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A METAMORFOSE DO LIVRO

domingo, 13 de dezembro de 2009

Por Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa

O artigo de Tim Adams no “Observer” de ontem (em inglês, acesso gratuito) versa sobre o tema-clichê do momento, para o qual confesso que minha paciência anda curta: o futuro dos livros na era do Kindle e tal. Mas faz isso de forma brilhante – e meio perturbadora. Segue seu naco inicial em tradução caseira:

Duas observações isoladas sobre literatura atraíram minha atenção nos últimos dias e se recusam a me abandonar. A primeira é de uma entrevista de Don DeLillo, autor do grande épico moderno “Submundo”. DeLillo contava como continua escrevendo numa máquina de escrever, e disse o seguinte: “Eu preciso do som das teclas, as teclas de uma máquina de escrever manual. Os braços martelando a página. Gosto de ver as palavras, as frases, à medida que se formam. É uma questão estética: ao trabalhar, tenho um senso de escultor sobre a forma que as palavras vão adquirindo.”

A segunda era um anúncio local em minhas páginas amarelas sobre um “game” para Nintendo DS que contém cem livros clássicos. O cartucho vende-se assim: “A Coleção 100 Livros Clássicos transforma seu Nintendo DS numa biblioteca portátil que contém romances de leitura obrigatória de autores icônicos como Charles Dickens, Jane Austen, William Shakespeare e muitos mais. Segure o DS como um livro e vire as páginas em touch screen. A Coleção 100 Livros Clássicos permite vários tipos de pesquisa, tais como procurar um livro que combine com seu estado de espírito, ou que tenha um formato específico como leitura breve”. A trilha sonora que pode acompanhar a leitura desses clássicos inclui o efeito enlatado de lareira crepitando.

Em algum ponto, essas duas observações pareciam entrar em conflito, numa espécie de paradoxo, mas demorei um pouco a entender qual era ele. Tinha, claro, alguma coisa a ver com o fato de que Don DeLillo, destacado romancista americano do presente, se aferra à tecnologia do passado, enquanto a tecnologia Nintendo do presente se apropria da velha palavra impressa do romance. Mas não era exatamente isso.

Trata-se mais de compreensões distintas do aspecto físico dos atos de escrever e ler. Os fabricantes do sucesso comercial da Nintendo acham que Shakespeare é um “autor icônico” de “romances de leitura obrigatória”, mas ao descrevê-lo dessa forma traem alguns dos efeitos colaterais de seu produto – tratam toda a literatura como se fosse apenas texto, conteúdo, algo para se rolar numa tela ao sabor de seu “estado de espírito”. DeLillo, que entende um bocado sobre a diferença entre literatura e conteúdo, resiste claramente a essa idéia. Escrever, para ele, é um ato altamente físico; o sentido se desvela e toma forma em palavras e sentenças individuais, e sua aparência externa é fundamental para aquilo que comunicam.

É bem possível que este Natal marque o momento em que a idéia Nintendo de literatura – e de leitura – ganhará precedência sobre a concepção de DeLillo. O crescimento nas vendas do Kindle e do Sony Reader – que conseguem armazenar milhares de textos, clássicos ou não, e um dia, quem sabe, poderão prover acesso digital a qualquer livro jamais escrito – parece indicar que vivemos um momento iPod: os livros, e em particular os romances, podem muito bem estar prestes a ter o destino de discos e CDs.

Até este ponto do artigo, eu pensava aquilo que venho pensando ultimamente. Sim, é claro que cedo ou tarde a venda de livros de papel sofrerá com a concorrência dos e-readers, mas isso pouco importa por dois motivos:

1. Eles certamente não desaparecerão – na pior das hipóteses, após verem suas vendas minguar ao longo de muitos anos, vão se transmutar em caros objetos de charme, itens de colecionador artisticamente trabalhados (destino que, por razões físicas, não estava ao alcance de discos e CDs);

2. Lida numa tela ou em resmas de papel, literatura continuará a ser literatura, uma palavra depois da outra, e portanto nada se perde.

