ENCERRANDO O ASSUNTO ZAPATA

11 de março de 2010

Por Graça Salgueiro | Midia Sem Máscara

Se Lula não tivesse tido o azar de chegar à Cuba no mesmo dia em que Zapata morreu, ele continuaria agonizando e este bando de hipócritas continuaria com seu silêncio cúmplice sobre o que ocorre na ilha.

Esta é a última edição em que toco no assunto do assassinato - repercussão e conseqüências - de Orlando Zapata Tamayo. E o faço, não porque tenha cansado de denunciar os crimes que ocorrem há 51 anos naquela ilha amaldiçoada do Caribe.

Paro de falar no assunto porque minha paciência já transbordou de ver como, da noite para o dia, uma montanha de oportunistas passaram a sentir o drama dos cubanos a pé, sem sequer saber escrever corretamente o nome do falecido ou mesmo sua profissão, comparando-o com Lula como se ele tivesse alguma vez sido operário.

Estou literalmente de saco cheio de ver os políticos e os jornais brasileiros explorando uma situação gravíssima, que não é de hoje, para tirar dividendos próprios - eleitoreiros ou de vendagem - mas sem abdicar da imundície de chamar os ditadores cubanos de “presidente” ou “líder”.

Estou farta de gente que sequer sabe onde se localiza aquela ilha, fazer comparações - com intenção de crítica - ao comportamento de Lula porque colocou uma coroa de flores no túmulo do bispo salvadorenho comunista, Óscar Romero, mas não deu uma palavra sobre a morte de Zapata.

Este comportamento é absolutamente coerente com a ideologia do presidente de vocês, pois Óscar Romero - que muita gente nem sabe quem é - era o porta-voz da herética teologia da libertação em El Salvador, que incentivava os atos terroristas do FMLN, que dava guarida aos terroristas e assassinos daquele então, do mesmo modo que fizeram os “freis” Tito, Boff e Betto, enquanto que Zapata Tamayo nunca pegou numa arma nem defendia ditaduras espúrias como o faz Lula.

Chega de tantos aproveitadores da desgraça alheia! Ninguém está de fato preocupado com o destino daquela gente escravizada porque, se assim fosse, também falariam dos outros presos políticos que estão tão gravemente enfermos e quase à beira da morte quanto Zapata - mas ninguém sabe disso! Bando de urubus! Soa indecente em certas bocas citar o nome deste mártir da ditadura cubana que, para “fazer de conta” que denunciam, criticam o comportamento de Lula sabendo que ele é parceiro de Fidel no Foro de São Paulo, mas não criticam o motivo principal que é a vigência da ditadura castro-comunista.

Se Lula não tivesse tido o azar de chegar à Cuba no mesmo dia em que Zapata morreu, ele continuaria agonizando e este bando de hipócritas continuaria com seu silêncio cúmplice sobre o que ocorre na ilha, porque isto sempre foi assim e vai continuar sendo!

No dia do funeral de Zapata houve muitas manifestações no mundo contra a ditadura cubana, e um grupo de opositores residentes em Miami esteve na embaixada do Brasil fazendo seu protesto. Recebi a notícia com fotos e o vídeo no mesmo dia do evento mas, como não pude publicar logo, não repito aqui o que já tomou conta da rede. Chamo a atenção para o artigo “Bem-vinda a morte dos demais”, do exilado cubano Esteban Casañas Lostal publicado no site do meu amigo Heitor De Paola, porque ele reflete exatamente o meu sentimento enquanto escrevo este post.

E para concluir a edição de hoje e encerrar este assunto, traduzo abaixo um artigo publicado no “El Nuevo Herald” de Miami, onde se concentra a maior comunidade de exilados cubanos, relatando um enterro simbólico de Zapata ocorrido ontem (28.02) com a participação de mais de 5.000 pessoas. Nas edições futuras volto a falar das FARC, outro assunto que só vira notícia dos jornais quando é para enaltecer a “ternura” dos terroristas. Fiquem com Deus e até a próxima!

Milhares protestam no funeral simbólico de Orlando Zapata Juan Carlos Chávez

Grupos de exilados cubanos e de outros países latino-americanos em Miami criticaram abertamente no domingo o regime castrista, pela violação dos direitos humanos e o tratamento cruel de que são vitimas os opositores dentro da ilha.

A multitudinária atividade realizou-se na Rua Oito, em memória do preso político Orlando Zapata Tamayo que faleceu na semana passada devido a complicações de uma prolongada greve de fome de 85 dias. “É lamentável a continuidade da perda de homens que morrem por sua dignidade e por representar o povo cubano em seus reclamos de liberdade”, disse o empresário Francisco “Pepe” Hernández, presidente da Fundação Nacional Cubano Americana (FNCA).

Entre gritos de “viva Cuba livre” e “já basta!”, os assistentes deixaram claro que a lembrança de Zapata se manterá viva na luta pela democratização da ilha e pela integridade de todos os presos de consciência. Os exilados levaram laços negros em sinal de luto, e expressaram sua repulsa frente ao que qualificaram como “uma nova atrocidade” da ditadura cubana.

Zapata, de 42 anos, foi catalogado como prisioneiro político pela Anistia Internacional após sua prisão em 2003. O dissidente se revelou em 3 de dezembro passado para denunciar atropelos e humilhações na prisão Kilo 7, na cidade de Camagüey.

“Estamos aqui por um opositor ao qual deixaram morrer por greve de fome, e por todas as vítimas da revolução. Não vamos permitir mais injustiças, queremo a liberdade de Cuba e de todos os cubanos”, disse Mario Averhoff, um manifestante de 48 anos. O homem era um dos muitos cidadãos comuns que agitaram bandeiras e cartazes com a foto de Zapata ao lado da Rua Oito. O protesto se iniciou ao pé do Monumento dos Mártires de Girón, às 2 p.m. e se prolongou até às 4 p.m.

“A mensagem que trago não está escrita por nós, senão pelos irmãos que morreram nestes cinqüenta anos de ditadura comunista, e por Zapata. Um porta-voz do dever caiu”, disse Rodolfo San Román, porta-voz do Presídio Político Cubano.

No evento realizou-se um cortejo fúnebre, de caráter simbólico, em honra a Zapata, que cumpria condenação de mais de 30 anos no momento de seu falecimento. Também leu-se uma lista parcial com os nomes dos presos políticos cubanos e guardou-se um minuto de silêncio pelas vítimas do comunismo e pelos mortos do terremoto no Chile.

A manifestação alcançou seu ponto mais emotivo quando os exilados conseguiram se comunicar via telefônica com Reina Tamayo, mãe de Zapata. A mulher valorizou as mostras de solidariedade da comunidade e instou os presentes a continuar na luta democrática. “Adiante nesta marcha, Orlando não morreu. Adiante!”, exclamou Tamayo. O ato de recordação encerrou-se com o tema “Já vem chegando”, de Willy Chirino, e foi um dos vários eventos que se organizaram no fim de semana em escala local, entre eles, uma missa na Ermida de La Caridad.

