Arquivo da Categoria ‘Mídia’

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domingo, 29 de agosto de 2010

Da Redação

Estamos abrindo nossas páginas à colaboração voluntária de universitários, desde que os textos não estejam escritos em jargão acadêmico.

Damos preferência a ensaios curtos, a textos críticos e crônicas sobre o cotidiano, fatos e pessoas.

Não publicamos poesia, exceto quando inseridas num contexto analítico ou interpretativo. As colaborações não serão remuneradas. O projeto tem como objetivo otimizar a interação com as universidades.

Dependendo da peculiaridade do texto, ele pode ser publicado em canais específicos do Site www.franklinjorge.com, a saber: “Babélia” [crônicas, contos, criticas], “Grande Angular” [reportagens, entrevistas, ensaios], “Galeria” [critica de arte] e no blog propriamente dito, “O Santo Oficio” [artigos de interesse geral, o que inclui articulismo politico] etc.

As colaborações devem ser enviadas ao editor através dos e-mails:

.franklin@franklinjorge.com
E
.franklinjorge@yahoo.com.br

A NOVA REALIDADE MIDIÁTICA

sábado, 21 de agosto de 2010

JORNALISMO FALIDO X JORNALISMO ON LINE

Por Ipojuca Pontes

Ipojuca Pontes compara a decadência dos grandes jornais impressos de esquerda, tomando como exemplo o Jornal do Brasil, o New York Times e o Le Monde, com a ascensão do jornalismo on line e dos blogs, livres, independentes, ágeis e com poucas despesas.

“O jornalismo é a segunda mais antiga profissão do mundo.
” Bernard Shaw

[...] A falência do jornal impresso atinge em especial a chamada grande imprensa e, com efeito, para analistas da matéria a extinção de sua supremacia parece estar cada vez mais próxima.

Na França, por exemplo, os diários “Libération” e “Le Monde”, ambos de esquerda, ainda que contando com subsídios governamentais, andam pelas tabelas. De fato, vão devagar quase parando: “Libération”, fundado por Jean Paul Sartre (em 1973), sobrevive apelando para o jornalismo digital e o “Le Monde”, mal das pernas, cambaleia amparado na grana suja de esperma do gangster Xavier Niel, sujeito que começou a vida explorando casas de show em que mulheres nuas podiam ser vistas através de vitrines contorcendo-se em movimentos eróticos.

A falência do jornalismo à esquerda não fica restrita a França de Sarkozy: na Inglaterra, segundo a “Economist”, nada menos de 70 jornais fecharam suas portas, sem choro nem vela, no biênio 2008/2009.

O próprio “New York Times”, o templo mundial do jornalismo “politicamente correto”, perdendo assinantes e receitas publicitárias em cascata, enfrenta no momento uma dívida em torno de US$ 1 bilhão - o que o obrigou a abrir mão do controle de vários jornais da cadeia em todo país, salvando-se apenas o “Boston Globe” (ninguém sabe até quando).

Sim, é fato: para continuar circulando, a The New York Times Co teve de vender a W. C. Carey & Company o prédio sede de 52 andares, situado na 8ª Avenida, no coração de Manhattan, passando a pagar o aluguel dos 19 andares onde outrora reinou como Deus desaconselha e o diabo manda: pedante e mentiroso.

Pior: para não pedir concordata, a família Sulzerberg Ochs, que controla The New York Times com 19% das suas ações, viu, sem poder pestanejar, o empresário mexicano Carlos Slim Helú (dono no Brasil das empresas telefônicas Claro e Embratel) aumentar para 17% o controle acionário do jornalão sabe-tudo.

Pior ainda: para salvar o volumoso investimento avaliado em US$ 267 milhões, o mexicano Slim - gordo, ensebado e bigodudo como o Sargento Garcia, de “O Zorro” - começou por impor cortes nos gastos com um exército de correspondentes e fechar sucursais no exterior.

Em 2009, The New York Times tinha registrado um prejuízo de US$ 74, 5 milhões.

Muita gente boa aponta o jornalismo eletrônico como o principal responsável pela ruína dos jornalões. Os motivos não são nada desprezíveis: blogs e sites não gastam com papel nem mantêm grandes redações, nem tampouco sofrem com perdas de receitas publicitárias - embora hoje, como se tornou evidente, o jornalismo on line comece a morder firme nas contas das grandes e pequenas agências de propaganda.

Por outro lado, graças ao avanço da tecnologia digital, o jornalismo eletrônico conta com um dispositivo excepcional: sua dinâmica permite acompanhar e refazer a notícia a cada segundo, sempre em cima do fato, possibilitando até mesmo a transmissão de imagens ao vivo, usando, para tal fim, o vasto acervo imagístico exposto no YouTube.

No entanto, não é apenas no plano da operacionalidade que o jornalismo on line causa rebuliço. Se a imprensa é, em essência, notícia e análise, o jornalismo eletrônico permite as duas coisas - o que o torna mais ágil, denso e promissor, cumprindo, em qualidade e quantidade, um papel sem paralelo no jornalismo de todos os tempos.

Ademais, para fazer a análise qualificada, o jornalismo de site dispõe de tempo, espaço e liberdade (inimagináveis nas folhas de hoje em dia), conjunto de privilégios só entrevisto nos primórdios do bom jornalismo inglês, quando tipos como Samuel Johnson, Bernard Shaw, Addison e Hazlitt faziam da notícia “essays” generosos, férteis de conhecimento e objetividade crítica.

Por sua vez, o jornalismo eletrônico, quando exercido à vera, sem a inibição dos códigos de redação e intermediários de praxe, cria uma ambiência especial, feita de independência, pesquisa e ousadia que só encontra paralelo no extraordinário clima de parceria que se estabelece entre quem escreve e quem lê.

Não é por outro motivo, penso, que há quem passe entre 10 e 12 horas por dia navegando (termo preciso) na internet, transformando-se o navegador num potencial repassador de matérias, ou seja, num internauta.

Em troca, o que nos dá os jornalões?
De início, uma soma de mistificações, distorções e mentiras de estontear qualquer Mike Tyson. Com efeito, salvo hiatos, o seu noticiário, editoriais e as “análises” dos seus “formadores de opinião” estão sempre, no seio da grande imprensa, sonegando a realidade em função de interesses ideológicos “politicamente corretos” - vale dizer, “utópicos”.

Querem um exemplo da perversão? Recentemente, o ex-candidato à presidência da Venezuela, Alejandro Peña Esclusa, um cidadão honrado e opositor pacífico, foi preso em sua residência pelos esbirros de Hugo Chávez, que usaram como pretexto, para tirá-lo de circulação, evidências falsas, afirmando possuir ele um arsenal de bombas num guarda-roupa. Peña Exclusa não é qualquer um: trata-se de um líder integro que provavelmente será, quando a nuvem negra do chavismo passar, o futuro presidente da Venezuela.

Pois bem: o que dizem os nossos jornalões sobre o lastimável atentado? Nada ou muito pouco, uma pequena notícia de pé de página, sem direito a chamada, foto ou perfil em box. Onde anda o departamento de pesquisa dos jornais brasileiros que nada nos contam sobre Peña Esclusa, um líder democrático trancafiado por um ditador delirante? Será por ser ele considerado de “direita”?

O jornalismo livre e consciente tornou-se uma impossibilidade na chamada grande imprensa nacional: o capachismo ideológico tomou conta de tudo. Mas ele é, ou deveria ser, soberano, visto repudiar qualquer vestígio de opressão ou despotismo, venha de onde vier.
Nesta perspectiva, a denúncia da brutalidade cometida por Chávez contra Peña Esclusa deveria ser matéria de primeira página, com direito a acompanhamento diário até a sua libertação.

Em suma, eis o que eu queria dizer: o papel do jornalista consciente, com o dom que Deus lhe deu, é o de apurar e dizer a verdade - custe o que custar. Se possível, de maneira clara, integra e objetiva.

Cumprir tal tarefa, no entanto, está ficando cada vez mais difícil no jornalismo tupiniquim, com suas alianças espúrias e seus interesses inconfessos. Os jornalões se esmeram, apuram a roupagem visual, contratam “vedetes” e abrem dezenas de colunas para roubar o tempo do leitor.

Tudo sem muita importância. Pois diante da grande imprensa um espectro se impõe e apavora: o do jornalismo on line, livre e altivo como um falcão em vôo pleno.

BLOGUEIROS QUEREM CIDADE VIVA

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Blogueiros de Felipe Guerra apresentaram Projeto Cidade Baixa Viva aos moradores

Após reunião ocorrida ontem na Escola Estadual Antônio Francisco, na cidade de Felipe Guerra, região Oeste do estado do Rio Grande do Norte, onde foram traçados metas para a realização do projeto Cidade Baixa Viva, os blogueiros Edvaldo Barboza, Edson Neres, Erinaldo Silva, Roberta Kelly, João Paulo Barra, Paulo Lucemberg e o blogueiro e colunista dos jornais O Vale do Apodi, Folha Regional e do Site da Revista 100 Fronteiras, Salomão Medeiros, agendaram uma visita in loco no próximo domingo na Cidade Baixa, onde os mesmo deverão conhecer mais sobre a história do local, conversar com os moradores e apresentar o projeto Cidade Baixa Viva.

