Arquivo da Categoria ‘Costumes’

A FOGUEIRA E SEU INCONVENIENTE AMBIENTAL

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Por Robson Fernando, do
blog Arauto da Consciência

Tradição secular, a fogueira de São João está se aproximando da época em que será vista como um costume proibitivo e não-recomendável, se não já começou a ser vista assim. Assim como o balão poliédrico a fogo, tem inconvenientes importantes que fazem a continuidade de seu uso ser algo nocivo, dessa vez para o meio ambiente, vide desmatamento e poluição.

Em época de sonoros debates sobre preservação das florestas e proposições de diminuição máxima de emissões de gases de efeito-estufa e poluentes, os fogaréus juninos vêm sendo escancarados como elementos causadores de um impacto ambiental notável e evitável, o qual nunca foi quantificado em dados mas é fortemente perceptível antes e durante os dias de festejo.

Dados sobre quanto de madeira é retirado a cada ano de matas virgens, reflorestadas ou de plantação para a montagem de fogueiras no Nordeste são difíceis de ser encontrados, mas, percorrendo-se avenidas e estradas de muitas cidades nordestinas, pode-se ter uma ideia de que houve um significante estrago nos ecossistemas explorados para tal fim, em especial em áreas de Mata Atlântica – incluindo brejos de altitude – e de Caatinga.

As pilhas de lenha à venda para confecção de fogueiras são enormes e lembram predominantemente troncos e galhos de árvores de vegetação tropical ou semiárida. Como raramente há garantia de que vieram de manejo florestal, pode ser deduzido que a cada ano é feito um significativo dano, infelizmente jamais medido ou sequer estimado em números, nas matas nordestinas. Contudo, não há nenhuma lei, pelo menos em Pernambuco, regulamentando a extração de madeira para fins de comemoração das festas juninas.

Além do evidente desmatamento anual que o São João “provoca”, chama atenção também a poluição gerada. A queima da lenha gera uma relevante fumaça que, além de ameaçar a saúde de quem está próximo, suja substancialmente o ar. Uma única fogueira parece não fazê-lo tanto, mas, quando observamos, por exemplo, uma praça rodeada por seis fogueiras, o ar torna-se irrespirável e a fumaça em cima da área toma um aspecto quase espesso, lembrando um pequeno incêndio florestal.

Não é só o ar sujo que depõe contra a fogueira junina, mas também o clima terrestre como um todo. Talvez apenas um fogo pareça desprezível quando se considera a atmosfera do planeta, mas, quando somamos os milhares ou talvez milhões de fogueiras acesas no Nordeste na segunda metade de junho de um ano, percebemos a emissão de toneladas e toneladas de gases-estufa altamente poluentes, contribuindo para as perversas mudanças climáticas globais. Quando multiplicamos por 15 anos então, a “ajuda” dada ao efeito-estufa é bastante pomposa.

A consciência que reconhece os inconvenientes ambientais da fogueira, no entanto, ainda é incipiente na região e, conseqüentemente, a resistência cultural ao abandono desse costume ainda é grande, tanto quanto a intransigência perante os apelos de defensores animais sobre a crueldade contra animais presente nas vaquejadas.

Considerada essa realidade, o surgimento de uma campanha na mídia pela aposentadoria das fogueiras de São João, semelhante à feita contra os balões poliédricos que corriam o risco de causar incêndios, é esperado para os próximos anos. Fica aqui a recomendação de que comece o quanto antes, pelo menos de forma gradual, tendo tão logo um pontapé inicial com, por exemplo, Caruaru abandonando o costume em prol de um São João ecologicamente correto e ensinando às pessoas que a fogueira é um estorvo ambiental que não faz falta para os festejos.

LIBERALISMO À MODA BRASILEIRA

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Roberto Campos, um dos mais célebres liberais do Brasil

Roberto Campos, um dos mais célebres liberais do Brasil


Do Economist

No Brasil, falar de corte de impostos e medidas “liberais” é praticamente um crime eleitoral. O modelo de dirigismo econômico adotado pelos governos no país é ainda mais estranho quando se nota que o governo militar escolheu um modelo igual para o país de 1964 a 1985. A última mostra de liberalismo clássico em um governo brasileiro foi no século XIX.

Apesar disto, os dois governos bem sucedidos após a ditadura, o de Lula e o de Fernando Henrique Cardoso, foram pragmáticos o bastante para adotar uma mistura de liberalismo com social democracia. No entanto, ser chamado de “liberal” é incrivelmente impopular. O partido que representaria o grupo, o Democratas, enfrenta acusações de corrupção e tem perdido força nas urnas eleição após eleição.

Os poucos liberais no país podem se consolar com a ideia de que o Brasil é um dos países mais socialmente liberais do mundo. Praticamente todas as religiões são praticadas sem medo de opressão, e passeatas gays atraem números recordes de participantes. Ser liberal, no entanto, ainda é algo que é melhor ser feito privadamente.

