Arquivo da Categoria ‘Campanha eleitoral 2010’

LULA TRANSFORMA VÍTIMA EM RÉU

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lula defede Dilma na TV e fala em “preconceito contra mulher”

Por Hugo Bachega, Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa de sua candidata Dilma Rousseff na propaganda de TV nesta terça-feira, afirmou que a oposição age com “preconceito contra a mulher” e voltou a dizer que a coligação rival usa “mentiras e calúnias” para atingir a presidenciável.

Lula falou por mais de dois minutos. Pediu uma “reflexão a favor do Brasil” e foi direto na mensagem a José Serra (PSDB), quem disse estar movido por “desespero”.

“Tentar atingir com mentiras e calúnia uma mulher da qualidade de Dilma Rousseff é praticar um crime contra o Brasil e, em especial, contra a mulher brasileira”, disse Lula, em mensagem gravada para o programa eleitoral de Dilma.

“Infelizmente, nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para os ataques pessoais e para a baixaria. Lamento, lamento muito”, afirmou.

Por fim, disse que o povo brasileiro saberá separar o “joio do trigo”.

Lula já havia assumido a defesa da petista. No sábado afirmara, em comício em Guarulhos (SP), que a oposição mente descaradamente no caso da quebra de sigilos fiscais.

Serra acusa o PT e aliados de Dilma de serem os responsáveis pela violação de dados na Receita Federal de pessoas ligadas a ele, incluse de sua filha, Verônica Serra, e cobra que a petista se posicione sobre o caso.

Já a propaganda de Serra ignorou o caso, ao contrário do que fez na semana passada, quando o tema foi abordado em grande parte de seu horário gratuito na televisão. Entretanto, voltou a criticar, indiretamente, sua rival. “(Independência) também é um sonho pessoal, de construir a própria vida, progredir pelo mérito, subir passo a passo pelo próprio esforço, sem se aproveitar de ninguém”, declarou Serra, cuja campanha tem se centrado na mensagem de que Dilma está “à sombra de Lula”.

PT ESTUPRA CONSTITUIÇÃO

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Serra classifica quebra de sigilo como ‘crime contra a Constituição’

Por Gustavo Uribe, da Agência Estado, estadao.com.br

O candidato do PSDB a presidente, José Serra, voltou nesta terça-feira, 7, a tratar da quebra do sigilo de sua filha Verônica como ‘crime contra a Constituição’. O tucano limitou-se a reafirmar que o episódio revela a utilização da máquina do governo federal para fins de natureza eleitoral e disse que não comentará mais o episódio. ‘Eu hoje me permiti não entrar nesse assunto’, afirmou. ‘Vou deixar que o partido, a partir de agora, trate desse assunto.’

Em visita à maior feira de produtos cristãos da América Latina, em São Paulo, o tucano disse que pratica o cristianismo por ‘convicção’ e afirmou que não é um ‘cristão de boca-de-urna’, sem se referir a nenhum adversário específico. ‘Eu não sou cristão de boca-de-urna para agradar a eleitores e conquistar votos e, no dia seguinte, esquecer o assunto’, disse.

Ao lado do candidato do PSDB a governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra assegurou acreditar profundamente em preceitos cristãos, como justiça e verdade, que, para ele, fariam ‘muito bem’ se aplicados na política. ‘Chega de enganação, chega de mentira.’

Num rápido corpo a corpo com frequentadores da ExpoCristã, Serra tomou café e foi presenteado com DVDs, CDs e livros gospel. Na breve caminhada, ele folheou uma Bíblia e abraçou fiéis. O candidato defendeu ainda maior investimento do Ministério do Turismo em cidades que atraem o turismo religioso. O tucano disse ser a segunda vez que visita a feira e elogiou os evangélicos por promoverem a leitura.

Marina. Serra chegou às 16h45, mais de uma hora depois do horário marcado. O atraso despertou a curiosidade entre os visitantes. Um deles perguntou aos jornalistas se era uma estrela gospel. Outros três perguntaram se o candidato era Marina Silva (PV), que é protestante da Igreja Assembleia de Deus. Ao saberem que o candidato era Serra, preferiram ir embora. Na saída da feira, Serra cantou com um grupo uma música gospel cujo refrão era ‘Tudo vai dar certo’.

DILMA DISTORCE A VERDADE

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

“Ele que fique com o nível baixo dele”, diz Dilma sobre Serra

Por Natuza Nery, reuters.com

BRASÍLIA (Reuters) - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, acusou nesta terça-feira o seu adversário José Serra (PSDB) de baixar o nível da campanha e insinuou que ele e a oposição quiseram que o Brasil fracassasse nestes dois mandatos do governo petista.

Dilma fez uma declaração breve neste feriado de 7 de Setembro e respondeu a poucas perguntas de jornalistas, alegando rouquidão decorrente da agenda intensa de sua campanha eleitoral.

“Ele resolveu baixar o nível. Ele que fique com o nível baixo dele”, disse a petista, ao ser questionada sobre a propaganda eleitoral do tucano, que neste sábado afirmou que Dilma “engana” o eleitor. O programa tucano usou, em um dos exemplos para atacar a petista, imagem de hospital mostrado como modelo na propaganda de Dilma para dizer que ali não há médicos.

“Tem gente que passou o governo Lula torcendo para que o Brasil desse errado”, afirmou.

Questionada se já se considerava eleita, Dilma respondeu qualquer candidato só pode se considerar presidente após a apuração das urnas em 3 de outubro.

Na sua “declaração institucional”, Dilma escolheu falar sobre a soberania do Brasil e lembrou o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma das principais conquistas da gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

“Ninguém respeita devedor. O Brasil hoje não é devedor, o Brasil é credor (do FMI)”, disse. O Brasil anunciou no ano passado empréstimo de 10 bilhões de dólares ao fundo.

“Nós rompemos com a tutela do FMI”, acrescentou a candidata, argumentando que o país dependia da instituição até para definir o salário mínimo.

O DIA SEGUINTE [2]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desafios do próximo presidente: O xadrez contemporâneo da política externa

Por Fernanda Pompeu, especial para o Yahoo! Brasil

Espiões saindo do frio, 007s saltando de aviões em pleno ar e mundo livre versus cortina de ferro ainda têm uma sobrevida nos roteiros de Hollywood, mas na vida real das relações internacionais são representações folclóricas. Elas pertencem ao museu da Guerra Fria, quando as nações se dividiam em dois polos de influência e coerção. De um lado, os Estados Unidos invadindo países em nome da democracia; do outro, a União Soviética disparando canhões em nome do socialismo.

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, o capitalismo de modelo americano e europeu virou o dono da verdade e o caminho invejado pela maioria. Mas a história seguiu surpreendendo e produzindo eventos notáveis, como criação da União Europeia, o agigantamento da economia chinesa, o ataque de 11 de Setembro, a chamada guerra ao terror, a consolidação da democracia no Cone Sul, a invenção da web 2.0, com suas redes sociais, o estremecimento das economias robustas, a eleição do presidente negro Barack Obama. No entanto, a mudança mais significativa no cenário internacional talvez tenha sido a entrada de novas vozes nos fóruns internacionais.

Entre essas vozes, sem margem de dúvida, está o Brasil. De país com o selo de Terceiro Mundo, eternamente deitado em berço esplêndido, passou a país emergente; cheio de opiniões. Podemos dizer que o Brasil entrou no clube dos interlocutores importantes.

Entre as principais ações, está a participação ativa no G20, grupo de países da América Latina, África e Ásia que tentam fazer um contrapeso com o G8, que reúne os países mais ricos do mundo. Também marca presença no chamado Bric (acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China), reunião de economias em expansão. Soma-se a isso a reivindicação brasileira de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, seleto grupo de países que censura ou legitima as guerras.

O Brasil também tem adensado as relações com os países da América Latina. Exemplo é sua presença marcante no Haiti, país recheado de carências econômicas e institucionais. Para o brasileiro Ricardo Seitenfus, representante especial da Secretaria Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) no Haiti, “o grande desafio do Brasil na reconstrução do país, mesmo antes do terrível terremoto que devastou a capital Porto Príncipe, é aumentar a qualidade das Operações de Paz da ONU, tornando-as mais complexas e mais sensíveis aos verdadeiros problemas dos haitianos, que são o baixíssimo nível socioeconômico e a altíssima instabilidade política”.

Mercosul
Na pegada mais comercial, o Mercosul, mercado comum criado em 1991, inspirado mais ou menos no modelo da União Europeia, firmou-se como uma união aduaneira, tendo o Brasil como o parceiro mais potente. Mas os opositores da política externa de Lula afirmam que o Mercosul não decolou e até estorvou.

Os críticos alegam que o governo brasileiro é fraco na defesa dos nossos interesses comerciais e vacilante em assumir o papel de líder. Muitos esperam que o novo presidente flexibilize o Mercado do Sul, a fim de permitir mais espaço para acordos bilaterais. Entenda-se: mais espaço para negociações diretas com os Estados Unidos.

Segundo a oposição, Lula estreita relações mais ideológicas do que comerciais com os países da região. Citam o chamego do presidente com Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Raúl Castro (Cuba). Todos esses mandatários, em menor ou maior grau, têm coloração de esquerda e uma desconfiança tremenda da política externa americana. Basta lembrar das continuadas tensões entre os governos venezuelano e colombiano.
Já Ricardo Seitenfus discorda de que haja ideologização na conduta do Itamaraty: “O governo Lula pratica uma política ´ecumênica´, se relacionando tanto com a Colômbia do [ex-presidente] Álvaro Uribe quanto com a Venezuela de Chávez”.

