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NARCISOS E ZUMBIS GANHAM NOVA ARMA

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Do Dossiê Alex Primo

A cada semana uma nova febre acomete o Twitter. O estado febril da vez é o Formspring.me. À primeira vista este sisteminha de perguntas e respostas parece trivial e sem graça. É bem verdade que também pensamos o mesmo do Twitter quando ele surgiu. Mas será que o Formspring.me acabará sendo avaliado em bilhões de dólares daqui a alguns meses? Ou como toda febre passará em breve?

O grande trunfo deste novo serviço é conseguir juntar duas figuras muito comuns da Web 2.0: o egocêntrico e o anônimo. O primeiro sofre da Síndrome Narcísica, muito comum em nossos tempos. Ele busca incansavelmente uma audiência que o aplauda e que confirme sua existência. Nada como ter um grupo de desconhecidos querendo saber trivialidades sobre a sua pessoa. Para um narcisista, a oportunidade de falar de si é sempre prazerosa.

Do outro lado desta breve conversação, um anônimo (ainda que interagentes registrados possam se identificar) dispara perguntas protegido pelo escudo da total invisibilidade. Neste encontro inusitado, onde o ego admira-se diante de um espelho sem imagem, o narcisista exerce sua criatividade em responder simplórias provocações com trocadilhos e filosofias baratas.

Claro, as perguntas são previamente selecionadas. Nesse sentido, não apenas as respostas nos falam muito sobre quem responde, mas as próprias perguntas escolhidas revelam um pouco do universo que lhe interessa. A prática envolve tanto o lúdico quanto o risco. De qualquer forma, para o narcisista o que menos importa é a pergunta. O que vale é o espaço para se expor.

Mas não sejamos tão críticos. O Formspring.me pode ser uma brincadeira gostosa, um exercício de autoconhecimento e até mesmo uma ferramenta para professores e empresas receberem o livre feedback de seus públicos.

Resta saber se este serviço vai conseguir ultrapassar o limite da curiosidade ou se impor como um novo espaço conversacional. Já podemos observar o envio automático de perguntas e respostas para o Twitter. Um fenômeno parecido aconteceu com o Blip.fm , mas hoje ele parece bastante esquecido. Será esse o destino do Formspring.me?

ISSO É QUE É REALITY SHOW…

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Do site-laboratório Webmanário

O consultor em relações públicas Adam Vicenzini está conduzindo um autoexperimento interessantíssimo. O desafio é passar um ano (este 2010) sem ver, ler ou comprar jornais impressos.

Ele, que se apresenta como consumidor voraz de notícias, quer testar o quanto isso terá impacto sobre sua personalidade e seu trabalho, ao mesmo tempo em que pretende explorar novos meios (online e móveis) de se informar.

Já há histórias engraçadíssimas nesse começo de empreitada, como a tarefa hercúlea de evitar olhar um jornal (são os gratuitos, claro) no metrô de Londres.

Uma aventura a se acompanhar, e cujo desfecho já é conhecido: muito provavelmente ele não vai perder nada.

Os jornais fornecem boa parte da matéria-prima que dá o start de cada dia na internet “noticiosa”. Se ele for um leitor atento dos onlines, não perderá o melhor dos impressos.

Mas vamos acompanhar.

PS – Quem achou essa história foi o Jounalism.co.uk, outro que merece ser acompanhado.

ALGUMA NOVIDADE?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


Por Maria Cristina Frias/Folha de S. Paulo

Web no Brasil está entre as mais lentas

A internet no Brasil ainda precisa se acelerar muito para chegar perto da dos países desenvolvidos e mesmo da de vizinhos como Colômbia e Chile. Segundo levantamento da empresa norte-americana Akamai, especializada no assunto, a web no Brasil é a 35ª mais veloz em uma lista de 45 países.

A pesquisa mostra que, no terceiro trimestre de 2009, a velocidade média da web no Brasil era de 1.085 Kbps (kilobits por segundo), ou 93% mais lenta que a da Coreia do Sul - a líder do ranking. Entre as cidades brasileiras analisadas, Curitiba tem a velocidade média mais rápida, 1.928 Kbps, o que a colocaria na 32ª posição entre os países.

Outro indicador de como as pessoas têm acesso a uma web lenta no país é que 20% das conexões têm velocidade inferior a 256 Kbps, que é a velocidade mínima estabelecida pela UIT (União Internacional de Telecomunicações, órgão ligado à ONU) para uma internet ser considerada banda larga.

Somente Síria (69%), Sudão (35%) e Índia (26%) têm um índice pior que o brasileiro. Entre os sete latino-americanos analisados, a Venezuela é a que mais se aproxima do Brasil, com 11% das conexões com velocidade menor que 256 Kbps.

Na outra ponta, 1,4% das conexões no país têm velocidade maior que 5.000 Kbps, no 34º lugar da pesquisa.

GEOPROCESSAMENTO: MITOS E VERDADES

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Por Eduardo Freitas, editor
da revista InfoGEO

Você sabia que o Google recebe mais de 10 mil sugestões por hora de usuários para correção dos mapas online? É isso mesmo: são mais de um milhão de indicações dos internautas a cada quatro dias com correções em nomes e direções de ruas.

Com 500 milhões de usuários em todo o mundo, o Google aproveita sua experiência com o mapeamento colaborativo e o acesso simultâneo a dados para oferecer ferramentas corporativas do Google Earth e Maps.

Porém, ainda há muitas dúvidas sobre o Google Earth. As imagens são em tempo real? Quando o Google atualiza os mapas? É possível usar tudo de graça? As versões corporativas têm mapas mais recentes?

O principal mito recai sobre as imagens “online”. Séries televisivas como “24 Horas” e filmes como “Inimigo de Estado”, que mostram agências governamentais usando satélites para filmar o que está acontecendo, não passam de mera ficção.

As imagens do Google Maps e Earth são obtidas por satélites e aviões com câmeras digitais, geralmente de propriedade privada. Após a aquisição dessas fotos, o Google faz parcerias com as companhias para disponibilizar os dados.

Outra dúvida é sobre a atualização das imagens, já que o Google não disponibiliza uma previsão de quais áreas terão melhores dados. Só é possível saber que uma cidade ou área rural tem dados novos após a publicação das imagens de satélites ou fotos aéreas.

Já os dados vetoriais, como ruas e limites de bairros, são obtidos por meio de parcerias com empresas que produzem mapas.

Outro mito das ferramentas de mapas é que tudo está lá de graça. A versão free realmente está disponível para qualquer usuário fazer o que bem entender do software. Pode-se até mesmo usar a versão grátis para publicar informações e disponibilizá-las para outros internautas.

Porém, caso um aplicativo precise de login e senha para ser acessado – por assinantes de um serviço, por exemplo – aí é necessário obter uma licença profissional do Google Earth ou Google Maps.

Com a introdução de ferramentas corporativas no mercado, existem dúvidas sobre a atualização e disponibilização dos dados.

