Arquivo da Categoria ‘Quinto Mundo’

ELES, OS GIGOLÔS DE TERREMOTO

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Do blog Direto ao Ponto

Por Augusto Nunes

Até terremoto tem seu lado bom, imaginaram os estrategistas do Planalto no dia em que o Haiti acabou. Desde 2004 no comando da força de paz da ONU, ferido pela morte de Zilda Arns, de um diplomata e de 17 soldados, o Brasil conseguira com a tragédia o trunfo que faltava para assumir, livre de concorrentes, a condução das operações internacionais destinadas a ressuscitar o país em frangalhos. E então tomou forma a má ideia: que tal aproveitar a favorável conjunção dos astros para fazer do Haiti um protetorado da potência regional que Lula criou?

Eufóricos com o surto de inventividade, os alquimistas federais transformaram o velório de Zilda Arns em comício e escalaram Gilberto Carvalho para o lançamento, à beira do caixão, do novo projeto nacional. A frase de abertura surpreendeu os parceiros de roda de conversa: ”O Brasil perdeu uma grande militante e ganhou uma grande padroeira”. Alheio ao espanto provocado pela demissão sumária de Nossa Senhora Aparecida, substituída sem anestesia pela fundadora da Pastoral da Criança, o secretário particular do presidente foi ao que interessava: “Devemos adotar o Haiti a partir de agora. Temos até uma mártir lá”.

“Vou me empenhar para que Zilda Arns ganhe o Prêmio Nobel da Paz”, emendou Lula na roda ao lado. Expressamente proibida pelos organizadores do Nobel, a premiação póstuma foi autorizada uma única vez, para atender a circunstâncias excepcionais. Em 1961, o estadista sueco Dag Hammarskjöld, secretário-geral da ONU ao longo da década anterior, já estava escolhido quando, às vésperas do anúncio formal, morreu num acidente aéreo. Lula prometeu o que não acontece há 50 anos. Ou ignora a proibição ou se acha mesmo o cara.

Enquanto o chefe apoiava candidaturas impossíveis em cerimônias fúnebres, Nelson Jobim e Celso Amorim articulavam o movimento de resistência à invasão do Haiti por soldados e médicos americanos, armados de remédios, alimentos e equipamentos de socorro. A coleção de fiascos começou com a tentativa de retomar o controle do aeroporto da capital. Quando preparava a contra-ofensiva, Jobim soube que os ianques estavam lá a pedido do governo haitiano.

Se não fosse tão desoladoramente jeca, o governo Lula teria aproveitado a vigorosa entrada em cena dos EUA para associar-se à única superpotência do planeta e aprender o que não sabe. No pós-guerra, por exemplo, os americanos organizaram a reconstrução do Japão e da Alemanha. O Brasil, que não consegue lidar nem com chuva forte, é um país ainda em construção. Mas o presidente acha que está pronto. E preferiu disputar com Barack Obama o papel de protagonista.

Passada uma semana, só conseguiu ficar ainda mais longe da vaga no Conselho de Segurança da ONU, como avisa o resumo da ópera publicado neste 19 de janeiro pelo jornal espanhol La Vanguardia: “O terremoto ocorrido há uma semana desnudou a incapacidade da Organização das Nações Unidas para fazer frente a um desastre de tais dimensões. A onerosa missão dos 8.300 capacetes azuis não serviu para nada no momento de enfrentar a emergência e organizar a ajuda aos haitianos. O Brasil, que tem aspirações ao status de potência regional latino-americana, mostrou, como coordenador das forças da ONU, incapacidade e falta de liderança”.

Enquanto os haitianos imploram pela salvação que teima em demorar, Celso Amorim continua implorando por audiências com Hillary Clinton. Enquanto soldados brasileiros lutam pelas vítimas do flagelo, Nelson Jobim luta para prolongar por cinco anos a permanência no Haiti das tropas que visita quando lhe convém.

Tanto os brasileiros que morreram em combate quanto os que continuam no Haiti merecem admiração e respeito. São heróis. Políticos que ignoram o pesadelo inverossímil para concentrar-se em disputas mesquinhas são gigolôs de terremoto.