O motivo 1 continua firme, mas confesso que o 2 foi abalado pela segunda parte do artigo, em que o autor discorre doutamente – e sem ranço tecnofóbico, embora passe muito longe do aplauso acrítico – sobre o caráter “solipsista”, centrado no ego e infinitamente dispersivo que o universo online exibe ao lado de, e entrelaçado com, seus irresistíveis trunfos. O artigo termina assim:

Por enquanto os Kindles e similares são aparelhos isolados, mas certamente não vai tardar o dia em que eles e os milhares de livros que contêm serão agrupados com todos os outros aplicativos obrigatórios num único computador que mediará nossas vidas: mais texto indiferenciado para combinar com nosso estado de espírito. “Tecnologias”, observa Sherry Turkle, “nunca são apenas ferramentas, mas objetos evocativos. Elas nos fazem ver a nós mesmos, e ao nosso mundo, de forma diferente”.

Será que uma pessoa que está “sempre online” terá concentração para ler os grandes romances sociais – essa forma superior de “interação” com o mundo – numa tela? Será que alguém conseguirá enxergar longe o bastante além de si mesmo para escrever um?

Julguei entender por fim aquela história de palavras que tomam forma numa máquina de escrever: não estamos falando tanto do aspecto físico do ato, uma vez que as letras também tomam forma no Microsoft Word, e sim de um modo de ver o mundo. De estar no mundo. Um mundo que nos chega inteiramente mediado por uma tela que é “a nossa cara” – a tal ponto que nossa cara passa a ser ela – talvez não seja mesmo o mais fértil dos mundos para um certo tipo de escritura ambiciosa cuja leitura requer um esforço que, sendo grande, é uma pequena fração do que o autor despendeu – aquilo que Tim Adams simboliza em Don DeLillo. É claro que isso não seria o fim da literatura, apenas uma de suas transformações. E talvez o raciocínio todo tenha algo de paranóico, caso em que o “autor icônico” não poderia ser mais apropriado. Mas fiquei pensando.

TWITTER: VOCÊ PODE ABRIR MÃO DELE

domingo, 22 de novembro de 2009

Por Paulo Rebêlo, do blog Hipopocaranga

Todo dia, tento resistir à tentação de abrir minha página inicial do Twitter. É que, assim como a febre dos blogs entre 2001 e 2005, ler a tuitada alheia passou a despertar um sentimento aparentemente muito feio e mesquinho em mim: a inveja.

Se na época dos blogs eu achava que todo mundo tinha parado de trabalhar para viver blogando o que faz da vida, hoje em dia, com o twitter, eu quero é o emprego de todo mundo.

Eu vi um pombo cor-de-rosa na janela. Tuíte. Meu chefe chegou, hora de trabalhar. Tuíte. Cinco minutos depois, o chefe foi embora. Tuíte. Bom dia a todos. Tuíte. Vou ali almoçar. Tuíte. Tô cansado, hoje trabalhei demais. Tuíte. Até amanhã, twitters. Tuíte. Tuíte. Tuíte. Tuíte.

Se a ferramenta diz que cada pio deve ter 140 caracteres, não entendo por que metade das pessoas não se contenta e escreve três, quatro, cinco tuítes de uma vez só como se fosse um post de blog? Daqui a meia hora, vão escrever mais três ou quatro seguidos.

Não sou inteligente o suficiente para dizer que são burras e que é para tuitar uma vez só. Não sou médico para dizer que é um problema de TOC. Nem sou psicólogo para afirmar que deve ser uma grande carência dizer ao mundo que o sobrinho meteu o dedo no nariz e tirou uma catota linda. Sem esquecer de colocar uma foto do celular nesse tal de Twitpic.

Vejo coisas bacanas no Twitter. Quem vive de escrever ou escreve por prazer, consegue atrair um contingente de leitores que antes não conseguia. No meu humilde site de crônicas, quando jogo um link no Twitter a audiência sobe coisa de 50%, mas apenas por 24h, raramente por dois dias. Os especialistas em novas mídias têm toda uma tese para explicar esse ronaldo, digo, fenômeno.

(Sim, porque todo mundo que usa internet para trabalhar agora é um especialista em novas mídias, novas tecnologias, noves fora a casa de chapéu.)