As opções para empresas têm alguns diferenciais, como a possibilidade de imprimir imagens com melhor qualidade ou de obter suporte técnico, porém a base de dados com mapas e imagens de satélites é exatamente a mesma da versão free.

O que muda na versão paga é a inclusão de ferramentas de medição de área e importação de arquivos de geoprocessamento.

Há algum tempo, a criação de modelos em 3D e sua inclusão em imagens de satélite eram temas de trabalhos acadêmicos, mas agora qualquer criança faz o mesmo usando o Google Earth. Da mesma forma que o PC democratizou a computação, o Google popularizou o geoprocessamento.

A INTERNET E A CRISE DOS IMPRESSOS [2]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Por Rafael Oliveira, do blog Ex Vertebrum

Logo, podemos pensar que o argumento fundamental no qual se baseia a Declaração de Hamburgo é válido e lícito. O direito autoral é uma questão central da sociedade contemporânea e quem produz alguma coisa de valor deve ter o direito de decidir se deseja distribuir a criação livremente ou cobrar por ela, salvo exceções (novamente, exceções cujo debate não cabe aqui).

Quando o autor (ou proprietário do direito autoral, no caso dos jornais) escolhe proteger seu conteúdo e cobrar pelo acesso, esta opção ainda gera muita controvérsia e críticas ao modelo escolhido. As críticas incluem questões ideológicas, mercadológicas e éticas, como no Manifesto Internet, escrito por 15 jornalistas e blogueiros alemães em resposta à Declaração de Hamburgo.

Em 2007, o New York Times abriu o acesso ao seu conteúdo online para não-assinantes, sinalizando que esta tendência seria um caminho sem volta, até que Rupert Murdoch (proprietário da News Corp., controladora do New York Times, do Wall Street Journal, da rede de televisão Fox e do tablóide britânico The Sun) decidiu voltar sua atenção aos agregadores de conteúdo, especialmente o Google, através do Google News.

O problema está no alvo. A Declaração de Hamburgo elege um alvo fácil, um bode expiatório para um problema que ainda não sabe como resolver. Se os agregadores de notícias fossem os grandes responsáveis pela queda de circulação e receitas no negócio dos jornais, imediatamente a má administração, o comodismo, o tradicionalismo editorial e outros problemas estariam resolvidos.

A Associated Press afirmou que moveria uma ação junto com alguns jornais impressos contra sites que usassem seu conteúdo de forma inapropriada. Em resposta, o CEO do Google, Eric Schmidt, escreveu um editorial no Wall Street Journal (de propriedade de Rupert Murdoch) afirmando que tem ciência do problema no negócio dos jornais, mas que o Google não é o responsável pelo problema.

Schmidt comentou dados de um post no blog de Políticas Públicas do Google em resposta à Associated Press afirmando que os sites do Google “enviam mais de um bilhão de leitores por mês para sites de jornais” e que cabe a eles monetizar este conteúdo.

Agora, o serviço Google News permitirá outra funcionalidade: os editores dos sites poderão escolher quantas páginas gratuitas os leitores poderão acessar por dia. A partir daí, o conteúdo será pago. Desta forma, o Google lava as mãos e tenta se retirar do centro da discussão.

Uma matéria do O Estado de São Paulo destacou uma frase do diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira: “Em relação ao Google, o jornal que quiser pode pedir que tenha seu conteúdo retirado”.

O fato é que esta possibilidade já existia antes da Declaração de Hamburgo. Todo este cenário que se desenvolveu nos últimos meses mostra que estamos longe de uma compreensão mais aprofundada da Economia da Atenção e só vem provar que os negócios estão sendo afetados pelas mudanças no mundo mais rapidamente do que conseguem reagir a estas mudanças.

Tiago Dória comenta em seu blog: “Mesmo num blog gratuito, o leitor paga de forma não monetária ao ceder tempo e atenção para lê-lo. Coisas até hoje escassas e que estão se tornando quase moedas.”

Este deveria ser o ponto de atenção na Declaração de Hamburgo: o que os noticiários impressos estão fazendo para conquistar o tempo e a atenção de seus leitores?

O dinheiro será consequência.

Proteger os direitos autorais é uma medida que pode ter duas consequências bem distintas: demonstrar que de fato as pessoas valorizam o jornalismo da forma como vem sendo feito nas últimas décadas e se dispõe a pagar por ele; ou acelerar o processo de ruptura com a notícia impressa por uma grande massa de leitores que já vêm adotando novas fontes de informação.

Aderir à Declaração de Hamburgo é só mais uma demonstração de que existe uma miopia no negócio da notícia impressa. Ao mesmo tempo em que tenta evoluir e se adaptar, não vê os novos comportamentos como oportunidades, mas como ameaças.

Foca em prolongar o status quo ao invés de buscar soluções que perpetuem o bom jornalismo.

Mesmo quando há operações online bem estruturadas, como é o caso de alguns portais de jornais brasileiros, ainda faltam estratégias para lidar com o jornalismo na internet de forma a atender os melhores interesses dos leitores sem ferir os interesses comerciais do proprietário do jornal.

E neste problema a Declaração de Hamburgo nem tocou.

A INTERNET E A CRISE DOS IMPRESSOS [1]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Por Rafael Oliveira, do blog Ex Vertebrum

A Declaração de Hamburgo é um documento escrito por um grupo de jornais com objetivo declarado de defender os direitos autorais na internet. Se parasse por aí, seria compreensível e, sob certos pontos de vista, até louvável. O problema começa quando o documento ataca algo que denomina genericamente como “agregadores de conteúdo”, em clara referência a serviços como Google News, Yahoo! News e o Mahalo.

O documento busca se legitimar defendendo que os agregadores seriam os responsáveis pela crise no jornalismo impresso em papel jornal, uma suposição no mínimo superficial e ingênua, se é que podemos esperar ingenuidade da classe. Ao contrário do Brasil, onde os jornais impressos apresentaram aumento de circulação nos últimos anos, apesar de eventualmente alegarem queda nas receitas, a situação no mundo tende a ser o contrário: queda de circulação e de receitas.

