Arquivo da Categoria ‘Jornalismo’

Cala-te, boca.

domingo, 14 de setembro de 2008

 

 

Em boca fechada não entra mosquito

sábado, 13 de setembro de 2008

 

 

Transcrito do Blog do Ailton

domingo, 24 de agosto de 2008


Foto: Blog Grande Ponto

 

JORNALISMO S.A. 

Por Ailton Medeiros

 

Antonio Maria dizia que o jornalismo, bem administrado, é tão bom negócio quanto a especulação imobiliária e o jogo da bolsa. Querendo, a gente vende bem aquilo que publica, e melhor ainda, aquilo que não publica.

É o caso de Vicente Serejo.  

O colunista do “Jornal de Hoje” apareceu no programa eleitoral enaltecendo as qualidades de Micarla de Souza. Que bom. Já estava na hora mesmo do “bravo” e “corajoso” jornalista assumir publicamente suas posições clandestinas.

Serejo é um dos nossos mais competentes pistoleiros de aluguel. Escreve bem, é letrado e louco por dinheiro. 

Apesar de se rotular de “pobre jornalista da rua da frente”, seus hábitos são de matar de inveja Lilly Safra, uma das mulheres mais ricas do mundo. Toma vinho francês todos os dias antes do jantar, só fuma charutos cubanos, freqüenta restaurante caríssimos e viaja, pelo menos duas vezes por ano à Europa.

Sua mulher, Rejane, é assessora especial da governadora Wilma de Faria, e uma de suas filhas tem uma empresa de assessoria cujo maior cliente é o governo do Estado.

Crítico de araque dos caciques potiguares, Serejo já  serviu a todos eles, Wilma de Faria, Carlos Eduardo Alves, Geraldo Melo, entre outros. Agora (desculpe o trocadilho) é a vez de Micarla.

Num passado recente foi o maior crítico da Assembléia Legislativa a quem chamava de máquina de moer caráter. Hoje é funcionário efetivo da Casa graças a uma gincana jurídica do deputado Álvaro Dias, seu amigo.

O famoso e iconoclasta Barão de Itararé dizia que a França teve um Mirabeau, mas é no Brasil que se passam as coisas mais mirabolantes. 

E olha que o Barão não conheceu Natal.

Este artigo foi publicado em 21/08/08 às 13:23

30 respostas para ‘JORNALISMO S/A’

 

.João da Mata disse em 21.08.08: Meu Caro Ailton: Só tenho um pequeno comentário: BRILHANTE.

.Francisco disse em 21.08.08: Esse é o espelho do nosso jornalismo “independente”.

.Luiz disse em 21.0.08: Caro Jornalista, um cara que bebe vinho francês, fuma charutos cubanos, e se acha pobre, ou é para acobertar sua prepotência ou para sacanear quem possa vir a criticá-lo. Na verdade a pobreza pode ser de espírito.

.Meu bem disse em 21.08.08: Ailton, seu filho da mãe, desse jeito você me mata de prazer. Descobri seu blogue por acaso, pesquisando no Google e já estou viciado. Era seu leitor no Jornal de Hoje, depois que você saiu cancelei a assinatura. Parabéns, garoto!!!

.Maurice Chandon disse em 21.08.08: Porra, como você é invejoso! Tudo bem que você inveje os vinhos, charutos e jantares de Serejo. Mas, convenhamos, invejar Dona Rejane é dose…

.Zé Carlos disse em 21.08.08: Ailton, Quase caio da cadeira ontem à noite. Onde já se viu um jornalista que cobre política aparecer em propaganda eleitoral defendendo uma postulação que é, por dever de ofício, seu objeto de análise diária? Alguém poderia imaginar Élio Gaspari na telinha pedindo voto para Alckmin, Zuenir Ventura fazendo o mesmo para Eduardo Paes, Lúcia Hippolito para Crivella, e assim por diante? Só no RN mesmo! Agora, tem uma coisa, e lhe parabenizo por ter sido justo e honesto: não dá para misturar as coisas e atacá-lo intelectualmente, realmente ele é dos melhores cronistas do país (do país, por que não?). Abraços de sempre,

.Ana Flávia disse em 21.08.08: Ailton esse texto merece ganhar um prêmio!!!! Valeu, tava na hora de alguém desmascarar aquela fraude chamada Vicente.

.João Saldanha disse em 21.08.08: Ailton, você esqueceu de dizer a artimanha que ele usa quando um gestor não aprova uma “cantada” para mais um contrato para a empresa da filha. Espinafra nas notas sem dó. É isso aí.

.Antonio Silva disse em 21.0.08: Ele se dizia de esquerda, porém, camaleônico acabou por aderir à fé dos patrões. Declara ter lido boa parte da monumental obra de Fernando Henrique Cardoso. Troca de carro com freqüência, goza de férias em recantos aprazíveis e aspira voluptuosamente o perfume do vinho ao girá-lo dentro do copo Riddel com mão esperta. Não hesita em crer que Daniel Dantas é o admirável protótipo do banqueiro bem sucedido. Aquele que chegou lá e de quem o patrão aperta a mão com efusão.

.Anônimo disse em 21.08.08: Meu caro, um Professor não pode dar um depoimento para uma ex aluna? Reconheça que Serejo deu a cara para apanhar. Se foi chamado para dar um depoimento foi por ter credibilidade. Credibilidade. Será que algum candidato convidaria Ailton Medeiros para dar depoimento? Mesmo um Miguel Mossoró. Sabe por que? Examine e diminua a sua inveja do professor Serejo. Aliás qual o jornalista que presta? Pelo que você diz ele faz parte da redação da Assembléia. Será por isso que você não gosta dele? Além de Serejo você já espinafrou com Marcos Aurélio Sá. Quem e que presta na imprensa de Natal? Agredir a todos não leva a nada…

.Blacknatal disse em 21.0.08: Pô, um cara que fuma charuto cubano, só come do bom e do melhor nos locais mais caros e chiques, só bebe vinho francês, no mínimo deve peidar Anais Anais, arrotar Don Pérignon e mijar água mineral com gás. Já vi que eu tô é muito réiado. Liso, nem coca cola tô tomando. Sou péssimo para conjugar VERBO e muitas pessoas, também encontram dificuldades para aprender VERBO; pois muitas vezes não existe lógica na conjugação do VERBO; é uma VERBORRAGIA total.

.José disse em 21.8.08: Ailton está de inveja porque Serejo não deu depoimento para a candidata dele, ou seja, Fátima Bezerra.

.Luis Sávio Dantas disse em 21.08.08: Sem contar nos seus dotes como cronista, e aí poderemos dizer sem medo de errar: Ainda bem que o Antonio Maria não o leu, pois sem dúvida ficaria humilhado. Como ufanista de poderosos empata apenas com o Sr. Cassiano Arruda, que todos os dias escreve com seu talento de publicitário, desde o remotíssimo tempo de Tarcísio Maia, que, se é Maia é bom.

.Oswaldo Alfredo disse em 21.08.08: Realmente Ailton ele não tem a menor ética, pra mim não é um bom texto, não gosto dele como cronista,me parece texto de um velho,independente dele ser o canalha que é.

.Tamos de Olho disse em 21.08.08: Ailton, Serejo é a nossa seleção olímpica do jornalismo pago, isto é, tudo o que ele escreve não se deve ler ao pé da letra, pois não reflete o seu pensamento, mas sim o pensamento de quem lhe pagou. É uma vergonha.

.Anônimo disse em 21.08.08: Zé Carlos, longe dos domínios tropicais, os jornais declaram de cara de que partido são. Eles não mascaram a sua posição. Mas é claro que o caso de Serejo é outro, ele é apenas um “personal-babão”, onde estiver melhor para manter seus hábitos caros ele vai.  O pior é que lá na UFRN ele fica se gabando o tempo todo na aula.

.Ricardo Resende  disse em 21.08.08: Ailton, aquele Vicente nunca me enganou. Já ouvio muitas histórias e muitas histórias escabrosas sobre o seu caráter.Aquele falso moralista deveria saber que aqui se faz aqui se paga…

. Tomaz Sarto Pires de Albuquerque disse em 21.08.08: Não esquecer que é professor da ufrn. E que professor!

.Vera disse em 21.08.08:  Ailton, vamos colocar as coisas no devido lugar: se Vicente Serejo é louco por dinheiro como você diz; se o “jabaculê” dos caciques que apóiam Fátima Bezerra fosse melhor e ele se pronunciasse publicamente a favor da candidata, você teria a mesma opinião sobre ele?

.Cabeto  disse em 21.08.08:  Valeu Ailton, você é uma cara de coragem. Agora é só esperar a porrada que vem do Sr. Gomes. Você sabia que o nome dele é Vicente Serejo Gomes?? Ele usa só o Serejo, porque é de uma família mais nobre. Será que tem vergonha do Gomes ???

.Nilza disse em 21.08.08: NOTA DEZ!PARABÉNS! REALMENTE SEU EXCELENTE BLOG VICIA… SAÚDE E PAZ!

.Assis Ferreira disse em 21.08.08: Ailton ele quer indicar a mulher dele para a Capitania das Artes, só que a candidata dele não ganha, por isso essa babação toda em torno de Micarla, Agora quer saber mesmo quem ele é, pergunte a Luiz Damasceno da Cooperativa Cultural, você terá relatos escabrosos.

.Assis Ferreira  disse em 21.08.08: ELE(SEREJO) SABE QUE COM FÁTIMA NÃO TEM BOQUINHA,NÃO TEM PROPINA E COM A OUTRA TEM…

.Blacknatal  disse em 21.08.08: Assis, a mulher dele, Rejane, já foi cogitada em outras épocas para assumir cargos na área da cultura. Agora, se ela entrar para a FUNCARTE no lugar do atual presidente, tomara que faça alguma coisa, pois o embrulhado e ensebado Dácio Galvão, tá fraco, muito fraco. Enrrolão que nem presta.