O problema é encontrar os links e comentários interessantes perdidos no meio de 489 tuítadas de uma dúzia de pessoas. E aqui vem o problema maior: os brios alheios.

Por mais que eu goste daquele meu amiguinho virtual, não dá para abrir minha página do Twitter e ver que ele tomou conta de metade da minha tela num intervalo de quatro horas. Esse tipo de comportamento você não consegue reverter nem usando um leitor de RSS.

Se juntar com mais outra meia dúzia de pessoas que tuítam como quem bebe água, eu vou precisar apertar 87 vezes na tecla Page Down até começar a ler outras pessoas. Isto é, se você olhar o seu Twitter todos os dias. Se passar um dia sem olhar, multiplique a conta por oito.

E foi aqui que o Twitter me ensinou o que, hoje, tem sido o maior aprendizado internético libertador de toda minha extensa vida online: abrir mão de saber das catotas alheias.

Falar é fácil, mas quando você depende de internet para pagar aluguel, a conta da padaria e o fiado do bar, é muito difícil abrir mão de clicar em links que os outros dizem ser interessantes. Ou simplesmente ficar sabendo o que fulano e beltrano acham das (me perdoem) “novas mídias”.

Não é fácil, mas também não é impossível. Difícil mesmo é explicar aos amiguinhos virtuais (aquele povo que você nunca viu na vida, talvez nunca veja e até desconfia se existem de verdade) o motivo de você ter clicado em REMOVE (em caps lock mesmo, com força) no nome deles.

Como o Twitter também é cultura e aprendizado, levei toda essa ampla bagagem de conhecimento avançado em novas mídias para outras ferramentas digitais e redes sociais que uso, mesmo sem saber exatamente se uso ou não. Porque, de acordo com os gurus diplomados dos cursinhos cheio de grifes, só usa rede social quem interage. Quem apenas olha, não está fazendo nada.

Quando estou online, geralmente entro no MSN Messenger e/ou no Gtalk. Não por necessidade, apenas por hábito. Acontece que há muitos anos eu não abro a janela para saber quem está online, de modo que ontem eu não fazia a menor idéia quem eram as pessoas que contavam por 80% da minha lista de contatos.

Exportei a lista e tinha 472 criaturas, onze ou doze anos depois de eu fazer uma conta no Hotmail. Devo realmente trocar umas idéias com meia dúzia. Tem gente que lembro, é verdade, de quem trabalhou comigo há dez anos, de quem trabalhou no mesmo lugar por apenas três meses, de quem apareceu do nada e nunca mais reapareceu. Enfim, tem de todo tipo, mas em comum, 99% dos contatos não troca uma palavra comigo (olha a carência da catota do sobrinho) há meses, quiçá anos.

No Twitter, mesmo que ninguém conheça ninguém, você pode dormir feliz da vida se achando um verdadeiro sucesso social por ter 300 mil seguidores. Mas e no MSN, que apenas você tem acesso? DELETE (em caps lock de novo) neles, de com força e com os dois pés, que nem tirador de coco na praia.

Devo ter apagado 90% da minha lista no MSN e 50% no Gtalk, que por natureza (e por ser mais novo) já tinha. Isso também evita, ou vai evitar, aquele inútil hábito de digitar bêbado na janela de alguém achando que é outra pessoa. Hoje eu voltei a abrir a janela do MSN para ver quem está online. E é um alívio indescritível ver que tem apenas meia dúzia de pessoas online e, diante do júri, poder dizer exatamente quem são elas e como elas chegaram ali.

Minha próxima hercúlea missão é organizar minhas três contas de e-mail. Com quase seis meses sem conseguir olhar direito a caixa postal onde recebo releases, propagandas e boletins, hoje meu Outlook tem exatos 6200 pretinhos. Os pretinhos são aquelas mensagens negritadas que significam “não lidas”. Fora outros milhares da caixa de spam automático, mas estas prefiro nem olhar. Os falsos negativos que me perdoem. E eu adoro ler boletins, não sei como o Outlook foi chegar a esta conta incrivelmente absurda.