Sem tentar estender muito a discussão nesse ponto específico, a queda de circulação pode ser explicada por uma enorme variedade de fatores, entre eles a internet:

Com o barateamento das tecnologias de publicação (tanto as digitais quanto as impressas), tornou-se muito mais simples produzir um veículo de mídia (revista, jornal de bairro ou outras publicações impressas) e monetizar o negócio, de forma que o volume aumentou muito dos anos 90 até hoje, mas a qualidade ganhou mais graus de separação entre o péssimo, o razoável e o ótimo;

Excesso de informações à disposição de qualquer pessoa, em qualquer classe social, com conseqüências como a “Ansiedade de Informação” e o “Paradoxo da Escolha” – fica difícil selecionar o que ler em meio a tantas opções;

Aumento exponencial dos gastos em famílias de classe média, nas quais o orçamento é disponível, mas limitado (vale para o Brasil e para a classe média americana também). Anos atrás, gastos como telefonia celular, TV a cabo e conexão à internet eram inexistentes. O dinheiro que hoje é utilizado nestas contas provavelmente migrou de outros lugares, entre eles a assinatura de jornais e revistas;

Enfim, a disponibilidade de acesso a jornais pela internet, o que – em tese – permitiria ler um jornal online. Este ponto é bastante controverso, uma vez que são poucos os jornais que publicam todo o material do impresso na internet e os que o fazem ainda não encontraram uma solução de navegação para uma boa experiência do usuário e permite ler online todo o jornal como se faz no papel. Aqui se abre outro imenso foco de debate:

- Qualidade da leitura na tela x papel
- Praticidade de manuseio do papel x interface
- Agrupamento do conteúdo online x no papel
- Capacidade de atualização do conteúdo ao longo do dia

Por fim, a questão do imediatismo. Ninguém compra o jornal do dia seguinte para saber que Michael Jackson morreu. O jornal deve assumir outro papel neste caso, o de agregar informações extras, reflexões e desmembramentos do fato jornalístico. Sobre este aspecto, vale a pena ver a entrevista que Celso Freitas concedeu ao Vitrine da TV Cultura abordando o futuro do jornalismo. Se não fizer isso de forma bem feita, muitos blogs e sites o farão. Caberá ao leitor decidir pagar pelo jornal ou ler a fonte que preferir.

Prolongar as discussões acima não cabem neste texto, mas servem para ilustrar o tamanho do problema que os jornais enfrentam, dizendo respeito muito mais ao modelo de negócio do que ao direito autoral em si.

O próprio conceito da distribuição livre de conteúdo é uma noção própria da internet, que levou ao surgimento de iniciativas como o Creative Commons e de movimentos como o Copyleft. Anos depois, com a explosão dos blogs, vieram as discussões sobre o papel do jornalismo e debates sérios sobre o papel dos blogs e do jornalismo no acesso a informação.

Vários outros modelos surgiram, seja pela imprensa tradicional ou alternativa, mas até hoje nenhum se mostrou viável para resolver o buraco da remuneração de conteúdo criado.

AUDIÊNCIA DE QUALIDADE EXIGE RECEITA

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Por Alon Feuerwerker, do Blog do Alon

A evolução explosiva e a disseminação das tecnologias digitais criaram a infraestrutura para o salto democrático definitivo na comunicação. O fenômeno espalha-se como pandemia, e finalmente é possível quebrar a unidirecionalidade. O receptor de informação tem agora condições muito melhores para fazer também o papel de emissor. E as consequências da revolução atingem a todos, dos veículos profissionais às empresas não jornalísticas, das pessoas às instituições — estatais ou não.

Uso aqui a palavra “revolução” com uma elasticidade excessiva, porque a tecnologia é só uma das variáveis. Na abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que acontece em Brasília, o presidente da República pintou um quadro talvez algo fantasioso sobre o novo grau de liberdade dos indivíduos e da sociedade diante de quem possa pretender controlar o fluxo das notícias e das ideias.

O que mudou? E o que não mudou? Caiu radicalmente o custo de distribuir informação, também chamada de “conteúdo”. Antes, os empreendimentos eram intensivos em capital. Um jornal, por exemplo, precisa de forte investimento em papel, gráfica e transporte. Já os custos de produção não mudaram muito. Ao contrário, a produtividade do trabalho deu um salto: com as ferramentas disponíveis, cada hora trabalhada cria bem mais valor do que no passado.

Algo que continua indispensável é capital para atrair audiência. Hoje qualquer um pode distribuir o que produz, desde que acesse a rede. Mas para atingir massa crítica de receptores é necessário dinheiro. Muito dinheiro. O desafio persiste, apenas mudou de departamento. Antes, o capital era fundamental também na produção e distribuição; hoje, é insubstituível na divulgação. Ainda mais diante da abundante oferta de conteúdos, uma concorrência feroz.

Todas as empresas de sucesso na rede, em algum momento, conseguiram capitalizar-se, criaram caixas robustos para pesados investimentos em marketing. Com a promessa de retorno lá na frente, pois audiência é sinônimo de receita.

Como o cidadão comum, cheio de boas ideias e de visões alternativas da realidade, vai competir nessa esfera?

Outro detalhe. Verdade que sempre haverá alguém capaz de escrever melhor do que o jornalista sobre determinado assunto. Mas é impossível para o médico, o dentista, o comerciário ou o professor largarem suas atividades no meio da tarde para cobrir uma sessão da Câmara dos Deputados, ou uma passeata na Esplanada dos Ministérios. Eis por que o jornalismo profissional vai bem, obrigado. Só que ele não vive de brisa.

A internet mudou a vida de quem trabalha com informação. A mudança fundamental: quando o consumidor não gosta, a pancada vem na hora, o sujeito não precisa ficar pendurado no telefone ou esperando na fila da seção de cartas. O que é ótimo. Está mais difícil a vida de quem não suporta a crítica e se vê acima do bem e do mal. Mas daí a achar que os papéis se inverteram tem uma distância grande.

Basta ver o que vai pelos blogs, pelo Twitter e por outras redes: quando o objeto é a notícia, ou a análise, a maioria se limita a comentar, atacar, elogiar, distorcer, criticar, endossar o que é criado profissionalmente por alguém. Conteúdo original e produzido ininterruptamente não é a regra. Uma expressão muito usada nos debates sobre o novo mundo é a capacidade da internet “empoderar” o indivíduo, ou a organização social não hegemônica. A tecnologia sozinha não tem esse dom.

A democratização da comunicação depende de os múltiplos novos atores encontrarem meios de financiamento. Talvez seja um tema para esta Confecom. Ou para uma próxima.

JORNALISMO É ARTE!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Por Antônio Vieira*

Um acadêmico resolveu descrever em um livro suas experiências no mundo da matemática. O fato é que morava em um país, onde para exercer a atividade, obrigatoriamente teria que possuir “Diploma de Escritor”. Impossibilitado, a solução foi escrever, verter para outra língua e publicar no estrangeiro. Lançado nestas circunstâncias o livro teve enorme sucesso, sendo, então, traduzido e editado em diversos países, inclusive no seu.

Afinal, para escrever deveríamos ter diploma? O que se esconde neste exército a favor do diploma obrigatório?

Ao contextualizarem exaltando tal fonte como única indutora da ética, da capacitação tropeçam feio, pior, nos próprios pés. Inacreditável, a pasmaceira em plena aldeia global, onde novas conectividades e tecnologias dinamizam os conceitos, os formatos, os meios e modelos, quebrando paradigmas. Por que impedir que alguém escreva seja ou não profissional, se este é um dos princípios basilares da liberdade de expressão?

A intenção de vender a imagem de que o jornalismo é uma profissão essencialmente técnica é absurda, irreal. Fatos sociais ou políticos sempre terão a possibilidade jornalística de expor diversidade conceptiva e textual. Entendo o jornalismo como arte, nobre arte, conceitualmente livre, mesmo quando encerra equívocos interpretativos, faz parte da liberdade que se prega e que deve ser protegida. Escrever é a expressão de um dom: e tal condição não foi, não é, nunca será restrita apenas a diplomados.

