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A PAISAGEM HUMANA DE AFONSO BEZERRA

sábado, 15 de agosto de 2009

ENCONTRO MARCADO COM AFONSO [1a. Parte]

Por Franklin Jorge

Natal — Não conhecia Afonso de Ligório Bezerra Sobrinho, 71 anos, o mais velho dos irmãos, queridissimo por todos os seus parentes e amigos, especialmente por sua prima Aldorisse Henriques, repórter fotográfica que organizou esse jantar em sua casa para que nos encontrássemos e pudéssemos conversar sobre o seu acervo que algum dia subsidiará a criação de um museu na cidade dos seus antepassados. É irmão do atual prefeito, Jackson e primo de Afonso Bezerra, que dá nome ao municipio, antigamente Carapebas, desmembrado de Angicos em 1953.

Estava um pouco cansado e deprimido quando cheguei ao Barro Vermelho, mas logo, ao ser recebido pela nossa gentil e atenciosa anfitriã, deixei-me contagiar por seu proverbial entusiasmo e pela atmosfera de sua casa que espelha bem toda a delicadeza do seu mundo interior. Nascida em Afonso Bezerra, conserva Aldorisse da sua infancia rural a paixão pelas artes da agricultura. Seu quintal é um roçado, semeado de mandioca, milho, verduras e ervas aromáticas e medicinais que utiliza em seus deliciosos preparos culinários.

Ficamos conversando um pouco no terraço, enquanto Mel, sua yorkshire de linda pelagem cinza-grafite sentada em seu colo deixava-se acariciar por mim que tenho uma simpatia instintiva pelos pequenos animais. Mais velho de uma irmandade numerosa, Afonso é uma espécie de patriarca da familia, sobre quem Aldorisse tem se referido com admiração e carinho, por sua bondade e empenho em resgatar valores e enaltecer a sua terra natal.

Auditor Fiscal do Tesouro Estadual, aposentado, construiu às suas expensas o único hospital-maternidade do municipio; um ginásio depois transformado na Escola Estadual Profa. Gildecina Bezerra; a biblioteca pública; uma rádio comunitária; um jornal impresso e o primeiro hotel de Afonso Bezerra, que sonha transformar algum dia numa escola de hotelaria, para profissionalizar os jovens da região.

É por isso que seus conterrâneos, independentemente de credos politicos, ao referir-se a Afonso de Ligório Bezerra Sobrinho costumam dizer que tem sido “o melhor prefeito de Afonso Bezerra”; ele, porém, nunca quis um mandato, preferindo agir como um autentico cidadão que se sente corresponsável e contribui, sem desejar recompensas nem premios, para a grandeza da terra onde viu a luz.

[Continua amanhã]

A PAISAGEM HUMANA DE PAU DOS FERROS [4-5]

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

RETRATO FALADO DE ANTONIO SILVESTRE [1ª. Parte]

Por Franklin Jorge

Pau dos Ferros – Conversamos, primeiro, numa sala despida de móveis – apenas alguns tamboretes forrados de couro, uma tábua de passar, uma mesinha com um rádio e a rede onde estivera deitado o nosso entrevistado – e, depois, na calçada de uma casa da Rua Severino Rego, onde tomamos a fresca da tarde. No interior da casa mulheres passavam e engomavam trouxas e mais trouxas de roupa lavada que rescendia a sabão e coradouro.

Antonio Silvestre acabara de comemorar numa grande festa seus primeiros 100 anos de vida. Ex-vaqueiro e agricultor, de pequena estatura, magro e ágil, não parece ter a idade que consta de sua certidão de nascimento. Quando conheci Pau dos Ferros, o centro da idade tinha apenas seis casas. O mato tomava conta das ruas de barro. Não tinha jeito de cidade não.
Ele se lembra da lagoa chamada de Pau dos Ferros, por causa de uma grande árvore que havia ali e que os vaqueiros e tangerinos, ao parar para dar de beber e lavar os animais depois da cavalgada exaustiva, inscreviam em seu tronco os ferros usados pelos proprietários para marcar o gado. Era o sinal de que passaram por aquele lugar.
Nesse tempo o comercio era muito acanhado. A cidade mesma era uma vila empoeirada. Havia umas poucas lojas e bodegas, sendo que as de Reinaldo e de José Holanda eram as mais sortidas e freqüentadas. O velho, sentado num tamborete, interrompe o relato e fica puxando pela memória à procura dos nomes desses antigos comerciantes de Pau dos Ferros e de outras pessoas gradas dessa época já remota.

O senhor queira me desculpar esse branco. Por muito tempo costumava ter uma boa lembrança de tudo, mas agora, nos últimos tempos, dei para esquecer e perder a memória, como acontece a outros velhos da minha idade. Mas não reclamo da velhice. Faz parte da vida.
O chefe político local era o coronel Joaquim Correia, que não tinha patente mas recursos e conceito. Aqui ele mandou na política por trinta anos. Se quer saber, naquele tempo os chefes políticos se satisfaziam com o prestigio e o poder de mando, nãos e preocupavam em botar a mão no alheio. Já era grande honra para eles liderar o povo. Agora, com todas essas modernidades, tudo é diferente. Cada qual que queira botar a mão no que não lhe pertence.
Quando passei a visitar Pau dos Ferros, mais amiúde, eu morava na Varginha, distante daqui duas léguas. Toda semana vinha fazer a feira e comprar os mantimentos para o sustento da família numerosa que crescia a cada ano. Há cinqüenta anos na rua e já possui aqui seis casas de aluguel. Criei 21 filhos com o suor do meu rosto e a grande ajuda de minhas mulheres, graças a Deus. Não é o que o senhor pode pensar não… Casei-me quatro vezes, nas eras de 1909, 1915, 1919 e 1933. Entre netos bisnetos tenho 110. É uma população. Tenho gente minha em toda parte do Brasil. Em natal. Em Brasilia. Em São Paulo. No Amazonas… E cada um ganha a vida sem cometer sabedorias e sem pegar no alheio.
Em meus primeiros anos eu fazia essa viagem da Varginha para Pau dos Ferros, primeiro montado na garupa do cavalo do meu pai, agricultor e vaqueiro de oficio, de nome João Batista do Nascimento, nascido no Figueiredo, nas extremas do Ceará com o Rio Grande do Norte. Meu pai morreu aos 59 anos, em 1904. Ele casou duas vezes e teve oito filhos. Mas eu fui mais longe e tive todos esses que acabei de dizer. Meu filho mais velho tem setenta anos…
Eu era muito novinho quando meu pai morreu e fiquei trabalhando alugado aos outros. Era pobrezinho de fazer dó. Não possuía uma muda de roupa para trocar. Costumava ficar nu enquanto minha roupa era lavada e passada, a ceroula, a calça de mescla e a camisa de algodão. Com essas peças de roupa eu labutava no campo e ia à rua, mas não reclamava nem amaldiçoava a vida.
Minha mãe chamava-se Maria Francisca de Jesus, paraibana de quatro costados, natural do Brejo de Areia. Era muito boa. Tão boa que podia servir de exemplo a uma santa…
[Continua amanhã]

A PAISAGEM HUMANA DE PAU DOS FERROS [2-5]

terça-feira, 4 de agosto de 2009

RETRATO FALADO DE MONSENHOR CAMINHA [2a. Parte]

Por Franklin Jorge

Pau dos Ferros –… Minha mãe, Luzia Caminha Freire, era uma mulher humilde e serena, lembra com inefável sorriso, no qualse misturam orgulho filial, satisfação intima e gratidão imensurável, como quando pensamos numa coisa boa que resistiu à milhagem do tempo. O casal teve dezoito filhos homens. O caçula morreu recentemente, informa Monsenhor Caminha.

Ah sobre os meus casos amorosos o senhor não me pergunte, adverte num sorriso maroto e desafiador. Deve poupar-me o esforço de repeti-lo. Não se admire se eu disser que conheço o meu rebanho. Sei que foi a primeira nota de minha biografia que lhe confiaram a titulo de informação. O escandalo empolga e persiste na memoria de todos, embora nosso povo não seja fofoqueiro nem cuide da vida alheia. Embora talvez o senhor nãos e dê conta, também já fui moço e tive a sua idade. E hormonios. Ah os hormonios, os hormonios… Sem eles, o que seria do bicho homem?