Com a presença dos blogueiros na cidade baixa é esperado já que embora o projeto Cidade Baixa Viva esteja ainda em fase de coleta de informações e tendo suas metas, entre as quais

Jamais poderemos falar da história da cidade de Felipe Guerra, sem antes e depois não passar pela história da cidade baixa, patrimônio arquitetônico, histórico e local memorável de enorme importância para a história da cidade de Felipe Guerra.

Depois da visita a cidade baixa, os blogueiros de Felipe Guerra farão a primeira visita aos comércios da cidade de Apodi, onde irão conversar com os comerciantes de todos os segmentos para solicitarem doações de tintas, pinceis e cimentos para o projeto Cidade Baixa Viva.

Para quem puder fazer sua colaboração com o projeto Cidade Baixa Viva, na próxima semana será divulgado os locais de comércios em Felipe Guerra que terá pontos de coleta de materiais.

O projeto Cidade Baixa Viva contará em breve com a participação da empresa EMSS Eletromóveis (Felipe Guerra e Governador Dix-Sept Rosado-RN), da Rede Oeste de Supermercados-Mercantil Alves (Felipe Guerra - RN), da Padaria e Mercearia Medeiros (Apodi-RN),da Kboom Net(Felipe Guerra-RN) dentre outros comércios que serão anunciados no decorrer do projeto Cidade Baixa Viva.

Salomão Medeiros
Colunista dos jornais O Vale do Apodi, www.ovaledoapodi.com.br, (Apodi-RN e Região Oeste),Folha Regional( Pau dos Ferros-RN e Região do Médio e Alto Oeste) Site da Revista 100 Fronteiras www.revista100fronteiras.com.br, (Foz do Iguaçu-Paraná)Editor do Blog do Colunista Salomão Medeiros www.salomaodemedeiros.blogspot.com

O FUTURO DOS JORNAIS IMPRESOS E A INTERNET

sábado, 7 de agosto de 2010

12 coisas que os jornais deveriam fazer para sobreviver

Li recentemente, e recomendei aos amigos do twitter, um artigo de Vadim Lavrusik, um estudante de Mídia da Graduate School of Journalism, da Columbia University, no qual ele citava ‘12 coisas que os jornais deveriam fazer para sobreviver’ neste novo ambiente midiático que vem se formando com os avanços na tecnologia da comunicação.

Achei tão bacana que resolvi listá-las por aqui para nossos leitores que se arrastam um pouco para ler em inglês. É uma, digamos, tradução adaptada.

1. Colocar a web em prioridade e informar por múltiplas plataformas
Jornais ainda tratam seus sites como um segundo plano, porque sua receita publicitária ainda vem em grosso do impresso. Ao mesmo tempo, a mudança para conseguir mais receita com os websites não acontecerá até que o website for a prioridade.

Jay Rosen, um professor de jornalismo na New York University, disse que uma das questões é que repórteres receberam uma descrição do trabalho que gira em torno de uma única plataforma (ou seja, jornalistas de impresso), quando na verdade os jornalistas precisam conceber o ato editorial separadamente dos problemas de plataformas.

Ultimamente, a palavra ‘impresso’ precisa ser retirada do papel desempenhado pelos jornalistas de impresso (print jornalists, no original), disse Kevin Sablan, chefe da força-tarefa da web do Orange County Register. Repórteres precisam focar fundamentalmente em obter informação e em como apresentar essa informação em múltiplos formatos: websites, plataformas móveis, redes sociais e finalmente impresso.

O motivo? A tecnologia está mudando o modo como as pessoas consomem notícias, e apesar de muitas ainda estarem obtendo suas notícias por canais tradicionais impressos, muitas outras estão migrando para obter notícias por vários meios, como televisão, celular e a web.

Ryan Sholin, diretor de inovação em notícias da Publish2, uma companhia especializada em link journalism, disse que os jornalistas agora têm que estar preparados para produzir jornalismo em múltiplas plataformas, seja twittando um headline, fazendo o upload de um vídeo por seu iPhone ou o que for – o jornalismo vem em todas as formas e tamanhos.

2. Segmentar
O modelo de transmissão em massa parece não funcionar muito bem na web. Cada vez mais, as pessoas estão valorizando os assuntos específicos ou áreas nas quais são mais interessadas ou que as impactam diretamente. A cadeia de fornecimento vertical dos jornais, o modelo industrializado de uma coleção de notícias divididas em seções recheando papel, está simplesmente se tornando menos valoroso para mais gente, disse Stowe Boyd, diretor da Microsyntax.org, uma organização sem fins lucrativos que investiga a fixação da informação estruturada em aplicativos de microstreaming, como Twitter.

“Estamos vendo mais fragmentação e especialização”, disse Boyd. “Quantos blogueiros de sucesso você conhece que escrevem sobre tudo?” Jornais precisam descobrir o que eles fazem bem e concentrar nisso, ele disse, citando Politico.com como um exemplo.

Paul Bradshaw, conferencista sênior em jornalismo on-line da Birmingham City University e consultor em mídia, também disse que jornais precisam ter mais nichos, e talvez começar a publicar com menor frequência e cobrando mais. Ele supõe que os jornais se moverão na direção das revistas, com notícias de qualidade mais alta, enquanto usam seus sites para notícias de ‘alta rotatividade’.

3. Oferecer conteúdo exclusivo no impresso
A consideração de Bradshaw dialoga com a ideia de que jornais precisam para de tratar seus websites como um depósito de histórias impressas e tratar cada um de forma independente, cuidadosamente selecionando histórias que combinam melhor com cada mídia.

Isso seria ter cada vez menos o foco do jornal impresso em notícias ‘sensíveis ao tempo’, e, em vez disso, focar mais em histórias analíticas, disse Matthew Ingram, editor de comunidades do The Globe and Mail. Isso também significa adicionar contexto a notícias que foram postadas, compartilhadas e retwittadas on-line.

O mesmo conceito se aplica à web, aponta Gina Chen, colaboradora do Nieman Journalism Lab, que precisa oferecer mais que apenas notícias, mas serviços e recursos para leitores daquela comunidade (ver ponto 11 sobre o potencial de receita disso). Isto também altera bastante os papéis dos jornalistas.

4. Jornalistas como curadores e contextualizadores

A link economy é bastante real e a época de investir é agora. A realidade brutal é que atualmente os jonrais possuem menos de 1% da audiência de page views e tempo gasto on-line nos EUA. ‘Linkar’ para outros artigos e ‘curar’ notícias irá não apenas ser útil para os leitores como fará os jornais mais visíveis na web.

Sholin, da Publish2, disse que jornalistas precisam ‘curar’ as mídias sociais para descobrir o que é notícia e verificar o que é real e o que não em toda a informação disponível por aí, que nem sempre é confiável. Isso também significa simplesmente compartilhar o que está lá fora na web, disse Sholin. O blog NYTimes Bits incorporou um widget ‘O que estamos lendo’, desenvolvido pela Publish2. Claro que há várias outras opções disponíveis para integrar uma característica semelhante a um website.

A edição impressa de um jornal pode servir para contextutalizar as notícias que foram postadas, compartilhadas e retwittadas, disse Sablan. “Pode incluir uma apresentação narrativa coesa de bits desconjuntados que flutuaram por diferentes streams e blogs no dia anterior”, diz.

Jornalistas precisam se distanciar de serem ‘processadores de informação’ para contextualizadores, diz Bradshaw. No velho modelo industrializado, ele explica, jornalistas simplesmente processavam material bruto num artigo ou transmissão, num mercado do qual eles também possuíam o monopólio, mas no modelo em rede que temos hoje, o material bruto está disponível para antiga audiência, que está tomando o papel de repórter, ao mesmo tempo em que eles próprios são também as fontes.

5. Integrar coberturas em tempo real

As mídias sociais estão permitindo à audiência e às “pessoas antigamente conhecidas como fontes” reportarem a si mesmas. Por exemplo, o Departamento de Incêndios de Nova York usou um stream de vídeo ao vivo no website deles para transmitir, direto de um helicóptero, os esforços de resgate após a recente colisão aérea no Rio Hudson – permitindo os visitante do site de comentar via chat próximo à transmissão. Eles tiveram mais de 300 espectadores assistindo e conversando no chat enquanto as notícias se desenrolavam e frequentemente esses espectadores às tinham em primeira mão. Eles foram, afinal, a fonte que vários outros veículos de mídia estiveram buscando suas informações.

“Os meios de produção estão disponíveis a todos. A distribuição em rede está disponível a todos”, disse Bradshaw. “Reescrever um press release já não resolve mais.” Se as fontes são capazes de reportar notícias elas próprias, os padrões foram elevados o suficiente para que as organizações jornalísticas adotem e integrem as coberturas em tempo real aos seus websites.

Twitter é provavelmente um bom alvo para os websites de jornais focarem e se aproveitarem. Notícias quentes (breaking news) são geralmente grandes geradoras de tráfego para qualquer site. Mas agora quando as notícias quentes acontecem é primeiro no Twitter, disse Boyd. Ele aponta que organizações jornalísticas de tevê incorporaram Twitter em seus shows ao vivo, e a solução será os jornais descobrirem como integrá-la aos seus websites e operações de noticiário.