.Zé Carlos disse em 21.08.08: Você tem razão, Leonardo Seabra. A distorção reside justo aí: Em países civilizados, os jornais declaram logo de cara o lado que preferem, mas isso não compromete a neutralidade da cobertura eleitoral. Por aqui, é o contrário! Todo mundo se declara sem lado e são todos comprometidos até a medula com os candidatos.  Aliás, rapaz, é até compreensível que cada tenha seu lado, são cidadãos comuns e tal. Agora, o que não dá pra engolir é saber que, no nosso caso, a grande parte desses posicionamentos são movidos a jabá.

.Philópedes Augustus disse em 21.08.08: Hoje, vejo que os “porraloucas” da UFRN tinham razão, quando espinafravam os reitores(biônicos) e professores, todos “Arenistas”, que entraram lá pela capacidade que tinham de bajular o senador Dinarte Mariz e outros ícones da velha república.

.Astrogildo Fumaça disse em 21.08.08:

No meu microscópio vejo
- focando a lâmina escura –
uma bactéria impura
- vive às custas de sobejo !
“jabaculensis cerejo”
é do grupo “natalensa”:
dá dor de barriga intensa,
não há purgante que cure…
Contamina – se segure,
faz muito mal à imprensa !

Grandissíssimo sacana,
buchudo, sagaz, escroto;
supiníssimo maroto:
Serejo, o da “Cena Urbana” !
Pose tem! Mas, não engana
no reino dos animais:
cada dia come mais…
Na classe dos “reptícios “
deixa rastros, cospe vícios
- de “jabá” gosta demais…!

.Fabio disse em 21.08.08: Ailton, meu chapa, desça logo do muro e diga que vota em Fátima. Você quase teve um orgasmo quando o New York Times declarou o apoio a Barak Obama. Assim vou começar a achar que você também faz parte da vanguarda do atraso…

NITROGLICERINA PURA

sábado, 23 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

O jornalista Ailton Medeiros, blogueiro que em Natal muitos lêem sem declarar que o fazem, despejou uma bomba atômica sobre a imagem do colunista do vespertino O Jornal de Hoje, Vicente Serejo, fazendo grandes furos em sua imagem.

 

Jornalista cujo nome está sempre associado ao poder desde a ascensão dos Maia aos píncaros da política no estado, amealhando com essa promiscuidade riqueza e fortuna – possuiu um apartamento em Paris -, Serejo é uma controvertida personagem do mundo da comunicação, professor do Curso de Jornalismo e bibliófilo, por muitos anos colunista e diretor comercial dos Diários Associados até a sua repentina demissão, um assunto tabu.

 

Em entrevista a uma revista cultural que circulou em Natal, ele próprio chegou a ameaçar de processo judicial todo aquele que ousasse colocar em dúvida a sua honestidade. Uma ameaça que em vez de aplacar as suspeitas, aguçou-as. O artigo de Ailton, sob o titulo “Jornalismo S.A.”, espelha bem essa incomoda notoriedade de Serejo, forjada por seu arrogante narcisismo, ao tempo em que era todo-poderoso no Diário de Natal.

 

O “Blog do Ailton” bombou com esse artigo e ocasionou uma saraivada de comentário de internautas que caíram sobre o professor Serejo, um dos mais conspícuos colaboradores da governador Wilma de Faria, como urubus na carniça. Algo realmente lamentável, não apenas para a imagem do próprio Vicente Serejo, mas para o jornalismo como instituição por excelência prestadora de serviço à sociedade. 

Ailton atingiu não apenas o jornalista, mas a própria governadora que se vale em caráter oficioso e permanente, quero crer que por amizade já de muitos anos, ao aconselhamento do jornalista que surge agora como um dos fiadores da candidatura de Micarla de Souza à Prefeitura de Natal.

CASCUDO, JORNALISTA CULTURAL

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Colação de grau na Faculdade de Direito de Recife, em 1928.
Fonte: Site Memória Viva
 

Por Franklin Jorge

 

 

Em 1934 o polígrafo Luis da Câmara Cascudo [1898-1986] acompanhou o Interventor Mário Câmara em uma viagem administrativa por onze municípios do Rio Grande do Norte, da qual resultou uma reportagem publicada em A República e posteriormente em livro, sob o titulo “Viajando o Sertão”, reeditado quarenta anos depois numa mal cuidada edição chancelada pela Fundação José Augusto.

 

Antes dele, em ordem de seqüência, o jornalista e poeta Francisco Otílio Álvares da Silva e Manuel Ferreira Nobre, o primeiro historiador do Rio Grande do Norte, em circunstâncias semelhantes, percorreram parte do estado em 1861, como integrantes da comitiva do presidente Pedro Leão Veloso, descrevendo-o em seus múltiplos aspectos em reportagens originalmente publicadas na imprensa natalense da época.

 

Francisco Otílio é, historicamente, na segunda metade do século XIX, o primeiro jornalista a realizar trabalho de campo. No caso de Ferreira Nobre, suas notas — depois transformadas em livro –, tornou-o oficialmente o autor da primeira história do Rio Grande do Norte, embora obra de cronista e repórter, não propriamente de historiador, como costuma ser considerado em função do seu pioneirismo. Na verdade é o seu único livro, produzido mais pela circunstância do que propriamente por deliberação própria. Quase cem anos depois, Mário Câmara repete a façanha e, ao fazê-lo, presta inestimável serviço à nossa cultura, além de proporcionar a Cascudo que escreva um dos mais importantes documentos do moderno jornalismo literário.

 

Experiente no ofício que abraçou aos dezoito anos, Cascudo está incluído entre os precursores do jornalismo cultural, ao evidenciar em seu livro aspectos característicos do gênero, segundo a posterior classificação de Tom Wolfe, um dos criadores do chamado Novo Jornalismo que surgiu em Nova York e contaminou a imprensa moderna a partir de 1960. Um jornalismo dominado “por uma esmagadora necessidade de fazer parte do mundo real”, que o levou a realizar uma espécie de autópsia social, histórica e etnográfica, ao exigir-lhe o exercício do pensamento e uma intervenção direta no processo da entrevista.

 

Em “Viajando o Sertão”, o livro mais revelador do processo de trabalho de Cascudo, mostra-nos o repórter em ação e não o intelectual de gabinete, atrás de um birô, sem contato direto com o objeto de sua escrita. Medularmente jornalista, formado na escola do jornalismo desde os dezoito anos, quando o pai o presenteou com um jornal – A Imprensa –, Cascudo ia em pessoa à procura dos fatos, antecipando-se aos manuais do jornalismo moderno.

 

Nada de recorrer a terceiros ou ao “ouvir dizer”, mas diretamente às fontes primárias capazes de informar e esclarecer as dúvidas. Justamente o oposto do que tentou me impor o jornalista Nelson Patriota, quando membro do Conselho Municipal de Conselho, ao tempo em que intentei escrever a biografia do próprio Cascudo, para ser lançada no ano do centenário do escritor…  Desmontei-o, ao perguntar-lhe através de uma correspondência em que faculdade de jornalismo ele estudara.

 

Em seus textos jornalísticos exercita Cascudo — avant la lettre — alguns característicos do New Journalism, o jornalismo cultural por excelência. Um jornalismo, digamos subjetivo, em oposição ao jornalismo objetivo que terá inspirado a Nelson Rodrigues a paradigmática figura do “idiota da objetividade” – um vulgar portador da informação desprovida de conhecimento.

POR QUE DEIXEI MOSSORÓ [1]

sábado, 16 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge 

Transcrito do Jornal Folha Potiguar

 

MOSSORÓ – Ao aceitar o convite do diretor geral do Diário de Natal-O Poti, para dirigir a sucursal desses jornais em Mossoró, pensava comigo mesmo ficar por aqui, pelo menos por uma temporada na qual me esquecesse de voltar ao meu lugar de origem. Desde que me lembre, Mossoró me agrada por sua hospitalidade, pela graça do seu povo, pelo empenho de fazer-se notar como uma república independente da Constituição. E, também, por sua condição de fronteira. A última fronteira entre a civilização e o deserto.

 

Aqui fiquei pouco mais de dois anos, os últimos oito meses envolvido numa polêmica que, se por um lado – digamos assim –, “estadualizou” o meu nome, chamando a atenção de todos para o jornalismo que me empenhava em praticar em defesa da cidadania. Essa estadualização do meu nome, naquele momento, ocorreu graças à arrogância e ao despreparo do filho do prefeito Dix-huit Rosado, que passou a atacar-me em mau idioma, diariamente, através do seu programa de rádio, no qual se fazia ajudar por uma claque de radialistas de aluguel. Tal ofensiva culminou com a minha demissão do cargo que procurei exercer, em todos os momentos, em defesa da cidade e do seu povo caloroso e hospitaleiro. Assim, graças a um boquirroto que se apossara do mandato do pai, em pouco tempo me tornei tão lido em toda a parte quanto é conhecida em Mossoró a igreja de São Vicente.

 

Contudo, o fator decisivo nesse desfecho decorreu, principalmente, duma grande pressão exercida por um dos diretores desses jornais que eu editava em Mossoró. Certa vez ele veio a Mossoró numa circunstância ridícula, fumando numa quenga e agarrado ao seu uísque, episódio grotesco que mancha a sua própria biografia.

 

Veio para pressionar-me a repercutir a terrível campanha desencadeada pelo dono da Gazeta do Oeste contra o então presidente da Fundação Municipal de Cultura, hoje prefeito oficioso da cidade, submetido a um verdadeiro linchamento moral pelo autor de notinhas atômicas contra o calado e mudo Gustavo Rosado. Qualquer pessoa provida dum mínimo de decência repudiaria tais palavras que, a rigor, afrontavam a todos e não apenas ao atualmente todo-poderoso irmão da prefeita Fafá Rosado.

