Arquivo da Categoria ‘Sem categoria’

ESTUDANTES QUEREM A SAÍDA DE SARNEY

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Transcrito de Y! Posts

Brasilia — Cerca de 20 estudantes universitários invadiram o salão azul do Senado, ao lado do plenário, para defender a saída do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), pelo envolvimento em denúncias de nepotismo, desvio de recursos da Petrobras e apoio a atos secretos. O grupo chegou fazendo barulho, gritando e vestindo camisetas com a frase “Fora Sarney”.

O estudante Rodrigo Pilha, que faz Pedagogia na Universidade de Brasília (UNB) afirmou que esse é apenas o primeiro protesto no Senado. “Precisamos conscientizar a sociedade em relação ao que está acontecendo com o Senado. Vamos voltar para cá”, afirmou. O grupo de estudantes está em Brasília participando do 51º Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE).

ARROGÂNCIA, DESPREPARO E FALTA DE CLASSE

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Por Franklin Jorge

 

Mossoró – A recente gravação de um programa de tevê na Cafeteria Cafezal, quase acaba em uma ação por danos morais. O programa é apresentado pela colunista social Marilene Paiva, que ignorou a ocorrência e não se desculpou com as vitimas do constrangedor episódio que envolveu freqüentadores habituais do local desde a sua inauguração.

 

Tudo aconteceu quando funcionários da Master Produções mandaram, sem nenhuma consideração ao grupo que tomava café e conversava despreocupadamente, que se retirasse, pois a mesa estaria reservada “ao pessoal da prefeita”. Em primeiro lugar, não havia nenhuma reserva feita nesse sentido, até porque se trata de lugar público.

 

A ação, reprovada por todos, tem todas as características de “assédio moral”, pela maneira indelicada das funcionárias da Master Produções ao tratar com pessoas de conceito em toda cidade de Mossoró, como o conhecidíssimo Francisco Nóbrega, alto funcionário da Previdência; o engenheiro Nilton Rêgo, durante anos diretor do Detran; o pastor evangélico João Leandro; Souza Junior, advogado; e Pedro Paiva, representante comercial, todos eles freqüentadores diários da Cafeteria Cafezal.

 

Por pouco as vitimas não moveram ação por danos morais, conforme foi cogitado no calor da ocorrencia. Mas continuam esperando os pedidos de desculpas.

PRAZO PARA UERN TERMINA HOJE

sexta-feira, 10 de julho de 2009

 

Transcrito do De Fato

Por Esdras Marchezan

 

Termina hoje, 10, o prazo dado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público do Trabalho (MPT) ao Governo do Estado para sancionar a lei que cria o quadro de cargos do campus central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e, assim, acelerar o processo de realização de concurso público para a substituição de 413 servidores prestadores de serviço por pessoas concursadas na universidade.

 

Desde 2007 que o Ministério Público havia recomendado a substituição dos servidores, mas a falta de um quadro de cargos específico do campus central impossibilitou a realização do concurso. Em maio a governadora Wilma de Faria anunciou a criação do quadro, mas até agora não sancionou o projeto de lei, o que impossibilita a validade do documento.

 

O reitor da Uern, Milton Marques, disse que acredita que até amanhã a governadora sancione esse projeto, já que o assunto tem sido bastante discutido e o prazo dado pelo MP se encerra amanhã. “Estamos nessa expectativa, até porque foi o que ficou combinado com os promotores de justiça.

Sancionada a lei, vamos passar à etapa de elaboração do processo necessário para o concurso público”, disse. O promotor da 11ª Promotoria do Patrimônio Público de Mossoró, Eduardo Medeiros Cavalcante, disse que um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) será criado para definir novos prazos para a substituição dos contratos temporários.

O primeiro TAC firmado entre o MP e a universidade foi em fevereiro de 2007. De acordo com o documento, a Uern se comprometia a seguir o seguinte calendário: extinguir 6 contratos temporários até 31 de agosto de 2007; demitir 211 servidores temporários até 31 de setembro do ano passado e substituir o restante (196) até 30 de setembro deste ano. O acordo não foi cumprido.

Mas o reitor da universidade, Milton Marques, garantiu que a intenção da universidade é resolver esse impasse neste ano. “Queremos fazer o concurso ainda neste ano. Está dependendo apenas da sanção dessa lei”, comentou.

AUDITORIA

A suspeita de irregularidades na forma de contratação de técnicos administrativos na universidade, em gestões passadas, sem necessidade de concurso público, levou o Ministério Público a solicitar ao MP, junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), uma auditoria na instituição. O trabalho foi feito em maio, pelos técnicos do TCE, mas os resultados não foram divulgados à imprensa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A LIBÉLULA E O PETRÓLEO

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Por Laélio Ferreira

 

 

A primeira “libélula de aço” a voar sobre a Cidade dos Reis Magos e amerissar no “Potengi amado”, em 21 de dezembro de 1922, foi o hidroavião “Sampaio Correia”, pilotado por Euclides Pinto Martins e Walter Hinton. Faziam um reide Nova York-Rio de Janeiro.