Todo dia, abro o Outlook, respiro fundo e fico a apenas um clique do botão LIMPAR TUDO. Mas tenho esperado. Talvez eu precise entrar mais vezes no Twitter, aprender mais. Até porque, se nem o Belchior encontrou uma solução para fugir das dívidas tão fácil, não sou eu que irei conseguir transformar 6200 emails em um tuíte de 140 caracteres.

POLITICA 2.0

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Por Alon Feuerwerker

Com o twitter, os políticos finalmente desembarcaram na rede. Falta agora captar o verdadeiro sentido da coisa e render-se ao ambiente de diálogo. Usar twitter e blog para “disponibilizar conteúdo” equivale a fumigar uma plantação com jatinho

Os políticos descobriram o twitter.com. Para quem ainda não sabe, trata-se da ubíqua ferramenta de microblog. Por que “micro”? Porque limita as postagens a 140 caracteres. Você se cadastra como “seguidor” de alguém e recebe um aviso quando esse alguém “tuíta” (escreve) algo. Você também é avisado quando falam de você. E pode também conversar em particular. Para quem viu a web nos primórdios, óbvio está que o twitter é a evolução das antigas salas de bate-papo, que fizeram a festa da audiência nos grandes portais da virada do século.

Uma diferença do twitter sobre os blogs tradicionais é que a exiguidade de caracteres favorece a homogeneização. A chance de o sujeito passar vergonha escrevendo 2 linhas é bem menor do que escrevendo, por exemplo, 60. Você dá o recado sem correr grandes riscos. Isso para quem escreve. Para quem lê, a vantagem é não ter que “navegar”. Em vez de pular de site em site, você usa uma central que lhe avisa quando algo é posto num dos locais que você segue. Uma espécie de “leitor de rss” mais dinâmico e proativo.

Para os políticos, estar no twitter é uma maneira de distribuir instantanamente as realizações, para a rede de seguidores e interessados. Que poderão reenviar a informação, numa sequência de contágio viral. Mais ou menos como a propagação da gripe suína, neste caso para nossa apreensão. Teoricamente, reduz-se a dependência de intermediários, como a imprensa. E a um custo baixíssimo. Uma pena é que a distribuição via blog, youtube e twitter não pode ser anabolizada como “divulgação do mandato” no uso da verba indenizatória. Isso foi uma piada.

Ponha a turma para se cadastrar no seu twitter e você terá uma rede estruturada de comunicação instantânea. Desvantagem não tem nenhuma? Tem. Quando você ocupa um lugar institucional na rede, seja pessoa física ou jurídica, também facilita a vida dos seus críticos. Claro que mesmo antes do twitter todo mundo podia falar mal de todo mundo, mas agora há um detalhe, com requintes de crueldade: cresceu muito a chance de você ficar sabendo quando o detonam.

E, como ninguém em pleno gozo das faculdades mentais pode seguir tanta gente, se você bobear daqui a pouco tem um pessoal descadastrando você. Ou você pode virar alvo de alguma campanha orquestrada de descadastramento (o #unfollow). Mas mesmo isso não deve ser motivo para grande preocupação, pois o resultado prático de campanhas assim é que você acabará ficando mais conhecido, e não menos. Mesmo falando mal, estarão falando de você.

A observação mais cuidadosa da atividade dos políticos no twitter mostra que, se tecnologicamente estão atualizados, conceitualmente eles ainda só enxergam a internet 1.0. Aquela onde as pessoas, empresas e insituições cuidavam de “disponibilizar conteúdo”. Acionar twitter e blog para “disponibilizar conteúdo” equivale a fumigar uma plantação com jatinho. Já que é fácil recorrer às ferramentas para falar, natural que logo todos os políticos estejam usando assim, unidirecionalmente. E quem terá vantagem competitiva? Quem aceitar usar para ouvir, como comentei na coluna do último domingo.

Com o twitter, os políticos finalmente desembarcaram na rede. Falta agora captar o verdadeiro sentido da coisa e render-se ao ambiente de diálogo. Mas não apenas para ouvir elogios e tratar de banalidades, ou assuntos pessoais. Aceitar, sim, questionamentos sobre o que interessa: a atividade política. Quando fizerem isso, é possível que os nossos representantes venham -quem diria!- a sentir saudades da imprensa.