DESORDEM CIVIL, COMÉRCIO MACABRO

domingo, 3 de janeiro de 2010

Do Site Movimento Ordem Vigilia Contra a Corrupção/Mídia Global/UOL

Por Simon Romero/The New York Times

Primaveras fazem sombra nos caminhos do Cementerio General del Sur, onde os mausoléus de estadistas e estrelas de cinema permanecem ao lado das sepulturas de aristocratas e milhares de pessoas comuns. Leões esculpidos observam do alto de sepulcros. Elegância, e não a anarquia, já definiu este local de descanso.

Isso não ocorre mais.

Hoje, criptas de temidos governantes militares foram saqueadas. Caixões, abertos com pés-de-cabra, ficam largados sob as árvores. Barras e portões com cadeados cercam os túmulos de algumas famílias, como se isso pudesse protegê-los de uma perturbadora realidade: em Caracas, nem mesmo a cidade dos mortos está segura.

Acompanhando os crescentes níveis de assassinatos e sequestros da Venezuela, os cemitérios são o cenário para uma nova onda de crimes. Ladrões de sepulturas as estão saqueando em busca de ossos humanos, suprindo a demanda de alguns praticantes de uma religião cubana de rápido crescimento chamada Palo - que usa ossos em suas cerimônias.

Os críticos afirmam que a situação nos cemitérios reflete um colapso social, onde a impunidade está disseminada. Os crimes violentos e a corrupção policial no país estão impregnados, mesmo com o presidente Hugo Chávez pedindo pela criação de um “novo homem” - como parte de sua revolução inspirada no socialismo.

“O cemitério se tornou um emblema icônico de nossa tragédia nacional”, disse Fernando Coronil, respeitado antropólogo venezuelano. “Em nossa luta diária para manter uma ordem civil contra transgressões múltiplas na propriedade e na decência, agora nem mesmo os mortos podem descansar em paz”.

Em nenhum lugar o tráfico de ossos prospera mais que no Cementerio del Sur, como é conhecida a necrópole fundada em 1876 pelo déspota francófilo Antonio Guzmán Blanco. A grandeza de suas tumbas evoca, para alguns, Père Lachaise, em Paris.

“Ainda não consigo entender como isso aconteceu”, disse Jesús Blanco, de 42 anos, treinador de cavalos que se desesperou, em fevereiro, quando visitou o túmulo de seu pai, Melecio, e descobriu o caixão aberto e com o esqueleto desaparecido.

Muitas famílias desistiram totalmente de visitar o cemitério. Durante o dia, criminosos bêbados passeiam por seus corredores a pé ou em motos, algumas vezes atacando os visitantes. Os terríveis crimes do cemitério, como um assassinato com suicídio em novembro, enchem as páginas policiais dos jornais.

Os carrancudos policiais que rondam a entrada do cemitério pouco fazem para acabar com a desordem, segundo Armando Regalado, diretor do Aprofamiliares, um grupo de cidadãos formado no ano passado para protestar contra o comércio de ossos humanos.

“A polícia está lá para insultar e intimidar, além de ignorar os abusos que veem diariamente”, disse Regalado, cujo filho, morto a tiros três anos atrás, aos 21 anos, está enterrado em uma parte do cemitério chamada El Artista. Dezesseis esqueletos foram reportados como roubados de seus caixões somente neste ano.

A polícia entrou em alerta recentemente, quando jornalistas apareceram no portão do cemitério estatal com uma autorização para realizar entrevistas. Eles disseram que a autorização não tinha valor, e exigiram uma propina de mil bolívares, cerca de 464 dólares, para permitir a continuidade do trabalho. Diante da recusa dos jornalistas, reagiram dando de ombros.

José Francisco Ceballo, ex-gerente do Cementerio del Sur, causou tumulto em maio, quando disse que o cemitério estava “um caos”. Naquele mês, segundo ele, inspetores descobriram pelo menos 475 caixões saqueados.

Pouco parece ter mudado desde então, apesar das promessas de limpar o cemitério, disseram os padres católicos que supervisionam os funerais e parentes que visitam. Alguns motoristas de táxi se recusam a entrar no terreno, ou só o fazem com uma escolta de guardas armados.

Carolina Sanoja, sucessora de Ceballo como diretora do cemitério, não quis dar entrevistas.

Os praticantes locais do Palo afirmam que sua religião é mal-compreendida e demonizada devido aos relatos de caos no Cementerio del Sur.

