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EXPLICAÇÕES PIORES DO QUE O SONETO

quarta-feira, 10 de março de 2010

Por Josias de Souza, da Folha de São Paulo

Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”.

Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba.

Na ilha de Fidel, lamentou que um preso “se deixe morrer de greve de fome”.

Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de “explicações”.

Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de “esclarecimentos”.

Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro:

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada “Lei de periculosidade”. Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere “perigosas”.

Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por “perigoso”, pode delinquir.

Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, recorrem à privação alimentar:

“Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou.

Comparou os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos ao sistema carcerário paulista:

“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade”.

Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, igualando-o a um Marcola qualquer.

Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba “não acontecesse”. Mas…

“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”.

Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num alaporado ideológico.

É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele.

Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira.

A DECEPCIONANTE VISITA DE LULA

segunda-feira, 8 de março de 2010


Por Mario Vargas Llosa,
transcrito do Estadão

Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.

Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.

Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.

DESCARAMENTO

Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.

O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.

Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.

Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.

Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.

O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.

O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao “estadista” brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário “democrático” latino-americano.

Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de “progressistas” que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.

Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: “Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos.” O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.

De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.

Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.

O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina.

WILMA DE FARIA NO INFERNO

sábado, 6 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em fins do ano passado fomos agradavelmente surpreendidos certa manhã, na redação do Novo Jornal, com a inesperada visita da prefeita Micarla de Souza que, fazendo-se acompanhar de seu staff, fora desejar-nos um Feliz Natal e Ano-Novo.

Lá para tantas, dirigindo-se aos que ali se encontravam em pleno expediente, encareceu a importância da Imprensa e pediu-nos que deixássemos as coisas ruins de lado e escrevêssemos sobre as boas, porém ao fazê-lo ela, como jornalista que é, parece ter caido na real e, imediatamente, quase sem transição, reconheceu que dissera um disparate e voltou atrás, admitindo que havia muito mais coisas ruins do que boas para noticiarmos.

Penso em nossa jovem e açodada prefeita ao deter-me em comentários sobre o atual governo do Rio Grande do Norte, que já vários meses fornece combustível a péssimas notícias, a maioria de corrupção envolvendo pessoas do seu real sangue, a começar pelo primeiro-filho Lauro Maia, candidato a deputado estadual que já esteve preso o ano passado pela Polícia Federal, sob a suspeita de chefiar uma organização criminosa que molhava a sua mão todos os meses com uma propina de R$ 70 mil oriunda dos recursos da Secretaria de Estado da Saúde. Um dinheiro subtraído da população que depende do estado em suas vicissitudes.

Ontem mesmo, aqui, confessava o meu desânimo diante dessa como que fatalidade de escrever quase sempre sobre o mesmo assunto, ou seja, sobre as denúncias de corrupção que se tornaram rotineiras no curso dos dois mandatos da governadora Wilma de Faria, algumas ocorridas já há muito tempo e agora requentadas pelo Judiciário que responde assim ao clamor popular que, reanimado pela recente prisão do governador de Brasília, levou-nos a acreditar que a lei foi feita para todos, até, para os chamados “colarinhos brancos” ou aqueles contraventores que parecem ter as “costas largas” e que o vulgo, usando do insofismável direito de espernear, chama, jocosamente, de “picas grossas” (com perdão da má palavra…). Como o filho e os irmãos da sra. Wilma de Faria, nossa primeira mandatária, também chamada respeitosamente por todos de “a Gove”…

A poucas semanas do término do seu governo que entra para a história como um dos mais desastrosos e ineptos, a governadora Wilma de Faria tem experimentado o desgosto de ver o seu castelo ruir fragorosamente, por pressão de seus antigos aliados, do julgamento da opinião pública e da ação do Judiciário que resolveu, de uma só vez, fazer andar vários processos que dormiam nas gavetas envolvendo familiares seus que já se consideravam fora do alcance da lei.

O caso de seus irmãos gêmeos, Newton Nelson e Nelson Newton é sintomático. Já pareciam inocentados pelo silêncio do Ministério Público, até que o juiz Raimundo Carlyle aceitou a denúncia apresentada contra eles, fazendo o processo andar. Os dois vão responder por envolvimento em negócios escusos com a Secretaria da Educação e gráficas que lhe prestavam serviços e fornecia-lhe material superfaturado de uso nas escolas. Suspeita-se que a “diferença” paga pelo estado ia para o bolso deles. Já o médico Carlos Faria, também irmão da governadora, está atolado no lamaçal do Foliaduto, escandalo referente ao desvio de mais de R$ 2 milhões usados para a contratação de shows de axé music e forró que nunca se realizaram.

Para a governadora, que quer ser senadora, tudo isto representa dificuldade, ainda mais em ano eleitoral, quando a roupa suja é lavada com a mesma crueza com que o açougueiro esquerteja a rês. Desses “esquartejadores”, os deputados já deram provas que a governadora que não obedecem mais ao seu comando e não se mostram dispostos, mesmo seus tradicionais aliados, a ampliar seu aboio sobre o rebanho pacifico de eleitores encurralados. O presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria, por muitos anos seucprincipal colaborador na esfera legislativa, está agora “do outro lado”, como candidato a vice na chapa ao governo do estado escabeçada pela senadora Rosalba Ciarline.

Mas, o grande obstáculo é o Judiciário. Uma verdadeira pedra no sapato da governadora, até a Justiça Eleitoral começa a desmanchar-lhe todo um trabalho de financiamento de campanha disfarçado de ação administrativa. O “cheque-reforma”, uma forma sutil de compra de voto, teve a sua distribuição suspensa pelo procurador eleitoral Flávio Venzon, do Tribunal de Justiça Eleitoral. De junho a outubro está suspenso. Também não era para menos: em ano eleitoral, o “cheque-reforma” teve reajuste superior a 700% em relação ao ano de 2008, uma generosidade que deixou os agentes da lei de orelhas em pé. em 2008, por exemplo, a governadora aplicou no sistema R$ 592.750 e, este ano, a “bagatela” de R$ 4,5 milhões! Esmola grande demais, o santo desconfia, D. Wilma!

Mas tem mais…


Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia.

TEMPO NUBLADO NA AMÉRICA

sábado, 6 de março de 2010

Estamos nos transformando em um estado policial. Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas

Por John W. Whitehead*

“Ao olhar para a América, hoje, eu não tenho medo de dizer que estou com medo.” - Bertram Gross, in Friendly Fascism: The New Face of Power in America.

Há muito tempo que acontecimentos de mau-agouro vêm se formando nos Estados Unidos, em parte precipitados por “nós, o povo1″ - cidadãos que estão dormindo ao volante por muito tempo. E embora certos eventos tenham soado o alarme, nós falhamos em dar atenção aos alertas.
Apenas considere o estado da nossa nação:

Estamos encerrados naquilo que alguns estão chamando de campo de concentração eletrônica. O governo continua a acumular informações sobre um número cada vez maior de norte-americanos. Em todos os lugares que vamos, somos vigiados: nos bancos, no supermercado, no shopping, atravessando a rua. Essa perda de privacidade é sintomática da crescente fiscalização que se exerce sobre o cidadão americano comum.

Essa vigilância vai pouco a pouco envenenando a alma de uma nação, fazendo-nos passar de um estado em que todos somos inocentes até que se prove o contrário para outro em que todos são suspeitos e presumidamente culpados. Assim, a pergunta que deve ser feita é: a liberdade nos Estados Unidos pode florescer em uma época em que os movimentos físicos, as compras, as conversas e as reuniões de todo e qualquer cidadão estão sob a constante vigilância de companhias privadas e agências governamentais?
Estamos nos transformando em um estado policial.

Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas. Mais do que nunca, a tecnologia, que se desenvolveu em um ritmo rápido, oferece àqueles que estão no poder as mais invasivas e terrificantes ferramentas. Os centros de fusão - agências de coleta de dados espalhadas pelo país, amparadas pela National Security Agency2 - monitoram constantemente as nossas comunicações: tudo, desde a nossa atividade na Internet a pesquisas na web até mensagens de texto, telefonemas e e-mails.

Esses dados alimentam agências governamentais, que estão agora interligadas - a CIA ao FBI e o FBI à polícia local - uma relação que vai fazer a transição para a lei marcial muito mais fácil. Poderíamos muito bem pensar que estaríamos a salvo de um ataque terrorista ao ver as forças armadas nas ruas - e o povo americano talvez não oferecesse muita resistência. De acordo com um estudo recente, como conseqüência do mal sucedido ataque terrorista no último dia de Natal, aquele em que o homem-bomba carregava explosivos na virilha, uma porcentagem cada vez maior de americanos está disposta a sacrificar suas liberdades civis para se sentir mais segura.

Nós somos flagelados por uma economia vacilante e um déficit financeiro monstruoso que ameaça nos levar à falência. Nossa dívida nacional é de mais de U$ 12 trilhões (que se traduz em mais de U$ 110 mil por contribuinte), e deverá quase dobrar para US $ 20 trilhões em 2015. A taxa de desemprego está superior a 10% e crescendo, com mais de 15 milhões de americanos sem trabalho e outros muitos obrigados a subsistir com empregos de baixa remuneração ou de tempo parcial.