Traduções e comentários: G. Salgueiro

OFENSIVA CONTRA O JORNALISMO LIVRE

11 de março de 2010

Por Eduardo Mackenzie, de Mídia Sem Máscara

Nos países onde o poder não caiu nas mãos chavistas o drama da perseguição aos espíritos livres também se agrava. Em Honduras, nove meios de comunicação têm sofrido ataques desde 28 de junho de 2009. Os agressores são simpatizantes do deposto presidente Manuel Zelaya. O mais recente ocorreu neste 19 de agosto, quando o diário El Heraldo foi atacado com explosivos.

O combate pela verdade dos jornalistas venezuelanos e latino-americanos em geral é um dos maiores obstáculos à consolidação do regime autoritário de Hugo Chávez. À diferença do regime cubano, o de Caracas não pôde vender ao mundo a imagem de um regime simpático e triunfante, como conseguiu fazê-lo Fidel Castro nos primeiros anos de seu atroz experimento, graças à destruição radical e definitiva da imprensa livre da ilha.

Para corrigir esse “erro”, o poder bolivariano redige leis de censura e aplica a intimidação e a violência direta contra os jornalistas, sem conseguir abafar de todo a informação e a análise. E isso ocorre não só na Venezuela, mas também, de forma simultânea e quase idêntica, em países clientes do ditador chavista, sobretudo no Equador, Bolívia, Nicarágua e El Salvador.

Na semana passada, por exemplo, doze repórteres da cadeia Capriles que se manifestavam contra a nova lei de Educação, sofreram em Caracas brutais golpes das mãos de um bando de revolucionários [1]. Dias antes, Hugo Chávez havia apresentado a lei para sancionar os “delitos midiáticos” e ordenado o fechamento de 34 emissoras privadas de rádio. Na Bolívia, o câmera Marcelo Lobo, do canal Gigavisión, foi agredido por desconhecidos em La Paz. Em Quito, onde Rafael Correa insulta os jornalistas que não bajulam suas políticas, há alarme após o anúncio de que o governo utilizará um “mandato de transição constitucional” para entregar as freqüências radiais a agentes do oficialismo e reduzir ainda mais a liberdade de expressão e informação. Em El Salvador, três repórteres da Radio Victoria receberam ameaças de morte.

Nos países onde o poder não caiu nas mãos chavistas o drama da perseguição aos espíritos livres também se agrava. Em Honduras, nove meios de comunicação têm sofrido ataques desde 28 de junho de 2009. Os agressores são simpatizantes do deposto presidente Manuel Zelaya. O mais recente ocorreu neste 19 de agosto, quando o diário El Heraldo foi atacado com explosivos [2].

A Colômbia também é um exemplo. Porém, ali não é o governo quem persegue os jornalistas; pelo contrario. Essa atividade é engendrada em círculos inimigos do governo e, lamentavelmente, impulsionada por membros importantes do poder judiciário, conhecidos por sua fanática oposição ao presidente Álvaro Uribe.

No começo de agosto de 2009, um grupo de jornalistas que haviam sido demandados penalmente por um magistrado do Conselho Superior da Magistratura, José Alfredo Escobar Araújo, escaparam de uma severa condenação. O Tribunal Superior de Bogotá (TSB) rechaçou a pretensão do magistrado, no sentido de que os demandados haviam “violado seus direitos” por haver escrito em vários artigos de 2008 que ele era um “magistrado indigno”. Escobar merecia de sobra esse qualificativo. Ele havia aceitado um presente (uns botins) de um tal Giorgio Sale, um indivíduo encarcerado na Itália, em novembro de 2006, por lavagem de narco-dólares. Giorgio Sale também havia sido relacionado com Salvatore Mancuso, um temível ex-chefe paramilitar, extraditado aos Estados Unidos com outros 14 ex-chefes “paras”.

Colunista muito lido de El Tiempo, Mauricio Vargas denuncia com veemência os nexos de alguns magistrados com obscuros personagens ligados a Mancuso e critica a guerra de guerrilhas que a Corte Suprema de Justiça faz ao governo de Uribe [3]. Ele e outros editorialistas que haviam fustigado a atitude indelicada do magistrado Escobar Araújo, foram absolvidos pelo TSB. Este organismo, todavia, exigiu que se “retificasse” uma frase dos artigos onde se dizia que Escobar Araújo influía desde seu cargo na nomeação de outros juízes e magistrados. A ordem teve de ser acatada de imediato pelos jornalistas.

Porém, acatar às vezes não é suficiente. Rodrigo Pardo García-Peña, outro jornalista que também havia criticado o magistrado Escobar pelo mesmo fato, foi convidado por uma juíza de Bogotá a passar uns dias na prisão e a pagar uma pesada multa. Segundo ela, Pardo havia “desacatado” a ordem de um juiz no caso do magistrado Escobar. Este havia ficado “insatisfeito” com a retificação de duas frases feita meses atrás por Pardo, diretor da revista Cambio.

Ante a arbitrariedade, várias sociedades de imprensa protestaram: “Privar um jornalista da liberdade sob um argumento tão insignificante, constitui uma afronta de proporções incalculáveis e cria um grave precedente contra a atividade jornalística”, declararam Andiarios, Asomedios e a Sociedade Interamericana de Imprensa. Inclusive a Procuradoria Geral da Nação conceituou que a revista Cambio havia sim retificado suficientemente as duas afirmações que o juiz de primeira instância havia condenado e concluiu que a demanda por desacato não procedia.

Ex-ministro de Relações Exteriores, Rodrigo Pardo García-Peña é um fino analista da atualidade internacional e, embora muito moderado em suas expressões, é um critico das FARC [4] e está longe de ser um admirador de Hugo Chávez.

Um caso ainda mais grave estourou em 30 de junho de 2009, quando a magistrada Sandra Castro, da Fiscalização Geral, expediu uma denúncia penal contra outro jornalista. Considerando que o trabalho de Fernando Londoño Hoyos, diretor do noticiário La Hora de la Verdad, da Radio Super de Bogotá, constitui, de fato, um “concerto para delinqüir agravado”, a magistrada, que é nada menos que a Coordenadora Nacional da Unidade de Direitos Humanos da Fiscalização Geral, e deveria por isso dar o exemplo em matéria de respeito aos Direitos Humanos, decidiu incriminar Fernando Londoño e William Calderón, outro jornalista do citado noticiário, por exercer essa profissão.

As acusações da magistrada são assombrosas. Ela não aceita que Fernando Londoño, ex-ministro do Interior de Álvaro Uribe, denuncie e apresente provas em seu conhecido programa radial acerca dos abusos anti-jurídicos que cometem certas dependências da Fiscalização, sobretudo contra alguns altos militares que foram encarcerados injustamente graças a “provas” e “testemunhos” cuja credibilidade não vale nada.