GOVERNOS CENSURAM INTERNET

quinta-feira, 12 de março de 2009

Transcrito de El País

Por Patrícia Fernández de Lis

Mais de 1 bilhão de pessoas usam diariamente a Internet para comunicar-se e buscar informações, enquanto dezenas de governos buscam uma maneira de controlar a rede.

A prestigiosa organização OpenNet, integrada pelas universidades de Oxford, Cambridge, Harvard e Toronto publicou um estudo a respeito. Nele se conclui que 25 países – entre os quais o Irã, China y Coréia do Sul - exercem a censura de webs com conteúdos políticos ou sociais considerados perigosos, e impedem o acesso a canais como YouTube ou Google Maps. Além do mais, seus métodos de censura estão sofisticando-se em muitos casos graças à colaboração de empresas do Ocidente.

“A censura a Internet está aumentando em escala, alcance e sofisticação em todo o mundo”, disse John Palfrey, professor de Direito na a Universidade de Harvard. É a primeira vez que OpenNet realiza este estudo que analisa a situação de liberdade de expressão na Internet desde 2003. Neste informe foram analisados 200.000 acessos em 120 provedores de Internet (ISP).

Os 25 países que, segundo o estudo, exercem censura na Rede não o fazem da mesma maneira, nem na mesma proporção. Coréia do Sul, por exemplo, só impede o acesso às informações relacionadas com a Coréia do Norte. Há os que preferem exercer uma censura pontual, como a Turquia, que impediu o acesso de seus cidadãos a YouTube por um vídeo que “ofendia” a memória do primeiro presidente da República, Mustafá Kemal Ataturk.

O informe não inclui a Coréia do Norte nem Cuba, não porque não se exerça a censura senão porque os investigadores asseguram que não poderiam garantir a segurança de suas fontes no país.

Os autores do informe detectaram tipos de censura. A mais comum é a política, exercida para evitar a difusão de idéias por parte de partidos da oposição, defensores dos direitos humanos ou dissidentes.

O pior país para a censura política é Myanmar (antiga Birmania), seguido de China e Irã. O segundo tipo de censura é a social, que impede acessar conteúdos vinculados com direitos de grupos como mulheres e homossexuais. Irã, Oman e Arábia Saudita encabeçam esta lista negra.

Um terceiro tipo de censura se relaciona com a “segurança nacional”, isto é, impede o acesso a webs e sitios de noticias de grupos insurgentes ou terroristas. Myanmar, China e Irã ocupam os tres primeiros lugares.

Ainda segundo os autores do estudo, o país de que mais exerce a cibercensura, debido é o Irã. Segundo Repórteres sem Fronteiras (RsF), bloggers têm sido extintos no país desde 2006 e há impedido o acesso a cerca de 10 milhões de webs “imorais”. China, por sua vez, ostenta o triste recorde de ter maior número de pessoas presas por ciberdissidência: 52, de um total de 68 em todo o mundo, segundo RsF.

“Internet é o maior aliado da liberdade de expressão”, explica Rafael Jiménez Claudín, secretário geral de RsF. “Por isso, quem não está interessados em respeitar o direito à livre expressão, utiliza uma grande variedade de métodos para controlá-la”.

A técnica mais comum de censura é a imposição de leis que proíbem o uso de determinados termos (na China, por exemplo, “democracia” ou “direitos humanos”). Também se utilizam filtros nos servidores dos ISP. O mais conhecido é o SmartFilter, fabricado por uma empresa norte-americana, a Secure Computing. Tanto OpenNet como RsF denunciam a colaboração das empresas ocidentais nestas formas de censura, ainda que, como disse Jiménez Claudín, “o bom da Internet é que, quando se fecha uma porta, sempre há alguém disposto a abrir outra“. 