Euclides Pinto Martins - hoje nome do Aeroporto de Fortaleza e de uma rua modesta na Cidade dos Reis - não era um ilustre desconhecido em Natal. Nascido em 1892, em Camocim, no Ceará, muito cedo,com três meses, veio, com os parentes, para Natal. O pai era de Mossoró, mexia com salinas. O menino Euclides, batizado em Macau, estudou no vetusto “Atheneu”, morou na Rua Chile, na Ribeira. Aos quinze anos, tornou-se embarcadiço e foi morar nos Estados Unidos, onde casou e se fez Engenheiro-mecânico, no “Drexell Institute, na Filadélfia.

 

De volta ao Brasil, trabalhou para o Governo, em Natal, na Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas e na Estrada de Ferro Great Western. Apaixonado pela aviação, retornou à América, tornou-se aviador e organizou a temerária aventura. Na primeira tentativa, caiu em Guantânamo, em Cuba, destroçando totalmente o aparelho. Uma canhoneira americana  (eles já estavam lá!), a “Denver”, o recolheu e aos quatro companheiros : Hinton, um mecânico, um cinegrafista da Pathé e um repórter do New York World.

Teimoso, o danado do cearense/papa-jerimum conseguiu, em Pensacola, na Flórida, outro avião - caíndo aos pedaços! Tenazmente, de prego em prego, de avaria em avaria, fez o percurso New York-Rio em 175 dias. No ar, em vôo, gastou pouco mais de 100 horas.A chegada, à então Capital Federal, em 8 de fevereiro de 1923, foi apoteótica. Multidões nas ruas, escolta de aviões da Marinha e o Presidente Bernardes recebendo a tripulação no Palácio do Catete. Muita festa, prêmios, medalhas, selos comemorativos…

Passada a festança toda, o homem foi esquecido. No Rio, anos depois, deram-lhe o nome a um beco, na Lapa. Os pioneiros da travessia do Atlântico, Sacadura Cabral e Gago Coutinho - que não tinham chegado ao Rio voando (deixando o avião na Bahia) -, receberam nomes de largas avenidas.

Um ano e dois meses depois do triunfo, das festas e das homenagens, o praieiro de Camocim, o quase canguleiro natalense Euclides, foi encontrado morto num quarto de  modesto hotel, com um balaço na cabeça. Tinha trinta e dois anos! Andava deprimido, endividado, ficara viúvo da segunda mulher americana e - diziam - enlouquecera de amores por uma bailarina. Enfeitando a pílula, deram-no, oficialmente, como suicida. Depois, dúvidas foram levantadas, desconfiando-se que fora assassinado. Interessado na prospecção de petróleo, iria ferir interesses muito poderosos dos americanos - gente que ele conhecia tão bem…

 

 

 

 

Monteiro Lobato, no livro “Escândalo do Petróleo e do Ferro“, sustentou que Martins foi, sim, vítima dos poderosos lobbies interessados em atrasar o desenvolvimento brasileiro, qualificando-o como um dos mártires da prospecção do petróleo nacional.Morto o aviador pioneiro, nas ruas do Rio, os irreverentes cariocas, fazendo gozação com os ilustres aviadores portugueses, ainda cantavam:

 

                                                   Sacadura vem de bonde,

                                                   Pinto Martins pelo ar…

.Laélio Ferreira publica aqui, sem data fixa, a coluna Musa Faceta



DEU NO “BLOG DIÁRIO DO TEMPO”

domingo, 28 de junho de 2009

Por Laélio Ferreira

 DN Online (21/06/2009), ipsis litteris:

  

“De  Lívio Oliveira

 

Geografia

Geografia estranha

explorei.

Não encontrei a gema
que explodia em cores
entre os teus seios
pulsantes.
Mergulhei mais uma vez,
loucamente,
como quem busca
o colostro.
Boca infantil
saciada
em tuas auréolas
indecentes,
incandescentes.”

 

 

M O T E :

 

No colostro é vacinado

vai viver mais de cem anos

 

G L O S A :

 

É um bitelo avantajado,

chupa peito todo dia;

mete a boca e se sacia,

no colostro é vacinado!

Inda infante é um tarado,

cheio de sonhos profanos,

muito sacanas seus planos:

mamar, apojar num peito

- se não perder o respeito,

vai viver mais de cem anos!

 

 

Laélio Ferreira

junho/2009

 

Termina inscrições para professor substituto

quinta-feira, 21 de maio de 2009

 

Da Redação

 

Pau dos Ferros — Encerram-se hoje as inscrições para Professor Substituto do Curso de Pedagogia. São somente três vagas. As inscrições podem ser feitas no Departamento de Educação do CAMEAM/UERN.