La Hora de la Verdad questiona também o fenômeno contrário, quer dizer, a não estimação das provas que certos inculpados apresentam e a moderação da Fiscalização no momento de decidir os casos onde se encontra envolvida gente acusada de fazer parte do aparato político-militar das FARC [5]. Além disso, Londoño revelou em junho de 2009, que as numerosas visitas de Giogio Sale a gabinetes da Corte Suprema de Justiça haviam sido apagadas das gravações eletrônicas “no mais puro estilo mafioso com destruição de provas”.

Dias mais tarde, os ataques contra Fernando Londoño se intensificaram. Desta vez o petardo foi posto em Caracas. Em entrevista com uma televisão colombiana, o presidente Hugo Chávez acusou o jornalista de haver organizado em 2004 o envio à Venezuela de “200 paramilitares colombianos” para assassinar o chefe de Estado. venezuelano

Londoño negou peremptoriamente a acusação e lembrou que a imprensa venezuelana havia investigado o assunto dos pretendidos paramilitares e contestado a versão de Chávez [6]. Londoño anunciou que abrirá um processo por calúnia contra o mandatário venezuelano, em vista do que não só pretende intimidá-lo, como com seu conto dos “paras” busca atentar contra a reputação do governo da Colômbia e do presidente Álvaro Uribe.

Fernando Londoño foi também objeto de interceptações telefônicas ilegais. Mesmo não castigado, tal delito foi cometido por elementos desconhecidos que manipularam um noticiário para começar uma campanha de desprestígio contra o brilhante editorialista que denuncia com intransigência os crimes do chavismo e os erros do ex Procurador Geral, Mario Iguarán.

Essas operações de perseguição que procuram tapar a boca dos jornalistas insubmissos da Colômbia, da Venezuela e da América Latina, estão se intensificando. Não satisfeito em reprimir os jornalistas da Venezuela, Hugo Chávez toma iniciativas contra jornalistas colombianos. O pior de tudo é que na Colômbia, como na Venezuela, em vez de encontrar um baluarte protetor da liberdade de imprensa, os jornalistas tropeçam com a hostilidade visível do poder judiciário.

Isso reforça a auto-censura, uma das maiores ameaças contra as sociedades abertas. Por exemplo, as notícias sobre os processos em curso dos militares, onde se estão violando todas as regras do Direito, são publicadas pelos jornais em quantidades microscópicas. Na Colômbia certos magistrados tratam de minar a autoridade do governo e demolir ao mesmo tempo os jornalistas que denunciam esses fenômenos. Na Venezuela ocorre quase o mesmo. Fanatizados pela ideologia no poder, os magistrados avalizam as políticas liberticidas de Chávez e ignoram as violências que se cometem contra a imprensa.

Na Colômbia a ofensiva contra os jornalistas se dá no marco de uma revolta do poder judiciário que pretende ditar sua lei ao poder executivo, criando situações grotescas. Esse desafio ao Estado de Direito já suscitou fortes choques entre os poderes públicos. A Corte Constitucional entrou em querela com a Corte Suprema de Justiça, e esta contra a Procuradoria. Existem tensões incríveis entre o poder judiciário e o poder legislativo, e entre o poder judiciário e o poder executivo.

Tudo isso coincide de forma patética com o que está ocorrendo na Venezuela, Equador e Bolívia, onde os governos impulsionam leis e medidas para destruir a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e de informação.

Embora muito diferentes, o que mostram os casos de Fernando Londoño Hoyos e Rodrigo Pardo é que de alguma maneira um pólo totalitário incrustado na magistratura colombiana atua como se a soberania chavista imperasse já sobre a Colômbia, ou sobre uma parte da institucionalidade colombiana.

Estamos, pois, ante um fenômeno muito singular no qual se dá, de fato, uma extensão insidiosa de uma influência estrangeira sobre um setor do aparato de Estado colombiano. Parece que estamos ante uma estratégia de pérfida e paulatina conquista do Estado e da sociedade colombiana, passo a passo, parcela por parcela, sem fazer ruído. É hora de o governo e a imprensa livre na Colômbia começarem a abrir os olhos ante isso e a desvelar esse projeto para desmantelá-lo antes que seja impossível.

Notas:
[1] Rubén Mendoza, o chefe da RNCB, um bando de matadores a serviço do chavismo, justificou o ataque aos jornalistas e prometeu novas agressões: “A Cadeia Capriles é um antro de conspiração”, disse.
[2] Ver Diário Exterior, Madri, 20 de agosto de 2009 em http://www.eldiarioexterior.com/noticia.asp?idarticulo=33498
[3] Ler seu artigo ¿A qué juega de Corte Suprema?, El Tiempo, 16 de junho de 2008.
[4] Ver as declarações de Rodrigo Pardo intituladas “Alfonso Cano no abre esperanzas de aproximación política”, RCN, Bogotá, 14 de agosto de 2009.
[5] Em 20 de março de 2009, La Hora de la Verdad entrevistou Olivo Saldaña, ex-guerrilheiro das FARC. Ele falou das obscuras relações que existem entre certa classe política do Tolima e as FARC, sobre as motivações da senadora Piedad Córdoba e alguns líderes do Polo Democrático e, sobretudo, acerca da infiltração que as FARC fizeram na Fiscalização Geral da Nação. Saldaña disse que até esse momento a Fiscalização havia se negado a receber seu testemunho.
[6] Escutar o editorial de Fernando Londoño em La Hora de la Verdad, de 10 de agosto de 2009 em: http://www.lahoradelaverdad.com.co/post/day/_id=8&y=2009&m=8&d=10

Tradução: Graça Salgueiro

O FILHO DO BRASIL É A CARA DO PAI

11 de março de 2010


Por Percival Puggina | Midia Sem Máscara

O filme é um esférico e lustroso fracasso. Olhando assim, pelo alto, de avião, até parece obra do PAC, não é mesmo?

Tenho um casal de amigos que gostou tanto do filme “Lula o filho do Brasil” que já foi assisti-lo quatro vezes. Hein? Mentira minha? Tem razão. Estou apenas demonstrando o completo desencontro do filme com as expectativas de seus personagens, protagonistas e produtores.

A única plateia que bateu palmas para a obra de Fábio Barreto foi a que compareceu à sua pré-estreia, um seleto cordão de - como direi? - parceiros, cativados pelos cheques dos contratos ou pelos contracheques funcionais.

Pois eis que na contramão daqueles aplausos e das reverências dos blogs de esquerda, quando chegou aos cinemas - quase quatrocentas salas decoradas para recebê-lo - o filme travou. Travou miseravelmente.

Deu apagão na sala de projeção. Após dois meses nas telas, ainda estava longe do milhão de espectadores. No fim de semana de 28/02 (veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/cultura de 1º de março), menos de quinhentas pessoas assistiram a película, que despencava como pedra, em irreversível parábola descendente. Para quem antevia um estouro de bilheteria, produzido por um público entre cinco e 16 milhões de fãs, o filme é um esférico e lustroso fracasso.