Óbvio, nada temos contra o bom ensino, o valor do diploma, as boas faculdades, os bons docentes, muito pelo contrário, somos contra o que aí está, uma máquina de sonhos iludindo jovens. Aprendem pouco da realidade do mercado, das grandes redações, da liberdade restrita, dos interesses envolvidos. Nos espantamos com tantos arautos da ética e lembramos do Cazuza, “sua piscina está cheia de ratos, suas palavras não correspondem aos fatos…”.

A grande imprensa é permeada pelo viés político, pelo interesse privado e muito poucas vezes pelo real interesse público. A mídia pública sofre ingerência política de toda ordem. A decisão do STF muito mais do que libertar o exercício do jornalismo libertou a criatividade e a arte no escrever. Cabe a nós exercer bem este papel.

Tivemos nossa experiência com a ditadura militar, basta! Herdamos um sindicalismo dos anos 40, viciado, casuísta, basta! Lutaremos contra as imposições absurdas de uma legislação perdida no tempo, que na verdade atua “contra” os profissionais como esclareceremos gradativamente.

O mundo transforma a relação patrão e empregado, no futuro seremos parceiros, frilas, surgem novos rumos e possibilidades. A Internet, a rede, são exemplos da liberdade transformadora, os blogueiros, sem lenço, documento ou diploma, estão pautando as notícias. O engraçado é que são eles a fonte da grande mídia.

Viva a arte de escrever! Viva a terceira onda! Viva o visionário Alvin Toffler, ele previu: os rápidos engolirão os lentos, o resto é conversa fiada.

(*) O autor é presidente da ABJ -
Associação Brasileira de Jornalistas

LIBERDADE E AUTORREGULAMENTAÇÃO

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por Alon Feurwerk
Do Blog do Alon

Tive a oportunidade de participar aqui em Brasília de um painel promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), na comemoração dos 30 anos da entidade. Jornalista discutir liberdade de imprensa (o tema) é sempre bom, mesmo correndo o risco de aparentar que legisla em causa própria. No mundo ideal, jornalista deveria “jornalistar”, deixando a outros o debate sobre as circunstâncias da atividade. Talvez como no futebol, onde comentarista não joga bola profissionalmente e jogador não ganha a vida comentando.

Isso no plano ideal, que não existe. Na vida real as coisas estão misturadas. Também pela perplexidade nascida da revolução nas comunicações. Nunca se discutiu tanto o jornalismo. E nunca houve tamanho mercado para ele, ainda que as formas tradicionais de distribuição estejam às voltas com o desafio de se renovar, de encontrar caminhos econômicos num mundo onde as pessoas não mais dependem de uma ou duas fontes informativas.

Voltando ao tema. A liberdade jornalística em nosso país está balizada pela Constituição de 1988, que vem de ser interpretada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos julgamentos da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma profissional universitário específico. Em ambos o STF firmou a posição de que todo limite legal prévio ao acesso e ao exercício afronta o direito à livre expressão das ideias, consagrado na Carta.

Assim, não é que a liberdade de imprensa seja absoluta: ela só não pode ser previamente limitada. Cada um diga o que quiser, mas responda pelo que disse, a posteriori. Parece razoável, pois se houver o poder de impedir a veiculação a priori de material jornalístico alguém necessariamente terá adquirido o direito de censurar previamente. Coisa que a Constituição proíbe.

E os direitos à imagem e à privacidade, também não estão garantidos na Carta? Estão, mas, segundo a Suprema Corte, não podem ser usados para cercear a liberdade de expressão. Pelo mesmo motivo já citado, pelo veto constitucional à censura prévia. Então, segundo o texto de 1988 e as interpretações posteriores, fica claro que o controle público sobre a atividade da comunicação deve sim ser feito, pela Justiça. Com base nas leis votadas pelo Congresso Nacional e submetidas ao controle de constitucionalidade.

Outro tema abordado pelos colegas participantes foi a necessidade de autorregulação, nos moldes do conselho existente no mercado da propaganda. Defendi isso cinco anos atrás, em artigo publicado na Folha de S.Paulo. Sugeri formar um comitê com representantes das entidades dos jornalistas (Fenaj, ABI), das empresas de comunicação e de órgãos de defesa do consumidor. Seria uma instituição não governamental. Ficaria proibida de ter qualquer relação de dependência com governos. Exerceria “vigilância ética”.

Provocada, pronunciar-se-ia sobre o que considerasse antiético ou imoral, ainda que não necessariamente ilegal. O comitê faria recomendações, aprovadas por pelo menos dois terços de seus membros. O quorum alto forçaria decisões quase consensuais do colegiado, para evitar que se tornasse palco de disputas corporativas entre jornalistas e veículos. Ou de guerras partidárias. Não faz sentido, por exemplo, um direito de resposta esperar indefinidamente por decisão judicial, quando poderia ser dado a partir da autoridade moral de uma instituição reconhecida pelos jornalistas, pelas empresas e pela sociedade.

Esta é uma sugestão estritamente pessoal, assim como as opiniões expostas no painel da ANJ. Deve haver muitas outras ideias, bem melhores. De todo modo, fica o debate.

A PANDEMIA DA CORRUPÇÃO

sábado, 5 de dezembro de 2009

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

A semana jornalística encerra-se com mais uma hiper-mega-super-extraordinária enchente em São Paulo, causada, como sempre, por um volume de chuvas que superou em muito a média para este período do ano, em função de um fenômeno chamado de aquecimento global, que parte da imprensa desconfia que não existe.

Tem também, claro, a nova safra de escândalos e o rescaldo de alguns escândalos anteriores, embora aspergidos seletivamente pelas páginas dos diários.

E para os incrédulos de toda sorte oferece-se, na página 2 da Folha de S.Paulo, o costumeiro artigo do senador José Sarney, no qual o impoluto imperador do Maranhão fala sobre a “pandemia da corrupção”.

Ao contrário do que poderiam imaginar algumas mentes maldosas, Sarney fala contra a corrupção.

Certos detalhes do chamado “mensalão do DEM” só são visíveis em notas curtas, como a acusação de que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, andou distribuindo dinheiro para jornais de Brasília.

A notícia da aceitação de denúncia contra o senador Eduardo Azeredo no Supremo Tribunal Federal, por conta do chamado “mensalão tucano” ou “mensalão mineiro”, mistura-se a referências ao “mensalão federal”, ou “mensalão petista”.

Quando chega às páginas de histórias em quadrinhos, o leitor fica com a sensação de que acompanha um enredo em que faltam mocinhos e sobram bandidos.

Questão de vontade
Seria um jogo perigoso apostar quais dos três escândalos mais em evidência na imprensa vão resultar em condenação dos envolvidos. Mas pode-se cravar com muita segurança que em nenhum deles se verá a Justiça mandando para a cadeia o corruptor.

