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DAS ARTES DA LEITURA

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Disse Émile Faguet em seu clássico que há uma arte de ler. Borges foi mais longe ainda ao propor-nos uma arte de reler. No entanto, os dois haveriam de concordar com o que me disse o velho Chico Batista, ao visitá-lo em sua casa nos altos do Panom, em 1994: “Ler ajuda a pensar”.

Creio que nessa afirmativa de um homem ágrafo e experiente, maior de oitenta anos, já está implícito o que antes disseram Faguet e o autor de “O Aleph”.

De fato, quem lê pensa melhor e acende sentinelas que exorcizam as trevas, dando passagem à luz e iluminando a consciência das coisas; quem lê e relê opõe-se à ignorância e cria novas perspectivas que aclaram, ampliam e aprofundam as ideias, próprias e alheias.

Há quem defina a leitura e a releitura como artes, como ficou dito acima, mas como escritor, creio que essa arte múltipla consiste antes num método e numa conquista intelectual daquela espécie de leitores que raciocinam sobre o que lê.

Como leitor simplesmente, diria ainda que se trata duma estratégia para alcançar a plenitude das obras feitas para durar. Com isto, quero afirmar que escrever é reler, ou seja, lançar sobre o papel palavras cheias de pensamento.

Ora, direis, tem razão o velho Chico Batista, mestre tão somente nas artes da agricultura e do pastoreio, que reencontrei mais de trinta anos depois do nosso último encontro, quando eu tinha apenas catorze anos. Ler (e reler) ajuda a pensar.

A EMBAIXATRIZ DE GOIÁS

domingo, 29 de agosto de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL, Natal [RN], 29-08-2010

Por Franklin Jorge

Nos anos setenta, a escritora goiana Alcyone Abrahão se radicou em Natal e transformou sua casa à Rua Apodi 558 numa espécie de “Embaixada de Goiás”, onde recebeu Siron Franco, Jorge Amado e outras personalidades, em meio a uma galeria de obras de conceituados artistas, como o próprio Siron, Cléber Gouveia, Frei Confaloni, Antonio Poteiro, Octo Marques, D. J. Oliveira, Ana Maria Pacheco, Veiga Vale, Goiandira do Couto, Omar Souto etc. Artistas cuja obra podemos apreciar ao vivo pela primeira vez.

Passamos todos a admirar a cultura goiana e, para estabelecer um intercambio entre as duas capitais, organizamos juntos a mostra “Arte Potiguar em Goiás”, apresentada na Galeria Casa Grande, de Goiânia, criada por Jayme Câmara, o magnata da imprensa no Centro Oeste, com jornais e emissoras de tevê espalhados por Brasília, Goiânia e Palmas.

Juntos, organizamos uma exposição no Centro de Turismo de Natal onde a obra de alguns artistas da sua coleção puderam ser vistas e apreciadas pelos natalenses.

Aqui, sua casa se transformou num pólo de cultura informal, onde a inteligentsia jovem da época se reunia para conversar e discutir sobre política e cultura em meio a uma seleta e preciosa pinacoteca que se enriqueceu com obras de Fernando Gurgel, Dorian Gray, Vitoriano, Arruda Salles e Diniz Grilo, entre outros que não me ocorrem agora.

Nessa temporada que resultaria numa experiência mútua para muitos de nós, Alcyone começou a sistematizar as informações que constituiriam o seu livro mais famoso e representativo da sua inquietação intelectual, “Não coloque o macaco diretamente sobre o pavimento”, cujo titulo faz alusão a uma placa que ela viu e fotografou numa BR no estado da Paraíba.

Aqui, escrevendo nos jornais locais, empenhou-se em divulgar sua terra e sua cultura, até então, para nós, desconhecidas. Foi através dela que conheci e saboreei a gastronomia goiana e me deleitei, pela primeira vez, com os doces de Cora Coralina, de quem era amiga e admiradora. Eu me lembro que ela me presenteou com uma terrina de Furrundum, um doce tradicional de Goiás.

Devorei sua biblioteca, travando contato com os grandes escritores goianos como Cora Coralina, Carmo Bernardo, Bernardo Élis, Hugo de Carvalho Ramos, José Décio Filho, José Antonio de Moura, José Godoy Garcia, José J. Veiga, Bariani Ortêncio, Miguel Jorge, Maria Helena Chein, Yêda Schmaltz, Amália Hermano Teixeira, Maximiniano da Matta Teixeira, Regina Lacerda, Brasigóis Felício, José Mendonça Telles, entre outros notáveis construtores da goianidade. De alguns desses escritores e artistas tive a honra de me tornar amigo e divulgador.

Organizamos, Alcyone e eu, a mostra coletiva “Arte Potiguar em Goiás”, reunindo a nova geração de artistas norte-rio-grandenses integrantes o Grupo Cobra, entre os quais, Fernando Gurgel, Vicente Vitoriano, Gilson Nascimento, Flávio Américo Novaes, Nival Mendes, Fernando Oliveira e Arruda Salles, uma plêiade enfim do que tínhamos de mais representativo.

Personalidade carismática, Alcyone havia algum tempo perdera a cátedra universitária, confiscada pela ditadura militar que dominava então o país. Certa vez ela me confidenciou que o seu sonho era ser atriz e, por isso, teria optado por ser professora, atividade que considerava a atividade mais próxima daquilo com que sonhara.

Escritora, crítica de arte, animadora cultural, a contribuição de Alcyone Abrahão à divulgação da cultura potiguar e goiana está merecendo um estudo acurado. Muito lhe devemos, Natal e Goiânia.

O CENTENÁRIO DE UM CLÁSSICO
O escritor Américo de Oliveira Costa teve o seu centenário de nascimento comemorado há pouco.

Nascido em Macau, escreveu “A Biblioteca e seus habitantes”, um dos raros livros escritos por autor local para ser lido e relido, como um clássico da mesma estirpe humanista de “Prelúdio e Fuga do Real” (Cascudo), “Imagens do Tempo” (Edgar Barbosa). “Imagens do Ceará-Mirim” (Nilo Pereira), “A Várzea do Açu” (Manoel Rodrigues de Melo “A Província Submersa” (Octacílio Alecrim)), “Oiteiro” (Madalena Antunes), entre uns poucos outros que já se integraram ao nosso classicismo literário, ou seja, àquela espécie de livros escritos para serem relidos, como um alimento espiritual.

É pena que, a exceção de um livro produzido por um neto do grande escritor, o Rio Grande do Norte e a Academia Norte-rio-grandense, da qual ele foi um dos fundadores, o tenha esquecido nessa data reverenciada por todos os que, no Rio Grande do Norte, levam a cultura a serio.

*Leia também, no NOVO JORNAL a coluna de Franklin Jorge “A novela eleitoral”, através da qual ele comenta todos os dias o Guia Eleitoral do TRE-RN

A RABEIRA HIGH-TECH*

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

 

 Por Franklin Jorge

 

Está aberto à visitação pública até o próximo dia 2 mais uma edição do Salão de Arte Tecnológica, de dupla identidade pois também pode ser chamado de Salão de Artes Visuais Abraham Palatnik: um verdadeiro samba do crioulo doido?

 

Desculpe-me, leitor: escrevi propositadamente um parágrafo confuso para dar idéia da falta de senso dos que fazem a Fapern (ou fizeram, já que essa dupla aberração saiu da cabecinha confusa da professora aposentada Isaura Amélia Rosado, que teve a faca e o queijo na mão para acontecer, ao ocupar todos os cargos da cultura em Natal, e acabou depois de muitos anos e de muito recurso desperdiçado sem fazer absolutamente nada de relevante).

 

Enquanto o acervo de artes plásticas pertencente à Fundação José Augusto sofre os desgastes descorrentes da falta de cuidados técnicos, a Fapern desperdiça recursos com a realização de um salão que não tem nenhuma representatividade e que foi criado apenas para a satisfação da vaidade de gestores alienados da realidade.