Olhando assim, pelo alto, de avião, até parece obra do PAC, não é mesmo? Empacou, não funcionou, custou caro, foi cercado de imensa publicidade, recebeu calorosos aplausos dos companheiros, pretendia ampliar o prestígio de Lula e foi concebido em tom de puxa-saquismo. Mas não é obra do PAC, não! Tem tudo para ser, mas não é.

Não é do PAC e não tem mãe. Alguém dirá que não faz sentido ironizar o insucesso do filme. Acontece que “Lula, o filho do Brasil” encaixou-se na perspectiva política e eleitoral de 2010. Esperava-se que o ato de assisti-lo se constituísse em reverência litúrgica. E confiava-se em que os fiéis assistentes deixariam as salas de exibição decididos a obedecer cegamente seu pastor. Ora, quem se farda para o jogo político e entra em campo pode fazer gol e pode levar gol. Então ironizo.

Em qualquer lugar do mundo, um fracasso de bilheteria arde no bolso de quem investiu no espetáculo. No Brasil, as coisas não são assim. Quando um filme chega aos cinemas todo mundo já ganhou dinheiro através dos benefícios que, a título de incentivo à cultura, retiram recursos diretamente do erário. Não recuso importância à cultura (quando o bem ou produto realmente tem valor cultural).

Mas quando os pacientes do SUS se empilham em beliches nos corredores, quando a sociedade padece nas mãos da criminalidade e quando a educação anda um passo atrás da ignorância, creio que a escala das prioridades aponta outros rumos para esses recursos. Não vejo sentido em que o sucesso financeiro de um filme não dependa da aceitação do público, mas da coleta de incentivos fiscais.

A bem da verdade, esclareça-se: não foi assim com “Lula o filho do Brasil”. A obra de Fábio Barreto, por motivos óbvios, não usou esse mecanismo. Seria difícil explicar a concessão de estímulo fiscal para um filme de louvação ao presidente da República, em pleno exercício do mandato e em ano eleitoral.

A grana foi buscada junto a empresas altamente conscientes de suas responsabilidades com a arte e a cultura nacional, animadas por irresistível desejo de contribuir com quotas da ordem de R$ 1 milhão (Revista Época fev/2009) para que Barreto promovesse um personagem que, só por acaso, é o dono do caixa do país. Mas convenhamos, deu no mesmo que se fosse coisa da Lei de Incentivo à Cultura. Ao fim e ao cabo, de uma forma ou de outra, o dinheiro sai do mesmíssimo lugar. E a Campanha da Fraternidade está convencida de que o Brasil é assim por causa da economia de mercado.

A DIREITA CONSENTIDA

11 de março de 2010

Por Nivaldo Cordeiro, de Mídia Sem Máscara

Até mesmo as Forças Armadas foram submetidas. Nenhuma resistência organizada está operante diante do petismo.

No Brasil a direita consentida é o PSDB e todo o arco político em torno dele, inclusive o DEM, que desgraçadamente tomou a si o programa político do Partido Democrata dos EUA, fazendo de conta que poderia competir, seja no âmbito da social-democracia, seja no âmbito da esquerda mais radical, como um simulacro “liberal”à moda norte-americana.

Está sendo esmagado inexoravelmente. A um só tempo o eleitorado foi-lhe roubado enquanto seus quadros foram destruídos. José Roberto Arruda é o espelho acabado dessa situação. A cassação do prefeito Gilberto Kassab também. Mesmo o DEM agora está sendo considerado oposição não consentida e qualquer pretexto está sendo utilizado para o seu aniquilamento. A sua aliança estratégica com o PSDB de nada lhe serve. Os caciques tradicionais estão sendo destruídos um a um, mesmo quando aderem de forma explícita ao partido situacionista, como é o caso de José Sarney (este no PMDB).

A direita consentida é, nada mais nada menos, que a esquerda, uma falsificação. Não há mais direita política e essa situação significa simplesmente o limiar da ordem totalitária, que até mesmo o jornalista Reinaldo Azevedo (moralmente o governo Lula já é um tirania) reconheceu como realidade. Reinaldo esqueceu-se de que não é apenas “moralmente”, mas factualmente. O PT controla os três poderes da República e conseguiu fundir o partido com o Estado. Até mesmo as Forças Armadas foram submetidas. Nenhuma resistência organizada está operante diante do petismo.

A grande mídia, conforme meu artigo anterior (Serra e a midia), rendeu-se integralmente. Apenas dois jornalistas têm a permissão dos barões da mídia para fazer a oposição oficial ao poder estabelecido: o próprio Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, ambos da revista Veja. Por quanto tempo, não se sabe.

Ambos são homens íntegros e profissionais competentes, mas para um país da nossa dimensão podemos dizer que são vozes isoladas, ainda que com alguma influência. Dentro da algazarra esquerdista que é a grande mídia, todavia, suas vozes são prontamente abafadas.

O “direita” jornalística foi eliminada, bem antes que a direita política. Pode até ser que uma coisa levou a outra: a destruição dos formadores de opinião conservadores, meta primeira da revolução gramsciana, levou necessariamente ao desaparecimento dos políticos conservadores. A ditadura começou pelo seqüestro das almas na sua formação.

Meu caro leitor, nada há a fazer. O processo revolucionário, por assim dizer, está completo. A eleição de Dilma são favas contadas. O Brasil viverá inexoravelmente as conseqüências desse fato, como a Alemanha nos tempos de Hitler viveu. Como a Rússia desde os tempos de Lênin viveu. Resta a cada um que manteve a sua integridade e a sua independência virar cronista do que está acontecendo. A loucura é completa e a solidão é o que espera para os que não aderiram ao sistema.

Empregos, oportunidades, bons negócios, tudo agora depende da relação de compadrio com o partido governante. Não ao acaso Abílio Diniz, o emblemático empresário de São Paulo, aderiu de público à candidatura Dilma, ele que está no varejo, atividade que em tese não depende de favores governamentais. O que dirão os demais, que precisam do governo como os pulmões do ar? Não apenas aderiram, mas se avassalaram. Não há mais nenhum espaço de liberdade, não apenas política, mas também econômica.

O totalitarismo é a realidade radical em que estamos metidos.

UM CAPITULO DA HISTÓRIA DE PATU

11 de março de 2010

Por MisherlanyGouthier

“História do Município de Patu” é o titulo do livro do pesquisador e historiador conterrâneo Petronilo Hemetério Filho, um dos homens de cultura daquela cidade, preocupado com o saber e a educação de seus patrícios.

O livro que aborda temas os mais diversos [configura-se numa geografia dos assuntos relacionados com aquele município] é um testemunho dos que fizeram [e dos que continuam a fazer] a História do lugar onde nasceu o famoso cangaceiro Jesuíno Brilhante. Mas, o que pretendo abordar nestas linhas é a figura ímpar do fazendeiro, político e intelectual Etelvino Fernandes Leite, um dos nomes de relevância daquela comunidade, ausente da literatura citadina.