E, se o leitor observar atentamente, vai constatar que em todos os casos o esquema é o mesmo: empresas interessadas em fazer negócios com o setor público contribuem para campanhas eleitorais, regularmente e pelo caixa 2, e depois cobram sua parte em contratos privilegiados, com licitações fraudadas ou contratos irregularmente requentados.

Ora, se tudo isso é sabido desde os tempos de Nabuco, como diz o senador Sarney, por que os jornais não se dedicam a cobrar uma reforma que estabeleça controles mais eficientes nas relações do setor privado com o dinheiro público?

Quando quer, a imprensa sabe produzir resultados, como aconteceu com a extinção da obrigatoriedade do diploma de jornalista e o fim da lei de imprensa. Por que, então, essa leniência com a fonte da corrupção?

AUTOR POTIGUAR É REVELADO AO MUNDO

domingo, 22 de novembro de 2009

Da Redação

Em pleno auge do blog e de outras tendências editoriais que a internet oferece, cresce o fenômeno das editoras “por encomenda”, receptivas a todo tipo de criação autoral e disponibilizando espaços para venda virtual, onde o leitor tem a escolha de obras de todas as partes do mundo, seja impressa ou por download, sobre o tema desejado e recebe as encomendas dos livros em sua própria casa.

Fundada em 2002, a Lulu.com é o primeiro mercado web de livros independente destinado a pessoas que desejam publicar suas próprias obras em formato digital. A Lulu publica por demanda, ou seja, através das encomendas dos autores ou leitores. O projeto foi criado por Bob Young, um empresário norte-americano que joga futebol com seus empregados e com eles reúne-se uma vez por mês para saber como vão as coisas. Bob foi co-fundador da Red Hat, líder mundial de recursos livres e gratuitos.

A Lulu.com chega a faturar cerca de US$ 1 milhão por mês. Para Bob, tal êxito mercadológico deve-se ao fato de a empresa proporcionar diretamente aos autores maior sucesso com sua iniciativa. Reconhecidamente inovadora, a Lulu não compete com as editoras tradicionais. Ela apenas oferece milhares de livros que não tem ninguém interessado em publicar.

Sem custos iniciais nem pedidos mínimos, o autor tem o controle dos direitos autorais e fixa o próprio preço da obra. Cada produto, sejam livros, álbuns, fotos, desenhos, CDs, DVDs, calendários, folhetos etc., se imprime no momento que se faz o pedido. Sem excesso de burocracia, se vende de um livro a 10.000 exemplares, bastando para tanto aparecer encomenda. Os produtos são distribuídos em média com prazos de 30 a 35 dias. As vendas são feitas somente por cartão de crédito internacional. Quando as vendas atingem vinte dólares, o autor recebe royalty a cada trimestre.

Na verdade, trata-se de um provedor que serve de ferramenta para os autores independentes, que produzem suas obras em casa e depois transferem os arquivos pela internet para que a editora virtual possa imprimir e distribuir. São mais de 85.000 títulos em vários idiomas e que fazem sucesso nos EUA e na Europa. Na sua maior parte, são autores que foram ignorados pelas editoras convencionais, ou mesmo pessoas simples que desejam apenas publicar um livro, contando sua vida ou homenageando um ente querido. Na Lulu, até as crianças se fazem publicar.

A Lulu.com ainda está expandindo aos poucos seus negócios para a América Latina. No Brasil, particularmente, é um fotógrafo de Natal (RN) que vem se destacando na divulgação e publicação de livros. Professor de arte e fotojornalista, Adrovando Claro tem uma produção que remonta os anos 1980, quando já publicava seus fanzines, jornais e revistas de forma independente. Ele descobriu a editora virtual por intermédio do professor Millard Schisler, da Universidade de Rochester (USA), também fotógrafo e com quem manteve intercâmbio cultural. E, em pouco mais de um ano, Adrovando já lançou uma dezena de livros de fotografia.

“Em julho do ano passado, fiz apenas um teste para me familiarizar com o provedor e fui achando muito prática a parceria. Tenho oito livros em estilo portfólio com vários temas em fotografia e dois ensaios publicados, um sobre danças folclóricas e outro acerca do trabalho envolvendo a fabricação de tijolos, farinha e rapadura”, relata o autor. Além dos livros de fotografia, Adrovando disponibilizou ainda desenhos e fotos avulsas para quem deseja adquirir por meio de download.

O fotógrafo potiguar foi destaque em dezembro e janeiro passados, no concorrido blog da Lulu.com, quando enviou reportagens de jornais e revistas do Brasil que divulgaram a ideia revolucionária do provedor. “Sei como é difícil ser autor independente, pois desde a adolescência que ‘brincava’ de editor com a produção em pequenas tiragens, seja em xerox ou offset, de revistas em quadrinhos e fanzines”, lembra. “Se você não divulga seus livros com os meios que tem ao seu alcance, ninguém conhece o trabalho e os livros acabam esquecidos ou sequer lembrados”, constata.

“Ao exibir meus livros e produtos em sua loja virtual [www.lulu.com/adrovando], a Lulu faz a parte dela, cabendo ao autor a difusão da sua obra. Cada autor só recebe royalties se vender seu material a partir da internet”, esclarece Adrovando. Experiente, ele não se encaixa no perfil de “marinheiro de primeira viagem”. Já trabalhou por seis anos com editoras de quadrinhos do centro-sul do Brasil, porém, como era mal remunerado e nunca recebia por seus direitos autorais, desistiu da carreira de desenhista e passou a se dedicar à fotografia.

Navegante webnativo, Adrovando mantinha engavetado o projeto de publicar um livro havia três anos, quando “descobriu” a Lulu, no ano passado. Façanha que para ele traduziu-se, a um só tempo, em porto seguro e salvação da lavoura. “A fotografia tem sido um meio de mostrar minha visão de mundo. Geralmente meus livros são a soma de recortes da realidade, um mosaico do que de alguma forma tento traduzir como um momento da história cotidiana da vida. Em cada obra tem de tudo um pouco, paisagismo, figuras humanas, formas abstratas, sequências de fotografias que selam um olhar aos aspectos do mundo contemporâneo”, resume.