AS TRÊS SOLUÇÕES

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Por Martim Vasques da Cunha,
da revista Dicta&Contradicta

- Mas qual é a solução, Martim, qual é a solução?

Esta é a pergunta que me fazem nas últimas semanas, depois que eu publiquei um texto chamado Eles só usam black-tie. Se você se lembra do que escrevi, falo de que estamos a viver em uma época entrópica, em um mundo e em um país que escolhe a apatia como instituição e a pusilanimidade como uma forma de existência. Confesso que o final do meu raciocínio não era lá muito esperançoso – inclusive muitos me acusaram de “comodismo” e “quietismo político”.

Nada mais errado. Quem me conhece sabe que sou completamente contra o “quietismo político” – a nemesis da política do ceticismo que se disfarça sob os nomes de “tolerância”, “pluralismo” e “conciliação”. Trata-se nada mais nada menos de uma paralisia do espírito que estimula a tal da entropia da qual já falei. The best lack all conviction, while the worst are full of passionate intensity, dizia o bom e velho Yeats.

Para quem ainda não está familiarizado com alguns termos, a política do ceticismo é uma atitude que se contrapõe à chamada política da fé. Os conceitos não são meus e sim de Michael Oakeshott. A , no caso, não é a crença religiosa, mas uma fé em acreditar piamente que só a razão humana, em sua autossuficiência, pode resolver os problemas humanos e, consequentemente, também os problemas políticos. O ceticismo é a atitude de oposição, que se resguarda das supostas vitórias da razão e prefere deixar as circunstâncias e a falibilidade humana ditarem os fatos. Segundo Oakeshott, os maiores exemplos de política da fé seriam os progressistas, os liberais e os socialistas; e os do ceticismo seriam ninguém menos que os malfadados conservadores.

Oakeshott falava a partir de uma perspectiva européia e frisava um detalhe em seu raciocínio: ambas as atitudes podem, em um determinado momento, parecer semelhantes. Além disso, elas não são atitudes ideológicas – ou seja, não são sistemas acabados de dogmas ou argumentações encadeadas. São somente atitudes de governo, nunca de Estado. A área que Oakeshott desejava abarcar era um espectro de ação pré-política, antes de qualquer classificação partidária e, claro, de ideologia.

Como estamos a tratar do Brasil, ficamos afoitos em encaixar a teoria de Oakeshott no nosso mundo político. Qualquer um com dois dedos na testa sabe que isso é impossível. E o motivo é simples: não há como encontrar nenhuma espécie de atitude de oposição entre uma política da fé e uma política do ceticismo. Durante anos e anos, a tradição política brasileira se baseou nos pilares da “conciliação”, como descreve bem Paulo Mercadante em seu livro A Consciência Conservadora no Brasil. O conservador citado aqui não é o mesmo que se inspira em Burke, Nabuco, Tocqueville ou Churchill; um outro sinônimo para isso é “acomodado”. O político prefere se “acomodar” no rame-rame estatal e faz suas “conciliações” conforme as circunstâncias permitem ou exigem, esquecendo-se, é claro, de um possível projeto de nação ou até mesmo de se preocupar com o que a sociedade concretamente necessita. Esta linha de pensamento formou a nossa tradição da “social-democracia obscurantista” (a expressão é também de Paulo Mercadante) que, nos dias atuais, é representado pelos partidos do PSDB e do PT.

Estes dois partidos, apesar de aparentarem uma “oposição”, na verdade falam a mesma língua e trocam farpas no mesmo ambiente cultural. São duplos miméticos, para usarmos um termo girardiano, em que um imita o outro conforme a rivalidade se intensifica, tornando-os indistingüiveis quando a propaganda os faz parecer diferentes. Formam a “social-democracia obscurantista” porque criaram o totalitarismo cultural e espiritual que vivemos nos nossos dias. Você pode até pensar que não está em um regime totalitário porque ainda (repito: ainda) não foi preso por uma Securitate ou uma KGB tupiniquim, mas pergunto-lhe: Já tentou falar de algo que escape do relativismo moral que abunda nas universidades e redações de jornais? Experimente falar de qualquer tema metafísico ou religioso; é batata que você será catalogado como “carola”. Defenda a hieraquia da realidade, em que a ordem das coisas se sobrepõe ao fanaticismo da igualdade – e veja como as pessoas não o convidarão mais para o cocktail bacana onde você poderia descolar um empreguinho trendy. Isso sim é totalitarismo – e o pior de todos pois é o totalitarismo consentido, fortalecido na pusilanimidade humana, na apatia da ação débil, que confunde caridade com coniviência criminosa. Se não matam o seu corpo, matam a sua alma.