O número de famílias norte-americanas que estão na iminência de perder suas casas subiu para quase 15% apenas no primeiro semestre do ano passado. O número de crianças vivendo na pobreza está a aumentar (18% em 2007). Como a história ilustra, regimes autoritários assumem mais e mais poder em tempos de desordem financeira.
Nossos representantes na Casa Branca e no Congresso têm pouca semelhança com as pessoas que os elegeram.

Muitos dos nossos políticos vivem como reis. Levados de um lado para outro em suas limusines por seus choferes, voando em jatos particulares e comendo refeições dignas de um gourmet - tudo pago pelo contribuinte americano -, eles estão muito distantes das pessoas as quais representam. Além do mais, eles continuam a gastar o dinheiro que não temos em pacotes de estímulo financeiro (que estão carregadinhos de dinheiro destinado a pagar favores políticos) ao mesmo tempo em que alimentam um enorme déficit e deixam que os contribuintes americanos paguem a conta. E embora os nossos representantes possam até dar um show de disputas partidárias, a elite de Washington - isto é, o presidente e o Congresso - vai avançando com tudo o que ela quer, dando pouca atenção à vontade do povo.

Estamos enredados em guerras globais contra inimigos que parecem atacar do nada. Espalhadas ao redor do globo e sob fogo constante, nossas forças armadas são levadas ao seu limite. A quantidade de dinheiro gasto com as guerras no Afeganistão e no Iraque está próxima de U$ 1 trilhão e estima-se que alcance um total de mais ou menos 3 trilhões de dólares antes que tudo termine.

Isso não leva em conta os países devastados que ocupamos, os milhares de civis inocentes mortos (incluindo mulheres e crianças) ou os milhares de soldados americanos que foram mortos ou feridos gravemente ou que estão cometendo suicídio a uma taxa alarmante. Nem leva em conta as famílias dos 1,8 milhões de americanos que serviram ou estão servindo em missões no Iraque e no Afeganistão.

O lugar dos EUA no mundo também está passando por uma mudança drástica, com a China programada para emergir como a maior economia da próxima década. Dada a dimensão da nossa dívida para com a China, a influência dela sobre a forma como o nosso governo realiza seus negócios, bem como sobre a forma como lida com os seus cidadãos, não pode ser desconsiderada. Em julho de 2009, a China se apropriou de 800,5 bilhões de dólares da nossa dívida - que é 45% do total da nossa dívida externa - tornando-a a maior detentora estrangeira da dívida externa norte-americana.

Não se admira, então, que a administração Obama tenha se prostrado ante a China, hesitando desafiá-la abertamente em questões cruciais como os direitos humanos. O mais recente exemplo disso pode ser visto na relutância inicial da administração Obama em confrontar o governo chinês quanto aos ataques cibernéticos dos chineses contra o Google e outras empresas de tecnologia americanas.

Como as fronteiras nacionais estão se dissolvendo em face da expansão da globalização, aumenta a probabilidade de que a nossa Constituição, que é a lei suprema da América, seja subvertida em favor de leis internacionais. Isso significa que a nossa Constituição cada vez mais será alvo de ataques.

A mídia corporativa, atuando cada vez mais como uma porta-voz da propaganda governamental, já não exerce sua função principal de vigilância, protegendo-nos contra a usurpação de nossos direitos. Em vez disso, a maior parte da grande mídia se entregou àquele estúpido noticiarismo das celebridades, o que é um mau presságio para o nosso país. Quer se trate das notícias dos tablóides, do mundo do entretenimento, ou dos telejornais legítimos, já não importa, pois há pouquíssima diferença entre eles. Infelizmente, a maioria dos americanos comprou a idéia de que tudo o que a mídia possa vir a relatar é algo importante e relevante.

Nesse processo, os americanos perderam grande parte da capacidade de fazer perguntas e fazer análises críticas. Com efeito, a maioria dos cidadãos tem pouco conhecimento sobre os seus direitos ou mesmo de como o seu governo funciona, se é que ainda tem algum. Por exemplo, uma pesquisa nacional constatou que menos de um por cento dos adultos era capaz de citar as cinco liberdades protegidas pela Primeira Emenda Constitucional.

Por fim, eu jamais vi um país mais espiritualmente abatido do que os Estados Unidos.

Perdemos o nosso senso de orientação moral. Um número crescente de nossos jovens já não vê sentido ou propósito na vida. E nós já perdemos o senso de certo e errado e de uma maneira de responsabilizar o governo. Esquecemos que a premissa essencial do regime governamental americano, conforme anuncia a Declaração de Independência, é a de que se o governo não prestar contas ao povo, então sem dúvida ele deverá fazê-lo perante o “Criador.”

Mas, e se o governo não é responsável perante o povo nem perante o Criador?
Como escreve Thomas Jefferson na Declaração, é então direito do “povo de alterá-lo ou aboli-lo” e formar um novo governo.

(*) Advogado constitucional e autor, John W. Whitehead é fundador e presidente do Instituto Rutherford. Ele pode ser contatado pelo johnw@rutherford.org. As informações sobre o instituto estão disponíveis no www.rutherford.org

Notas do tradutor:
[1] “We, the people…” são as primeiras palavras da constituição americana.
[2] Agência Nacional de Segurança.
Tradução: Rafael Resende Stival
Revisão: Alessandro Cota

FRANKLIN ESCREVE SOBR O INFERNO DE WILMA

sexta-feira, 5 de março de 2010

Da Redação

Em seu conceituado blog Território Livre a jornalista Laurita Arruda aludiu, em postagem recente, sobre o fato de estar a governadora Wilma de Faria - no mês do seu aniversário e a poucos dias do fim do seu mandato - vivendo em um verdadeiro e autentico inferno astral.

Ampliando o mote, o jornalista Franklin Jorge publica amanhã artigo esmiuçando a natureza desse inferno que tem visivelmente tirado o sono da primeira mandatária, deixando sulcos profundos e indisfarçáveis em sua máscara facial. Prova-o suas últimas fotos, publicadas no Novo Jornal, que vem mostrando os bastidores do seu governo e a grande batalha que trava de maneira desesperada para manter-se no poder, desfrutando as benesses inerentes a um mandato de senadora.

Uma batalha que, segundo fica cada vez mais claro para todos, parece ser a última. Pelo menos, delineia-se como a batalha decisiva, aquela que decidirá o futuro da senhora Wilma de Faria, depois de tantas traições e enganos.

Amanhã, aqui.

FIDEL FAZ A DEFESA DO AMIGO LULA

terça-feira, 2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Num instante em que Lula tenta virar a página escrita na semana passada, em Cuba, o ditador aposentado Fidel Castro cuidou de redigir mais um capítulo.

Fidel manifestou-se em nota. No texto, remexeu o caldo que mistura a visita de Lula e a morte do dissidente cubano Orlando Zapata.

Acusado de “cúmplice” pelos opositores do regime de Havana, o presidente brasileiro foi defendido por Fidel.

Divulgada na TV estatal cubana, a nota companheira realça, a certa altura:

“Lula sabe, há muitos anos, que em nosso país jamais se torturou alguém, jamais se ordenou o assassinato de um adversário, jamais se mentiu para o povo”.

Zapata sucumbiu após 85 dias de greve de fome. Feneceu na terça-feira da semana passada, horas antes da chegada de Lula a Havana.

Instado a comentar o episódio, Lula lamentou que “uma pessoa se deixe morrer” por greve de fome, expediente que já adotou e desrecomenda.

Não pingou dos lábios de Lula nenhuma palavra que soasse a desaprovação à falta de democracia em Cuba.

O silêncio custou a Lula declarações acerbas dos dissidentes que permanecem em Cuba e um protesto barulhento de exilados, no consulado brasileiro de Miami.

Inveja pura, segundo Fidel: “Alguns invejosos de seu prestígio e de sua glória, ou pior ainda, os que estão a serviço do Império, o criticaram por visitar Cuba. Utilizaram para isso as calúnias que há meio século usam contra Cuba”.

No estágio seguinte de sua fatídica viagem, Lula voou para El Salvador. Ali, levou aos microfones uma declaração que agora ecoa como aprovação prévia à nota de Fidel:

“Não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome”.

O que dizer? Com um defensor do porte de Fidel, Lula já não precisa de agressores.

Depois de converter o romantismo de de Sierra Maestra num pesadelo de cinco décadas, o protoditador, metido em agasalho Adidas, decidiu matar o tempo como ficcionista.

Seus opositores, em trilha inversa, como que convertem Manuel Bandeira em realidade, adaptando-lhe a poesia:

Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do rei
Não tenho nada que quero
E sei que jamais terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui não sou feliz
A cana é muito dura
E os ditadores são senis…

O PATÍBULO DAS URNAS

terça-feira, 2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf…

…Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

1. “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade”.

2. “Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso”.

O Lula-1994 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Ouça-se o que dizia: “Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios…”

“…[...] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia…”

“…[...] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção”. Fecha parêntese.