Quando fui para o seminário eu namorava uma menina na escola. Ela fez de tudo para eu não ir, mas não teve jeito. Fui. E iria novamente, pois a vocação me chamava. Certamente já ouviu falar no mistério da vocação. Como jornalista é homem culto e bem informado…. Tempos depois, quando voltei de férias, ela já estava noiva de outro, mas o apelo da carne foi mais forte e de repente nos vimos engolfados numa onda de paixão, duma maneira tal que tudo se renovou e contra todas as conveniencias a que a situação nos obrigava. 

Monsenhor Caminha sentiu sua vocação abalada. Encarei isto como uma provação, a provação que se impõe em momento decisivo da vida do homem, para que ele faça a sua escolha, apesar de tudo… E, depois de alguns momentos abismado em silencio, acrescentou não saber porque estava ali, naquele momento, a confessar-se a um jovem repórter de Natal.

Não tenho o hábito de fazê-lo, vivendo como vivo em solidão. Meu confessor é Frei Damião… Talvez sua discrição, seu ar sério e essa aura que eu diria vocacionalmente sacerdotal, tenha-me impelido a fazê-lo, graciosamente, sem nenhuma prevenção. O jornalismo, quando responsavelmente praticado, quando se coloca à serviço da ética e da defesa dos direitos do homem, é também uma forma de sacerdócio. É instrumento de iluminação e esclarecimento. Fortalece e renova. Exige, de quem o pratica, a mesma abnegação e autosacrificio que requer a vida religiosa não meramente contemplativa. Pelo que tenho lido do que escreve na Imprensa de Natal, sente-se a clareza das suas convicções e os valores que o dominam. Em outras palavras, o senhor não é um estranho para mim…

Já seminarista fui passar um mes de férias em Quixadá, na casa do meu tio Manuel Freire de Andrade, e namorei logo com tres moças ao mesmo tempo! Em plena mocidade, eu era o que se dizia, “fogo na roupa”… Seria mais apropriado dizer “fogo na batina” — provoco-o — e ambos rimos. Ah sim, tem razão. Muito espirituosa sua correção. A batina, como toda farda, tem o seu prestigio. Exerce certo fascinio de ordem sensual sobre algumas mulheres…

Na volta ao seminário, em Fortaleza, após gozar dessas quermesses carnais, estava macambuzio, rejeitava o gosto das coisas. sofria e pensava continuamente no misterio entre homem e mulher. Pensava em Clara, pensava em Lourdes, pensava em… Pensava em Adão e Eva… Seus colegas diziam, galhofando: Caminha está chumbado… Caminha está chumbado…

Eu estava tristissimo e confuso diante dessa encruzilhada moral. Desesperado, quase. Somente o reitor do seminário, homem perspicaz e caridoso, sabia do caso… Um mes depois dessa permanente aflição que me consumia, recebi um telegrama dando conta do casamento de Lourdes. Li-o num misto de desespero e satisfação. Depois saí gritando pelos corredores do seminaprio, libertas quae sera tamem! Libertas quae sera tamem! Libertas quae sera tamem…

Você, como repórter, está querendo penetrar muito no meu intimo, diz, rindo-se. Não, fique tranquilo, é somente uma constatação, não uma advertencia. Estou gostando dessa conversa. Uma conversa que nunca tive a não ser sob a forma de confissão. Como disse, meu confessor é o Frei Damião, que apenas me escuta e inflige-me penitencias, pois é severo. A questão da confiança é algo que se coloca ou não. Ao ve-lo entrar por aquela porta, senti sua aura — todos têm uma — e tive a certeza deque podiamos conversar como homens. Só lhe digo uma coisa mais. Quem disser que é sem pecado está mentindo. Somos todos pecadores. O homem é vocacionalmente pecador. Pecar faz parte da sua natureza…

Brinco com o monsenhor, dizendo-lhe que a partir deste momento passo a ser  tambem seu confessor. Um confessor oficioso, mas confessor. Só não lhe imporei penitencias, prometo-lhe. Pois, quem havia de dize-lo? Até a pouco era Frei Damião quem tinha a paciencia de ouvir-me, assim como tenho sido também seu confessor. Sempre nos confessamos um ao outro. É da indole do pecador confessar-se, o que explica o sucesso da policia…. Mesmo um taumaturgo, um santo como Frei Damião de Bozzano, tem a necessidade de se confessar…

[Continua amanhã...]

 

A PAISAGEM HUMANA DE MARTINS

sábado, 25 de julho de 2009

SEU NOME É SEVERINO [2-2]

 

Por Franklin Jorge

 

Martins – Aos 85 anos, Severino Vicente do Nascimento vê um senhor elegante e discreto, articuladissimo e benquisto na comunidade. Comerciante de “mangaios” (ou seja, de ervas medicinais, temperos e artefatos artesanais de consumo cada vez mais restrito a uma clientela oriunda da zona rural), passa suas manhãs, em sua bodega, recebendo os amigos e vendendo uma ou outra peça.

 

Passeio em sua companhia pelas ruas de Martins n uma manhã ensolarada e fresca. Vamos à procura do Dr. Lacir, ex-prefeito e seu amigo de mais de sessenta anos que, infelizmente, não se encontra em casa. Dono de uma boa prosa, aconselha-me a ouvi-lo. Ouça Dr. Lacir, que sabe muito e fala de tudo sem temer represálias e inconvenientes.

 

Mas fale alto, o mais alto que puder, pois as oiças dele estão avariadas. Bote uma cadeira perto dele, puxe conversa, mas fale alto. Porque ele escuta pouco e fala muito. Quando ele se bota pra falar, saia de baixo! O homem é um portento…

 

Conversador emérito, Severino discorre fluentemente, embora num tom comedido, sobre sua experiência de vida e as transformações pelas quais tem passado Martins, terra que ele conhece como a palma de sua mão. Ninguém mais sabedor da crônica secreta da terrinha, porém não é de jogar conversa fora.

 

Homem, ontem, quando conversamos, não me lembrei de contar a história de um lobisomem que apavorou a comunidade. Foi há muito tempo, eu só tinha o meu primeiro filho e ainda morava na Serrinha dos Pintos, na época um distrito de Martins, onde nasci… A história do lobisomem é bem curtinha, quatro palavras somente…

 

Sei que gosta de histórias e de prestigiar os velhos, por isso achei que ia gostar de saber  dessa ocorrência que deu o que falar. O lobisomem era um  tal de José, filho de Vicente Rosa, que em noites de lua cheia virava bicho. Era um solteirão… Uma noite estava eu deitado quando ouvi aquele alarido que ia aumentando, aumentando… Ainda deitado me lembrei do lobisomem e disse pra mi há mulher, é o lobisomem acuado pela cachorrada…Me levantei e abri a janela justamente no momento em que o bicho se aproximava, perseguido pelos cachorros.

 

Era um bicho paidégua de grande, enorme, a frente parecendo de cachorro e a traseira de jumento novo com aquele rabo preto balançando… Esta arfando, cansando, pois havia de ter corrido léguas, perseguido pelos cachorros. Gritei pra minha mulher trazer a roçadeira que estava debaixo da cama, mas ela demorou e quando me joguei para ataca-lo ele se desviou e fazendo da fraqueza força e aumentou o choto, sempre perseguido pelos cachorros…

 

Dali a algum tempo esbarrou no terreiro um amigo nosso, o André de Galú, que se apeou e me pediu pousada, pois estava cansado para prosseguir depois de ter enfrentado o lobisomem. Ele deu uma cutilada no bicho, que levou grunhiu de dor e embrenhou-se mato adentro…André então me disse que havia furado o bicho e que a gente aguardasse que a verdade ia aparecer e todos ficariam sabendo que o Zé de Vicente Rosa era o lobisomem que amedrontava as pessoas…

No outro dia procuramos saber do pai de Zé noticias dele e o Vicente Rosa disse que ele havia viajado e repente… Algumas semanas depois ele reapareceu, dizendo que havia sofrido um acidente, e em seguida desapareceu de novo. As últimas noticias que tivemos dele era a de que se havia casado com uma viúva e estava morando no Ceará…

 

Ah, estou vendo que gostou dessa história… Também haveria de gostar da história do bilhete que dois analfabéticos daqui escreveram sem saber ler nem escrever… Vou contar, se não estiver aborrecendo o amigo…Pois foi assim… Um amigo nosso, Chico de  Olina, ia pra rua num dia de feira e a mulher lhe encomendou a compra de um tecido que ela queria para fazer um vestido.