PIRATARIA, NÃO: TROCA DE BENS CULTURAIS

domingo, 22 de novembro de 2009

Por Bruno Galo, do blog Link*


Cristovão Tezza é o escritor brasileiro mais premiado dos últimos tempos, quase uma unanimidade. Com o romance ‘O Filho Eterno’ (Editora Record), sua 14ª obra de ficção, ele ganhou alguns dos principais prêmios de literatura do País, como o APCA, o Jabuti, o Portugal Telecom, o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Na semana passada, após uma viagem pela Europa para promover o lançamento do seu livro, em francês, catalão e holandês, ele conversou com o Link, por e-mail.
Bastante sensato e realista, em entrevista, Tezza fez observações bastante pertinentes sobre a pirataria online, por exemplo. “O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo. Definir esse fato praticamente consumado como simples pirataria é uma simplificação”, afirmou. O resultado dessa conversa, você confere aí embaixo:“O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo, (só que) à revelia do mundo legal. Definir esse fato praticamente consumado com simples pirataria é uma simplificação”, afirma.
E continua: “Há perda dos detentores dos direitos autorais, sem dúvida, mas é preciso lembrar que a esmagadora maioria dos consumidores via rede não compraria o filme ou o disco, não teria acesso a ele, ou por falta de dinheiro, ou, na maior parte dos casos, simplesmente porque não chegaria a ele”.
“Outra questão é a dificuldade técnica e jurídica de combater a cópia caseira. Um download não é um objeto físico falsificado numa garagem, impresso numa gráfica clandestina ou transportado por um caminhão. Ao contrário da pirataria física, que move milhões e alimenta uma cadeia de crimes paralelos, aparentemente só o consumidor final ganha com o download”, pondera.
“Baixar um livro é infinitamente mais fácil que baixar um filme e mesmo uma música, mas a leitura digital de um texto longo no monitor é desconfortável – é isso, até aqui, que vem salvando os escritores. Com a chegada dos livros digitais, isso pode mudar. Até porque, parece que não há formato de arquivo, por mais exclusivo que seja, que não acabe convertido em outro de uso corrente”, observa.
“Bem, sendo realista, praticamente todos os escritores de ficção e de poesia sempre foram obrigados a ter outra fonte de renda, porque nessa área ninguém vive de direitos autorais no Brasil, mas mesmo assim uma popularização do download de livros seria catastrófica para quem escreve, supondo-se de fato que o livro digital suplantaria significativamente o livro de papel. Tudo vai depender desta relação entre o livro virtual e o livro de papel. Sinceramente, não sei. E acho que ninguém sabe dizer, hoje, o que vai acontecer nessa área”, opina.
“Sim, acho que (o livro de papel e o eletrônico) vão conviver perfeitamente. Não imagino que o livro eletrônico vá suprimir o velho e bom livro de papel, cuja praticidade é imbatível”, defende.



(*) Esta entrevista é a segunda de uma série que o Link/Estadão está publicando sobre os desafios dos livros na era digital.

O NOVO, DE NOVO [2]

sábado, 21 de novembro de 2009

Por Franklin Jorge

Há dias sem publicar aqui uma linha, por faltar-me tempo e, mesmo, por causa de uma indisposição fisica, volto a escrever aqui ainda que irregularmente, pois tenho me deixado absorver inteiramente pelo Novo Jornal, há pouco lançado em Natal e que logo se constituiu em leitura diaria, obrigatória, dos natalenses bem informados.

O número lançado que foi para às bancas dia 17, teve concorrido coquetel na véspera, no Ocean Palace, onde recebemos, o jornalista Cassiano Arruda e sua equipe, toda Natal. Era tanta gente que não conseguíamos ver ninguém. Políticos até dizer basta: deputados José Dias, Fernando Mineiro, Fatima Bezerra, Fábio Faria, João Maia, Felipe Maia, Walter Alves, Henrique Eduardo Alves, Robinson Faria, Gesane Marinho… De Mossoró, a senadora Rosalba Ciarline e Carlos Augusto Rosado, o deputado Leonardo Nogueira, a prefeita Fafá Rosado. E o  ex-prefeito de Natal e governadorável, Carlos Eduardo Nunes Alves. O prefeito e o ex-prefeito de Parnamirim, Mauricio Marques e Agnelo Alves. O vice-governador Iberê Ferreira de Souza. Jornalistas. Socialites. Magistrados. Empresários.Publicitários. E infinitos mesureiros.

O número inaugural, inicialmente previsto para sair com 70 páginas, saiu com 108 e um extraordinário volume de publicidade, majoritariamente de empresas privadas, o que de inicio mostra a credibilidade do veículo que surgiu, não no vácuo deixado do Diário de Natal, mas porque a cidade havia muito clamava por uma publicação que atendesse aos seus interesses e não fosse “chapa branca”.

O Novo Jornal já mostrou a que veio. Produzido por um pequeno grupo de jornalistas tarimbados e alguns estagiários que começam a ser incorporados à equipe, temos confeccionado um jornal que procura espelhar a realidade, levando em consideração o lema inscrito numa das paredes da redação — “Jornal não é guardião da honra de ninguém”, frase cunhada pelo velho legendário da imprensa potiguar, Luiz Maria Alves. Uma das novidades que está dando o que falar é a Editoria do MidWay, voltada exclusivamente para a cobertura diária do famoso shopping de Natal, por onde passam todos os dias mais de 65 mil pessoas. Uma cidade dentro da cidade!

No Novo Jornal somos incentivados a expressar as nossas opiniões. Todos os dias, ao perguntar-me se estou feliz, seu fundador cobra-nos a todos que tenhamos opinião. No meu caso, por exemplo, Cassiano costuma dizer que estou bastante comportado, porém estou reaprendendo o oficio após 14 anos longe das redações que hoje são cheias de bossas que afrontam velhos hábitos. Estou penando com o computador que tenho usado costumeiramente como uma máquina de escrever sofisticada.

Hoje estou em Mossoró para dar inicio a minha volta a Natal. Já revi alguns amigos e brinquei com as minhas gatinhas. Penso que vou sentir a falta de alguns poucos e bons amigos, em especial, dos meus vizinhos da Boa Vista, onde fui tão feliz e pude gozar do carinho de algumas famílias que me receberam de braços abertos, como a do sr. Antonio Lopes, meu senhorio, um dos homens bons de Mossoró. Também vou sentir a falta daquela espirituosa rodinha dos cafés Bagdad e Memorial, onde nos reuníamos todos os dias para falar mal dos politicos, especialmente da ministra machona Dilma Rousseff e do presidente Lula que nunca sabe de nada, exceto da sua intrigante popularidade.

Voltarei ao assunto, se Santa Luzia me permitir.

O NOVO, DE NOVO

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por Franklin Jorge

Finalmente, após alguns dias de trabalho dobrado na confecção do primeiro numero do Novo Jornal, eis que, pela primeira vez, consegui uma folga para olhar alguns imóveis, pois, como um dos editores, terei de morar em Natal outra vez.

No momento, estou no Midway. O jornal mantém sob minha responsabilidade uma editoria exclusivamente dedicada ao mais famoso shopping de Natal, por onde passa diariamente 65 mil pessoas e que tem um consumo de energia igual ao da cidade do Açu.

Ontem, o jornal foi lançado no Ocean Palace, com 108 páginas, das quais, 70 de publicidade, o que dá idéia do sucesso do empreendimento. Porém, como macacos velhos, sabemos por experiencia que a nossa luta, como profissionais do jornalismo, está apenas começando.

O surgimento do Novo Jornal fundado por Cassino Arruda Câmara está provocando uma revolução na velha imprensa local. Toda ela está se esforçando para se adaptar aos novos tempos, ou seja, a produzir um jornalismo mais analitico e interpretativo.