 

Recusei-me prontamente a contribuir para a desonra do presidente da Fundação Municipal de Cultura, que teve sua intimidade devassada e exposta ao escárnio popular. E, apesar de considerar a polêmica natural no exercício do jornalismo, parte mesmo do seu tecido de idéias e contraditórios, não concordei com os termos chulos usados pelo dono do jornal ao referir-se a Gustavo Rosado como “lorde”, mas adjudicando-lhe à nobreza do título expressões chulíssimas só encontradas então no jornalismo de Mossoró, o que chocou a opinião pública da cidade de Santa Luzia, onde as pessoas viviam aterrorizadas com o vitríolo veiculado nas páginas do seu principal jornal. Nem mesmo o papa João Paulo 2º escapou dos achaques. O Chateaubriand da imprensa local mandou que ele, o Papa, tomasse com areia naquele lugarzinho escondido e mau cheiroso, sim senhor.

 

Confesso que atribui à bebedeira o comportamento desse diretor da empresa jornalística para a qual eu trabalhava e relevei o seu ataque de nervos na presença de vários funcionários do Hotel Termas. Porém, cônscio de que o jornalismo não deve ser usado como instrumento de chantagem, recusei-me a transcrever a diatribe diária e permanente dessa campanha difamatória contra a qual as próprias freiras que dirigiam o chamado “Colégio das Irmãs” se insurgiram e, verdade seja dita, foram elas, essas discretas, pacíficas e admiráveis religiosas  que tiveram naquele momento uma postura que seria de se esperar da parte dos homens, não das mulheres. Mas, eles condescenderam e ficaram calados diante do massacre moral, único e peculiar, de toda a história do nosso jornalismo provinciano. 

Tudo isso me vem à lembrança neste momento em que releio a coleção das notas então produzidas por Canindé Queiroz em sua coluna diária. Recortei-as e as arquivei pensando escrever, algum dia, uma memória de minha passagem por Mossoró, onde, por assim dizer, me doutorei no conhecimento dos homens e no mau uso da imprensa escrita e falada, pois havia de quebra, diante dos microfones, o filho do prefeito melando todos com a sua baba virulenta. Quem sabe, oportunamente, voltarei a escrever a respeito desse período que representou para mim uma grande escola?

O JORNALISMO CULTURAL

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

Deu-nos os Estados Unidos além do dólar e do fastfoods o Novo Jornalismo, ou seja, o jornalismo cultural por excelência, cuja influência se faz sentir presentemente no Brasil, um pouco tardiamente, sobretudo nesses anos de globalização, quando as fronteiras parecem ter sido abolidas graças à sofisticação dos meios de comunicação, como a Internet, veículo que desencadeou uma onda planetária, ainda não devidamente avaliada, democratizadora de conceitos e idéias.

 

O Novo Jornalismo, assim batizado por Peter Hamil – informa Seymor Krim, citado por Tom Wolf –, que teria usado essa expressão pela primeira vez em 1965, ao encomendar-lhe um artigo sobre um novo gênero de jornalismo que começava então a ser praticado por gente como Gay Talese e Jimmy Breslin. A denominação tornou-se corrente e deu ensejo ao surgimento de uma geração de repórteres, geralmente dotados de sólida cultura humanística, que rechaçava o texto seco e objetivo, meramente informativo, produzido para o consumo de leitores apressados e talvez acríticos.

 

Praticado por repórteres com veleidades literárias, tem sido chamado no Brasil de “jornalismo cultural”, embora a maioria que o pratica pareça desconhecer suas características básicas e insista em confundi-lo com a cobertura de eventos culturais. Resulta dessa confusão de gêneros a despreocupação para com a elaboração de textos superficiais, articulados sem o exercício da critica, o que exigiria do repórter mais que informação – conhecimento e domínio de questões que às vezes transcendem o próprio assunto em pauta.

 

A rigor não temos jornalismo cultural no Rio Grande do Norte, mas cobertura jornalística de eventos culturais. É o que costumam fazer as “editorias de cultura” dos nossos jornais, geralmente marcadas pela apatia em relação ao debate de idéias. Por isso, ao lermos o que produzem, ficamos sabendo o que está acontecendo, mas não travamos conhecimento com as idéias e o universal mental dos entrevistados, o que exigiria do repórter um preparo intelectual que os cursos de jornalismo não têm condição de repassar.

 

Eu lembraria, a propósito, a contribuição dos jornalistas Luis da Câmara Cascudo, no passado e, no presente, de Laurence Bittencourt Leite, Emanoel Barreto, Rafael Duarte, Michele Ferret, Rodrigo Levino e Sílvio Santiago, que se mostram aptos a discutir conteúdos, em vez de apenas noticiarem os fatos. Isto porque a critica é um elemento que não pode faltar à formulação do verdadeiro jornalismo cultural. Ou seja, daquela espécie de jornalismo que é cultura e conhecimento e não apenas informação, algo que qualquer verborrágico pode dar impunemente.

 

Creio que falta nas redações editores capazes de orientar seus repórteres, no sentido de incentivá-los a transcender a circunstância em busca da essência dos fatos. A maioria das entrevistas, por exemplo, estão vazadas numa grade que expõe a superficialidade e o comodismo de uma prática que reduz o criador a um artesão desprovido de vida interior, como se a obra resultasse de um fiat divino.

AS ENTREVISTAS DE MARIZE DE CASTRO

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

 

Leio em Woden Madruga que Marize de Castro está reproduzindo em livro, finalmente, as entrevistas que publicou originalmente, aos domingos, na Tribuna do Norte, sob o titulo genérico de “Além do Nome”.

 

Fui, na época, creio que em 2000, um dos escritores que ela ouviu, por motivo que até hoje desconheço, pois não creio que alguém tão à margem do sistema e do oficialismo, no meu caso em especial, pudesse despertar-lhe, naquela circunstância, o interesse.

 

Mas o fato é que fui entrevistado. Um amigo me disse que era porque eu estava ficando velho e me ouviam como uma “figura histórica” ou como remanescente de uma geração que marcou, aqui, os anos setenta. É fatível, como diria o próprio Woden. Pode ser…

 

Trata-se, porém, no caso em questão, de entrevistas feitas por quem é do oficio e, creio que, segundo uma escolha difícil se considerarmos a nossa pobreza cultural congênita, sobretudo se comparada ao que tem sido produzido em outros estados, como a Paraíba, o Ceará e especialmente Pernambuco, todos nossos vizinhos que não temos conseguido acompanhar em seu ritmo evolutivo rumo a uma cultura de primeiro mundo.

 

Entrevistas — as de Marize — que acompanhei semanalmente, como outros o fizeram, por sua qualidade jornalística e também por tornar acessível ao leitor o universo mental de um grupo de escritores provincianos. Lembro-me que lhe sugeri na ocasião que entrevistasse Maria Eugênia Maceira Montenegro, que completara por aqueles dias, se não me engano, 86 anos – o que ela fez, contribuindo dessa forma para animar moralmente a velha rapsoda mineiro-potiguar, que se achava então muito deprimida e órfã do carinho e da assistência dos seus.

 

Recebi-a, à Rua Simon Bolívar, em meio ao que restara de minha biblioteca após o roubo de que fui vitima e que resultou na agressão que sofri da parte de um sebista, principal receptador do roubo, que queria por aquele expediente intimidar-me para sustar a investigação policial. Creio que também entre os meus retratos pintados por Fernando Gurgel, Scaldaferri, Siron Franco, Gilson Nascimento Diniz Grilo, Franmarques, Madé Weiner e Dorian Gray – um dos raros retratos pintados por nosso mais importante marinhista.

 

Lembro-me que foi a mais difícil das entrevistas que concedi, por reconhecer o talento da entrevistadora – um talento que ajudei a propagar – e porque via, naquela circunstância, a oportunidade de falar sobre coisas que fugissem ao padrão das entrevistas feitas aqui com escritores, quase sempre baseadas em estereótipos e coisas-feitas, aplicáveis, em último caso, a qualquer artista, como se as idéias não contassem numa entrevista.

 

Difícil, reitero, por tratar-se de uma ação levada a termo por uma oficial do mesmo ofício, que, no entanto, insistia em apegar-se aos aspectos mais exteriores de minha personalidade – como a do polemista, como se a polêmica não fosse, na vida de um intelectual, uma contingência inevitável; refiro-me ao intelectual cônscio do que cria, não ao beletrista que se auto-lisonjeia e se agrada do que faz.

 

Confesso que cheguei a afligir-me, pois temia perder a chance de falar efetivamente sobre idéias e processos de criação, temas que, como entrevistador, sempre valorizei em meus contatos profissionais. Inclusive ao entrevistar pessoas do povo, sempre empenhei-me em garimpar nas profundezas do pensamento, ao mesmo tempo em que desdenhava o lugar-comum e o elemento anedótico que geralmente as pessoas incultas apreciam em detrimento das lições que podemos extrair da experiência.

 

Penso, no entanto, que o livro de Marize há de ser um marco em nosso jornalismo literário. Por seu talento — que não discuto –, pela eficácia do seu texto, mas também pela radiografia que resultará da nossa cultura naquele momento, ainda muito enquistada e dominada por figuras acomodadas ao déja vu ou ousadas a ponto de publicarem livros. Louvada seja.

NAVEGANDO NO PLANETA VIRTUAL

sábado, 9 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

 

Comunico em primeira mão aos leitores deste blogue que estou estreando na Internet o meu próprio site.  Não bastasse o fato de ter criado e editado em 2000 a primeira revista virtual do Rio Grande do Norte, fui daqueles que, entre nós, desde o principio, sempre desde o acreditou no futuro da Internet como uma mídia barata e por excelência democrática. Tanto quanto creio que os jornais impressos, para sobreviver, precisam adaptar-se às novas realidades criadas pelas mudanças impostas por uma tecnologia high-tech que criou novas categorias de leitores que não mais se contentam com a mera usufruição passiva do texto.