 

No ato da inscrição, o candidato(a) deverá apresentar os seguintes documentos:

 

Cópia da Cédula de Identidade;

 

Requerimento de Inscrição assinado pelo(a) candidato(a) ou  procurador(a), devidamente habilitado, dirigido ao Presidente da Comissão Examinadora;

 

Declaração de que tem conhecimento e aceita as normas estabelecidas neste comunicado;

 

Diploma de graduação,

 

Certificado de Especialista; e

 

Curriculum Vitae, acompanhado de cópia da documentação comprobatória dos títulos.

 

Conforme o edital, a seleção será realizada em duas etapas: prova didática (eliminatória) e prova de títulos (classificatória).

 

A prova didática consistirá em aula teórica sobre o tema único para todos os(as) candidatos(as) e terá duração de 30 minutos.

 

O sorteio da ordem de chamada ocorrerá no dia 25 de maio e a aplicação será no dia 26 de maio.

 

A prova de títulos constará da apreciação dos documentos comprobatórios apresentados pelo(a) candidato(a) no ato da inscrição.

 

O resultado final será divulgado no dia 27 de maio.

 

 

 

 

DISCURSO COMENTADO DE CAFÉ AO SENADO

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vice-Presidente revela ao Senado proposta feita a Vargas para enfrentar crise e por ele rejeitada

Transcrito do site Política Para Políticos

Por Carlos Fehlberg

[Antes do 24 de agosto, o vice-Presidente revela ao Senado a proposta feita a Vargas para enfrentar crise e por ele rejeitada

Na véspera do suicídio do presidente Getúlio Vargas, o vice-presidente Café Filho, que à época era o presidente do Senado, segundo a legislação da época, fez um pronunciamento naquele Parlamento sobre o tenso quadro político da época, diante da crise político-militar que envolvia o presidente Getúlio Vargas. Nele relatou a tentativa frustrada de acompanhar Vargas numa renúncia comum, segundo proposta que levou ao Presidente, diante do agravamento da crise político-militar desde a morte do major Vaz.


Café Filho em seu encontro com Getúlio, notou que o presidente não tinha intenção de renunciar.

Nação vive momento grave.]

“Dirijo-me ao Senado, disse Café Filho em seu discurso, com a emoção de estar diante da própria Nação, de que sois uma imagem viva e fiel. A revelação dos fatos que venho trazer ao vosso conhecimento afigura-se-me um dever de minha consciência de homem público. Como presidente desta Casa, não posso e nem quero mantê-la desinformada de uma atitude que acabo de tomar, envolvendo a responsabilidade do meu mandato, perante vós e o povo brasileiro que me elegeu a 3 de outubro de 1950.

“Diante da grave crise em que se encontra o Brasil, não há nenhum cidadão que se lhe conserve indiferente. Aí estão as sucessivas manifestações, neste ou naquele sentido, de todos os setores civis e militares da opinião nacional. De minha parte, a necessidade de definir e esclarecer a minha posição avulta como um imperativo, tanto mais indeclinável quanto o meu nome- está claro que à minha revelia- por força dos meus encargos constitucionais, vem sendo ultimamente focalizado.

“Não preciso desenvolver maiores considerações para caracterizar a gravidade da atual conjuntura nacional. Também não me cabe entrar no mérito dos acontecimentos que determinaram a complexa e delicada situação em que se encontra o país.

“Já não é lícito a nenhum brasileiro deixar de reconhecer que a Nação vive no momento um dos períodos mais difíceis de sua História. O atentado que teve por palco uma das ruas centrais do maior bairro residencial da Capital da República, e no qual perdeu a vida um herói da Força Aérea Brasileira e foram feridos um jornalista da oposição e um guarda em pleno serviço, logo deixou de ser um episódio meramente policial para se transformar na origem de uma crise político militar.

“Paralelamente às revelações surgidas à margem do inquérito, já agora envolvendo outros aspectos além do crime, o envolver dos acontecimentos se tem verificado de modo a tornar cada vez mais larga e profunda a crise. Não entro na análise dos fatos para proferir um julgamento que não me compete. Limito-me a reconhecer uma situação que está aí aos olhos de quem a quiser sentir. É uma situação verdadeiramente lamentável e impressionante.”

[Inquietação geral.]

“Não se trata apenas de um impasse político. Os problemas econômicos e financeiros exacerbam-se dia a dia, adquirindo uma feição sem precedentes e ameaçando, em seus inevitáveis reflexos sociais, atingir proporções imprevisíveis.

“Em meio a esse quadro, em que as palavras parecem impotentes para descrever uma realidade que todos vêem e sentem, sobressai uma inquietude geral. Governo, oposição e povo através de todas as classes civis e militares, se mostram apreensivos e inseguros. Ninguém está tranquilo. A ordem e o próprio regime parecem equilibrar-se num fio, às bordas de um despenhadeiro. Não há quem não perceba que, a qualquer momento, tudo poderá precipitar-se na voragem de surpresas desagradáveis, que nem sempre dependem da vontade humana.

“Foi diante desse estado de coisas que em alguns círculos se começou a admitir a hipótese de uma solução através da transmissão do poder supremo ao Vice-Presidente da Republica. O silêncio e a indiferença de minha parte poderiam ser erroneamente interpretados. Por outro lado, poderia parecer que a minha pessoa estava sendo obstáculo a uma solução da crise.

