BOMBONS DE MEL
sábado, 26 de junho de 2010Por Franklin Jorge
Gilberto Freyre, considerado um dos escritores brasileiros mais vaidosos e narcisistas de todos os tempos, confessou que saboreava o elogio como se fossem bombons.
Eu também os saboreio, mas não qualquer elogio, pois alguns sem dúvida comprometem em vez de afagar o ego.
Aliás, sempre, desde menininho, intui que o elogio para ser levado a serio tem que ser proferido por gente capaz e ilibada e, não menos importante, desinteressadamente.
Como o que acabo de receber, via e-mail, de alguém que se identifica como Paulo Robério.
Proferido por um anonimo, o elogio de Paulo Robério,suas palavras tocaram-me especialmente, pois é a prova de que o que escrevi sobre a corrupção que tem grassado na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, no curso dos anos, encontrou eco na opinião pública e contribuiu para dar visibililidade a fatos que ficaram ocultos durante muito tempo.
Como a contratação e a manutenção de servidores irregulares que dezoito anos depois estão se aposentando sem nunca terem jamais prestado concurso público. E, não menos grave, o concurso que estaria sendo forjado tem despertado todo tipo de suspeita: como a de servir, apenas, para legitimar a irregularidade sob o disfarce de legalidade etc.
Transformada pela ex-governadora Wilma de Faria em dispendioso palanque eleitoral, a UERN tem se desmoralizado aos olhos de todos os norte-rio-grandenses. O que escrevi aqui, a partir de maio do ano passado, ao cobrir a campanha de reeleição do atual reitor, repercutiu tremendamente na comunidade acadêmica de Mossoró.
E fez com que alguns corruptos tremessem na base e chegassem mesmo a ameaçar-me, como se fosse possivel calar denuncias tão graves de irregularidades relativas, por exemplo, aos chamados “contratos provisórios” que já perduram há mais de 18 anos e que beneficiam, não a instituição, mas a alguns espertalhões que se aproveitam dos cargos que ocupam, como o vice-reitor - que se diz “professor-doutor” com base em um titulo questionável, pois ele não chegou a ser submetido a uma banca examinadora na Universidade do Canadá…
Sobretudo, apreciei as palavras do leitor anonimo, porque me pareceu que ele está bem informado em relação a UERN, uma instituição que é um cabide de empregos e faz o papel de cabo eleitoral dos governantes.
Paulo Robério alude em seu comentário à Promotoria (naturalmente à Promotoria de Defesa do Patrimônio), que tem sido excessivamente complacente nesse caso que prejudica a imagem da instituição. Ele me fez lembrar das palavras do promotor Eduardo Medeiros, quando o procurei, ao tempo em que ainda morava em Mossoró, para ouvi-lo sobre a questão e ele foi curto e grosso: “Só aceitamos denúncias de professores universitarios, não de blogues” etc.
Ora, em toda a parte do mundo civilizado a imprensa tem sido reconhecidamente colaboradora do Ministério Público. Geralmente as denuncias chegam através de reportagens e autoridades zelosas do cumprimento da lei se apressam em investigá-las.
O Subprocurador Geral da República, eminente professor Edilson França, colaborador efetivo desta publicação, já por diversas vezes me enalteceu a colaboração da Imprensa em suas bem sucedidas investigações em favor da defesa dos direitos dos cidadãos.
Mas, no caso especifico de Mossoró, resta-nos reconhecer que se trata de um outro país… O Pais dos Rosado e das conveniencias.
Recentemente, vimos aqui em Natal o processo relativo ao Foliaduto - que dormia nos escaninhos de um cartório criminal -, um dos maiores escandalos envolvendo o governo passado, despertar de uma longa e conveniente madorna, graças a uma reportagem do Novo Jornal que chamou a atenção do Conselho Nacional de Justiça para um fato que estava fadado ao esquecimento, pois não interessava a alguns fiscais da lei mexer com gente tão poderosa, como o irmão da própria governadora, que supostamente estaria no comando da ação criminosa…
Como se sabe, não são poucas nem desconhecidas as irregularidades que grassam na UERN, onde tudo pode ser questionado e posto em dúvida, a começar pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que tem sido sistematicamente desmoralizado pelo reitor Milton Marques e reformado sucessivas vezes, por bondade da Promotoria de Defesa do Patrimônio e da Delegacia do Trabalho, seção de Mossoró, em beneficio, não da Academia, mas de uma politica institucional espúria que a comunidade universitária séria e decente tem repudiado sem êxito.
Eis, pois, o que escreveu o internauta anônimo e gentil, que se identifica como
Paulo Robério
Diga-se de passagem que o povo norte-rio-grandense agradece e reconhece que este grande jornalista - o Franklin Jorge foi o propulsor de mudanças significativas na história política desa região, como por exemplo, o fim do nepotismo e criiação de um grande curral eleitoral na Universidade Estadual.
Não foi polítco. Nem promotoria alguma e nem tão pouco foram os títulos de doutores em Salamanca, Canadá ou nos Cafundós. Foi simplesmente a intrepidez desse grande jornalista em defesa de uma grande causa.
A HISTÓRIA REGISTRA E CONSAGRA.
De A OPINIÃO DOS LEITORES, 25/06/2010, 22:52