 

Quem acompanha meus passos no jornalismo deve ter ouvido ou mesmo acessado Navegos.Net, uma revista que conseguiu reunir em suas páginas uma plêiade de jornalistas, escritores, fotógrafos, desenhistas e editores-contribuintes capazes de formatar um produto que se prejudicou por ter se antecipado no tempo. Naquele tempo a internet não era tão popular e os internautas tão numerosos. Não havia então interesse em anunciar em um meio que à primeira vista parecia por demais elitista e aparentemente incapaz de atingir o grande público que hoje lota as lan houses nos mais recônditos rincões do planeta.

 

Em menos de uma década a Internet se tornou parte do cotidiano de milhões de brasileiros, um dos países que têm o maior numero de internautas. Tenho visto a força desse novo meio avassalando jovens e velhos, que encontram na Internet uma fonte de cultura, pesquisa e entretenimento acessível e barata. Em Martins – por exemplo — e noutras cidades do mesmo porte as lan houses estão resgatando o velho hábito da caderneta antes privativa das bodegas e quitandas que fiavam a mercadoria aos seus clientes que cultivavam o hábito de pagar a conta no fim do mês. É com um ouvir-se nesses lugares garotos dizendo aos proprietários das lan house que podem anotar o serviço, com a autorização de pais e responsáveis, que preferem pagar a conta no final da semana… Uma hora numa lan house custa infinitamente menos do que uma sessão de cinema.

 

Pois bem, quem tem o hábito de ler o que escrevo, pode agora ler-me também na Internet, num site no qual pretendo exercer sem nenhuma espécie de pressão sobre os fatos do dia a dia, nesse estilo que me caracteriza e que pode ser canhestro, mal escrito, desprovido de cultura e talento, mas é intrinsecamente meu. Escreverei neste site que batizei com o meu nome [www.franklinjorge.com] sobre os temas que me encantam, como o povo anônimo do Rio Grande do Norte, as pessoas que conheci, os livros que li e os autores que admiro, lugares e fatos do passado e do presente que considero memoráveis e dignos de regisgtro, sempre sem me abastardar nem ceder a interesses espúrios, pois entendo o jornalismo responsável como uma advocacia popular. E, cá entre nós, prometo-lhes não perder de vista os calcanhares dos políticos. Especialmente dos maus políticos. Acessem, sem delongas, www.franklinjorge.com.

FRANKLIN JORGE.COM

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Franklin Jorge. Foto by Paulo Oliveira [2004]. Arquivo

 

 

Texto transcrito de Substantivo Plural 

Por Laurence Bittencourt Leite

 

É minha opinião que, mesmo não estando mais tão presente no jornalismo diário em nosso estado, Franklin Jorge parece, na verdade, nunca ter saído de moda. Mas por que digo isso? Para quem tem acima de trinta anos e é leitor (mesmo que um leitor eventual) de jornal, sabe que o jornalista Franklin Jorge é bastante conhecido no RN. Para as gerações mais novas – usuária da internet, por exemplo — talvez não, e essa entrevista tem o objetivo de apresentá-lo a esse segmento que tem crescido em proporção geométrica. Sem querer cair no senso comum – termo que ele próprio talvez evitasse ao escrever –, Franklin Jorge é aquilo que no jargão jornalístico chamamos de “franco atirador”. Incomodou a muitos, e ainda incomoda, em especial aos políticos, algo que fica claro nesta entrevista.  E é com esse objetivo em vista que o leitor deste “Substantivo Plural”, pode (e terá) a oportunidade de conhecer e entrar em contato com o Franklin Jorge jornalista, em diversos momentos crítico do próprio jornalismo, o escritor e o agitador cultural, além do analista e crítico da política e da cultura local e nacional.  No momento, radicado em Mossoró, ele se prepara para colocar em circulação ainda no mês de agosto o seu próprio site, depois de ter sido, no ano 2000, um dos pioneiros do jornalismo virtual em terras potiguares com a revista “Navegos”, que reuniu um elenco de colaboradores de primeira grandeza e se tornou em seu gênero um modelo nunca superado. Nos últimos anos,voltado para o jornalismo virtual, tem colaborado em vários sites de jornalismo e cultura, como “Conexão Maringá”, “Cronópios”,”Speculum”, “Letras e Livros”, “Carlos Santos”  e “Observatório da Imprensa”. Vamos à entrevista.

 

Laurence Bittencourt Leite – Talvez muitos jornalistas das novas gerações não saibam que você foi e é, dentro do jornalismo potiguar e do país, uma referência para muita gente, pelo seu estilo franco e direto. No entanto, você está ausente do jornalismo diário faz um bom tempo. Quais os motivos dessa ausência?

 

Franklin Jorge – Com o tempo o jornalismo, produzido numa perspectiva de serviço ao leitor e à cultura, fatalmente decepciona. Porém, no meu caso, tive que enfrentar durante mais de vinte anos a pressão de oficialescos e de políticos mal satisfeitos com a franqueza de minhas opiniões. Por último, depois de perder o tesão pelo jornalismo, escolhi coisas mais interessantes para fazer, como voltar a viajar regularmente por minha terra, colocando-me assim em contato direto e permanente com os meus conterrâneos – pois o meu texto surge desses encontros –; cuidar dos meus arquivos e da reelaboração dos meus escritos, por uma questão de exigência de qualidade e por prazer, pois o trabalho intelectual é o que me diverte. E, depois da Internet, posso me entregar a isso sem outra preocupação a não ser a de fazer bem o que me proponho fazer – que é reescrever uma mesma página dez, quinze, vinte vezes… Afinal, se a vida é curta, por que desperdiçá-la com coisas que aborrecem, como o “jornalismo de cabresto”, não é mesmo?

 

LBL – Qual a tua opinião sobre o jornalismo potiguar feito hoje? É de bom nível ou já foi melhor?

 

FJ – Nosso jornalismo é praticado como uma forma de rotina e, como tal, não apetece nem satisfaz à minha curiosidade de leitor em busca da essência dos fatos. Por ser “de cabresto”, carece ainda de opinião, de investigação e interpretação dos fatos. Decididamente, não é instigante, não provoca nem desafia a inteligência do leitor, como seria de esperar de um jornalismo ágil, moderno, prospectivo. Como todo o resto, creio que já foi melhor, na forma e no conteúdo, pois já tivemos grandes jornalistas, entre os quais alguns mestres como Lucas da Costa, Cascudo, Edgar Barbosa, Américo de Oliveira Costa, Sebastião Carvalho, Myriam Coeli, Francisco Amorim, e mais recentemente, João Gualberto Aguiar, Adriano de Souza, Aderbal de França, Emanoel Barreto, Dorian Jorge Freire, Jayme Hipólito Dantas, Carlos Morais,Paulo Araújo, Carlos Peixoto, Carlos Magno Fernandes, Paulo Augusto, Michelle Ferret, Rodrigo Levino, Rafael Duarte, Eliade Pimentel, Alexis Peixoto etc, nomes de que eu me lembro agora, quando a memória já começa a sofrer curtos-circuitos. 

 

LBL - Eu queria tocar num tema sobre o jornalista polêmico. Mesmo no livro do pesquisador Tarcisio Gurgel “Informação da literatura Potiguar”, está lá escrito sobre você: “mudando-se para Natal, enveredou definitivamente pelo jornalismo, onde tornou-se polêmico, em razão da sua irreverência e destemor”. Essa marca de polemista dentro do jornalismo é fidedigna, ou as pessoas esqueceram um outro Franklin?  

 

FJ – Creio que, como todo estereótipo, é falso e resulta algumas vezes duma mal disfarçada discriminação que atende especialmente à malicia e à inveja, típicas do provincianismo e das culturas enquistadas. E é lamentável que assim seja, não por mim que sei me defender e tirar partido da ação dos mal-intencionados, mas porque revela o baixo nível da nossa cultura e a má índole de alguns opinadores. De fato esqueceram o outro Franklin Jorge. Ora, a polêmica é contingente. E, embora esteja na essência mesma do jornalismo e de toda dialética, não pudemos fazer dela profissão. Porém, acima de tudo, há a obra que nos justifica e por ela é que seremos julgados – não pelas polêmicas.  Apesar dos muitos tarcísios que há por aí, espreitando-nos, para nos pespegar rótulos.

 

LBL - Ainda sobre esse tema. Numa entrevista que fiz num passado recente com o jornalista e escritor Diogo Mainardi, o mesmo disse que falar mal no Brasil não dá Ibope. Em um Estado como o nosso, ser polêmico é um empecilho?

 

FJ – Empecilho é pouco. Aqui, na província onde todos são reis e carregam o rei na barriga, ser polêmico é se deixar enterrar vivo. É ser lapidado todos os dias, geralmente através dos expedientes mais mesquinhos e reprováveis, como o anonimato, que contraria a própria ética jornalística e põe em dúvida o caráter de que produz ou divulga. Recentemente fui vitima de uma canalhice atroz, mas felizmente, como tenho uma obra que me defende dos invejosos e recalcados, o tiro acabou saindo pela culatra do ofensor anônimo e covarde.

 

LBL - Há uma polêmica famosa travada por você, com o escritor Ney Leandro de Castro, que depois de um longo período morando no Rio de Janeiro, voltou a nossa terra. Para quem não acompanhou na época, o que foi essa polêmica? Você gostaria de falar sobre esse assuntou? E até acrescentaria: você tem ressentimentos dentro do jornalismo?