Determinar qual opção é a mais efetiva é difícil, porque cada uma tem suas falhas. Se uma organização jornalística apresenta a ‘alimentação’ de seu Twitter no site, há o potencial de se repetir conteúdo que já está numa história. Além disso, se o site do jornal estiver usando um hashtag feed sem filtro então haverá o desafio de lidar com spam e tweets de qualidade pobre. Parece que atualmente, os feeds de Twittter são apresentados em blogs, mas não em páginas específicas de notícias ou histórias.

6. Cultura interna: Iniciativa vs. corporação

Muitos jornais de hoje estão construídos sobre estruturas muito corporativas e burocráticas. Há um repórter e um editor e um editor do editor e um editor de todos os editores e, bem, você entendeu. Scott Porald, CEO da Pet Holdings, aponta que o problema com ambientes corporativos é que 80% do tempo é gasto planejando e apenas 20% é gasto fazendo. Enquanto no seu ambiente de iniciativa, só 5% é gasto planejando e 95%, fazendo. Mark Briggs escreveu um artigo sobre como criar uma cultura de iniciativa numa redação.

Sholin, da Publish2, também pensa que os jornais deveriam se estruturar em torno de um modelo de iniciativa, em preferência às atuais burocracias corporativas. Sholin comparou a indústria jornalística ao Titanic, porque se dirige direto pra cima de um iceberg, mas não parece poder desviar rápido o suficiente devido às camadas de burocracia e de opiniões que se recusam a mudar. E apesar de que reestruturar completamente uma organização jornalística enorme possa não ser possível, criar um ambiente de iniciativa que encoraje a inovação pode.

7. Encorajar a inovação
Parte de ter uma cultura de iniciativa inclui um ambiente que encoraja a inovação, como a regra dos ‘20%’ do Gooogle, que permite aos engenheiros trabalharem projetos paralelos pelos quais são apaixonados, o que resultou em produtos da Google como AdSense, Orkut e outros.

Sholin, da Publish2, aponta que alguns jornais estão fazendo isso, criando equipes que experimentar e assumem riscos. O Guardian na Inglaterra hospedou seu segundo ‘Hack Day’ em julho, que trouxe jornalistas e desenvolvedores da empresa e de fora dela para ver o que eles poderiam criar em 24 horas. Os resultados foram do útil ao divertido. Se os jornais tivessem começado a inovar nos primeiros dias da web e experimentado novas ferramentas, quem saberia o quanto a indústria teria evoluído. Talvez um jornal tivesse sido responsável por recriar o sistema de classificados on-line em vez da Craiglist.

8. Cobrar por citação não é a resposta
A Associated Press assinou um acordo com a iCopyright que irá ajudá-los a rastrear e cobrar pelo uso não-autorizado de seu conteúdo. Isso não caiu bem entre os leitores, e tem sido criticado pela indústria jornalística, incluindo o presidente de Mídia da Thomson Reuters, Chris Ahearn. Ele escreveu uma resposta na qual delineia seu apoio a chamada ‘link economy’, a qual o acordo da AP com iCopyright vai contra.

Numa entrevista, Ahearn explicou mais e disse crer na mídia como um diálogo e linkar e se apropriar de trechos é parte deste diálogo. A cada vez que alguém link, há a chance de se ganhar mais leitor leal, disse Ahearn. Ele disse ainda que adiciona valor à historia da notícia e fortalece a relação que os leitores têm com o publisher.

Bradshaw concorda: “Algum tecnologia meta-tag mágica que permita a você cobrar das pessoas por citações é loucura”.

9. Investir em mobilidade: E-readers ou smartphones?

Aparte o fato de que mais pessoas estão adquirindo smartphones e usando-os para se conectarem às notícias, há ainda algum potencial para se fazer dinheiro. Aparentemente, organizações jornalísticas estão caindo na real, se tornando a categoria de aplicativos para iPhone com crescimento mais rápido.

E ainda há o rumor sobre o Kindle da Amazon ser um potencial salvador dos jornais. Sholin, da Publish2, disse achar que ambas as plataformas são promissoras, mas pensa que ainda é muito cedo para se afirmar isso. Entretanto, ele disse que há muita gente disposta a pagar pelos aplicativos para celular, e algumas organizações jornalísticas estão se martirizando por não terem pensado em cobrar pelo download desde o começo. Outra opção, disse, é as organizações jornalísticas estudarem parcerias com empresas que poderiam automaticamente incluir os aplicativos de notícias nos celulares, fazendo-o facilmente acessível. Sholin também é fascinado por e-readers como o Kindle e acha que o tablet da Apple que vem por aí pode ser um vencedor em curto prazo.

Ingram, do The Globe e Mail, disse que, seja um smartphone ou um e-reader, cada tecnologia tem potencial de agregar valor ao jornal.

Bradshaw disse não acreditar que o Kindle seja a opção certa.

As opiniões são divergentes, mas devido tanta gente já estar usando sues smartphones para outros propósitos, seguir essa plataforma pode ser a melhor opção.

10. Comunicar com os leitores

Não faz sentido para os leitores não ter a possibilidade de comentar notícias on-line, mas ainda muitos jornais continuam sem ter esse recurso nos sites, sem usá-lo, ou possuir várias regras para quais histórias se pode ou não permitir comentários. Isso faz sentido quando em muitos casos porque os comentários são vulgares ou de baixa qualidade, mas uma linha evidente e definida sobre quais histórias tem comentários ainda não foi desenhada.

Stowe Boyd disse que os websites de jornais têm muito o que recuperar nessa área. “As pessoas têm comentado on-line há um bom tempo e há um bom tempo [os jornais] têm evitado fazer isso”, disse. Afinal, ele disse que comentários levam a mais page views.

E não são apenas os comentários. Várias contas (perfis) de jornais em mídias sociais são usadas como feed RSS, sem qualquer interação com o público. Mas as mídias sociais podem ser uma grande ferramenta para conquistar a confiança com seu público. Bradshaw disse que indivíduos, não instituições, usam mais efetivamente mídias sociais e então o papel do jornalista na distribuição se torna mais importante. Ele disse que consequentemente será esperado dos jornalistas que atraiam leitores por comentários, blogs, Twitter, ou isso será feito por administradores de comunidades dedicadas.

“Aqulo que fará o público valorizar o jornal é que o jornal valorize o público”, disse Bradshaw.

Ingram, do The Globe and Mail, concorda que em geral jornalistas deveriam estar interagindo mais com o público, para construir confiança. “Então eles podem nos ajudar a fazermos nosso serviço”, disse.

11. Construir comunidades

Não é mais esperado de websites de jornais que eles só provejam notícias, mas também criem comunidade. Alguns jornais estão aproveitando as plataformas de mídias sociais para alcançar esse objetivo. Seja criando um página de Facebook Fan, um grupo de LinkedIn ou uma conta no Twitter, jornais estão usando mídias sociais na tentativa de criar uma comunidade de leitores. Desenvolvedores como Jeff Reifman, fundador do NewsCloud, que criou comunidades baseadas em aplicativos do Facebook que agregam notícias, estão cientes da mudança de modelo na indústria jornalística ao mesmo tempo em que buscam tirar vantagem disso.

The Needle, o mais recente aplicativo de Reifman, voltado para Seattle, inclui dispositivos como um Twitter feed de tweets de Seattle, um lugar para se postar histórias que usuários acharem interessantes e um lugar para postar itens que usuários querem compartilhar, tudo almejando a construção de uma comunidade entre usuários de Seattle.

“Organizações jornalísticas deveriam parar de pensar em si mesmas como somente um publisher de notícias. Sites de notícias têm de oferecer um centro comunitário on-line de uma cidade”, disse Reifman. “Criando-se comunidades, cria-se uma relação de lealdade com seus leitores”.

Pensando nisso, o Charlotte Observer lançou seu próprio aplicativo de Facebook, chamado Zip, que não inclui tantos dispositivos como os apps da NewsCloud.

12. Pagar ou não pagar – eis a questão
Não há um resposta simples e certa se os sites de jornais devem cobrar pelo conteúdo on-line e, se devem, qual o melhor modelo a ser adotado. Seja um modelo de assinatura, ou um modelo de pagar-por-artigo, cada um tem sérias implicações. Entretanto, alguns pensam que já houve bastante discussão, e que os jornais devem seguir em frente e cobrar por conteúdo on-line. Rupert Murdoch, CEO e fundador da News Corp., está planejando começar a cobrar dos leitores por conteúdo on-line em todos os websites jornalísticos da companhia, começando com o Sunday Times, em novembro.

Chris Ahearn, da Thomson Reuters, disse que a melhor discussão para os jornais é considerar como criar valor para os leitores e oferecer serviços pelos quais as pessoas estejam dispostas a pagar. Ele disse que a Thomson Reuters focou em oferecer serviços que são valiosos para as pessoas e que a receita majoritária da companhia vem de produtos baseados em assinaturas.