 

Ela explicou o que queria e disse ainda ele escolhesse um bico bem bonito para enfeitar o vestido. Ele disse que não ia se lembrar, que era melhor escrever um bilhete. Ela disse que nenhum deles sabia escrever e lembrou que eles conheciam as letras do alfabeto e que ele ia ditar o bilhete… O bilhete ficou famoso e era assim:

 

Quero dois metros de bico te-o-tó para enfeitar um vestido de-o-dó pra Adelaide de Chico c-o-só…Homem, o lojista não entendeu nada e a história caiu na boca do povo de Martins…

A PAISAGEM HUMANA DE MARTINS

quinta-feira, 23 de julho de 2009

NA BODEGA DE ZÉ DA GARAPEIRA

Por Franklin Jorge

Martins — Nascido há 52 anos, Zé da Garapeira é testemunha ocular das transformações pelas quais tem passado a cidade. Algumas, inacreditaveis, como a que se refere oao fato de em certa época ter possuido seis agencias bancárias, entre as quais, da Caixa Econômica, Bradesco, Banco Econômico, Unibanco e Banco do Brasil, a única que sobreviveu à Era Collor, quando a economia local sofreu um baque profundo.

O presidente Collor derrubou a cidade, suspira. Depois dele, nunca mais Martins foi a mesma, pondera amavelmente atrás do balcão da bodega de que é propriedade no Mercado Público de Martins, uma curiosda construção composta de locais em torno de um pátio interno onde acontece a feira semanal. Das outras vezes em que aqui estive, para o Festival de Gastronomia, me chamou a atenção no mercado de um retrato da governadora Wilma de Faria, colocado ali talvez por um puxa-saco. Era o único mercado, no Rio Grande do Norte, a exibir o retrato oficial.

Homem prático e um tanto pessimista (um dos outros nomes do realismo), Garapeira não põe muita fé no futuro da cidade que a seu ver já deu o que tinha o que dar em termos de progresso e desenvolvimento. Reconhece, porém, que esse festival que devia começar hoje pela manhã com a realização de oficinas de gastronomia para crianças, deu um novo impulso à economia local, apesar de seu caráter sazonal. Mesmo assim, deixa muito pouco para a cidade.

Observa o famoso bodegeuiro que o entusiasmo inicial arrefece. Os primeiros anos teriam sido melhores, inclusive pela expctativa criada pela própria governadora que chegou a afirmar em praça pública que faria de Martins a Gramado do Rio Grande do Norte. Porém, como outras declarações da governadora, esta tambem parece ter sido um risco nágua… Na verdade, nada aconteceu e Martins continua encarapitada na chã da nossa serra mais famosa e aprazível.

Houve de fato um deságio no entusiasmo geral. Hoje, pondera Zé da Garapeira, já há muita casa de aluguel fechada, o que contrasta com a especulação das primeiras edições deste festival que tinha tudo para se tornar um grande sucesso com repercussão regional e, talvez, nacional. Este ano, com a mudança de prefeito (o anterior era correligionário da governadora), o festival mais famoso do estado enfrenta dificuldades a começar pela montagem dos estandes e o adiamento de atividades programadas para esta manhã, como a realização de oficjnas de gastronomia para crianças. Perdida a manhã desta quinta-feira, vamos ver o que acontrece logo mais, no coemço da noite…

A onda passou, reitera Garapeira, e hoje sobram casas para alugar. Contudo, apesar dessa mentalidade atrasada que vigora no governo e que não respeita o povo de Martins, a festa há de deixar algum lucro para os empresários de fora e ainda um pouquinho para o povo daqui, acrescenta, enquanto espanta um bêbado de bodega afora. Arre bêbado chato, diz, voltando para trás do balcão.

FESTIVAL EM FOGO LENTO

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Por Franklin Jorge

Martins — Os preparativos do Festival Gastronômico de Martins estão visivelmente atrasados em relação aos anos anteriores. Todos,na cidade, comentam que o fato se dá por causa das mudanças politicas no quadro local (a atual prefeita não forma entre os correligionários da governadora). Nos anos anteriores, um genro da governadora era responsável pela infraestrutura do festival e tudo era feito a tempo e a hora, ao contrário d que está acontecendo agora quando os estandes ainda estão sendo montados.

O festival começa hoje e vai até o domingo. Quando da sua criação, a governadora Wilma de Faria, entusiasmada e certamente pensando no bem-estar dos seus familiares, prometeu em praça pública que faria de Martins a Gramado do Rio Grande do Norte! pabulagem de politico, nada mais. A prova aí está: um festival visivelmente em dificuldade, amargando esse atrasado.

A proposito, ela está sendo esperada no próximo sábado, e sua assessoria já articulou duas entrevistas na Rádio FM Vida, emissora de grande credibilidade que chega a mais de trinta municipios do Rio Grande do Note, o que inclui além de todo o Oeste, parte do Vale do Assu e do Seridó. Ontem, em comemoração ao fato de ter este site ultrpassado os 100 mil acessos, fomos entrevistados por Edmar Fernandes, na FM Vida, emissora com qual tinhamos fechado já uma parceria. Em breve ela estará sendo divulgada por esta publicação virtual que, por sua vez, será divulgada por ela. Parcerias semelhantes foram fechadas com outras emissoras, jornais e uma tevê.

DONA LALÁ

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Por Franklin Jorge

Martins — Dona Lalá (Laudeci) viveu vinte anos em Brasilia, cidade tentacular onde, segundo afirma com veemencia, filho chora e mãe não sabe.

Lavadeira, trabalhando para hotéis na capital federal, economizou o que ganhava para voltar à sua terra natal, sonho demais de seu marido (Deudesdith), filho e neto de agricultores sem terra ou, como se diz no sertão, de “trabalhadores alugados” pelos proprietários para o plantio e a colheita. Hoje possui, além da pousada bem construida, imóveis e uma terrinha onde o seu marido passa o dia lidando com os animais, plantando e colhendo. Grade parte do que é servido às mesas de sua pousada, uma das melhores — senão a melhor — é produzido por Deudedith, homem ativo e conversador, experiente e prestativo.

O casal tem quatro filhos, duas mulheres e dois homens: Laudeir, que os ajuda nos afazeres da pousada; Laudicélia, professpra do municipio, formado em Letras; Thiago, que trabalha em um supermercado de Martins e David, este o menor de todos, que só pensa em brincar e se divertir na Internet.

Eis uma familia bem estruturada, harmonica e feliz, que encontra no trabalho motivos para viver bem. Voltarei ao assunto oportunamente, como ainda nao pude fazer em relação a cronica que escrevi no Dia do Amigo. Mas, voltarei.

EM MARTINS

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Por Franklin Jorge

Martins — Acabamos de chegar a Martins nesta terça-feira para o Festival de Gastronomia que este ano, em sua quinta edição, navega em baixa-maré. Os preparativos estão visivelmente atrasados e todos comentam que o motivo é muito simples: a nova prefeita não ser correligionária da governadora e, por isso, o evento não estaria contando com o apoio dos anos anteriores, quando um genro do governador cuidava da montagem dos estandes. Uma prática que expõe o despreparo e o espirito coronelista desta governo que se atolou no descrédito.

Apesar disto, a cidade está limpa e bem cuidada, apesar do municipio estar com duas cotas do Fundo de Participação dos Municipios em atraso, o que tem dificultado a administração. O ex-prefeito deixou contas e, antes de entregar o posto apagou o conteúdo dos computadores para dificultar a solução dos problemas que ele deixou.

No entanto, como o povo costuma dizer que o diabo fecha a porta e Deus abre uma janela, este ano o clima está amenissimo e nisto, pelo menos, a governadora não vai puder botar areia. Vamos curtir Martins, cidade florífela e odorosa.

NA PRAÇA DA CONVIVÊNCIA

sábado, 6 de junho de 2009

Por Franklin Jorge

Mossoró – Já afirmei, em circunstância jornalística, que a Praça da Convivência — um complexo de cultura e lazer construído ao longo da Avenida Rio Branco – está para Mossoró como a Ponte da Redinha está para Natal. São duas obras marcantes que, cada uma a sua maneira e em diferentes estilos e utilidade, redimensionaram a paisagem urbana nas duas principais cidades do Rio Grande do Norte.