“Tomei então a iniciativa de procurar o Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas. Fui levar-lhe não só as impressões recolhidas em contato com os chefes militares e os líderes políticos de maior responsabilidade, mas a propor-lhe também uma fórmula concreta, que me pareceu capaz de abrir margem a uma solução alta e impessoal, em que, acima de quaisquer sentimentos pessoais ou partidários, se colocassem os sagrados interesses nacionais.”

[Renúncia como saída.]

“Essa fórmula consistia na renúncia simultânea do Presidente e do Vice-Presidente da República, de modo a permitir, de acordo com a Constituição, a eleição de um novo Presidente, dentro de trinta dias, para o término do período presidencial. Deste modo não seria por causa da perspectiva de minha ascensão ao Governo ou em virtude de qualquer ambição ou intransigência de minha parte, nesse sentido, que a Nação não voltaria ao ritmo de sua vida, pelo qual tanto anseia. O exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas ficaria à vontade para encaminhar essa solução. Não haveria o cunho de uma substituição imposta por adversários políticos’’.


[Versões políticas sugerem que o vice-presidente Café Filho fez um jogo duplo na crise de 1954.]

“Ambos daríamos uma demonstração de espírito público, de abnegação patriótica e de sensibilidade cívica, colocando a Nação diante de uma situação nova, permitindo uma solução alta, isenta de qualquer mácula de origem.

“Expliquei a S. Excia as razões do meu gesto. Narrei-lhe, com a sinceridade que a hora exige dos homens públicos, o resultado de várias conferencias que eu mantivera. Expus-lhe a situação real do Governo dentro do Senado, que conheço através do convívio que aqui tenho. Revelei-lhe o teor de uma conversa em que o líder Gustavo Capanema fez comigo um balanço das forças dentro da Câmara dos Deputados.

“Transmiti-lhe o que tinha ouvido de chefes militares, especialmente dos Ministros da Guerra e da Marinha. De nenhum desses líderes, tanto das forças políticas como das forças armadas, recolhi qualquer palavra de garantia ou segurança, já não digo sobre a possibilidade de manter a atual situação, mas sobre a viabilidade de uma fórmula capaz de abrir caminho a uma recuperação da autoridade do Governo, tão duramente comprometida.”

[Vargas pediu tempo.]

 “A verdade é que de nenhum setor pode vir tal garantia ou segurança. Todos se sentem dominados pela incerteza e conscientes dos perigos que rondam a Nação.

“Daí a decisão que assumi na tarde de sábado, dia 21, indo à presença do Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas, para oferecer a contribuição única que de mim dependia, com base na minha própria renúncia. Assim agi na convicção de estar cumprindo o meu dever para com a Nação. S.Excia, depois de ouvir-me, disse que precisava pensar e prometeu-me uma decisão, que ontem me foi transmitida de modo negativo.

“Eis aí, senhores Senadores, o relato que eu considerei de meu dever fazer a esta Casa, como complemento indispensável, da atitude que assumi. A minha renúncia à Vice-Presidência da República importaria, evidentemente, na renúncia automática às funções de Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal.

“Mas não é só por isso que resolvi fazer-vos esta comunicação. É também pelo alto apreço e pela minha afetuosa estima de que vos tornastes credores, pelas atenções que me tendes dispensado através de quase quatro anos de uma convivência para mim tão honrosa quanto inesquecível. Político de origem popular, a minha passagem pela presidência deste órgão do Poder Legislativo do meu País, representa a emoção suprema de minha vida.”

[Força do poder político.]

“A Constituição da República, num de seus mais sábios dispositivos, confere ao Senado uma situação privilegiada no mecanismo do regime. Como representantes dos Estados, sois os membros que compõem o corpo e dão vida à Federação. Sois, portanto, dentro da estrutura jurídica do sistema constitucional e da democracia representativa, os esteios e os guardiões da unidade nacional.

“Numa hora em que esta unidade periclita, as vossas responsabilidades crescem mais do que nunca. Se é verdade que pertenceis a um Poder desprovido de forças materiais, não menos certo é que tendes sob vosso encargo as armas da Lei, sem as quais nenhuma nação pode sobreviver dentro dos padrões da democracia e da civilização. Eis por que, ainda quando outras razões me faltassem, eu não poderia manter-vos no desconhecimento das gestões que acabo de promover, com o espírito voltado exclusivamente para os anseios da paz e união que neste momento sacodem a alma nacional. Era o que eu tinha a comunicar-vos, Senhores Senadores.”


[Relações políticas entre o presidente Vargas e o seu vice Café Filho sempre foram marcadas por uma certa reserva.

Com o suicídio de Getúlio Vargas, Café Filho assumiu a Presidência, mas um ano após, sofreu impeachment da Câmara, diante das evidências de que alegara doença para afastar-se, entregando o cargo ao presidente da Câmara, deputado Carlos Luz, que demitiu o ministro do Exército, Teixeira Lott, abrindo caminho para tentar impedir a posse de Juscelino. O esquema era articulado pela UDN de Carlos Lacerda. Que mais uma vez estava à frente de um movimento de pressão contra o governo.