Bradshaw, da Birmingham City University, disse que companhias jornalísticas mais adaptáveis irão entender que o valor não está nas notícias, mas na informação sobre notícias, isto é, nos dados. “Então, os similares da Open Plataform do Guardian, o API do New York Times e Open Calais da Reuters se tornarão vastos projetos para usuários do que destinos para a audiência”, disse.

Stowe Boyd, da Microsyntax.org, disse que jornais têm que descobrir pelo que usuários estão dispostos a pagar e que modelos amplos demais podem não funcionar. Sites jornalísticos devem oferecer aos leitores que assinem ou paguem por certas áreas de interesse, como esportes, política, etc, que eles valorizam no site.

Outra área inexplorada para os jornais é a possibilidade de gerar receita das mídias sociais. Elas têm ajudado os jornais de muitas formas, mas Sablan, do Orange County Register, disse que não tem visto jornais usando as mídias sociais com o propósito expresso de fazer dinheiro diretamente, mas no estado atual da indústria, todas as possibilidades de fontes de receita precisam ser exploradas. “Será fantástico se os jornais puderem descobrir um negócio de sucesso envolvendo as mídias sociais”, disse.

CULTURA DO SANDUICHE E O FUTURO DA COMIDA

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge
Obvius, uma das melhores web revista centrada em idéias, cultura e arte, detentora de uma enciclopédia de verbetes que privilegia o inusitado, os estranhamentos provocados pelo homem e pela natureza.

Recomendo duas postagens recentes, porém Obvius é um planeta. Um portal inteligente que interage na blogosfera, sempre despertando interesse e curiosidade por suas matérias que não contemplam o lugar comum. Uma delas relata um fato ou uma anedota que deu notoriedade ao distrito de Sandwuich; a outra, um desafio tecnologico.

A primeira, sobre a cultura do sanduiche, que tem como lead uma saborosa premonição do fast food.

Vale ler:
Dizem que em meados do século XVII, o lorde inglês John Montagu estava faminto, mas não queria interromper seu carteado. Pediu para um criado que preparasse algo para comer que não sujasse suas mãos.

Ele simplesmente colocou um pedaço de carne no meio de um pão e entregou ao amo, que adorou a praticidade e nunca mais jantou: passou a se alimentar apenas da mais nova invenção, batizada com o mesmo nome do distrito onde morava: Sandwich. Mal sabia o criado que acabara de inventar um dos maiores símbolos da cultura gastronomica.

A segunda, sobre o futuro da comida. Ambas tem belas fotos, pois Obvius tem o olho voltado para a fotografia.

O que iremos comer daqui a vinte anos?

Como iremos produzir, conservar e preparar os alimentos num futuro próximo? Estas questões levaram ao lançamento de um concurso de ideias promovido pela multinacional Philips destinado a investigar possíveis caminhos para o futuro da comida.

Foram tidas em conta as actuais tendências e extrapoladas para um horizonte temporal de cerca de vinte anos. Após árduo trabalho, os designers sintetizaram as suas ideias em três grandes projectos.

Mais em: http://obviousmag.org/archives/2009/10/

o_futuro_da_comida.html#ixzz0vgZtHNMg

O VADIO NO CAMPUS

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Portador de uma psicopatia que o faz linguarudo, linguareiro, falador, parlapatão, tagarela, abelhudo, chocalheiro, indiscreto, imprudente, leviano, metediço, zabumbeiro, numa curta sentença: o bufão do ano!, assim o dicionário nos ajuda a conhecer sua excelentíssima sumidade o professor-doutor João da Mata Costa, o Joãozinho da Matinha, que tem o juízo e os neurônios que uma galinha tem e devia ser contido para não desmerecer com o seu histerismo galináceo e impudente o Departamento de Física e o blogue Substantivo Plural que lhe publica a caganeira mental. (Aqui, apesar do seu doentio empenho em aparecer, cortei-lhe as idiotias inesgotáveis que faziam alguns leitores rir.)

Eis como se apresenta essa secundária personagem da comedia natalense - uma especie de individuo para nao ser levado á serio -, um misto de vadio e leviano que só produz vacuidades, padece João da Mata de uma terrível psicopatia que o atrai para a ribalta, para o fulgor dos holofotes, como uma mariposa tonta que vai acabar com os costados esturricados…

Embora tenha só o uropígio para mostrar, mecanismo mau cheiroso pelo qual se expressa e se comunica por faltar-lhe juízo e massa cinzenta, o autodenominado bibliófilo - que pouco deve saber dessa ciencia - não tem desconfiômetro e nao desconfia que seus faltos amigos o jogam numa fogueira ao dar-lhe corda, estimulando-lhe a vaidade e a carencia de siso. Nele, vitima dessa enfermidade que o faz curto de idéias e tapado de entendimento, salta aos olhos no entanto a figura de um boçal bufão que dá o que falar à província.

Ainda conhecido por ter o zangador perto e a estultícia em carne viva, tem o ilustre e endomingado intelectual conterraneo a mania de querer entrar no céu a força, escudando-se na presunção de que é um intelectual notável, um escritor, um bibliófilo – esporte caro só acessível a intelectuais da cepa de um Vicente Serejo, de um Miguel Josino, de um Livio Ramos –, um professor-doutor da UFRN, e segundo se faz corrente nos sebos da cidade, não tem no uropígio o que um periquito roa…

O professor-doutor João da Mata Costa é um tipo que inspira as piadas mais burlescas. É, na condição de escritor, um boquirroto, um pavão com desinteria, ciscando sob a lápide do cânone potiguar.

WIKILEAKS SERVE ‘JORNALISMO COM CAUSA’

segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Assange: sacudindo governos e corporações com ativismo hacker

Assange: sacudindo governos e corporações com ativismo hacker

Por José Aparecido Miguel,
do blog Outras Páginas/JB

Época (2/8/2010, data de capa) tem manchete sobre comportamento, com a importância da criatividade no trabalho. E destaca também o site Wikileaks, que vazou recentemente segredos militares dos Estados Unidos – “ao divulgar 90 mil documentos secretos, sacode a Guerra do Afeganistão e o próprio conceito de mídia”.

Tem fatos assim: quatro soldados canadenses foram mortos em emboscada pelos guerrilheiros do Taleban, grupo extremista islâmico que combate militarmente a presença de tropas ocidentais no país, lideradas pelos americanos. Foi diferente: eles teriam sido atingidos por uma bomba jogada de um jato dos Estados Unidos, o assim chamado “fogo amigo”.

Segundo a revista, o pouco que se digeriu sobre o vazamento é suficiente para desfazer qualquer ilusão benevolente sobre a Guerra do Afeganistão que, em seus nove anos, não trouxe mais do que destruição a um país que já era, antes dela, suficientemente miserável (lá a expectativa de vida estaciona em 46 anos).

O Wikileaks é uma espécie de janela aberta a quem quer vazar informações que dificilmente seriam veiculadas pela mídia tradicional, explica trecho da reportagem de Época. O site vive de doações e sua curta existência tem sido marcada por furos (informações exclusivas) sensacionais e dificuldades em pagar as contas. Seu criador é Julian Assange, 39 anos, um hacker por formação, que movimenta-se pelo mundo com um laptop, evitando os Estados Unidos, onde suspeita que seria preso na primeira oportunidade.

A revista considera que o site antecipa o futuro do jornalismo investigativo, em que é presumível que ataques de “hackers do bem” a computadores cheios de segredos obscuros tenham grande importância. Contém sementes de um “jornalismo com causa”. “Contrasta com o que se vê hoje, um panorama em que o interesse editorial é uma das medidas, mas não a única: razões de negócios – anunciantes, credores, relações com o governo – também pesam”.

Os servidores de internet do Wikileaks estão em paraísos da proteção às fontes jornalísticas, como Suécia e Islândia. A reportagem de Época, feita por Paulo Nogueira, de Londres, tem quatro páginas de texto e imagens.

A CIDADE VIVA

sábado, 31 de julho de 2010

Blogueiros de Felipe Guerra unem-se e lançarão projeto Cidade Baixa Viva

Os blogueiros da cidade de Felipe Guerra, região Oeste do estado do Rio Grande do Norte, Edvaldo Barbosa, Edson Neres, Erinaldo Silva, João Paulo Barra, Max Maia, Paulo Lucemberg, Roberta Kelly e o colunista dos jornais O Vale do Apodi, Folha Regional e do Site da Revista 100 Fronteiras, Salomão Medeiros estarão reunindo-se no próximo domingo na Escola Estadual Antônio Francisco para traçarem metas do projeto Cidade Baixo Viva de restauração da parte histórica da cidade de Felipe Guerra.

Inicialmente o projeto Cidade Baixa Viva, através dos blogueiros mobilizará os moradores da cidade Baixa que irão apresentar o projeto e serão pedidos a colaboração dos mesmos, como também os blogueiros vestiram camisetas padronizadas e com a logomarca dos blogs que farão parte do projeto Cidade Baixa Viva.