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula.

Percebeu?

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1994: “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

“Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

REPERCUSSÃO: ‘MICARLA DE MIOLO MOLE’

terça-feira, 2 de março de 2010

Da Redação

‘Micarla de miolo mole’, artigo aqui publicado no último sábado pelo jornalista Franklin Jorge, repercutiu extraordinariamente, conforme provam os comentários suscitados desde então. Espelham, de maneira veraz e incomplacente, como os natalenses julgam o “governo verde” da prefeita Micarla de Souza, que tem conjugado ao mesmo tempo em sua rotina incompetência e corrupção.

Mas, deixemos as palavras com os leitores:

21 comentários para “MICARLA DE MIOLO MOLE”

Magnaldo Silva - Cidade Satélite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 12:01
Boooooooooooooooooooooooooooooooa!!!

Pérola Martins, Cidade Verde disse:
28 de fevereiro de 2010 às 13:43
Micarla não (tem) preparo para ser prefeita de Natal. Não sabe o que está fazendo. Já começa que mantém em seu secretariado arrogante e mal-educadissimo Augusto Carlos Viveiros, o Rodrigues Neto, o Bosco Afonso, o Kalazans, o Kelps… Ela está enterrando definitivamente o seu futuro na politica. É uma nuvem passageira.

Wanda Lins disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:04
Ela está acabando com a nossa querida Natal. Uma horror, essa mulher!

Carlos José disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:05
Meus cumprimentos pelo sucesso desta página.

Paulo Chaves - Lausanne disse:
28 de fevereiro de 2010 às 15:07
Tenho acompanhado o crescente número de acessos computados nesta página. Mérito é isto: cultura, lucidez, competência para criar o novo em alguns textos inesqueciveis, como o que tem escrito sobre a governadora e a prefeita de Natal. Suas colocações são sempre apropriadas e atingem o alvo em artigos como “Governadora à beira de um ataque de nervos”, “A orgia do poder”, “Borboletário em transe” e muitos outros, como as transcrições que tem feito aqui dos artigos publicados aos domingos no Novo Jornal, onde você mostra o intelectual que é, sério, culto, da mesma categoria do seu mestre Antonio Carlos Villaça, que o admirava como um de seus mais caros confrades. Você não escreve para ocupar espaço, sem ter o que dizer, mas para transmitir conhecimento e dar prazer aos seus leitores em páginas que lhe sobreviverão. Não passo um dia sem acessá-lo! Seu velho amigo e admirador.

Sonia Mary disse:
28 de fevereiro de 2010 às 17:20
Essa menina mostra que não tem um pingo de juízo. Jogou fora a oportunidade de se livrar definitivamente do secretário-trapalhão (Kalazans) com o beneplácito dos natalenses. E agora esse Olegário, deus nos acuda!

Saul Urbano disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:48
Micarla perdeu uma grande oportunidade de se tornar liderança em Natal. Este é seu ultimo mandato.

Erick Rocha disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:51
Franklin, é verdade que o secretário Carlos Augusto Viveiros está retendo o pagamento de pessoas que trabalharam nos autos natalinos e queima de fogos? Li em algum lugar. Investigue e escreva a respeito.

Severino Miranda Leite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:03
Micarla, v. ainda pode mudar para melhor. Crie juízo, minha filha.

Bento Duarte disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:15
Essa filha de Carlos Alberto passou o pé pela mão, como diz Franklin, comentando o desastre que é o seu governo. Esses “verdes” são uma verdadeira calamidade. São os gafanhotos da politica em Natal.

Mariana Freire disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:31
Micarla, não se acanhe de corrigir o erro. Ruim é persistir nele.

Antenor Bulhões disse:
28 de fevereiro de 2010 às 20:01
Viveiros é um dinossauro. Não sei com o Micarla o mantém.

Boy Chibata disse:
28 de fevereiro de 2010 às 21:27
Micarla taaa mais perdida do que cego em tiroteiooooooooo!

Walter Rodrigues - Neópolis disse:
1 de março de 2010 às 0:01
Vamos ser francos: O Partido Verde está “ferrando” Natal.

Zilma Feccoli - Vila de Ponta Negra disse:
1 de março de 2010 às 0:41
Nem o virtuoso Padre João Maria, santo popular de Natal, salvaria este desastre verde.

Manuca Benevides - Altos da Candelária disse:
1 de março de 2010 às 8:36
A “Borboleta” não tem um pingo de juizo! O apelido (um dos únicos acertos do seu pai) dela já diz tudo: futil, superficial, aerea… Sem os pés no chão, funcionando de arranco, tem dado todas essas mancadas. Ainda mais sendo de um partido de aproveitadores, de gente que não sabe distinguir um pé de milho de um de feijão, de um batata de um de macaxeira…Natal vai mal nas mãos dessa ciclotimica.

Rodrigo disse:
1 de março de 2010 às 13:21
e mais duas novidades da prefeita-bomba: fim da gestão democrática nas escolas e o aluguel vergonhoso do hotel da ladeira do sol, ao custo de cerca de 120 mil reais/mês, para funcionar duas secretarias num local totalmente inadequado. Até onde vai a cara-de-pau dessa mulher?

Jomar Chaves, Santos Reis disse:
1 de março de 2010 às 16:26
É uma deslumbrada essa prefeita de Natal. Tudo nela é falso, a começar pela bandeira verde, sabendo-se como se sabe em toda Natal que ela nunca plantou um pé de coentro ou alguma vez tenha se manifestado (antes da sua filiação a esse partido que aqui caiu nas piores mãos) em defesa do meio ambiente ou da preservação da natureza. Fico besta com tamanha hipocrisia… Micarla não é nada, só essa deslumbrada que está levando a cidade ao caos.

Mariele Bastos disse:
1 de março de 2010 às 18:11
Micarla não se emenda com o erro e está sempre se esmerando em errar mais. Vai acabar apenas com seus puxa-sacos.

Erasmo Neves disse:
1 de março de 2010 às 19:03
Se alguem fotografar Micarla ladeada por todo o seu secretariado vai pensar que se trata de um elenco mambembe e não de uma equipe governo. É visivel a olho nu a arrogância e o despreparo encarnados no “supersecretario” Augusto Viveiros e nos demais auxiliares e (na) “capitã” do time. Uma lástima!

Souza Neto disse:
1 de março de 2010 às 19:32
Seus adversários já podem comemorar antecipadamente mais esse desastre ‘made in’ prefeitura do Natal.

Leia mais sobre o governo de Micarla de Souza em postagens mais antigas, acessando o mecanismo de Busca colocado no alto à direita desta página. Neles, Franklin Jorge resume e comenta os disparates da prefeita de Natal.

Vale a pena ler de novo

terça-feira, 2 de março de 2010

BORBOLETÁRIO EM TRANSE

Por Franklin Jorge

Crivada criticas por todos os lados, a prefeita Micarla de Souza reuniu-se recentemente, durante dois dias, em luxuoso hotel na Via Costeira, para discutir com o seu secretariado e técnicos da Fundação Getúlio Vargas soluções para os inúmeros problemas que enfrenta o seu borboletário. A isto ela chamou jocosamente de “imersão de gestão”.

Tendo inaugurado a pouco o segundo ano do seu mandato, seu governo é flor que já murchou. De fato, a cidade está completamente acéfala e manca, pois o seu governo está sem pernas e sua credibilidade mais em baixa do que barriga de cobra.

Além disso, não tocou num assunto esperado por todos: a faxina que prometeu fazer em seu secretariado. as perspectivas, porém, nesse aspecto, não são nada promissoras e admite-se que ela vai trocar seis por meia dúzia. Mesmo da prefeita Micarla de Souza.

Boiando entre a corrupção e a inércia, o governo de Micarla é um sétimo dia. Terminou, antes de ter começado com aquele famoso bate-boca em que queria por queria atingir o seu antecessor no cargo e, por inabilidade, acabou promovendo-o: a posição do ex-prefeito Carlos Eduardo é hoje bem melhor do que a sua, pois os natalenses já tiveram tempo suficiente para fazer o confronto entre os dois governos.

Ora, um governo que tem esse secretariado que conhecemos já tem digitais suficientes para dizer a que veio. Um governo que desmumificou - digamos assim - Augusto Carlos Vieiros, um homem que já estava morto politica e administrativamente e dele fez um supersecretário, graças às malasartes de ressuscitador do senador José Agripino Maia, que ao fazer semelhante indicação nos provou a todos que este governo é um balaio sem fundo que acolhe até os indesejáveis.

A propósito, para ministrar o workshop milionário os ‘tubarões’ - desculpem-me, os técnicos… - da Fundação Getúlio Vargas embolsarão do município a bagatela de R$ 3,3 milhões. E ainda há quem insista em alardear como estratosférico o cachê de R$ 221 mil cobrado pelo padre Fábio de Melo, pode? Problema de gosto não se discute, já de gastos exorbitantes e falta de transparência…

Pois bem. Sob o título Transparência zero na Urbana, o Território Livre (TL), blogue da jornalista Laurita Arruda abriu o verbo no sábado 16 do corrente, sobre a caixa preta da estatal, que como sabemos tem um histórico nada recomendável, sobretudo nos velhos tempos do ex-presidente Marcilio Carrilho. É uma sujeira só.

