Arquivo da Categoria ‘Personalidades’

O EXPLOSIVO PADRINHO DE EVO MORALES

sábado, 31 de julho de 2010

Associated Press

Valentín Mejillones, o sacerdote aimará que abençoou a posse de Evo Morales em janeiro, foi preso com 240 quilos de cocaína líquido, ao lado de um casal de colombianos, nesta quinta-feira, 29.

De acordo com o diretor do departamento antinarcóticos da polícia boliviana, ele foi detido na noite de terça-feira em sua casa, em El Alto, na Grande La Paz, processando cocaína, vestindo suas roupas cerimoniais. O filho do sacerdote e um casal de colombianos ainda não identificado pela polícia estavam no local do crime.

“Fui enganado pelos colombianos, não tenho nada a ver com isso. Lhes fiz um favor, me disseram que iam fazer pastilhas de ervas e pomadas”, disse o acusado.

“Não importa quem seja, a pessoa que cometeu irregularidades deve submeter-se à lei”, disse o vice-presidente Alvaro Garcia. “Não foi escolhido pelo presidente, mas pelos religiosos andinos”.

Segundo a polícia, a cocaína foi avaliada em US$ 300 mil. O forte cheiro de produtos químicos que exalava da casa fizeram os vizinhos acionarem as autoridades.

O sacerdote de 55 anos participou da posse do segundo mandato de Evo, em um rito andino celebrado no maior tempo arqueológico da Bolívia. Mejillones tem o título de amauta, o maior líder espiritual da religiosidade andina.

LULA ‘TRABALHARÁ’ QUANDO DEIXAR O GOVERNO

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Por Josias de Souza

“Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas”.

Lula, no comício das blasfêmias, explicando que ficar 60 anos longe da escola, 30 longe do trabalho duro e 20 em cima de palanques é pior que o Calvário.

A cinco meses do término do mandato, Lula faz o inventário de seus oito anos e tenta montar uma agenda para preencher o ócio pós-governamental.

Sobre o arrolamento dos feitos, já disse que pretende registrá-lo em cartório. Quanto ao futuro, declarou que não se aposentará da política.

Tem, por ora, dois desejos declarados: rodar o Brasil e exportar para países da América Latina e da África sua estratégia de combate à pobreza.

Em entrevista ao Diário de Pernambuco, Lula revelou, numa das respostas, um novo detalhe do seu plano para contornar os riscos da ociosidade.

“Pretendo continuar a contribuir na política brasileira, não me metendo em questões do dia a dia, mas levantando bandeiras fundamentais para o Brasil”.

Não mencionou todos os estandartes que planeja desfraldar. Mas citou aquele que lhe parece prioritário. Vai “começar pela reforma política”.

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Lula se dispõe a fazer como ex o que não fez em oito anos de presidência.

Desde FHC, sempre que o governo ficou sem agenda, o Planalto retirou da gaveta dois projetos: a reforma tributária e a política. E nada.
Em sua defesa, Lula costuma dizer que enviou ao Congresso um projeto tributário e outro político. Não passaram? A culpa não é dele. Bobagem!

Faltaram ao governo empenho e método. Assim como FHC, Lula dispõe de maioria congressual. Nutre-a com cargos e verbas. Mas abesteve-se de acioná-la.

Quanto à proposta política, anunciada como “reforma fatiada”, o PT de Lula tentou servir apenas as duas fatias que lhe interessavam.

São elas: financiamento público de campanha e voto em lista para deputado. O primeiro pedaço é antídoto envenenado.

A instalação de um duto ligando as arcas de campanha à bolsa da Viúva não extinguiria o movimento dos envelopes de dinheiro por baixo da mesa.

O segundo remédio, as listas de deputados, foi à mesa como vitamina para os partidos. Na verdade, era anestésico para o eleitor.

As legendas comporiam listas de candidatos e serviriam aos donos do voto pratos (mal) feitos. Um acinte.

Dias atrás, José Serra contou, numa entrevista de rádio, que procurou FHC e Lula no alvorecer dos mandatos dos dois.

Sugeriu a ambos que aproveitassem o frescor das urnas recém-abertas para por de pé a reforma política. Foi rebarbado por um e por outro. Não havia interesse.

Agora, num instante em que se prepara para vestir o pijama de ex-presidente, Lula promete se converter num levantador de bandeiras.

Há sempre a possibilidade de alguma escola de samba convidar Lula para ser o porta-estandarte do Carnaval de fevereiro de 2011.

Fora disso, a promessa do quase-ex-presidente vale tanto quanto a “reforma fatiada” que, como presidente, depositou no Congresso: Nada.

MENTE BRILHANTE

sábado, 17 de julho de 2010

Frases e citações de Dilma Rousseff coletadas por Gabriela, do site Movimento Ordem Vigília Contra a Corrupção

“Não sou poste”.

“É verdade: eu sou uma mulher dura cercada de homens meigos”.

“Na vida a gente não sobe de salto alto”.

“Aliás, nós, brasileiros, temos esse hábito de sermos capazes de enfrentar obstáculos, de transpô-los e de sairmos inteiros do lado de lá”.

“Não tenho por que dar entrevista três vezes por dia. Eu dou uma vez por dia”.

“Eu não tenho medo” (depois de atravessar uma avenida fora da faixa de pedestres).

“Também temos uma… um posicionamento claro a respeito da necessidade de cada país do mundo dar um… uma contribuição no que se refere ao crescimento econômico de todos os países do mundo”.

O CARA DE VERDADE, O DAQUI É ‘GÉNERICO’

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Por Ucho Hadadd,
Do ucho.info

Calorosa recepção a Mandela em estádio causa inveja a Lula da Silva

A cerimônia de encerramento da Copa da África do Sul, em Johanesburgo, quem começou duas horas antes da partida que terminou com a vitória do onze espanhol, esbanjou tecnologia e contou com a colombiana Shakira cantando mais uma vez o hino oficial da competição, “Waka Waka”.

Porém, o momento mais marcante do evento aconteceu logo após o encerramento do show. Líder do movimento antiapartheid e ex-presidente da África do Sul (1994-1999), Nelson Rolihlahla Mandela, 91 anos – completará 92 anos no próximo dia 18 de julho –, atravessou o gramado do Estádio Soccer City a bordo de um carrinho elétrico e foi ovacionado por mais de 84 mil torcedores que lotavam a arena esportiva.
Símbolo maior da África do Sul, Nelson Mandela – ou Madiba, como é chamado pelos sul-africanos –, sempre terá a própria história confundida com a luta pela liberdade.

Na última sexta-feira (9), o presidente Lula da Silva anunciou que não participaria da cerimônia de encerramento da Copa e a partida entre Holanda e Espanha. Como antecipou o ucho.info, a decisão do presidente-metalúrgico de antecipar o retorno ao Brasil teve razões meramente políticas.

