharmos juntos pelo Brasil. Esse assunto está enterrado e muito bem resolvido. Eu me dou muito bem com as pessoas envolvidas nesse processo e ajudei o tempo todo no que me foi consultado a respeito de vice A ou B, ou candidatura A ou B.

Terra - O senhor chegou a conversar com Alvaro Dias depois da sua indicação?
Indio da Costa
- Dei um abraço nele porque o respeito muito. Ele sabe que, em nenhum momento, eu articulei para um lado ou outro. Temos em comum nossa luta contra esse modelo que Dilma pretende continuar representando. As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário. As decisões são tomadas depois de escutar um grupo de pessoas que você respeita, mas o ônus e o bônus são sempre individuais, do ponto de vista político. No começo, Dilma vai ter que consultar Lula. Mas depois, pressionada, ela terá que ter independência. Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá. Por que Dilma não debate? Até hoje, ela não foi a um debate.

Terra - Seu primeiro discurso já como vice, foi em Brasília, na convenção do seu partido, em 30 de junho. O tom já era mais agressivo do que o próprio candidato costumava adotar. Isto será mantido?
Indio da Costa
- O Lula é o Lula. O serviço que o governo presta é outra coisa. A minha preocupação não é com Lula. Ele está se aposentando compulsoriamente agora. Dilma poderá melhorar os serviços que precisam ser melhorados? Vai diminuir as filas em hospitais? Vai fazer com que os remédios cheguem às pontas? Vai desenvolver as regiões metropolitanas? A região metropolitana terá vez no governo Serra. Ele se preocupa com isso, eu também. Esta região é onde se concentra boa parte dos problemas do Brasil, nessa junção de aglomeração de pessoas com a falta de uma política pública que pense nisso tudo. Cada um trata do seu, o Estado tratando de tudo e o governo federal tratando das questões internacionais e econômicas. Parece que os serviços oferecidos pelo governo não têm esses mesmos índices de aprovação.

Terra - Qual estratégia de comunicação que a oposição tem que adotar em um contexto político que dá ampla aprovação ao governo do partido adversário?
Indio da Costa
- Eu não estou disputando eleição com Lula, mas com Dilma. Vamos deixar isto muito claro ao longo desse processo. Ela está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão: José Dirceu, Marco Aurélio Garcia, que fez o programa dela, Palocci… Uma turma que saiu do governo - e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano, articulando a candidatura de Dilma.

Terra - Tendo em vista que Cesar Maia não saiu muito bem avaliado da prefeitura do Rio de Janeiro, como o senhor mantém o apadrinhamento político dele e sem comprometer os votos da capital?
Indio da Costa
- Não há apadrinhamento político. A questão é simples: ele será um grande senador e está hoje colado no candidato ao Senado mais votado. Vou votar nele. Mesmo as pessoas que fizeram críticas a ele vão acabar votando nele. A minha entrada na vice só integra os setores, não separa.


Terra - Como é que o senhor responde às acusações de fraude na merenda escolar no Rio de Janeiro?
Indio da Costa
- Foi a maior economia na história da compra de merendas. Eu consegui quebrar um cartel. O Tribunal de Contas, o Ministério Público e a Procuradoria e Controladoria do município do Rio reconheceram isso com clareza.

Terra - O senhor chegou a apresentar restrições ao pré-sal. O senhor ainda as tem?
Indio da Costa
- Minha restrição é simples. Acredito que não se pode extrair petróleo sem recompensar economicamente o mal que isto causa à humanidade. Quando o pré-sal for extraído a gente tem que utilizar todos os recursos necessários, inclusive os provenientes do próprio petróleo, para fazer compensação ambiental da extração desse petróleo.

Terra - O senhor ainda defende um plebiscito sobre pena de morte, como fez enquanto deputado?
Indio da Costa
- Não, eu não defendo e não sou favorável. Isso foi no calor de uma discussão com o deputado Paulo Maluf, que defendia isso.

Terra - É sabido que Serra enfrenta certa resistência no mercado financeiro depois das declarações dele sobre o BC, que foram minimizadas com uma entrevista às páginas amarelas da Veja. Mas, segundo consultorias do setor, a resistência ainda existe. Sabendo da ligação da família do senhor com bancos, pretende buscar apoio nesse setor?
Indio da Costa
- Uma coisa é a relação familiar, as questões políticas, cada um defende aquilo em que acredita. O meu mercado é político, o mercado da minha família é financeiro, são questões separadas. Mas eu vou buscar apoio político em todos os setores que eu puder. Só não onde tiver algum setor que confronte com a visão de governo. Eleição não é exclusão.