O golpe acabou inviabilizado diante da rearticulação do grupo de militares liderados pelos generais Teixeira Lott e Odylo Denys. O presidente eleito, Juscelino Kubitscheck, cuja posse estivera ameaçada, assumiu na data marcada.]

‘BOLSA-VASELINA’ INSPIRA POETA POPULAR

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Por Franklin  Jorge

O governo do  presidente Lula bota o seu bloco na rua através de decisão do Ministério da Saúde, adquirindo gel lubrificante para “reduzir os danos” nas relações sexuais anais. A medida, com algo de troça carnavalesca, revoltou muita gente, mas inspirou o poeta popular Miguelzinho de Princesa, que, com muita graça, compôs o cordel “Bolsa-Vaselina” que ultrapassou nossos limites geográficos e está dando o que falar, até, no exterior. Enfatizando assim a cultura do pitoresco que tanto empolga aos turistas e aos brazilianistas.

 A verdade nua e crua é uma só: além de dar o que falar aos brasileiros, o talento de Miguezim de Princesa ultrapassou nossas fronteiras. E, segundo noticia divulgada na imprensa nacional, seu trabalho será objeto de estudo do Trinity College (EUA),  por iniciativa de Eric Galm, pesquisador de música brasileira e professor de etnomúsicologia, que escreve um livro sobre essa expressão de cultura popular no Brasil. Leia-se abaixo os versos do cordelista:

BOLSA-VASELINA

Sem ter mais o que doar,
O Governo da Nação
Resolveu, virando os olhos,
Gastar mais de R$ 1 milhão,
Doando para os viados
Bolsa-lubrificação.

I
Quem tem o seu pode dar
Da forma como quiser
Seja feio, seja bonito,
Seja homem ou mulher,
E tem de agüentar o tranco
Da forma como vier.

III
O Governo Federal,
Que em tudo quer se meter,
Decretou que o coito anal
Tem mas não pode doer
E o Bolsa-Vaselina
Surgiu para socorrer.

IV
Quinze milhões de sachês:
A farra está animada!
Vai ter festa a noite inteira,
Até mesmo na Esplanada,
Sem ninguém sequer sentir
A hora da estocada.

V
Coitada da prega-mãe,
Vai perder o seu valor,
Pois é ela quem avisa
Na hora que aumenta a dor
E protege as outras pregas
De algum violentador.

VI
O governo quer tirar
Do gay a satisfação,
Como mulher sem praze
(Fonte de reprodução),
Porque tanta vaselina
Vai tirar a “sensação”.

VII
- É para reduzir danos
- Defende logo um petista.
Porque na hora do coito
Dá um escuro na vista
E a dor é tão profunda
Que eu sinto dó do artista.

VIII 
- Mas tu já desse, bichim?
- pergunta Zé de Orlando.
O governista sai bravo,
Dando coice e espumando,
Pega o “rabo de cavalo”
E sai no dedo enrolando.

IX
O Brasil é mesmo assim:
Prostituta tem prazer,
Vagabundo tira férias,
Se trabalha sem comer
E quem dá o ás-de-copas,
Dá mas não pode doer.

X
O governo resolveu
Dar bolsa pra todo mundo
E criar um grande exército
De milhões de vagabundos
Só faltava esta bolsa
De vaselinar os fundos.

 

Para alguns, em alguns momentos o poeta pode ter sido “politicamente incorreto”, ao abusar de expressões chulas tão gosto popular. Não preciso citá-las. Porém, considerando-se a grave situação do País, está o poeta paraibano  Miguelzinho de Princesa certo numa coisa: o governo petista está botando, sem dó nem piedade, no povo brasileiro. 

“O SANTO OFÍCIO”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Transcrito de O Jornal de Hoje

O jornalista Franklin Jorge cria site com o intuito de publicar obras literárias e produzir conteúdos que fujam dos enfoques primários ou amestrados por interesses corporativos. Franklin Jorge, 56 anos, escritor e jornalista, editor do site www.franklinjorge.com e do blog “O Santo Ofício”, um fenômeno de comunicação na Internet, fala de sua experiência e de seus projetos, como a difusão dos autores norte-rio-grandenses estreantes e consagrados, além da criação de museus de literatura e artepostalismo formados a partir do seu valioso acervo recolhido em quase 40 anos de atividades culturais.

O JORNAL DE HOJE - Me conte um pouco da sua trajetória profissional?
Franklin Jorge
- Cheia de altos e baixos, mas fiz tudo o que desejava fazer e continuo fazendo, como escrever o que penso sem a canga de interesses subalternos. E sempre com um foco, construir uma obra literária que dê voz àqueles que não têm voz.