Vice-presidente da República e no exercício da Presidência, o mineiro José Alencar Gomes da Silva foi acometido na última semana por problemas de saúde e foi internado às pressas no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Por sorte Lula da Silva não esticou sua estada na África do Sul, pois os aplausos a Nelson Mandela certamente obrigaria o presidente brasileiro a recuar no tempo e recordar a sonora e vergonhosa vaia de que foi alvo no Estádio Mário Filho, o Maracanã, por ocasião da abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Depois do fatídico episódio, Lula da Silva rumou para Brasília e mergulhou naquela famosa água que nenhum passarinho ousa beber.

OS POLITICOS E SUAS VERSÕES DOS FATOS

domingo, 25 de abril de 2010

Do site Economist

“A verdade o libertará”, disse Jesus no Evangelho Segundo João, assim como o autor Rod Blagojevich em seu livro “The Governor” (O Governador, em tradução livre).

Blagojevich, ex-governador do estado norte-americano de Illinois, destituído em janeiro do ano passado, lançou seu mais novo livro: uma coletânea de memórias políticas que chegaram às livrarias norte-americanas no dia 8 de setembro.

Mas este não é o único livro do gênero a ser lançado no momento. Quase toda a equipe da Casa Branca durante a Administração do ex-presidente americano George W. Bush está escrevendo livros atualmente.

A antiga secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice é um exemplo. Ela fechou um acordo para lançar três volumes sobre sua vida política.

Para os políticos, é benéfico escrever suas autobiografias por vários motivos. Primeiro, porque ganham dinheiro com suas vendas. O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, por exemplo, recebeu um adiantamento de US$ 15 milhões para “My Life” (“Minha Vida”, na tradução livre), lançado em 2004.

Mas um político também tem outros propósitos ao lançar um livro sobre sua vida profissional, já que serve para solidificar o legado deixado por seu tempo no poder, ou, em alguns casos, tentar consertá-lo.

Depois de vários livros criticando a administração Bush, o ex-presidente agora quer contar a sua versão da história, através de “Decider” (Decisivo, na tradução livre), livro sobre suas tomadas de decisões mais importantes.

PADRE, JORNALISTA E POLÍTICO

quarta-feira, 24 de março de 2010


Por Franklin Jorge

O padre João Manuel de Carvalho, norte-rio-grandense e patrono de importante logradouro em Natal, notabilizou-se durante a monarquia e inícios da República, sobretudo, por seu temperamento e jornalismo desabrido a serviço da política partidária, pois era homem de opinião e ação que nunca ficou em cima do muro vendo as coisas acontecerem. Pároco da Candelária, no Rio de Janeiro, representou o nosso estado em duas legislaturas tumultuosas.

Tinha a justa fama de ter a língua de prata. Seu texto, embebido de puro vitríolo, era nitroglicerina pura. Corajoso e independente, colocava as ideias acima de seus interesses, deixando disso testemunhos públicos e privados. Como jornalista militante, era sempre do contra, por entender o jornalismo como uma advocacia popular a serviço dos cidadãos e não daqueles que se refestelam no poder, desfrutando as benesses do servilismo interesseiro. Costumava dizer o padre João Manuel, esse anti-Aretino por índole e temperamento, apostrofando o jornalismo que se vende: “Repórter é sempre parente do governo”, e estava conversado.

Ninguém, melhor do que ele, para dar esse diagnóstico, após ter dirigido dois combativos jornais cariocas, o “15 de Julho” [1870] e “A Nação” [1872-76], que deram eco à sua implacável campanha contra a sociedade política e burguesa de sua época, aliás, tão parecida com a atual.

Colaborador do “Jornal do Commércio” e, posteriormente, quando radicado em São Paulo, redator-chefe do “Correio Amparense”, já na República tornou-se um critico implacável do Governo Provisório, jogado em massa na fogueira, na figura de seus ministros, parlamentares, generais, anatematizados todos com as tintas da sátira e do ridículo.

Embora padre, nada tinha de piedoso, esse João Manuel de Carvalho, autor, também, de um livro de memórias ainda capaz de nos despertar o prazer do riso. Sobre o Marechal Floriano Peixoto, nascido antes do tempo na cidade alagoana de Porto Calvo - portanto conterrâneo do traidor Calabar -, destilou: “Monstruoso na ordem política, esse homem foi fenomenal na ordem da natureza. Ninguém se admire do que fez ele ao visconde de Ouro Preto, nem ao Marechal Deodoro, nem aos congressistas, nem à Nação, nem à Republica, nem à Federação, nem a si mesmo. O senhor Floriano Peixoto traiu a própria mãe que o pariu, a ele, porque fez-lhe a torpeza de nascer de sete meses e em Porto Calvo. Ora, procedente de porto calvo e tendo tanta pressa em vir ao mundo devia tornar-se um verdadeiro prodígio… na traição”.

E, não satisfeito com as estocadas, acrescentava sem perder o fôlego: “Pela pressa com que quis nascer, saiu completamente torto, tanto no corpo como na alma. ‘Pé torto, alma torta’, disse dele Pardal Mallet. De perfeito acordo”.

Frente ao cenário político que temos diante dos nossos olhos perplexos, só nos resta lamentar que não tenhamos em Mossoró algum padre como esse, para detonar figuras ridículas e venais, quando não destrambelhadas e manipuladoras, como grande parte dos nossos politicos de plantão.

QUE FALTA NOS FAZ DARCY

terça-feira, 16 de março de 2010


Por Cristóvam Buarque*

O Brasil tem personagens históricos na atividade política, outros na produção intelectual, ainda outros na coerência da vida pública. Mas poucos têm tanta riqueza na carreira, no currículo, na biografia. Entre esses, Darcy Ribeiro é quase um solitário, de tão especial.

Teve papel determinante na vida pública, sempre presente nos momentos decisivos da nossa vida pública durante décadas no século XX. Esteve na luta pelas reformas de base, última tentativa para fazer uma inflexão democrática com fortes reformas sociais no Brasil. Esteve na luta pelo socialismo democrático no Chile. Foi vice-governador, secretário de cultura, reitor e senador. Nessas atividades, criou, implantou, fez a Universidade de Brasília, o Sambódromo, a Lei de Diretrizes de Base da Educação Brasileira, os Cieps.

Só isso bastaria para fazer dele um personagem importante da nossa história. Tem também um currículo intelectual que raras pessoas, de qualquer país, podem apresentar. Escreveu mais de 20 livros – sem contar ensaios e artigos – sobre história, educação, antropologia e literatura, alguns deles clássicos como O povo brasileiro, Trancos e barrancos, Sobre o óbvio, Maíra, Mulo, Kadiwéu. Quando fundou a UnB, definiu a arquitetura institucional que servirá por muitas décadas como linha central das instituições de ensino superior.

Mas, além disso, ele tem uma biografia, uma vida no sentimento humanista, na militância, na realização existencial, que nenhum outro homem público e intelectual brasileiro conseguiu. Sua permanência por anos entre povos indígenas, sua intensa vida amorosa, seu heroísmo na luta contra o câncer, fizeram dele um grande ser humano.