Há também os que acham que o Brasil está se metendo em áreas onde nunca foi chamado, como o Oriente Médio, sem ganhar nada em troca. Não vêem como prudente nem produtivo azedar as relações com o país mais poderoso e agressivo do mundo. É o caso do recente episódio com o Irã, no qual Lula se empenhou pessoalmente para conseguir, junto com a Turquia, um acordo que acalmasse americanos e europeus que suspeitam que o presidente Mahmoud Ahmadinejad esteja tramando a fabricação de uma bomba atômica. No fim, não houve acordo nenhum e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, puxou a orelha do Itamaraty.

Reginaldo Mattar Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, vê diferente. Ele acredita que os focos de tensão com os americanos fazem parte do jogo diplomático e são pontuais: “A relação entre os dois países nunca esteve tão boa. Os Estados Unidos enxergam o Brasil como um parceiro comercial muito importante e um mediador altamente confiável para apaziguar os ‘rebeldes’ da América Latina”.

O professor da PUC-SP também aponta que a grande diferença entre a política externa de FHC e a de Lula é que “com FHC, a relação com os Estados Unidos era incondicional, ao passo que com Lula essa relação é sob condições”.

Já o professor especialista em política externa José Augusto Guilhon Albuquerque, do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, acredita que “o Brasil, ao se solidarizar com ditadores que desrespeitam flagrantemente os direitos humanos, a exemplo de Cuba e do Irã, perdeu credibilidade nos fóruns internacionais mais importantes”.

Guilhon afirma que “caberá ao novo presidente muito trabalho para recuperar a credibilidade do país e pôr a bola no chão”. A maior parte da mídia brasileira não viu com bons olhos a camaradagem Lula-Ahmadinejad e ressaltou que o ditador iraniano, entre outras violências, é adepto do apedrejamento de mulheres adúlteras, como no caso, ainda em curso, da cidadã iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

África
Outra aproximação interessante, e especial para os brasileiros, é com a África. Verdade que ela começou muito antes do atual governo. Verdade também que se aprofundou no governo Lula. Hoje, existe uma forte presença de empresas brasileiras, entre elas Petrobras, Odebrecht e Vale, no continente africano. Exemplo dessa aposta na economia africana é a parceria estratégica entre Banco do Brasil, Bradesco e o português Banco Espírito Santo. A holding financeira visa operar em mercados jovens e promissores. Para muitos analistas, a aproximação com a África extrapola os interesses comerciais. Ela teria um alto significado político e cultural.

Polêmicas incluídas, seja quem for que suba a rampa do Palácio do Planalto, em janeiro de 2011, levará junto a responsabilidade de aumentar o diálogo com as outras nações em um mundo cada vez mais complexo e interdependente.

Além, é claro, da obrigação de preparar estádios, aeroportos, transportes públicos, segurança e a população para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Dois eventos altamente midiáticos que irão expor o Brasil aos olhos do mundo.

Acompanhe AQUI as reportagens da série ‘Desafios do próximo presidente’.

DITADOR VENEZUELANO CONTROLA ATÉ SHOWS

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Alejandro Sanz pede “permissão” a Chávez para cantar na Venezuela

EFE

Madri, 7 set (EFE).- O cantor espanhol Alejandro Sanz postou hoje no Twitter um pedido de “permissão” ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para acertar sua viagem ao país.

“Presidente Chávez, quero cantar em seu país… Você me permite?”, pergunta Sanz ao líder venezuelano por meio do serviço de mensagens curtas. “O senhor me garante que nada vai acontecer com meu público, minha equipe, nem comigo?”, prossegue.

E conclui: “se o senhor me der permissão e nos der sua palavra que nada acontecerá, eu acerto a minha viagem à Venezuela. O senhor tem a palavra”.

A polêmica entre ambos estourou em 2008, quando o show que o cantor planejava dar em fevereiro em Caracas foi suspenso pela empresa organizadora “por não respeitar as condições apropriadas para a realização do espetáculo”.

Um manifesto posterior assinado por vários artistas, entre eles, Joan Manuel Serrat, Fito Páez e Joaquín Sabina, atribuía ao Governo venezuelano a responsabilidade pela suspensão do evento, algo que o Executivo de Chávez negou.

A POLÍTICA DO DEBOCHE

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Editorial d´O Estado de São Paulo

Quanto mais se acumulam as evidências de que o PT é o mentor do crime continuado da devassa na Receita Federal, de dados sigilosos de aliados e familiares do candidato presidencial do PSDB, José Serra, tanto mais o presidente Lula apela para o escárnio.

É assim, desenvolto diante da exposição das novas baixezas de sua gente, que ele procura desqualificar as denúncias de que as violações tinham a única serventia de reunir material que pudesse ser utilizado contra os adversários da candidata governista, Dilma Rousseff.

Do mensalão para cá, essa atitude só se acentuou. No escândalo da compra de votos no Congresso Nacional, em 2005, ele ficou batendo na tecla de que não sabia de nada e que, de mais a mais, o que a companheirada tinha aprontado - diluído na versão de que tudo se resumia a um caso de montagem de caixa 2 - era o que se fazia comumente na política brasileira. Depois, propagou e mandou propagar a confortável teoria de que as acusações eram parte de uma “conspiração das elites” para apeá-lo do poder. Mas não chegou a zombar acintosamente das revelações que iriam ficar gravadas na história de seu partido.

Já no ano seguinte, quando a polícia detonou a tentativa de um grupo de petistas, entre eles o churrasqueiro preferido de Lula, de comprar um falso dossiê contra o mesmo José Serra, então candidato a governador de São Paulo, o presidente incorporou ao léxico político nacional o termo “aloprados” com que, para mascarar a gravidade do episódio, se referiu aos participantes da torpeza. Agora, enquanto escondia a sua escolhida - acusada pelo tucano como responsável, em última instância, pela fabricação de novo dossiê com os documentos subtraídos do Fisco -, o presidente se abandonou ao cinismo.

No fim da semana, em um comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, a que Dilma não compareceu, ele acusou Serra de transformar a família em vítima. Ou seja, o que vitimou a filha do candidato não foi a comprovada captura de suas declarações de renda por um personagem do submundo - cuja filiação ao PT só não se consumou por um erro de grafia de seu nome -, mas o “baixo nível” da campanha do pai, que tratou do escândalo no horário de propaganda eleitoral. E ele o teria feito porque “o bicho está em uma raiva só” diante dos resultados desfavoráveis das pesquisas eleitorais. “É próprio de quem não sabe nadar e se debate até morrer afogado”, desdenhou.

O auge da avacalhação - para usar uma palavra decerto ao gosto do palanqueiro Lula - foi ele perguntar retoricamente: “Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê os vazamentos?” Se é da filha de Serra que ele falava, o sigilo vazou para os diversos blogs lulistas que publicaram informações a seu respeito que só poderiam ter sido obtidas a partir do acesso ilícito aos seus dados fiscais. E o presidente sabe disso desde janeiro, quando o ainda governador Serra o alertou para a “armação” contra seus familiares na internet. Confrontado com o fato, Lula disse, sem ruborizar-se, ter coisas mais sérias para cuidar do que das “dores de cotovelo do Serra”.

Se, no comício, a sua pergunta farsesca tratava das outras pessoas ligadas ao candidato, como, em especial, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, o sigilo vazou para membros do chamado “grupo de inteligência” da candidatura Dilma.

No caso de Eduardo Jorge, aliás, a invasão não se limitou à delegacia da Receita em Mauá, no ABC paulista, a primeira cena identificada do crime. Na última quinta-feira, o Estado revelou que um analista tributário lotado na cidade mineira de Formiga, Gilberto Souza Amarante, acessou dez vezes em um mesmo dia os dados cadastrais do tucano. O funcionário é petista de carteirinha desde 2001.

Ninguém mais do que Lula, com o seu imitigado deboche, há de ter contribuído tanto para a “maria-mole moral” em que o País atolou, na apropriada expressão do jurista Carlos Ari Sundfeld, em entrevista no Estado de domingo.

Nem a bonança econômica nem os avanços sociais podem obscurecer o perverso legado do lulismo. Por minar os fundamentos das instituições democráticas, essa é hoje a mais desafiadora questão política nacional.

MARINA CONDENA QUEBRA DE SIGILO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quebra de sigilo desrespeita brasileiros, diz Marina

agestado

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirmou hoje (7) que a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB deve servir de alerta aos brasileiros. “Mostra que temos um pé de barro na gestão pública”, afirmou, evitando opinar se o caso tem poder para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e levar as eleições para o segundo turno. Durante passagem por São Paulo, onde gravou seu programa de TV para o horário eleitoral gratuito, Marina lembrou que não só pessoas ligadas ao PSDB, mas milhares de pessoas tiveram seu sigilo violado, o que, na sua opinião é um desrespeito ao cidadão brasileiro.

“Se isso teve finalidade política, é grave”, criticou. “Se não teve, se é um descontrole, um desmando geral, é gravíssimo e precisa de uma atitude correta por parte de todos os agentes públicos e, principalmente, daqueles que têm a responsabilidade de esclarecer, punir e investigar um fato como esse.”

Questionada se a confirmação de que as pessoas envolvidas na quebra de sigilo são filiadas ao PT não caracteriza a quebra de sigilo com finalidade política, Marina afirmou que o envolvimento de pessoas ligadas a partidos só faz com que aumente a necessidade de investigação do caso. “Sendo ou não fato político é grave, precisa de punição”, disse.