O PSDB e o PT – e José Sarney, Collor de Mello, Democratas, you name it – simplesmente acabaram com qualquer espécie de oposição no debate político do país. Eles são adeptos totais da política da fé; são jacobinos elevados a terceira potência, tomando decisões dentro de seus gabinetes, completamente descolados do real, possuídos por uma ideologia que, somada à libido dominandi, resulta no país onde vivemos: uma vitrine feita apenas para inglês ver que, seduzida pelas estatísticas e pelos números, acha que está em pujança econômica quando isto é, na verdade, o primeiro passo para a queda definitiva.

Para piorar, não temos sequer uma resistância digna de nome. Exceto o trabalho pioneiro de Olavo de Carvalho, que avisou todo mundo, mas ninguém ouviu, não se pode contar com uma vivalma; nem com os liberais, que se preocupam somente com a economia e com uma tal de “liberdade” que nem eles próprios desconfiam o que seja; nem com os conservadores, que não existem no Brasil e, se isso ocorrer, tenham certeza de que será um milagre; nem com uma suposta resistência cristã, que, dividida entre a Igreja Católica e uma parcela dos evangélicos, não sabem se tomam o lado da caridade dos tolos ou assumem de vez o vírus da Teologia da Libertação. E se alguém espera alguma coisa do setor empresarial, que, sem dúvida, é o que sai mais prejudicado com toda essa situação (afinal, um livre mercado só pode existir se a liberdade existir dentro de uma determinada ordem e hierarquia), podem esquecer: como já sabemos, o PT fez questão de comprar a consciência de cada um, tornando-os socialistas de carteirinha.

No aspecto cultural, que é o que me interessa, as conseqüências são seríssimas: a sociedade passa a viver em uma espécie de realidade alternativa, onde as coisas se apresentam como uma espécie de alucinação, impossibilitando os pequenos detalhes que fazem a vida prática funcionar. Mas como todos querem uma existência sossegada, então aceitam a situação e se abaixam até um dia o focinho alcançar o chão. É um passo para a estratégia da avestruz: enfiar a cabeça na terra e mentir para si mesmo parece ser a resposta certa, pelo menos segundo esses senhores.

Quando uma sociedade se descola propositadamente da realidade, toda a sua cultura se torna um instrumento de poder. E quando as pessoas pensam somente dentro de uma lógica de poder, é apenas um passo para uma guerra civil. Contudo, essa guerra civil não acontecerá de modo apocalíptico; é a destruição das instituições por dentro, como o cupim que come a madeira, para depois atingir a população numa letargia sem precedentes, da qual ninguém sabe mais de onde vem o mal que a aflige. A guerra civil se dará entre as famílias, entre os amigos, entre as pessoas mais queridas. E o fato de que, para destruir a sua vida, você não precisa mais de ter um inimigo e sim somente um bom amigo – eis a grande novidade do totalitarismo do século XXI.

Por isso, nesta situação sufocante, as pessoas me perguntam:

- Mas qual é a solução, Martim, qual é a solução?

Confesso que não sei. Minha função não é dar solução para ninguém – nem mesmo eu tenho isso para a minha própria pessoa. Mas, recentemente, li um livro que foi lançado em Dezembro, O Diário da Felicidade (É Realizações, trad. Elpídio Mario Dantas Fonseca), do filósofo romeno Nicolae Steinhardt. Logo na sua abertura, Steinhardt, que foi preso pela Securitate (a KGB romena), fala sobre as três soluções que dão certo para o homem que tenta se manter íntegro em qualquer ambiente de espírito totalitário (e, por qualquer ambiente, entenda-se cultural, espiritual, político, social, etc.):

- A primeira é inspirada em Alexander Solzhenitsyn, o autor de Arquipélago Gulag: a partir do momento em que você for preso, depois de ter atravessado o interrogatório de uma Gestapo, de uma KGB ou de uma Securitate, decida-se pela seguinte resolução – você é um homem morto. Se decidir isso, nada mais tem importância; podem torturá-lo, xingá-lo, incitar seus amigos e parentes à traição, nada disso lhe atingirá. Porque, afinal de contas, você morreu para o mundo.

- A segunda é inspirada em um romance chamado As alturas ocas, de Alexander Zinoviev, a partir de um personagem apelidado de O Rebelde. Consiste na decisão pela total inaptidão em relação ao sistema. Você se finge de louco – aliás, torna-se o próprio bobo da corte; assim, pode gritar aos quatro cantos sobre as mazelas da sociedade que ninguém o escutará porque, afinal de contas, sempre será considerado pelos outros como um pinel de marca maior.