O JORNAL DE HOJE - Como surgiu a idéia de criar o blog?
Franklin Jorge
- Fui dos primeiros, no Rio Grande do Norte, a acreditar e a investir na Internet, ao publicar em setembro de 2.000 nossa primeira revista virtual, numa época em que não existiam ainda as lan houses e o número de internautas, em Natal, caberia dentro de um ônibus. Mesmo assim, criamos “Navegos” que chegou a ter 40 editores contribuintes. Era uma bela publicação criada com a tecnologia e o webdesign de Mônica Rayol. Nosso editor-executivo era o jornalista Paulo Sérgio Martins, que pode mostrar então o seu talento. Tivemos que parar porque na verdade havíamos nos adiantado no tempo… Seis anos depois criei um site a que não dei muita divulgação e nisso tive muita sorte, pois acabei logrado pelo webmaster. Em 2008, após amadurecer um novo projeto e estudar a sua viabilidade, contratei uma empresa mossoroense, a Grospim, do competente Daniel Lopes, e lancei o site, no qual incluímos um blog, “O Santo Ofício”. Lançados em 11 de agosto do ano passado e depois de ficarem sem novas postagens durante mais de 80 dias, por causa de uma bateria de vírus mal-intencionados que destruíram arquivos inéditos e desfizeram a configuração do site, voltamos recentemente a fazer publicações regulares e já contabilizamos mais de 54.000 acessos, o que segundo pessoas que são do ramo, constitui um verdadeiro fenômeno de comunicação. Creio que conquistamos a confiança dos leitores e uma grande audiência em franco processo de expansão.

O JORNAL DE HOJE - Qual a proposta do blog?
Franklin Jorge
- Produzir conteúdos que fujam dos enfoques primários ou amestrados por interesses corporativos. Pessoalmente, tenho publicado muito sobre cultura e produzido alguns artigos políticos, satisfazendo assim um velho desejo de jornalista: praticar aquilo que entendo como articulismo político, não como mero registro dos fatos, mas interpretando-os segundo valores éticos. Não vendemos opinião.

O JORNAL DE HOJE - Em breve, o site lançará alguns escritores?
Franklin Jorge
-sim, estamos finalizando a publicação de sete séries de minha autoria que, ao final, darão espaço a novos autores, alguns tarimbadíssimos. Novos, quero dizer, naquele espaço que continuará publicando a cada dia uma série diferente, algumas com duração entre 15 e 50 semanas. Já estão programadas séries extraídas de livros de Lêda Gurgel Batista ["Cartas da Infância"], Nelson Hoffmann ["O Homem e o Bar"], Caio Flávio Fernandes ["Sertão Bravio"], Nivaldete Ferreira ["Memórias de Bárbara Cabarrús"], Anna Maria Cascudo Barreto ["O Colecionador de Crepúsculos"], Honório de Medeiros [sobre Massilon Leite, que convenceu Lampião a atacar a cidade de Mossoró em 1927] e a continuação do meu “O Spleen de Natal”. Também aos atuais colaboradores, como o Procurador Regional da República Edilson Alves de França, os jornalista Walter Medeiros e Nadja Lira, e às cronista Zélia Maria Freire e Nivaldete Ferreira, se juntarão novos nomes, entre os quais o da atriz Socorro de Figueiredo e do professor e ensaísta Márcio de Lima Dantas e o poeta e jornalista Adriano de Souza, que terão espaço cativo no site e no blog. Tenho a esperança de acrescentar a estes nomes o de Franci Fernandes, que muito admiro.

O JORNAL DE HOJE - Quais são os critérios para ter uma obra postada lá?
Franklin Jorge
- Sempre, como Lênin, acreditamos que a qualidade deve estar presente em tudo. Este deverá ser o critério a nos nortear.
 
O JORNAL DE HOJE - Qual a sua opinião sobre a produção literária no Rio Grande do Norte?
Franklin Jorge
- Temos alguns bons valores, no passado e no presente, mas falta uma política cultural que dê visibilidade à produção local. Sobretudo carecemos de uma critica militante. No passado tivemos grandes luminares como Edgar Barbosa, Nilo Pereira, Américo de Oliveira Costa, Câmara Cascudo, Berilo Wanderley e Navarro; hoje temos Nivaldete Ferreira, Rodrigo Levino, Franci Fernandes, Márcio de Lima Dantas [excelente critico], João Gualberto Aguiar, Marize Castro, mas falta-nos a critica. Não podemos ter uma produção literária de qualidade sem o exercício da critica. O que temos, atualmente, é uma espécie de crônica mundana da cultura, geralmente praticada por uma gente despreparada que não sabe sequer discernir os estilos de época.
 
O JORNAL DE HOJE - E, a crescente procura da população pelos escritores locais?
Franklin Jorge
- Não tenho certeza disso. Me parece que ninguém lê os autores locais.
 