Para a candidata do PV, o assunto não pode ser banalizado pelo seu viés político e não pode ser negligenciado porque representa um desrespeito à sociedade brasileira e às instituições públicas. “Eu acho que uma investigação precisa ser feita e não pode ser apenas pelo interesse conjuntural da eleição, mas pelo respeito institucional do bom funcionamento das instituições públicas, da gestão pública de qualidade”, disse.

Polarização - Marina avaliou ainda que o debate do caso entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, polariza o cenário eleitoral. “Eu diria que esse é o pior dos mundos. Lamentavelmente, as discussões estão indo para um caminho que não é discutir o que interessa ao Brasil e aos brasileiros. É o que interessa para alguém ganhar as eleições, se fazer de vítima, de acordo com as circunstâncias, para ganhar mais simpatia do eleitor.”

Marina afirmou ainda, que prefere que o eleitor faça sua escolha olhando para a trajetória, a visão de mundo e as propostas de cada candidato. “É com isso que eu cheguei aos 10% (de intenção de voto), com uma política séria que quer discutir o Brasil”, declarou.

GOVERNO PETISTA, A MENTIRA COMO MÉTODO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por Flora

A mentira como método e como arma política tão imoral quanto eficaz.

A farsa montada pelo governo para tentar culpar Verônica Serra pela violação do próprio sigilo fiscal tinha um tempo de duração.

Por acaso eles não sabiam que a verdade acabaria aparecendo, que seria possível provar a falsidade da assinatura e até a do reconhecimento de firma? Claro que eles sabiam!É que estamos diante da aplicação de uma das teorias da comunicação, usada com desenvoltura por canalhas: - espalhe a mentira: - insista nela; - faça com que ela pareça ter o mesmo peso da verdade; - transforme tudo numa mera guerra de versões.

Resultado: uma parte da opinião pública desiste do caso no meio do caminho e se conforma com a mentira. Para essa gente, não levar a mentira ao ar seria pior: todos ficariam expostos só à verdade. E a verdade não lhes interessa.

Há estudos a respeito da eficácia desse procedimento — estudos críticos, claro! Os que têm compromisso com a verdade usam esse saber para tentar desvendar as farsas oficiais. Os que não têm o fazem para construir farsas oficiais. Ademais, não lhes digo nenhuma novidade. A máxima atribuída a Goebbels, o ministro da propaganda do nazismo, fala por si: uma mentira repetida muitas vezes vira verdade.

Então não tem sido assim?

Pensem bem: então não tem sido mesmo assim? Não tem sido essa a lógica de comunicação do governo Lula nesses quase oito anos? O expediente empregado para tentar destruir os adversários, convertidos em inimigos, é o mesmo que serve à glorificação de seus feitos.

Mente-se de forma organizada, determinada, obsessiva, sobre o passado. Mente-se de modo não menos organizado, determinado e obsessivo sobre o presente. Mentiras já começam a ser construídas, diga-se, com vistas ao futuro.

Todos vimos o desempenho da presidenciável Dilma Rousseff no Jornal da Globo: - inventou que Lula colaborou para libertar presos políticos cubanos — falso: o Babalorixá colaborou para que ficassem presos, comparando-os a bandidos; - inventou que o governo e o PT sempre consideraram as Farc ligadas ao crime — falso: o PT manteve relações com as Farc; ela mesma empregou a mulher de um narcoterrorista; - inventou que o Brasil ficou 25 anos sem investir, antes do governo Lula — falso: FHC investiu uma porcentagem maior sobre o PIB do que Lula.

É tal o descompromisso com a verdade que se pode mentir até sobe temas aparentemente irrelevantes. Dilma montou uma loja de porcariada importada em fevereiro de 1995 e fechou as portas em setembro do ano seguinte: incompetência como comerciante. Só isso. Segundo ela, quebrou por causa da desvalorização cambial. Que desvalorização? Durante um bom tempo, o real esteva mais forte do que o dólar, um paraíso para importadores.

Quando ela (Dilma) fechou seu empreendimento de vender cacarecos do Panamá, a proporção era 1 por 1—- um dólar igual a um real —, e não três por um, como ela disse. Nesse caso, acho que a ignorância colaborou com a mentira.

Foi mentindo de modo compulsivo que o governo Lula conseguiu criar uma herança maldita que nunca existiu — incluindo o “descontrole da inflação”, estupidez que buscava expropriar FHC e o governo anterior de seu principal ativo, aquilo que realmente alterou a estrutura da economia brasileira e a tirou da rota da estagflação — estagnação com inflação: o Plano Real.

Lula bateu a carteira dos programas sociais do governo FHC, reuniu-os num só e lhes deu novo nome. E proclamou: nunca antes nestepaiz… Lula foi beneficiado pela quase triplicação do preço de commodities brasileiras, origem das reservas que se acumularam — e transformou esse evento num fantástico aumento de exportações, que também não aconteceu.

Lula anunciou uma revolução nas universidades federais, que nunca houve. E usou a máquina oficial, de modo sistemático, durante oito anos — com o apoio de sindicatos e dos movimentos sociais —, para destruir o legado alheio. Um império da mentira! É claro que contou com a ajuda de setores da imprensa. Elio Gaspari, por exemplo, foi um dos que ajudaram a fazer a sua fama entre setores pensantes — ou que pensam que pensam. Este gigante foi o primeiro a proclamar, por exemplo, a superioridade do “modelo Dilma” de concessão de estradas: é aquele que mata cobrando pedágio barato. Mas isso fica para texto específico — sobre Gaspari, não sobre estradas.

Então é tudo mentira? Ou: método! Então é tudo mentira no governo Lula, e a população é imbecil e endossa um governo ruim? É claro que não! Quem deve pensar isso a respeito da população de São Paulo são os petistas.

Eu, por exemplo, nunca escrevi algo assim. O que não aceito é que se recorra à mentira para destruir feitos alheios e inflar os próprios. Não acredito nesse tipo de política. Não acredito no “quanto pior, melhor”, opção que o PT ainda faz em São Paulo, por exemplo, onde nega — e combate — conquistas óbvias na educação, na saúde, na segurança, na infra-estrutura. Em entrevista ao Estadão, Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, afirmou que São Paulo cresce menos do que o Brasil. É mentira! Cresce mais desde 2004.

O que estou lhes dizendo é que a mentira é usada como método, o que caracteriza um descarado cinismo. E a prática, o que é espantoso, passou a ser encarada como coisa corriqueira, normal, própria da política, por amplos setores da imprensa. Volto ao caso Verônica Serra. Vejam a hora em que foram publicados textos no chamado jornalismo Online. Só no fim da tarde se admitiu o óbvio: tudo não passava de uma trapaça.

Durante horas, a mentira espalhada pela Receita ficou no ar, exposta a milhares de leitores — muitos deles se deram por satisfeitos com ela. E governo, Receita e petistas colheram, então, os frutos da mentira.

O que leva um órgão oficial a tornar público um documento que já se sabia falso (ver post sobre reportagem do Estadão)?

O que leva o líder do governo no Senado, como fez Romero Jucá (PMDB-RR), a anunciar que seria apresentada a “prova” de que a própria Verônica havia pedido a quebra do sigilo?

Convicção de que falavam a verdade?

Ah, não! Jucá pode não ser, assim, um bom guia de educação moral e cívica, mas besta ele não é, muito pelo contrário. Ou não teria chegado tão longe — e ele sempre chega longe demais pouco importa quem esteja no governo. A seu modo, é um homem esperto.

Não! Este não é apenas um governo viciado na mentira, que a exerce de modo compulsivo. Também é. Este é um governo que faz da mentira um método: mente-se sobre o passado, mente-se sobre o presente, mente-se sobre o futuro, mente-se sobre a biografia de seus heróis, mente-se até para contar a história da falência de uma lojinha de cacarecos de Dilma Rousseff, candidata a governar os cacarecos morais do Brasil.

ONDE TEM PETISTA TEM ROLO E DOLO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Onde tem rolo tem alguém do PT, diz Alckmin

agestado

O candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, cobrou nesta terça-feira (7) explicações do governo federal sobre as quebras de sigilo fiscal de membros do PSDB e de Verônica Serra, filha do presidenciável tucano José Serra.

“A Constituição brasileira é muito clara que o sigilo só pode ser quebrado com autorização judicial”, disse Alckmin, após fazer corpo a corpo no Mercado Municipal da Penha, na zona leste de São Paulo. “Não é uma coisa corriqueira, não é de menor significado. É grave e nesse sentido o governo federal deve explicações.”

Para o tucano, a ligação de funcionários da Receita filiados ao PT com as quebras de sigilo é “estranha”. “Onde você vai verificando você encontra alguém do PT. Na política, infelizmente o que a gente está vendo é que onde tem rolo tem alguém do PT. É preciso apurar isso com seriedade”, afirmou.

SERRA ENTREGA A DEUS

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Serra diz que caso de sigilos agora é assunto do partido

Por Hugo Bachega, Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, deixou de lado os constantes ataques à sua adversária petista, Dilma Rousseff, pela quebra de sigilos fiscais de seus aliados e declarou que o assunto passará a ser comentado pelo seu partido.

“Eu hoje vou me permitir não falar mais sobre esse assunto. Eu tenho falado todos os dias há mais de uma semana”, disse Serra a jornalistas após visitar a Expo Cristã, em São Paulo. “Eu vou deixar agora para que o presidente do meu partido possa falar a respeito.”