 

Nem mesmo em São Paulo, o mais importante centro cultural de vanguarda do país, uma instituição bancada com dinheiro público se dá ao luxo de manter um evento voltado para a arte baseada no uso da tecnologia.

 

Num estado pobre, como o Rio Grande do Norte, onde os artistas que fazem uso de recursos tradicionais não conseguem deslanchar, por falta de investimentos do governo, vem a Fapern com uma idéia que só não é inteiramente absurda porque serve para dar a medida do nível de despreparo dos nossos dirigentes culturais, escolhidos à esmo e sem critério, para acomodar interesses de grupos políticos.

 

Contando com uma participação restrita, o pretensioso Salão de Arte Tecnológica da Fapern serve apenas para evidenciar a nossa falta de senso critico e a coragem de afrontar o ridículo.

 

*Com acréscimos posteriores

 

 

O DESESPERO DE IBERÊ

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Num ato de desespero, o governador Iberê Ferreira de Souza entrou na justiça para impedir o uso da imagem do presidente Lula por Carlos Eduardo, com quem disputa o governo do estado do Rio Grande do Norte. Entrou e perdeu, pois a sentença deu ganho de causa ao ex-prefeito de Natal, que há anos faz parte da base de apoio do petista.

 

Iberê quer ganhar no grito. Sua estratégia, porém, está redondamente errada. Praticamente desconhecido, especialmente do eleitor mais jovem, Iberê pilota uma candidatura sem carisma, avaliada pela ex-governadora Wilma de Faria que depois de sete anos no cargo deixou o estado em petição de miséria, sobretudo em quatrto áreas emblemáticas que sob o seu comando ficaram abaixo da crítica: saúde, segurança,. educação e cultura…

 

Leia a continuação deste artigo depois.

NO RASTO DE MASSILON

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

 

Por Franklin Jorge

 

Livro que é uma aventura no tempo e pelos sertões de cinco estados brasileiros, Massilon revisita o cangaço e dá-nos o que o seu autor chama de “nova onda”, um modo de dispor a informação sob a forma de um relato de viagem através do qual os fatos vão aflorando de maneira macia, como numa conversa.

 

De fato, a fase da coleta de dados já passou, mas não no presente caso que contempla Massilon, personagem secundária do cangaço e, a exceção de Jesuino Brilhante, o cangaceiro romântico do bairrismo idealista, não temos senão Massilon para ilustrar a contribuição efetiva do Rio Grande do Norte ao cangaço nordestino.

 

Honório de Medeiros conta que esse nome se fez presente em sua infância em cidades do Oeste. Eu também o ouvi, na várzea do Açu, nas conversas de alpendre, no Estevão. Porém sem detalhes, a não ser que vivera lá para as bandas de Luis Gomes e desaparecera, nem morto nem vivo para os sertanejos.

 

Massilon tem um subtítulo, “nas veredas do cangaço e outros temas afins” e recria duas peripécias distintas que dão ao texto uma nova maneira de seguir por trilhas tão batidas: a viagem no tempo em busca de Massilon e a do processo em que se escreve o livro que agora acabei de ter debaixo das vistas. Esse processo enseja a circunstancia, o inevitável, enfim uma rede interminável de comunicações vivas que resultam do trabalho de campo.

 

Difícil escrever sobre um livro no qual tenho estado tão presente em todas as etapas de um processo a que o seu autor me associou, convidando-me para pesquisar em sua companhia as pegadas de Massilon, e me propôs – e eu não acatei senão nos raros momentos em que tive a compulsão de anotar impressões, insights, em vez do diário de bordo que comporia uma “segunda opinião”, ou melhor dizendo com mais pertinência os “dois lados” de um registro que se faz no curso de muitos quilômetros e vigílias e o que há nessas infinitas horas de elaboração de factual e circunstancial no livro, como dizem os especialistas.

 

Sei que perdi essa oportunidade sem reprise. Mesmo assim, ainda escrevi sobre alguns lugares e pessoas que fomos encontrando nesse périplo por sertões do Alto oeste potiguar, da Paraíba e do Ceará, estados vizinhos que percorremos nesse roteiro previsto por Honório e que nos fez parar em Patos, onde há uma atmosfera universitária, uma latente vida intelectual e artística das quais tivemos indícios pelo volume de publicação e qualidade de alguns artistas plásticas.

 

Mesmo assim, o que escrevi cria um curioso contraponto a essa leitura de “Massilon” que foge ao lugar comum e às coisas feitas, avançando numa nova direção da qual o cangaço é mero pretexto para outras realizações que ampliam o nosso conhecimento do Nordeste e da nossa cultura rude e viçosa.

 

Honório promove muitos encontros afins em Massilon, livro que representa essa “nova onda” inspirada pelo autor que o faz indo beber às fontes, embora recorra a autores que o ajudaram a contar essa história que tem alguns capítulos transcorridos em terras potiguares.

 

O livro abre com uma citação de Massilon, Jean Baptiste Massilon, o celebre orador sacro que viveu na França (1663-1742) sobre a verdade, “essa luz celeste”, a única coisa no mundo que se faz objeto dos cuidados e das investigações do homem:

“Só ela é a Vida da nossa virtude, a regra do nosso coração, a fonte dos verdadeiros prazeres, o fundamento das nossas esperanças, o consolo dos nossos temores, o alivio de nossos males e de nossas penas. Todos os nossos cuidados deveriam limitar-se a conhecê-la, toda a nossa loquacidade a publicá-la e todo o nosso zelo a defendê-la”.

 

Não se trata de um produto acadêmico, mas de uma obra que embora se leia fluentemente está regida pela disciplina e por um rigor de pesquisa e composição. Obra de quem domina o assunto e o faz sem ranço acadêmico.

 

O sumário é elucidativo dessa virtude que faz do livro uma viagem repleta de acontecimentos – como o solene funeral do radialista em Cajazeiras -; um viagem povoada de incidentes históricos, pitorescos, imprevisíveis e vivazes como as pessoas que se integram ao universo de uma pesquisa que compõe também um retrato de época e não apenas o retrato cheio de dobras de uma figura secundária do cangaço, o homem persuasivo que conquistou Lampião para o seu maior fracasso – o ataque a Mossoró.

 

Há no livro de Honório uma vertiginosidade de aportes, de ritmos, de fluência que faz a sua leitura um prazer. Honório escreve sobre novidades que estavam esquecidas, sobre o prazer de conhecermos através do autor viventes tão carismáticos, como a senhora da Fazenda Trigueiro, Dona Deocides, o velho numismata memorioso de Missão Velha, gente de ouro, o cronista de Patos, a estranha cidade de Pereiro, no Ceará, onde soube de antigos matadores de onças…

 

Uma rapsódia, esse livro que tem o cangaço como garantidor, na pessoa de Massilon Leite, mas que é visto sob outros ângulos ao integrar-se à realidade plástica e multiforme, no pico da onda ambulatória.

 

PERSONAGENS DA POLÍTICA

Dias atrás, ao voltar para casa, tive a surpresa de descobrir um fã da prefeita Micarla de Souza, o motorista do taxi que atribuiu o desconcerto da sua administração a sua extrema bondade, virtude negativa que a faz dar guarida em seu secretariado a tanta gente medíocre. A pobrezinha não tem a capacidade de dizer “não” a pessoas como o deputado João Maia, por exemplo.

 

Segundo o motorista, João Maia estaria se aproveitando do bom coração de Micarla para emplacar seus protegidos e cabos eleitorais, o que estaria custando a própria credibilidade de Micarla, que já ganhou até uma comunidade no Orkut, “A pior prefeita da terra”. Enquanto isso, João Maia…

 

Outro aloprado, o filho dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria, o candidato a deputado estadual Lauro Maia aposta suas fichas num projeto supimpa: segundo os filhos da Candinha dizem por aqui que ele quer “castrar’ os machos potiguares.