Etelvino Fernandes Leite nasceu em Mossoró aos 26 de agosto de 1883 [considerava-se patuense convicto], época em que estava no auge a campanha abolicionista em todo o Rio Grande do Norte. Teve uma vida bastante ativa no seio da sociedade patriarcal de seu tempo, ora agindo como médico-prático [desenvolvendo atividades homeopáticas], ora advogando causas naquela comuna, pois tornara-se rábula prestimoso naquelas paragens, ou nas lides do campo.

Filho único do segundo casamento de Herculano Victor de Lima e de Liberalina Leite Lima [falecida aos 102 anos]. Em Fortaleza iniciou seus primeiros estudos no Ateneu.

Mais tarde transferiu-se com seus pais para a fazenda Paulista, propriedade esta encravada no município oestano. No ano de 1901 continuou seus estudos em Itabaiana-PB, onde conheceu Ana de Melo Andrade, com quem se casaria. Mais tarde Ingressa na Faculdade de Direito, mas motivado pelo casamento não concluiu seus estudos, regressando a sua terra [Patu]. Desse consócio houve uma prole de 13 filhos: Osvaldo, cc/ Adalzira Alves; Olavo, cc/ Maria Porcina; Maria cc/ José Farias; Otavio cc/ Alzira Alves; Oscar cc/ Maria Angela; Olga cc/ Severino Cortez; Olivia, Odete [solteiras]; Odília, Ovidio, Manuel, Mariana e Olga Maria.

Escrevia, ensaiava seus debates, medicava os familiares de seus moradores. Simples, inteligente, modesto, Etelvino Leite nunca esboçou qualquer tipo de orgulho pelo muito que sabia, enquanto muitos andam por aí afora arrotando grandeza e cuspindo desaforos medíocres de uma cultura insignificante e medíocre.

Leitor perspicaz gostava dos clássicos da grande literatura, bem como os escritores brasileiros de seu tempo, a exemplo de Machado de Assis e José de Alencar. Nas horas de banzo corria os olhos pelos jornais e revistas que comprava na praça de Mossoró.

Durante a Revolução de 30 impetrada por Getúlio Vargas foi nomeado para o cargo de conselheiro do Conselho da Vila de Patu, pelo interventor estadual. Nessa mesma época, chefe da Aliança Liberal, ganhou a chefia do município patuense, mas renunciou o cargo em favor de seu correligionário Ascendino Almeida.

Sua vida foi pautada por generosos serviços que prestou a sua gente, sendo reconhecido por seu patrícios como um gentleman. Honrado, sensato, prudente, nunca titubeou em ajudar alguém que precisasse de seus préstimos.

Dentre os seus irmãos paternos constam: José Costa Lima e Canuto Costa Lima [este último exerceu o cargo de escrivão em Patu].

Em segundas núpcias Casou-se com Maria Clara Ferreira, tiveram: Francisca Leny, Maria de Lourdes, Djalma; Idelzuite cc/ Tarcilio Viana Dutra; Dinorá cc/ Francisco Rocha; Luis cc/ Heloisa Moreira Lima; Expedito cc/ Vandir Câmara; Elza cc/ Geraldo Benevides; Maristela cc/ Francisco Cordeiro de Oliveira; Dorinha [solteira].

Após uma vida intensa de atividades as mais diversas quer como fazendeiro, político, homeopata, o patuense Etelvino Fernandes Leite, faleceu em Recife, para onde tinha ido a tratamento de saúde, no dia 8 de fevereiro de 1953, aos 89 anos de idade.

A edilidade patuense, numa lembrança vaga, deu-lhe o nome a uma rua. Etelvino figura de escol merece muito mais daquela cidade oestana onde serviu com tamanha grandeza, dedicação e amor.

EXPLICAÇÕES PIORES DO QUE O SONETO

10 de março de 2010

Por Josias de Souza, da Folha de São Paulo

Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”.

Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba.

Na ilha de Fidel, lamentou que um preso “se deixe morrer de greve de fome”.

Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de “explicações”.

Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de “esclarecimentos”.

Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro:

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada “Lei de periculosidade”. Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere “perigosas”.

Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por “perigoso”, pode delinquir.

Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, recorrem à privação alimentar:

“Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou.

Comparou os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos ao sistema carcerário paulista:

“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade”.

Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, igualando-o a um Marcola qualquer.

Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba “não acontecesse”. Mas…

“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”.

Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num alaporado ideológico.

É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele.

Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira.

BANCOOP:DESVIO PODE CHEGAR A 100 MILHÕES

10 de março de 2010

Do jornal O Estadão de São Paulo

José Carlos Blat diz não ter dúvida de que uma fatia desse montante foi destinada a campanhas eleitorais do partido

Pode ultrapassar R$ 100 milhões o total do desvio de recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), calcula o promotor de Justiça José Carlos Blat, da 1ª Promotoria Criminal da Capital. “A movimentação sob suspeita indica que o rombo supera R$ 100 milhões”, disse Blat, após análise parcial de 8,5 mil extratos bancários da cooperativa, relativos ao período de 2001 a 2008.

Blat está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT - ele não aponta valores exatos que teriam tomado esse rumo porque, alega, depende de investigações complementares.

Na sexta-feira, o promotor requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa até fevereiro, quando deixou o cargo para assumir o posto de tesoureiro do PT. Também foi pedida uma devassa nos investimentos de dois ex-diretores da entidade, Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga.

Promotor quer o bloqueio das contas da Bancoop

“Que houve desvio eu não tenho mais dúvida alguma”, diz o promotor, após dois anos e meio de apuração. “Os dirigentes da cooperativa transformaram-na em negócio lucrativo, utilizando os benefícios da lei para lesar milhares de cooperados que aderiram através de contratos para a construção de moradias. Uma parte desse dinheiro foi para o PT, outra parte para o enriquecimento ilícito de ex-dirigentes da Bancoop.”

Ele identificou “milhares de movimentações financeiras fraudulentas visando a ludibriar os cooperados”. O promotor identificou “operações inusitadas, obviamente para mascarar o desvio de dinheiro para caixa 2 de campanhas eleitorais”. Estadão (aqui)

LULA, O ‘MESSIAS’

10 de março de 2010

Por Carlos Vereza, ator

Lula, não é um caso de análise politica e sim de um tratamento psiquiátrico.Ele não tem nenhum projeto de governar, de criar uma sociedade onde a cultura da cidadania seja exercitada. O Grande Timoneiro, em verdade, quer “vingar-se” pleno de ressentimento dos “burgueses” que, segundo sua paranóia, o “castigaram ” com uma vida marcada pelas privações de toda ordem.

Não é necessário recorrer a Freud para constatarmos que estamos diante de um cidadão tipicamente borderline, um transtorno psiquiátrico, misturando a personalidade aparentemente normal com momentos psicóticos. Daí, as bruscas mudanças de comportamento, aliadas a uma visão super idealizada de si mesmo, que, quando confrontadas com uma “rejeição,” pode levá-lo à atitudes extremas.