A nova postura de Serra contrasta com os ataques do tucano ao governo federal e à Dilma, na semana passada. Após a confirmação da quebra de sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, o tucano cobrou explicações da candidata e responsabilizou a campanha da petista pelo vazamento das informações.

No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou a materialização do sigilo e insinuou que a campanha tucana “mente descaradamente”. Desde então, Serra tem limitado seus comentários sobre o assunto que, inclusive, não foi mencionado em seu horário eleitoral na televisão nesta terça-feira, após ter sido o tema central de sua campanha na semana passada.

“A gente volta numa outra hora (a) esse tema que com certeza é importante porque trata-se de um crime contra a Constituição e da utilização do governo para fins de natureza político-partidária e eleitoral”, disse o candidato.

A visita ao evento cristão foi a deixa para Serra mencionar a questão religiosa na campanha.

“Eu não sou cristão de boca-de-urna para agradar eleitor, conquistar voto e no dia seguinte esquecer o assunto”, alfinetou.

Na saída, acompanhou uma banda cristã e, no microfone, cantou: “Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo se a gente colocar a fé em Deus”.

QUEBRA DE SIGILO DEIXA DILMA EM APUROS

terça-feira, 7 de setembro de 2010

PT sofre uma agonia a cada dia com episódio da quebra de sigilo

Por Natuza Nery,Reuters

BRASÍLIA (Reuters) - O 7 de Setembro marca exatamente o início da reta final desta eleição e a data cabalística chega para os petistas com um sabor bem menos doce do que se supunha uma semana atrás.

O caso da quebra de sigilo de tucanos e da filha do opositor José Serra jogou a candidata governista, Dilma Rousseff, num canto do ringue levando golpes fortes de direita. O PT nega envolvimento da campanha no caso.

As pesquisas internas do partido já capturam oscilação para baixo da ex-ministra, e uma fonte do núcleo central da campanha diz que essa oscilação teria sido de 1 ponto percentual. Segundo a fonte, os dados de segunda-feira mostravam a candidata com 51 por cento e Serra com 23 por cento. Sondagens do tucanato, no entanto, trazem a petista no mesmo patamar há vários dias, em torno de 44 por cento.

Os últimos levantamentos oficiais, aqueles que são registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dão conta de uma manutenção do cenário. No mais recente Ibope, ela manteve-se com 51 por cento e Serra com 27 por cento. O Datafolha de 4 de setembro mostrou os dois com 50 por cento e 28 por cento, respectivamente.

Com o episódio ocupando o noticiário e comendo muitos minutos diários dos principais telejornais do país, o posicionamento atual pode significar duas coisas: consolidação do favoritismo da petista ou início de uma queda para além da margem de erro.

O episódio do sigilo funcionou como bóia para o PSDB, cuja missão urgente é levar a disputa ao segundo turno. Parecia muito difícil até pouco tempo. Agora já alimenta esperanças no time de Serra.

“BALA PERDIDA”?

“Eleitoralmente, nós estamos cansados de saber que isso não dá resultado nenhum”, afirmou Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista a jornalistas ao final do desfile da Independência em Brasília, no início desta tarde.

“Isso pode ser uma bala perdida em uma guerra entre eles mesmos (tucanos).”

Bala perdida ou não, o que a oposição busca é uma bala de prata para inverter a lógica de um jogo com mais de 20 pontos de diferença entre os dois principais jogadores.

Até o momento, foram descobertas duas pessoas envolvidas no caso da quebra de sigilo com filiação atual ou pregressa ao PT. Uma das servidoras da Receita Federal suspeita de participação neste suposto esquema em Mauá integra os quadros do PMDB de São Paulo, segundo o Tribunal Regional Eleitoral. O PMDB nacional é aliado a Dilma e em São Paulo, a Serra.

Um furto num comitê petista na mesma cidade trouxe mais mistério ao episódio. A oposição afirma que invasão do prédio objetivou queima de arquivo.

A cada dia um naco novo de informação, normalmente divulgada na imprensa, aquece o caso e deixa a campanha de Dilma em condição de constante defensiva, embora não tenha sido encontrada nenhuma prova cabal.

No programa eleitoral da petista, as denúncias passam em branco, ao contrário do que tem feito a campanha tucana. Nas ruas, no entanto, o presidente Lula vem sendo a voz mais forte em defesa de Dilma com ataques enfáticos ao adversário.

“Nós temos um adversário que o bicho anda com uma raiva de eu não sei o quê”, disse Lula durante um comício pró-Dilma em Guarulhos no sábado, no qual ela não estava presente. “Ninguém precisa tentar transformar a família em vítima. Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê? Cadê o vazamento das informações?”, disparou.

Dilma, no entanto, quando interpelada classifica como “calúnia” as acusações e diz confiar na capacidade do eleitor, crítico e inteligente.

A mesma linha segue o chefe de gabinete do presidente. “Eu não acredito, sinceramente, que o povo brasileiro vai cair nessa armadilha.”

Ele conta que o núcleo dilmista e o governo estão “muito tranquilos”. Nos bastidores, porém, o que se percebe é apreensão. Dilma não é Lula, e ninguém sabe como ela reagirá nas pesquisas de opinião até 3 de outubro.

A candidata tem mostrado calma a aliados e argumenta que já esperava o comportamento da mídia. O PT acha que jornais e televisão fazem isso para perseguir a presidenciável.

O 7 de Setembro, considerado por marqueteiros e versados em eleição nacional como data em que o cenário já está relativamente definido, encontrou abrigo na metáfora do copo “meio cheio-meio vazio”. Falta menos de um mês para saber qual das duas opções prevalece.

*Com reportagem adicional de Bruno Peres

DE GRATUITO NÃO TEM NADA

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Programa Eleitoral Gratuito custa aos contribuintes a bagatela de R$ 851 milhões

Por Ale Rocha

De repente, o “TV Fama” extrapolou a RedeTV! e tomou de assalto todas as emissoras abertas com seu mau gosto e desfile de subcelebridades sem nada a dizer. A atração atende pelo nome de horário eleitoral gratuito.

Ex-jogadores de futebol, mulheres frutas, ex-BBBs, cantores sertanejos e humoristas são uma forma de elevar o quociente eleitoral e, assim, ampliar a presença de um partido nas bancadas federais e estaduais. Pela lei eleitoral, um candidato com alto índice de votos pode eleger outros não tão populares assim.

Frank Aguiar, Leci Brandão, Tiririca, Agnaldo Timóteo, Popó, os irmãos Kiko e Leandro do KLB, Vampeta, Ronaldo Ésper, Elimar Santos, Batoré, Mulher Melão, Mulher Pêra e tantos outros caem de paraquedas nas eleições e conseguem esvaziar ainda mais o propósito do horário eleitoral gratuito.

Como programa de televisão, são duas horas e dez minutos diários desperdiçados. A falta de conscientização do eleitor não se dá apenas por culpa do verniz do marketing político, que esconde as verdadeiras intenções e propostas dos candidatos e entrega apenas aquilo que os cidadãos desejam ver e ouvir.

O horário eleitoral gratuito não democratiza a informação, pois ela não existe. Quem em sã consciência escolhe um parlamentar a partir de discursos com segundos de duração? Diante da falta de conteúdo, a estratégia é apelar para o bizarro e o nonsense.

Não há nada de engraçado em ouvir o Tiririca afirmar que não sabe o que é ser um deputado federal, mas mesmo assim pedir seu voto, pois “pior que está não vai ficar”. Lamentável observar quem pega carona em famosos realmente célebres. Jingles de campanha assassinam clássicos como “Beat It”, de Michael Jackson, e “I Want to Break Free”, do Queen. Ninguém respeita ninguém.

Se antes de eleitos os candidatos preferem se expor a situações ridículas em vez de apresentar propostas concretas, imagine só como será o comportamento quando assumirem uma vaga no Legislativo.

Na era das celebridades instantâneas, tenho a sensação de que vale tudo para estar na televisão. Até mesmo fazer pouco caso da política e de um cargo público. A campanha eleitoral se aproxima cada vez mais dos reality shows. No caso do horário eleitoral gratuito, pouco importam os escassos segundos, já que ninguém parece ter algo relevante a dizer. O importante é aparecer em horário nobre em todas as emissoras abertas.

Aliás, vale ressaltar que de gratuito o horário eleitoral não tem nada. Nós pagamos a conta. O espaço em horário nobre é financiado pelos contribuintes. O governo pega os impostos que você paga e reembolsa as emissoras de rádio e televisão pela veiculação dos programas dos candidatos.

Segundo a revista “Istoé Dinheiro”, o subsídio será de R$ 851 milhões em 2010. É uma cifra quatro vezes maior do que em 2006 (R$ 190 milhões) e seis vezes mais do que em 2002 (R$ 121 milhões). Esses recursos são abatidos do Imposto de Renda a pagar das empresas de comunicação.

Enquanto isso, o governo federal investe apenas R$ 268 milhões em prevenção e repressão a criminalidade e R$ 621 milhões em alfabetização para jovens e adultos.

Em um reality show, você digita alguns números no telefone e paga o mico e o prêmio do Marcelo Dourado, do Kleber Bam Bam, do Dado Dolabella ou da Karina Bacchi. Na urna eletrônica, se não pensar, você aperta os botões e paga o pato pelos próximos quatro anos.