Com toda essa relação, Darcy Ribeiro foi grande ao afirmar que se orgulhava do que fez, tanto quanto do que tentou e não conseguiu. Orgulho dos fracassos que ficaram como símbolos da coragem e da coerência. Não conseguiu fazer tudo o que planejou porque sempre esteve à frente de seu tempo e nem sempre se consegue o número necessário de seguidores, quando se está adiante e sem submissão às idéias do seu tempo.

Por isso, costumo dizer que, quando crescer, gostaria de ser Darcy. Mas já cheguei a uma idade que me impede de imaginar que conseguirei. Nem eu, nem qualquer outro. Darcy foi Darcy, e ninguém mais chegará perto de sua vida tão plena.

Que falta nos faz Darcy! Se pudéssemos tê-lo aqui, defendendo o que só agora começa a tocar a mente das pessoas, o veríamos pregando que o progresso vem da inteligência, e não das engrenagens da indústria; que é preciso educar os analfabetos, não só garantir-lhes emprego. Se ainda estivesse entre nós, nos ajudaria a derrubar dois muros que emperram o Brasil: o muro do atraso e o muro da desigualdade. O muro do atraso não nos deixa ser um país igual aos desenvolvidos, por falta de ciência e tecnologia. O muro da desigualdade não nos deixa quebrar a maldita desigualdade perversa de cinco séculos, por falta de educação igual para todos. Se ainda o tivéssemos no plenário do Senado, o veríamos criticando a cultura patrimonialista que tem levantado crise após crise nesta Casa do Congresso Nacional.

Orgulho-me de ter sido seu discípulo e ter merecido dele uma dedicatória, em 1996, no livro Diários índios. Com a doença avançada, mas com o humor e o otimismo de sempre, ele escreveu: “Para Cristóvam, meu candidato do peito a presidente do Brasil. Não podendo ser eu, que seja você.” Dez anos depois, cumpri esse compromisso com ele: minha candidatura, tão quixotesca quanto ele, foi minha homenagem, minha luta para, quando crescer, ser Darcy.

(*) CB é professor da Universidade
de Brasília e senador pelo PDT/DF

A PRÓXIMA ATRAÇÃO

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por Franklin Jorge

A grande novidade da quinzena: o jornalista Vicente Serejo é o entrevistado da próxima edição da revista Palumbo, editada pelos jornalistas Osair Vasconcelos e Albimar Furtado, dois craques no ofício, ambos oriundos do Diário de Natal onde trabalharam até recentemente, ou seja, até a débâcle do antes prestigioso jornal de Luiz Maria Alves.

Autor de uma crônica retórica e enjoativa que alguns pseudo-intelectuais insistem em consagrar, dando-lhe o status de literato e de cascudiano emérito, Serejo tem andado meio cabisbaixo desde que o deputado Robinson Faria lhe puxou as orelhas por causa de uma notinha publicada em sua famigerada coluna do Jornal de Hoje.

Resumindo, para não enfadar o leitor com detalhes inúteis, o presidente da Assembleia obrigou-o a desdizer-se e a pedir desculpas, o que ele fez numa presteza digna do carnatalesco Gustavo Carvalho, quando a governadora dava batidos e carões no deputado na frente de seus pares e ele, humildemente baixando a cabeça e o bestunto, agradecia-lhe o favor de corrigi-lo…

Não consigo descobrir o que Serejo ainda teria a nos dizer que seja novidade. Depois de abanar-se com o seu vistoso leque de contracheques palacianos e da sua decisiva colaboração na falência moral do jornalismo provinciano, nada do que ele diga poderá surpreender o leitor, sobretudo depois desse escândalo envolvendo o deputado Henrique Eduardo Alves. A não ser que algum dos entrevistadores tenha a esperteza de lembrar-se, ao entrevistá-lo, que em seu afã monetarista ele terá sido o precursor da insuperável “Vovó Socialista” e de interrogá-lo a esse respeito. Aí sim, seria uma grande novidade.

Não se sabe ainda de que cabeça brilhante terá saído semelhante pauta que deu uma sobrevida ao cronista da Rua da Frente. Ora, Serejo é apenas um propagandista do seu próprio ego, como diria o venerável monsenhor Honório. Como bananeira que já deu cacho, ele não tem mais o que dizer e, por outro lado, já faz parte do passado questionável do jornalismo, sem ter chegado a integrar, de fato, a literatura.

Falastrão icorrígivel, transformou-se com o tempo numa hilária personagem a que o escriba hipócrita de Caicó sempre recorre quando quer dar lamboradas no ridículo. “Serejo inteligente?” – indaga um leitor do seu blog, isto é, do Blog do Ailton, autor daquele antológico “Jornalismo S.A.” que pretende ser o proêmio da biografia do titular da Cena Urbana. “Pode ser”, pondera o comentarista anônimo, ressalvando que “em terra de cego sem imaginação…”

Como outros leitores, estou querendo saber o que lhe foi perguntado. Desta forma saberemos, finalmente, que espécie de jornalismo a revista Palumbo pretende oferecer aos seus leitores.

UMA VISITA INCONVENIENTE

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por Ricardo Galuppo*

Em seus sete anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumulou um capital político invejável - que encontra sua melhor tradução na popularidade elevada junto ao eleitorado brasileiro e no prestígio internacional sempre crescente.

Onde quer que vá, é recebido com honras superiores às que são devidas a um chefe de Estado.

O estilo descontraído, a tranquilidade com que aborda temas delicados, a autoridade com que cobra dos países ricos soluções para problemas que sempre pesaram sobre as costas da parte mais pobre do mundo transformaram Lula, sem a menor sombra de dúvida, em um dos principais líderes internacionais do século 21.

Na definição precisa de seu colega americano, Barack Obama, o presidente do Brasil “é o cara”.

Pois bem… Parte do capital que Lula acumulou nos últimos anos está sendo descartada esta semana, com a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

É uma parte pequena, deve-se reconhecer, e não deverá alterar de forma substancial e repentina o prestígio internacional de Lula.

Mas, daqui por diante, sempre que Lula defender uma tese mais delicada, poderá surgir alguém para lhe apontar o dedo e lembrar que ele escolheu seu lado ao receber uma figura controvertida como Ahmadinejad.

Em outras palavras, esse é o tipo do encontro em que o visitante ganha tudo e o anfitrião só tem a perder.

Nem mesmo o apoio do iraniano à antiga pretensão de Lula a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU deve ser vista como vantagem.

Por tudo o que ele representa no mundo, com certeza, o apoio de Ahmadinejad mais tira do que confere votos no plenário das Nações Unidas.

Só terá a aliança de Ahmadinejad aquele que fizer exatamente aquilo que ele deseja.

É o tipo do político que dá a impressão de não querer aliados; e sim, cúmplices.

Tanto assim que, dos líderes que merecem ser levados a sério no mundo, apenas Lula aceitou recebê-lo.