Em troca os blogues darão publicidade aos comércios das cidades de Apodi, Caraúbas, Governador Dix-Sept Rosado, Mossoró e Felipe Guerra, além da criação oficial do Blog do Projeto Cidade Baixa Viva.
Em visita ao comércio de Felipe Guerra, será o primeiro ponta pé inicial e depois os blogueiros farão visitas aos comércios das cidades de Apodi, Caraúbas, Governador Dix-Sept Rosado e a cidade de Mossoró, onde irão expor o projeto Cidade Baixa Viva e solicitarem doações de tintas,pincéis e sacos de cimentos.

O projeto Cidade Baixa vai muito mais além do que posse imaginar a população da pequena cidade de Felipe Guerra, especialmente a Cidade Baixa que espera uma ação concreta por parte do poder público que abandonou o local da maior representatividade histórica.

*Salomão Medeiros Colunista dos jornais O Vale do Apodi, www.ovaledoapodi.com.br, (Apodi-RN e Região Oeste),Folha Regional( Pau dos Ferros-RN e Região do Médio e Alto Oeste) Site da Revista 100 Fronteiras www.revista100fronteiras.com.br, (Foz do Iguaçu-Paraná)Editor do Blog do Colunista Salomão Medeiros www.salomaodemedeiros.blogspot.com

Telefone (84)9909-6433

Felipe Guerra-Rio Grande do Norte-Brasil.

LULA, UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA

domingo, 18 de julho de 2010

Por Leandra Peres, em Washington

O presidente da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), Alejandro Aguirre,afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não podeser chamado de democrático”. Ele coloca petista no mesmo grupo que Chávez,Evo e Cristina; Planalto nãocomenta.

Segundo ele, Lula pode ser comparado a Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina) que, apesar de eleitos democraticamente, usam o governo para reduzir a liberdade de imprensa.

O “apoio moral” que o Brasil dá à ditadura em Cuba, a tentativa de aprovar leis no Congresso que limitam a liberdade de imprensa e o uso da publicidade oficial foram citados por Aguirre como sinais de fraqueza da democracia no Brasil, assim como na Argentina e no Equador. “Temos governos que se beneficiaram das instituições democráticas, de eleições livres, e estão se beneficiando da fé e do poder que o povo neles depositou para destruir as instituições democráticas. Esses governos não podem continuar a se chamar de democráticos. Não podem seguir falando em nome de líderes democráticos do mundo porque não atuam dessa forma”, disse.

Questionado se Lula faria parte do grupo de governantes, respondeu que “sim”.

Aguirre também criticou Lula por não ter se pronunciado contrário à censura ao jornal “O Estado de S. Paulo”, imposta pela Justiça há um ano e que proíbe a publicação de reportagens sobre a Operação Faktor, da Polícia Federal, que envolve Fernando Sarney, empresário e filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O Palácio do Planalto não comentou as críticas.

A Venezuela, disse o presidente da SIP, é o país onde mais claramente se expressa a tendência de interferência. No Equador, o Congresso discute lei que a entidade considera “bastante restritiva” à liberdade de expressão.

Além da interferência de governos, a SIP aponta a crescente violência contra jornalistas como um risco à liberdade de expressão no continente -17 jornalistas foram assassinados neste ano e 11, sequestrados. A SIP é uma organização sem fins lucrativos composta por 1.300 jornais que define sua missão como “defender a liberdade de expressão e de imprensa em todas as Américas”. A Folha é integrante da entidade.

AVISO AOS BRASILEIROS

domingo, 18 de julho de 2010

Por Klauber Cristofern Pires,
de Mídia Sem Máscara

Quando assisto aos telejornais, só o que vejo são os últimos detalhes do crime de assassinato supostamente cometido pelo goleiro Bruno. Percebo assim o quanto a mídia se agarra a um fato que, tem, sim, sua gravidade, mas que todavia, esticado ao máximo, parece mais querer esconder algo do que revelar. Em outras palavras, estamos falando dos chamados “factóides”, ou seja, notícias que sirvam antes como entretenimento do que como informação.

Em um momento sério para este país, eis que vamos caminhando para uma eleição presidencial, uma plêiade de assuntos mais urgentes - porque afetam gravemente a vida de todos - vão ficando para segundo plano, a gerar a vantagem da desinformação para o lado governista.

Dentre estes, destaco a recente prisão do principal líder oposicionista venezuelano Alejandro Peña Esclusa pelas forças de repressão do governo “bolivariano” de Hugo Chávez, em conluio com o governo de Raúl Castro.

O leitor mais alheio aos fatos pode estar indagando por que isto pode ser tão importante para nós, brasileiros, mesmo quando concorda que aquele país vive em um regime ditatorial. Pois, a resposta, para nós, antes está no que não é dito, ou quando muito, revelado en passant, à moda da própria imprensa oficialesca do nosso vizinho ao norte.

Pois, percebam: se supostamente vivemos em um regime democrático e de plenas liberdades civis, porque os noticiários das maiores redes de tevê e dos maiores jornais simplesmente silenciaram a respeito de uma notícia tão grave? Aqui saliento o papel da resistência blogueira, que em espírito de militância, tem furado o bloqueio, obrigando às cadeias emissoras à divulgação dos acontecimentos, tendo passado já o segundo dia seguinte ao fato, mas já para cuidarem da própria imagem e tratando de cumprir a sua obrigação da forma mais protocolar possível.

Lembro também aos leitores o caso da deposição constitucional de Zelaya pelas autoridades hondurenhas, com a nossa imprensa - aqui me recordo especialmente do casal Wiliian Bonner e Fátima Bernardes - a noticiar que tivera sido um golpe perpetrado pelos “militares hondurenhos”, e ainda depois quando já era público o conluio do chapeludo com os ardis de Chávez e Lula - procurado justificar da forma mais ridícula possível, por meio do depoimento bizarro de um “cientista político” importado da Argentina cuja excelsa e precisa linha de argumentação era a de que, por parecer um golpe, assim deveria ser entendido como tal!

Somente estes dois exemplos são mais que suficientes para botar cada brasileiro com juízo na cabeça com as barbas de molho. No caso, o Sr Alejandro Esclusa é um homem íntegro, pacífico e defensor da democracia liberal, e sua prisão foi efetuada segundo os indícios mais veementes de fraude e abuso de poder. Uma família foi aviltada dentro do lar por uma corja composta por dezenas de homens armados, e foram plantadas as provas dentro do quarto de sua filhinha de 7 (sete) anos, causando um trauma que talvez seguirá a vida da pequenina por toda a sua vida.

Dossiês falsos, acessos a dados confidenciais e escutas ilegais sobre cidadãos estão se tornando lugar comum no Brasil, sem que os tais “analistas” e “especialistas” se encorajem para investigar e denunciar como deveriam. Os mesmos jornalistas que aparecem recebendo prêmios pela sua atividade balbuciam e tremem as pernas diante da necessidade de fazer um mero reparo ao Sr. Lula por ter declarado que os presos políticos cubanos se assemelham aos bandidos paulistas (Isto é para você, Sr. Merval Pereira).

Um fato escabroso como o foi o envio da proposta de governo autêntica do PT - aquela que previa inúmeras propostas autoritaristas - tem sido tratado como uma mera burrada quando deveria soar o alarme não só da imprensa, mas de todas as entidades de classe e organizações em defesa da cidadania. A todo custo, vem sendo vendida a idéia do desafio que recairá sobre a Sra. Dilma Roussef em domar as alas mais radicais do PT e outros partidos aliados, quando na verdade elas são os batedores de frente da mais radical de todas as militantes.

Se eu agora recorrer à prisão e deportação bárbara dos dissidentes cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara por ordem do capitão-do-mato Tarso Genro, que os enviou em questão de horas para a ilha-prisão dos Castro a bordo de um jato venezuelano, será que conseguirei demonstrar aos meus concidadãos que riscos semelhantes já estamos por vivenciar por aqui?

Portanto, caro leitor, toda inércia, daqui por diante, constitui um ato de lealdade a este funesto estado de coisas e aos seus autores. Somente a incorporação de um protagonismo ativo de sua parte pode ajudar a fazer frente, seja você um empresário, um trabalhador assalariado ou até mesmo um mero funcionário público.

A exigência de libertação do Sr Alejandro Esclusa e a maior divulgação possível dos estreitos laços entre os Castro, Chávez, Lula e Dilma Roussef devem passar a ser um tema diário na boca de todos os blogueiros e de todas as pessoas de bem, seja no trabalho, nas escolas e faculdades, ou até mesmo no clube ou na churrasqueira de casa.

Ponho aqui em evidência os recentes empenhos de Lula para criminalizar os pais por educarem os seus filhos, no instante mesmo em que patrocina a viadagem adentrar nas escolas para incutir na cabeça das crianças que enfiar um pênis no ânus de outro homem ou meramente fazer sexo à vontade e com qualquer idade - desde que seja com camisinha - é algo que merece uma reverência moral maior do que o casamento e as exigências de afeto e responsabilidade que se impõem como requisitos à iniciação sexual, responsabilidades estas que se esvaem segundo as intenções de Lula e da Sra. Roussef de tornar o aborto algo como a extração de um dente destruído pela cárie.

É isto o que você quer? Que Lula e sua trupe venham a retirar o poder de pai e mãe sobre seus filhos para fazerem o que quiserem? O que lhe faz tão passivo? O medo ou a burrice?