MEMÓRIA CURTA BENEFICIA CORRUPTOS

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Prefeito de Dourados lamenta memória curta de eleitores

Por João Naves de Oliveira, estadao.com.br

O prefeito interino de Dourados, no Mato Grosso do Sul, juiz Eduardo Machado Rocha, afirmou hoje (07) que o município estava sendo governado por um ‘bando de aloprados’. Em seguida lamentou: ‘Pena que essas mesmas pessoas que foram presas pela Polícia Federal voltarão pedindo votos e receberão os votos. O povo tem memória curta’.

A afirmação foi em decorrência do esquema de corrupção que funcionava na Câmara e Prefeitura Municipal de Dourados, envolvendo 11 dos 12 vereadores locais, o prefeito, o vice-prefeito, a primeira dama e cinco secretários municipais. Também funcionários do terceiro escalão e empresários estão envolvidos, num total de quase 70 pessoas, das quais 28 foram presas.

O magistrado abriu pela manhã o desfile militar de 7 de setembro, e assistiu a manifestação ‘Grito dos Excluídos’, pedindo a cassação de todos os envolvidos no episódio. O prefeito interino informou também que a partir de amanhã dará inicio aos levantamentos sobre os prejuízos financeiros causados pelos acusados aos cofres da prefeitura.

Um levantamento preliminar, baseado apenas nas denúncias de que cada um dos 11 vereadores envolvidos no esquema recebia em média R$ 170 mil por mês e o prefeito R$ 500 mil, o ‘rombo’ poderá ultrapassar R$ 300 milhões. O calculo é de técnicos da prefeitura que consideraram as fraudes ocorridas nos últimos 12 meses.

O prefeito interino garante que cobrará das empreiteiras que foram contratadas pela prefeitura, por força de licitações fraudulentas, ‘os devidos prejuízos’. Rocha adiantou também que até a decisão final manterá intactos todos os documentos relacionados aos gastos ocorridos nesse período.

Ele pediu a substituição das fechaduras de todas as portas do prédio da prefeitura e o Ministério Público lacrou as portas dos departamentos onde existam prováveis provas contra os acusados.

A DESMORALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Governo não entregará cabeça de Cartaxo, diz Gilberto Carvalho

O estadao.com.br

O governo não entrega a cabeça do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, e a oposição está fazendo das violações de sigilo fiscal dos tucanos uma ‘artimanha’ eleitoral. O resumo do momento político visto pelo Planalto é do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, e foi feito ao final do desfile militar do Sete de Setembro, na manhã desta terça-feira.

‘Por falta de mote, a campanha do nosso adversário se agarra desesperadamente a isso como se fosse uma bala de prata para virar o jogo’, afirmou. ‘Mas pode vir a ser uma bala perdida de uma guerra entre eles mesmos’, disse Carvalho, sugerindo que a campanha tucana pode ser alvo de fogo amigo.

O chefe de gabinete afirmou que o governo ‘não vai entregar a cabeça’ do secretário da Receita por causa das denúncias de quebra de sigilo. Mas ele disse que os petistas envolvidos, mesmo que suas filiações sejam ‘tênues’, serão expulsos, se as investigações comprovarem que cometeram crime. ‘É evidente que vão ter de ser expulsos do partido’, afirmou. ‘Não nos interessa ter em nossas fileiras pessoas que pratiquem esse tipo de ato’.

Ele avaliou que a oposição e a imprensa estão criando fatos e aproveitando a época das eleições. A estratégia não vai vingar porque, disse, ‘as pessoas têm juízo’ e o povo brasileiro ‘não vai cair nessa armadilha’. Ele admitiu, porém, que a descoberta de um esquema sistemático de violações de sigilo fiscal incomoda o governo e o sistema precisa ser aperfeiçoado. ‘É claro que é constrangedor para nós, quando o governo é guardião do sigilo’.

Único membro do governo a falar sobre o assunto nesta terça-feira, Carvalho afirmou que para o presidente Lula o caso está entregue à Polícia Federal e só cabe agora aguardar o resultado das investigações para punir responsáveis e corrigir as falhas detectadas na proteção ao sigilo fiscal dos cidadãos. Ele disse que a direção do PT e o comitê da candidata governista nada têm a ver com a violação de sigilo por membros do partido. ‘Um deles nem lembrava que era filiado. Transformá-lo em petista seria querer contaminar todo o partido, é no mínimo má vontade, má-fé’.

Pré-campanha. Investigações da Receita e da Polícia Federal comprovaram que desde abril de 2009, dados fiscais de membros do PSDB foram sistematicamente acessados e violados sem motivação legal. Entre as vítimas estão o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e Verônica Serra, filha do candidato presidencial tucano José Serra. Os dados acabaram em poder do núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma, que era liderado pelo jornalista Luiz Lanzetta, de onde vazaram para a imprensa.

Para Carvalho, nunca passou pela cabeça da direção da campanha mandar produzir dossiê contra adversários. ‘Jamais se pensou em usar esse tipo de instrumento em campanha, quando temos um governo para mostrar e propostas muito claras para continuar mudando o Brasil’. Para ele, não há nenhuma prova até agora que incrimine qualquer pessoa da direção da campanha. ‘Quando Lanzetta foi afastado ainda era pré-campanha’, explicou. ‘A campanha, uma vez formada, nunca tomou conhecimento desse tipo de instrumento, o qual refutamos’.

Ele lamentou que a campanha eleitoral deixe de debater propostas para se fixar nesse tema, que a seu ver só interessa ‘a quem está por baixo’. ‘O adversário, no desespero, achou que essa era a única arma para tentar mudar o quadro’, explicou. ‘Mas nós temos confiança que não será alterado, pelo menos não com esse tipo de artimanha’.

GUIA ELEITORAL: SERRA X DILMA

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Serra dá trégua a sigilo na TV, mas diz que Dilma engana eleitor

Por Vladimir Goitia, Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - Após intensos ataques à adversária petista na TV por quebra de sigilos fiscais, o presidenciável José Serra (PSDB) deu trégua a essas acusações na terça-feira e disse que o eleitor está sendo “enganado” pela propaganda de Dilma Rousseff.

O programa de TV de Serra acusou a campanha da líder nas pesquisas de intenção de voto de mentir e enganar o eleitor.

“Fazer campanha eleitoral com fatos reais é dever dos candidatos em respeito com o eleitor. Infelizmente, não é sempre isso que acontece”, disse o locutor do programa eleitoral de TV da coligação de Serra.

Com imagens de uma creche em Brasília, o apresentador acusa Dilma de ter estado lá e feito promessas que nunca foram cumpridas. “Só que a creche nunca recebeu nada. Nenhum tostão do governo federal”, disse o programa.

Momento depois, também mostrando imagens de um hospital na Bahia, o programa do PSDB volta a acusar Dilma de confundir o eleitor. “O hospital que ela mostrou na TV, para dizer como a saúde está boa, quase não funciona. Poucos leitos recebem doentes… os centros cirúrgicos não estão prontos. Faltam equipamentos, e até médicos”, disse o narrador.

Para os tucanos, mais uma vez o eleitor foi enganado. “Outra mentira do programa da Dilma para enganar o eleitor: estas imagens foram gravadas na biblioteca da Universidade de Brasília… só que a biblioteca está fechada há seis meses”, acrescentou o apresentador, sempre mostrando imagens do programa do PT nas quais aparece Dilma.

A coligação de Serra acusa o PT e a candidata Dilma Rousseff de serem responsáveis pela quebra dos sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB, entre elas a filha do presidenciável, Verônica Serra.

O programa de Serra voltou a exaltar os 40 anos de experiência na vida pública do tucano e as realizações como ministro de Planejamento e Saúde, no governo Fernando Henrique Cardoso, como prefeito de São Paulo e como governador do maior Estado do país.

Voltou ainda mostrar que o tucano tem experiência para governar o Brasil, além de apresentar propostas e promessas, caso eleito, em educação, saúde, segurança, infraestrutura e transporte.

Já o programa de Dilma repetiu a apresentação feita no sábado à noite, com imagens da cracolândia no centro de São Paulo. Segundo o programa, o problema existe há anos e nem prefeitura nem governo de São Paulo conseguiram encontrar, até hoje, uma solução.

Os tucanos governam o Estado há 16 anos, e Serra foi governador entre 2007 e março deste ano. O atual prefeito paulista, Gilberto Kassab (DEM), é aliado do PSDB.

No programa, Dilma disse que para combater esse problema é preciso articular, cada vez mais, programas de segurança, na repressão e na prevenção. Ela prometeu aumentar investimentos no tratamento e na recuperação dos dependentes de drogas e no fortalecimento da Polícia Federal.

PT AMEAÇA LIBERDADES CONSTITUCIONAIS

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Cesar Maia critica quebra de sigilo fiscal

Por Luciana Nunes Leal, estadao.com.br

No comentário diário que divulga na internet, o candidato ao Senado e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) abordou a quebra do sigilo fiscal de milhares de contribuintes, entre os quais pessoas ligadas ao tucano José Serra. Maia aproveitou o Dia da Independência para alertar que ‘as liberdades constitucionais, democráticas, individuais estão seriamente comprometidas’.

Ao citar o envolvimento de pessoas filiadas ao PT no episódio, Maia afirmou: ‘Objetivo político, provavelmente sim. Mas é muito mais grave que isso. A questão é informar a cada cidadão e às empresas que nenhuma delas está blindada contra a intervenção do Estado.’