Lula continua em alta. Mas, certamente, ele é, hoje, um pouco menos “o cara” do que antes.

(*) Diretor de Redação do jornal Brasil Econômico

O IMOR(T)AL DAS ALAGOAS

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Da Folha Online

Senador por Alagoas, o ex-presidente da República Fernando Collor de Melo (PTB) tomou posse na noite desta sexta-feira (23) como o novo imortal da Academia Alagoana de Letras (AAL). Mesmo sem ter publicado nenhum livro, o ex-presidente foi eleito no último dia 2 de setembro, com 22 votos a favor e oito contra.
 
Contendo o choro em três momentos do discurso, Collor ressaltou que assume a vaga na Academia “honrado”, já que AAL abrigou durante anos o seu pai.

Em uma cerimônia concorrida, Collor aproveitou para anunciar que o primeiro livro publicado de sua autoria trará a versão dele sobre o impeachment de 1992. “Todos me perguntam sobre o livro. Ele trará revelações, está pronto e será lançado num momento oportuno”, assegurou o senador, sem dar pistas sobre a data de lançamento.

Para concorrer à vaga na Academia, Collor apresentou sete obras, todas impressas por gráficas oficiais e que nunca foram vendidas em livrarias. A última delas foi uma publicação da gráfica do Senado intitulada “Relato para a História”, que traz na íntegra o discurso que fez no Senado em 2007 apresentando fatos sobre sua saída da Presidência.

Contendo o choro em três momentos do discurso, Collor ressaltou que assume a vaga na Academia “honrado”, já que AAL abrigou durante anos o seu pai, Arnon de Melo. “Aqui sinto-me bem, em casa, e porque não dizer, em família. Essa é uma homenagem a alguém que ao longo de sua vida sempre contribuiu com as discussões de políticas sociais”, disse o senador.

Na saída, indagado pelo UOL Notícias sobre a sugestão do colega imortal da AAL, Lêdo Ivo, para que tente uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), Collor sorriu. “Devagar com o andor”, disse. Lêdo Ivo é também imortal da ABL.

 

 

 

 

Circula na Internet…

domingo, 11 de outubro de 2009

CÉSAR CIELO, UM BRASILEIRO ALTIVO

Dessa vez não foi pelo fato de ter ganho alguma prova de natação, mas pela entrevista corajosa que deu ao jornal O ESTADO DE SÃO PAULO.

Cesar bastante irritado, falou da falta de apoio da CBDA, (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos),  onde disse, com todas as letras, que não teve ajuda da Confederação e muito menos do governo. Sua vitória de deve a ajuda de seu pai e de patrocinadores.

Por isso treina nos Estados Unidos. E o presidente da confederação queria que ele voltasse para o Brasil, para treinar aqui. Queria também que ele fosse ao palácio do planalto para fazer o cartaz do presidente. Coisas que ele rejeitou.

Daí para frente foi ameaçado de ficar sem o pouco de facilidades que a Confederação lhe dava. Minha vitória tem muito pouco a ver com eles, disse o nadador quando participou do troféu José Finkel, nas piscinas do Corinthians. Querendo eles ou não, sou campeão olímpico, e isso eles terão que engolir.

Desde que me tornei profissional, em março, paguei tudo: alimentação, hospedagem, e até meu técnico (o australiano Brett Hawke).

Ficou assustado quando lhe perguntaram se a CBDA havia ajudado em alguma despesa.Sua resposta foi essa: ‘Sério que vocês estão me perguntando isso?‘Pensei que vocês estivessem brincando’.

César Cielo contou que além de não receber auxílio da CBDA, teve problemas com o presidente. Entre outras ameaças, ele ameaçou suspender os míseras contribuições que eu vinha recebendo dos Correios, quando disse a ele que jamais viria para uma cerimônia no palácio do Planalto. Ele vivia telefonando para meus pais, e não os deixava trabalhar sossegados. Fiquei nervoso e até treinei mal por uns dias.

Esse é o governo que temos, que quer colher frutos sem nada ter plantado. Atletas são intimados a ir a Brasília para pedir a benção ao bode barbudo que jamais soube o que significa trabalho e dedicação para se merecer a glória. 

Um governo que não ajuda em nada, ou ajuda muito pouco a quem traz glória ao país, enquanto subtrai milhões dos cofres públicos em proveito próprio.

E com essa mentalidade de atletas esclarecidos não se vê mais medalhistas em Brasília puxando o saco do presidente.

Deu no blog do Ailton

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Da Redação

 

O jornalista Ailton Medeiros publicou hoje em seu discutidissimo blog o comentário que fez sobre a festa de aniversário da poderosa colega Thaisa Galvão, realizada na casa da prefeita de Natal, a também jornalista Micarla de Souza.

Vale a pena transcrever:

FESTA DE ARROMBA

Por Ailton Medeiros

Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultos. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica, às vezes é estúpida. O leitor que julgue.

As colunas sociais deram com certo destaque a festa de aniversário da jornalista Thaisa Galvão. O que chamou atenção deste escriba foi o local escolhido pela jornalista para festejar seus 50 anos, nada mais do que a casa da prefeita Micarla de Sousa.

Isso mesmo, leitor, a borboleta verde bancou a festa de aniversário da diretora de redação do “Jornal de Hoje” que ainda contou, acreditem, com a presença de seu chefe, Marcos Aurélio Sá.

Hoje é festa lá no meu apê
Pode aparecer
Vai rolar bundalelê
Hoje é festa lá no meu apê
Tem birita
Até amanhecer

Chega aí
Pode entrar
Quem tá aqui tá em casa

Temos que reconhecer o talento de Thaisa que entendeu que o segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

Ela também não é a única. Há um colunista da Terra de Poti que costuma convidar políticos para suas festinhas e um outro, este de menor patente, que vai ao orgasmo toda vez que o deputado federal João Maia bota os pés em sua casa.

Os políticos que mais estragos fizeram à liberdade de imprensa foram os mais generosos com os jornalistas a domicílio.

Quem encara a presença de governadores e senadores em suas festas como um título de sócio do círculo de privilégios está, de fato, fazendo um contrato de risco profissional semelhante ao de Ivan Nikitich, patética figura de jornalista no conto de Tchecov, que é embebedado como conviva num baile em casa de um manda-chuva de província e depois surrado porque os anfitriões não gostaram de uma palavra publicada em seus artigos.

O jornalista sério não deve confundir as coisas  para não ouvir o que ouviu Nikitich: “Bebe, amigo, pois, se te ocorre depois escrever que na casa de “M” todos os convidados estavam de pileque, terás de incluir o teu nome”.