DEU NO BLOG DE ROBERTO GUEDES

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Juiz federal recebe aplauso pelo respeito à liberdade de imprensa

O jornalista Walter Medeiros, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio Grande do Norte, vibrou nesta terça-feira, 13, ontem, ao ler, no “Jornal de Roberto Guedes Via e-mail”, a informação de que, ao condenar um “blog” por ofensas a integrantes de um partido político, o juiz federal Ivan Lira de Carvalho se recusou a censurar o veículo.

Ele manifestou seu contentamento em mensagem que endereçou ao jornalista Roberto Guedes, idealizador e editor deste periódico virtual.

Esta é, na íntegra, a missiva de Walter:
“Caro Roberto:
Seu jornal virtual trouxe hoje matéria sobre uma decisão que é uma verdadeira aula de justiça, estado de direito e respeito à liberdade de expressão, a decisão do juiz federal Ivan Lira de Carvalho, que se recusou a atender um pedido para que fosse censurado previamente um ‘blog’.

Esta decisão deve servir de exemplo para todos os meios judiciários e para os cidadãos brasileiros, pois trata-se de um fio de esperança de que nosso mundo ainda pode ter jeito. Parabéns ao magistrado, cujo trabalho conhecemos de longas datas. Trata-se de um julgador sério, moderno, atualizado e competente. No caso, é de se defender que cada um deve ter liberdade para se manifestar, naturalmente assumindo as conseqüências pelos excessos que esperamos não ocorram.

Eis o trecho no qual a matéria se refere à decisão citada: ‘Está fora do ar o blog condenado pela justiça a retirar posts ofensivos. A decisão foi dada como liminar. Quanto a outro pedido formulado pelo PHS, para que o ‘blog’ se abstenha de veicular propaganda eleitoral negativa antecipada, o juiz o indeferiu, mostrando tratar-se de solicitação genérica, com características de censura prévia, proibida pelo art. 220, §2º da Constituição Federal’.
Um abraço,
Walter Medeiros”

NÃO QUEIME SEI FILME NA NET

domingo, 27 de junho de 2010

Por Renato Grinberg*

Especialista enumera os macetes para não se comprometer nem profissional e nem pessoalmente na web

Com o boom de ferramentas como o Facebook, Orkut e Twitter entre os internautas brasileiros, a vida pessoal torna-se ainda mais exposta em toda a rede. Isso pode trazer benefícios, caso as informações sejam bem gerenciadas, mas também tem o potencial de gerar graves conseqüências, até mesmo no ambiente profissional.

Alguns casos ganharam notoriedade pela falta de cuidados de profissionais ao emitir opiniões sobre as companhias em que trabalhavam. Um exemplo disso é o caso do diretor Comercial de uma empresa que foi demitido ao escrever no microblog ofensas aos torcedores de um time de futebol patrocinado pela organização.

Nesses casos, é preciso ter mente que as informações disponibilizadas na internet estão em um espaço público, que pode ser acessado por qualquer pessoa, inclusive pelo seu chefe. De acordo com uma pesquisa da consultoria Manpower, que contou com a participação de quase mil empregadores, 55% das empresas brasileiras controlam o uso das mídias sociais. Dentre elas, 32% diz que o motivo é proteger informações confidenciais e 19% que é preciso proteger a reputação.

Tudo isso trouxe à tona o questionamento sobre a relação existente entre as esferas pública e privada da vida de um cidadão. Acredito que uma empresa não pode dispensar um funcionário apenas pelo fato de discordar de alguma de suas ações.

Porém, desabafos em ambientes virtuais que digam respeito à companhia onde trabalha ou aos seus parceiros, denegrindo a imagem de ambos, podem gerar demissão por justa causa. Isso, inclusive, está de acordo com a lei brasileira, desde que o colaborador tenha infringido regras apresentadas anteriormente ou que a empresa comprove que determinada atitude tenha sido prejudicial.

Veja, a discussão aqui não deve ser sobre o que é certo ou errado quanto ao monitoramento realizado por parte das empresas.

O fato é que mesmo sem a intenção da companhia de controlar o conteúdo, as informações geradas na internet são disseminadas e podem chegar aos ouvidos de um profissional que tenha o poder de decidir sobre sua permanência ou não no cargo que ocupa. Por isso, vale a pena pensar em maneiras de evitar situações prejudiciais, tanto para as empresas quanto para os profissionais.

Para os profissionais
-.Avalie o peso da sua opinião e possíveis conseqüências que podem ser geradas, principalmente se ocupa um cargo gerencial ou de confiança;- Tenha em mente que o mundo inteiro pode ter acesso ao que escreve e que sua imagem está em jogo;

- Cuidado com a divulgação de questões internas da empresa, mesmo que pareçam simples ao seu julgamento. Muitas vezes, estamos tão imersos em uma realidade que não damos conta de como um pequeno detalhe pode revelar muitas coisas;

- Evite falar mal de concorrentes, pois essa é uma prática considerada antiética;

- Tenha uma conversa com seus superiores sobre o que pode ou não ser divulgado na internet. Nada melhor do que ter o aval da companhia para evitar possíveis problemas por falta de alinhamento.

Para os gestores de empresas ou líderes
Reconheça que a presença das mídias sociais na rotina da maioria dos funcionários é uma realidade. Portanto, busque elaborar um código de conduta explicativo quanto às informações que podem ser ou não divulgadas;

- Oriente a equipe quanto aos cuidados que devem tomar, pois os colaboradores devem entender que carregam consigo a imagem corporativa;

- Esteja sempre aberto para dúvidas relacionadas a esse tema e não trate o assunto como algo que não pode ser discutido dentro da empresa.

*É diretor Geral do portal de empregos Trabalhando.com.br e especialista em carreiras e mercado de trabalho

DANÇANDO NO LIMITE DO BOM GOSTO

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Por Marcelo Träsel,
da PUC-RS

Nos últimos dias, a matéria Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque, assinada por Afonso Benites e publicada na Folha de São Paulo, vem causando a indignação de muitos leitores. O motivo é o trecho a seguir:

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90).

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.
Os ofendidos pelo texto de Benites reclamam do “merchandising” ou “anúncios” em meio à história de um assassinato — por meio de outras palavras, acusam a Folha de tentar vender produtos se aproveitando da morte de um cidadão inocente.

Lamento, mas confundir a citação a produtos neste texto com publicidade é caso de extrema má-vontade ou de analfabetismo funcional. (Dica aos mais afoitos: publicidade só acontece quando alguém recebe dinheiro ou vantagens para publicar alguma coisa.)

A citação a produtos neste caso é apenas um elemento narrativo que visa dar maior vivacidade ao texto e ajudar o leitor a criar uma imagem mais clara do cenário onde o crime ocorreu. Ao ler o trecho, também estranhei, mas entendi a referência a informações banais sobre os produtos como um artifício que, em contraste com a gravidade da situação, acaba evidenciando a banalidade da violência no Brasil.

As frases “Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.” oferecem um subtexto importante, em conjunto com o “meia hora após ataque” do título: nenhum cidadão presente tomou qualquer atitude para evitar as agressões. Poderiam, sei lá, ter juntado 20 pessoas, ido até o setor de limpeza para se armar com vassouras e contido o assassino à força. Fica implícita uma crítica à atual falta de senso de comunidade e responsabilidade pelo bem-estar do próximo.

É uma boa peça narrativa e uma reportagem inteligente no sentido de inserir crítica social sem explicitar uma opinião. Mostra, em vez de dizer. Um jornalista com essa habilidade é coisa rara no mercado.

Os motivos pelos quais a matéria merece ser criticada são outros e estão apenas tangencialmente ligados à questão da citação aos produtos.

A meu ver, o problema é a espetacularização do assassinato, do crime. Nada de novo aí. A imprensa brasileira sempre gastou muita tinta para transformar bandidos em personagens, sem demonstrar a menor sensibilidade quanto às vítimas ou suas famílias, obrigadas a ver seus algozes como protagonistas de romances detetivescos — inclusive, parece haver uma relação direta entre abjeção do crime e a qualidade do texto do repórter destacado para cobri-lo.

Um amigo que trabalhou em jornais populares do Rio de Janeiro nos anos 1980 e 1990 sempre conta como os traficantes se tornaram mais violentos quando perceberam que, com isso, ganhavam as capas dos jornais. Assim como aparecer no jornal como fonte é sinal de relevância para um médico ou empresário, é sinal de relevância para um bandido, frente a seus pares e comunidade. Estar na mídia indica poder.

O espaço destinado às histórias policiais é muito maior do que a importância dos fatos a partir dos quais foram produzidas. Os crimes são muito menos comuns do que um leitor de jornais poderia supor analisando a quantidade de páginas gastas para relatá-los. Salvo por uma ou outra matéria de utilidade pública, conhecer os detalhes de crimes não traz benefício algum ao cidadão — exceto, talvez, saciar alguma pulsão sadomasoquista.