Terra - Na declaração de bens do senhor tinha um ultraleve e um barco. Em que ocasiões o senhor usa?
Indio da Costa
- O ultraleve é para chegar a pontos diferentes do Rio. Isso me facilita o trabalho. Quando eu era jovem, 13 ou 14 anos de idade, eu voava de asa delta. Mais velho, comecei a utilizar ultraleve para correr o Estado. É uma maneira mais rápida e barata de viajar ao interior.

Terra - Vou fazer perguntas mais curtas para o senhor me dar respostas mais diretas. O que o senhor acha do MST?
Indio da Costa
- Não pode ser tratado da maneira que está sendo. Sou absolutamente contra invasão de terras.

Terra - O que o senhor pensa sobre o aborto?
Indio da Costa
- Sou contra o aborto.

Terra - E a descriminalização das drogas?
Indio da Costa
- Sou contra a descriminalização. O uso da droga financia a compra de armas. Os tráficos de droga e de arma têm uma ligação muito próxima. Descriminalizar é muito bonito no discurso, mas não na prática.

Terra - O senhor é favorável à redução da maioridade penal?
Indio da Costa
- Sou. Dependendo do potencial ofensivo do crime, não importa se ele tem 15 anos ou 35. Sou também a favor de que o sistema penal recupere as pessoas, não trate as pessoas feito animais, fazendo com que saiam com mais raiva e agressividade do que quando entraram lá.

Terra - Qual é a base política da chapa Serra-Indio?
Indio da Costa
- Saúde, que vai mal, Educação, que não prepara os jovens para o mercado de trabalho, e Segurança, que deixa a todos inseguros e vulneráveis. Depende da área do País. No interior do Rio, educação, oportunidade e saúde são mais importantes do que segurança pública… Varia… Não que segurança pública não seja um problema, mas as outras coisas estão tão fracas que se tornam prioridades na região. Já na capital, a ordem se inverte.

Terra - Se uma das atribuições do senhor é trazer essas discussões para os jovens, como fará isso?
Indio da Costa
- Os jovens não tinham instrumentos de participação. Esse modelo antigo de diretórios partidários, dessas conversas intermináveis e não saber como apresentar sugestões a alguém que tem o poder de colocar em prática, acabou desmobilizando os jovens. Estamos usando a tecnologia, redes, para estimular a participação política. O Ficha Limpa trouxe os jovens para o debate político de uma maneira objetiva, 4,2 milhões assinaram o abaixo assinado com a esperança de que se construísse uma regra para que se barrassem bandidos legalmente. É um erro dizer que a juventude está despolitizada.

O ARTISTA ‘IN FIERI’

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Por Franklin Jorge

Escrevendo sobre Portinari, disse Drummond que uma existência de sessenta, setenta anos, seria insuficiente para um artista cônscio do que cria realizar sua obra e submetê-la aos ajustes e revisões que se fazem necessários. Antes, Proust já dissera que os acréscimos enriquecem a obra com o conhecimento posterior e a habilidade que só adquirimos com a experiência.

Nenhum escritor terá sido mais fiel a esse princípio do que o próprio Marcel Proust, que desta forma tornou-se o terror dos editores, ao reescrever infinitamente o mesmo texto, a ponto de quase lhe dobrar o número de páginas.

Para ele, como para o pintor que através de sucessivas pinceladas obtém os efeitos de transparência ou opacidade desejados, era essa atividade posterior que dava carnadura e consistência à obra de criação.

Um artista consciente dos meios que usa sabe que a elaboração de uma obra requer, como condição prévia de êxito, esforço e paciência. Ele sabe por intuição que para colher um resultado faz-se necessário antes acumular. E, no intervalo entre plantar e colher – que demandam tempo e fé -, só lhe resta continuar trabalhando sem descanso e sem paga.

Flaubert descreveu o escritor como alguém que se lança ao trabalho furiosamente. Para ele, como para outros artistas marcados por esta “maldição que salva”, como a definiu Clarice Lispector, a arte só é possível como uma obsessão. Por isso ele aconselhava o escritor a entregar-se a um trabalho regular e fatigante.

Sabe-se que a arte consome o homem e subjuga o artista. E, quase sempre, o faz fracassar num âmbito em que os medíocres geralmente triunfam.

Não podemos, pois, escrever pensando no sucesso que muitas vezes resulta em equívocos a que só o Tempo, como o melhor juiz, pode corrigir e premiar.

É esta consciência, racionalizada ou não, que distingue o artista sério daquele que não o é. Afinal, sem risco não há literatura. Melhor dizendo, não há arte digna de merecimento.