Daniel na “Calçada da Governadora”

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BREVISSIMO DIÁRIO DE PIPA

 

Por Daniel Piza

 


Na sexta passada fui falar sobre Euclides da Cunha na primeira Festa Literária de Pipa, já batizada pela mídia de Flipa. (Como já existe a Fliporto, fica clara a influência da Flip em criar encontros literários em cidades pequenas, AL

 

A bela praia fica a 80 km ao sul de Natal. No trajeto do aeroporto para lá, vimos muitas obras na BR 101, que está sendo duplicada, como um pontilhão que a ligava a si mesma sem ser por causa de rio ou entroncamento; boa parte delas era executada por soldados fardados. As margens estavam tomadas por canaviais.

 

Depois tomamos uma estrada esburacada de duas mãos, sem acostamento, para o litoral, passando por Goianinha e alguns vilarejos. De repente, a estrada ficou boa e me explicaram que era a chamada “calçada da governadora”, um desvio construído por ordem de Vilma Faria, “que tem umas propriedades ali”. A região é o metro quadrado mais caro do Estado e tem diversos resorts e condomínios feitos ou adquiridos por holandeses, portugueses, espanhóis e outros estrangeiros.


Chegamos no meio da tarde à pousada, Toca da Coruja (pertencente ao Roteiros de Charme), e ali mesmo matei a fome ao estilo local: carne de sol com queijo coalho, purê de banana e farofa de feijão verde. No dia seguinte o almoço não foi pior: lagosta com abacaxi, no Panela de Barro, seguido de sorvete de cajá numa sorveteria artesanal ao lado.

 

A cidade, por sinal, tem um festival gastronômico em outubro. Parece uma mini-Búzios potiguar, com lojinhas coloridas em sequência na rua de paralelepípedos.

 

A conversa na sexta à noite foi animada.

 

No sábado bem cedo fui conhecer uma das praias, a do Madeiro, onde se veem golfinhos na arrebentação; tive a sorte de encontrá-la quase vazia, com suas falésias sob o céu azul que muito me lembraram da ainda mais bela Praia do Espelho, na Bahia. Voltei no meio da tarde, apenas 24 horas depois, mas com a sensação de que muita coisa ainda vai acontecer ali.
 
 
E o melhor dos 7 comentários ao post:
 

Comentário de: Sérgio Roswell [Visitante]

28.09.09 @ 14:21

Prezado Piza,A BR-101 tem um pontilhão, no RGNorte que ” a liga a sí mesma ” SEM MOTIVO?

E o TRABALHO é feito por SOLDADOS FARDADOS?

O quê “NOSSAS” FORÇAS ARMADAS estão fazendo ? TREINANDO PRÁ PEDREIRO? Deveriam estar se ADESTRANDO MILITARMENTE, como faz o pacífico MST. Na hora do “PÉGA PRÁ CAPÁ” sou mais o MST INTERNATTIONAL ( now in…Honduras ! ) do que o EXÉRCITO mal preparado BRASILEIRO.

A foto da Praia nada tem de mais.

Parece JUQUEHY, no Litoral Paulista.

Mais bonitas são as de TOC-TOCss e VERMELHA e um monte de outras.

Um médico amigo meu, que consegui acalmar, deixou seu Hospital em mãos de outros para viajar de carro, do Litoral Norte de São Paulo para o Espirito Santo, terra de sua Mulher. Disse a ele que ele iria se divertir e curtir muito mais do que indo de avião. DITO ET FEITO. Disse, agradecido, pela viagem e meu TRABALHO, que nunca havia se sentido tão tranquilo…

ELE ainda não viu a Conta…

 

CASCUDO E O PADRE JOÃO MANUEL

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

 

Por Franklin Jorge 

 

 

Escrevendo sobre o padre João Manuel de Carvalho [1841-1899], mais jornalista e político do que religioso, nome de grande expressão no Império e nos começos da República, obtive uma desusada atenção dos leitores, encantados com a desabusada criatura que sabia como ninguém ridicularizar seus adversários, botando limão e vitríolo em suas erisipelas morais.

 

Mal publicada a crônica, folheando por acaso um velho livro, bati de frente com uma página escrita pelo polígrafo Luis da Câmara Cascudo em 1938 sobre o nosso irrequieto e polêmico personagem, o padre João Manuel de Carvalho, há muito dormindo profundamente um sono humilde e sem cuidados.

 

Nome de rua no aristocrático bairro de Petrópolis, em Natal, lembra Cascudo a participação do Padre João Manuel na política provinciana e na Corte, onde ocupou posição de destaque também no jornalismo e no clero, pois há pouco mais de um século foi pároco da prestigiosa Candelária, a igreja matriz da capital do Império do Brasil.

 

Apesar de padre, João Manuel cultivava um ódio fiel e constante contra os jornalistas que se vendiam aos poderosos, por entender o jornalismo como uma missão em favor da sociedade e a política, ou seja, os mandatos proporcionados pelo voto, a retribuição natural e justa de seus esforços de militante sempre disposto a pegar pesado cotra seus adversários e desafetos que não eram poucos nem inertes. Portanto, nada melhor que o voto, como pagamento, por sua luta por mais democracia e justiça social.

 

Filho do capitão João Manuel de Carvalho e de Quitéria Moura Carvalho, nasceu em Natal e ordenou-se no Seminário do Maranhão, em 1865. Fundador de “O Recreio”, o primeiro jornal literário a circular no Rio Grande do Norte, começou escrevendo no “Conservador” e tomou gosto pela política, graduando-se rapidamente nessa arte. Diz Cascudo que ele agradou depressa, falando e escrevendo. Poucos anos depois de jurar bandeira ao partido, criou, pela independência e atividade inconsciente de seu espírito, um lugar á parte no estado-maior de seu protetor, o coronel Bonifácio, velho cacique natalense que possuía do Conde de São Lourenço, segundo Cascudo, o raro talento de pôr asas nas costas de quem julgava capaz de vôo e recusando postos de realce para si mesmo. E o jovem padre foi em frente até a deputação-geral, que obteve não de mão beijada, mas porque soube esperar o momento em que o cavalo passava selado e habilmente o montou.

 

Aderindo à República, manteve-se longe do Partido Republicano fundado no Rio Grande do Norte por Pedro Velho, segundo uns, por orgulho, para não dividir seu cacife com um correligionário igualmente prestigioso. Pedro Velho, por sua vez, não se esforçou para atraí-lo, segundo alguns, por temer a sua imensa popularidade. Como deputado, propôs a abertura de estradas e instalação dos correios no Rio Grande do Norte, pouca coisa e de pouca monta, pois como política não era a terra que lhe despertava o interesse, mas os eleitores.

 

Era capaz de despender um esforço imenso para atender aos pedidos de um eleitor. A terra que se lixasse e, ainda mais, a igreja, embora tenha terminado seus dias como vigário de Amparo, importante município do Estado de São Paulo. Lá, mergulhou no ostracismo político, mas ainda mostrou suas garras como jornalista. E escreveu um delicioso livro de memórias, que, devidamente anotado por um bom conhecedor da história política brasileira da época, seria bem vindo se fosse reeditado.