Nas últimas semanas, antecipando a tradicional Festa de São João que já se tornou parte do calendário turístico da famosa terra de Santa Luzia, a praça engalanou-se para homenagear o primo de Jesus num momento em que tal estímulo se faz especialmente necessário, por causa da crise que está apertando especialmente o assalariado que tem que se arranjar com o que ganha durante todo o mês que sempre sobra em relação ao salário, como se diz jocosamente por aqui e em toda a parte…

Ontem a praça estava especialmente atraente em alguns trechos, como programação no Teatro Municipal [agora incrementada com a participação de cambistas à serviço do secretário Gustavo Rosado], cinema ao ar livre, bares e cafeterias em pleno funcionamento, apesar da chuva que caiu poderosamente, por uma boa meia hora, sobre a cidade inteira, agravando a situação de incúria das ruas enlameadas que tiram pedestres e motoristas do sério.

É verdade que em pleno inverno, Fafá teve a brilhante idéia de consertar as ruas, não digo todas que a diligencia do seu governo não chega a tanto, mas as principais e mais visíveis, geralmente localizadas em bairros nobres ou de grande visibilidade. Trabalho feito, naturalmente, por uma empresa familiar, como se comenta aqui e ali, por toda parte…

A despeito de tudo, o importante é dizer o que salta aos olhos; a Praça da Convivência é uma beleza, assim como a nova ponte de Natal. A daqui, isto é, a praça, de maternidade duvidosa, tem sido reivindicada a sua criação tanto pela governadora quanto pela prefeita. É o caso de se dizer que a Praça da Convivencia nasceu de suas mães…

O leitor deve estar lembrado que, quando da inauguração da praça o ano passado, as duas insignes senhoras chegaram a se estranhar de cima do palanque. Cada uma delas querendo ser a mãe da praça, disputa de natureza singularíssima e só possível em Mossoró, pois em toda parte a paternidade constitui sempre um ato de fé, pois não pode ser provada a não ser através de exames de DNA, enquanto a maternidade, seja de proveta ou não, é inquestionável…

Mas voltemos à praça que, ontem à noite, estava especialmente aprazível depois da chuva franciscana e benfazeja que depurou a sujeira das ruas e refrescou a cidade enquanto lá para as bandas do Campus Central da UERN o vice governador Iberê Ferreira de Souza dava a arrancada e o tom da campanha para governo do estado em 2010, gastando a sua retórica para convencer os jovens de que eles podiam repetir aqui e agora 1968, o ano que não terminou; não para alguns demagogos de plantão, pelo menos.

O homem, como se sabe, é virtual candidato ao governo do estado. Vice-governador, tem o apoio declarado da governadora que em matéria de credibilidade e popularidade navega em baixa-maré… Pelo que soube, sua esperteza — dele, Iberê — acabou sendo bem premiada, apesar das performances das deputadas Sandra e Larissa Rosado, mãe e filha, que reivindicaram ambas a honra de terem estudado ali, na UERN. Larissa, pelo que se diz com visivel  exagero partidário, já se preparando para assumir a prefeitura numa eventual — para muitos iminente — cassação da prefeita por corrupção eleitoral…

Caro leitor, peço-lhe desculpas, mas creio que me desguiei, como costumam dizer os sertanejos… Queria escrever um artigo decantando a beleza noturna da praça, pois a poesia segundo Cocteau é sobretudo noturna; acabei enveredando para outros assuntos. Fico devendo-lhe…

 

 

DEBAIXO DÁGUA

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Por Franklin Jorge

Mossoró – A prefeita Fafá Rosado decretou estado de “calamidade pública” no município por causa dos estragos provocados pelas últimas chuvas na cidade, que já contabiliza 1.000 desabrigados.

O cenário é de devastação: famílias inteiras sem teto, ruas esburacadas e o asfalto, de má qualidade, se dissolvendo e contribuindo para aumentar a sujeira que faz de Mossoró uma sucursal do inferno na terra.

A população está revoltada e atribui a responsabilidade por tal situação ao governo do estado e do município. Prova disto o vexame passado por Fafá, ao visitar nos Pereiros, bairro ribeirinho famílias prejudicadas pela enchente do rio Mossoró e sobretudo pela falta de ação das autoridades que empurraram o problema com a barriga e a mesma desculpa de sempre: falta de recursos.

Acompanhando-se da vice Ruth Ciarlini – ex-deputada que deixou em nossa Assembléia Legislativa a fama de preguiçosa e incompetente –, Fafá tentava mais uma vez iludir a boa fé da nossa gente, quando uma senhora, resumindo a indignação geral,  pôs fim às suas promessas de maneira curta e grossa: “Vá conversar merda em outro canto; aqui ninguém agüenta mais seu falatório…”, no que foi secundada por seus companheiros de infortúnio.

Sobrou até para Ruth, vice-prefeita e irmã da senadora Rosalba Ciarlini: “Você é outra que nunca fez nada por Mossoró”…

Pelo menos, este ano, Fafá Rosado não teve a cara-de-pau de posar dentro de uma canoa no meio do rio, como fez o ano passado, na companhia da prima Rosalba Ciarlini Rosado. Nessa progressão, no próximo ano, repetindo-se o inverno desses últimos anos, a prefeita de Mossoró não terá ambiente para sair às ruas. Afinal, o povo estressado já não consegue esconder que suas medidas estão cheias e que, também, perdeu a paciência com o cinismo dos governantes.

 

 

 

SÓ RINDO PRA NÃO CHORAR…

terça-feira, 10 de março de 2009

Por Franklin Jorge

MOSSORÓ – Li, com incredulidade e estarrecimento, numa folha local, que há uma gerência de trânsito em atividade nesta brava e valente cidade de Santa Luzia. Quem diria…

Ora, nada mais parecido com um boato do que esta noticia incrível para quem aqui vive e desvive em situação de permanente risco, justamente pela inexistência em termos práticos e visíveis de uma gerência de trânsito. E agora, em meio ao lamaçal, esse boato…

A rigor, não há tal. Pelo menos para quem não é parvo e se depara a cada instante com o caos que anda solto nas ruas de Mossoró, a segunda mais importante cidade do estado, e que se manifesta [o caos, bem entendido...] de maneira folgada na falta planejamento de um sistema que reproduz em todos os níveis da administração pública o samba-do-crioulo-doido [que deveria ser em verdade o pagode-do-branquelo-rosado], o que inclui sobejamente as calçadas irregulares ou transformadas em estabelecimentos comerciais a céu aberto, como os esgotos sórdidos que infeccionam mesmo as vias centrais, dando-nos a impressão de que a prefeita não circula há muitos anos pela cidade e ignora a petição de miséria em que se encontra, esquecida pelos poderes legais.

Semelhante estupor senti, ainda, recentemente, enquanto bebericava um cafezinho e ao folhear o jornal oferecido pela simpática moça da cafeteria,  deparei-me com uma entrevista da ex-vereadora Isabel Montenegro falando de ética [sempre os jornais como correios das más noticias e do absurdo que contamina o nosso dia a dia em sua faina inquietante]. Um desplante, pois ética na boca de Isabel é vitupério! Tanto é que o povo a deletou da Câmara, mas em compensação colocou lá cada tipo que só vendo! É por isso que já se canta um musiquinha pedindo a volta do Júnior Escóssia, benza-o deus!

Além disso não há leis em Mossoró que ordenem sobre os ruídos. Não conheço estatística sobre a saúde auditiva dos mossoroenses, mas pela alta voltagem com que os aparelhos de som são usados, através de carros de propaganda e de equipamentos adicionados aos carros de passeio pertencentes a particulares, fica a impressão de que as pessoas escutam mal ou não ouvem bem.

A prefeita Fafá Rosado precisa cuidar melhor dos nossos tímpanos, posto que é enfermeira de profissão e não deve ignorar os danos que os ruídos incontrolados podem causar às oiças dos cidadãos! A não ser que ela própria, que tem se mostrado surda aos apelos e às demandas sociais, desconheça a crua realidade que infelicita Mossoró e que naturalmente não lhe bate à porta bem guardada por serviçais obviamente pagos pelos contribuintes.