- A terceira é inspirada em episódios das vidas de Winston Churchill e de Vladimir Bukowski. Churchill afirmava que, mesmo com o pressentimento de uma guerra terrível, sentia-se rejuvenescido como se tivesse vinte anos; Bukowski não podia esperar pelo momento de ser chamado pela KGB e enfim ser interrogado porque queria entrar na sala “como um tanque de guerra” e gritar a todos a verdade sobre a Rússia. Esta é a decisão do “retroceder nunca, render-se jamais”; a de que é melhor quebrar do que vergar; a do sujeito que encontra suas forças mesmo quando o combate parece estar completamente perdido.

Steinhardt afirma que essas três soluções dão certo em termos práticos e ninguém lhe disse o contrário. São atitudes essencialmente a-políticas, mas, se realizadas com uma certa retidão, podem provocar terremotos consideráveis na política de nosso país. Afinal de contas, o totalitarismo que reina no Brasil é o da estupidez humana. Logo, por que ter medo?

E aí, leitor? Agora sou eu que lhe faço a pergunta: Qual é a solução que você prefere?

STF: TENDENCIA É LEGALIZAR UNIÃO HOMO

sábado, 22 de agosto de 2009

Brasilia - A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sinalizado ser a favor de reconhecer a possibilidade de união estável entre homossexuais e todos os direitos dela decorrentes, como a concessão de pensão e a permissão para adotar crianças. Há ministros que defendem que o STF deveria deixar claro que esses casais que convivem de forma contínua e duradoura formam uma família.

Atualmente, há falta de sintonia nas decisões dos tribunais estaduais e de juízes dos 26 Estados e do Distrito Federal - as sentenças são totalmente diferentes a respeito do tema. Por causa dessa disparidade, ministros do STF pensam em unificar o assunto editando uma súmula que deveria ser seguida por todo o Poder Judiciário.

A constatação de que não há uma posição clara da Justiça sobre o tema aparece em pesquisa ampla realizada nos tribunais de Justiça pelo relator de uma das ações no STF, o ministro Carlos Ayres Britto.

A reportagem do Estado teve acesso aos dados que integram a ação movida no Supremo pelo governo do Rio com o objetivo de obter do STF a declaração de que os mesmos direitos dados aos casais heterossexuais devem ser concedidos aos homossexuais em relação ao Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado. Ayres Britto pretende julgar a ação neste semestre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A PAISAGEM HUMANA DE MARTINS

quinta-feira, 23 de julho de 2009

SEU NOME É SEVERINO (1-2)

Por Franklin Jorge

Martins — Severino Vicente, nascidoem 1924 na Serrinha dos Pintos, então um distrito de Martins, é bodegueiro e tem um “local” onde vende “mangaios” (ervas medicinais, chapéus de toda qualidade, chocalhos, gamelas, mesas e cadeiras rústicas, cangalhas, malas de madeira, tudo feito artesanalmente).

Como está, pergunto-lhe e ele, elvantando-se da cadeira forrada com pele de raposa, responde incontinenti, Me trocendo todo, numa idade em que a gente não tem mais esperança de nada…E, depois de um sorriso, Ah nessa idade não tenho mais história não…Minha viagem para o outro lado penso que está próxima… Gabo-lhe a boa aparencia e disposição ele retroca que a pior doença é a velhice, pois não admite tratamento. Nessa idade temos apenas a conformação…

É um velho timido e afável, viúvo e membro da Assembléia de Deus, que frequenta duas vezes por semana, por causa da distancia. Batalhei muito desde muito moço e agora spo tenho a velhice como arrimo, o que não me parece grande consolo, mas estou conformado. Nessa idade, como disse, estou só pastorando…Olhando…Ouvindo e matutando sobre o que ouço e vejo.

Minha mulher Antonia Hermínia, com quem me casei aos 21 anos, era mais velha do que eu seis anos, mas isto nunca foi dificulidade para nós. Vivemos 57 anos juntos. Houve dessa união nove filhos, todos bem encaminhados na vida e vivendo às próprias custas. Graças a Deus, minha mulher nunca pariu em maternidade, mas em casa, tirando resguardo de quarenta dias, comendo pirão de galinha caipira. Meu filho, Raimundo, mais novo formou-se em Direito em Natal, onde vive e ganha a vida… Não posso me queixar pois recebi as bençãos de Deus.

Fui criado pelas casas alheias. Morei uns tres anos na casa de Zuca Teixeira, avô de Haroldo, ex-prefeito de Martins. Depois morei 22 anos com o Dr. Giovanni e fui gerente de uma prorpiedade dele na Varginha… Trabalhei muito alugado aos outros, como todo mundo naquele tempo, ganhando o dia a destões, depois a dois mirréis com direito a almoço, servido às nove horas da manhã; almoço às catorze horas e ceia às sete da noite, geralmente coalhada com pão de milho de zarolho moido em casa, e rapadura para adoçar.