Eles reconhecem a importância para sua religião dos ossos humanos, que eles colocam em um caldeirão chamado de “nganga”, junto com terra e gravetos, e oferecem a um espírito, ou “mpungu”. Mas os paleros, como são conhecidos os seguidores da religião, protegem muitas de suas práticas de pessoas de fora.

“Temos de ter cuidado, já que é fácil culpar os paleros por todos os problemas da Venezuela”, afirmou Samuel Sambrano, 34 anos, líder palero.

“Será que todos os católicos devem ser culpados por alguns padres ruins?”, perguntou. “Hipocrisia e ódio estão em toda parte, especialmente entre aqueles sem entendimento e respeito por nossas crenças”.

Zambrano, ecoando outros paleros, disse que as autoridades que administram o Cementerio del Sur eram responsáveis pela falta de controle que possibilitava um mercado negro de ossos humanos. Crânios chegam a custar US$ 2 mil, e um fêmur cerca de US$450, segundo a mídia local.

Algumas pessoas que tiveram ossos de parentes roubados culpam o governo Chávez, por ter trazido milhares de consultores políticos cubanos ao país nesta década. Porém, especialistas em religião dizem que a migração do Palo à Venezuela, e sua evolução local com fortes influências venezuelanas, antecede a ascensão de Chávez ao poder.

“O Palo provavelmente chegou à Venezuela com a primeira onda de cubanos fugitivos da revolução, no início da década de 1960, e se revigorou com o fluxo mais recente”, disse Andrew Chesnut, especialista em religiões latino-americanas da Virginia Commonwealth University.

Na religião, os ossos representam os ancestrais e espíritos dos mortos. Por conter a energia espiritual dos mortos, quanto mais poderosa fosse a pessoa em vida, mais fortes seriam os ossos, disse Chesnut.

Disso se originou a atração por restos mortais encontrados em mausoléus ornamentados. Saqueadores na tumba de Joaquín Crespo, general que governou a Venezuela na década de 1890, arrombaram não somente seu interior, mas também os túmulos de seus descendentes, no lado de fora.

A cena de destruição se repete em todo o cemitério, que é ligado a favelas através de estradas de terra.

Milvia Santos ainda treme quando descreve como se sentiu no dia das mães, quando foi visitar o tumulo de sua mãe - apenas para encontrar o caixão quebrado e seu crânio desaparecido.

“Naquele momento, me senti como se quisesse deixar este mundo”, disse Santos, de 40 anos, funcionária pública. “Então, percebi o que poderia acontecer ao meu corpo se eu morresse”, continuou, “e me sentei para chorar”.

WILMA DE FARIA CONTRA O MENINO DEUS

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Por Franklin Jorge

A governadora Wilma de Faria expôs o seu lado anticristão ao suspender a apresentação do auto natalino no campus universitário. Um ato que a coloca numa situação desconfortável perante os natalenses. Principalmente depois que ela jogou tanto dinheiro público no financiamento do Carnatal, um evento privado que tem merecido o repúdio de milhares de cidadãos.

Wilma diz que não tem dinheiro para bancar o evento. Quem acompanha seu governo não pode duvidar da sua palavra. Afinal, todos já suspeitavam que o estado está falido e que ela, a governadora, está apenas se limitando a empurrar os problemas com a barriga.

Mas, suspender o auto de natal é o fim da picada.

WILMA, O HORROR

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Por Franklin Jorge

Kurtz, emblemático personagem de romance que nas mãos de Francis Coppola se transformou em “Apocalipse Now”, morre balbuciando “o horror… o horror”, referindo-se, talvez, ao genocídio promovido pelo rei Leopoldo da Bélgica no chamado Congo Belga. No entanto, bem que Kurtz podia estar se referindo ao Rio Grande do Norte, numa antevisão do que seria o governo da professora Wilma de Faria, a inconteste patronesse de uma era de barbárie - a exemplo do monarca europeu na África -, a bárbarie que se abateu sobre nossa terra e nosso povo e que tem nome e sobrenome - Wilma Maria de Faria.