 

 

SALVEM O RIO MOSSORÓ

sábado, 27 de dezembro de 2008

 

Por Franklin Jorge

 

MOSSORÓ — Escrevendo sobre questões ligadas à cultura e à educação no Brasil contemporâneo, a escritora Ana Maria Machado refere-se ao “interminável presente” que domina as ações nesse âmbito e desafia-nos a substituir o estereótipo pelo protótipo. Realmente, as ações são sempre pontuais e nunca atacam o cerne dos problemas. Noutras palavras, os problemas são maquiados e empurrados pela barriga, ficando a solução para um depois que nunca chega. É o que vimos em todas as instâncias dos governos, seja federal, estadual ou municipal: o procedimento é o mesmo.

 

Não há, portanto, uma visão de futuro. Tudo é feito de maneira instantânea, muitas vezes para conquistar votos e impressionar aquela parcela de cidadãos desinformados que se contentam com o que vêem transmitido pela publicidade.

 

Falta planejamento a médio e longo prazo, e o que os governos fazem, fazem-no apenas para satisfazer interesses circunstanciais, como se os problemas futuros não se originassem em omissões cometidas no presente.

 

Tomemos como exemplo o Rio Mossoró, desvalidamente apodrecendo a céu aberto, desde que se transformou, no curso dos anos, em mero depósito de todo o refugo da cidade, sem que nenhum prefeito tenha jamais tomado as providências necessárias para controlar os efeitos de sua progressiva enfermidade. Em Natal, o Rio Potengi, à beira da morte, é vitima do mesmo descaso.

 

Por “estereótipo” Ana Maria Machado entende as ações superficiais e o maqueamento da realidade por gestores que, em prejuízo da sociedade, jamais serão capazes de passar do estado de veleidade ao de criação de uma obra capaz de corresponder às exigências da cidadania, o que inclui o bem-estar das gerações vindouras, que nos julgarão como hoje julgamos aqueles que nos antecederam e não foram capazes de criar solução para os problemas que agora nos afligem de maneira contundente e indesculpável.

 

Ora, algum puxa-saco há de lembrar-nos, antes mesmo de terminar de ler estas linhas, que a ex-prefeita Rosalba Ciarlini ou Fafá Rosado, não sei ao certo, urbanizou as margens do Rio Mossoró, plantando uma bonita grama, pintando, iluminando e construindo um amontoado de cubículos disfuncionais e um arremedo de praça da alimentação em homenagem a um ex-senador que, além de não ter nenhum vinculo afetivo ou de trabalho com a cidade, exerceu seu mandato sempre em causa própria. Uma obra inútil e desnecessária, enquanto o rio se tornava cada vez mais poluído e próximo da morte. Eis aí uma espécie de obra que Ana Maria Machado chamaria de “estereótipo”…

 

Seria de se esperar uma reação dos mossoroenses à superficialidade dessa obra realizada em detrimento da despoluição do rio a que serve de moldura. Uma moldura bonita, admito, feita com o propósito de esconder a agonia de um rio que está para Mossoró como o Potengi está para Natal. Mais que um cartão postal, por muitas gerações, desde o povoamento, um manancial de vida integrado à origem dessas que são as duas cidades mais importantes do Rio Grande do Norte. Somente a reação dos mossoroenses cônscios de sua responsabilidade para com o presente e o futuro da cidade, poderia criar, no âmbito da administração pública, o “protótipo” – ou a matriz — necessário a uma política urbana conseqüente e séria. Uma política capaz de corrigir erros e realizar as ações de que todos dependemos para o usufruto de uma vida plena de dignidade.

FORTALEZA

domingo, 7 de dezembro de 2008

Por Franklin Jorge

Cidade iluminada por suaves neóns, Fortaleza antecipa algumas das melhores pinturas de Antonio Bandeira, o feérico artista cearense que transpôs para muitas de suas telas o spleen de Paris, onde viveu os últimos anos de sua vida de gênio perdulário.

Eternamente acossada pelo mar bravio, Fortaleza passou de aldeia a metrópole sem perder a sua graça. No Nordeste, rivaliza em prestigio com o Recife, embora das duas capitais tenha suportado melhor a marcha inexorável do progresso. Os natalenses, não sem uma pontinha de inveja, referem-se a Fortaleza como a “capital de Mossoró”, talvez porque a cidade do oeste mantém um movimentado e constante comércio com o Ceará, entreposto comercial por excelência.

Ray, jovem e cheio de esperança, guia os meus passos nesse passeio por uma Fortaleza populosa que não conhece esmorecimentos nem derrotas. Não há em Fortaleza o desemprego e a miséria de outras grandes cidades, como o Recife e Salvador, por exemplo e, se o fortalezense migra – diz-me Ray, oferecendo-me água de côco – é para sentir saudades de sua terra natal. Acho plausível o seu argumento e aplaudo a sua verve.

Em Fortaleza o crepúsculo visto da Ponte Metálica é soberbo, garante-me, levando-me em sua direção. Cada logradouro se reveste de um encanto particular, acrescido da inesgotável cordialidade desse povo com alma de mascate, sempre disposto e atarefado, incapaz dde negar-se a começar uma nova aventura.

Revejo, em sua companhia, lugares meus conhecidos e descubro outros novos para mim, como a Volta da Jurema, onde há uma feira de artesanato concorridíssima. Praia do Futuro, mais que um nome, um símbolo de alguma coisa futura, repleta de barracas que servem peixe frito e cerveja, muito procurada pela moçada bonita e pelos turistas ávidos de curiosidade e prazeres baratos. Barra do Ceará,a predileta de Ray, é uma praia de footing e namoros. Morro branco. Caponga. Lagoinha, de onde se tem à noite uma bela visão dos fogos da plataforma de Paracuru. Ah, a graça telúrica dos nomes com que Fortaleza se embeleza e cativa.

Ray me fala sobre Cascavel, onde nasceu e seus pais ainda residem. Ele os visita, não sem uma certa emoção, em suas folgas e fins de semana. Em Fortaleza, sua terra de eleição, mora no Jardim Iracema, bairro tranqüilo que visito em sua companhia e que ele percorre a pé, todos os dias, ao voltar do trabalho como caixa num restaurante muito freqüentado por turistas, onde o conheço esbanjando carismas. Tem somente 23 anos. Netuniano, a praia é o seu lazer.

 

BAMBÉRRIMO CITY TOUR EM GALINHOS

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Transcrito do blog Bambérrimo

Por Salomão Medeiros

 

Município concentra um dos mais belos cartões postais do litoral do Rio Grande do Norte e atrai turistas em busca de descanso em suas praias desertas.

 

O site de entretenimento do Rio Grande do Norte, Bambérrimo, lançará o Programa Bambérrimo City Tour neste segundo semestre na cidade de Galinhos, litoral do estado do Rio Grande do Norte e em especial um ator de renome nacional estará participando da programação de estréia do Programa Bambérrimo City Tour.

 

Um dos objetivos do Programa Bambérrimo City Tour é levar uma personalidade ou grupo do meio artístico potiguar, regional ou nacional para visitarem um ponto turístico em cidade do Rio Grande do Norte, conforme critérios de avaliação do Departamento de Eventos, Promoções e Edições Especiais (Depes) enfocando o local visitado com notícias, entrevistas e imagens das belezas da cidade, sendo veiculados no site Bambérrimo e em reportagem de jornal de circulação no estado do Rio Grande do Norte.Segundo o Departamento de Eventos, Promoções e Edições Especiais (Depes) “o município de Galinhos além de ser um dos mais belos cartões postais do Rio Grande do Norte é também um espetáculo como a sua paz, o silêncio e a tranqüilidade de está entre um rio e mar num verdadeiro lugar onde se encontram a beleza exótica e mística.

 

Lugar de gente hospitaleira, o pequeno município tem uma população de 2.149 habitantes e vive praticamente das atividades turísticas, sendo que está localizada na região do Litoral Potiguar do Estado do Rio Grande do Norte, e a 166 quilômetros da capital, Natal. Já o acesso é feito de barco, a partir do Pratagil, no próprio município, levando cerca de 20 minutos de travessia.