 

Insatisfeito com a Monarquia, decepcionou-se rapidamente com a República. Cascudo conta-nos que, um ou dois dias depois da Proclamação, vestido à paisana, ou seja, de fraque, cartola e plastron [espécie de gravata usada pelos elegantes da época], compareceu a uma festa popular em homenagem ao novo sistema de governo. Usou um valioso camafeu para prender a gravata. Ao despedir-se dos amigos e novos correligionários, notou o desaparecimento da jóia. Procurou-a por toda a parte. Desencantado, curtindo o prejuízo, disse a frase que se tornaria famosa: “Querem ver que a República já começou furtando?”

 

 

 

SABEDORIA DE CLOSET

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Do Y! Posts

(Reportagem de Belinda Goldsmith)

Sydney (Reuters Life!) - As pérolas de sabedoria de Paris Hilton serão imortalizadas ao lado de frases de alguns dos maiores pensadores de todos os tempos na mais recente edição do Livro Oxford de Citações –o que ela considera “muito bacana”.

Hilton, a socialite que se tornou estrela da tevê e fenômeno de vendas, está na versão mais recente do dicionário de 65 anos, lançado nesta semana, e aparece ao lado de gente como Confúcio, Oscar Wilde e Stephen Hawking.

Sua contribuição? “Vista-se bem onde quer que vá, a vida é curta demais para se passar despercebido”.

Hilton, de 28 anos, ficou encantada em ser incluída no livro, uma lista famosa de ditos memoráveis.

“Muito bacana eu ter uma citação no dicionário”, escreveu ela em sua página do Twitter.

Outra adição na sétima edição do volume da Universidade Oxford é de Sarah Palin.

A ex-candidata republicana à vice-presidência dos EUA foi incluída por sua famosa piada: “Qual é a diferença entre uma mãe das antigas e um pitbull? O batom”.

Mais de 200 mil citações foram acrescentadas ao dicionário, incluindo uma do presidente Barack Obama, “O arco da história é longo, mas se curva em direção à justiça”, e uma da escritora Fay Weldon, “A culpa está para a maternidade como as uvas estão para o vinho”.

 

 

 

PADRE, JORNALISTA E POLÍTICO

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

 

Por Franklin Jorge

 

 

O padre João Manuel de Carvalho, norte-rio-grandense e patrono de importante logradouro em Natal, notabilizou-se durante a monarquia e inícios da República, sobretudo, por seu temperamento e jornalismo desabrido à serviço da política partidária, pois era homem de opinião e ação que nunca ficou em cima do muro vendo as coisas acontecerem…. Pároco da Candelária, no Rio de Janeiro, representou o nosso estado em duas legislaturas tumultuosas.

 

Tinha a justa fama de ter a língua de prata. Seu texto, embebido de puro vitríolo, era nitroglicerina pura.  Corajoso e independente, colocava as idéias acima de seus interesses, deixando disso testemunhos públicos e privados. Como jornalista militante, era sempre do contra, por entender o jornalismo como uma advocacia popular à serviço dos cidadãos e não daqueles que se refestelam no poder, desfrutando as benesses do servilismo interesseiro. Costumava dizer o padre João Manuel, esse anti-Aretino por índole e temperamento, apostrofando o jornalismo que se vende: “Repórter é sempre parente do governo”, e estava conversado.

 

Ninguém, melhor do que ele, para dar esse diagnóstico, após ter dirigido dois combativos jornais cariocas, o “15 de Julho” [1870] e “A Nação” [1872-76], que deram eco à sua implacável campanha contra a sociedade política e burguesa de sua época, aliás, tão parecida com a atual.

 

Colaborador  do “Jornal do Commércio” e, posteriormente, quando radicado em São Paulo, redator-chefe do “Correio Amparense”, já na República tornou-se um critico implacável do Governo Provisório, jogado em massa na fogueira, na figura de seus ministros, parlamentares, generais e anatematizados com as tintas da sátira e do ridículo.

 

Embora padre, nada tinha de piedoso, esse João Manuel de Carvalho, autor, também, de um livro de memórias ainda capaz de nos despertar o prazer do riso. Sobre o Marechal Floriano Peixoto, nascido antes do tempo na cidade alagoana de Porto Calvo, portanto conterrâneo do traidor Calabar, destilou: “Monstruoso na ordem política, esse homem foi fenomenal na ordem da natureza. Ninguém se admire do que fez ele ao visconde de Ouro Preto, nem ao Marechal Deodoro, nem aos congressistas, nem à nação, nem à Republica, nem à Federação, nem a si mesmo. O senhor Floriano Peixoto traiu a própria mãe que o pariu, a ele, porque fez-lhe a torpeza de nascer de sete meses e em Porto Calvo. Ora, procedente de porto calvo e tendo tanta pressa em vir ao mundo devia tornar-se um verdadeiro prodígio… na traição”.

 

E, não satisfeito com as estocadas, acrescentava sem perder o fôlego: “Pela pressa com que quis nascer, saiu completamente torto, tanto no corpo como na alma. “Pé torto, alma torta”, disse dele Pardal Mallet. De perfeito acordo”. Diante do cenário político que temos diante dos nossos olhos perplexos, só nos resta lamentar que a não tenhamos em Mossoró outros padres como esse, para detonar figuras ridículas e venais, quando não destrambelhadas e manipuladoras como grande parte dos nossos politicos de plantão.

A PAISAGEM HUMANA DE PAU DOS FERROS [5-5]

sábado, 8 de agosto de 2009

RETRATO FALADO DE ANTONIO SILVESTRE [2a. e Última Parte]

Por Franklin Jorge

Pau dos Ferros - A mas o senhor anota tudo. é ligeirinho que só vendo… ah se os nossos politicos tivessem essa mesma diligencia para trabalhar e resolver problemas que o senhor tem para escrever a história, o Brasil era outro. Um paraiso.

Meu amigo, não carece de anotar tudo não, para não enfadar e aborrecer os leitores. Hoje ninguém mais quer ter trabalho com coisa alguma. Vai tudo na maciota, na maior moleza. No meu tempo era outra coisa… Agora, se eu disser alguma coisa errada, corrrija. Estou perdendo a memória. Não posso mais ignorar que já começo a caducar e as idéias, por conta disso, vão ficando cada vez mais embaralhadas na minha cabeça. Velho é como pau verde, só produz fumaçã que o vento leva. Nessa idade já não queimo mais nada…

Do fundo da rede, no interior do quarto, protesta prontamente sua quarta mulher. Você nunca caducou nem há de caducar. Deixe disso. É muita velha já e explica que só não se levantou para conhecer-me e ver minha cara porque a festa do centenário de Silvestre a deixara exausta. tive que apertar tantas mãos e falar com tanta gente que só vendo… Foi um trabalhão danado, receber e dar atenção a tanta gente. Sem falar na missa celebrada por Mons. Caminha, acrescenta o marido e ela, retomando o assunto principal, a falta de memoria do marido, arremata com veemencia. Deixe disso, homem. Você nunca caducou nem havera de caducar, agora, depois dessa baita festa que teve até missa solene. O senhor não repare não, mas esse velho é muito caviloso e gosta de brincar com a inteligencia alheia…

Silvestre ri discretamente. Animado, veste camisa social engomadissima. Monsenhor Caminha, que o senhor acaba de visitar, chegou aqui em Pau dos Ferros nas eras de 1940. Eu já trabalhava aqui. Tenho ainda muita lembrança de sua chegada. Ele chegou a noite. É muito nosso amigo e celebour a missa do meu primeiro centenário, reitera as palavras da mulher, rindo maliciosamente. Seus primeiros anos aqui - o senhor há de ter sabido por algum desses faladores - foram de grande reboliço e desinquietação.