Diz ela, Laurita, comentando reportagem do Novo Jornal:

A preponderância das empresas terceirizadas para aquela empresa demonstra que a delegação do serviço não otimizou sua qualidade. Pelo contrário. E a culpa de quem é? Do povo, a falta de educação de sua gente. Está dito no jornal como “desculpa” dos administradores do lixo.

O presidente da companhia Bosco Afonso não quis citar os nomes das empresas contratadas: “Não gostaria de citar porque não fica bem ficar falando sobre o que cada empresa ganha”.

Segundo o Sindicato dos Garis de Natal, a Urbana economizaria 50% de seu orçamento se ela mesma prestasse o serviço que terceirizou. O orçamento anual da Urbana é de R$ 116 milhões, e mais da metade é destinado ao pagamento de empresas terceirizadas.

O Novo Jornal mostra, ainda, que a política de reciclagem praticamente não existe na Urbana. Fato, no mínimo, curioso para uma administração que se diz verde…

Na confusão de vozes quem também entrou em cena a Controladora Geral do Município, Regina Bezerra Mota, que foi logo avisando: “Todos os contratos pactuados entre a Urbana e empresas terceirizadas estão, sim, disponíveis no site da Prefeitura de Natal. Inclusive com nomes e valores relacionados a cada contratada”.

Menos mal, diria a blogueira que noutro post reafirmaria as “sombras” da mesma caixa preta:

Enquanto a caixa preta da Urbana não fica bem ser aberta, o TL recebe a informação que as empresas terceirizadas não estão nada satisfeitas com os pagamentos do Município de Natal. Estão em atraso três meses de 2008 e oito meses de 2009.

Algumas empresas terceirizadas já pensam em suspender a prestação de serviço. Outras, Lider e Marquise, por exemplo, não prestam mais horas extras. Daí o acúmulo de lixo na cidade.

Será que os técnicos da FGV recomendaram maior apego ético e transparência com os gastos públicos aos escafandristas do borboletário? Ou embolsará a sua grana e deixará o estafe “cagando e andando” para os bestas dos contribuintes?

LULA, CÚMPLICE DE DITADORES

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por Eleonora Bruzual*

Jóia rara, este lobo com pele de ovelha, que modera bem sua essência comunista na hora de se manter como um grande democrata no Brasil e desde lá promover e apoiar o bando castro-comunista que desestabiliza, persegue e destrói democracias.

Luiz Inácio Lula da Silva é um ser realmente aborrecível. Com uma capacidade de cálculo prodigiosa para atribuir-se logros em sua passagem pela Presidência do Brasil, não treme a voz para lisonjear tiranos e se estes contam com o “talão de cheques” dadivoso do militarote traidor Hugo Chávez, com mais euforia os seduz.

Assim, temos que nesta terça chegará à masmorra antilhana o velhaco Lula, e com segurança é capaz de afirmar que os tiranos Castro mantêm em Cuba há mais de 50 anos uma democracia sui generis…

Luis Inácio Lula da Silva, ao anunciar sua visita ao grande cárcere, cujo motivo será “despedir-se como mandatário de seu colega Raúl Castro e de seu irmão e antecessor Fidel”, não se contém e qualifica o sanguinário tirano como “velho amigo”.

Nada que nos surpreenda deste vivaldino sem moral, que há poucos dias rechaçou que o infame déspota venezuelano - esse que enriqueceu milhares de brasileiros e que serviu a Lula para “entesourar” acertos baseados em sua falta total de ética - seja um neo-tirano, e pelo contrário, o apelidou de democrata.

Lula expressou textualmente que rechaça as acusações de tendência autoritária lançadas contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, asseverando que considera que a Venezuela “vive uma democracia”, embora em um grau diferente da existente no Brasil.

Lula é um descarado que pretende nos manipular com uma subjetividade absurda. Lula mais cínico e aproveitador do que nunca, mais hoje, porque com certeza está granjeando que o infame militarote venezuelano lhe financie boa parte da campanha de sua “candidata” a sucedê-lo no governo, a ministra e ativista do Foro de São Paulo, Dilma Rousseff, ressalta na entrevista publicada na semana passada no jornal O Estado de São Paulo: “eu acredito que a Venezuela é uma democracia” e, não conformado, evidentemente aborrecido com o jornalista que lhe perguntou: “E seu governo, o que é?”. Respondeu-lhe: “É uma hiper-democracia. Meu governo é a essência mesma da democracia”.

Jóia rara, este lobo com pele de ovelha, que modera bem sua essência comunista na hora de se manter como um grande democrata no Brasil e desde lá promover e apoiar o bando castro-comunista que desestabiliza, persegue e destrói democracias. Com absoluto desembaraço, também defendeu a postura de seu governo frente ao que qualifica de “as suspeitas” em torno dos verdadeiros objetivos do programa nuclear do Irã.

Manipulando a opinião pública ao dizer que: “A comunidade internacional não deve repetir os erros que levaram ao ataque militar no Iraque, lançado pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush e seus aliados.

Creio que esse tema está mal resolvido. O Irã não é o Iraque”. O que quer dizer com isto, que ignora as ameaças desses sanguinários santarrões contra países democráticos? Ignora a matança e perseguição da dissidência, seus crimes, seus horrores?

Já faz as malas, este astuto político que abandonará o poder em 1º de janeiro de 2011, depois de haver exercido a presidência por oito anos. Teria que se perguntar, o que o leva a se despedir do tiranossauro cubano com quase um ano de antecedência? Que história alega para se sentir cômodo com uma asquerosa tirania com mais de meio século martirizando essa pobre ilha escrava? Lula sabe que Castro está moribundo?

Em Cancun, Lula apertará com o peito o herdeiro da tirania, Raúl Castro. Presta-se a essa papagaiada proposta pelo militarote e os tiranos Castro, de ver como as engenham para criar uma marmota continental que supra a OEA e deixe os Estados Unidos e o Canadá de fora porque decretaram que estão flutuando em qualquer parte, menos na América. Lula se presta a este absurdo; com certeza tirará seus bons lucros ao fazê-lo…

Lula vai se revolver no chiqueiro de Havana e, certamente, não se dá por aludido ante a demanda que sete médicos e um enfermeiro cubanos apresentaram ante os tribunais dos Estados Unidos contra Cuba e Venezuela.

Lula também considera que é “democrático” o trato dos médicos e sua permuta por petróleo e dinheiro que a estatal PDVSA presenteia aos tiranos Castro. Nem se inteira do conteúdo dessa justa demanda, onde estes oito cubanos acusam os demandados por conspiração para obrigá-los a trabalhar na condição de “escravos modernos”, como pagamento pela dívida cubana com o Estado venezuelano pelo fornecimento de petróleo.

Na demanda também se denuncia que “o convênio dos governos de Cuba e Venezuela constitui uma flagrante confabulação comparável ao comércio de escravos na América colonial”. Porém, Lula nem toma conhecimento… e se o faz é para aplaudir os democratíssimos Castro e seu servil Hugo Chávez.

*Jornalista venezuelana, editora do site “Gentiuno
Tradução: Graça Salgueiro

MAU EXEMPLO

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por Olavo de Carvalho

Eles falam como autoridades no assunto precisamente porque ignoram que o desconhecem. Tomam-se a si próprios como unidades de medida porque não percebem o imensurável da distância que dele os separa

Que o senhor Marco Aurélio Garcia e dona Dilma Rousseff cochichassem entre si alguma opinião sobre a vida intelectual brasileira já seria, da parte deles, uma presunção descabida. Mas quando a emitem em público, e o fazem dando-se ares de quem dita regras de perfeição, entram em cheio no campo da obscenidade.

Pessoas que ocupam ou disputam cargos públicos deveriam refrear um pouco os seus impulsos exibicionistas antes de sair dando o mau exemplo de pontificar ex catedra sobre assuntos que estão acima da sua competência e até da sua compreensão.

Nem o ministro nem a candidata escreveram jamais um livro, deram um curso ou proferiram uma conferência que se notabilizasse pela amplitude da erudição, pela profundidade do pensamento ou pela criatividade das idéias.

Nada produziram, sequer, que os ombreasse à estatura mediana da classe acadêmica. Não são pensadores, nem artistas, nem educadores, nem profissionais da ciência. Não são sequer jornalistas.

Não têm com a vida intelectual senão a relação distante - e até inversa - de quem se beneficia das aparências dela para fins de propaganda partidária ou promoção pessoal. No mundo da alta cultura, não passam eles de parasitas e de aproveitadores. O único direito que lhes cabe, em tais matérias, é o de calar-se humildemente e dar ouvidos a quem sabe mais. Que se atrevam a ir um passo além disso - deveriam ser escorraçados de um recinto onde sua presença só serve para tudo aviltar e prostituir.