 

Uma das suas maiores atrações durante todo o ano é as salinas naturais formando verdadeiras pirâmides, os demais atrativos turísticos ficam por conta da natureza: as praias de Galinhos, do Farol e Galos.

Entre outros atrativos o sol e o mar são o que Galinhos oferecem com charme e o glamour que encantam turistas e visitantes, tanto do estado do Rio Grande do Norte como de outros países que vão à busca de um lugar agradável e de levar boas lembranças de uma das cidades do estado que preservam seus vilarejos e está com suas praias desertas mais bonitas do Brasil.

Outro ponto alto é alugar um barco e fazer um passeio para percorrer toda enseada torna-se obrigatório, além de ser indispensável.

EM DIOGO LOPES

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Por Franklin Jorge

 

Fragmento do livro “Viagens na minha terra” [inédito]

 

Atravessamos o rio e desembarcamos na Ponta do Tubarão, onde acampamos e catamos conchas. Há ilhas entre os mangues, formadas por raízes e plantas aquáticas, onde habitam guaxinins.

 

Praia de difícil acesso, conhecida apenas pelos nativos, em noites de lua cheia vem uma ou outra forma confraternizar nas areias dessa praia quase secreta, cujo acesso só é possível através de canoa. A “Ponta”, uma estreita faixa de praia que alcançamos após a travessia do rio Tubarão, lembra uma espécie de baía com fortificações de manguezais, como o rio Potengi em Natal.

 

Aqui, recém-chegado, visitei primeiro um dos velhos sábios do lugar, bodegueiro e memorialista vivaz, historiador e cronista da Vila de Diogo Lopes. Em sua memória hospitaleira refulge a vida cotidiana com o seu imaginário plástico, vivo e intenso. Conversamos todos os dias, por algumas horas, sentados em tamboretes, em frente da sua bodega, um lugar modesto e sossegado, a poucos metros de um estaleiro onde homens trabalham na construção e reparos de barcos.

 

Conheci primeiro seus netos, rapazes entre si tão diferentes, mas como o avô enraizados na terra, sociáveis e louvados por seu caráter sem manchas. O mais velho, moreno, é um homem da rua e se dedica a cortar cabelos; o mais novo, alourado, não resistiu aos apelos do mar. Mergulhador e pescador profissional, levou-me até às personagens mais interessantes e curiosas de Diogo Lopes. Denilson é o seu nome.

 

Quando conversávamos, no lugar dos banhos, após caminharmos a pé muitos metros de ida e volta, ele me disse que eu certamente gostaria de conhecer o seu avô, homem já idoso, esperto e bem humorado, amante das letras e da leitura. Fez as apresentações com simplicidade, despediu-se lamentando ter compromisso de trabalho e, após o aperto de mão, foi cuidar da vida.

 

A Vila tem uma capelinha consagrada a São Francisco, de quem todos se engraçam por sua humildade e sangue-bom. O povo do lugar dedica-lhe todos os anos, em outubro, uma festa animadíssima e tradicional que atrai gente até de Canoa Quebrada, vinte ônibus lotados de cearenses.

 

Há danças no clube local, passeios, excursões às dunas, banhos na Ponta do Tubarão, a inesquecível travessia do rio, música, ritmo, envolvimentos durante um mês de festa. O povo de Diogo Lopes, orgulhoso de seus costumes, preza as leis da hospitalidade e valoriza a cultura. É também permeável aos modismos e absorve tudo com naturalidade.

 

Lá, com alguns alunos da Oficina de Jornalismo e Cidadania que fiz em Macau, como parte do “Projeto Percursos”, de interiorização cultural, “penteamos as dunas” de Mangue Seco, catando todo o lixo produzido pela negligência de eventuais turistas. Vários jovens vieram para a tarefa e à sombra de cajueiros conversamos sobre arte e meio ambiente, cultura e cidadania. 

Deu vida a tudo isso uma experiência pioneira e revolucionária de Véscio Lisboa, em 1993, como parte de uma Ação Cultural desenvolvida ao longo de cem dias. Artista de incontáveis méritos e grande educador, Véscio fixou-se nessas terras com o propósito de contribuir para o desenvolvimento humano, através da criação de uma fábrica de artistas. Cursos, oficinas, exposições, num congraçamento de idéias e informações, cujos frutos já se fazem notar, sobretudo através do teatro, numa Macau reinventada pela arte que fala sempre a linguagem mais lúcida. Uma Macau sem escândalos, sem secretário tarado e sem prefeito omisso.

FELIPE GUERRA, UM INTERIOR QUE ENCANTA

domingo, 28 de setembro de 2008

Por Salomão Medeiros

 

Localizada na região Oeste Potiguar, o município de Felipe Guerra, há 351 quilômetros da capital do estado do Rio Grande do Norte, Natal, com uma população de 5.680 habitantes, o município possui um enorme potencial turístico, especialmente do Lajedo do Rosário na comunidade de Rosário, distante 5 quilômetros da sede do município e da maior concentração de cavernas vivas do Rio Grande do Norte,todas elas concentradas entre a zona urbana e zona rural e situada numa área privilegiada comparando-se as demais outras existentes no estado.

 

Conforme estudos realizados pela Sociedade Espelológica Potiguar (SEP) das 219 cavernas no estado do Rio Grande do Norte, somente no município de Felipe Guerra existem 129 cavernas tornando-se a maior quantidade de cavernas vivas e de grande formação geológica e que serve para desenvolver o turismo ecológico.

 

Embora seja promissora na área de ecoturismo tendo um bom potencial há ser explorado e divulgado no Brasil e estudos feitos por entidades ambientalistas constataram que o município de Felipe Guerra, além de ter a maior quantidade e qualidade de cavernas vivas do estado do Rio Grande do Norte está entre as maiores do Nordeste, tudo isso favoreceria para os poderes públicos que já deveriam ter políticas públicas para a geração de emprego e renda, através da realização do turismo ecológico no município de Felipe Guerra.

 

Convivendo com o abandono na atualidade já que faz mais de uma década que geólogos tentam reunir autoridades para debaterem o potencial turístico e geológico de Felipe Guerra, todas as tentativas foram em vão, isso sem contar com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo que existe há mais de quatro anos e a população não conhece nenhum projeto por parte do referido órgão.

 

Segundo informações, os poderes executivo municipal e estadual poderiam já ter criados e serem executados projetos no sentido de informar a população local sobre a importância do desenvolvimento da atividade turística no município de Felipe Guerra e projetos desenvolvidos pela municipalidade, como também conscientizar a população sobre a preservação e conservação dos patrimônios históricos, culturais, turísticos e geológicos existentes, mostrar a importância da interiorização do turismo como fator principal para o desenvolvimento da atividade e o progresso de forma mais ampla para o município, como geração de empregos, renda e a criação de uma calendário anual de eventos com uma ampla divulgação dos maiores eventos do município de Felipe Guerra, tais como o Réveillon,Carnaval,Festa da Padroeira de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro,Festival Abelhudo Rock, Emancipação Política,Festa de Aniversário das Igrejas Assembléia de Deus e Igreja de Cristo,além de apoiar outros eventos paralelo no decorrer do ano e a revitalização da Cidade Baixa fazendo tombamento como patrimônio histórico e cultural do município.

 

Tendo uma quantidade de cavernas catalogadas e de boa formação geológicas para os geólogos que estão pesquisando há mais de dez anos, o município de Felipe Guerra é desconhecida a existência de quaisquer projetos por parte dos governos municipal e estadual no sentido da preservação, conservação, divulgação e promoção turística no âmbito do município e estadual a ser desenvolvido, o que segundo eles já deveria existir projeto nesse sentido, sendo que durante esse tempo poderia ter sido gerado dezenas de empregos na cidade e no campo.

 

A descoberta das cavernas e sua formação partiram desde o ano de 1996, durante semana santa quando os geólogos do Clube de Espelologia do Rio Grande do Norte (CERN), entidade ambientalista sediada em Natal, vieram através do Departamento de Biologia e Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

 

Para o Publicitário André Farkatt “Felipe Guerra é um dos lugares do Brasil, onde suas belezas naturais estão escondidas”, opina ele que à época fez também vários questionamentos a respeito do potencial turístico existente e não ter visto nada de concreto pelos governos municipal e estadual.