Todo este quadro, mais uma imensurável megalomania, e temos, no caso de Lula, um eterno aspirante ao poder absoluto; um “Messias” vocacionado a “mudar o mundo”, não importando os meios necessários para fazê-lo.

É evidente que esta disfunção psicológica não justifica a canalhice politica que lhe é peculiar, senão todos os portadores deste desequilibrio, perfeitamente controlável por medicações, seriam meliantes, perdão, digo militantes do PT.

A ditadura, que já começa matreiramente, a instalar-se no país é, em verdade, um projeto duradouro de permanencia no poder, sem uma ideologia que almeje um Brasil realmente de todos os brasileiros. Sendo assim, São Lula após “reformar” a ordem mundial em parceria com os seus coadjuvantes Chávez, Ahmadinejad e Marco Aurelio Garcia, ascenderá aos céus, louvado por cânticos entoados pela beata Ideli Salvati!

Ao fundo José Dirceu, carregado em triunfo pela horda do MST, assumirá a presidência do país.

FALHA HUMANA

10 de março de 2010


Por Edilson França,
SubProcurador Geral da República

E-mail: edilsofranca@hotmail.com

Entre perplexo e arrependido, lembramo-nos bem, o preso foi exibido durante o chamado horário nobre, em noticiário televisivo nacional. Seu crime: raspou, indevidamente, a casca de uma árvore. Em conseqüência, se viu incurso nas severas sanções da lei penal que tutela o meio ambiente.

Naquele momento, pouco lhe adiantou acenar com sua reconhecida ignorância nem, muito menos, revelar sua urgente necessidade de preparar um remédio para sua mulher. Negou-se-lhe, contrariando conhecida lição de D. Hélder Câmara, até mesmo o direito de mentir, se é que o pó raspado da protegida árvore tinha finalidade diversa daquela declarada. O certo é que aquele noticiado crime ecológico resta esquecido. Até porque o dano dele decorrente afigurou-se mais irrisório do que se pretendeu.

A infração ecológica do momento é outra, bem mais grave que aquela perpetrada pelo homem que ousou tirar algumas raspas da solitária árvore. Nesse novo ato ilícito, dado como decorrente de “falha humana”, não se faz possível avaliar, em raspas, em unidades, em metros ou em quilômetros, o montante do dano ecológico causado. A avassaladora capacidade destrutiva do óleo derramado em terras e águas paranaenses reduz o delito do homem da casca a inocente brincadeira de criança.

Esse outro crime, mais recente, impressiona pela capacidade destrutiva. Não só atingiu o meio natural em seus elementos mais complexos, como afetou, em grande escala, o equilíbrio ecológico enquanto patrimônio coletivo.

Rios, riachos e adjacências estão sofrendo as conseqüências do caldo tóxico. Sem dúvidas, com seus estômatos fechados pelo óleo, milhares de plantas ainda morrerão no mesmo passo em que a vida animal vem sendo parcialmente dizimada.

Nesse contexto, um dos pontos que mais nos preocupa e desperta antecipada compaixão, é aquele relativo ao que vai acontecer aos responsáveis pelo crime do rio Iguaçu. Se o homem da casca, com bons antecedentes, foi preso, algemado e exibido em jornal televisivo nacional, o que não será dos “homens do petróleo”, quando responsabilizados pelos danos decorrentes do sinistro “banho” de quatro milhões de litros de óleo, vazados da refinaria de Araucária.

O nosso maior receio é que o rigor punitivo que certamente virá, não se inicie por algum daqueles peões contratados que, cansados da extenuante faxina ecológica, venham pisar em algum pequeno animal que porventura tenha sobrevivido ao cataclismo e, por isso, em sinal do bom exemplo, sejam, de antemão, presos, processados e devidamente punidos.

Pior ainda, o temor aumenta quando se sabe que homens como aquele da “casca raspada”, ao contrário dos homens do petróleo derramado, não têm como desenvolver suas defesas em torno de uma teoria científica, baseada, por exemplo, na “fatiloqüência da falha humana em concausa com o déficit igualmente fortuito de um plano básico de contingência”.

Sinceramente, todos nós esperamos que peões não sejam acusados e, desta feita, buscando-se encontrar os verdadeiros culpados, sejam as teorias científicas por eles desenvolvidas, apreciadas com os pés no chão; enquanto terra firme existe.

LEMBRANDO CARMO BERNARDES

8 de março de 2010


Por Franklin Jorge

Alcyone Abrahão já havia me avisado que eu gostaria de Carmo Bernardes à primeira vista. “É um gentil-farmer bonacheirão”, disse-me, “sem herdade nem eira, mas dotado de grande carisma”. Nada mais preciso e correto do que esse juízo dessa que foi uma grande divulgadora da cultura goiana em Natal e da cultura norte-rio-grandense em Goiás.Ela ainda ajuntou que se eu chegasse a encontrá-lo algum dia, logo o reconheceria…

Conheci-o, sim, em Goiânia, à minha espera nas proximidades dum ponto de baldeação de ônibus, numa luminosa tarde de setembro. Modestamente vestido como um homem da roça, logo que saltei e meus olhos caíram sobre aquele velho que esperava encostado numa brasília chamativamente cor de abóbora, percebi de quem se tratava. Fiz-lhe um aceno e ambos nos encaminhamos, ele bem lentamente, um para o outro. Ele usava umas calças marrons e uma camisa xadrez decentemente passadas.

Carmo quis que nos encontrássemos ali, para evitar-me o cansaço de procurar a sua casa num bairro populoso e, segundo ele, distante de onde eu me achava hospedado, “num bairro de ricos e de gente metida a rica”. “Como sabe por experiência própria”, disse-me, “quem sabe escrever e tem opinião jamais consegue prosperar do ponto de vista material. Quem detém o poder, quer escribas servis… Pelo que já ouvi a seu respeito, creio não ser o nosso caso.” Sem delongas, rendi-me imediatamente aos carismas daquele homem que era também, a meu ver, um grande e original escritor que havia muito me enredara com a sua arte de concatenar em textos ricos de forma e conteúdo o fruto de suas observações.

Teria já uns setenta anos, mas não dava conta disso, apesar do rosto sulcado de rugas. Notei que tinha as mãos grossas e calosas, como as de alguém que lutara no cabo da enxada amanhando a terra benévola de seus antepassados, uma gente que em algum momento viera de Minas para Goiás, em busca de uma nova vida, conforme fiquei sabendo depois ao ler um livro seu de memórias que durante anos, especialmente durante os anos que vivi na Amazônia, me acompanhou por toda a parte, a ponto de praticamente se desfazer em minhas mãos.