No fundo, o atrevimento da sua crítica aos “subintelectuais de direita” revela menos uma empáfia consciente do que uma falha de percepção, uma total incapacidade de apreender, não o mero sentido das palavras que empregam, mas as dimensões e proporções da situação de discurso, a relação entre fala e realidade, a diferença abissal entre aquilo que dizem e aquilo que são.

Eles falam como autoridades no assunto precisamente porque ignoram que o desconhecem. Tomam-se a si próprios como unidades de medida porque não percebem o imensurável da distância que dele os separa.

Nada têm nisso, porém, de excepcionais e singulares. Sua conduta mental está entre as mais típicas da burrice geral brasileira, tal como a literatura a exemplifica e qualquer educador com algum senso de observação pode confirmar.

Essa conduta não se compõe só da alienação existencial, do abismo entre pensamento abstrato e experiência concreta, mas da fusão desse handicap com um talento todo especial para o mimetismo linguístico.

O brasileiro, com efeito, capta num relance os novos giros verbais que lhe chegam do ambiente e passa de imediato a utilizá-los com um agudo senso de eficácia persuasória, desacompanhado, porém, de qualquer compreensão da sua carga semântica efetiva.

Só para dar um exemplo tirado da minha própria experiência pessoal, quando meus dois livros sobre a ciência da argumentação repuseram em circulação a velha expressão argumentum ad hominem, a nova geração, que a desconhecia por completo, notou o potencial ofensivo do termo e passou a empregá-lo a torto e a direito para fins de ataque.

E com a desenvoltura mais autoconfiante, sem ter a menor idéia das distinções e precauções que esse emprego exige (por exemplo, um exemplum in contrarium, logicamente uma das refutações mais legítimas, é com frequência apresentado sob a forma aparente de mera argumentação ad hominem).

Centenas de expressões extraídas diretamente dos meus escritos circulam hoje por aí com sentido diminuído, coisificado, prova de que foram copiadas por mimetismo instantâneo e não absorvidas mediante compreensão séria do seu significado.

A velocidade mesma com que se operam esses golpes de parasitagem verbal faz com que se tornem, por sua vez, infinitamente reprodutíveis e se alastrem em proporções epidêmicas, daí resultando que, no fim das contas, todo o debate público nacional se reduza a um obsessivo intercâmbio de camuflagens.

Juntem à deficiente ancoragem na realidade o mimetismo linguístico superficial, e terão a fórmula exata do impostor inconsciente, do vigarista que só consegue ludibriar os outros porque primeiro se ludibriou a si próprio ao ponto de poder praticar a vigarice com um elevado sentimento de idoneidade e de mérito.

Dona Dilma e o ministro Garcia exemplificam perfeitamente essa síndrome, cuja disseminação, em escala nacional, consolida a incultura presunçosa como uma espécie de título acadêmico, de especialidade científica ou prova de superioridade. Tal é hoje o típico “intelectual de esquerda” que se apresenta como modelo normativo e cobra da direita o dever de copiá-lo, sob pena de condená-la como “subintelectual”.

Não que subintelectuais inexistam na direita. Existem, e o primeiro a apontá-los ao descrédito sou em geral eu mesmo. Porém, o mais burro deles é ainda superior a Dilma Rousseff e Marco Aurélio Garcia, que só são “intelectuais” no sentido elástico e figurado que o termo possui em Antonio Gramsci.

ESTÃO DISCRIMINANDO A MINISTRA!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por Percival Puggina, do site Midia Sem Máscara

Discriminação positiva também é discriminação, se me faço entender. Vocês pensavam no quê? Discriminação positiva se faz com os portadores de deficiências, o que não parece ser o caso.

Durante recente debate no Senado Federal, após ouvir críticas de oposicionistas ao comportamento da ministra Dilma Rousseff, a senadora Cerys Slhessarenko pediu um aparte para dizer que aquelas afirmações feitas pelos senadores compunham um quadro de discriminação à mulher.

Pus-me a pensar. A confusão entre costumes e moral é das mais nocivas que se possa conceber. Pessoas tolas, observando que existem diferentes costumes, concluem que a moral “è móbile qual piuma al vento”. Salta aos olhos que isso leva diretamente ao relativismo e à imoralidade absoluta.

Pois o aparte da senadora nos sugere um exemplo que ilumina bem essa realidade: ainda que centenas de milhões de mulheres, ou mesmo que bilhões de mulheres, em inúmeras sociedades, vivam sob regras de violência e submissão, isso não torna tais preceitos moralmente aceitáveis.

Assim também com a escravidão por motivos de raça ou de dominação política.

Assim também com as condições de trabalho na China, embora atraiam como luzes as mariposas da indústria transnacional. Tais práticas são costumeiras por lá, podem até ser legais, mas são imorais.

O Fórum Social Mundial deveria fazer passeata contra o comunismo chinês. Em resumo: moral e costumes são coisas distintas e quem discrimina a mulher afronta a humanidade toda.

Por isso, a discriminação à ministra Dilma Rousseff me irrita.
Homens e mulheres têm iguais direitos políticos e não há sentido algum em tratar Serra e Ciro, de um modo por serem homens e a ministra de outro modo por ser mulher.

Isso não é justo! Todos são pré-candidatos a presidência da República e credores de equidade, ora essa.

E a ministra, meu caro leitor, vem sendo discriminada em proporções que já excederam os limites do escândalo. Sim, porque discriminação positiva também é discriminação, se me faço entender. Vocês pensavam no quê? Discriminação positiva se faz com os portadores de deficiências, o que não parece ser o caso.

Uma coisa é a cortesia dispensada às mulheres pelos homens bem educados. Ela faz parte das boas maneiras que convêm ao trato social. Ceder-lhes lugar, abrir-lhes as portas para que passem, levantar-nos quando se aproximam da mesa onde estamos, é apenas boa educação. Não é discriminação. Outra coisa é, no processo político, dispensar-se à candidata regalias e facilidades que não se conferem aos demais.

Outra coisa, ainda, é, num ato da Petrobrás onde o ministro responsável é o Edson Lobão, reservar toda a cena para a ministra da Casa Civil. O que está ela fazendo ali? E note-se que vem sendo privilegiada assim em tudo, em relação a todos, em toda parte.

De tanto que viaja sem ter por que, ela já não sabe mais onde está, nem fazendo o quê. Embarcam-na em todos os voos, erguem-na em todos os palanques, dão-lhe a palavra em todos os discursos, proclamam-na genitora do PAC, convidam-na para madrinha de todos os navios e mãe de todas as obras cuja execução depende de dinheiro que ainda não ganhamos. Isso é tão errado quanto agir como se a ministra não existisse e privilegiar a exposição de José Serra à imprensa. Mas se isso acontecesse!…

No entanto, a ministra está em toda a mídia, que a exibe como se ela estivesse vendendo espaço publicitário. Ou será que está? E o Serra, onde está? De uma hora para outra, tudo que se faz ou que se promete no Brasil é obra do PAC. E é obra com mãe. Bom, eu estou terminando de escrever um livro e quero deixar bem claro que ele não é obra do PAC.

Já passou da hora, do dia e do mês para uma ação firme do Ministério Público Federal, da Justiça Eleitoral e até do Tribunal de Contas da União contra essa escancarada, abusiva e desrespeitosa campanha feita com recursos públicos em favor da discriminadíssima candidata do presidente Lula. Queremos direitos iguais para todos os competidores, ora bolas!

NO PASSARÁN!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por Carlos Vereza, ator

Eu, Orlando Zapata,
Cubano dissidente,
e descrente,oro por você
Lula.
Por sua insensibilidade,
que nunca sabe de nada,
dos pedidos de socorro,
dos que foram fuzilados.
Oro por sua capacidade infinita
de omitir-se, de virar o rosto para o lado.
Oro por sua avidez,
sua falsa ideologia.
Uma palavra sua poderia salvar-me,
interromper minha greve de fome,
minha greve de liberdade,
minha greve de amor.
Sua cumplicidade com o arbítrio,
e a tortura em Cuba,
já tristemente saudosa de Batista.
Oro pelos intelectuais de “esquerda”,
pelo silêncio criminoso dos intelectuais de “esquerda.”
Ergo aos ceus minha prece,
por uma América Latina
livre dos ditadores,
populistas,
pais dos pobres.
Oro pelas veias cortadas
por aproveitadores da ignorância
dos povos,
dos pueblos,
dos Chicos.
Que o Deus negro
dos cubanos
perdoe sua falsa greve de hambre
alimentada por cumplices carcereiros.

Mas ustedes
No passarán

E mesmo assim,
oro por sua queda,
que ela não seja leve,
que ainda me sinto preso
à amargura,
a minha pouca santidade.

Lula, a Santería tudo viu,
tudo vê,
tudo sabe,
nada ignora.
E você e todos
os que sugaram minha comida
minha alma,
minha pouca alegria,
repito:
No passarán!

A ‘DIREITA’ QUE A ESQUERDA ADORA

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Por Heitor De Paola, de Mídia Sem Máscara

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas.

Não vim para debater, mas para combater.