Recentemente, em Camurupim, mais de 80 senhoras da terceira idade que faziam turismo foram assaltadas e humilhadas, entre as quais, a mãe de um ministro lulista, cupincha da governadora que não deu nem pra cheirar, como diz o matuto, ou seja, não deu nenhuma importância ao caso. E veja-se que, pelo inusitado da ocorrência, a primeira no gênero registrada no estado, o assunto devia ter rendido muitas explicações à opinião pública, aos orgãos de defesa dos idosos e a instâncias palacianas federais. Nada disso, Wilma não deu bolas para o fato nem botou seu botox de molho, embora, como as vítimas, já beirando ela própria a terceira idade… No mínimo, que falta de solidariedade!

Agora foi a vez do papa-jerimum Roberto Bezerra, da Destaque Promoções, que viveu horas de terror nas mãos dos criminosos que a bordo do carro do empresário, ao passarem pelo bairro de Nova Descoberta, mataram a tiros Jeferson Coutinho, de 19 anos. O empresário, aterrorizado, assistiu ao crime.

Observe-se que Bezerra é do círculo da governadora, ou, pelo menos, beneficiário das suas generosidades que custam caro aos contribuintes. Portanto, alguém que direta ou indiretamente, tem lá os seus privilégios. Os privilégios que decorrem da promiscuidade do poder. Apesar disto, acabou sentindo na própria pele o que centenas de norte-rio-grandenses anonimos sofrem todos os dias, entregues que estão à sanha dos bandidos.

Em verdade, reina uma total insegurança em todo o Rio Grande do Norte desde que essa senhora sentou-se na cadeira de primeira mandatária. Felizmente, o fim do seu governo está próximo. Um governo que entra para a história por ter sido uma verdadeira calamidade para os justos.

CARNATAL, PREJUÍZOS E TRANSTORNOS

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Por Rodolfo Alves, produtor cultural

Os empresários desmentem o consenso geral de que o intenso fluxo de pessoas significa mais clientes. Eles justificam que os foliões lá dentro do corredor continuam andando atrás do trio. Poucos são os foliões que ficam depois que o bloco termina.

Outro prejuízo é atribuído aos vândalos que quebram os estabelecimentos sem motivo nenhum, estando funcionando ou não. Os empresários acusam a Destaque, a prefeitura e o governo de não tomar providencias mínimas como melhorar a quantidade de banheiros químicos. Isso faz com que o percurso vire um banheiro público.

Sem falar do alto custo que os estabelecimentos têm com o isolamento, seguranças e limpeza. Na segunda-feira pós-Carnatal, mesmo depois que o caminhão de água e detergente da Destaque passa pela área onde a micareta aconteceu, o mau-cheiro continua tão intenso que a maioria dos estabelecimentos tem que pagar por uma limpeza extra das ruas.

Mesmo com todos esses prejuízos os estabelecimentos não têm nenhuma compensação ou ajuda de custo dos autores da festa.

SENTENÇA DE MORTE CONTRA JUÍZES

domingo, 18 de outubro de 2009

 

Do Site Movimento Ordem Vigilia Contra a Corrupção/Correio Braziliense

Por Alana Rizzo e Mirella D’Elia

Levantamento realizado pelo Correio indica que em 15 dos 26 estados brasileiros existem casos de juízes assassinados ou jurados de morte por bandidos condenados por eles

A violência ronda os gabinetes dos juízes brasileiros. Não escolhe região nem hora para atacar. Há seis anos, o juiz da Vara de Execuções Penais Alexandre Martins foi executado a tiros na porta da academia em Vila Velha (ES). A tragédia virou livro. Vítima de uma emboscada, o juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, que atuava em presídios de Presidente Prudente (SP), foi alvejado na volta para casa, também em 2003. O julgamento do suposto mandante — Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, chefe de uma das facções criminosas mais perigosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) —, foi adiado para o próximo mês.