Uma vez, tendo o esquecido esse livro num quarto de hotel, em Cabixi ou Pimenteiras, fiz o motorista voltar trezentos quilômetros para recuperá-lo, aborrecendo com isso enormemente ao governador, que depois de me ouvir sobre a grandeza do seu conterrâneo, se divertia contando aos amigos que eu me atrasara por causa de “um livro velho”…

Autodidata, dotado de uma cultura popular enciclopédica, nada havia entre o céu e a terra que não lhe despertasse o interesse e estimulasse a sua inteligência e capacidade de análise. Passei algumas horas esplêndidas, ouvindo-o sobre a grandeza da terra e o engenho dos pobres, que são muitos, e, portanto, algum dia, tornarão a vida dos ricos insuportável, se a justiça social não for implementada em quanto há tempo. Sem ser um leitor de Borges, ele repetia assim o que dissera o velho bruxo das letras acerca da revolução que se fará, não pelos pobres, mas pelos ricos, que não suportarão viver num mundo de miseráveis…

Seu eu jornalístico, habituado a reagir e a opinar, fez de Carmo Bernardes, talvez, o cronista mais lido e querido de Goiás. Escrevendo sobre a terra e o povo, que conhecia em extensão e profundidade, reuniu em torno de suas letras um verdadeiro fã-clube, apesar de sua condição de homem pobre e avesso ao que chamamos de “vida literária”. Cônscio, porém, do seu talento, nunca transigiu com o compadrio que infesta e domina o oficialismo, fazendo-se reconhecer inclusive fora do país, ao receber o prestigioso prêmio literário conferido em Cuba pela “Casa de las Américas”, o que o coloca no mesmo elenco de outros grandes autores latino-americanos distinguidos com a láurea.

UM GOVERNO QUE MANCHA A MULHER

8 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Francisca Lúcia Lopes Dantas, 30 anos, mulher do traficante Jackson Michael da Silva, 21, foi executada - suspeita-se que por policiais - ao deixar a delegacia após prestar depoimento sobre ocorrencia envolvendo seu marido. Retaliação e possivelmente queima de arquivo, levada a efeito algumas horas depois de Michael ter matado um policial.

Esta, a policia da governadora Wilma de Faria, que ainda não se manifestou sobre o caso nem determinou providencias para esclarecimento dos fatos. Mais um caso não solucionado por este governo que mancha a mulher com inépcia e maus exemplos?

E aí, Dona Wilma?

Todo o Rio Grande do Norte aguarda suas providencias neste 8 de março em que o Dia da Mulher é comemorado. Que não seja apenas mais uma falácia, essa comemoração, aqui no estado.

DE PERNAS PARA O AR

8 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em recente encontro em Mossoró, a governadora Wilma de Faria aproveitou a oportunidade para criticar a senadora Rosalba Ciarline, candidata da oposição ao governo do estado, mas acabou cometendo um disparate que caiu no gosto do povo.

Disse a governadora, sem olhar para o rabão, que não fica bem votar em mulher que tem alguém por trás dela, mexendo a colher. Zé da Bodega, que não deixa passar nada sem comentário, ao saber do fato saiu-se com esta pérola que agora anda de boca em boca:

“A Gove tá é chorando pelo fim do seu trágico mandato…”

E, antes que alguém quisesse pedir-lhe maiores esclarecimentos, ele acrescentou, servindo uma meladinha como somente ele, depois do Nazir, sabe fazer:

“Logo ela, que em seu governo teve gente mexendo atrás, na frente, em cima e em baixo, a ponto de fazer ela deixar o Rio Grande do Norte de pernas pro ar”.

Bem pensado, Zé.

A DECEPCIONANTE VISITA DE LULA

8 de março de 2010


Por Mario Vargas Llosa,
transcrito do Estadão

Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.

Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.

Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.

DESCARAMENTO

Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.

O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.

Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.

Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.

Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.

O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.

O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao “estadista” brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário “democrático” latino-americano.

Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de “progressistas” que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.

Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: “Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos.” O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.

De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.

Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.

O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina.

MARKETING FEMININO

8 de março de 2010

Por Marcos Morita

O dia 8 de março pode ser representado por uma mulher emancipada, independente, realizada e madura, completando 35 anos de vida. A data, instituída em 1975 pela ONU, teve como objetivo lembrar ao mundo suas lutas contra a violência e a discriminação. Apesar do avanço inegável, alguns países parecem ainda estar em 1857, ano em que uma fábrica de tecidos norte-americana foi incendiada para calar a voz de mais de 130 tecelãs que reivindicavam melhores condições de trabalho e equiparação de salário com os homens.

 

Felizmente não pertencemos mais a este grupo, assim como as discussões entre as diferenças dos sexos já não são tão acaloradas. Sabemos que os homens das cavernas partiam para caça, enquanto as mulheres guardavam e zelavam a cria e o lar. Mesmo assim, protegemos e falamos de maneira mais carinhosa com bebês vestidos de cor-de-rosa. Criamos filhos e filhas com enfoques diferenciados.

Homens têm cromossomos x e mulheres y. Competitividade, excesso de confiança e espírito de aventura no primeiro caso. Proteção, abrigo e nutrição no segundo. Talvez por isso meninos tenham brincadeiras agressivas e competitivas, gostem de filmes de aventura e vídeo games de ação, enquanto meninas brincam de papai e mamãe, adoram bonecas e se deliciam com filmes românticos.

A mulher utiliza os dois lados do cérebro ao invés do direito apenas. Há também mais conexões através dos dendritos, possibilitando maior capacidade de pensar holisticamente e expressar suas emoções. Tente discutir com sua esposa ou namorada e comprove o número de palavras por minuto, as histórias resgatadas do fundo do baú e a facilidade em transformar sentimentos em lágrimas.

Com o crescimento do poder de compra, as mulheres não mais influenciam as decisões nas unidades familiares. Preferem ir direto ao consumo. Carros e apartamentos substituíram roupas, compras de supermercado e educação dos filhos. Perdidas estão as empresas e profissionais de marketing que ainda tratam as mulheres como um mercado em ascensão. Hoje elas são o mercado.

Há ainda alguns nichos que podem ser explorados. O advento da internet, a queda brutal nos custos das comunicações e a globalização, possibilitaram que grupos anteriormente excluídos pelas empresas pudessem se tornar comercialmente interessantes. O pesquisador americano Mark Penn utilizou o termo microtendências para defini-los.

Segundo Penn, microtendências são pequenas forças imperceptíveis que podem envolver até 1% da população, moldando a sociedade de forma irreversível. Considerando uma população de aproximadamente 100 milhões de brasileiras, teríamos um mercado nada desprezível de um milhão de consumidoras esperando para terem suas necessidades atendidas. Vejamos algumas.

Solteiras demais: creio que já tenha discutido com sua esposa ou família, o fato de alguma prima ou conhecida ter ficado para a titia. Inteligentes, bonitas e com bons empregos, seriam partidões caso tivessem nascidos com outro cromossomo. O comportamento agressivo na juventude e os casais homossexuais em maior número pendem a balança para o lado das mulheres.