 

FJ – Sempre as polêmicas… Foi algo extremamente gratuito, mas didático, pois me colocou em contato direto com o invejoso e maligno espírito provinciano; e, por outro lado, foi gratificante, pois me proporcionou o surgimento de novas amizades e o apoio de pessoas decentes que perceberam a má fé do contendor. Não, absolutamente não sou de guardar mágoas nem ressentimentos. Não costumo perder tempo com o mal nem com indivíduos perversos… A propósito, eu pensava que ele já tivesse morrido…

 

LBL - Vamos falar um pouco sobre teu inicio no jornalismo.  Você, nascido numa terra de grandes jornalistas, o Ceará-Mirim, por que optou pelo jornalismo? Quais os teus ídolos, as tuas referências primeiras?

 

FJ – Eu não diria ídolos, mas mestres. Todos sem exceção, grandes no âmbito das letras, como Thomas Mann, que li e reli desde a adolescência; Baudelaire; Proust; Montaigne; Shakespeare; Nietzsche….paremos nesses. Não me lembro de ter tido ídolos alguma vez. No jornalismo, minha primeira referência foi Edgar Barbosa, meu parente; depois, o pernambucano Mauro Mota, Nilo Pereira, Adalgisa Nery, Tarso de Castro, Walmir Ayala, Ascendino Leite, e os expoentes da contracultura, atuantes em “O Pasquim” [em sua primeira fase] e em “Flor do Mal”. Como vê, sempre busquei a qualidade.

 

LBL - Faça um resumo sobre onde você atuou, em que jornais, isso aqui no Rio Grande do Norte.

 

FJ – Atuei, praticamente em todos os jornais daqui; fundei dois ou três de vida curta e, por último, participei, como editor, da implantação do “O Jornal de Hoje”. Dirigi a sucursal dos Diários Associados em Mossoró e, no Acre, o Complexo de Comunicação O Rio Branco [jornal diário e emissora de tevê]. Atualmente escrevo uma vez por mês no jornal de Nadja Lira, “Mensageiro Potiguar” e, por último, semanalmente na “Folha Potiguar”, recém-fundado em Mossoró por Judas Tadeu. Não tenho mais vontade de escrever em jornais, e, se o faço é porque meia dúzia de leitores me cobram, por e-mails, pessoalmente ou telefonemas que o faça, pois sentem empatia pelo que escrevo e como escrevo. Faço-o sobretudo porque, afinal, não perdi ainda a capacidade de indignar-me com o mal, que é todo-poderoso e nos espreita de toda parte. Mas não pretendo mais voltar a uma redação e ao jornalismo impresso, a não ser, eventualmente, como agora, no caso da “Folha Potiguar”, que se tornou meu parceiro no meu blogue.  No momento, estou trabalhando para botar no ar o meu blogue, www.franklinjorge.com, que está sendo confeccionado pela Grospin, uma empresa daqui.

 

LBL - Houve um momento na tua vida que você foi morar no Rio de Janeiro. Quando foi isso e o que te levou a sair de Natal? Você trabalhou como jornalista por lá? Como foi essa experiência?

 

FJ – Foi há muito tempo, num outro século, sem dúvida. Escrevi na “Tribuna da Imprensa” e na revista “Vogue Brasil”. Na verdade, nessa época o meu interesse maior era pela literatura e as artes plásticas – pois também sou artista plástico –, não pelo jornalismo. O jornalismo tem sido em minha vida uma mera contingência. E, embora tenham me ensinado a disciplina, não o aconselho a ninguém. Meu negócio, realmente, é a literatura. É o que me instiga e deleita. Além disso, para produzi-la, não preciso da ajuda de ninguém…

 

LBL - E sobre tua passagem de três anos pela Amazônia?  Você é um andarilho? O que te motivou a ir para a Amazônia?

 

FJ – Ah, sim, isso me interessa: a Amazônia e as viagens. Desde menino, vivendo no Estevão, atraía-me a mitologia amazônica, presente na memória dos antigos, pois em 1877 uma leva muito grande de norte-rio-grandenses, fugindo da seca, foi parar no Norte do país, na época, uma região inóspita. Esse episódio, já um tanto remoto, deixou marcas profundas em muitas famílias dos vales do Açu e do Ceará-Mirim – minhas primeiras referências geográficas –, que tiveram parentes entre os que migraram. Meu bisavô e um tio maternos fizeram parte desse contingente. A Amazônia fazia parte do imaginário dessa gente que me contava histórias fabulosas que alimentaram a minha imaginação; a imaginação de um menino que já pensava em se tornar escritor, mesmo sem saber o significado profundo do ato de escrever. Além disso, minha avó deu-me para ler o livro de Gastão Cruls, que em sua época foi um desses grandes escritores de terceira categoria – do mesmo tipo de um Paulo Coelho atualmente, embora escrevendo sobre uma temática muito diversa da que inspira o “mago” –, mas, apesar de autor medíocre, Cruls aguçou em mim o interesse pelas peculiaridades da geografia e da cultura amazônicas. Já homem feito, tive uma relação de amizade com o grande compositor paraense Waldemar Henrique que desentranhou, para mim, outras Amazônias, especialmente no âmbito da música, da etnografia e da estética em geral. Porém, da mesma forma que agora passo a dedicar-me a uma blogue na Internet, em dado momento de minha vida fui para a Amazônia porque aqui não conseguia trabalho, por causa da pressão de meus desafetos.

 

LBL – Além do jornalista, há também em Franklin o artista, o escritor, o poeta… Que tipo de escritor e poeta é Franklin Jorge? Como você se definiria enquanto um e outro?

 

FJ – Alguém que se delicia e se atormenta com a criação, e, como o próprio autor das “Flores do mal”, sente a vertigem do movimento e o carisma dos números. Confesso que estimo ser um escritor do tipo construtivista, aberto às seduções da linguagem, imbuído do espírito da síntese e do abismo metafísico. Porém não sei se o logro. A crítica que julgue. Porém devo dizer que há vinte anos não escrevo um verso. Embora tenha amealhado boa fortuna critica com o gênero, não creio que minha poesia tenha grande valor, a não ser como parte de um processo, ao delatar a natureza das minhas inquietações espirituais. Meu negócio é a prosa, a entrevista, a critica, especialmente a prosa ensaística, através da qual posso exercitar o meu espírito analítico e interpretativo. Acho a poesia um facilitário tremendo, uma armadilha capaz de acolher o que temos de mais medíocre no âmbito da literatura. Prova-o o excessivo número de poetas militantes e a má qualidade dessa produção epidérmica e inculta que não pára de crescer como uma célula cancerosa. Felizmente já paguei meu tributo à poesia.

 

LBL - Que tipo de leitor é Franklin Jorge? Você é seletivo em suas escolhas de leituras? Como sei que você é um apaixonado por Jorge Luís Borges, que autores e obras mais te influenciaram como escritor?

 

FJ – Quis ser apenas um leitor exemplar, hipercrítico e, portanto, seletivo. Afinal, como disse, não gosto de perder tempo, que considero o bem mais precioso e o único que, quando desperdiçado, não pode ser recuperado. Sobre os autores, apontaria naturalmente Borges, entre outros, como Daudet, o mestre de Proust; Baudelaire; Montaigne; Maquiavel; Thomas Mann; Yukio Mishima; Marguerite Yourcenar; Thomas Hardy; Stevenson, o mestre de Borges; Melville; Hawthorne e toda literatura norte-americana clássica; os existencialistas; os metafísicos ingleses; os humanistas em geral; os greco-latinos, além de Shakespeare, Molière, Nietzsche, Machado de Assis, Murilo Mendes, Antonio Carlos Villaça, Ascendino Leite, João Cabral de Melo Neto, Lúcio Cardoso…alguns na forma, outros no conteúdo e no visionarismo literários. Não digo que me influenciaram, mas, ao estudá-los, por uma questão de afinidade estética, percebi as potencialidades da literatura. Considero-os os meus verdadeiros mestres, pois, ao perlustrar sua obra, senti-me desafiado e desde então me empenhei em resistir ao comodismo que caracteriza os autores suscetíveis à auto-satisfação.

 

LBL - Por falar nisso e mesclando com o fazer jornalístico, qual tua opinião sobre o jornalismo cultural feito em nosso Estado?

 

FJ – Muito precário, culturalmente, e sem expressão, além de estar à serviço duma leviandade extensa e arraigada, como essa elefantíase de egos inflamados de que adoecem as nossas letras. A propósito, por onde anda mesmo nosso jornalismo cultural? Alguém o viu por aí… ? Temos sim, e em profusão, colunismo mundano e político. E, mais recentemente, como uma charmosa nova onda, o colunismo literário. Já notou que atualmente todos são “jornalistas culturais”?

 

LBL – Franklin, é sabido que viver de livro num país como o nosso (com raríssimas exceções), ainda é um desafio, para não dizer quase uma impossibilidade. Qual tua explicação para esse fato?

 

FJ – O livro no Brasil tem um preço exorbitante que não coincide com a economia doméstica da média dos brasileiros, cada vez mais escorchados por esse tsunami de impostos. Essa distorção perversa torna o livro inacessível. Creio que é isso, pois a experiência me diz que há muita sede de leitura reprimida. Já fundei nove bibliotecas comunitárias e tenho feito regularmente doações, mas representam gotas num oceano. Também faz-se necessário um esforço coletivo regular e permanente em favor da leitura. Mas isso depende de uma política do livro que não há. Veja o caso do “cheque-livro” – uma boa idéia –, manuseado por professores sem o traquejo da leitura e sem discernimento em relação ao que é o que não é literatura. Está servindo apenas para a aquisição de um rebotalho de autores que encalharam nas livrarias e acabam desovados nas bibliotecas escolares, pois quem os adquire o faz sem critério.