Durante toda minha vida tive a coragem de enfrentar as dificulidades, comendo pau e pedra sem tugir nem mugir. nesse tempo de minha mocidade, comia-se feijão de corda, toicinho, farinha dágua e rapadura. Arroz era requinte. tudo cozido em panelas de barro sobre fogão de lenha que cobria as telhas de picumã…

Na Varginha, no tempo em que trabalhav para o Dr. Giovanni , eu acordava às quatro horas da madrugada para desleitar as vacas. Tomava depois meu café e ia para os roçados, capinar, cavoucando e alimpando a terra para o plantio, roçando o mato, vaquejando o gado… Rapaz, eu peguei uns tempos de dificulidade, mas como disse recebi muitas bençãos de Deus que é santo velho.

Eu gavo a agricultura. Não sou como muitos que falam mal dela. Eu, não… Eu achava bom ser agricultor porque da terra eu tirava o meu sustento e o sustento dos meus…Enchia assim a minha casa de milho, feijão, mandioca, batata, algodão…Cheguei a colher 400 arrobas de algodão…

LEI ANTIFUMO NÃO SE APLICA A MACONHA

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Transcrito de Mídia@Mais

 

Por Gerson Faria

 

Quando se afirma que a legislação cada vez mais pesada sobre o cigarro e a concomitante flexibilização no tocante a entorpecentes parece ter como uma das principais motivações a legalização ou descriminação do uso destes últimos e o banimento dos primeiros, vêem aí uma teoria conspiratória, uma relação muito óbvia, artificial, diferente da costumeira nebulosidade da política.

O PSDB deu o pontapé inicial com projeto de Arnaldo Madeira tornado lei, nos anos 1990, dividindo os estabelecimentos entre fumantes e não-fumantes. O mesmo partido votou favoravelmente ao recente projeto de lei antifumo que, se aprovado, terá poder de retirar o fumante à força policial do ambiente em que estiver. Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, defende a descriminalização do uso da maconha, pois os ideólogos social-democratas (socialistas fabianos), aceitam a premissa de que a repressão não dá frutos, só dor e tristeza. José Serra, também do PSDB, tem até o final do mês de abril para sancionar o projeto já aprovado na Assembléia. Se seguir a linha do partido, certamente o aprovará.

Segundo a política de drogas defendida pelos social-democratas:

O documento sugere uma revisão das políticas de repressão às drogas na América Latina, com foco em saúde pública, tratando os dependentes como pacientes e não criminosos, e investindo na prevenção voltada aos jovens, faixa etária onde há o maior número de consumidores. De acordo com a [Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia] ONG, apesar dos grandes investimentos, a estratégia de ‘guerra às drogas’, que tem ênfase na repressão à produção e na criminalização dos usuários, não tem obtido sucesso.

Ora, essa revisão, como muitos temas polêmicos, não foi e parece que não será discutida em âmbito democrático, mas sim nos círculos dos policemakers, os fazedores de política como FHC, César Gaviria, Ernesto Zedillo, George Soros, fundações patrocinadoras e seus agentes executores, as ONGs, entidades e pessoas não eleitas pelas urnas.

A repressão ao fumante de cigarro está aí antes de qualquer debate e da aprovação da lei paulista; o cigarro parece ter seus dias contados e a maconha já está tomando o seu lugar. Como afirma o trecho do documento logo acima, “repressão à produção e a criminalização dos usuários (…) não tem obtido sucesso”. Mas a repressão e criminalização de fabricantes e fumantes de cigarro já são levadas a efeito, como se o cigarro e seus produtores estivessem entre os agentes  destruidores do tecido social, como o são os relativos a entorpecentes.

Ou seja, no caso do cigarro querem nos convencer de que a proibição e repressão deverão funcionar; no caso das drogas, por algum motivo que nos escapa, é a legalização e um tratamento especial que deverão funcionar. Mas quando é para atacar o cigarro, tratam-no como “droga”.

Reprimir quem possui milícias, políticos, legisladores, defensores nos meios culturais, acadêmicos e jornalísticos e, ainda por cima, independência econômica como o narcotráfico possui, não deve ser nada fácil mesmo. Reprimir algumas empresas legais e cidadãos, ambos pagadores de impostos, e colocar cidadão contra cidadão: nada mais fácil. O fumante é o leproso da vez.

É essa uma política do mais fácil, da legalização da hegemonia, do fortalecimento do mais forte e da repressão ao mais fraco? Me parece que sim.

Pausa.

No dia 3 de abril, o SESC Pompéia promoveu show da banda Los Sebosos Postizos, na Choperia. Um colega estava lá e relata:

“Fui com a minha namorada ao show, ela fuma maconha e é radicalmente antitabagista. Eu, fumo cigarro. Quando acendi um, o segurança do local dirigiu-se a mim e obrigou-me a apagá-lo (tendo eu engolido metade do trago). Após o incidente, minha namorada acendeu seu baseado, fumou-o inteiro, tranquilamente, sem sofrer constrangimento algum…”.