O ex-prefeito acrescentou que ‘foram militantes, dirigentes do PT que fizeram isso. Eles foram espertos. Não fizeram em São Paulo, não fizeram no Rio. Fizeram em cidades mais do interior.’

VERDE POR FORA, VERMELHA POR DENTRO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sem palanque no Acre, Marina pede voto para petistas

D´O estadao.com.br

RIO BRANCO - Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto no Acre, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, corre o risco de perder a eleição em sua terra natal para o PT de Dilma Rousseff.

Num Estado dominado há 12 anos pelos petistas Jorge e Tião Viana, candidatos ao Senado e ao governo estadual, respectivamente, Marina optou por ficar sem palanque na região para manter uma coligação que existe há duas décadas. Embora seus antigos companheiros de PT se utilizem da enorme estrutura de campanha para pedir votos exclusivamente em Dilma, Marina passou três dias no Acre - sábado, domingo e segunda-feira - pedindo votos para Jorge, Tião e Edvaldo Magalhães (PCdoB), segundo candidato da coligação ao Senado.

‘Eu me sinto coerente porque estou fazendo o que sempre fiz: dando continuidade ao nosso projeto, ainda que não seja perfeito’, argumentou a candidata nas vezes em que foi perguntada neste fim de semana sobre a situação inusitada no Acre, em que uma candidatura local tem o apoio de duas presidenciáveis, mas em troca só se esforça pela candidatura petista. ‘Eles estão no papel deles’, resigna-se.

PT e PV estão unidos no Acre há 20 anos através da coligação chamada Frente Popular, que também reúne outros partidos. A coligação derrotou há 12 anos o governo peemedebista local e se consolidou no poder com a administração de Jorge Viana. Com grande aprovação popular, o PT deve continuar governando o Acre, já que Tião lidera as pesquisas e pode vencer no primeiro turno.

Ao deixar o PT, em 2008, Marina pediu que o PV do Acre se mantivesse na coligação. ‘Verde, vermelho ou azul, essa é nossa terra e a gente precisa aprender a conviver, mesmo na diferença’, disse, numa das inaugurações de comitês domiciliares em Rio Branco.

Na sexta-feira, véspera da sua chegada ao Acre, o programa da Frente Popular no horário eleitoral citou a vinda da candidata ao Estado. Nos poucos segundos do espaço dedicado ao PV, o suplente de Edvaldo, Júlio Pereira (presidente de honra do PV no Estado), anunciou a visita da presidenciável. Os demais candidatos da coligação não mencionaram Marina. Ainda assim, Marina gravou ontem (6), na mesma produtora do PT, mensagem para a propaganda eleitoral de Edvaldo e Jorge, pedindo votos para os dois.

Estrutura mínima

Com poucos recursos para levar a campanha ao interior e assim competir com os milhares de cartazes espalhados pelas cidades com fotos dos petistas ao lado de Dilma Rousseff e Lula, a campanha de Marina não consegue mostrar a sua cara no Estado e, por isso, a coordenação aposta nos efeitos da visita da candidata ao Acre. Hoje, Marina tem 19% das intenções de voto, Dilma cresceu e aparece com 32% e José Serra (PSDB) com 34%, segundo pesquisa mais recente do Ibope.

Em Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Estado, isolado no meio da Floresta Amazônica e localizado a mais de 600 quilômetros de distância da capital, Marina passou a tarde de sábado em eventos discretos. Do aeroporto seguiu para a inauguração de um comitê domiciliar, deu entrevista para uma rádio local e lançou sua biografia num centro cultural onde participaram menos de 100 pessoas. Sem carro de som, sem militantes com bandeiras nas ruas ou cartazes espalhados na cidade do Vale do Juruá anunciando sua presença, a passagem da ilustre acreana foi quase despercebida.

Já em Rio Branco a candidata teve momentos de maior contato com seus conterrâneos: na comemoração do Dia da Amazônia ao lado do Parque Chico Mendes - evento que chegou a ser ameaçado porque a administração do parque não queria permitir o ato, mesmo fora do parque -, no lançamento de sua biografia (onde contou com a presença maciça de amigos e parentes e de toda imprensa local) e na caminhada pela região de comércio popular no centro. ‘Em vários lugares aqui tem a minha marca. As pessoas me conhecem. Não será por falta de informação que deixarão de votar em Marina’, disse, em entrevista a uma TV local, ao ser questionada sobre seu terceiro lugar nas pesquisas no Estado.

A candidata verde não reclama do domínio petista no Estado, já que essa consolidação se deu com sua própria ajuda. Ela acredita que pode vencer as eleições em Rio Branco, mas admite que a falta de recursos compromete a campanha no interior do Estado, onde é preciso esclarecer o eleitor de que Marina não pertence mais ao PT, embora continue pedindo votos para os petistas locais. ‘Pela primeira vez os eleitores têm de separar PT e Marina. Eles ainda acham que a Marina é um corpo único do PT’, avaliou Tião Viana durante o lançamento do livro sobre Marina, na noite de domingo.

Jorge Viana nega que a coligação boicote a antiga companheira e alega que o problema do PV se deve ao espaço limitado em nível nacional. ‘O PV tem só um minuto de TV e pouco espaço no País todo’, argumenta. O ex-governador admite que o PV é um colaborador leal na campanha no Acre. ‘Marina foi muito bacana com a gente.’

Na tese de Marina de que política pode ser feita com debate e não com embate, o mais importante na questão peculiar do Acre, onde poderia ganhar facilmente de Serra ou Dilma, é manter sua coerência, sem transformar os antigos aliados em inimigos, mesmo que isso seja incompreensível para o eleitor. ‘Não vou me transformar naquilo que combato’, costuma dizer. ‘Política pode ser feita com respeito e decência.’

POLÍTICOS IGNORAM ESTUPRO FISCAL

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Candidatos não comentam quebra de sigilo na TV

Por EQUIPE AE, estadao.com.br

Em dia de Feriado da Independência, os partidos deixaram de lado o episódio da quebra de sigilo e vazamento de dados da Receita Federal. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, utilizou praticamente todo seu tempo do horário eleitoral gratuito exibido na tarde de hoje (7) para destacar a gravidade do problema do crack no País e propor soluções. Já José Serra, do PSDB, aproveitou a data cívica para dar um tom positivo ao programa tucano, citando o ’sonho da independência’ e dizendo que ‘as cores da pátria amada são as cores de Serra’.

Entre as propostas contra o crack, Dilma incluiu o reforço das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e a ampliação para o País da experiência do Rio de Janeiro com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que ajudou ‘a mudar o dia-a-dia em muitos morros cariocas’. O programa petista apresentou depoimento de moradores e lembrou que as UPPs já foram instaladas em 12 comunidades cariocas.

Canoas, na Grande Porto Alegre, foi mostrada como exemplo de boa atuação do Pronasci, programa criado em 2007 e que hoje atua em 174 municípios do País. De acordo com a propaganda petista, a taxa de homicídios na cidade caiu 25% após a adoção do programa. Dilma prometeu que, se for eleita, vai ampliar o Bolsa Formação de Policiais, fortalecer a Polícia Federal e reforçar o policiamento nas fronteiras.

Serra afirmou que a luta pela independência do País serviu para que hoje se possa ‘garantir a todos os brasileiros que construam sua vida’. A inserção tucana lembrou a atuação de Serra como ministro do Planejamento (quando contribuiu para obras nos setores de energia, habitação, transporte e emprego), ministro da Saúde (criação dos medicamentos genéricos), prefeito de São Paulo (Bilhete Único) e governador paulista (expansão do metrô, entrega de 60 mil moradias populares, ampliação de escolas técnicas e saneamento nas cidades do litoral). ‘Um governante testado nas urnas e aprovado pelo povo’, enfatizou a locutor.

As críticas a Dilma foram reservadas ao fim do programa. Para mostrar que ‘Dilma tenta enganar o eleitor’, foram apresentadas imagens de prédios públicos visitados pela campanha da petista que não estariam prestando bons serviços - um hospital na Bahia que não teria médicos e uma biblioteca em Brasília que estaria fechada há seis meses.

O programa de Marina Silva, do PV, ensinou ao eleitor como montar um comitê domiciliar, a chamada Casa de Marina, por meio das instruções do site de campanha e pediu doações pela internet. ‘Vamos mudar o jeito de fazer política no Brasil’, disse a candidata.

Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, também aproveitou o feriado para lembrar os ideais de um país independente. ‘Independência é quando o povo manda’, decretou. Rui Costa Pimenta, do PCO, afirmou que a Petrobras é um ’símbolo brasileiro contra a espoliação estrangeira’. Zé Maria, do PSTU, disse que os bancos estrangeiros e nacionais controlam o País e defendeu ‘uma segunda independência’, com a estatização das multinacionais.

Eymael, do PSDC, prestou homenagem aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Levy Fidelix, PRTB, afirmou que ‘os três ou quatro’ candidatos que ‘pesquisas fajutas’ colocam à frente na disputa eleitoral não vão mudar a vida do povo. Ivan Pinheiro, do PCB, elogiou Cuba por seus ‘índices de qualidade de vida’.

PRESIDENTE LULA DEBOCHA DE ADVERSÁRIOS

terça-feira, 7 de setembro de 2010

”Lula fez deboche da quebra de sigilo”, afirma José Serra

Por Daniel Bramatti e Flávia Tavares, estadao.com.br

Em sabatina promovida pelo Estado, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem que o PT convive mal com a democracia, ao avaliar o episódio da quebra do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra.

