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domingo, 5 de julho de 2009

Da Redação

 

Estamos abrindo nossas páginas à colaboração voluntária de universitários, desde que os textos não estejam escritos em jargão acadêmico. Damos preferência a ensaios curtos, a textos críticos e crônicas sobre o cotidiano, fatos e pessoas. Não publicamos poesia, exceto quando inseridas num contexto analítico ou interpretativo. As colaborações não serão remuneradas. O projeto tem como objetivo otimizar a interação com as universidades.

Dependendo da peculiaridade do texto, ele pode ser publicado em canais específicos do Site www.franklinjorge.com, a saber: “Babélia” [crônicas, contos, criticas], “Grande Angular” [reportagens, entrevistas, ensaios], “Galeria” [critica de arte] e no blog propriamente dito, “O Santo Oficio” [artigos de interesse geral, o que inclui articulismo politico] etc.

As colaborações devem ser enviadas  ao editor através dos e-mails:

.franklin@franklinjorge.com

E

.franklinjorge@yahoo.com.br

Posteriormente abriremos espaço para outras colaborações, na área da Fotografia, por exemplo. Dúvidas podem ser tiradas pelo telefone que consta do Canal “Contato” publicado na barra superior desta página.

 

A LUZ E AS TREVAS

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Por Honório de Medeiros

 

Aqueles que são de minha geração e gostam de ler conhecem a obra de Herman Hesse, principalmente um livro cujo título é “Sidarta” no qual ele romanceia a vida de Buda. Quem, no entanto, deixou-se fascinar pelo escritor, e foram muitos na década de 60/70 aqui no Brasil, leu praticamente tudo seu que foi traduzido para o português: “O Lobo da Estepe”; “O Jogo das Contas de Vidro”; “Demian”; “Gertrud”; “Pequenas Histórias”; “Narciso e Goldmund”…

 

Dentre essas obras é possível que “Demian” seja considerada menor. Na verdade, a crítica faz loas a “O Jogo das Contas de Vidro” e, em menor escala, a “O Lobo da Estepe”, embora a obra mais conhecido seja, sem qualquer dúvida, “Sidarta”. Em “Demian”, Hesse nos apresenta um adolescente cuja existência fascina um seu colega de escola – o relator da história – principalmente por conta de sua mãe, mulher bela e misteriosa, e de sua relação com uma seita religiosa praticamente desconhecida denominada “Cainismo”.

 

O que seria esse “Cainismo”? Quando essa questão aparece na convivência entre “Demian” e seu interlocutor, aquele lhe apresenta uma longa relação de personagens históricos condenados por algum deslize, algum erro fundamental. É o caso de Caim, o irmão de Abel, cujo nome batiza a seita; é o caso de Eva; é o caso de Judas Iscariotes. Vale ressaltar que o cainismo foi resgatado do obscurantismo, no século XIX, pelo poeta Lorde Byron, e hoje somente existe enquanto referência histórica em obras emboloradas de historiadores praticamente desconhecidos.

 

A pergunta que Demian faz a seu interlocutor, Emil Sinclair, um atormentado com sua impossibilidade de compreender o que lhe cerca, durante todo o transcorrer da trama é se haveria Abel sem Caim; o Homem, sem Eva; Jesus, sem Judas. Evidentemente, a tese implícita por trás de sua argumentação é se haveria Luz caso não houvesse Trevas; se haveria o Ser, se não houvesse o Nada, remetendo-o a uma perspectiva dualística da realidade, cujas raízes talvez pudessem ser rastreadas, no Ocidente, até Heráclito de Éfeso, cognominado “O Obscuro”.

 

Romance nitidamente iniciático, “Demian” alegoricamente parece nos apresentar a um processo de inserção de um jovem sensível e inteligente na realidade das coisas, ou seja, a um processo de maturidade que o arranca do ideal no qual vive e se constrange por não compreender, e o joga na vida como ela de fato é, no real, através de ações transgressoras e piedosas que lhe revelam a dupla face da vida, algo possível de ser percebido.