 

Desde o começo da pesquisa até os dias atuais, os geólogos constataram que a formação de cavernas vivas e grutas em Felipe Guerra, formando piscinas de águas cristalinas, estalactites e estalagmites,colunas,ninhos de pérolas e travertinos formam um grande potencial há ser explorado e mostrado aos milhares de turistas adeptos do turismo ecológico em diversas regiões do Brasil e no mundo,atraindo anualmente aproximadamente cerca de 30 milhões de pessoas,estatísticas referentes ao ano de 1991,de acordo com a Sociedade Brasileira de Espelologia(SBE) em busca do turismo ecológico.

 

Felipe Guerra é oficializado no Pólo Serrano.

 

No dia 18 de Julho de 2008, o Diário Oficial do Estado (DOE) através do decreto de número 20.624, o governo do estado do Rio Grande do Norte institucionalizou a criação do Pólo Turístico Serrano que deverá contemplar 16 cidades da região do Médio e Alto Oeste Potiguar, entre elas, Alexandria, Antônio Martins, Caraúbas, Campo Grande, Doutor Severiano, Felipe Guerra, Lucrécia, Luis Gomes, Major Sales, Martins, Patu, Pau dos Ferros, São Miguel, Venha Ver e Viçosa.

 

Com a criação do Pólo Turístico Serrano que atende as diretrizes do Plano Nacional do Turismo 2007/2010, especificamente o Macroprograma de Regionalização do Turismo e reúne “municípios com potencialidades turísticas semelhantes com o objetivo de estruturação e o planejamento do desenvolvimento do turismo sustentável, respeitando as tradições e as práticas sociais e culturais”, além de promover o desenvolvimento do turismo seletivo e organizado, gerador de ganho econômico e social, conforme foi anunciado no Decreto de Criação do Pólo Turístico Serrano, assinado pela Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, Wilma Maria de Faria e o Secretário Estadual de Turismo, Fernando Fernandes.

 

Embora tenha sido oficializado pelo Governo do Estado, o Pólo Turístico Serrano, de acordo com o decreto de criação é um espaço sócio-econômico homogêneo com vantagens competitivas e vocacionais, tendo o objetivo de integrar toda cadeia produtiva do turismo e oferecer as mais amplas possibilidades de desenvolvimento econômico e social para os municípios que fazem parte do pólo e assim promover o turismo nas regiões de abrangência do projeto.

 

Porém, com a institucionalização do Pólo Turístico Serrano ainda não existe data prevista para que sejam debatidos e apresentados projetos de melhoria pelos governos municipais das cidades que fazem parte o pólo, e quais os caminhos que o Pólo Turístico Serrano deverá seguir com propostas realmente viáveis para que possam contribuir com o desenvolvimento da região que se propõe.

 

Entretanto é esperado dos governos municipais de todas as cidades que compõem o pólo que haja empenho para que a população possa acreditar e ver o desenvolvimento em suas mais diferentes áreas e assim por diante tentar ser o elo promissor de um novo tempo tão esperado projeto no turismo da região do Médio e Alto Oeste Potiguar do Rio Grande do Norte.

Cachoeira do Carapina- Um espetáculo da natureza.

Com mais de 150 anos de existência, a Cachoeira do Carapina, localizada na comunidade de Rosário, distante da sede do município de Felipe Guerra, 6 quilômetros mostra em seu período de inverno entre os meses de Janeiro a Junho,um espetáculo de belezas bucólicas formando-se um dos locais mais freqüentados por visitantes do município e pessoas de outras cidades da região Oeste que vêem visitar um verdadeiro Oásis construído pela mãe natureza.

 

O nome da cachoeira que às vezes é confundido pelos próprios habitantes da pacata cidade, teve sua origem quando o agricultor, escultor e pescador Pedro Cardoso, morador nativo da região do Rosário, ali ele fazia trabalhos de esculpir carros de boi, carroças e canoas, quando muito das vezes ele estava realizando seu trabalho de esculpir ouvia-se de longe o barulho de carapinar,que é o bater na madeira para esculpir e dar formação há objetos, tanto, que foi feito uma associação da musicalidade do som das quedas das águas da cachoeira e daí dos seus instrumentos de trabalho fez dessa junção da arte de carapinar que é o oficio de esculpir a madeira e deste momento deram o nome de um dos locais mais interessantes da história do município, Cachoeira do Carapina, nome esse que inúmeras pessoas idosas ainda contam para as novas gerações que não conhecem um pouco da história do município de Felipe Guerra.

A GRANDE FESTA DA CIDADE

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Por Franklin Jorge

 

PAU DOS FERROS – A cidade mais representativa do Alto Oeste está em festa com a FINECAP 2008, a maior da sua história. Uma prestigiosa feira cultural, ponto de convergência de todo o estado, engrandecida este ano pela moldura inaugural da Praça de Eventos, uma obra que botou a auto-estima dos pauferrenses para o alto.

 

Construída sobre um antigo lixão que passou batido durante os três mandatos de prefeito do médico Nilton Figueiredo, a Praça de Eventos tornou-se a sala de visitas de Pau dos Ferros. É um lugar onde hoje todos passeiam e confraternizam, um lugar grandioso e funcional, que a primeira vista impressiona por sua dimensão e qualidade da obra.

 

Ontem foi a abertura da feira. Stands bem montados. Uma exposição de fotos antigas chama a atenção. É o memorial de Pau dos Ferros, uma série de fotografias de época ao alcance de todos. Secretarias representadas em stands temáticos. E, no meio de tudo isso, vibrando, os pauferrenses. Num mesmo espaço, gerações.

 

O lixão que tanto enfezava e preocupava os moradores da área, que temiam contaminação e doenças, passou incólume e altaneiro os três mandatos de Nilton Figueiredo, num entanto médico – ele próprio se apresenta como técnico e especialista no quesito saúde – descuidado com a saúde pública de Pau dos Ferros.

 

A Praça de Eventos inaugura-se, de fato, com a FINECAP 2008. Obra da administração do prefeito Leonardo Rego, atualmente disputando a reeleição –tem como opositor Nilton Figueiredo. Como disse em seu programa, ao construir a Praça de Eventos sobre um antigo lixão que dava má nota Pau dos Ferros, a cidade dos vaqueiros e comboeiros, fez Leonardo trabalho de saúde pública. Sarjou um charco existente num lugar nobre da cidade e sobre ele construiu a sala de visitas dos pauferrenses;

 

Pau dos Ferros está renovada. As obras se sucedem, como a construção de dois centros de saúde modelos dm bairros periféricos, Paraíso e Perímetro Irrigado. Quem a conheceu de perto, no curso de trinta anos, sente que um milagre se operou na vida de Pau dos Ferros.

 

Respira, a cidade, um ar saudável de grandes esperanças satisfeitas, consideradas por um jovem administrador que está mudando a feição urbana desta cidade pólo de inestimável importância para o Oeste. Centro médico, bancário, universitário, empório comercial de uma vasta região de 33 municípios, mais as regiões limítrofes com os estados do Ceará e Paraíba.

 

Encontrei no meio do povo o deputado Getulio Rego e seu filho Leonardo Rego, prefeito que tem 18% de vantagem sobre o seu opositor. E Nilton Figueiredo conta excepcionalmente com 52% de rejeição popular. Conversamos por alguns minutos sobre o êxito de uma administração baseada em planejamento e cumprimento de metas.

 

E com a FINECAP 2008, a maior da história de Pau dos Ferros, surge em Leonardo uma liderança regional. Para os jovens Nilton Figueiredo representa o velho, o mofado, o podre de vicios. Para os velhos, ilusões perdidas, esperanças frustradas, a inação e o clientelismo característicos dos seus três mandatos de prefeito, sempre – segundo relatório de auditoria –  pilotando Nilton ações duvidosas à sombra da edilidade.

 

BOA VISTA, O BAIRRO

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

 

MOSSORÓ — Li, numa parede qualquer, ao voltar para casa na Boa Vista, uma sentença preocupante. “Você está entrando num bairro perigoso”. Num lugar sem lei onde a vida humana não é respeitada nem tem valor, deduzi de pronto dessa leitura que me faz refletir sobre a absurdidade da existência e a impotência desesperada de quem se ocupou de escrever esse aviso que excede o sentido da normalidade familiar e doméstica de que desfrutamos, nós, os pacatos moradores da Boa Vista.