 

É que ele, se eleito, vai lutar para tornar a vasectomia um procedimento cirúrgico rotineiro. Porém, por enquanto, está apenas dando o que falar como um dos mais curiosos integrantes da famosa “arca de Noé”…

  

SHAKESPEARE SE DIVERTE

domingo, 15 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Uma feérie onírica repleta de magia e sortilégios, escrita para os festejos de um casamento nobre a que esteve presente a Rainha Elisabete, contemporânea de Shakespeare que pode assim mostrar-se em toda a magnificência da sua imaginação.

A peça evoca o mar contagioso, os fantasmagóricos bosques da Arcádia, o mundo sobrenatural dos elfos e dos elementos mitológico e assombroso que compõem o espírito buliçoso da alegria.

É a peça representada por colegiais no filme “A Sociedade dos poetas mortos”.

Conjetura-se que foi representada no casamento de Essex (1590), no do Conde de Derby (1595), ou no de Southampton (1598).Escrita como refinado divertissement, uma fabulosa fantasia, não importa de quem foi as bodas mas o ter ensejado a representação de “Sonho de uma noite de verão”.

É sabido que suas fontes provém de Plutarco, Ovidio, Spencer, Chaucer e Jorge de Montemor. Mistura Shakespeare num mesmo lance espaço e tempo, deturpa a geografia e empresta unidade a todos os elementos heterogêneos e disparatados que florescem dessa feérie em que, meio a dormir, ainda é mal desperto, enquanto a úmida lua espalha a claridade dessa festa.

Eis, antes que suba a cortina, as personas dramáticas, assim descritas pelo autor:

Perseu, Duque de Atenas;
Egeu, pai de Hérmia
Lisandro, Demétrio, apaixonados de Hérmia
Filostrato, diretor de festas na corte de Teseu
Quince, carpinteiro
Snug, marceneiro
Bottom, tecelão
Flauta, remnda-foles
Snout, caldereiro
Starveling, alfaiate
Hipólita, rainha das Amazonas, noiva de Teseu
Hérmia, filha de Egeu, apaixonada de Lisandro
Helena, apaixonada de Demétrio
Oberon, rei dos elfos
Titânia, rainha dos elfos
Flor de Ervilha, Teia de Aranha, Traça, Semente de Mostarda, elfos
Puck, o Bom Robim, gênio alegre e buliçoso.

“Sonho de uma noite de verão” celebra a esperança na vida. Através dela o olho do poeta, num delírio excelso,

Passa da terra ao céu, do céu à terra,
e como a fantasia dá relevo
a coisa até então desconhecidas,
a pena do poeta lhes dá forma,
e a coisa nenhuma, aérea e vácua,
empresta nome e fixa lugar certo.

NOTA INCERTA

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Li agorinha mesmo em Gabriela que ela está de tal forma assoberbada pelas misérias deste governo petista que se sentia desanimada para escrever, preferindo ler os cientistas sobre a ciência e sobre os psicóticos que instrumentalizaram o governo do país com o intuito de fundar uma ditadura sindicalista.

Disse Gabriela, do Movimento Ordem Vigilia contra a Corrupção:
Sem mais rodeios. Começa a ficar cansativo ouvir a mesma ladainha de Lula na boca de candidatos à presidência, citando a condição de pobreza, a falta de estudo, a falta de experiência política, a cor da pele, como se fosse currículo musculoso para governar o país.

Apela-se uma vez mais ao sentimentalismo e aos instintos baixos da política partidária praticada pelo governo do PT.

Realmente, Lula está em todas.

Nem sempre de maneira honrosa e inequívoca.

Mas, não era sobre Lula que queria escrever, mas sobre esse desanimo que avassala em uns certos dias em que vimos, depois de vários dias seguidos o mal triunfar e a mediocridade expandir-se sobre o planeta, de maneira passiva e pusilânime a vitória do mal, sentimos também esse abatimento que resulta do desconforto moral.

Porém, se não desistimos, é que somos homens e pensamos.

A (O) MAIS IMPOPULAR

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Perdi a conta dos leitores que ligaram ou escreveram cobrando-me um comentário sobre a pesquisa que deixou a credibilidade da prefeita Micarla de Souza no chão.

Em 80 anos anos, incluindo-se aí a época dos intendentes, como tão espirituosamente lembrou-nos o jornalista Woden Madruga ao reportar-se ao mesmo assunto, jamais um prefeito – no caso, a prefeita do Natal – teve pontuação mais baixa numa pesquisa de opinião.

Quase 75% dos natalenses acham sua administração “ruim ou péssima”: um recorde, creio que até para o ex-prefeito Aldo Tinoco, que chegou a ser considerado em seu tempo o pior prefeito que tivemos. Mesmo assim, não chegou a ter nenhuma comunidade no Orkut (Ah no seu tempo não havia Orkut) e assim Aldo Tinoco não pode ser ewntão considerado o pior prefeito de Natal, enquanto Micarla o foi “da terra”, o que engloba o mundo inteiro…

Os dois, Micarla e Aldo, se parecem num ponto: escolheram o secretariado pelo critério da incompetência, com uma diferença substancial: Aldo foi buscar lá fora o que não prestava para compor o lado negativo do seu secretariado; Micarla, mais comodista, ficou por aqui mesmo e deu de capote em Aldo, que teria sido um bom prefeito de Natal se tivesse batido o pé e botado para correr sua ex-antecessora e avalista eleitoral, Wilma de Faria.

Embora sem mandato, nos quatro anos em que ficou sem mandato, mandou na prefeitura e deixou Aldo de calças curtas. Continuou mandando na prefeitura de suas indicações que não foram poucas e se empenharam em desmoralizar o prefeito, eleito só para “guardar” o lugar que foi em seguida ocupado por Wilma, dando inicio assim ao segundo de seus três mandatos de prefeita.

O ex-prefeito Carlos Eduardo também foi uma de suas vitimas, mas saltou fora e deixou isto claro ao impor a petista como candidata na sua sucessão, contrariando Wilma que quis se vingar e não pôde, o momento não lhe era favorável nem propício.

Mas antes, Wilma desmoralizou Aldo, o que não pode fazer com Carlos Eduardo, que já no fim livrou-se dos ultimos bastiões wilmistas que prejudicaram seu governo: no fim, o secretariado cruzou os braços e Aldo terminou o mandato de prefeito sob os apupos do povo indignado.

Uma das estratégias wilmistas para malquistá-lo com os natalenses foi a paralização da coleta do lixo. O bairro da Cidade Alta, onde está a prefeitura e toda a cidade desfila por suas ruas, por ser o bairro central e o corredor bancário, transformou-se numa grande lixeira a céu aberto. E Aldo fez-se universalmente desleixado, incompetente, despreparado, mau gestor…

Aldo, rapaz educado e bem intencionado, ferrou-se politicamente, ao manter-se grato a sua suposta benfeitora que, na verdade, nunca beneficiou a não ser seus próprios interesses. Além do mais, Aldo ainda foi na onda do PT e o instalou em seu governo, tudo gente de fora e sem história conhecida, como um tal Paganini, de triste memória, que ele foi buscar lá fora para infelicitar Natal.

Micarla não quer ter nenhuma especie de trabalho, não quer aluir-se para coisa alguma nesse mundo, ou seja, em dois anos de mandato não fez nada e ainda não quis dar-se ao mínimo trabalho de alterar o azimute de sua administração desnorteada e emperrada.

Talvez, do fundo de sua alma, Micarla saiba que foi longe de mais e não estava preparada para exercer o cargo de prefeita de Natal. O que ela recebeu de mão beijada, porque o povo de Natal não quis votar na deputada Fátima Bezerra, deixou ao deus-dará, como se ao ser eleita não tivesse compromissos a não ser para fazer-se notar por sua inoperancia e desmazelo administrativo.