Todos os dias, uma jovem magistrada do Rio Grande do Norte percorre sozinha os 50 quilômetros que ligam a casa ao trabalho rezando. Teme pela própria vida e pela da filha pequena, que espera a mãe voltar. É mais uma vítima da falta de estrutura do Estado para protegê-la. No Pará, um juiz teve que deixar o trabalho de helicóptero depois que o prédio foi incendiado.No interior de Goiás, uma juíza já sofreu ameaças de grupos bem distintos. Teve a casa arrombada e revirada depois de cassar o mandato de um prefeito por compra de votos. “Me senti aviltada, humilhada, ultrajada na minha dignidade de cidadã e de profissional”, conta a magistrada, de 42 anos, que não revela o nome nem mostra o rosto por medo de represálias. Depois de mandar prender um grupo de perigosos bandidos, ela também recebeu telefonemas, bilhetes com ameaças e se assustou várias vezes ao abrir a caixa do correio e se deparar com réplicas de caixões — com pequenos bonecos dentro, simbolizando defuntos. “Eu só rezava. Compulsivamente”, conta a católica, fervorosa devota de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida.

Promovida e morando em outra cidade de Goiás, a juíza conseguiu escapar da morte. Mas paga o preço até hoje: anda com escolta 24h por dia. Só recentemente pôde voltar a lecionar e a correr, paixões que havia deixado de lado para se proteger. Um projeto, adiado nos últimos cinco anos, ainda pretende retomar: o de ser mãe. “Não tinha o direito de submeter uma criança a viver escondida”, afirma, sem conseguir esconder um traço de tristeza nos belos olhos verdes. Ela não quer passar pelo medo de perder a filha, que assombra a colega potiguar.

Casa metralhada

 

Em Mato Grosso, a juíza Hanae Yamamura de Oliveira Gabriel, 31 anos, não tem medo de dizer o nome. Mas não esquece dos momentos de terror que viveu no ano passado. Ela teve a casa metralhada depois de mandar prender integrantes de uma quadrilha de traficantes em São José dos Quatro Marcos, no sudoeste mato-grossense. “Eu, minha mãe e meu bebê (na época com sete meses) tivemos que ficar agachados num canto da casa, no chão, com a luz apagada, até que escutei a sirene da polícia lá fora. Foram os piores momentos da minha vida”, relata Hanae, que pediu transferência para outra cidade depois do episódio. “Não queria ser uma heroína morta”, lamenta.Não há estatísticas oficiais que reúnam o número de juízes brasileiros assassinados ou jurados de morte por criminosos que tentam se vingar de sentenças impostas a eles. Levantamento feito pelo Correio revela que em pelo menos 15 dos 26 estados brasileiros há registro de mortes ou de juízes vítimas de atentados ou perseguição no exercício da profissão. A maioria dos casos é mantida sob sigilo.

 

 

O risco parece ser ainda maior para quem atua nas varas criminais ou de execução penal. Vigiados e sem privacidade, os juízes federais Odilon de Oliveira e Julier Sebastião da Silva são exemplos: travam há anos uma disputa com traficantes que atuam nas fronteiras do Brasil. Só andam com escolta da Polícia Federal (PF).Em Minas Gerais, segundo o presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), Nelson Missias de Morais, 14 juízes estão sob ameaça de morte — a maioria trabalha no interior. Disputas políticas e interesses locais também acendem o sinal de alerta em outras unidades da Federação. Depois da Operação Taturana, o juiz Gustavo Souza Lima, de Alagoas, está sob proteção do Estado.


Guarda judiciária


Guarda judiciária


A violência preocupa a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que reúne 13 mil profissionais. No fim do mês, a AMB vai discutir a falta de segurança durante o congresso nacional da categoria, em São Paulo. Na última pesquisa feita pela associação, em fevereiro, os juízes ouvidos disseram que quase metade das unidades judiciais brasileiras não possui nenhum tipo de policiamento. Onde há policiais, 85% dos magistrados consideram o número insuficiente para garantir a segurança.Muitos reclamam da falta de infraestrutura dos fóruns, principalmente no interior. “É um problema que vai além do magistrado. Ele trabalha num prédio público, para o bem público. Segundo a Constituição, é atribuição do Executivo cuidar da segurança. Na maioria ou quase totalidade do país, principalmente no interior, os juízes ficam completamente desamparados. Não há detector de metais nos fóruns, não há câmeras, é um caos total”, diz o presidente da AMB, Mozart Valadares.

Uma das reivindicações da entidade é a criação de uma guarda judiciária para tratar da segurança de fóruns. “É preciso que a autoridade possa exercer sua função com tranquilidade. Queremos uma polícia dedicada única e exclusivamente ao Poder Judiciário. Isso poderia garantir a integridade dos fóruns e a segurança de magistrados, serventuários, oficiais de justiça e da população”, defende Valadares.