Muito novo e cheio de esperança, padre Caminha quis impor o novo numa terra parada. Acabou trombando com essa gente enferrujada do outro tempo, mas com persistencia acabou cosneguindo o que queria, mudar Pau dos Ferros. Ele mudou o azimute do lugar e deu a volta por cima. Hoje é paparicado por todos.

Não vou dizer que ele era namorador porque nunca vi namoro dele, mas a fama de mulherengo ficou e o que o povo diz é o que conta para a história. Não adiantar ir contra a lingua do povo. Diziam que ele desassossegou muitos pais de familia e muitos maridos perderam o sono e as estribeiras de tanto ouvirem história sobre os banhos noturnos do padre na beira do açude velho, sempre cercado de devotas. Para mim, que não faço nem acolho mexericos, eram devotas e não mulheres profanas que alegravam o seu banho e vestiam a sua nudez. O senhor sabe que o povo tem a lingua comprida e cor de brasa. Quem cai na lingua do povo tem muito o que explicar. Agora, sei por experiencia propria, que ele tinha um revolver e por uns tempos, por causa das ameaças ue sofreu desses pais e desses maridos, andava armado…

Nosso encontro ocorre dois ou tres dias após o último de seus filhos que vieram para a festa regressara a Brasilia. O velho, ainda muito empolgado com tudo, conta que foi um festão, coisa para cinema e gente graúda. Confessa que não esperava tnata gente. Seu primeiro centenário, como gosta de dizer com ar galhofeiro, foi um acontecimento. O senhor precisava ver quantos presentes ganhou esse velho, informa a mulher invisivel, de dentro da camarinha. Televisão, tres pares de chinelos, duzias de sabonetes, água de cheiro, roupas, ventilador e, debicando, acrescenta que até o fim do ano pretende completar também cem anos, para ganhar tantos presentes. Desse jeito estou certa que é vantajoso completar 100 anos…

Silvestre, após ouvi-la com um ar de bemaventurança, comenta, dirigindo-se a mim. Essa mulher é velhinha, mas é minha. o senhor não faz idéia nem pode imaginar o interesse que essa mulher despeortava quando a gente vinha da Varginha para a rua. Quando moça era vistosa que só vendo. Até parecia uma sereia. Não podia vir a Pau dos Ferros com ela sem provocar o maior reboliço. bonita como o pecado, essa mulher dava sezão em amcaco. Hoje está velhinha e não pára de querer mandar em mim, mas não troco ela por uma carrada de melancia…

FIM

A PAISAGEM HUMANA DE PAU DOS FERROS [3-5]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

RETRATO FALADO DE MONSENHOR CAMINHA [3a. e última parte]

Por Franklin Jorge

Pau dos Ferros - Quando cheguei aqui, mais ou menos da sua idade, houve um choque entre meus paroquianos e eu. O povo daqui queria muito bem ao meu antecessor, Monsenhor Militão, um homem  manso manso. Eu, aom contrário, era moço forte, impetuoso e, se me permite, de sangue e hormoniosm ferventes. O choque foi inevitável. além disso eu passei a andar armado. Quero dizer, tinha um revolver.

Dom Jayme Câmara queria que Pau dos Ferros tivesse um padre forte que reagisse ao marasmo e vitaminasse a diocese com novas pastorais. Como vigpario de Pau dos Ferrosm ganhei também as paróquias de Vitória - atualmente Marcelino Vieira - e de Luis Gomes. Padre novo e cheio de energia, trabalhei muito e fui avançando aos poucos, mas avançando e vencendo resistencias, pois o trabalho vence tudo. O trabalho é a prática da fé.

Chegou um tempo em que, depois de muitas batalhas ganhas e perdidas, Pau dos Ferros fez as pazes comigo. Todos comrpeenderam finalmente a razão de minha e reconheceram que eu estava certo, mudando as coisas que estavam paradas.

Por seu comportamento nada ortodoxo, o padre Caminha chegou a ser ameaçado por maridos ciumentos e pais zelosos, motivo pelo qual passou a andar com uma arma d efogo na cintura. Todas as noites, a pé, eu dava uma volta por toda a cidade e arredores, para cansar-me e controlar meus impetos de moço. eu era um cearense destemido, como o meu pai, e o serviço religioso não me acovardara.

Nunca em nenhum momento minha vida duvidei da existencia de Deus. Nem mesmo quando era seminarista e enganado pelos atrativos da carne duvidei de minha vocação. Essa idéia de geração espontanea que dispensa a existencia de Deus foi desmentida por Pasteur, um médico, um cientista francês. Tudo, porém, no plano religioso, é mistério. Deus, por Si mesmo, existe desde sempre. Nós somos suas criaturas, nascidas de sua magnanima vontade. Se a religião não tivesse mistperios seria humana e não divina. A religião é em essencia misteriosa, tantomquanto Deus é infinitivo e misericordioso. Já a inteligencia humana é finita.

Apaixonado dos estudos filosoficos, encontrou Monsenhor Caminha na cidade remota e pacata a solidão necessária para expandir-se espiritual e intelectualmente. Há anos relê Aristóteles, Platão, Thomas de Aquino, Santo Ambrósio, os Doutores da Igreja. Lendo-os, não estou só, pois essa leitura me dá pretextos de ruminações infindáveis. O senhor, apesar de jovem - ele o diz embrulhando as palavras num sorriso malicioso - é um ser aristotélico, como tenho notado aqui enquanto conversamos. Suponho que tenha muito prazer na leitura dos filósofos… Sou? Pergunto-lhe um pouco desconcertado. Ele reafirma com um aceno de cabeça amável e distinto.

Deus é infinitamente paciente. Só Deus, como sabe, é infinitivo. E, se Ele infinito, não há lugar para outro deus, ensinam os Doutores da Igreja. A Trindade - tres pessoas numa só -, juntamente com o amor, confirma isso. Sabia que Gargarin, o astronauta russo, ao pisar na Lua rezou?

Quando moço eu tinha quatro teorias que pdoem ser desnastradas do que vou lhe dizer a seguir sem nenhuma ordem. O que aprendi através dos livros, outras que descobri no convivio com o povo. A ingornacia salva muito, pois se faz perdoável pela graça de Deus. Todas as faltas hmanas são perdodas quando há o arrependimento. Deus não despreza nem subestima o pecador que apela para a sua misericórdia infinita e justa. Por isso, afirmo-lhe quen não acredito na existencia do inferno nem em penas eternas.