 

LBL - Você estreou em 1976 com o livro “Proibido para menores de 18 amores”, em parceria com Leila Miccolis, escreveu poesia “Poemas diabólicos” em 1982, “Fantasmas cotidianos” em 1994, uma coletânea de ensaios, reportagens e entrevistas que você denominou “O Spleen de Natal”, e em 1998 “Ficções Fricções Africçoes” que ganhou o Prêmio de Literatura Luís da Câmara Cascudo, da Prefeitura de Natal, com o livro “Ficções, Fricções e Afecções”, entre outros trabalhos. O que podemos esperar ainda mais do Franklin artista para os próximos anos?

 

FJ – Tenho um grande acervo de manuscritos dos quais poderei extrair ainda muitos outros livros, mas não tenho mais essa vaidade. Minha preocupação atualmente é no sentido de sintetizar e ou fundir em novas obras os 40 livros inéditos que me obsediam. Não tenho pressa em publicar, o que tenho feito com parcimônia, por diversos motivos, embora tenha amealhado uma grande fortuna em títulos inéditos. O momento agora é o do leitor, ou seja, da pessoa que age sobre o texto que lê; quero dizer, do escritor que crê ter o tempo como aliado e se empenha em reescrever o texto, como um palimpsesto.

 

LBL – Qual a importância de Câmara Cascudo para o nosso Estado e cultura?

 

FJ – Toda importância. Algo, enfim, que não mais se discute, diante do seu legado cultural. Como todo grande artista da palavra, Cascudo devotou-se à memória e reuniu para o conhecimento e deleite dos pósteros, numa prosa personalíssima, a poeira luminosa dos séculos e aproveitou, numa obra monumental que esclarece e amplia, tudo o que sabíamos sobre o Rio Grande do Norte, esta nossa querência emblematizada sob a forma de um elefante manco e desmemoriado. Cascudo salvou através de tudo o que escreveu em mais de cinquenta anos de vida intelectual, a essência mesma do que somos ou pretendemos ser, como uma comunidade de homens. Foi Cascudo um dos meus mestres e, como tal, continua sendo.

 

LBL - Recentemente em uma entrevista para a revista “Papangu”, você disse entre outras coisas que Câmara Cascudo seria “o verdadeiro inventor do Rio Grande do Norte”. O que você quis dizer com isso?

 

FJ – Antes de Cascudo, tínhamos um conhecimento precário e incipiente do Rio Grande do Norte e ele, com talento, trabalho e persistência admiráveis, diria quase que heróicas, legou-nos um passado, livrando-nos da cegueira e da ignorância. Sem a sua obra, que dimensão teria nossa terra, alheada da história, se não a de um elefante manco que não consegue andar nem mesmo dentro dos nossos limites geográficos?

 

LBL - Quais os grandes nomes da literatura norte-rio-grandense?

 

FJ – No passado, Nísia Floresta, autora de uma prosa cativante que revela e dimensiona a mulher observadora, arguta, sensível e culta, autora de relatos de viagens memoráveis; João Lins Caldas que, menino no Açú, conheci frequentando a casa dos meus avós, à rua Moises Soares 89. Madalena Antunes, autora de “Oiteiro”, memória de uma sinhá moça; Edgar Barbosa; Ferreira Itajubá; Jorge Fernandes; João Lins Caldas; Aurélio Pinheiro; Peregrino Júnior; Homero Homem; José Bezerra Gomes; Milton Pedrosa; Palmira Wanderlei, sobre quem Anna Maria Cascudo Barreto acaba de publicar um livro marcante; Nilo Pereira; Américo de Oliveira Costa; Sanderson Negreiros; Renard Pérez; Myrian Coeli; Zila Mamede; Lucas da Costa; Berilo Wanderlei; Jorge Fernandes; Américo de Oliveira Costa; Augusto Severo Neto; Luiz Rabelo; Jaumir Andrade; Walflan de Queiroz; Adriano de Souza; Márcio de Lima Dantas; Edna Duarte; Heloisa Maranhão; Jacirema Tahim; Jorge Luiz Azevedo; João Gualberto Aguiar; Jarbas Martins; Franci Fernandes; João Batista de Morais Neto; Newton Navarro e, evidentemente, Luís da Câmara Cascudo. 

 

LBL - Acha que fazer literatura no nordeste é mais complicado que no sul e sudeste?

 

FJ – Faz-se literatura em qualquer parte e sob qualquer circunstância. Por isso, aqueles que criam dificuldades para os artistas, apenas gastam tempo e energia, pois os verdadeiros artistas, aqueles que têm talento, sempre vencem as dificuldades. Sempre escrevi sob condições adversas; sempre tive de trabalhar para financiar meus projetos literários. Como tenho feito ao longo da história, independentemente da geografia, outros também fizeram e continuam fazendo e, assim, desmoralizam os obstáculos e as complicações com que se deparam sempre os homens inteligentes e cultos. Agora, no caso especifico do Rio Grande do Norte, a questão é extraordinariamente mais complexa, pois além de todos os obstáculos rotineiros com os quais se depara o artista em toda parte, há a atuação negativa das instituições culturais que trabalham contra os artistas. Temos tido sempre os piores gestores na área da cultura; uma gente arrogante e despreparada, incapaz de se aperceber que a cultura popular que nos compete é a urbana e não a rural [no caso especifico de Natal, que é, como sabemos, uma cidade-estado]. Aqui, apenas macaqueamos Pernambuco, nada mais. Nossa cultura, a cultura potiguar, natalense, está assoberbada de cartolas que sugam e alijam os talentos verdadeiros e autênticos que, por serem autênticos e verdadeiros, acabam vencendo a pressão da inveja e do marasmo tipicamente provincianos. Pois não há coisa mais terrível que o talento, sobretudo para uma elite de indigentes que se desespera ao perceber que as instituições e os cargos não fazem artistas nem conferem talento a ninguém. Essa constatação acaba redundando em um castigo terrível para os expropriadores da cultura e da cidadania.  

 

LBL - Aqui em Natal nos ressentimos muito da falta de apoio à cultura. Qual a tua opinião sobre as políticas culturais em nosso Estado no momento atual?

 

FJ – Bem, eu diria que sob os sucessivos governos de Wilma de Faria ficamos culturalmente mais pobres e decepcionados. Em 30 anos de atuação, nunca vimos aqui nenhuma tentativa séria de política cultural. Tudo depende da vontade imperial dos governantes e de gestores que a rigor nada produzem, enquanto os verdadeiros criadores jamais são chamados a atuar, exceto quando se aventuram pelas camarinhas dos poderosos e aceitam desempenhar o papel de áulicos ou de cabos eleitorais; a maioria dos artistas tem quase sempre seus interesses prejudicados por esses gestores sem cultura e sem grandeza. Há muito que a nossa cultura está sujeita à vontade e ao arbítrio de cartolas caninos. 

 

LBL - Este ano deveremos ter a 3º Bienal do Livro de Natal. O que você pensa desse tipo de evento?

 

FJ – São feiras de negócio e de exposição de figuras – sempre as mesmas, notaram? – e, nem sempre, as mais relevantes para a cultura. Sustenta-se exclusivamente no uso do “cheque-livro”, geralmente gerenciado por professores de boa vontade, mas desprovidos de cultura; incapazes, portanto, de estabelecer um cânone ou de orientar a leitura na direção da qualidade que, segundo Lênin, deve estar presente em tudo. Aqui a bienal tem sido uma espécie de vuco-vuco, de escassez de talentos e excesso de mofo, um mero sarau provido de atores chulos, jogados de qualquer jeito num depósito mal cuidado e senegalesco. Clotilde Tavares, por em duas ou três edições a curadora do evento, não podia ser mais inadequada para a função, por sua atuação discriminatória e ineficiente; alguém que trafegava no limite do gueto, excluindo os autores locais a não ser aqueles menos representativos e da panelinha. Quando ao seu idealizador e organizador, bem, talvez seja melhor não dizer nada; a não ser que é a mediocridade em maciez e pessoa. Uma feira de livros deveria ser a oportunidade de encontros, de interação entre autores e público, de troca de idéias e de experiência. Um momento de celebração da cultura e de Natal, a cidade mítica e a real, mas também um meio de colocar em evidência, sem paternalismo e nem discriminação os talentos locais; os emergentes e sobretudo todos aqueles que têm uma obra competitiva. Mas, infelizmente não é o que acontece: uma corja de aproveitadores usa o dinheiro público para promover um mero sarau e discriminar os autores locais que ficam alijados ou participam apenas aquelas figuras carimbadas de sempre, que não implementam sangue novo nem fornecem o combustível necessário ao debate. O Encontro de Escritores, por sua vez, pareceu-me um desses saraus como eram promovidos antigamente pelos colégios de freiras para assinalar a passagem do Dia do Livro. Não é coisa séria nem relevante para a cultura ou para Natal. Não incrementa nada de positivo à cultura local. Creio que é uma forma de jogar no lixo o dinheiro dos nossos impostos. É apenas o combustível necessário à autopromoção de um grupos de apaniguados. Creio que se faz necessária a criação de uma Promotoria da Cultura, para fiscalizar esse dinheiro e impedir o desperdício. Em matéria de inconseqüência já temos o Carnatal. Agora, temos de aturar ainda carnatais literários…

 

LBL - Curioso que na entrevista para a revista “Papangu”, quando perguntado se há muitos impostores no meio intelectual e artístico local, apesar de não dizer nomes, você disse que se fosse dar nomes “seria apontar um abismo”. Eu te pergunto, quais seriam esses nomes?

 

FJ – Nesse caso seria mais interessante enumerar apenas os cartolas que se apoderam da nossa cultura, por nomeação e má vontade dos governantes em relação ao mundo das idéias e da cultura. Porém, como são numerosos e estão em toda parte, prefiro não comentar.