 

Questões como essa originaram ecos sólidos durante os famosos anos 60/70, quando se questionava o modelo de vida que a sociedade materialista ocidental impunha a seus integrantes. Havia o fascínio do Oriente e seu estilo de vida, quase como contraponto para quem não comungava com o capitalismo ou o marxismo. Dela somos todos herdeiros de uma forma ou de outra, principalmente naquilo que seus maiores representantes, os “hippies”, nos deixaram de legado, e não foi somente música e drogas.

 

Ainda hoje há, em alguns espaços diminutos, uma preocupação esotérica com aspectos da realidade que parecem estar muito distante do feijão-com-arroz cotidiano que é a luta pela sobrevivência: discutem-se óvnis, vida após a morte, holística, e assim por diante. Mas também há espaços diminutos que resultam de preocupações que têm raízes solidamente firmadas no concreto, e que são voltadas para a compreensão, por exemplo, da existência ou não da antimatéria. Esta questão poderia ser, numa perspectiva a ser referendada por Hesse, nada mais, nada menos, que o dualístico embate entre Luz e Trevas.

 

[Honório de Medeiros escreve em "Babélia" às sextas-feiras, porém hoje, excepcionalmente, por questões técnicas, está publicando neste espaço, esperando voltar ao seu espaço habitual na próxima semana]

BABÉLIA: ENSAIO EVOCA NÚBIA LAFAYETTE

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da Redação

 

O professor e ensaista Márcio de Lima Dantas publica em “Babélia” ensaio enfocando sob um viés antropológico a complexa personalidade da cantora norte-rio-grandense Núbia Lafayette, falecida o ano passado.

 

Escrito ainda em vida da artista, cuja performance ficou associada à “fossa” e à melancolia, “Núbia Lafayette: o canto como imanência” chama a atenção dos leitores para aspectos jamais entrevistos em tudo o que se produziu em termos de reflexão e análise sobre a cantora cuja trajetória está indelevelmente gravada no contexto da música popular brasileira, ao lado de outras divas do canto.

 

Reproduzimos a seguir fragmentos do texto original, que pode ser lido em sua íntegra no canal “Babélia”:

 

“[...] Aquela que o povo consagrou como “voz de veludo” tem o pejo de um it encontrado na cantora egípcia Oum Kalsoum, na grega Maria Callas, nas brasileiras Nora Ney, Elizete Cardoso, Clementina de Jesus, Elis Regina, na caboverdiana Cesária Évora, na espanhola Niña de Los Peines ou na portuguesa Amália Rodrigues. Todas elas detentoras de um não sei quê capaz de sintetizar, na sua carreira de artista, as inquietudes de uma geração ou o espírito do tempo de um dado momento histórico, e até mesmo certos traços acentuados por uma etnia. Quero falar dos artistas que infundem respeito e um certo hieratismo de quem impõe a presença por meio de um discurso corporal, de uma fala ou de uma personalidade demandadores de reverência, obrigando o expectador a remexer suas áreas atávicas, numa busca de situar o personagem numa tradição da história da arte, fazendo crer que o encenado no palco é matéria para ser levada a sério, pois é o que o humano alcança de melhor, ao simbolizar o caráter trágico da existência através da arte, transubstanciando o factual, com suas arestas, em cristais duráveis e permanentemente dotados de capacidade  para resplender em qualquer espaço ou tempo, pois certas estruturas antropológicas nos acompanham, vigilantes, desde sempre”.

 

Queremos ainda pedir desculpas aos leitores pela irregularidade das postagens, especialmente em canais que integram este site, como “Babélia”, “Galeria”, “Retrato Falado”, “Grande Angular” e “Séries”, estas muito atrasadas, apesar dos nossos esforços de manter a regularidade das publicações. Apenas este blog “O Santo Oficio” se mantém relativamente atualizado, apesar da baixa conectividade do sistema que não tem nos permitido atuar com mais agilidade.

 

Esperamos, depois do carnaval, retornar à cobertura da sucessão do reitor da UERN, que sofreu um grande lapso justamente por causa dos motivos acima expostos. A todos, nossas desculpas.