Atualmente, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cada tribunal tem autonomia para decidir de que forma será feita a segurança dos fóruns. Em muitos locais, a Polícia Militar é destacada para a função, mas não existe um padrão. O conselho, órgão responsável pelo controle externo do Judiciário, já constatou desvios. “Em algumas comarcas, policiais cuidam até da segurança da casa de desembargadores e não cuidam dos fóruns”, critica o presidente da AMB.

 

 

COMÉRCIO DE SERES HUMANOS

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Do Y! Posts

Paris (AFP) - O tráfico de seres humanos, a escravidão dos tempos modernos considerada uma prática muito lucrativa, continua se estendendo e destruindo vidas na Europa, denunciou uma ONG por ocasião do Dia Europeu de Luta contra Tráfico de Seres Humanoses, que se comemora neste sábado, dia 17.

A organização “Juntos contra o tráfico de seres humanos”, baseada em estimativas internacionais, afirma que o tráfico de pessoas é o terceiro comércio ilegal mais lucrativo, depois do tráfico de armas e de drogas, gera 27 bilhões de euros anuais.

Todos os anos, de 800.000 a 2,4 milhões de pessoas são vítimas do tráfico de seres humanos no mundo. Segundo a Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDC), a maioria dos países do mundo são afetados por esse triste fenômeno, seja como país de origem, de trânsito ou de destino das vítimas, principalmente mulheres e crianças.

O tráfico de seres humanos é definido pela Convenção do Conselho da Europa e pelo Protocolo de Palermo adicionado à Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Transnacional Organizada.

Diz respeito ao “recrutamento, transporte, transferência, abrigo e recepção de pessoas mediante ameaça de recurso ou recurso à força e outras formas de coação, mediante sequestro, fraude, engano, abuso de autoridade ou situação de vulnerabilidade, ou mediante a proposta ou a aceitação de pagamentos ou vantagens para obter o consentimento de uma pessoa que tem autoridade sobre a outra com fins de exploração.

A prática inclui “a exploração da prostituição ou outras formas de exploração sexual, trabalho ou serviços forçados, escravidão ou práticas análogas à escravidão, servidão ou extração de órgãos”.

Segundo o informe 2009 da ONUDC, a maioria das vítimas é explorada sexualmente.

 

SP:POBREZA ATINGE UM TERÇO DAS CRIANÇAS

domingo, 23 de agosto de 2009

Do Y! Posts

 

São Paulo — Das crianças e jovens em abrigos na cidade de São Paulo, um terço vive nesses locais porque os pais estão desempregados ou por falta de moradia para a família. São meninos e meninas que passaram por situações de carência e negligência, vivem meses ou anos sob os cuidados do Estado, mas têm mães que os visitam e que gostariam de, algum dia, levá-los para casa. Essas mães, por sua vez, são oriundas das camadas mais pobres da população - geralmente não têm mais vínculo com o pai das crianças, engravidam de outros parceiros, vivem de casa em casa e alternam desemprego com trabalhos precários e instáveis. Em um ciclo que se repete, 40% delas já foram abrigadas quando mais jovem ou tiveram algum parente próximo nessa condição.

 

O retrato dessas famílias foi traçado pela primeira vez em um trabalho feito pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente da PUC-SP, Associação dos Pesquisadores de Núcleos de Estudos sobre Crianças e Adolescentes e Universidade Cruzeiro do Sul, com apoio do Tribunal de Justiça de SP e do Ministério do Desenvolvimento Social. Entre 2007 e 2008, por intermédio dos próprios abrigos, nome dado aos antigos orfanatos, os pesquisadores traçaram o perfil e a história de uma amostra de 97 famílias que mantêm vínculos com os filhos. Do total de 4,8 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos na capital, 67% têm famílias.

“A pobreza está na base de grande parte dos abrigamentos. É falta de onde morar, de onde deixar a criança enquanto procura trabalho, de como se manter, tudo isso em um ambiente permeado pela violência nas relações”, afirma Eunice Fávero, professora da Universidade Cruzeiro do Sul e uma das autoras da pesquisa. Segundo ela, sem entender essas famílias, é impossível traçar políticas públicas que cortem esse ciclo de pobreza e abandono. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.