 

LBL - No nível local, o que tem achado do governo Wilma de Faria e do Prefeito Carlos Eduardo? Que nota você daria para eles?

 

FJ – Aqui no Rio Grande do Norte, o caldo da política também entornou. A governadora Wilma de Faria já foi longe demais e já não consegue remendar nem chulear seus próprios furos administrativos e políticos. Saúde, segurança, cultura, ação social, enfim, tudo que não era sólido está se desmanchando no ar. Estamos chafurdando, pois, na mais rigorosa e voraz mediocridade. Não admira que o prefeito Carlos Eduardo Alves siga pelas mesmas veredas abertas por sua mestra. Seu secretariado cheira a mofo e provincianismo. Mas, apesar disso, Carlos Eduardo tem dado provas de que é um administrador capaz e está contribuindo para mudanças estruturais que serão apreciadas no futuro; não, infelizmente, no âmbito da cultura, que continua provinciana e sem aquele sotaque cosmopolita que me parece ser inerente à vocação de Natal. Quando ao governo do estado, em matéria de cultura realmente chegou ao fundo do poço. A FAPERN, por exemplo, que deveria ser uma instituição de ponta – como as suas congêneres –, faz coisas pontuais que não refletem a complexidade da cultura autêntica; o que não admira, considerando-se o nível intelectual de seus gestores, que podem estar montados em vistosos doutorados, mas não têm cultura nem são positivamente do ramo. No máximo, poderá servir feijão com arroz e mistura de ovo frito, acompanhados de prosaica salada de alfaces. O comezinho, enfim, que caracteriza a sua ação no âmbito das idéias. Não esperem um cardápio mais substancioso. Estamos sob o império da indigência intelectual.

 

LBL - Você em 2000 tentou colocar seu nome como candidato a eleição para vereador aqui em Natal, pelo Partido Verde. Primeiro, por que você desistiu? Segundo, você ainda pensa em candidatar-se algum dia, ou a experiência foi desanimadora? E, terceiro, você acha que política cai bem para um intelectual?

 

FJ – Primeiro, quis ser candidato a deputado federal pelo Partido Social Trabalhista e não vereador, mas renunciei à candidatura para não me tornar refém de uma quadrilha de malfeitores. Segundo: Deus me livre de tal.  E, finalmente, esta terceira e última questão que você me colocou: nada cai melhor, num autêntico intelectual, do que a política. Ambos — o político e o escritor — lidam com idéias e ambos aspiram à ação. Maquiavel é um exemplo dessa complementaridade entre criação e idéia, entre o discutir e o fazer, entre o pensar e o agir que é a voz e a musculatura da política. Mas, sinceramente, mudei de idéia quanto a mandatos. Já tenho um, que resulta da minha ação de escritor e do que escrevo. Além disso, o escritor tem um mandato vitalício e soberano que não depende de conchavos e, no meu caso especifico que uso a tribuna do jornalismo impresso e virtual, permite-me influir sobre a opinião pública… Agora, só quero contribuir para melhorar o nível do debate e ajudar, dentro dos meus limites, a eleger os melhores.   

 

LBL – Por fim, qual o conselho que você daria para alguém que quer se iniciar no ramo jornalístico e literário aqui em nosso Estado?

 

FJ – Que leia muito, observe e tenha colhões [no caso dos homens, claro, pois uma mulher de colhões seria uma aberração tremenda]. Porém só escreva se não puder deixar de fazê-lo [e sempre é possível deixar de fazê-lo...]. No mais, tenho dito.

SÓ RINDO…

sábado, 2 de agosto de 2008

Por Franklin Jorge

 

Mover ações judiciais tem sido uma das técnicas de intimidação usadas pela família Rosado para achacar seus adversários. Quando morei aqui pela primeira vez, entre 1993-1995, fui vitima desse expediente largamente usado pelo filho do então prefeito Dix-huit Rosado que, sem ter nenhum cargo na administração do município, abusava dessa condição forçando procuradores da Prefeitura de Mossoró a atuarem como advogados dos seus próprios interesses em causas pagas com os impostos dos contribuintes.

 

Mais de uma década depois, a prefeita Fafá Rosado – sobrinha de Dix-huit – emprega o mesmo método para amedrontar jornalistas e tentar calar a voz da imprensa livre, como um recurso do desespero de quem não tem argumento digno de crédito. A vitima, agora, é o semanário Folha Potiguar e o seu proprietário Judas Tadeu de Azevedo, alvo recente num processo do mesmo gênero — movido pela candidata Larissa Rosado, prima e adversária de Fafá –, que o magistrado que o julgou considerou improcedente.

 

No caso atual, a ação se reveste de um elemento cômico – a inadequação dos argumentos, forjicados duma tal forma irrefletida que põe em dúvida, até, a competência profissional do advogado que a subscreve. Quem teve a oportunidade de ler o seu frívolo e superficial arrazoado, como foi o meu caso, não pôde deixar de dar boas risadas com a sua indigência intelectual. O jornal, por exemplo, é acusado de ser “de esquerda”, o que expõe e resume o nível cultural de quem propõe e subscreve a ação em pauta.

 

Ora, qualquer pessoa medianamente informada sabe que, desde a queda o Muro de Berlim, ainda nos anos 80 do século passado, a questão ideológica tornou-se bizantina, algo semelhante à discussão do sexo dos anjos ou, mais recentemente, da opção sexual antes pejorativa e hoje assimilada e presente, inclusive, na trama das novelas que as famílias assistem no chamado “horário nobre”, numa boa.

 

Lendo-o, não pude deixar de pensar na discussão em torno das dificuldades que enfrentam os cursos de direito no país, que já foram melhores e produziram profissionais mais preparados e competentes. Nunca, antes, tinha lido alguma co9sa da lavra do doutor Ezequias e fiquei pasmo com a sua ignorância em relação a fatos tão sobejamente conhecidos. Por exemplo, que estamos numa democracia e que, numa democracia, o direito à expressão é insofismável. Especialmente no presente caso, ou seja, após a derrocada, há mais de uma década, das ideologias.

 

Desde que voltei a Mossoró tenho escutado geralmente em tom de deboche comentários sobre o despreparo intelectual da prefeita e do grupo que a serve. Dizem-na, até, inimputável, tamanha a singeleza do seu intelecto. Quem a conhece mais de perto chega a pensar que ela é prima-irmã de Raquely, a atrapalhada e confusa personagem da novela das sete. Novata no cargo de prefeita, por exemplo, ela teria pedido desculpas por ser uma “ninfeta na política”, quando certamente queria dizer-se “neófita”, ou seja, um estreante ou recém admitida no complexo mundo proporcionado por um mandato!

 

Que pobreza cultural, doutor Ezequias Pegado!

O BLOG DO SITE EM GRANDE ESTILO

sábado, 2 de agosto de 2008

Por Misherlany Gouthier
Especial para Folha Potiguar

A partir deste sábado os internautas já podem acessar  o blogue do site franklinjorge.com, cujo lançamento se dará no próximo dia 9 sem nenhuma solenidade,  como prefere o seu titular, um homem avesso às mundanidades e que prefere o convívio com as pessoas mais simples do povo, com as quais, segundo costuma afirmar, tem aprendido tudo o que sabe e recheia tudo o que escreve. 

Criado pelo talentoso Daniel Lopes, formado em Ciência da Computação e um dos sócios da Grospim.com, empresa especializada em criação e desenvolvimento de Web sites, o blog que já pode ser acessado no endereço www.franklinjorge.com passa a ser a tribuna do jornalista Franklin Jorge, que comemora 30 Anos de Jornalismo Cultural socializando e tornando acessível ao leitor grande parte do que produziu em quase quatro décadas de dedicação ao mundo das idéias.

O blogue que entra no ar a partir de hoje é apenas um dos nove canais do site construídos com uma tecnologia high-tech, visando facilitar a consulta e valorizar a informação elaborada por um dos mais importantes jornalistas brasileiros da atualidade, colaborador ele próprio de alguns dos canais virtuais mais prestigiosos, como “Speculum”, “Observatório da Imprensa”, “Conexão Maringá”, “Cronópios”, “Substantivo Plural”, “Letras e Livros” e “Carlos Santos”. 

O blogue antecipa em uma semana o lançamento do site wwwfranklinjorge.com, que oferecerá ao internauta ávido de novidade e qualidade um diversificado cardápio de leituras que inclui a publicação de séries sobre o povo brasileiro, um gênero introduzido na Imprensa potiguar pelo referido jornalista, ao tempo de sua militância no jornal “Tribuna do Norte”; relatos de viagem; critica literária e de artes plásticas; articulismo político; entrevistas; memória e história, tudo enfim que compõe o rico universo mental do autor.  

Além de um canal especialmente voltado para a publicação dos colaboradores, entre os quais se destacam, desde já, os nomes do procurador federal Edílson Alves de França, professor do Curso de Direito da UFRN; do advogado Honório de Medeiros [professor de Filosofia do Direito da UnP-Natal],  do jornalista e professor universitário Laurence Bittencourt Leite, de Paulo Benz, articulista de “O Jornal de Hoje”, Franklin Jorge quer abrir espaço para os novos valores do jornalismo, da literatura e da fotografia, dando continuidade assim ao trabalho que começou há trinta anos, em “Tribuna do Norte”, ao dar visibilidade aos iniciantes que formam hoje entre os nossos mais importantes artistas, como Fernando Gurgel, Vicente Vitoriano, o professor Humberto Hermenegildo [que teve o seu primeiro ensaio publicado no Rio Grande do Norte por influência de Franklin Jorge, que o revelou através de um suplemento que circulou na época em “O Poti”. Razão pela qual não se pode escrever sobre cultura e jornalismo no estado, nos últimos 46 anos, sem citar longamente Franklin Jorge. Ele pretende ainda oferecer em seu site a médio prazo estágios a estudantes universitários.