O SESC é bem conhecido por seu caráter politicamente correto, propagador da tal sustentabilidade, espaço da digamos, contracultura estatizada. É esteticamente anticapitalista e serve de braço das políticas culturais coletivistas de esquerda. Isso tudo pago pelo associado mediante participação automática na classe trabalhista em que se encontra e também por repasses do Governo do Estado.

Se observarmos a programação, o show da banda é recomendado a maiores de 18 anos (na verdade, proibido a menores) pois talvez saibam que o fumo de  maconha em shows desse tipo costuma ser generalizado. De dia, o SESC promove simulacros de dança de roda, contadores de histórias, teatrinho de bonecos, oficina de papel machê. À noite, a outra face se revela: shows de conteúdo explícito e contravenção, não dedicados aos filhos menores de idade dos associados, ainda que gostem do som dos Sebosos.

Isso quer dizer: os comerciários que não proibirem o fumo de cigarro em seus estabelecimentos, se pegos ou denunciados poderão ser multados pesadamente (a não ser, é claro, a hipótese de suborno à fiscalização, que não se descarta facilmente e que poderá auxiliar na política de repressão, dada sua imensa rentabilidade). Ao mesmo tempo, o Serviço Social do Comércio promove shows onde o uso da maconha é consentido.

O uso de entorpecentes tornou-se, a partir dos anos 1960, uma das maiores bandeiras de liberdade difundidas pelas esquerdas. “Turn on, tune in, drop out” foi o grande lema da contracultura hippie. A revolução comunista pela política fracassou, agora virá pela política das drogas, quebremos todas as barreiras, é proibido proibir, eram os slogans das classes falantes que hoje fazem as políticas ou as inspiram.

Para destruir um lado, lista-se tudo o que este possui de ruim, real ou imaginariamente. Para enaltecer o outro lado, lista-se tudo o que este possui de maravilhoso, real ou imaginariamente. Por exemplo: o cigarro só causa males terríveis – Oscar Niemeyer deve fumar há mais de 80 anos e poderia atestar isso hoje, fumante com  mais de 100 anos de idade. Niemeyer é sempre lembrado para falar bem de Fidel Castro e do MST, assuntos sobre os quais pouco ou nada acrescenta. Quando o assunto é fumantes longevos, sua opinião não vale nada; o pobre arquiteto é esquecido. Seus usuários ou quem se oponha à lei são todos uns anencéfalos, dizem os críticos:

“Nenhum ser provido de massa encefálica pode ser contrário a uma lei que visa proteger os fumantes passivos, evita doenças graves e promove uma melhora generalizada na saúde da população.”

Já a maconha só falta curar câncer e, se não o faz, é porque “os governos ainda reprimem pesquisa com ela”, cogitam. E há “empresários da bilionária indústria do cigarro, seres abjetos que vivem do lucro em cima  da desgraça alheia”. E há “pobres camponeses que vivem do plantio da maconha e da coca, que sofrem com a ‘guerra às drogas’”. E o falso debate se estende nessa linha por décadas, como se os entorpecentes possuíssem males intrínsecos muito inferiores aos problemas advindos da repressão à sua produção e distribuição. Quanto ao cigarro,  este possui todos e somente males, sejam intrínsecos ou não.

Passaram-se os anos, os entorpecentes agora precisam ser “enfocados como problema de saúde pública”. A AIDS precisa ser “enfocada como problema de saúde pública”. A gravidez na adolescência precisa ser “enfocada como problema de saúde pública”. O aborto precisa ser “enfocado como problema de saúde pública”. Já o cigarro não,  segundo a saúde pública, este precisa ser criminalizado mesmo e ponto. 

 

 

 

MEUS VERDES ANOS

terça-feira, 3 de março de 2009

Por Franklin Jorge

 

Conheci no Estevão as felicidades prodigadas pelo inverno. Em algumas manhãs, a caminho dos roçados encharcados de seiva, rompia cercas viva ou equilibrava-me sobre os leirões; no sítio uberoso, sentia roçar-me a pele, oloroso, transparente e gelado o orvalho da madrugada que refulgia ao sol ainda brando do inverno. Por toda parte a alegria dos pássaros meliantes e a respiração da terra grávida e satisfeita.

 

Outras vezes, numa marcha cheia de obstáculos, seguia a cavalo ou sentava-me sobre os ombros de Seu Midas, amálgama de gênio alegre e de gigante amável, amando as crianças e a liberdade, sempre de bom humor, em deambulações perpétuas por várzeas e tabuleiros.

 

Andar, sentindo a terra viva sob os pés, constituía então para mim uma forma inconsciente de felicidade. Uma felicidade informe e visceral que me avassalava todos os sentidos.