Para o tucano, a Receita Federal tem participado de uma ‘operação-abafa’ para atrapalhar a elucidação do caso. Serra afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ‘deboche’ sobre a questão.

Participaram da sabatina João Bosco Rabello, diretor da sucursal do Estado em Brasília, as repórteres Julia Duailibi e Patrícia Campos Mello e o mediador Roberto Godoy. A seguir, os principais trechos:

Violação de sigilo
Não acho que o principal aspecto dessa questão seja eleitoral, ao contrário do que muitos setores da imprensa têm considerado. É de outra natureza, tem a ver com a democracia, com os direitos individuais. Tem a ver com o estilo e as características de atuação do PT, que é um partido que convive com a democracia, mas não convive bem, convive com desconforto. Porque, no fundo da alma e às vezes até na superfície, os petistas não são democratas.

Ação do governo

A Receita tem feito uma operação-abafa. Eles sabiam que a procuração que havia servido para retirar os dados sigilosos da minha filha era falsa. Ganharam um tempo antes de admitir isso. Na verdade, eles têm procurado desde o começo atrapalhar a elucidação do que estava acontecendo. A Receita, de certa maneira, termina sendo cúmplice disso que o Everardo Maciel chama de sindicalização de um órgão de Estado que, na sua essência, deve estar acima de governos e de partidos.

Conversa com Lula

Estive com o presidente Lula em janeiro. Eu disse a ele que estava preocupado com ataques sistemáticos a minha filha, inclusive no blog Amigos do Lula e no blog da Dilma, que eram semioficiais. Tinha carta do Lula parabenizando o blog pelo aniversário. É um blog sujo, como outros que são pagos diretamente pelo governo federal. Eu disse que havia dados que pareciam até sigilosos. Eu não tinha certeza. Ele disse: ‘Eu vou ver’. Eu nem reclamei nem pedi nada. Foi uma conversa bastante amistosa.

Lula e Dilma

O presidente Lula fez deboche de uma questão (violação de sigilo) bastante séria. De fato, a Dilma vive à sombra do Lula. Já vi candidatos criados por detentores do poder. O caso mais famoso é o do Maluf e do Pitta. Este caso da Dilma é até original, porque ela nem sequer debate os temas da campanha. Quem debate por ela parece ser o Lula e o presidente do partido. Não conheço episódio de ocultamento do candidato como esse. Até junto ao Superior Tribunal Militar houve gestões para não divulgar trechos do processo que ela sofreu. Aspectos da biografia estão trancados em um cofre. Essa, aliás, é uma especialidade do PT, que quer abrir o cofre constitucional dos outros e não quer abrir o cofre biográfico de seus integrantes.

Ação contra Dilma no TSE

Os petistas foram eficientes em criar uma pauta com a imprensa que os ajuda. Os jornalistas vivem falando da pauta deles. Você pega jornal e lê a pauta petista consagrada lá. Pouca gente se deu ao trabalho de analisar o que foi colocado no TSE. O PSDB pediu para que o assunto fosse investigado. Não pediu cassação de ninguém.

Diferenças entre Serra e Dilma

Eu represento a certeza, no sentido de que sou conhecido, todos sabem o que eu penso, minha vida pública é pública de verdade. A Dilma é a dúvida em tudo. A escolha vai se dar entre algo conhecido, testado, e um envelope fechado.

Boatos
Com qualquer coisa que eu diga eles fazem campanha por e-mail para apavorar todo mundo. O boato mais sofisticado que espalharam é o de que eu vou acabar com os concursos. É organizado, tem uma central para isso. Eu tenho uma central anti-boatos. Imagine se eu espalhasse que ela disse na revista Exame, e ela disse mesmo, que iria alongar a idade dos aposentados. O PSDB, os tucanos são ineptos para espalhar fofocas, para fazer guerra subterrânea. E o petista nasce com isso no DNA. Não sei se ele aprende porque entra no PT ou se ele entra no PT porque é assim.

Propaganda eleitoral
As críticas à campanha eleitoral são a coisa mais normal, ainda mais quando se está atrás nas pesquisas. Todo mundo tem uma opinião, depende também do programa que você viu. Dentro daquilo que você conhece num determinado momento, o programa é bom. Se você soubesse que ia ter essas coisas de sigilo, a gravidade que isso teria, já começaria a preparar uma semana antes. Além disso, são as minhas possibilidades, porque, afinal, é a minha cara que está lá, é a minha fala. Não faço falas forçadas, parte das vezes eu mesmo escrevo. Sobre a favela cenográfica, isso é truque de petista, porque fantasia maior do que o programa do PT eu não conheço. Tem uma proibição de ter externas nos comerciais, foi só por causa disso que fizemos a favela cenográfica.

Aliados nos Estados
Há uma escassez de material de campanha, realmente. Foi feita uma programação aquém da expectativa das pessoas, não sabíamos o tamanho dessa expectativa. No Brasil, é difícil fazer o material chegar a cidades como Manaus, Belém. Do lado adversário, calculo que na história do Brasil nunca se gastou um quarto do que eles estão gastando no plano nacional. É a campanha mais rica e abundante da história do Brasil. Nossa campanha é normal. Não é indigente, mas é normal. Agora, nos Estados, a questão é a seguinte: todo mundo que se candidata quer ganhar e cada um tem sua estratégia.

Continuidade

A partir do dia 1º de janeiro, o Lula não estará lá. Essa história de o Lula continuar governando de fora não existe. Os exemplos são mais pelo contrário: Quércia e Fleury, Maluf e Pitta, João Paulo e o que o sucedeu no Recife. A Ana Julia Carepa, que o Lula ofereceu o pescoço para eleger, é uma pré-Dilma. Veja que o Lula tem um faro especial para a escolha de mulheres para a eleição. As questões econômicas do Brasil para o futuro são essenciais. Quem saberá resolvê-las? A saúde, a segurança e a educação ficaram para trás. O Brasil tem que pensar nisso.

DILMA NA LUTA ARMADA

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Já se tornaram proverbiais a amizade política e a conivência ideológica do mentor-mór da candidatura de Dilma Rousseff, o Presidente Lula, com Hugo Chávez e seu processo socialista “bolivariano”; Lula considera um “excesso de democracia” as prisões arbitrárias, as perseguições políticas, o cerceamento violento de órgãos da imprensa, etc.

Os laços de inequívoca amizade e companheirismo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad, o líder do regime islamo-fascista do Irã, têm despertado em relação ao Presidente explicáveis desconfianças e fundadas críticas, no Brasil e no Exterior.

Jackson Diehl, jornalista do Washington Post, em artigo intitulado “Lula desprezado pelo Irã”, escreveu no seu blog:”O melhor amigo de tiranos no mundo democrático - o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes. No caso o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o financiador do terrorismo e negador do Holocausto, que Lula literalmente abraçou”.

Ex-guerrilheira e candidata
Diehl, após discorrer sobre a política externa do governo, encerra seu artigo apontando para a disputa eleitoral brasileira: “O mandato de Lula está chegando ao fim; ele faz uma dura campanha a favor de sua escolhida Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira marxista que com ele compartilha afeição por ditadores anti-americanos”.
O articulista coloca o dedo na ferida! Lula - “o melhor amigo de tiranos” - tenta eleger uma ex-guerrilheira marxista, cúmplice ideológica de ditadores.

O quadro é objetivo e grave. Entretanto, parece estar quase completamente ausente da disputa eleitoral, o que não deixa de causar estranheza.

Época rompe o silêncio

A revista Época prestou, nesse sentido, um bom serviço ao esclarecimento do quadro eleitoral, ao estampar em suas páginas uma reportagem dedicada ao passado que a candidata do PT e de Lula não gosta de mencionar: sua participação em organizações da luta armada.

Algumas vozes exaltadas quiseram ver nessas revelações uma falta de imparcialidade, um jogo baixo ou um ataque à candidata. Não há, a meu ver, qualquer fundamento em tais assertivas.

Essa gritaria, como costuma acontecer, é apaixonada, mas não apresenta razões, nem argumentos. Os fatos revelados pela revista Época não são eventos da vida privada de Dilma Rousseff. São atos da vida pública da candidata, quando na juventude decidiu, atendendo a suas convicções marxistas, empreender uma atuação política para modificar os destinos do País e impor-lhe um regime comunista, atuando em organizações que pregavam e executavam a luta armada.

Como bem precisou há dias o insuspeito Fernando Gabeira, durante a sabatina da Folha/UOL, era a “ditadura do proletariado” e não a democracia a meta desses grupos.

Opções e práticas apenas do passado?

Tais opções e práticas políticas precisam ser minuciosamente conhecidas pelos brasileiros, a fim de que estes possam avaliar, com plena consciência, Dilma Rousseff, uma figura pública que, neste momento, disputa a suprema Chefia da Nação. Inclusive para que tenham capacidade de discernirem que medida tais opções e práticas políticas são ou não apenas coisas do passado.

Num acesso, ao qual não se pode negar considerável dose de populismo, Dilma Rousseff afirmou querer ser a “mãe dos brasileiros”. Ora, os brasileiros têm o direito de não apenas conhecer a candidata à Presidência da República, mas a “mãe” que lhe querem impingir.