Voltarei ao assunto.

MÍDIAS SOCIAIS EM SEIS TENDÊNCIAS

domingo, 15 de novembro de 2009

Por Marcelo Bastos, com informações da Business Week

Elas vieram para ficar e não param de crescer. As mídias sociais tiveram crescimento espantoso em 2009. De acordo com o Nielsen Online, do NNGroup, o Twitter cresceu 1,382% no período de um ano, o equivalente a 7 milhões de visitantes únicos somente nos EUA. No ano que vem, elas devem ficar ainda mais populares e exclusivas.

O colunista da “Business Week”, David Armano, apontou seis tendências para mídias sociais em 2010:

1. Mídias sociais começarão a parecer menos sociais: Com grupos, listas e nichos se tornando cada vez mais populares, as redes podem começar a tornar-se mais “exclusivas”. Nem todos conseguem acompanhar todas as informações veiculadas nas suas redes de relacionamento, o que acaba criando muito “ruído” na comunicação. É provável que as pessoas passem a filtrar essa desordem para obter valor das informações provenientes das redes.


2. Avanço nas empresas: Ainda há poucas corporações investindo em relacionamento com o cliente em redes sociais. Empresas como Best Buy já deslocaram centenas de funcionários para prestar apoio aos seus clientes pelo Twitter. Este é um sinal de que, no próximo ano, as empresas voltarão mais seus olhares para descobrir as economias ou servir os clientes de forma mais eficaz através de alavancagem de tecnologias sociais.


3. Negócios sociais se tornarão um assunto sério: Os participantes dos chamados “social business” são incentivados a participar e recompensados conforme seu nível de envolvimento e atuação. Como os participantes da sua rede não tem vinculo com sua empresa, eles podem facilmente abandonar sua rede e ir para concorrência. Nesse caso, a alternativa é procurar formas de incentivar a atividade dentro das redes internas e externas, de forma a mantê-las pelo maior tempo possível;


4. Sua empresa terá uma política de comunicação social: Se a empresa onde você trabalha ainda não tem uma política de comunicação social em vigor, com regras específicas de participação em várias redes, é bastante provável que no próximo ano você receba um documento que formalize a maneira como a sua empresa atuará nessas mídias sociais;


5. Mobilidade torna-se a salvação para as mídias sociais: Com cerca de 70% das organizações proibindo o uso de redes sociais e, simultaneamente, as vendas de smartphones em ascensão, é provável que os trabalhadores procurem alimentar seus “vícios” pela interação por meio de seus dispositivos móveis. Como resultado, podemos ver mais melhorias nas versões móveis de nossa droga social favorita;


6. Compartilhar não significa mais mandar e-mails: O jornal New York Times desenvolveu um aplicativo para i-Phone que adiciona a funcionalidade de partilha. Isso permite ao usuário facilmente transmitir um artigo por meio de redes como o Facebook e o Twitter. Muitos sites já suportam esta funcionalidade, mas é provável que ela se torne realmente popular nesse próximo ano, quando as pessoas passarão a compartilhar com seus contatos na rede social aquilo que costumavam enviar para listas de e-mail.

Deu no blog de Ailton Medeiros

sábado, 14 de novembro de 2009

EM DIA COM A IGNORÂNCIA

Por Ailton Medeiros
 
 

 

O jornalismo moderno tem uma coisa a seu favor. Aos nos oferecer a opinião dos deseducados, ele nos mantém em dia com a ignorância da comunidade. 
A frase, uma das melhores que conheço sobre a profissão, é de Oscar Wilde. Lendo nossos jornais a impressão que tenho é que tio Oscar se inspirou neles para cunhar tal máxima.
Vejamos o que eles dizem. Vicente Serejo acusa monsenhor Ausônio Tércio de Araújo de intolerante por fechar a Faculdade de Teologia de Caicó. 
Ora, Tércio Araújo a quem Serejo chama de ”Tércio Rosado” (o que demonstra sua ignorância), é um dos homens públicos mais tolerantes que conheço. 
Como sei disso? Fui teu aluno no Colégio Diocesano Seridoense durante vários anos. Serejo não tem noção do que escreve, é pau mandado, pagou, bateu. Nem um santo como Tércio escapa da sanha inquisitorial do “jornalista da rua da frente”.
Daniela Freire é outra que me diverte com sua ignorância. Com toda a pompa, ela informa a seus leitores que na “próxima segunda-feira o Jornal de Hoje completará 12 anos”. Dói quando rio. O JH, que eu saiba, faz aniversário em outubro, não em novembro.
Ora, se um colunista é incapaz de informar corretamente a data de aniversário do jornal onde trabalha, imaginem assuntos com as quais ela não tem a menor familiaridade? 
Tio Wilde tem razão: aos nos oferecer a opinião dos deseducados, os jornais da Taba nos mantém em dia com a ignorância.

PIRATARIA, NÃO: TROCA DE BENS CULTURAIS

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Por Bruno Galo, do blog Link*


Cristovão Tezza é o escritor brasileiro mais premiado dos últimos tempos, quase uma unanimidade. Com o romance ‘O Filho Eterno’ (Editora Record), sua 14ª obra de ficção, ele ganhou alguns dos principais prêmios de literatura do País, como o APCA, o Jabuti, o Portugal Telecom, o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Na semana passada, após uma viagem pela Europa para promover o lançamento do seu livro, em francês, catalão e holandês, ele conversou com o Link, por e-mail.
Bastante sensato e realista, em entrevista, Tezza fez observações bastante pertinentes sobre a pirataria online, por exemplo. “O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo. Definir esse fato praticamente consumado como simples pirataria é uma simplificação”, afirmou. O resultado dessa conversa, você confere aí embaixo:

“O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo, (só que) à revelia do mundo legal. Definir esse fato praticamente consumado com simples pirataria é uma simplificação”, afirma.
E continua: “Há perda dos detentores dos direitos autorais, sem dúvida, mas é preciso lembrar que a esmagadora maioria dos consumidores via rede não compraria o filme ou o disco, não teria acesso a ele, ou por falta de dinheiro, ou, na maior parte dos casos, simplesmente porque não chegaria a ele”.
“Outra questão é a dificuldade técnica e jurídica de combater a cópia caseira. Um download não é um objeto físico falsificado numa garagem, impresso numa gráfica clandestina ou transportado por um caminhão. Ao contrário da pirataria física, que move milhões e alimenta uma cadeia de crimes paralelos, aparentemente só o consumidor final ganha com o download”, pondera.
“Baixar um livro é infinitamente mais fácil que baixar um filme e mesmo uma música, mas a leitura digital de um texto longo no monitor é desconfortável – é isso, até aqui, que vem salvando os escritores. Com a chegada dos livros digitais, isso pode mudar. Até porque, parece que não há formato de arquivo, por mais exclusivo que seja, que não acabe convertido em outro de uso corrente”, observa.
“Bem, sendo realista, praticamente todos os escritores de ficção e de poesia sempre foram obrigados a ter outra fonte de renda, porque nessa área ninguém vive de direitos autorais no Brasil, mas mesmo assim uma popularização do download de livros seria catastrófica para quem escreve, supondo-se de fato que o livro digital suplantaria significativamente o livro de papel. Tudo vai depender desta relação entre o livro virtual e o livro de papel. Sinceramente, não sei. E acho que ninguém sabe dizer, hoje, o que vai acontecer nessa área”, opina.
“Sim, acho que (o livro de papel e o eletrônico) vão conviver perfeitamente. Não imagino que o livro eletrônico vá suprimir o velho e bom livro de papel, cuja praticidade é imbatível”, defende.