 

O site www.franklinjorge.com terá atualização diária e semanal. Está composto dos sguintes canais: 

.Quem [contendo uma apresentação do jornalista por Antonio Carlos Villaça]

.Retrato Falado [seção de entrevistas atualizada duas vezes por semana]

.Babélia [seção atualizada diariamente com a contribuição dos colaboradores fixos e eventuais]

.Séries [seção atualizada todos os dias com um novo capitulo de uma das sete séries com duração entre nove a 25 semanas]

.Grande Angular [seção de entrevistas e reportagens sem periodicidade definida, mas que pretende a médio prazo ser diária]

.O Santo Oficio [blogue de Franklin Jorge, atualizado todos os dias, no mínimo, uma vez]

.Galeria [seção voltada para a divulgaçao do trabalho de Franklin Jorge como artista plástico]

.Loja [voltada para a comercialização de produtos gerados pelo site, tais como livros, objetos únicos ou seriados, quadros, gravuras, camisetas, cds contendo textos publicados no site, narrados por atores e pelo próprio autor etc]

.Parceiros [Contém a relação das pessoas que apóiam o site financeiramente ou através de voluntariado.]   

INTERNET EM ALTA

Pesquisa recente revela o crescimento do uso da Internet. No Brasil são 41 milhões de pessoas conectadas regularmente. Fazem parte dessa comunidade virtual os mais diversos segmentos sociais. Jovens e velhos, ricos e pobres, todos são usuários da grande rede planetária que a cada dia se amplia no interesse de todos, através de canais de pesquisa, entretenimento, comunicação e negócios. Vender e comprar está se tornando cada vez mais freqüente e seguro na Internet. Até os supermercados já aderiram ao sistema. 

Jamais uma mídia despertou tanto interesse e se afirmou tão rapidamente como um eficiente meio de comunicação, democrático e de baixo custo. Na Internet as pessoas pesquisam, se divertem, fazem novos amigos, criam grupos de discussão, formam redes de interesses que superam os limites geográficos e intervém em todos os níveis da sociedade, alterando e criando novos hábitos. Isto explica a proliferação das lan houses e de um serviço que cresce em proporção geométrica.

A Internet é uma revolução semelhante à da criação da própria Imprensa, no século XIX, uma invenção que em sua época alterou substancialmente os costumes, ao se transformar em uma verdadeira coqueluche. A diferença, entre a comunicação impressa e a virtual é que esta última cobre o planeta em tempo real e não está submetida à reserva de informação. É, de todas as mídias conhecidas, a mais democrática, pois não está sujeita à censura dos poderosos e custa menos que o exemplar de um jornal impresso. 

Pioneiro no uso dessa mídia, no Rio Grande do Norte, o jornalista Franklin Jorge retorna ao pódio com um produto que levou três anos e meio pesquisando, elaborando e aprimorando, enquanto aguardava o momento certo para lançar o seu novo endereço na Internet, o site www.franklin.com, composto por diversos canais, entre os quais um blog do autor que ganhou um nome próprio – O Santo Oficio, que já pode ser acessado a partir de hoje –, através do qual escreverá diariamente sobre cultura, política, turismo, sociedade, costumes, comportamento e tudo o mais que lhe suscitar o interesse.

O site, propriamente dito, será lançado no próximo sábado, oferecendo ao internauta várias opções de leitura com base na produção literária e jornalística de Franklin Jorge e de uma plêiade de colaboradores e contribuintes. O lançamento do blogue, um dos canais do site, pretende ser uma antecipação do que será o www.franklinjorge.com, que tornará acessível a produção jornalística e literária do autor no ano em que ele comemora a passagem dos seus 30 Anos de Jornalismo Cultural, em particular, na Imprensa norte-rio-grandense. 

Considerado um dos nomes mais importantes do jornalismo contemporâneo, introdutor do conceito de jornalismo cultural no Rio Grande do Norte, citado em importantes obras especializadas, como “Jornalismo e Literatura” [Editora Escrituras, São Paulo], Franklin Jorge é parceiro desta Folha Potiguar desde o seu primeiro número, lançado há seis meses. E, como alguém que acredita que estamos vivenciando um momento onde novas maneiras de pensar e conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações, confirma a afirmativa do filósofo Pierre Levy, de que nada mais pode prescindir da web. Portanto, não seria ocioso reiterar que as informações que circulam pela Internet já pressionam políticas e governos, criando novas posturas e um admirável mundo novo democrático e de visibilidade exponencial [Misherlany Gouthier].  

 

ERA NOVA

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Por Paulo Franchetti

Professor e diretor da editora Unicamp

 

A web veio para ficar. Um dos seus maiores trunfos é a ausência de barreiras alfandegárias. O recorte da distribuição dos textos não é mais geográfico, mas lingüístico. Com os programas de inclusão digital patrocinados pelas empresas e pelos governos, o acesso à web tende a se tornar tão generalizado quanto a instrução básica.

 

Já agora, o baixo custo da publicação, a facilidade do acesso à informação, a mensurabilidade da resposta dos leitores, a precisão dos mecanismos de pesquisa e a voracidade por novos conteúdos que caracterizam a web têm causado impacto na produção, na circulação e no consumo de textos literários.

 

Uma grande massa de textos invade as caixas postais e transborda de blogs, listas de discussão e sites pessoais. A vida literária experimenta uma nova era: grupos, revistas, fofocas, rivalidades, polêmicas, o marketing dos amigos, o automarketing — tudo se projeta fácil e eficientemente no hiperespaço.

 

Constroem-se identidades literárias puramente virtuais. O plágio corre solto. Nasce a “erudição de internet”, na criação como na crítica. Modas e autores surgem e somem como bolhas. Ao mesmo tempo, a web ocupa o lugar deixado vago ou recusado pela mídia impressa ou pela TV: um grande poeta dá uma entrevista a um site e uma geração inteira pode ouvir e ver o que já não se ouve nem se vê na televisão, nem nos grandes veículos da imprensa de massa; poemas notáveis e textos críticos de peso aparecem já primeiro no espaço virtual para só depois conhecerem o gosto do papel; romances e poemas de autores de várias épocas se oferecem gratuitamente em várias línguas; textos críticos do passado ficam ao alcance dos dedos; tradutores on-line facilitam a leitura dos estrangeiros.

 

Como, frente a essa enorme multiplicidade de facetas e eventos, não pensar seriamente o significado da web para o presente e o futuro da literatura? E, sobretudo, como ter uma opinião simples e unívoca? Como ser apenas eufórico, face a uma mudança cujas conseqüências podem ser terríveis para o mundo da cultura, tal como o conhecemos? Como, em suma, relegar a urgência dessa reflexão, em nome da nostalgia de um tempo em que o mundo da cultura era de papel, de pedra e de tinta?

 

Não há retorno. Este texto mesmo nasceu para a web e nela vai circular em primeira mão.

NAVEGANDO NO PLANETA VIRTUAL

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Por Franklin Jorge

 

 

 

Comunico em primeira mão aos leitores desta página que estou estreando na internet o meu próprio site.  Não bastasse o fato de ter criado e editado em 2000 a primeira revista virtual do Rio Grande do Norte, fui daqueles que desde o principio acreditou no futuro da Internet como uma mídia barata e por excelência democrática. Tanto quanto creio que os jornais impressos, para sobreviver, precisam adaptar-se às novas realidades criadas pelas mudanças impostas pela tecnologia e sobretudo por uma nova categoria de leitores que não se contenta mais na usufruição passiva do texto.

 

Quem acompanha meus passos no jornalismo deve ter ouvido ou mesmo acessado www.navegos.com, uma revista que conseguiu reunir em suas páginas uma plêiade de jornalistas, escritores, fotógrafos, desenhistas e editores-contribuintes capazes de formatar um produto que se prejudicou por ter se antecipado no tempo. Naquele tempo a internet não era tão popular e os internautas tão numerosos. Não havia então interesse em anunciar em um meio que à primeira vista parecia por demais elitista e aparentemente incapaz de atingir o grande público que hoje lota as lan houses nos mais recônditos rincões do planeta.

 

Em menos de uma década a Internet se tornou parte do cotidiano de milhões de brasileiros, um dos países que têm o maior numero de internautas. Tenho visto a força desse novo meio avassalando jovens e velhos, que encontram na Internet uma fonte de cultura, pesquisa e entretenimento acessível e barata. Em Martins – por exemplo — e noutras cidades do mesmo porte as lan houses estão resgatando o velho hábito da caderneta antes privativa das bodegas e quitandas que fiavam a mercadoria aos seus clientes que cultivavam o hábito de pagar a conta no fim do mês. É com um ouvir-se nesses lugares garotos dizendo aos proprietários das lan house que podem anotar o serviço, com a autorização de pais e responsáveis, que preferem pagar a conta no final da semana… Uma hora numa lan house custa infinitamente menos do que uma sessão de cinema.

 

Pois bem, quem tem o hábito de ler o que escrevo, pode agora ler-me também na Internet, num site no qual pretendo exercer sem nenhuma espécie de pressão sobre os fatos do dia a dia, nesse estilo que me caracteriza e que pode ser canhestro, mal escrito, desprovido de cultura e talento, mas é intrinsecamente meu. Escreverei neste site que batizei com o meu nome [www.franklinjorge.com] sobre os temas que me encantam, como o povo anônimo do Rio Grande do Norte, as pessoas que conheci, os livros que li e os autores que admiro, lugares e fatos do passado e do presente que considero memoráveis e dignos de regisgtro, sempre sem me abastardar nem ceder a interesses espúrios, pois entendo o jornalismo responsável como uma advocacia popular. E, cá entre nós, prometo-lhes não perder de vista os calcanhares dos políticos. Especialmente dos maus políticos. Acessem, sem delongas, www.franklinjorge.com