O JORNAL DE HOJE - Na sua opinião, a internet por ser um espaço democrático foi um dos grandes responsáveis por estimular a leitura?
Franklin Jorge
-A internet é a mídia planetária. Criou mundos novos e novas categorias de leitores. No Brasil, em dois anos, o número de internautas cresceu em 73%. Somos o segundo país do mundo com maior numero de pessoas regularmente conectadas, mais de 40 milhões. É um número portentoso. Creio até que, como veiculo de comunicação, a internet sobrepuja a mídia impressa, mas em muitos casos carece de qualidade e de conteúdos capazes de orientar a leitura. Lê-se mais, é verdade, mas não tão bem quanto podíamos desejar. Em todo caso, resumindo, a internet socializou a leitura, sim. Mas é uma leitura ainda de má qualidade. Uma leitura motivada pela indústria cultural, como deu provas recentemente disso uma professora da UERN, ao recomendar aos seus alunos a leitura de Paulo Coelho… Por proporcionar a auto-edição, a internet tem se tornado conivente com a mediocridade que se encastela em toda a parte. Porém, de qualquer modo, está ajudando as pessoas a pensarem melhor sobre as coisas.
 
O JORNAL DE HOJE - O que você diz sobre o sucesso dos blogs?
Franklin Jorge
- Inevitável. O blog responde a uma demanda reprimida dos leitores por opiniões independentes. Uma prova disto um artigo recente que escrevi sobre as primeiras semanas do governo de Micarla, em pouco mais de três horas tivemos 800 acessos e uma profusão de comentários que publiquei e alguns dias depois, inadvertidamente, ao editar novos comentários, deletei… Também devemos considerar o papel que teve a internet, recentemente, na reeleição do prefeito de Pau dos Ferros. O candidato derrotado alegou em juízo que minha participação como marqueteiro, através da internet, desequilibrava o pleito…
 
O JORNAL DE HOJE - Franklin Jorge por Franklin Jorge?
Franklin Jorge
- Alguém que se empenha em ser melhor do que é.

Gato recebe beneficio do Bolsa Família

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

De Yahoo Notícias-Agência Estado

Billy, um gato com 4 anos de idade, foi cadastrado no Bolsa-Família como Billy da Silva Rosa, e recebeu durante sete meses o benefício do governo, R$ 20 por mês. A descoberta ocorreu quando o agente de saúde Almiro dos Reis Pereira foi até a casa do bichano convocá-lo para a pesagem no posto de saúde, conforme exige o programa no caso de crianças: “Mas o Billy é meu gato”, disse a dona da casa ao agente.

Ela não sabia que o marido, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador do programa no município de Antônio João (MS), recebia o benefício do gato e de mais dois filhos que o casal não tem. Os filhos fantasmas faziam jus a R$ 62 cada, desde o início de 2008, quando Eurico assumiu o cargo.

O golpe foi identificado em setembro e o benefício foi suspenso. Eurico ainda tentou retirar Billy do cadastro e pôr o sobrinho Brendo Flores da Silva no lugar. Mas já era tarde. No início desta semana o “pai” do gato Billy acabou exonerado a bem do serviço público e está sendo denunciado à Justiça. O promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro disse que o servidor terá de devolver o que recebeu ilegalmente. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

 

 

 

CARNATAL, O NOME DA CORRUPÇÃO

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

 Publicado a pedido de vários internautas. Envie sua opinião sobre


UMA FESTA PRIVADA BANCADA PELOS CONTRIBUINTES

O nome - Carnatal - já é de extremo mau gosto. Impressiona como o evento é artificial, comercial, enganador.

 

Trata-se de um evento de uma empresa privada, totalmente apoiado 
pelo poder público - ou seja, por nós - para benefício de poucos.

 

Vejamos o apoio ofertado pelo poder público: Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, STTU, DETRAN, Hospitais, SAMU, Guarda Municipal, iluminação pública, Limpeza Urbana etc, Não se tem idéia
desse custo.

 

Atentem para algumas coisas relevantes: economicamente, é uma grande sangria para a nossa cidade.

 

Senão vejamos:


 As camisetas são fabricadas na Bahia. Mas o dinheiro sai daqui. 
(Nem isso nós ganhamos).


Os músicos e os famigerados trios elétricos levam todo o dinheiro, fortunas, para fora do estado. Saem rindo do povo, não cantam nada, é só mãos para cima, 
sai do chão… para a direita..,. para a  esquerda, e o povo obedecendo imbecilmente. Dá pena tamanha ignorância.


A festa agrava o quadro social com a cumplicidade dos governantes, que deveriam zelar pelo bem-estar da população, que gasta sem poder, deixando às vezes de comer para brincar. Os pais, pobres assalariados, passam 10 meses pagando uma roupa ridícula que chamam de abadá, pressionados por seus filhos, gerando problemas financeiros dentro de casa.

 

Não se enganem. Poucas podem arcar com o custo do Carnatal. Se é problema de cada um? Será mesmo? Será que o problema social não é de todos e do governo, principalmente?

 

A empresa privada que promove o evento fatura de todos os  lados. Tudo é patrocinado. Teria que pagar muito imposto em razão disso. Porque será que é apoiada pelo governo? E ainda se diz, publicitariamente, que o Carnatal promove o desenvolvimento e gera emprego….Durante quatro dias? Que emprego?  Segurar corda?