Portanto, ela vai assim empurrando os problemas com a barriga e atirando em todas as direções para ver se acerta em alguma coisa, como impor familiares aos eleitores, seus como candidatos, nessa eleição que tem um escrete dos piores de que já tivemos noticia nesses últimos pouco mais de 400 anos da cidade do Natal.

Perdoem-me os dez ou quinze leitores destas linhas, se uso de uma metáfora para descrever essa frivola companhia verde que se apresenta, hoje, no comando da capital do estado do Rio Grande do Norte.

A maioria de seu secretariado, do secretariado da prefeita Micarla de Souza, sequer saberia usar os talhares e ficaria realmente atrapalhado se tivesse que comer escargot num jantar à francesa, diria o chíquimo colunista social Jota Epifânio, se vivo fosse. Seria, convenhamos, vexatório. Que valha a metáfora e o eufemismo…

Mas o pior, no caso presente, é não ter competencia e não saber fazer o elementar da administração pública.

Essa pontuação é a voz do povo. De fato, a dar-se a voz do povo como veridica e digna de respeito, a prefeita Micarla de Souza está abaixo da critica: seu governo tem quase 75% de impopularidade. Uma Lula às avessas.

LAURO MAIA, O CAPADOR

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Tornou-se uma piada.

Depois de entrar com pés e mãos na “arca de Noé”, e de atrapalhar-se nas malhas da lei e de ser intimado para depor nos proximos dias na 5a. Vara Criminal, Lauro Maia achou pouco e agora quer ‘capar’ todo mundo.

Peraí, não é como estão gozando por toda a parte! Capar é eufemismo (pelo menos aqui).

O filho dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria teve no minimo sangue frio, ao introduzir como carro chefe de suas propostas eleitorais a vasectomia, assunto que está dando o que falar. Se eleito deputado estadual, vai lutar para tornar a vasectomia um procedimento cirúrgico rotineiro.

É com a vasectomia em riste que ele pretende angariar votos e desfazer, desfazer não porque isto não seria possivel, mas minimizar a terrivel repercussão da sua atividade oficiosa nos bastidores do governo da mãe, dona Wilma, servindo-se dos recursos da Secretaria da Saúde para fazer o seu pé de meia com o pedágio que lhe pagavam as empresas terceirizadas que prestavam serviço ao governo…

LA POBREZINHA

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Ontem, ao voltar para casa depois de pegar Perdita no veterinário, não pude deixar de prestar atenção às palavras do motorista que se mostrava muito habilidoso driblando os buracos que teimavam em nos afrontar a cada cem metros.

Um verdadeiro ás no volante, notei que “enganou” um condomínio de três ou quatro buracos que como num passe de mágica irromperam em meio ao asfalto.

Confesso que somente me liguei de fato em sua conversa quando percebi que ele elogiava Micarla! Sim, a prefeita de Natal, Micarla de Souza, a ambientalista juramentada que ainda na barriga da mãe dava vivas ao verde! Gente fina, que não sabe dizer não a esses sanguessugas e carcarás, resumiu o heróico taxista.

Fiquei bege, a princípio, mas depois, prestando melhor atenção aos seus argumentos… Não é que o homem tinha razão? “Micarla precisa pensar com a própria cabeça” - e, nesse ponto, concordei prontamente. - É deixar de lado esses carcarás e sanguessugas, denunciados pelo arguto motorista.

Micarla - dizia-me ele - não é tão ruim assim quanto se diz nos quatro cantos de Natal. Ela é boa demais - entendi - e está se deixando levar pela conversa dos políticos da sua base de apoio… Boa, Micarla? - provoquei-o. - E então!? Podia ser diferente, meu senhor, sendo ela filha de Carlos Alberto, que enquanto viveu foi uma espécie de Dilma Rousseff, um autêntico e verdadeiro pai dos pobres? - Tem razão… Micarla teve a quem puxar.

Ora, pelo que entendi, Micarla é ótima, mas está se deixando influenciar por quem não devia, como é o caso do deputado João Maia, que estaria contribuindo para bagunçar o coreto administrativo da nau verdolenga, impondo a Micarla colaboradores e assessores de fazer pena, tudo isto é fruto da análise do taxista.

Como o ex-vereador caraubense Renato Fernandes, que graças ao seu poderoso padrinho abiscoitou uma rica secretaria, justamente a da Mobilidade Urbana. Logo ele que, segundo o motorista que o conhece de vista, parece aos olhos de todos mais pesado do que um paquiderme. Mas, acrescento, tem a língua leve e a habilidade de dar nó em pingo dágua.

A pobrezinha - reiterou - precisa se livrar dessa influência nefasta. João Maia tá acabando com Micarla, coitada, que ainda não entendeu que não pode ser submissa a tubarões. Ela mesmo é muito boa! Tão boa que abriu as portas para esse secretariado que é de fazer dó. Cada um mais despreparado do que o outro, cada um mais famélico do que o outro, cada um com mais pinta de tabaréu do que o outro…

O FILÓSOFO DO MAL

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Em sua instigante e provocativa exegese de Nietzsche, lembra-nos Georges Bataille que alguém o definiu como o “filósofo do mal”, ao grande solitário da aldeia de Sils Maria; ao pensador que se põe na alma do poderoso, dominado por um “modo de pensar antiigualitário”.

Sua prosa aforismática conduz à glorificação da força, à idealização dos heróis e dos seres supremos, o que terá calçado o marketing nazista do genocídio de raças que ainda sob diversos graus e justificativas persiste no mundo de forma recorrente, surda e sanguinária.

Filósofo, leitor e critico da filosofia, escreve Nietzsche para espíritos livres coisas primeiras e últimas que respiram uma verdade tão grande que antes ele preferira viver como um inválido ou morrer do que tornar-se escravo e servir à vontade alheia.

Nietzsche descreve o movimento violento que compõe a essência do homem. Algo que o reduz a um estado de imperfeição, em desacordo com a natureza aristocrática que o distingue como pensador; um pensador que, se beneficiando do conhecimento posterior, debruça-se sobre uma pletora de questões que desembocam em seu projeto de homem do futuro.

Horrorizava-o subordinar seu pensamento a alguma causa, recusando-se a participar de qualquer partido, por ser um homem livre que compreendia que o mal é o contrário da coerção e que toda ação especializa, diminui e reduz.

Em sua filosofia do mal, reitera que o exercício da liberdade está do lado do mal, enquanto a luta pela liberdade seria a conquista de um bem. Nietzsche crê que a vida só permanece inteira não sendo subordinada a nenhum objetivo, pois a causa corta as asas; e encurta o vôo.

Ou, assim falou Nietzsche, o homem completo em sua imperfeição guarda uma possibilidade de atuar, com a condição de resumir a ação a princípios e fins que preservem sua totalidade. Este será talvez seu único dogma, a espinha dorsal do seu pensamento filosófico.

Viu o leitor emergir de seus livros não sem uma certa reticência, não sem um ar desconfiado ao defrontar-se com a moral, dele dirão seus detratores ou leitores que não o compreenderam ou acharam muito árduas suas lições.

A filosofia de Nietzsche contraria, pois, a tradição. Não nos propõe consolo nem consolações. Não constitui instrumento propiciatório de uma arte de morrer, um ofício de morte pacata, mas a polifonia de um vidente pensador que se coloca, entre os seus pares, como o interlocutor do futuro. Um pensador que se veste com a pele da alma e se constitui em um poderoso mecanismo intelectual em ação.

Nietzsche produz uma doutrina lúcida, sem doutrina, ao dispensar a regra que faz todo filósofo. Uma não doutrina que fará perigosa a filosofia, segundo nos adverte em sua inexorável vontade de poder.                                                          

Não é o filósofo da paz, mas o mestre que inquieta e procura os seus discípulos entre aqueles aos quais deseja o sofrimento, o abandono, a solidão, a enfermidade, os maus tratos, a desonra. Nietzsche não tem piedade deles - e o diz -, confiante de que sejam capazes de experimentar o novo e sobretudo o diverso.                                                   

Reage Nietzsche à estreiteza de opiniões que se transformam em instinto pelo hábito e impedem as novas aquisições do espírito que, por não serem habituais e conforme o convencionalismo, não possuem coesão nem coerência.