Não sei se a frase em epígrafe já foi dita por alguém. Caso não tenha sido, é minha mesmo, pois resume a segunda parte deste artigo. Inverti a ordem original porque estou irritado, profundamente irritado!

Nos dias, desde a morte de Orlando Zapata coincidindo com a visita de Lula a Cuba, tenho recebido inúmeros emails de pessoas que se dizem conservadoras, “de direita”, e artigos de jornalistas idem, profundamente chocados com o silêncio de Lula em relação aos “dereitos omanos” por lá, ou condenando sua “pusilanimidade”.

Será que ainda não entenderam que o encontro de Lula com Fidel foi o encontro entre os dois fundadores do Foro de São Paulo, a maior organização comunista que já existiu na Iberoamérica?

Será que ainda não entenderam que Lula É comunista? Continuam achando que Lula é apenas “populista” e pertence a uma fantasiosa “esquerda vegetariana” e é um aliado da direita para enfrentar Chávez e a ficção chamada “bolivarianismo”?

Será que realmente acreditam que Lula queria protestar e não o fez por pusilanimidade (ao menos como entendo o termo: covardia, fraqueza, timidez)?

Será que ainda não entenderam que Lula apóia incondicionalmente tudo o que acontece em Cuba e quer implantar aqui e, se ainda não o fez é porque temos instituições que o impedem, principalmente as Forças Armadas que seu governo tudo faz para sucatear e destruir, principalmente o Exército?

Será que ainda não entenderam que se Lula falasse algo seria a favor, o que quase fez ao condenar a greve de fome como instrumento de luta (com o que concordo!) e deve ter sido objeto de vários brindes de excelente rum e baforadas de charuto entre Lula, Fidel e Raúl? O único depoimento sincero é o do Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano (vejam o título e as fotos no site).

Retorno agora à epígrafe cuja autoria reivindico: enquanto o comunismo avança celeremente sobre nós, financiado por banqueiros e empresários corruptos que já estão sentindo e gostando do bafo no cangote, o que faz a “direita”? Eventos e conclaves - financiados pelos ditos - para debater populismo, liberdade de expressão e qualquer coisa que imaginem que, se discutirem bem, vai resultar alguma coisa.

É a direita seguindo as diretrizes do PT: “precisamos discutir com toda a sociedade!”. Só que aprenderam mal: o PT discute somente entre as esquerdas, a “direita” burra convida comunistas para discutir sobre liberdade de expressão!

Sugiro que sigam outras diretrizes também, como discutir o orçamento dos grandes bancos na forma do “orçamento participativo”- e me convidem, de preferência para a “democratização” do capital!

Este bando que tem a desfaçatez de se dizer defensor das liberdades, da democracia, do estado de direito, ao mesmo tempo precisa sempre condenar a “ditadura”, pois tem vergonha de reconhecer que foi a Contra-Revolução de 64 que os (nos) salvou de já estarmos há 46 anos sob um regime castrista que ainda teremos, se depender destes idiotas cujo único interesse é amealhar fortunas ou conseguir um empreguinho nos grandes grupos de comunicação enquanto o Brasil afunda! Jamais reconhecem que o desenvolvimento de nosso País foi obra dos “milicos” que odeiam tanto quanto a esquerda.

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas. Enquanto eles ainda não sabiam falar ou controlar os esfíncteres, eu já estava nas ruas tentando conseguir armas para a campanha da “Legalidade” de Leonel Brizola, fazendo pichações contra a “ditadura” da qual só ouviram falar e nem sabem o que foi, pois acreditam no discurso esquerdista como sua bíblia. Enquanto eles começavam a balbuciar, eu estava preso em Fortaleza.

Mas naqueles tempos existia uma direita de verdade que nos derrotou. A Ação Católica, os militares honrados que assumiram o poder e morreram pobres (Castelo Branco, Emílio Medici), políticos com ideologia definida - Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, Mem de Sá, Britto Velho, Daniel Krieger - e não como hoje, interessados apenas em guardar dinheiro nas meias - só se distinguindo do PT pela peça do vestuário preferida como cofrinho! Aquela direita já teria expulsado a quadrilha que tomou conta de Brasília desde 1994. Combatia, não debatia!

Lula já disse: no Brasil a direita acabou! E o burro é ele? Com esta “direita” a esquerda está feita na vida!

EXILADOS OCUPAM CONSULADO EM MIAMI

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um grupo de exilados cubanos ocupou nesta sexta-feira, durante uma hora, o consulado do Brasil em Miami. O objeto do protesto, que aconteceu de forma pacífica, foi denunciar a “cumplicidade” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no “assassinato” do preso político Orlando Zapata Tamayo.

Cerca de 15 integrantes da Assembleia da Resistência, entre ex-presos políticos cubanos e membros de organizações do exílio, entraram nas instalações do consulado do Brasil e ocuparam uma das salas enquanto exclamavam: “Lula, cúmplice!”, “Vergonha para Lula!” e “Viva Orlando Zapata Tamayo!”.

“Lula é cúmplice da ditadura castrista e do assassinato de Orlando Zapata”, expressou Orlando Gutiérrez, diretor do Diretório Democrático Cubano, que liderava o grupo que entrou no consulado brasileiro.

Gutiérrez ressaltou que o objetivo da ocupação era pôr em evidência a “vergonha que representa para o Brasil o fato de Lula aparecer abraçado aos irmãos Castro no momento em que estão assassinando um homem pelo mero fato de discordar”.

O presidente brasileiro se reuniu com Raúl e Fidel Castro na quarta-feira, dia seguinte da divulgação da morte de Orlando Zapata como consequência de uma greve de fome de 85 dias.

O grupo de exilados, pertencentes a organizações como Plantados e Madres y Mujeres Antirepresión por Cuba (MAR), entregou ao cônsul brasileiro, Luiz Augusto de Araújo Castro, uma foto na qual Lula abraça Fidel Castro, com a imagem de Zapata Tamayo impressa entre os dois.

No verso da fotografia se lê: “Fidel Castro, assassino; Lula, cúmplice”. A imagem, que o grupo pediu que o cônsul entregue ao presidente, “deve envergonhar Lula”.

“Não há melhor documento que o rosto do prisioneiro político que ia ser assassinado pelo regime castrista”, disse a presidente da MAR, Sylvia Iriondo. “O caso de Orlando mostra a trajetória e história de crimes e violações perpetradas pelo castrismo”, disse.

Sylvia denunciou que “ainda restam muitos presos políticos cubanos em condições críticas”, ao mesmo tempo que pediu à comunidade internacional para que não tolere a “impunidade e falta de vergonha” do regime de Havana.

Gutiérrez explicou que a ação de hoje é o “começo de uma campanha para alertar o povo brasileiro de que as ações de Lula são prejudiciais para o povo cubano”.

ASSASSINOS E CÚMPLICES

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Por Norma Braga

normabraga.blogspot.com

Graças ao Senhor de toda a justiça, a morte de Tamayo está provocando protestos no mundo inteiro. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá exigem a libertação de todos os presos políticos em Cuba (duzentos, segundo os dissidentes).

Em artigo para o Boston Globe, o jornalista Matthew Price conta que perguntaram para o propalado historiador Eric Hobsbawn, leitura obrigatória nas universidades brasileiras, se a perda de vinte milhões de pessoas no regime comunista da antiga União Soviética havia sido justificável. Sem hesitar diante das câmeras de TV, Hobsbawn respondeu: “Sim.”

Há quem diga que o comunismo acabou, mas (que curioso!), mesmo morto, continua matando. Dias depois da publicação do artigo de Price, em março de 2003, houve a chamada Primavera Negra em Cuba, uma onda de prisões de dissidentes do regime castrista. Entre 75 outros cubanos, Orlando Zapata Tamayo foi preso. Seus crimes: “desrespeito, desordem pública e resistência”. Sua pena: 36 anos de detenção.

No cárcere, vinha sofrendo graves espancamentos, maus-tratos e tortura psicológica. Quase sete anos depois, no dia 3 de dezembro de 2009, Tamayo decidiu que seu martírio não seria em vão: começou uma greve de fome pelo fim da ditadura em Cuba. O chefe da prisão resolveu “dar uma forcinha” para a greve e mandou que negassem água ao preso. Hospitalizado com falência renal, foi posto nu em um quarto com um forte ar-condicionado e contraiu pneumonia. Em seguida, sem tratamento, foi levado de volta para a prisão, largado para morrer. No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 85 dias sem se alimentar, morre Tamayo.

Diante do ocorrido, qual o veredito de Raúl Castro, irmão do ditador? “A culpa é dos Estados Unidos.”

Graças ao Senhor de toda a justiça, a morte de Tamayo está provocando protestos no mundo inteiro. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá exigem a libertação de todos os presos políticos em Cuba (duzentos, segundo os dissidentes). Na República Checa, o parlamento guardou um minuto de silêncio em homenagem a ele.