 

Nas grandes inundações, inútil resistir aos descontroles da natureza. Sempre os elementos afirmariam sua pujança sobre a vontade dos homens. Era quando, no último instante, deixávamos a casa grande construída para as bodas de minha avó materna.

 

Debaixo da chuva ou aproveitando que estiara, atravessávamos em cortejo de nadadores exímios o rio álgido e voraz. Sobre uma balsa manobrada por vareiros provados no ofício, vencíamos custosamente a correnteza tumultuosa., na maior expectativa.

 

Após a escalada da íngreme encosta esculpida pelas intempéries, os altos do Panon, terra bárbara no limiar da mata nativa, antigo refúgio de indígenas e negros fugidos. Nome de origem africana, sugere “pequena onda”. Enfim, debaixo dos nossos olhos, a caudalosa Lagoa das Portas, duma aquosidade metálica, plúmbea e mortuária, embalsamada no odor adocicado e carnal dos aguapés.

 

Pântano luzente, fervilhando de ervas úmidas, a lagoa despertava em mim atração e repulsa. Troncos rugosos bóiam à flor da água marchetada de placas luminosas. Um vapor vitrificado dá paisagem uma nota de irrealidade; algo assim como a estranheza que fazia o meu pequeno coração bater descompassadamente.

 

A paisagem parecer-me-ia, anos depois, como que composta por um artista profuso e sintético. Alguém que fizera as criaturas e os elementos e que fora ainda capaz de da existência a assombrações diurnas.

 

Vivia eu naquela idade que nos dá a felicidade de maravilhar-nos e de ver milagre em tudo. Tocado então pelo mistério das águas lustrais, mirava à distância a lagoa imóvel, resplandecente como uma lava de gelo.

 

 

 

 

 

 

“O HOMEM DO COFRE”

segunda-feira, 2 de março de 2009

Triste notícia para nós, potiguares, neste domingo de sol

Está na Folha de São Paulo deste domingo e também na Uol.

Servidor responsável pelo Orçamento de R$ 2,7 bilhões do Senado - maior do que o da cidade de gaúcha de Porto Alegre, previsto para este ano esconde uma casa de R$ 5 milhões num dos pontos mais nobres de Brasília, informa reportagem dos jornalistas Leonardo Souza e Adriano Ceolin, publicada neste domingo na Folha .

Há 14 anos como o “homem do cofre” do Senado, o potiguar Agaciel Maia usou o irmão e deputado João Maia (PR-RN) para esconder da Justiça a propriedade de uma casa que tem 960 metros quadrados de área construída, com três andares, cinco suítes e salão de jogos.

“Eu comprei [o imóvel], mas não podia pôr no meu nome porque eu estava com os bens indisponíveis. Então, na época, em vez de comprar no meu nome, eu comprei no nome do João”, disse Agaciel à Folha.

Ele é o ordenador de despesas do Senado. As contas da Casa precisam de sua assinatura para serem pagas, embora os gastos acima de R$ 80 mil necessitem do aval da Mesa Diretora, composta por sete senadores.

A DESCOBERTA DO CORPO

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge 

 

Recebia a visita de Thiago de Mello em Rio Branco quando completei 40 anos. Lembro-me que tive a idéia de ir passar a noite na casa de um amigo, para fugir a uma possível comemoração dos meus colegas de trabalho no “Complexo de Comunicação O Rio Branco”, que então eu dirigia. O poeta aquiesceu em acompanhar-me, após inteirar-se dos meus motivos, sem sabermos que a festa havia sido organizada justamente na casa onde eu pretendia fazer a data passar desapercebida, por dois motivos: por não gostar dessas comemorações e sobretudo para não impor a funcionários humildes gastos desnecessários com presentes, como eu vira tantas vezes durante os meus cinco anos de serviço público na Fundação José Augusto, onde os funcionários eram coagidos a presentear o chefe e a participar, até, de uma missa de ação de graças pela saúde e prosperidade de sua excelência…

 

A caminho da casa de Rociberg Leandro, Thiago dizia-me que a partir dessa data coisas extraordinárias ocorreriam em minha vida. Que os quarenta anos marcavam o começo de uma importante etapa da vida de um homem, especialmente de um homem que se dedicava a escrever em busca da essência mesma da vida… Fomos a pé, conversando nesse tom, por ruas mal calçadas e precariamente iluminadas de Rio Branco, sob um céu claro, de setembro.