Nós vacilamos, mas não podemos mais voltar ao antigo, pois, vivendo num tempo que dá a impressão de um estado uterino em meio aos destroços de culturas antigas que ainda existem parcialmente e nos faz pensar no futuro com melancolia; nossa descendência, já sabemos, sofrerá do passado assim como nós sofremos.                                                

Como uma grande potencia espiritual, Nietzsche tem exercido mesmo antes de sua morte, em 1900, uma influencia opressora sobre o pensamento ocidental. Afinal, não foi ele mesmo quem disse que todo grande pensador, na crença de possuir a verdade absoluta, torna-se um tirano? Sua obra reserva, portanto, a possibilidade de milhões de comunicações.

É por isso que Nietzsche quer que outros continuem a experiência que antes dele outros começaram, entregando-se como ele, como outros antes dele, ao mesmo esforço heróico de ir até o limite do possível, nós que vivemos numa época cuja civilização corre o perigo de ser destruída pelos meios da civilização.

 

DE MORNIDÃO CIVICA

Disse o motorista, após declarar sua repulsa à política – que como uma parte significativa confunde com os políticos -, que já esperava esse clima de mornidão que caracteriza a campanha eleitoral já em curso.

Não faltou aviso, pondera. A prova estaria numa abstenção de um milhão de eleitores que em eleição majoritária anterior deixaram de votar para senador. Não me lembro dessa pesquisa, mas ele disse que eu procurasse no Google… Ele se lembrava de seus votos e confessou-se descrente da classe política.

Criaram o projeto Ficha Limpa, que não teria passado se não fosse a força da internet, mas uns magistrados desmancharam, dando crédito a político que ficou enganchado na Justiça Eleitoral. É sempre assim: dão meio quilo e cobram uma arroba…

Ninguém de bom senso confia em político, arremata, levando-me ao endereço. Hoje o povo não vai mais atrás dos candidatos. Em vez de comício, carreatas. Os automóveis substituíram o povo.  

MARKETING FAJUTO

domingo, 8 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Roda por aí um marketing de campanha que me parece furado. Vi-o pintando num carro, parado num sinal. “Uma guerreira no senado”, vende a peça aos incautos.

Logo percebi que era a propaganda da ex-governadora Wilma de Faria, que há bons vinte anos obteve a prefeitura de Natal assim embalada de acordo com a ocasião e o propósito. Agora, porém, Wilma já não é tão moça e a couraça de guerreira deve pesar-lhe um bocado.

Sobretudo deve mostrar-se inutil e despropositada, pois não corresponde mais ao apelo do passado. Wilma já deu o que tinha de dar. Agora precisamos de parlamentar capaz que honre compromissos. Garanto que nesse embate de titãs pela escolha do melhor marketing - do marketing menos fajuto -, o consultor de campanha Vicente Serejo tenha sido voto vencido…

Sete anos que passou sentada no governo do Rio Grande do Norte, Wilma suportou todo o peso inexoravel dos anos. Como guerreira, já deu o que tinha que dar.Não admira pois que como governadora tenha deixado tudo ao deus-dará, em estado de inação, expondo assim essa tremenda exaustão de quem não tem projetos e não acompanhou as demandas.

Sete anos de retumbante fracasso, de um governo cansado, em diversas frentes e que não viu em nenhum momento o brilho do elmo da “guerreira” em quem o povo já não bota fé, por conhece-la e saber que se trata de uma guerreira avançando apenas na terceira idade. Sem projetos e sem animo para os desafios da vida prática.

Os jovens sobretudo não se veem retratados em vovós. não há sintonia entre a vivacidade e a inermidez.

Wilma precisa mudar um discurso que não empolga mais.

A HORA DO FIM DO MUNDO

domingo, 8 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Recentemente, folheando os jornais li em Carlos de Souza, ao apreciar a obra de autores locais dos quais jamais ouvira falar, mas despontavam na critica de seus livros como geniais, segundo o que eu lia - e não se tratava de uma dessas epifanias tão joyceanas. Ah, não.

Não sei em que se baseava o signatário de tais elogios para fazê-lo, mas o que de fato me chamou a atenção foi a declaração de que, se entendi bem o que li, seria um desperdício escrever bem numa época que faz pouco do talento e da cultura, pois já o mérito não conta…

Nem mesmo escapou a Carlos de Souza o fato irrisório e medonho de que quem manda é a indústria cultural, essa máquina que investe em escrevinhadores, profissionais de segunda ordem destituídos de cultura e estilo, mera força de trabalho à serviço da alta rotatividade que dá o tom e a embalgem das editorias de cultura que jamais praticam a critica e se conformam com o pré-cozido industrializado do mass media.

De fato, como é assim, não vale mais a pena escrever fora desse bordado que movimenta bilhões de dólares, produz em grande volume, entre outras coisas, livros descartáveis que obedecem à tendência, como explorar a recente onda vampirescas ou, um pouco antes, o mítico de laboratório que desova em séries do tipo Harry Potter e sua contaminante parentela.

Confesso que jamais um escrito de Carlão me despertou tanto sobrosso. Uma certa inquietação pelo que nos aguarda numa dessas encruzilhadas da vida, percebida e expressa com tamanha propriedade e pertinencia. A literatura acabou! Os que leem farão parte de irmandades e confrarias secretas, perseguidas pela policia de costumes. A boa literatura, reitere-se.

Realmente, Professor Carlão, estamos vivendo em um mundo em que tudo vale, melhor dizendo, em que o vale tudo domina e prevalece sobre a virtude do perfeccionismo que se agasta com as ‘obras de carregação’, com as peças mal cortadas, mal costuradas e mal chuleadas que produzem os nossos literatos cheios de títulos e ouropéis.

MACBETH NO TEMPO

sábado, 7 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Fragmento de um caderno de notas sem datas:

.Avulta do espólio shakespeariano a tragédia da ambição desmedida, do desejo insopitável de riquezas e poder. Uma tragédia da maturidade que se erige às sombras e sob a influencia de potências infernais. É o Macbeth, possivelmente composta em 1606, logo depois de O Rei Lear e antes de César e Cleópatra.

Há nessa peça que tem como fonte a Crônica da Inglaterra e da Escócia, de Holinshed, a prevalência inexorável do destino que prescreve a ação entre as trevas sulfúricas e as névoas do inverno, numa Escócia moribunda, entre trovões e relâmpagos.

Nesse incessante pesadelo provocado pela insonia e pelo crime há uma noite porém em que os pássaros cantam, sob o luar, quando o rei visita o castelo que será o seu tumulo. Uma noite em que o ar está leve e não supõe malignidades.

Macbeth, thane de Glamis e Cawdor e, depois, rei, comporta o sobrenatural, a traição e o remorso, a falsidade, a hipocrisia e o crime; enfim, uma atmosfera de presságios que nos alerta para o pesadelo urdido por Shakespeare e pela insônia, entre o pio da coruja e o grito do grilo.

.Aos poucos acrescento às minhas notas de leitura. Muito Shakespeare disperso em notas que se achavam perdidas e reaparecem inesperada e utilmente.

Notas sobre Falstaff, Ricardo 3º., Henrique 4º., que não supunha ter escrito. Shakespeare e a política; Shaks. e os políticos; Shaks. e o povo etc. Rei Lear, Hamlet – que não é a minha predileta mas tem coisas de que gosto, como a fala dos coveiros, o ajuste com os mambembes, a encenação que desmascara o crime; Sonho de uma noite de verão; A tempestade; Otelo. Macbeth,o horror encarnado no teatro, o porteiro bebado, o banquete de Lady Macbeth que antecipa a ruina total de reis sem filhos e sem descendencia.

Comédias, tragédias e dramas históricos, reunidas dariam um curto volume de ensaios breves, minimalistas.