Dilma ou Estela, Wanda, Marina…

Convido, pois, os leitores do Radar da Mídia a percorrerem alguns trechos da extensa reportagem da revista Época, intitulada: “Dilma na luta armada”, assinada por Leandro Loyola, Eumano Silva e Leonel Rocha:

“Em outubro de 1968, o Serviço Nacional de Informações (SNI) produziu um documento de 140 páginas sobre o estado da “guerra revolucionária no país”. Quatro anos após o golpe que instalou a ditadura militar no Brasil, grupos de esquerda promoviam ações armadas contra o regime. O relatório lista assaltos a bancos, atentados e mortes. Em Minas Gerais, o SNI se preocupava com um grupo dissidente da organização chamada Polop (Política Operária). O texto afirma que reuniões do grupo ocorriam em um apartamento na Rua João Pinheiro, 82, em Belo Horizonte, onde vivia Cláudio Galeno Linhares. Entre os militantes aparece Dilma Vana Rousseff Linhares, descrita como “esposa de Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (’Lobato’). É estudante da Faculdade de Ciências Econômicas e seus antecedentes estão sendo levantados”. Dilma e a máquina repressiva da ditadura começavam a se conhecer.

“Durante os cinco anos em que essa máquina funcionou com maior intensidade, de 1967 a 1972, a militante Dilma Vana Rousseff (ou Estela, ou Wanda, ou Luiza, ou Marina, ou Maria Lúcia) viveu mais experiências do que a maioria das pessoas terá em toda a vida. Ela se casou duas vezes, militou em duas organizações clandestinas que defendiam e praticavam a luta armada, mudou de casa frequentemente para fugir da perseguição da polícia e do Exército, esteve em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, adotou cinco nomes falsos, usou documentos falsos, manteve encontros secretos dignos de filmes de espionagem, transportou armas e dinheiro obtido em assaltos, aprendeu a atirar, deu aulas de marxismo, participou de discussões ideológicas trancada por dias a fio em “aparelhos”, foi presa, torturada, processada e encarou 28 meses de cadeia.

“Hoje candidata do PT à Presidência da República, Dilma fala pouco sobre esse período. ÉPOCA pediu, em várias ocasiões nos últimos meses, uma entrevista a Dilma para esclarecer as dúvidas que ainda existem sobre o assunto. Todos os pedidos foram negados. Na última Sexta-feira (13.ago.2010) a assessoria de imprensa da campanha de Dilma enviou uma nota à revista em que diz que “a candidata do PT nunca participou de ação armada”. “Dilma não participou, não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada e nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacional, por ’subversão’, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser ’subversivo’”, diz a nota.

“A trajetória de Dilma na luta contra a ditadura pode ser conhecida pela leitura de mais de 5 mil páginas de três processos penais conduzidos pelo Superior Tribunal Militar nas décadas de 1960 e 1970. (…).

“Dilma Rousseff foi um desses jovens marxistas que, influenciados pelo sucesso da revolução em Cuba liderada por Fidel Castro nos anos 50, se engajaram em organizações de luta armada com a convicção de que derrubariam a ditadura einstaurariam um regime socialista no Brasil. Dilma está entre os sobreviventes da guerra travada entre o regime militar e essas organizações. Filha de um búlgaro e uma brasileira, estudante do tradicional colégio Sion, de Belo Horizonte, a vida de classe média alta de Dilma mudou a partir do casamento com o jornalista Cláudio Galeno Magalhães Linhares, em 1967. “(Dilma) Ingressou nas atividades subversivas em 1967, levada por Galeno Magalhães Linhares, então seu noivo”, afirma um relatório de 1970 da 1ª Auditoria Militar. (…)

“As primeiras menções a Dilma em documentos oficiais a citam como integrante de uma dissidência da Polop. Esse grupo adotou o nome de Organização. Com novas adesões de militantes que abandonaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), a Organização se transformou em Colina (Comando de Libertação Nacional). Em seu documento básico, o Colina aderiu às ideias de Régis Debray, autor francês que, inspirado na experiência cubana de Fidel Castro, defendia a propagação de revoluções socialistas a partir de focos guerrilheiros. (…)

“O historiador Jacob Gorender, que esteve preso com Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, é autor deCombate nas trevas, o mais completo relato da luta armada contra a ditadura militar. Ele afirma que oColina foi uma das poucas organizações a fazer a “pregação explícita do terrorismo” (…)

“Perseguida, presa e condenada pelos militares há 40 anos, Dilma hoje goza de tratamento especial da Justiça Militar. Recentemente, seu ex-colega Antonio Espinosa foi ao Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília. Devido a uma polêmica causada por uma entrevista, ele requereu acesso a seu processo por sua militância na VAR Palmares. Ele e Dilma fazem parte do mesmo processo. Por isso, a peça com milhares de páginas faz centenas de menções a Dilma. Espinosa pediu cópias de cerca de 400 páginas. “Elas vieram com o nome da Dilma coberto por tinta preta”, afirma Espinosa. De acordo com a lei, apenas os próprios réus, ou pessoas com uma procuração assinada por eles, podem ter acesso aos processos no STM. Mas apenas o nome de Dilma, entre os nomes de dezenas de outros militantes, foi ocultado das páginas copiadas a pedido de Espinosa. Recentemente, o processo de Dilma foi separado dos demais dentro do STM. Ele está guardado em um armário específico. Os funcionários têm ordens expressas para não fornecê-lo a ninguém.”

A candidata afirma que, desde esta época, o País mudou e que ela mudou com o País. É este precisamente o ponto ao qual os eleitores devem prestar particular atenção. Explico-me.

O PT - partido o que pertence a candidata - e o governo do Presidente Lula - do qual fez parte Dilma Rousseff e do qual promete ser a continuadora - assumem posturas ideológicas e tomam atitudes políticas que suscitam dúvidas sobre seu real apreço e sua adesão convicta ao sistema da democracia representativa, bem como seu pleno abandono das ideologias e práticas que inspiravam as organizações armadas dos anos 60 e 70.

Notas perplexitantes

1. No Foro de S. Paulo - do qual Lula e o PT, juntamente com Fidel Castro, são os fundadores - os vivas e conclamações de apoio à revolução cubana e ao regime comuno-castrista continuam a ser uma constante; esse mesmo Fidel Castro e essa mesma revolução cubana que inspiraram as organizações de luta armada a que pertenceu Dilma Rousseff;

2. Lula nunca escondeu sua admiração pelo ditador Fidel Castro e continua a tratar a tirania comunista com privilégios de grande aliada; recorde-se que Lula se recusou a interceder pelo opositor Orlando Zapata, o qual acabou por morrer no dia em que o presidente brasileiro chegou a Cuba para mais uma confraternização com Fidel e Raul Castro; vilipendiando as dores e sofrimentos dos perseguidos políticos cubanos, Lula ainda os comparou a criminosos comuns;

3. Esse mesmo governo - do qual fez parte Dilma Rousseff - durante oito anos, se recusou a atender os apelos do governo legítimo da Colômbia para que incluísse as FARC no rol das organizações terroristas, por rechaçar qualificar de terroristas movimentos considerados de “resistência” ou de “libertação nacional” que podem assumir o poder; ainda há dias tal recusa foi reiterada, pela boca de Marco Aurélio Garcia (um dos coordenadores da campanha eleitoral de Dilma), em resposta aos pedidos formulados pelo novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em visita ao País;

4. Já se tornaram proverbiais a amizade política e a conivência ideológica do mentor-mór da candidatura de Dilma Rousseff, o Presidente Lula, com Hugo Chávez e seu processo socialista “bolivariano”; Lula considera um “excesso de democracia” as prisões arbitrárias, as perseguições políticas, o cerceamento violento de órgãos da imprensa, o desrespeito a contratos e a violação da propriedade privada levadas a cabo pelo caudilho venezuelano; mais ainda, sempre que Hugo Chávez foi acusado internacionalmente, com provas inequívocas, de acolher e acobertar grupos terroristas (FARC da Colômbia, ETA da Espanha, Hezbollah do Líbano) Lula saiu prontamente em defesa do companheiro;

5. A crescente proximidade e cumplicidade do governo do Presidente Lula - de quem Dilma Rousseff garante ser a continuadora - com Mahmoud Ahmadinejad, o tirânico presidente do regime islamo-fascista do Irã, financiador oficial de grupos terroristas internacionais, é mais um dado a colocar na balança;

6. Esse mesmo governo a que pertenceu Dilma Rousseff tem sido leniente, quando não cúmplice, dos ditos “movimentos sociais”, em particular do MST, cuja atuação é pautada pela violação da Constituição, da legislação vigente, com a prática de crimes graves contra a propriedade e até contra pessoas, com roubos, sequestros e até mortes; movimento sem existência legal definida, largamente beneficiado por fundos públicos;

7. Este mesmo governo lulo-petista e este mesmo partido (o PT) - seguindo o velho esquema marxista, por cuja implantação pugnavam as organizações da luta armada a que pertenceu a candidata Dilma Rousseff - aparelharam o Estado, colocando várias instituições ao serviço de seus interesses ideológicos, inclusive para perseguir adversários políticos, com crimes contra a Constituição, como no caso da recente violação de sigilos fiscais.

Mudança real ou cosmética?

Todas estas notas, sumárias e apenas exemplificativas, são de molde a suscitar uma interrogação, a quem deseje ponderar com um mínimo de objetividade e honestidade o presente quadro político-eleitoral:

O país mudou, sim; mas terá mudado a candidata? Ou a mudança terá sido apenas cosmética, como as inúmeras transformações físicas a que se submeteu Dilma Rousseff para dar uma face aceitável a sua candidatura?

Cabe ao eleitor refletir e decidir.