 

 

 

A MORTE DOS JORNAIS

quarta-feira, 11 de março de 2009

Por Franklin Jorge

 

A crise do jornalismo impresso agrava-se a cada dia. Não é somente uma crise de credibilidade, mas algo que resulta da alienação do foco e da qualidade do produto que oferece ao leitor – que não procura mais, apenas, a informação, mas o conhecimento, a análise, a critica. A notícia interpretada por quem afinal tem recursos intelectuais para isso.

 

Tenho escrito, repetidas vezes, sobre a agonia do jornalismo impresso. Especialmente do jornalismo acomodado ao mero registro dos fatos e à recepção de colaboradores que, por seu despreparo ou inexpressividade na própria área de atuação profissional, não influem na formulação da opinião pública.

 

Não admira, pois, que a Página de Opinião, antes um espaço nobre do jornal, tenha sido ocupada por uma reca de colaboradores anônimos ou pseudos intelectuais – muito justamente chamados de “intelectuais orgânicos” – que se ocupam em dar vazão à vaidade e a “exercícios literários” canhestros que, por complacência ou comprometimento dos editores, escaparam da lata do lixo…

 

Além disso, prospera a figura do opinador contumaz. É curioso notar que já não se pergunta, nas redações, se o opinador tem ou não credibilidade. Se ele tem ou não fé pública, se é ou parece honesto, se tem ou não respeito — por mais elementar e incipiente — pela ética que em principio deve reger as ações humanas e profissionais, especialmente aquelas, como a jornalística, com repercussão direta na sociedade.

 

A impressão que fica é a de que o importante, para quem escreve, é publicar; e, para quem avalia, “encher o espaço” em branco, pois com ética ou sem ética, com qualidade ou sem qualidade o jornal precisa ser fechado e impresso, pois lá na outra ponta está o leitor esperando para pagar a conta.

 

Por último, o “jornalismo cultural” se transformou em um must. Uma iguaria que deve estar em todas as mesas, ou seja, em todas as páginas, sem nenhuma consideração pela escolha e manejo dos ingredientes. É um gênero ainda incipiente entre nós, por isso mesmo apto a promover tantos equívocos, ainda mais que está beirando perigosamente o colunismo social sob a forma de registros do que há de mundanismo na atividade cultural ou no que, muito pedantemente, costuma ser referido como “mundo artístico” – uma confraria que há em toda parte e latitudes.

 

Não admira que a vida inteligente esteja migrando para a mídia virtual, enquanto os meios convencionais se debatem na mesmice e no tédio.

 

A GUERRA DOS BLOGUES

sábado, 7 de março de 2009

Por Franklin Jorge

A Internet tornou-se a mídia democrática por excelência, ao constituir-se numa espécie de fórum planetário de debates de longo alcance.

No Brasil já somos quase 50 milhões de internautas conectados regularmente e este numero tem crescido significativamente, mesmo em plena crise que desorganiza a economia mundial e promove a supressão do emprego. Noutros termos, já começa a ser vista como uma epidemia ou uma síndrome que contamina usuários de todas as faixas etárias e escolaridade. Um exagerado diria que se pode passar sem pão, mas não sem Internet…

Muitos grandes jornalistas têm migrado para esta nova mídia, ainda incipiente e sujeita às dificuldades inerentes aos sistemas que se organizam. Especialmente aqueles jornalistas que em razão de princípios éticos, no exercício da livre opinião, colocam os interesses dos leitores acima dos interesses de grupos políticos e econômicos que se aproveitam dos meios de comunicação para satisfação própria.

Serviço barato e acessível aos mais diversos segmentos e estamentos sociais, através do uso generalizado das lan houses que se multiplicam em progressão geométrica, a Internet tornou-se um valioso instrumento de difusão do conhecimento e, no plano estritamente político, de pressão, especialmente para todos os que têm dificuldade de se fazerem ouvir em instâncias superiores.

Em verdade, não se pode mais fazer política sem o uso da Internet e sem levar em consideração o seu poder de aliciamento em defesa da cidadania e dos princípios democráticos. Prova disto, o Portal Amazônia recentemente criado pelas Organizações Globo, para fazer os cidadãos brasileiros interagirem em defesa daquele vasto território nacional e do meio-ambiente. São milhões de acessos que comprovam que estamos ligados e de olhos abertos para a realidade do país.