.Macbeth, encenado em Natal por atores baianos, segundo a estética grotowskiana inspirada no ritual dionisíaco. Uma cerimônia que exalta o entusiasmo através do desregramento de todos os sentidos.

Assisto com Jacques, no Alberto Maranhão e depois no Forte, à luz de tocheiros e entre libações aos deuses do teatro. Sim, libamos com vinho tinto temperado de suor.

Estou feliz – escrevo – de participar deste momento auspicioso de uma dimensão estética que coloca Shakespeare nos palcos de Natal. E aqui celebra o teatro em sua tremenda energia primitiva, oriunda e vocativa dos rituais sagrados.

Os mortos e os que dormem são pinturas, nada mais,
Shakespeare.

CASCUDO E A POLÍTICA

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Transcrito do

NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Escrevendo em 10 de março de 1950 em sua famosa Acta Diurna, então publicada no Diário de Natal, anotava Luis da Câmara Cascudo que faltava doutrina aos nossos partidos políticos.

Decorridos sessenta anos desde essa data o quadro continua inalterado e talvez agravado pela intromissão de novas culturas políticas, como o Partido dos Trabalhadores (PT), que entre outras coisas questionáveis nos legou o Mensalão, o hábito de esconder dólares em cuecas, a arapongagem fora da lei, os dossiês invasivos e a indigesta pizza parlamentar, recheada dos piores elementos e por isso mesmo indigerível, para a maioria dos brasileiros que repudiam a corrupção, mas costumeiramente, por força do hábito e em consequencia do conformismo e da falta de noção, continuam votando em candidatos notoriamente corruptos.

Cascudo, que por muitos anos cultivou o sonho de tornar-se senador da República, escrevia , confirmando a regra: “os estudiosos da política brasileira, e não seus devotos e pregoeiros, lamentam a ausência de doutrina nos partidos nacionais”.

Reconhecia assim que o mal é velho e para reforçar suas palavras, citava o Visconde de Albuquerque, protagonista e observador da cena política no Império, que no Brasil “a cousa mais parecida com um Saquarema (conservador) no poder é um Luzia (liberal) em condições idênticas”… Mais didático, impossível. Aí está o PT, que desfruta muito à vontade de todos os vícios que condenava nos governistas quando era oposição.

Atendo-se ao momento presente (os anos 50 do século passado), ponderava Cascudo que “agora mesmo ninguém sabe ao certo os elementos essenciais distintivos entre o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN) e apontava para o fato, ainda vigente em nossos dias -, universalmente aceito e reconhecido, distingue apenas os nomes dos chefes “fixados diariamente nos jornais nas escaramuças desinteressantes e frias da sucessão”.

Desse personalismo alienante e alienador resultaria atualmente, como encarnação do PT, esse tipo falastrão, borracho e papudinho que preside e a República, o excelentíssimo senhor Luis Inácio Lula da Silva que, de passagem por Natal, no espaço de uma curta meia hora em que foi matar a fome na churrascaria Sal e Brasa, entornou treze lépidas caipirinhas; sem contar os seus asseclas José Dirceu, Genoíno, Renan Calheiros, Romero Jucá, Antonio Palocci, Aluizio Mercadante, Tarso Genro, José Sarney, Fernando Collor de Melo etc, alguns, no entanto, oriundos de outros partidos, como o PMDB, mas petistas na índole e na maneira de operar no campo da política…

E, nivelando-os por baixo – acrescentarei -, a incansável luta pelo poder e a mais absoluta e desbragada ausência de credo e programática a dirigir-lhes os passos; credo que, numa democracia forjada no respeito às idéias, devia sobrepor-se às simpatias e ao personalismo tão caro e evidente nas tiranias. Nos embates eleitorais, por exemplo, até os planos de governo são ignorados ou sua discussão se faz de maneira fortuita e superficial, pois há no Brasil como que um consenso tácito em torno da sua desimportância – da desimportância, diga-se, da programática e do credo políticos que num país sério deviam reger todo aquele que disputa um mandato popular.

Assim, resumia Cascudo essa deplorável realidade dominante: “Na impossibilidade da adesão pela doutrina programática, (…) decidiam-se pela simpatia dos orientadores nacionais ou estaduais. A frase comum é apenas indicar: - acompanho fulano… Esse fulano é a doutrina… Nada mais”. Comentando então noticiário do The Evening Standard sobre os principais partidos ingleses, observava o mestre norte-rio-grandense que tanto o partido Conservador como o Trabalhista seguiam à risca suas respectivas doutrinas, produzidas não para ludibriar o eleitorado, mas para facilitar-lhe a escolha de seus representantes.

Informava Cascudo que o processo de esclarecimento do corpo eleitoral ainda não havia chegado ao Brasil, embora reconhecesse que naqueles anos 50 – em relação aos anos 30, por exemplo - já estávamos irretorquivelmente cem por cento mais esclarecidos, mas essa posição seria quase sempre impulso natural, orgânico, “irresistível no espírito popular, desajudado pela demagogia prometedora do período das propagandas, mas sempre ansioso de elevação e eficiência de sua representação parlamentar”.

DE COMO RECONHECER UM (FALSO) LITERATO
Disse Borges que, para desmoralizar um falso escritor faz-se suficiente dar-lhe o titulo de “doutor” e “excelência”. “O poeta dr. Fulano de Tal desencarnou e foi morar noutra dimensão”, eis aqui um bom exemplo dessa arte da injúria com que se divertem os mestres atentos ao uso da linguagem forjada a partir do mau uso das palavras, ou seja, das palavras escolhidas sem rigor ou recolhidas de um vocabulário indigente acomodado ao lugar-comum. Outra forma terrível de achaque seria dizer que um escritor faz sucesso e vende bem…

É evidente que um escritor cônscio do que cria pode utilizar-se de um ou outro termo especioso, não para ornar-se como faz o carnavalesco que abusa das lantejoulas e das pedras falsas para embonitar-se e chamar a atenção para os seus meneios e requebros verbais. Geralmente o subliterato usa cinco palavras em vez de uma ou duas para dizer a mesma coisa.

Não. Ele o faz porque conhece a língua e certamente deseja obter um certo efeito de estilo ou até por uma idiossincrasia qualquer que se faz desculpável num talento de verdade. Assim, até o lugar-comum reveste-se de significado quando tratado por quem é do ramo, como João Guimarães Rosa ao transformar o verbo morrer em encantar-se.

Mas, por ser quem é, podia Rosa dar-se a semelhante desfrute sem incorrer no ridículo que enfarpela os diluídores acríticos. Outra forma tremenda seria adotar a fórmula que despacho o falecido para “um outro plano” ou, ainda mais grotesco e risível, “plano astral”. Um escritor de verdade diria simplesmente que o fulano morreu, sem esforçar-se para parecer original, pois morrer é um hábito que sabe ter todo mundo.

O fragmento acima, colhi-o em um dos meus cadernos de notas. Publico-o na suposição de que pode ser útil, pois a experiência me assegura que os maus escritores são os melhores mestres daqueles que se empenham em escrever bem, ou seja, sem inúteis floreios, sem retórica, sóbria e eficazmente como convém à prolixidade do real.

O VADIO NO CAMPUS

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Portador de uma psicopatia que o faz linguarudo, linguareiro, falador, parlapatão, tagarela, abelhudo, chocalheiro, indiscreto, imprudente, leviano, metediço, zabumbeiro, numa curta sentença: o bufão do ano!, assim o dicionário nos ajuda a conhecer sua excelentíssima sumidade o professor-doutor João da Mata Costa, o Joãozinho da Matinha, que tem o juízo e os neurônios que uma galinha tem e devia ser contido para não desmerecer com o seu histerismo galináceo e impudente o Departamento de Física e o blogue Substantivo Plural que lhe publica a caganeira mental. (Aqui, apesar do seu doentio empenho em aparecer, cortei-lhe as idiotias inesgotáveis que faziam alguns leitores rir.)