A narrativa de Benites torna a história do assassinato no supermercado muito mais chocante do que pareceria num texto burocrático, como estamos acostumados a ler. A espetacularização da criminalidade ficou muito mais evidente neste caso e talvez tenha sido esse o fator que causou tanta indignação. As pessoas ofendidas pelas referências ao modelo das facas e à promoção do supermercado podem estar ofendidas, na verdade, com o fato de a Folha estar ganhando audiência e, portanto, dinheiro com o sangue alheio. Essa é uma indignação que faz sentido.

A meu ver, a sociedade não perderia nada se as histórias policiais fossem simplesmente banidas dos noticiários. No caso de permaneceram, seria de bom tom procurar não dramatizá-las, apresentando as informações da maneira mais burocrática possível ao público. Essa, porém, é a uma decisão comercial dos executivos das empresas jornalísticas. Sangue dá audiência e audiência dá lucro. Como cidadãos, o que podemos fazer é deixar de ler essas matérias e apontar nossa repulsa sempre que houver oportunidade.

Benites é um funcionário e foi ordenado por seu chefe a relatar o crime no supermercado. Tomou a decisão de fazer isso com toda competência. Poderia ter pensado nas famílias das vítimas ou no impacto social de seu trabalho e escrito um texto menos sensacional? É claro que poderia. O repórter inseriu publicidade em uma história de provável grande audiência? É óbvio que não. O que aconteceu, então? Acho que Benites foi apenas uma peça mais eficiente do que o normal no sistema da mídia.

Devemos condená-lo? Sei lá.

A INTERNET E A RODA

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Por Carlos Heitor Cony

Continuo indeciso diante do universo virtual, notadamente do tipo de comunicação instantânea e barata que a internet nos dá. Evidente que dela me beneficio, tal como me beneficiei do computador.

Passei mais de 20 anos sem escrever ficção, porque não suportava a máquina de escrever, mesmo aquelas que se diziam eletrônicas. O computador abriu um mundo para mim -se é que o meu umbigo é a coisa mais importante do universo. Pessoalmente, acho que é.

Embora me utilize da internet diariamente, continuo achando que ela é poluidora, não no sentido ecológico, mas espiritual. Dá informações demais, excessivas, inúteis e redundantes. Mesmo a comunicação por e-mail, que aboliu o fax, o telegrama e a carta postal, transformou-se numa correspondência cultural e afetiva maciça, e nem sempre sincera, refletida e consciente.

A facilidade dos desabafos, das confissões, até mesmo da expressão dos sentimentos, protegidos por códigos secretos e relativo anonimato, cria um universo que pode ser duplamente virtual, na forma tecnológica da expressão eletrônica e no conteúdo que deságua no faz de conta da fantasia.

Não há segurança, nem moral nem material, no universo eletrônico. Ele é, sem dúvida, a ferramenta mais importante inventada pelo homem depois da roda. Mas é um instrumento, nada mais do que isso.

Como a roda, a informática está gerando uma nova civilização. É o início de nova era, além e acima do admirável mundo novo, que já está defasado. De seis em seis meses, o mundo novo se torna mais admirável e complexo, diluindo responsabilidades e anulando o indivíduo, que nada tem de admirável, mas lamentável. Como a roda, a internet apenas nos facilita o caminho. Mas não nos aponta um destino.

DIREITOS AUTORAIS NA WEB

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Professor defende imposto para música e vídeo na web

Por Célia Froufe, Agencia Estado

O professor da Universidade de Harvard, Willian Fisher, defendeu hoje que os usuários de internet paguem um imposto para poder usufruir livremente de conteúdo de músicas e filmes na rede mundial de computadores. De acordo com ele, a taxa seria baixa, em torno de R$ 10 por mês, e seria enviada a um fundo vinculado a organizações relacionadas a direitos autorais.

O pagamento a artistas e demais criadores de conteúdo seria feito, segundo o professor, por amostragens de arquivos trocados pelos usuários. “Este regime seria mais barato do que CDs e DVDs para o consumidor”, argumentou. “Ao mesmo tempo daria acesso ilimitado a ele, e todo mundo iria ganhar.” Fisher apresentou sua proposta durante Seminário Marco Civil da Internet no Brasil, realizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

No entanto, para o professor, a criação desta taxa não deveria estar presente no anteprojeto de lei do governo que estipula o marco civil da internet no Brasil. “Em sua maior parte, o conteúdo do anteprojeto deveria continuar em sua própria forma. A sugestão cabe à lei de Direitos Autorais, que também está sob revisão”, disse.

MARCO DA INTERNET NO BRASIL É ELOGIADO

quinta-feira, 13 de maio de 2010


Por Célia Froufe,
Agencia Estado

O professor da Universidade de Harvard, Willian Fisher, elogiou hoje a minuta do anteprojeto de lei para estipular o marco civil da internet no Brasil, que está sendo elaborado pelo Ministério da Justiça e foi colocado em consulta pública. “O estatuto é extraordinário e o processo que o produziu é muito incomum. Não conheço nenhuma outra experiência que tenha convidado os usuários de internet para participar do processo de estabelecimento de um documento tão fundamental. É uma iniciativa pioneira”, afirmou.

Na avaliação do professor, uma das principais qualidades da minuta é o fato de o ponto de partida do documento ser a identificação dos benefícios da internet e não a tentativa de limitação abusiva. “É um documento extraordinário também porque tem um ponto de partida diferente de outras situações relativas da internet”, disse ele, no seminário Marco Civil da Internet no Brasil, realizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), em Brasília.

Para Fisher, esta é a forma mais correta de continuar a determinar os limites da utilização da rede ainda que se saiba da existência do mau uso do veículo. “Há necessidade de regulação, mas primeiro é preciso abordar o direito e, só depois, as restrições aos usuários.”

Fisher apresentou dados mostrando que a penetração da internet no Brasil é da ordem de 50 milhões de usuários. “Ainda não chegou ao (nível) da América do Norte, mas está muito próximo de chegar”, comparou. É fundamental, na opinião do professor, essa disseminação do uso da rede, em função de vários aspectos sociais e culturais.

Ele citou como exemplos o acesso a serviços governamentais; participação política nos meios de comunicação; capacidade de participar de eventos culturais; senso de novas comunidades e de comunicação entre várias pessoas, principalmente entre os mais jovens; e oportunidades econômicas, como obtenção de emprego. “O acesso a internet é um direito fundamental.”

O professor de Harvard descartou o monitoramento dos usuários como mecanismo correto para proteger os direitos dos internautas. “É verdade que a internet é utilizada para comportamentos perigosos ou para facilitar o terrorismo, mas as pressões por mais monitoramento são ilegítimas e não devemos ceder”, afirmou. Para ele, esse monitoramento é “um perigo muito grave”. “É preciso que o estatuto seja contrário a esse monitoramento”, disse.

Direitos autorais
Sobre os direitos autorais, o que tratou como o item mais polêmico da discussão, Fisher salientou que há várias iniciativas nesta área ocorrendo no momento. Porém, ele destacou a queda na receita bruta da indústria fonográfica e ressaltou que, no Brasil, o recuo é ainda mais expressivo. De acordo com ele, a diminuição da receita global do setor em 2005 foi de 3%, enquanto o declínio brasileiro no mesmo período foi de 12%.

Em 2008, estes números ficaram em torno de 15% tanto na mensuração mundial quanto na brasileira. “Por que isso ocorre? Em função do aumento do uso da internet para distribuição não autorizada de músicas”, justificou.

Segundo ele, a indústria do cinema ainda não experimentou o mesmo tipo de “colapso”, já que as receitas estão relativamente estáveis nos últimos anos. Mas a perspectiva do professor é de que o setor siga o mesmo caminho de perigo com o aumento da tecnologia ao consumidor. “O comportamento dos consumidores vai mudar: em vez de ir ao cinema e comprar DVDs, os usuários farão downloads na internet”, previu.

Isso é importante, de acordo com Fisher, porque se a indústria continuar a cair os incentivos de produção vão se deteriorar. “Na música, os músicos podem tocar ao vivo. A música vai sobreviver mesmo que este problema não seja resolvido. Já o cinema, produzir um filme custa muito dinheiro.”

BLOGOSFERA TERÁ INFLUÊNCIA NAS ELEIÇÕES

terça-feira, 20 de abril de 2010

Da Folha Online

Saiba como a internet transformou os processos eleitorais

Há quase 50 anos, a televisão é considerada a arma mais poderosa nas campanhas eleitorais. Na última década, porém, a internet assumiu um papel fundamental na política. A chegada de Obama à presidência dos EUA impulsionou de vez o uso da rede e das mídias sociais como ferramenta de comunicação para candidatos e partidos.

Em “Eleições 2.0″ (Publifolha, 2009), Antonio Graeff mostra como essa mudança não tem a ver só com o uso das mídias sociais pelos candidatos –tem a ver com seu uso pelos cidadãos.

O uso de blogs, YouTube, Wikipédia e Orkut tornou-se ferramenta essencial de comunicação e representa a descentralização da informação, fator que não pode mais ser ignorado.
No trecho abaixo, o autor fala sobre como o contato mais próximo dos eleitores e candidatos e dá dicas preciosas a ambos.

A internet adota os vereadores
É comum pensar que o candidato vitorioso em votações é aquele que recebeu os votos da maioria dos eleitores. Mas, no Brasil, isso não é verdade no caso das eleições para vereador, deputado estadual e deputado federal.