A prostituição é grande nesses quatro dias, a sujeira maior e quem paga a conta é o 
contribuinte. O prejuízo do comércio local é considerável. Enorme. Conversem com os empresários a respeito. O estado fica mais pobre durante estes quatro dias, quando a economia real da cidade fica em suspenso.

Para que houvesse benefício para a cidade, este evento deveria 
ser taxado fortemente - seja na forma de IPTU - ISS - ou outro imposto que o valha.

E o dinheiro que a empresa organizadora arrecada? Para onde vai? É declarado para ser taxado pelo I. R.? Seus sócios declaram? É aplicado em nossa cidade ou também sai  para investimentos financeiros?

 

Dizem que a cidade ganha em prestígio, que aumenta o turismo futuro, etc. Alguém tem como provar essa
 afirmação? Demonstrar publicamente uma contabilidade disso tudo?

É evidente que durante o evento, alguns seguimentos conseguem 
bons frutos. Motéis, Bares, Restaurantes, Hotéis, vendedores ambulantes etc. Ok. Mas apenas durante o evento. E depois? Não haverá um grande intervalo para novos faturamentos, face à sangria que houve no período? E o transtorno para a população em torno? O trânsito que vira um inferno nas adjacências? A tranquilidade dos nossos cidadãos não conta? Nada disso importa?

 

É no mínimo estranho o fato dos processos contra o Carnatal esbarrarem na justiça, sem solução e/ou engavetados, beneficiando unicamente a Destaque em detrimento da população que é a única  prejudicada. A título de informação, em eventos semelhantes, a justiça deu ganho de causa ao povo de Recife, Fortaleza e de outros estados. 
Mas em Natal, ganha a Destaque…!

O  assunto é relevante. Deve ser discutido em profundidade por toda a sociedade e sem emocionalismos. Se você, leitor, concorda, repasse esta mensagem para a maior quantidade de pessoas que conhece. Quem sabe, a exemplo de outros estados, essa FALSA festa acabe. Se não concorda,  é só deletar. Mas antes de ser contra ou a favor apenas emocionalmente, procure ler outra vez e faça uma  análise sem paixão. Mesmo que você goste do evento.

ASCENDINO E O JORNALISMO

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

 

Por Franklin Jorge

Recorda-se o mestre Ascendino Leite [Piancó, 1915-] de um tempo em que a imprensa nacional se pautava por dois tipos de jornalismo e, consequentemente, de jornalistas. Atualmente, com o compromisso ético desmoralizado pelo afã dos negócios, do lucro obtido às vezes em desfavor dos leitores, predomina apenas um desses tipos de imprensa, o que explica sem dúvida a má qualidade do que é publicado, especialmente na imprensa provinciana, sempre sujeita à publicidade dos governos que em grandes jornais, como a Folha, o Estadão etc, por exemplo, é minoritária em relação à publicidade dos grupos privados.

Ei-los, pois, esses dois tipos de jornal e de jornalistas, explicados pelo grande estilista paraibano, autor de um infinito e imprescindível “jornal literário”:

Dos jornais, o primeiro era feito para as necessidades primárias, dos fatos que constituíam a noticia e que servia, sem opinar, aos interesses do leitor intelectualmente mediano e pouco exigente, impondo-se assim ao gosto popular – quase sempre – pelo sensacionalismo.

O segundo tipo comprometia-se essencialmente com valores culturais, de povo e de elites, defendendo uma opinião sempre política à serviço de uma classe, segundo um padrão que granjeava para si certa projeção de respeitabilidade e de poder de influência.

Nesse tipo de imprensa militavam os articulistas que lhes dava uma personalidade característica, uma autoridade de opinião, enfim, uma confiabilidade de que carece, em sua maioria, os jornais atualmente em circulação, quase sempre caudatários de grupos e de interesses que, por sua natureza, contrariam os interesses dos próprios leitores.

Quanto aos jornalistas, os do primeiro tipo caracterizavam-se pelo fato de serem desprovidos de opinião, não passando de meros tarefeiros devotados a noticiar e informar os fatos secamente e sem considerações pessoais; enquanto os do outro tipo, geralmente providos de estilo e cultura humanística, interpretavam e comentavam a noticia, firmando-se, por sua confiabilidade, em orientadores ou referencia para os leitores em busca da essência dos fatos e de sua correlação com a realidade nem sempre visível da superfície.

Considerando-se o que nos diz Ascendino do alto de sua cátedra, prevalece atualmente uma imprensa e um jornalismo do primeiro tipo, sem nobreza e sem distinção, à serviço não do conhecimento mas da informação que se esgota na mera leitura dos tópicos, quando não apenas, meramente, com o veiculo de anúncios ou de anunciantes que querem vender a todo custo ou impor sua opinião ou ideologia. A do segundo tipo, representante de uma cultura baseada no humanismo e na ética, tornou-se paulatinamente um raríssimo artigo de luxo.