Eis como se apresenta essa secundária personagem da comedia natalense - uma especie de individuo para nao ser levado á serio -, um misto de vadio e leviano que só produz vacuidades, padece João da Mata de uma terrível psicopatia que o atrai para a ribalta, para o fulgor dos holofotes, como uma mariposa tonta que vai acabar com os costados esturricados…

Embora tenha só o uropígio para mostrar, mecanismo mau cheiroso pelo qual se expressa e se comunica por faltar-lhe juízo e massa cinzenta, o autodenominado bibliófilo - que pouco deve saber dessa ciencia - não tem desconfiômetro e nao desconfia que seus faltos amigos o jogam numa fogueira ao dar-lhe corda, estimulando-lhe a vaidade e a carencia de siso. Nele, vitima dessa enfermidade que o faz curto de idéias e tapado de entendimento, salta aos olhos no entanto a figura de um boçal bufão que dá o que falar à província.

Ainda conhecido por ter o zangador perto e a estultícia em carne viva, tem o ilustre e endomingado intelectual conterraneo a mania de querer entrar no céu a força, escudando-se na presunção de que é um intelectual notável, um escritor, um bibliófilo – esporte caro só acessível a intelectuais da cepa de um Vicente Serejo, de um Miguel Josino, de um Livio Ramos –, um professor-doutor da UFRN, e segundo se faz corrente nos sebos da cidade, não tem no uropígio o que um periquito roa…

O professor-doutor João da Mata Costa é um tipo que inspira as piadas mais burlescas. É, na condição de escritor, um boquirroto, um pavão com desinteria, ciscando sob a lápide do cânone potiguar.

O RIDÍCULO EM PESSOA

domingo, 1 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

Recebi do excelentissimo Sr.Prof. Doutor João da Mata Costa canina diatribe que caracteriza uma pessoa inteiramente desequilibrada e pouco afeita a civilidade e aos princípios básicos da livre expressão. No entanto, um academico, um universitário, uma autoproclamada autoridade. Acritico e espaventoso.

Consegue ser professor da UFRN em tempo integral e viver grudado na blogosfera, metendo o bedelho onde não é chamado; opinador compulsivo de tudo, acaba misturando alho e bugalho. Mestre, da confusão e do pensamento caótico.

Não admira, o sujeito é vaidoso e quer aparecer na pia para ser falado. Não bastasse já ser imputado como linguareiro, linguarudo, maledicente, irresponsável, inculto e abusando de juízos confusos e precipitados.

Este o bibliófilo João da Mata Costa, recentemente ridicularizado por Alex Medeiros.

O inverso do catedrático que se vende na pedra como “professor doutor” do Departamento de Física da Universidade Federal do RN e de qualquer fórum que lhe permita botar o uropígio de fora.

“Exigiu-me” e ao jornalista Cassiano Arruda Câmara “direito de resposta”, esse bufão inválido, João da Mata, cuja língua, fora da boca, não cabe em casa. Imediatamente publicada como mimo ao engenho critico e analítico dos que acessam esta página que está prestes a completar 200 mil acessos. Afinal, quem escreve nesse estilo, ei-lo senhores internautas: “Tinha limitação de espaço e, por isso mesmo, limitei…(sic!)”

Embora integralmente publicada em Comentários, reproduzo a seguir trecho da carta em que João da Mata exige-nos direito de resposta, uma coisa que já não é mais necessário exigir pois sabem as pessoas inteligentes que não convém falar sozinho, que a réplica é coisa saudável e natural entre civilizados (mesmo quando um deles tem apenas uma deficiência…).

Leiamo-lo:

“Enviei o release da exposição para a imprensa e alguns blogs de cultura do estado. O editor de cultura do Novo Jornal entrou em contato com a minha pessoa- curador da exposição- e enviou um jornalista para me entrevistar. A entrevista feita pelo jornalista Aléxis Peixoto foi muito boa e o conteúdo parcialmente reproduzido na edição do Novo Jornal do dia 29 de Julho de 2010. Digo, parcialmente, pelas agressões a que foi submetido publicamente pelo editor de cultura do Novo Jornal.
E enfatiza, de maneira pueril e vaidosa, para nos fazer crer que é uma sumidade provinciana:

“Sou professor da UFRN há 35 anos e já montei inúmeras exposições. Numa presenciei algo semelhante por um jornalista que se propõem a informar e não distorcer os fatos. O senhor Franklin Jorge publica a matéria com chamadas que distorcem a boa entrevista do jornalista Aléxis. Logo no início ele escreve em letras garrafais: SEM CRITÉRIO.

“Depois, nos comentários intitulado “Alhos e Bugalhos” escreve que eu prestei um desserviço à cultura norte-rio-grandesnse e, ao final, diz que João da Mata corre o risco de se tornar uma figura folclórica (sic)…

Da Mata toma ar e desfere com a graça de uma anta e a rapidez de Bâmbi: “Quem é o jornalista para julgar as pessoas e fatos? “

Gostei mais, como veem, do seu ego inchado sem simancol, mais uma figura que fazia falta ao folclore cultural da cidade, por sua incultura, língua de malicia interminável, lavado esfregado e limpo de desconfiômetro, de senso de ridículo, nem um níquel de bom senso e escrúpulo intelectual.

Que me lembre, em tintas foscas e sucintas, o retrato do excelentíssimo senhor professor doutor joão da mata costa. Há outros matizes nessa paleta a que ele certamente me dará ensejo para usar.

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO

domingo, 1 de agosto de 2010

Por Franklin Jorge

.Um escritor deve escrever para poucos, professava Borges, que escrevendo só para si mesmo alcançou uma popularidade universal. Foi assim o mais influente escritor da sua geração e da segunda metade do século 20.

Escritor de uma linhagem aristocrática, paulatinamente substituída por uma caterva de escrevinhadores sem distinção intelectual, o autor de O Aleph tornou-se o desfrutador generoso de uma cultura enciclopédica e mantendo-se indiferente ao sucesso que considerava algo subalterno, mesmo quando não deliberadamente procurado ou vaidosamente cultivado. Era o seu caso, já por demais conhecido e explicitado em sua crescente fortuna biobibliográfica.

Tinha lá Borges suas razões para pensar e agir assim, sem concessões, produzindo sem perseguir ou cortejar o reconhecimento, embora faça parte da natureza do poeta o desejo de distinguir-se através da criação que algumas vezes o coloca, quando se trata de artífice provido de cultura e talento, na condição de cúmplice de Deus.

Ademais, que importância pode ter afinal a notoriedade para o estilo ou para a grandeza intrínseca de um escritor, como Borges, especialmente culto e talentoso, ou seja, talentoso e culto a ponto de abarcar o conhecimento que constitui o capital indepreciável de gerações? Que saibamos, nenhuma que seja válida e necessária à qualidade da obra, que se afirma através de valores subjetivos e sem nenhuma relação com o êxito.

.O desejo de distinguir-se faz o artista, disse-o Harold Bloom, que cito de memória e certamente de maneira infiel, isto é, não literalmente, pois como escritor sempre tenho o impulso de dizer de outra forma ou segundo o estilo que me caracteriza e é peculiar, como a personalidade individualizadora. O que ele quer, sem confessá-lo, é reconhecimento, aplauso, distinção.

.A forma é o produto final desse conúbio misterioso entre personalidade, talento e cultura, não tendo portanto nenhuma relação com o conteúdo – que não determina coisa alguma -, ao contrário do que tem proclamado a critica marxista em voga até os anos sessenta.

.Minha notória incapacidade de manter a regularidade de um diário, tantas vezes iniciado e interrompido quando não desprovido das datas, necessárias a contextualização dos fatos. Tudo me distrai ou me inibe tudo o que me parece excessivamente pessoal e intimo, subjetivo ou irrelevante, como o que me acontece a mim, o individuo, ainda mergulhado na circunstancia.