Em São Paulo, por exemplo, nas eleições de 2008, os 55 vereadores eleitos receberam um total de 2.160.289 votos de um universo de 8.198.282 eleitores. Ou seja: a maior parte dos eleitores não elegeu seu candidato e pode ficar com a impressão de que não tem representante na Câmara Municipal e “perdeu” seu voto.

Pensando nisso, poucos dias depois da divulgação dos vereadores eleitos em São Paulo, o jornalista e âncora do programa de rádio CBN São Paulo, Milton Jung, lançou um desafio aos ouvintes: escolher um dos vereadores eleitos - independentemente do vereador em quem se votou - e passar a acompanhar seu trabalho na Câmara Municipal. Nasci o movimento “Adote um Vereador”.
Em pouco tempo, vários ouvintes aceitaram o desafio e aderiram ao movimento. Sem que houvesse nenhuma sugestão nesse sentido, alguns deles criaram blogs para divulgar as informações que iam levantando a respeito dos vereadores adotados.

Como é comum em iniciativas envolvendo a internet, o movimento ganhou vida própria. Os participantes criaram e passaram a se comunicar usando um grupo de discussão por e-mail. Um deles criou um wiki (http://vereadores.wikia.com/) - quer dizer, um site cujo conteúdo pode ser facilmente editável por qualquer um dos visitantes - que passou a funcionar como central de informações e ponto de encontro dos interessados no movimento. Aos poucos, o wiki foi sendo recheado com informações como a biografia e o currículo dos vereadores, seus projetos e propostas.
Conforme a notícia sobre o movimento foi se espalhando, pessoas fora de São Paulo passaram a adotar vereadores nas câmaras municipais de suas cidades, criar blogs e incluir no wiki informações sobre eles.

Sinalizando que a convivência com esse tipo de movimento deve ser pacífica, alguns vereadores de São Paulo já convidaram seus “adotantes” a visitar a Câmara e se comprometeram a manter canais de comunicação abertos com os blogs e com o movimento.

Sites com informações sobre políticos e candidatos não são novidade no Brasil. A Transparência Brasil (http://www.transparenciabrasil.org.br) - organização não-governamental comprometida com o combate à corrupção na política -, por exemplo, mantém o site “Excelência(http://excelencias.org.br), com informações sobre ocupantes de vagas no Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais das principais capitais. Também possui o projeto “Às Claras (http://www.asclaras.org.br), com informações sobre o financiamento de campanhas eleitorais desde 2002.

Mais do que levantar e publicar informações sobre os vereadores, o que é inédito no “Adote um Vereador” é o caráter grassroots da iniciativa e a criação de uma rede de pessoas interessadas em acompanhar mais de perto os processos democráticos e decisões que as afetam diretamente.

O contato mais próximo com os representantes eleitos deve contribuir também para combater a “falta de memória” e a indiferença do eleitor brasileiro; Alguns dos efeitos desse tipo de movimento só devem ser sentidos nas próximas eleições, quando teremos mais eleitores bem-informados e participantes.

Dicas

Não existem fórmulas mágicas que garantam bom desempenho de uma campanha eleitoral na internet. Mas algumas dicas simples - para candidatos e eleitores - podem ajudar.

Para os candidatos:

• um bom site de campanha é apenas um começo. Vá até os eleitores nos sites, redes sociais e comunidades online que ele já freqüenta;
• inclua as ações online e de mídias sociais desde o começo do planejamento da campanha e trabalhe-as de maneira integrada;
• aproveite a grande oferta de boas ferramentas livres e gratuitas. Mas lembre-se de que as ferramentas são só um primeiro passo e dificilmente representam um diferencial relevante;
• para atingir os eleitores mais jovens, um veículo eficiente é o vídeo online;
• use o celular como forma de ampliar o alcance da campanha online além da internet;
• só abra novas frentes de campanha em canais online se tiver como participar de fato e ouvir, responder e se relacionar com os eleitores;
• aproveite toda comunicação online para gerar resultados fora da internet. Sugira tarefas e forneça os meios para os simpatizantes se envolverem;
• identifique, incentive e abrace iniciativas criadas fora da campanha;
• não subestime o eleitor jovem e conectado.
Para os eleitores
• use a internet para ir além da propaganda eleitoral e da cobertura da mídia tradicional. Descubra quem são os candidatos. Veja se ele já ocupou algum cargo eletivo, se cumpriu os compromissos das campanhas anteriores ou esteve envolvido em escândalos;
• crie blogs, participe de comunidade online e demonstre seu apoio a um candidato sem cair na armadilha das discussões vazias e troca de insultos;
• uma das grandes vantagens das mídias sociais é permitir a experimentação rápida e barata. Se pensar em uma forma de apoiar seu candidato pela internet, não espere autorização. Coloque a ideia para funcionar e mostre na prática os resultados.

GILMAR MENDES CONTRA CENSURA À IMPRENSA

terça-feira, 23 de março de 2010

O Estado de São Paulo

Ministro do STF, Gilmar Mendes volta a criticar criação do Conselho Nacional de Jornalismo, defendida por setores do governo

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou ontem a proposta de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, que voltou a ser defendida por setores do governo e pelo PT.

Em São Paulo, onde participou de evento na sede do Corinthians - clube que firmou parceria com a Fundação Casa para inclusão social de menores infratores -, o ministro foi taxativo ao falar do conselho. “Não me parece que esse tipo de proposta venha, em princípio, a reforçar a liberdade de imprensa”, declarou Mendes.

“Vejo sempre com preocupação esse tipo de iniciativa”, disse o presidente do STF. Ele mandou um recado ao governo. “Não acredito que haja necessidade desse tipo de conselho.”

A proposta de controle social da mídia foi apresentada pelo PT, em fevereiro, para o plano do eventual governo de Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão do presidente Lula.

Mendes colocou em xeque a necessidade de um conselho que pode direcionar suas atividades para manter o controle e vigilância dos meios de comunicação. Para o ministro, uma medida dessa natureza pode esbarrar na Constituição. “Até tenho dúvidas se o texto constitucional comporta esse tipo de autarquização”, observou.

Indagado se via como um arbítrio a ação de um conselho nos moldes como projeta o governo, o ministro esclareceu que não conhece o texto e não gostaria de emitir juízo sobre a proposta, mas ressalvou: “O Brasil vai bem no que concerne à liberdade de imprensa”.

Mendes afirmou que “o País tem uma imprensa atuante”. “Os abusos devem ser punidos pelos órgãos competentes, no Judiciário. Acredito que talvez a própria mídia devesse pensar num órgão de autorregulação para as situações mais graves ou de repetição inevitável, como já existem outras boas experiências, por exemplo, no que diz respeito à publicidade, o Conar.”

Mendes completou: “Imagino que temos aí um aprendizado institucional a ser feito. Não me parece que o caminho seja o da autarquização, a criação de um conselho que vá supervisionar a atividade da mídia”, disse o presidente do STF.

JORNAIS PRECISAM MUDAR, ACONSELHA GOOGLE

terça-feira, 23 de março de 2010


Google aconselha jornais a engajar seu público. Companhia enfatiza também a necessidade de aumentar a interatividade

Em artigo publicado no blog de conteúdo digital do jornal inglês The Guardian, a Google afirmou que para os jornais sobreviverem online eles precisam engajar seus leitores. A companhia - que frequentemente recebe, devido ao seu agregador de notícias, o Google News, a crítica de tornar a vida dos jornais mais difícil - enfatiza a importância de se oferecer uma experiência interativa aos leitores.

A Google recomenda ainda que as companhias donas de jornais fiquem atentas aos dados relativos ao comportamento e aos hábitos dos internautas. Enquanto estão no trabalho, eles costumam dedicar apenas 70 segundos de seu tempo para ler notícias online. Nessas situações, o público prefere obter informações rápidas sobre o que acontece ao seu redor.

Quanto à cobrança pelo conteúdo, a Google afirma que os leitores não têm tempo de ler artigos inteiros e conseguem encontrar notícias com muita facilidade, por isso, se os jornais quiserem cobrar por conteúdo, deverão se preocupar em oferecer um material especializado.

REDES SOCIAIS SUPERAM MEIOS TRADICIONAIS

terça-feira, 23 de março de 2010

Redes sociais são maiores concorrentes da CNN. Segundo a tradicional emissora, Facebook ameaça mais que a Fox News

Durante o Bloomberg Business Week, encontro de dois dias sobre mídia que aconteceu em Nova York, o presidente da CNN afirmou que seu maior concorrente são os sites de relacionamentos.

“Estou mais preocupado com as 500 milhões de pessoas que estão no Facebook do que com os 2 milhões que formam o público da Fox”, disse Jon Klein ao ser questionado sobre o assunto no evento, que teve cobertura publicada no paidContent.org.

Klein comentou ainda a dificuldade de as empresas de mídia competirem com a troca de informações entre amigos que acontece nas redes sociais. “Queremos ser a fonte mais confiável. Mas no Facebook as pessoas dependem de seus amigos tanto quanto das fontes de notícias”, disse.