 

Desde que aqui estive pela primeira vez o bairro me pareceu tranqüilo e calmo. À  minha volta há uma gente pacífica, muitos velhos amáveis, pequenos comerciantes ganhando a vida honestamente, uma moçada viva, usuária das lan houses, lugar de muitos hábitos antigos apesar da tecnologia high-tech, de jogos e namoros virtuais. As ruas, como numa cidade sertaneja, são largas embora o calçamento deixe muito a desejar. O ar é bom, apesar da poeira finíssima que invisivelmente se infiltra nos mais recônditos interstícios.

 

Há trechos de ruas bastante arborizados, denunciando-se num simples esforço de embelezamento do ambiente público o sentido de civilidade dessa gente que não blasfema, porque acredita em Deus. E participa da vida da comunidade através de um gesto natural e espontâneo, como cuidar duma árvore e colocar vasilhas com água e alimento para os bichos abandonados, pobres e indefesos moradores de rua. Felizmente, vêem-se poucos animais abandonados pelas ruas e raros pedintes. Mas sei que eles existem e sofrem privações e doenças, como qualquer um de nós.

 

Sente-se que essa gente aprecia o bate-papo e o hábito da calçada. Tem amor e se orgulha do seu bairro, que é dos mais limpos, embora flanqueado pela rua Rio Branco, em Doze Anos, onde há um lixão sórdido a poucos metros da Socel. Joga-se ali até peixe podre e animais em decomposição. Aqui, na rua Professor Manuel João, os vizinhos se esforçam para servir. Há muitos bares, mas nunca presenciei uma desavença, nem mesmo em festas populares. Há uma grande, na paróquia, a do glorioso senhor São João, da família de Jesus, a quem nas águas do Jordão, batizou.

 

Como noutros bairros o transporte típico são as motos particulares e de aluguel, que levam todo mundo dum hemisfério a outro por dois ou três reais. Táxis são raros e raríssimos, sobretudo à noite. Eis um serviço que deixa a desejar, o de táxi. Somente os tenho encontrado em pontos no centro da cidade e no shopping. Como diria Gilberto de Souza, esse serviço em Mossoró é dose…

 

Quis fazer uma biblioteca comunitária na Boa Vista, aproveitando o espaço ocioso que há na Casa da Nossa Gente, aqui perto, um bom local praticamente sem serventia para o povo do bairro, que parece já ter se acostumado à inércia dos gestores municipais. Entusiasmado com a idéia, separei de minha biblioteca particular uma centena de volumes que continuam aqui, à espera dos leitores, que creio serem potencialmente numerosos. Pretendia chegar aos trezentos volumes que constituem uma biblioteca-padrão, segundo os especialistas. Quisera deixar aqui, nessa comunidade, uma marca de minha presença neste bairro, onde vivo há mais dum ano, sob a forma duma biblioteca comunitária. Fui tratar desse assunto com a gerente de Desenvolvimento Social do município, Dona Fátima Moreira, mas tomei um tremendo chá de cadeira, lá, no Centro Administrativo. Oh mulherzinha sem noção! Que pensa essa gestora sobre o que é desenvolvimento social? Onde foi que ela tirou o diploma de assistente social? E, sobretudo, quem foi a pessoa que inadvertidamente a indicou para esse cargo de tanta responsabilidade?

 

A propósito, sugiro ao prefeito Gustavo Rosado que transforme uma daquelas lojas da Praça da Convivência em biblioteca comunitária. Ofereço-me voluntariamente ao seu serviço, para estimulo da leitura em Mossoró, sem custo para a prefeitura que, no entanto, só quer saber de quadrilhas e folia. Doarei os livros do acervo inaugural. Esses mesmos, que me olham aqui do lado, enquanto escrevo estas linhas.

SALVEMOS A PRAÇA DO CODÓ

sábado, 2 de agosto de 2008

Franklin Jorge

 

MOSSORÓ — Disse Francis Bacon [1561-1626] que Deus Todo-Poderoso foi quem primeiro plantou um jardim a que chamou de Paraíso e o destinou para residência de Adão e Eva. Assim, como as praças, o jardim faz parte da vida humana. E, desde que o mundo é mundo, servem ao embelezamento dos lugares e para o recreio e o repouso do espírito do homem. Estão para as cidades como os oásis para o deserto, ponto de convergência humana e refrigério das agruras da vida. É uma dádiva do divino ao humano.

 

Quem viaja para instruir-se com os costumes alheios, percebe a importância que praças e jardins têm para os povos civilizados. Em Franca e na Inglaterra, onde podemos apreciar talvez os mais belos jardins da Europa, são praças fortificadas das quais os moradores do seu entorno, em muitos casos, chegam a ter uma chave que lhes dá acesso exclusivo ao seu usufruto. Noutros países, igualmente civilizados, são espaços abertos a todos, como em Roma, cujo nome invertido significa amor.

 

Ora, sem jardins e praças os palácios e demais edifícios seriam construções grosseiras e inumanas, enfatizou ainda Bacon que felizmente morreu antes do surgimento de Mossoró e, portanto, não teve o desprazer de saber que neste momento alguns dos empresários e políticos estão conspirando contra a existência da Praça Bento Praxedes. Querem-na transformar – avaliem o absurdo e a pobreza intelectual desses senhores – em estacionamento! Sim, em estacionamento de automóveis e motocicletas. Não em uma escola, por exemplo, o que já seria uma idéia absurda, mas em um vulgar estacionamento para meios mecânicos.

 

Embora atualmente reduzida a um lastimável estado de penúria que depõe contra a administração pública, a referida praça faz parte da história dessa cidade em diversos períodos, da Monarquia à República, lugar de celebrações cívicas e de meetings populares, coisas naturais e imprescindíveis àqueles que vivem em sociedade e valorizam a comunicação que o convívio proporciona.

 

A destruição da Praça Bento Praxedes ou Do Codó, como é mais conhecida em Mossoró, constitui um crime de lesa-cidadania. Um lastimável mau exemplo. A cidade, que carece de espaços comunitários. Desmente a própria tradição de que se jacta o seu marketing político de cidade cultural, sempre na vanguarda de embates em prol da dignidade de seus habitantes, capitula diante da dificuldade de resolver um grande problema que afeta a todos, a falta de estacionamento, criando um outro igualmente grave – a falta de espaço para a convivência humana, que não pode faltar numa cidade tão arrogantemente orgulhosa de si e com a pretensão de tornar-se a “capital de cultura” do Rio Grande do Norte.

 

É um tremendo retrocesso e um acinte aos modernos paradigmas urbanísticos que se empenham na humanização das cidades, através a criação de espaços de uso coletivo, como praças e parques, a exemplo do que o prefeito Carlos Eduardo Alves está fazendo em Natal, criando, além de numerosas praças, nos bairros mais remotos, o Parque da Cidade, para o qual obteve o concurso estético e funcional do arquiteto Oscar Niemeyer, criador de Brasília, cidade-monumento, um dos patrimônios culturais da humanidade. Aqui, porém, despreza-se o humano em favor dos gananciosos e dos egoístas que pensam somente em seus próprios interesses.

 

Praza aos céus que tudo isso não passe de fuxico da oposição ou do desapreço dos que não amam Mossoró e desejam diminuí-la, destruindo-lhe um dos seus espaços públicos mais importantes — embora, sob a administração da prefeita Fafá Rosado, esteja completamente abandonada essa praça que e uma grife da cidade. Ora, caso venha isso a acontecer, a segunda mais importante cidade do estado estará andando de marcha-ré, como os caranguejos.

 

Queira Deus que em sua inocência reconhecida até por seus adversários, a prefeita Fafá Rosado diga não a essa sandice de empresários desprovidos de senso de cidadania, de civilidade e de respeito a Mossoró, defensores indefensáveis da destruição da Praça Bento Praxedes — um patrimônio do povo mossoroense. Alienar a praça do povo seria mais que andar para trás; é pura sandice. Tal proposta não pode merecer outro qualificativo. Sandice, sandice, sandice. A Promotoria de Defesa do Patrimônio precisa entrar em cena para defender a Praça Bento Praxedes. Para defender o patrimônio cultural da cidade e preservar a cidadania. Urgentemente, Doutor Eduardo Medeiros. Urgentemente.