Lech Walesa, líder que trabalhou pelo fim do comunismo na Polônia, está pressionando o governo cubano a favor dos encarcerados, e a Anistia Internacional se pronunciou sobre a repressão violenta do regime. A movimentação chega tarde demais, porém: desde 1957, a Cuba socialista já matou 17 mil diretamente e 83 mil no mar, tentando deixar a ilha.

E o Brasil, o que fez?

Lula estava lá e, representando-nos, calou-se diante de tudo isso.

Conta o jornalista que Hobsbawn, cúmplice ideológico do assassinato de milhões de pessoas, alegrou-se muitíssimo com a eleição de Lula para presidente do Brasil. Compreende-se. Diante das mortes simbólicas e reais do mundo socialista, ambos se irmanam em suas justificações.

Price também escreve que hoje poucas figuras da envergadura do historiador mantêm a mesma devoção ao comunismo.

Isso certamente não é verdade no Brasil. Se fosse, o barulho em torno da morte de Tamayo seria maior. Bem maior. Haveria uma indignação gigantesca contra o silêncio conivente de Lula. ONGs fariam passeatas, ativistas de direitos humanos bradariam de horror. Entre os cristãos, haveria ainda mais protestos. Na igreja protestante brasileira, pastores iriam a público pedir perdão a seus fiéis por terem apoiado Fidel e seus seguidores - Chávez, Morales, Lula. É isso que espero dos pastores brasileiros. Há muito tempo, na verdade.

E você, cristão esquerdista que apoia Fidel, que gosta de Lula, que anda com a camisa do Che, que louva as maravilhas do socialismo, já se informou? Já pediu suas desculpas em público? Até quando será cúmplice da tirania e do assassinato?

MICARLA DE MIOLO MOLE

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

A prefeita Micarla de Sousa parece ter um neurônio a menos. Como gestora é esse formidável desastre que todos já sabemos: sob a sua administração Natal está completamente à deriva e prestes a soçobrar, arrastando nessa procela além da confiança que o natalense depositou em seu mandato, durante a campanha eleitoral, o seu futuro político.

Natal, hoje, tem somente - e não é pouco - o Partido Verde devastando tudo, acabando com tudo, desmanchando tudo… Em verdade, ao darmos crédito aos nossos olhos e ouvidos,Natal não tem saúde, não tem educação, não tem cultura, não tem meio ambiente, não tem limpeza pública, não tem futuro nem esperança.

Nesse oceano de desgosto e incertezas sobre o qual boia a “prefeitura verde” como bosta nágua - como diria o culto presidente da Fundação Capitania das Artes -, uma coisa é certa. Micarla não é capaz de tirar lições da experiência.

Aí está a prova: depois da malograda gestão do engenheiro Kalazans Bezerra como titular da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, um dos mais formidáveis malogros dessa “administração verde” que seria inconsequente se os seus erros cometidos pela prefeita não tivessem consequencias, o arrogante e despreparado “ambientalista” míope vai ser remanejado para a chefia da Casa Civil; logo ele, que não tem “jogo de cintura” e já deu provas de que não tem capacidade como gestor…

Mas o descalabro do governo micarlista não termina nessa nomeação estapafúrdia. Micarla vai substituir Kalazans por um petroleiro, Olegário Passos, que não tem nada em sua ficha que possa aboná-lo para titular de uma pasta complexa e especializada que requer, mais que acordos políticos de bastidores, preparo e competência, pois trata-se de um setor especialmente visível e sujeito à intervenção da sociedade que já não mais se contenta em baixar a cabeça e ficar calada diante dos erros dos governantes.

A escolha desses nomes pressupõe um desastre anunciado. Quem viver, verá…

O NOVO CONTRA O VELHO EM LUIS GOMES

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Luciano Pinheiro de Almeida*

Muitas coisas acontecem no nosso meio e não dá para compreender porque os que estão no poder se preocupam tanto em camuflá-las e quando não dá, minimizam. Se alguém mais afoito resolve questionar é taxado de desocupado, leviano e outros adjetivos de mesma linha.

Frequentemente costumo ouvir deles uma retórica de desaforo sem que ao menos eu veja nos meios de comunicação de Luís Gomes alguém dizendo o que não seja verdade.

É um poder muito melindroso que estrebucha com críticas inocentes. Inocentes, mas verdadeiras. Imagine se alguém resolve ir fundo nas observações e endurece o jogo!

Não dá para ficar apenas como expectador, de maneira alguma. Aprendi quando adolescente, logo nos primeiros passos da minha formação social e política, e carrego essa lição até hoje, a não ter medo de falar.

Mas, muito mais importante do que falar é ser verdadeiro. Fiz isso sempre com muita responsabilidade, nunca dei margem para que os adversários de minhas ideias abalassem a credibilidade dos meus posicionamentos.

Luís Gomes está mudando. Não é mais um grupinho que pensa diferente, agora é muita gente que pensa diferente, basta ver o resultado das últimas eleições municipais. O “grupinho” de outrora plantou muitas sementes que cresceram, frutificaram e geraram outras sementes de muito boa qualidade.

Os jovens, a maioria, mesmo que de forma silenciosa e anônima, conseguem, através da internet principalmente, vomitar suas insatisfações. Nas urnas já demonstram que não são mais os mesmos, que estão aprendendo a diferenciar o joio do trigo.

Saindo da introdução para o desenvolvimento, porque caso não adiante vou demorar chegar à conclusão, as coisas não estão caminhando muito bem no meio político luisgomense.

Falhas acontecem porque somos passíveis delas cotidianamente, mas aqui na Serra do Bom Jesus, de clima não mais tão agradabilíssimo, como era noutros tempos, está extrapolando todas as expectativas de quem torcia por isso.

Ainda no ano passado, no plenário da Câmara Municipal, numa das minhas falas, cheguei a questionar a falta de atuação de alguns secretários municipais, os mesmos que menciono abaixo.

Compreendo as limitações de um secretário numa cidade como a nossa, de parcos recursos; de gestões historicamente muita centralizadas na figura do prefeito, mas bem que é possível, pelo menos tentar, fazer diferente.

O prefeito municipal Carlos José Fernandes, muito cobrado desde os primeiros dias da sua administração, nas esquinas e pela internet, especialmente por viver tão ausente do município, precisa refletir também sobre a qualidade e caráter de alguns dos seus colaboradores mais próximos, membros do segundo escalão e secretários.

É hora de fazer ajustes e mais urgentemente repensar o trabalho de alguns secretários. Major Sales NÃO é Luís Gomes. Nós, luisgomenses, despertamos antes.
Quanto aos secretários, vejamos:

O Secretário de Agricultura, Coronel Glicério Eduvirgens da Silva, um homem muito inteligente e probo, não é o nome ideal para a pasta. O maior agravante está no fato dele residir em Natal e raras vezes se encontrar na nossa cidade. Foi empossado no cargo, certamente, porque ficou na primeira suplência de vereador.

A Secretaria de Agricultura sempre foi tratada com descaso no nosso município. O Secretário anterior, meu amigo Salatiel Fernandes, tinha muita competência, mas também não residia em Luís Gomes e dificilmente se fazia presente a este município.

O Secretário de Obras e Urbanismo, o engenheiro Cláudio Fídias Freitas, mora em Pau dos Ferros e quem parece exercer a função é seu assistente o senhor, Regenildo.

O que mais pesa de negativo contra a pessoa do secretário - e sobre o quê a atual administração faz vista grossa - é o fato de estar sendo ele indiciado, pelo Ministério Público Federal, juntamente com outros, por envolvimento em licitação simulada em obra construída no município de Pau dos Ferros.

A denúncia foi publicada em diversos jornais e blogs do estado no final do ano passado. Ainda segundo a imprensa, tais irregularidades teriam sido praticadas com o uso de verba repassada pelo Ministério dos Esportes.

O Secretário de Finanças Alyssom Batista Fernandes Paschoal, apesar de morar na cidade, tem sido alvo de muitas críticas. As pessoas que lhe tem procurado para resolver assuntos da pasta que ele ocupa não conseguem ser atendidos com facilidade porque dificilmente ele dá expediente na prefeitura e, quando contrário, tem sempre a mania de dispensá-las com a desculpa de que não há cheques assinados pelo prefeito.

A ausência dele da prefeitura vem desde a administração passada quando já assumia este mesmo cargo, mas na atual gestão a situação tem piorado e muito. Para manchar ainda mais a sua biografia, no último dia 12 de fevereiro, dentro da prefeitura, ele, Alissom, agrediu fisicamente o funcionário público municipal, o comunicador Erisvaldo Silva.

A vítima imediatamente se dirigiu a delegacia e prestou queixa. Percebendo ele, segundo ouvi de pessoas ligadas ao mesmo, que a Polícia Militar não tentaria prender o secretário, o que de fato não ocorreu, voltou a Prefeitura e “fez justiça” com as próprias mãos: encontrou-o (o tesoureiro) na porta principal e deu-lhe um soco.

A polícia que no momento do segundo confronto estava em frente à prefeitura, quando o comunicador voltou para revidar, e que deveria ter detido os dois, levou preso e algemado apenas Erisvaldo.