 

Um escritor que morre antes dos quarenta anos, morre como um projeto, não como um escritor plenamente realizado, pois como tudo na vida o ato de escrever é também de experiência feito etc. Como sempre, opus argumentos contrários à sua tese e ele me disse que, não somente no plano intelectual, em termos estritamente pessoais e físicos, quarenta anos acarretam incontáveis mudanças na vida de um homem. Desafiei-o a apontar que mudanças seriam estas e o que eu podia esperar do futuro, agora que estava completando naquele dia quarenta anos sem perceber em mim, aparentemente, nenhuma transformação, a não ser a consciência de que envelhecia sem ter uma obra que justificasse a minha existência. Esta era, naquele momento, minha única preocupação. Não ter uma obra que me justificasse no futuro…

 

Thiago, de quem fui leitor antes de nos tornarmos amigos, já me emprestara versos seus para epigrafe de um livro; agora me emprestava a sua própria experiência, introduzindo-me na metafísica dos quarenta anos, também para a grande escritora Marguerite Yourcenar uma idade que assinala o primórdio de uma fase significativa, quando, após termos experimentado as empolgações da carne, parecemos aptos a mergulhar em busca de profundidades abissais. 

Passada uma geração dessa conversa – e a conversação é em Thiago de Mello como que a síntese de todos os seus singulares e variados dons artísticos –, recordo-me que lhe pedi que me oferecesse um exemplo banal e corriqueiro dessa particularidade que distingue essa idade das outras e ele, como sempre paciente e bem humorado, como um dos reis sem terra da poesia, disse-me que a partir dessa idade eu faria, entre outras, fabulosas descobertas, como a de possuir conscientemente um corpo! “Pode parecer-lhe pouco, mas daqui pra frente você não mais poderá ignorar que tem um. Você vai sentir que tem colhões, unhas, nariz, orelhas…”

OJUARA E OS CORNOS

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

CEARÁ-MIRIM — Fundador da Associação de Cornos do Rio Grande do Norte, com sede na cidade do Ceará-Mirim, o artista plástico Fábio Ojuara empenha-se em “discutir a cornagem e combater o preconceito”, o que, aliás, tem lhe trazido algumas dificuldades. Em certa época o então prefeito do município chegou a ameaçá-lo com uma surra de cipó broxa, pois considerava a sua militância acintosa e provocativa.

 

Foi um deus-nos-acuda e Ojuara, temendo por sua integridade, chegou a se esconder para não levar umas cipoadas de Roberto Varela, mas finalmente o prefeito se acalmou e deixou o dito por não dito, voltando a paz a reinar na cidade que tem a injusta fama de ser um celeiro de cornos. Tudo, como se sabe, por causa do poeta Juvenal Antunes e de sua paixão por Laura, uma mulher casada que deu essa incômoda projeção ao Ceará-Mirim.

 

Ojuara, no entanto, afirma que o corno é, em principio, uma pessoa suave e a tal ponto humilde que aceita de bom grado essa realidade cercada de espinhos. Defensor dos direitos dos cornos, costuma dizer que teve o prazer de passar por essa experiência, o que o teria enriquecido interiormente. “Fiquei mais maduro depois de levar chifre e, portanto, mais inteligente”, reitera sempre que tem a oportunidade de discutir o assunto.

 

Embora tenha vários sócios, a Associação é uma instituição um tanto clandestina, pois a maioria não costumava levá-la a sério. Acha-se que tudo não passa de gozação, o que Ojuara desmente. Tanto é que está organizando um glossário especializado do qual constariam numerosos verbetes aos quais não falta um toque de bom humor.

 

Como parte desse trabalho, ele cita verbetes que explicam peculiaridades de alguns cornos, entre os quais, os do tipo “abelha”, que é aquele que sabe que está levando chifre e “fica fazendo cera na bodega mais próxima”, voltando depois para casa “cheio de mel”. O “corno cuscuz” é aquele que sabe que é, mas abafa, pensando com isso esconder a sua condição de homem traído. Nessa brincadeira ele já conseguiu catalogar para mais de trezentos termos que pretende, no futuro, reunir em livro.

 

Fábio Ojuara, como presidente da Associação dos Cornos – que caminha para ser uma Federação – considera o adultério banal e corriqueiro. Não tem nada a ver com pecado, pois resulta apenas do desejo e duma libido saudável. Ele prefere, no entanto, o swing ao adultério, a seu ver, uma prática que resulta de hábitos de uma sociedade civilizada que não cultiva o sentimento de culpa. Ao contrário “dessa coisa de cornos”, típicas de sociedades atrasadas que cultivam preconceitos e estão com pé ainda metido no feudalismo e na falsa moral.

 

Entendido no assunto, Ojuara seria capaz de conversar o dia inteiro sobre a sociedade que preside com coragem e senso de humor, apesar de sofrer ás vezes em conseqüência da incompreensão da maioria que encara a Associação dos Cornos como uma piada. Mas, para ele e alguns outros companheiros de sina, nada mais sério. Inclusive porque, segundo afirma, o corno é em essência um socialista prático. Alguém que considera a propriedade um roubo, sendo, portanto, capaz de dividir até a mulher amada. Sem ressentimento e sem culpa.