Ah notou que sou intrinsecamente otimista em relação a salvação do homem. Poucos, pouquissimos deixarão de salvar-se. O homem é capaz de tudo. ele chegou á Lua. Salvar-se seria o menor dos seus esofrços. Se ele quiser… Basta-lhe apelar  à infinita misericórdia de Deus, que não sonega o perdão por ser feito de amor. Esse Deus de chicote em punho, esse Deus punitivo e achacador é invenção de seus detratores ou de criaturas sem fé.

Para Monsenhor Caminha o pior dos pecados decorre da inteligencia. É o orgulho intelectual que perdeu Lucifer, um anjo de luz que, orgulhoso de sua inteligencia, atirou-se nas trevas. E a maior virtude, a humildade que apaga todos os pecados. Deus repelte os soberbos. Já a fé é um dom gratuito de Deus…

Ah voc~e me faz perguntas tão desconcertantes, dificeis de responder. Preferiria ter calado algumas, para pensar melhor sobre elas, mas o repórter tem pressa, diz — rindoe balançando-se na cadeira. No começo de minha vida sentia-me desnorteado. Fui salvo pela fé. como padre entendi depois de muito sofrimento que uma de minhas missões seria a de compreender e consolar.  Foi nisso que pus minha energia e meu intento.

Sobre o desconcerto do mundo a que tem aludido nessa conversa, diria que resulta da falta de união entre as familias, do egoismo e do individualismo dominantes. a mulher, filha de Eva, reabilitou-se pelo cristianismo. Já o sexo, tão presente nessa já longa confissão, acho-o respeitável, pois nele Deus pôs o dom da vida. Depois de uma pausa, acrescenta um fato que teria ocorrido recentemente, numa reunião pastoral. Alguém lhe teria perguntado que,s e fosse papa, o que faria dos homossexuais. Não hesitei em responder. E respondia pessoa que me interrogara arespeito, que deixaria que eles vivessem a sua vida.

[Fim do Retrato Falado de Mosnenhor Caminha]

LEMBRANDO O PADRE PEDRO LAPO

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Por Franklin Jorge

Mossoró – Encontro, entre os meus guardados, uma das cartas que me escreveu o padre Pedro Lapo, cuja missão em Luis Gomes deixou profundas e diversificadas raízes sobretudo entre os jovens do município que foram incentivados a empreender ações solidárias e aprenderam, na prática, o sentido da cidadania.

Conheci-o justamente nessa quadra de sua vida de missionário, quando incutia em mentes jovens, ainda não deformadas pelos vicios dos velhos, uma nova visão da vida que a maioria aproveitou de uma maneira que começa a dar bons frutos.

Quinze anos depois, o reconhecimento desse trabalho pela comunidade luisgomense, na pessoa do professor Luciano Pinheiro, eleito vereador do municipio nas ultimas eleições, sob a inspiração  confiança e esperança do seu povo que o viu, graças ao trabalho de educador que tem desenvolvido em beneficio de todos, como um exemplo de renovação.

A principio hostilizado ou visto com desconfiança pelo patriciado local, mandonista e cioso de suas prerrogativas, Padre Pedro Lapo deixou marcas profundas na cultura local e uma coorte de multiplicadores dos seus ensinamentos despojados de egoismo. Ensinamentos verdadeiramente cristãos que contribuíram para a politização dos jovens que antes dele pareciam fadados a repetir a acomodatícia herança familiar.

Recentemente, graças a Internet, reencontrei-o, usando o Yahoo Messenger para comunicar-se e fazer-se ouvir sem as barreiras geográficas e ideológicas de outros tempos, quando passamos a trocar idéias e a nos apoiarmos mutuamente em nossa luta de homens livres que crêem e têm convicções.

Está agora o Padre Pedro servindo às comunidades de Areia Branca e Serra do Mel, sempre ativo e pilotando o seu velho jeep. Agora, já um pouco mais velho, mas sempre animado e cônscio de que tem ainda muito o que fazer e realizar à luz de uma igreja que lembra, em seu aspecto missionário, a ação dos primeiros evangelistas, não meramente no sentido de pescar almas e incutir-lhe um credo religioso, mas fundamentalmente em sua concretude baseada em obras. Pois, já disse o evangelista que a fé sem obras é somente um simulacro sem serventia…

Grande felicidade senti nesse reencontro. E espero aceitar em breve seu convite para visitá-lo em Areia Branca ou Serra do Mel, onde dá continuidade à sua árdua e fecunda missão.

 

 

O CONSULTOR INFORMAL DE MARTINS

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Por Franklin Jorge

Martins — Francisco Marcelino Junior ninguém sabe quem é, mas Junior Marcelino toda Martins conhece e consulta. Aos 62 anos, aposentado, é procurado por todos quando o assunto é a história do municipio.

Sem nenhuma obra publicada, é uma fonte oral acatada, sobretudo por estudantes do primeiro grau que batem permanentemente à sua porta em busca de informações que faltam nas bibliotecas das escolas, por inépcia dos sucessivos governos que só pensam em ações que resultem em proveito próprio.

Dispersicvo e sem método, como a maioria dos autodidatas, Junior Marcelino atuou como colaborador dos famosos professores Cabral e La Roche, ambos já falecidos, que pesquisaram em Martins a megafauna e através desse esforço, sob a chancela da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, puderam rastrear a existencia , na região, de animais pré-históricos.

Espirito enumerativo, adepto da cronologia, afirma o pesquisador quew sempre foi muito curioso e já estudou em seminário, mais exatamente no Seminário de Santa Teresinha, em Mossoró. Antigamente as familias daqui achavam que tinham que ter um padre ou uma freira, de forma que fui encaminhado para a vida religiosa, mas logfo percebi que não tinha vocação para a coisa e abandonei o céu pelo inferno, afirma em tom jocoso, ou seja, troquei o seminário pela Marinha…

De volta a Martins, trabalhou durante 25 anos na Prefeitura, desde que fez oseu primeiro trabalho de pesquisa histórica sobre o municipio, por encomenda do prefeito José Fernandes que de tão entusiasmado o contratou. Era uma pesquisa que se tornou uma referencia, embora nunca tenha sido publicada em livro.

em 1988 começou a chegar a Martins pesquisadores como o Prof. Cabral que realizava estudos de campo osobre corujas. Ele estudava megafauna com o propósito de estabelecer a existencia, na regiçao, de animais pré-históricos. Quando faleceu, assumiu a pesquisa o professor Armand La Roche que fez 17 escavações na Casa de Pedra, de onde foram retirados mais de quatro mil peças liticas…Com a morte do Prof. La Roche, essa pesquisa acabou e hoje parte dessas peças encontram-se aqui, expostas no Museu Municipal.