Resultado final: não esperem mais do que isso. A queixa foi retirada e Erisvaldo, que teve seus óculos quebrados na contenda, “deve”, no máximo, caso encontre o tesoureiro (sorte de loteria), receber um cheque para comprar um novo.

A Polícia Militar, que recebeu a queixa crime e que está sendo questionada de não ter agido diferente, bem que poderia expedir uma nota de esclarecimento à imprensa. A polícia agiu com imparcialidade neste caso? Se fosse uma outra pessoa, ainda mais comum que o secretário de finanças, teria a polícia dispensado o mesmo tratamento? Não sei.

Por ser cidadão luisgomense e vereador, eleito para ajudar a melhorar a vida das pessoas, propondo projetos e fiscalizando a administração municipal, disse o que era preciso e talvez fora de prazo.

(*) Luciano Pinheiro de Almeida, vereador do Partido dos Trabalhadores

CORRUPTOS & CIA

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Hugo Souza, do
site Opinião e Notícia

O governador ora encarcerado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, personifica o que há de pior na política brasileira, e não é de hoje. Sabe-se, desde que ordenou a violação do painel eletrônico do Senado Federal, em 2001, que ali está um político useiro e vezeiro da corrupção, demagogia, descaso e outros vícios mais, todos bem conhecidos de um povo permanentemente indignado.

Outros vícios, os do processo eleitoral em nosso país, explicam o fato de ter sido o deputado federal mais votado do DF em 2002, e depois, em 2006, eleito no primeiro turno para governar Brasília. Sua prisão é justa, e sua submissão ao opróbrio público pelos meios de comunicação tem dimensão diretamente proporcional à desfaçatez dos atos nos quais foi flagrado.

Em bilhete “a amigos” divulgado pela imprensa no mesmo dia em que foi em cana, entretanto, Arruda escreveu algumas verdades que tendem a ser relegadas a segundo plano em função do punho de onde provêm, mas não deveriam.

Ele diz que “nos momentos mais graves da vida brasileira, como o impeachment de Collor, e mais recentemente a crise do mensalão do PT ou do governo do Rio Grande do Sul, não se viu medidas judiciais coercitivas dessa gravidade”.

Substituindo a expressão “medidas judiciais coercitivas dessa gravidade” — exagero que denota algum tipo de injustiça que se estaria praticando contra o signatário – por algo como “tamanho empenho em prol do esclarecimento dos fatos e punição dos responsáveis”, teremos assim uma verdade absolutamente inconveniente para muitos políticos, grupos, partidos e que tais que circulam por Brasília e outros pólos de poder.

Em suma, pode-se dizer que Arruda está neste momento no lugar certo, na cadeia, mas seria apropriado, inteligente e fundamental que o povo brasileiro não se deixasse iludir, fazendo ecoar a pergunta certa: por que o PT não é destinatário do mesmo justo e correto rigor, ou pelo menos de um rigor semelhante?

A impunidade que se seguiu ao escândalo do mensalão do PT, mencionado por Arruda, é apenas a lembrança mais imediata, e a mais indigesta, tendo em vista que Palocci e Dirceu não foram para o xadrez, mas sim para a articulação política de bastidores do partido que há sete anos comanda o país.

Outros casos de alta corrupção e até de assassinatos nos quais o nome do PT está envolvido direta ou indiretamente, entretanto, permanecem pendentes de investigações mais aprofundadas e responsabilizações penais dos culpados.

No último dia 20 de janeiro, por exemplo, a família do ex-prefeito petista de Santo André morto de forma brutal há oito anos, Celso Daniel, divulgou mais uma carta pública pedindo o esclarecimento do crime e ironizando com muita perspicácia o Plano Nacional de Direitos Humanos anunciado recentemente pelo governo:

“Acreditamos que um país que através de seu governo e de suas instituições não se mostra capaz de impedir mortes como a de Celso, de Toninho do PT e de tantos outros, e incapaz de desvendá-las, de julgar e punir seus verdadeiros assassinos, tem um longo caminho a percorrer antes de se arvorar um país dos direitos humanos”.

Para ilustrar a notícia sobre a carta da família de Celso Daniel, o jornal ABC Repórter publicou uma charge na qual o presidente Lula, vestido de rapper, diz: “Aí ó!… Não é direitos humanos, é direito pros manos… do PT, tá ligado?”.

Voltando às suspeições mais recentes, o PT foi descaradamente deixado de fora do relatório final da operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou as, digamos, relações inadequadas entre empreiteiras, partidos políticos e a administração pública.

Poucos meses depois, o governo lançou um “plano anticorrupção” prometendo até extinguir empresas que tentarem corromper funcionários públicos e membros do governo, mas ao mesmo tempo quer deixar o tema “corrupção”de fora dos debates em torno do próximo processo eleitoral, do mesmo jeito que se esmera para deixar seus grão-duques longe da mira da polícia, do Ministério Público e dos tribunais.

Dois dias antes de Arruda ir preso, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro deu uma entrevista dizendo, literalmente, que “corrupção não é tema para campanha”. Tarso é o candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul.

Ao fundamentar seu decreto de prisão preventiva para José Roberto Arruda, o ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, caprichou na oratória:

“A desfaçatez e a desinibição dos agentes de infração penal no uso indevido da coisa pública reclamam decisão proporcional do Poder Judiciário. Cabe ao Judiciário assegurar efetivamente a ordem pública, paralisando a atuação ilícita deste grupo criminoso e prevenindo a ocorrência de outros crimes que venham a praticar”.

E mais:

“Na República, o direito penal exerce o importante papel de zelar pelo bom trato da coisa pública, que inclui o patrimônio, a moralidade e a confiança do público na destinação correta que será dada aos bens públicos, sem desvio e sem apropriação ilícita”.

Cabe aqui a ideia muito usada de imaginar um marciano que chega à Terra sem saber de nada a nosso respeito. Caso esse marciano lesse a brava justificativa do doutor Gonçalves, acreditaria, coitado, que nesse imenso país ao sul do Equador todos os corruptos, da situação ou da oposição, são punidos de maneira sistemática e exemplar.

A CORRUPÇÃO CUSTA ATÉ 40 BILHÕES

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por Tamara Walid, da Reuters

A corrupção custa aos países em desenvolvimento de 20 bilhões a 40 bilhões de dólares por ano e mercados emergentes e centros financeiros são cada vez mais portos-seguros para o dinheiro desviado, disse a diretora-gerente do Banco Mundial, Ngozi Okonjo-Iweala.

Iweala disse que “uma ação global simultânea” tanto por países desenvolvidos como em desenvolvimento é necessária para controlar o fluxo de fundos ilícitos e pediu aos governos que ratifiquem a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção (CNUCC).

“Estima-se que de 20 bilhões a 40 bilhões de dólares por ano de recursos desviados saem de países em desenvolvimento para países desenvolvidos todos os anos”, afirmou Iweala, ex-ministra das finanças da Nigéria, à Reuters durante conferência contra a corrupção na capital do Catar.

“Cada vez mais vemos que os países emergentes e os centros financeiros também são portos de destino para esse dinheiro.”

A representante do Banco Mundial disse que uma promessa do G20 de ajudar a prevenir o fluxo de capital ilegal e tentar devolver o dinheiro aos países de origem é um primeiro passo importante.

“Agora, o que precisamos é de mais ação”, disse ela. “Os países desenvolvidos que recebem esse dinheiro têm de implementar a CNUCC e enviar esse dinheiro de volta e os países em desenvolvimento têm de pedir a ajuda dos países desenvolvidos.”

A adoção da convenção da ONU permitiria uma base para lutar contra a corrupção, disse ela, e ajudaria a superar obstáculos legais em diferentes jurisdições.

“Portanto, se os países realmente querem fazê-lo, eles podem porque eles podem eliminar todas essas exigências legais e congelar os ativos, tomá-los e enviá-los de volta”, disse ela.

Iweala disse esperar que a convenção anti-corrupção da ONU “não seja mais um plano bom que virará um depósito de poeira”, mas um que todos os países vão assinar. “Quando você o ratifica, precisa aplicar seus princípios a seu ambiente regulatório”, disse ela.

Entre os países que estão “fazendo um grande esforço” para devolver os recursos desviados estão a Suíça, o Reino Unido e os Estados Unidos, disse ela.

A divisão de integridade do Banco Mundial proibiu algumas empresas acusadas de corrupção de participar de seus processos de licitação, algo que tem evitado a proliferação da atividade, segundo ela.

“Essas empresas incluem nomes importantes do mundo desenvolvido e de países em desenvolvimento”, acrescentou ela.

O Banco Mundial estima que nos últimos 15 anos aproximadamente 15 bilhões de dólares foram recuperados por todas as jurisdições, segundo ela. Iweala acresentou: “Isso é apenas uma gota na bacia do que acontece todos os anos.”

“Países em desenvolvimento têm de trabalhar duro para lutar contra a corrupção e impedir as pessoas de roubar dinheiro”, disse ela. “E os países que recebem os recursos desviados devem enviá-los de volta e mostrar a essas pessoas que não há impunidade.”