(*) Esta entrevista é a segunda de uma série que o Link/Estadão está publicando sobre os desafios dos livros na era digital.

NOVO JORNAL PARA O LEITOR CRITICO

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Da Redação

Na segunda quinzena deste mês vai para as bancas o Novo Jornal, que já começa ocupando um espaço privilegiado no mercado da capital. Criado pelo jornalista Cassiano Arruda Câmara, que volta a publicar sua famosa coluna “Roda Viva”, reúne um time de profissionais de primeirissima linha, como Adriano de Souza, Carlos Magno Fernandes, Moura Neto, entre outros.

Abaixo transcrevemos entrevista com o jornalista Cassiano Arruda, publicada no último sábado.

Trechos da entrevista ao Nasemana:

NS - Quais suas pretensões com o Novo Jornal?
CA - Nossa meta é chegar em maio como o segundo maior de Natal. Para isso, teremos que ralar muito. O principal investimento do Novo Jornal é em talento. Pegamos algumas pessoas da melhor qualidade que estavam arquivadas e também gente nova. Por exemplo, a mim me incomodava muito ter um cara do talento de Franklin Jorge vivendo no interior. Trouxe ele pra ser o editor de cultura. É pra chutar o pau da barraca. Eu sei o que eu estou contratando. E também investimos em tecnologia. Não economizamos nada em informática. Pelo contrário, compramos o que tinha de melhor.

Nasemana - O jornal surge meses depois de o Supremo acabar com a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Qual sua opinião sobre essa questão?
CA - Como tenho diploma, posso dizer que diploma aqui não serve nem pra limpar a bunda, porque não é absorvente. A pessoa que tem diploma e perde o emprego para outra que não tem, é porque é incompetente.

NS - Você contrata o talento, então?
CA - Claro. Se eu precisasse de diploma, a fila estaria dando voltas no prédio. Evidentemente que eu não trouxe todos os melhores de Natal, mas procurei trazer, pelo menos, os melhores que estavam disponíveis. Nós vamos ter, por exemplo, a figura do repórter especial. Vamos fazer o que a grande imprensa daqui não faz. Vamos pagar salário de editor ao repórter pra ele ser repórter. Pode ser que não dê certo. Pode ser uma loucura, uma utopia, mas eu estou fazendo essa utopia. Com a humildade de saber que se não der certo, nós vamos fechar.

NS - Ainda é professor do curso de Comunicação Social na UFRN?
CA - Não. Aposentei-me hoje [5/11]. Obrigaram que eu me aposentasse. Estou puto da vida.

NS - Por quê?
CA - Eu queria sair aos 70 anos, mas resolveram agora punir a turma antiga. Passei 31 anos na Universidade Federal dando uma matéria, aí me chamaram pra dar três matérias, sendo professor de 20 horas. Isso é obrigar a pessoa a sair.

DA IDADE DA PEDRA AO 2.0

domingo, 8 de novembro de 2009

 

Com a parceria com o Google Earth Outreach, a divisão filantrópica da companhia, os surui receberam computadores, smartphones (equipados com o sistema Android) e aparelhos de GPS para que pudessem, eles mesmos, colocar os seus costumes no mapa. A ideia é que, assim que identificarem um foco de retirada ilegal de madeira na região, os índios já subam fotos e vídeos no YouTube que serão agregados ao Google Earth e ficarão disponíveis para que todos acompanhem.“Os mapas online também permitem que se conheça melhor o território indígena, com marcadores com informações sobre quais os lugares em que os surui caçam, pescam e seus pontos sagrados. Isso é importante para a preservação da tradição”, defende Vasco van Roosmalen, diretor da

ACT Brasil.
 
“A parceria serviu para que os surui usassem a tecnologia para dar visibilidade a seus problemas e para monitorar o que acontecia em seu território”, explica o cacique Almir, que, na semana passada, foi homenageado pelo projeto
Google Earth Heroes, que incentiva organizações que usam a ferramenta para o ativismo socioambiental.Para a cineasta Denise Zmekhol, o Google Earth é uma “ferramenta poderosa” para esse tipo de grupo, pois “as pessoas só entendem a gravidade do desmatamento quando o veem de cima”. Autora do minidocumentário

Trocando Arcos e Flechas por Laptops (disponível no YouTube), que retrata a saga dos índios com o Google, Denise diz que a transição tecnológica é radical para os surui. “A tribo saiu da idade da pedra e deu no mundo digital em 40 anos”, brinca, já que o primeiro contato deles com o homem branco data de 1969.Se o sociólogo Marshal McLuhan profetizava, nos mesmos anos 60, que a tecnologia reduziria distâncias e interligaria pessoas com interesses semelhantes, esse conceito parece ter se concretizado apenas no novo milênio. Com a web, o mundo virou mesmo uma enorme aldeia, da qual até uma tribo, antes isolada, faz parte.

 

 

 

 

 

ARCO, FLEXA E ATIVISMO DIGITAL

domingo, 8 de novembro de 2009

 
Por Link, blog do Estadão

Quando o cacique Almir Surui acessou o Google Earth pela primeira vez, em um cibercafé, fez aquilo que quase todos fazemos: procurou sua própria casa. No caso, a reserva indígena 7 de Setembro, que ocupa cerca de 250 mil hectares entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso; é lá onde vive a tribo que lidera, os Pater Surui. Espantou-se, de cara, com o que via na tela. Onde foram parar todas as árvores?

Apesar de já há anos lutar contra as madeireiras ilegais da região, a visão de cima o chocou. Só via a mancha marrom do desmatamento, que, no ano passado, comeu da Amazônia o equivalente à metade do território do Estado de Sergipe.
 
Com o susto, porém, veio a ideia. “Senti que estava em um mundo novo, que podia transmitir a consciência do meu povo para todos. Aquela tecnologia, que leva você de um canto para outro sem sair do lugar, reduzia dias de caminhada a apenas alguns segundos. Era algo diferente. Fazia sonhar e planejar ações”, conta o cacique, fascinado, em entrevista ao Link.

E Almir sonhou alto, mesmo. Depois de se articular com a ONG Equipe de Conservação da Amazônia (ACT), decidiu que iria para São Francisco, nos Estados Unidos, e procuraria o Google. Queria mostrar ao mundo, por meio da web, o descaso do poder público com a preservação das terras indígenas e da Amazônia. E não é que a empresa comprou o projeto?