Nem mesmo me atenho as datas (repito), o que me tem levado a cometer pequenas imprecisões ao reportar-me, anos depois, aos acontecimentos; falhas gravíssimas, sobretudo estivesse eu empolgado pelo exercício cronológico tão caro à historiografia.

Minhas ambições, porém, são de outra natureza e feitio. Absolve-me (quero crer que absolve-me) nesses casos a ambição de tornar-me um “escritor literário” o que me faz infenso a certas exigências de cunho cientifico.

.Apraz-me em principio os prazeres que decorrem do pensamento e de uma prática intelectual que por temperamento e índole impõe-me a duvida e a insatisfação como regra, a reflexão e a análise como método etc. Está numa carta que escrevi a Ascendino Leite. O que por acaso suscita-me a atenção e o interesse, como observar quão defeituoso resulta o julgamento e a contemplação do que está próximo.

.Redobrada atenção para o perigo corrosivo do elogio, que só pode ser tolerado quando proferido de maneira parcimoniosa por quem tem valor e mérito. Que afague o ego sem inchá-lo…

.Nenhuma simpatia de minha parte pelo que é subjetivo e hermético no exercício das letras, como a apreciação da poesia, que só posso atribuir a uma deformação profissional decorrente da pratica jornalística que recomenda e impõe como primeiro dever a objetividade, a clareza e a transparência dos juízos que devem ser construídos e transmitidos sem retórica nem percalços.

Daí a minha natural ojeriza aos literatos que se cobrem de ouropéis e bijouterias. Tudo isto resumido numa prosa que oscila entre raquítica e empanturrada de frases feitas, adiposa, cheia de ênfase e protelações.

.Bataille pensa e medita sobre e contra Nietzsche, que admira, contesta e [x]. Beneficiário do conhecimento posterior, amplia a leitura do mestre da aniquilação e através de uma prosa aforismática nos propicia o céu ilimitado que os gregos clássicos chamavam de empíreo.

Meu é um exemplar editado por Taurus Ediciones, que dele publicou também alguns outros títulos publicados no Brasil: La experiência interior, El culpable, Teoría de la religión, a Literatura e o mal e Sobre Nietzsche, de subtítulo Voluntad de suerte [1972, 1986 Madrid. Depósito Legal: M. 9.787-1986.] Por que anoto tanto?

Há uma nota do tradutor:
“O estilo de Georges Bataille está muito longe de ser ultra clássico e impecável: prefere a força expressiva à correção (…)”.

Um escritor que lê e relê Nietzsche em sua dimensão humana e filosófica, no solitário que pensa e se obriga a escrever para não ficar louco. Percebe que há na essência do homem um movimento violento, sucessivo, que quer a autonomia, a liberdade do ser. Em seu livro pondera sobre a trágica vaidade da agitação, do entendimento do mal como o contrário da coerção; e, em síntese, Nietzsche um filósofo do mal?

Minhas eterna recorrência de Nietzsche com quem aprendo – pois o conhecimento é contemporâneo – que a causa corta as asas, porém a ausência de causa nos arroja à solidão e provoca a enfermidade do deserto, a solidão, grito que se perde no deserto do amor. Que fácil era a moral antiga. A busca mitológica do amigo.

Tudo se encontra em Nietzsche, como em Shakespeare e, naturalmente, em Borges.

Nietzsche antecipa essa época que produz melodias alegres que são de uma tristeza absoluta. Nosso inferno e nossas trevas estão demasiado próximas de nós, quer dizer-nos a seu modo. Ele previu que seus contemporâneos estariam vivendo no futuro.

Nietzsche é a comunidade, apesar de não fundar seu ideal moral nem compor seu poema trágico. A existência não pode ser autônoma e viável, escreve Bataille em sua aproximação de Nietzsche, pai amado e assassinado em aforismos que releio, sentado a uma mesa da cafeteria, diante de uma fumegante xícara de capucino. Ele previu que virá uma época cultural em que será de mau tom ler muito.

Primeira Parte, O Sr. Nietzsche; Segunda Parte, La cumbre y El ocaso; Terceira Parte, Diários (“Fevereiro-agosto 1944”); Apendice…

Sobre Nietzsche (Voluntad de suerte). Uma das mais singulares leituras e do que se pode definir como livre, o método que surge de uma desordem intolerável, a mais intima destruição, estranha confusão, juízo sem limite de si mesmo, de si e de todas as coisas.

NO TERRITÓRIO DA ‘CURTURA’

sábado, 31 de julho de 2010

Por Franklin Jorge

Se me contassem, não acreditaria. Mas fui testemunha, afinal, do baixo nível cultural que impera na Fundação Capitania das Artes e do despreparo e indigência intelectual de uma equipe forjada segundo critérios que estão muito abaixo da critica. No mesmo nivel de indigencia intelectual e profissional do estado ‘verde’ empurrado pela barriga pela prefeita Micarla de Souza.

Se o presidente fosse despreparado mas a equipe qualificada e preparada para resolver problemas, propor ações e superar desafios, ainda haveria alguma chance de salvação para a instancia cultural dessa prefeitura ‘verde’ que vegeta em estado de indigencia e pauperismo em matéria de gestão e empreendimento. Mas a má qualidade, lá, é generalizada e dá a medida do que a prefeita Micarla de Souza entende por “cultura”.

Recentemente, na condição de mero particular interessado no financiamento de projetos culturais, estive lá, para obter informações sobre o Fundo de Incentivo à Cultura e me deparei com uma situação verdadeiramente esdrúxula.Absurda. Completamente surrealista.

A assessora, que me foi apresentada sob o nome de Ilana, embora prestativa e gentil, parece ser daquelas pessoas que não sabem aonde o galo canta ou sabe das coisas “por ouvir dizer”, sem conhecimento direto. E o que é mais grave, sem querer despojar-se de sua certezas, de suas convicções e sobretudo duma espécie de arrogante teimosia que não tira lições dos erros.

Sua missão - da funcionária que me recebeu naquela fatidica manhã de sexta-feira - pareceu-me ser uma só, a de justificar o injustificável e não me convenceu, sobretudo ao querer convencer-me de que os artistas deviam trabalhar de graça para a instituição que tem se notabilizado por lesar e ludibriar os produtores culturais, sendo até cobrada na justiça pelo pagamento de prêmios que foram criados sem o devido provimento de fundos.

Uma verdadeira aberração, a Funcarte, que tem um histórico de desrespeito contumaz aos artistas e à sociedade natalense, o que não é de hoje. Por lá já passaram figuras como Gileno Guanabara, Rejane Cardoso Serejo Gomes,Rinaldo Barros, Isaura Amélia Rosado, Dácio Galvão e Julio César Revoredo, substituído pelo atual, jornalista Rodrigues Neto. Nulidades ostentosas que cobriram as paredes da sede da Fundação Capitania das Artes de placas comemorativas de ações que resultaram em nada ou em prejuizo para a cultura a que diziam servir.

Mas, como se diz e se repete por toda a parte sem que a prefeita dê solução para o problema, a Funcarte decaiu a um tal nivel que chega a despertar em todos uma reação ambivalente de repulsa, piedade e indignação, ao constatarmos de maneira tão crua e indefensável o pouco caso que Micarla de Souza faz de um assunto sério, a cultura de um povo.

NITROGLICERINA VIRTUAL

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Por Franklin Jorge

Está circulando na Internet o áudio de uma suposta conversa telefonica entre a prefeita Micarla de Souza e Aquino Neto que é nitroglicerina pura. O assunto envolve o vereador Paulo Wagner e sugere que há extorsão no ar…

Aquino, cobra criada, esquiva-se de ajudar o velho companheiro alegando o mau estado de suas finanças, porém deve haver nisso certo exagero e muita esperteza do vereador tarimbafissimo, como poucas vezes se viu em Natal…

Afinal, ele é o rei do Planalto e pelo que se sabe nunca foi flagrado rasgando dinheiro.