Tigresas: apesar do ar de reprovação de algumas pessoas, é fato que o número de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens vem aumentando. Artistas e socialites cujas vidas são escarafunchadas são os exemplos mais visíveis. A independência financeira e sexual conquistada pelas gerações anteriores tem feito que mulheres maduras optem pelo divórcio.

Mulheres prolixas: as mulheres têm demonstrado aptidão em áreas que exigem o uso da palavra escrita ou oral. Algumas profissões estão se tornando redutos femininos. Cursos de jornalismo, direito e propaganda são bons exemplos. Apresentadoras, advogadas, juízas, deputadas, prefeitas, governadoras e quem sabe até a próxima presidenta, comprovam o sucesso feminino quando o assunto são palavras.

Utilizaria o termo oportunidade caso tivesse que resumir esta data em apenas uma palavra. Os especialistas em mulheres e seus comportamentos de compra têm hoje apenas uma foto do presente e a história escrita do passado. As microtendências provam que ainda há muito a avançar neste intrincado terreno que é o cérebro feminino. Mãos à obra, homens!

  

 

 

 

O JULGAMENTO DE OSCAR WILDE

7 de março de 2010

Por Marcelo Alves Dias de Souza

Já de algum tempo sou fã das comédias teatrais de Oscar Wilde (1854-1900). Coincidentemente, essa semana, uma notícia que vi na Web me levou a ele: a crescente perseguição a homossexuais em Uganda, onde a prática do homossexualismo é castigada com pena de morte.

Aliás, curioso, dei uma pesquisada e vi que ao homossexualismo é atribuída pena de morte em pelo menos mais cinco países: Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão, Irã e Iêmen. No mesmo caminho, vão dois outros países: Nigéria e Somália. Isso sem falar que mais de 70 países ainda consideram como crime o homossexualismo, com punições que vão desde chibatadas à prisão. Juntando uma coisa com a outra, lembrei que é de Oscar Wilde, certamente, o mais famoso julgamento pelo “crime” de homossexualismo.

O fato é que Wilde, o grande conversador e dândi da Londres de fins do século XIX, está entre os mais lidos e traduzidos escritores de língua inglesa de todos os tempos. Irlandês de Dublin, ele foi jornalista, poeta, contista, romancista e dramaturgo. As peças a que me referi são do seu grande período de fertilidade artística, os anos 1890, que condensa o melhor de sua obra: o romance “The Picture of Dorian Gray” (1890) e a série de comédias teatrais “Lady Windermere’s Fan” (1892), “A Woman of No Importance” (1893), “An Ideal Husband” (1895) e “The Importance of Being Earnest” (1895).

Entretanto, os anos 1890 marcam a vida de Wilde multiplamente. Em 1891, tem início sua desastrosa relação homossexual com Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como Wilde o chamava), segundo seus biógrafos, o grande amor de sua vida.

Apesar da educação protestante e conservadora do escritor (com passagens pelos prestigiosos Trinity College, Dublin University e Magdalen College, Oxford University) e de seu casamento com Constance Lloyd, com quem teve dois filhos.

Foi em 1895 que Oscar Wilde tomou a insensata decisão de processar criminalmente o pai de Bosie, o irascível Marquess of Queensberry (John Sholto Douglas), dando início a uma série de eventos que levariam ao seu próprio julgamento por homossexualismo.

Nutrido pelo ódio, o Marquês perseguia e procurava destruir a reputação de Oscar Wilde, tachando-o de sodomita. Em princípio, Wilde, apesar de ofendido, não pretendia tomar quaisquer medidas legais contra o enfurecido Marquês. Mas, compelido por seu amante (e desatendendo à recomendação dos amigos), decidiu processar o Marquês por crime contra a honra.

No auge do seu prestigio, Wilde foi apanhado numa armadilha. Por Bosie (ou sob a influência dele), abandonou a arte, para se dedicar a uma vendeta que, mais tarde, se voltaria contra ele. O Marquês estava preparado para a batalha. Contratou detetives e vasculhou a vida íntima do grande escritor. Reuniu provas contundentes em sua defesa e foi absolvido à unanimidade.

Kafkamente, como resultado, Oscar Wilde é levado à prisão, com fundamento, precisamente, nas provas produzidas em seu “desfavor” no julgamento do Marquess of Queensberry. Preso por um mês e tornado réu, antes mesmo do seu badalado julgamento (em Old Bailey, famosa sede das cortes criminais em Londres), ele teve sua insolvência civil declarada.

O caso, na Inglaterra vitoriana de então, não poderia ter outro desfecho. Era a mentalidade de uma época, que processava Wilde por homossexualidade, mas, hipocritamente, por exemplo, fechava os olhos para a proliferação da prostituição, que era a principal causa de índices alarmantes de doenças venéreas e outros males da época.

Wilde, agora no Banco dos réus, segundo se conta, continuou a agir como se em sociedade ainda estivesse ou, talvez, como o Lord Goring, a personagem dândi e irônica de “An Ideal Husband”. Abandonado por Bosie (que, se fosse o caso de processar Wilde, deveria, como seu amante, ter sido processado também), pego em mentiras e com a vida íntima completamente exposta, o desempenho de Wilde, na solenidade das cortes vitorianas, foi desastroso. O veredicto: culpado. Pena: 2 anos de prisão, com trabalhos forçados.

Em dado momento, liberto sob fiança antes da sentença, Oscar Wilde foi aconselhado pelos amigos a fugir para o Continente. Preferiu ficar em Londres. As razões: orgulho, falta de recursos financeiros ou a paixão que ainda o ligava a Bosie? Em maio de 1895, é novamente preso.

Após uma sucessão de transferências, finalmente chega à prisão de Reading, famoso porto de sua Ballad. Não foi abandonado por seus fiéis, mas impotentes, amigos, com exceção, claro, de Bosie. As humilhações que passou, o horror da prisão em si, por ele descritos, podemos muito bem imaginar.

Cumprida a pena, foi liberto em maio de 1897, mas humilhado, falido e ceifado, até mesmo, do contato com os filhos. Para a outrora celebridade dos salões londrinos, após isso, apenas restou o autoexílio em Paris. Em 1900, aos 46 anos, convertido ao catolicismo (recebendo em seu leito de morte os sacramentos do Batismo e da Extrema Unção), morre de meningite, talvez causada pela sífilis e certamente agravada pelo seu alcoolismo. Ainda hoje descansa no exílio, no Cemitério de Père Lachaise, em Paris.

Não tenho dúvida que criminalizar o homossexualismo é, acima de tudo, dividir as pessoas entre boas e más, por razões estritamente morais (e sabemos como a moral flutua, no tempo e no espaço). Nesse contexto, Oscar Wilde, o grande frasista, tinha razão: “É absurdo dividir as pessoas em boas e más”. Para ele, “as pessoas ou são encantadoras ou são aborrecedoras”. Wilde, respeitadas as suas preferências, foi uma pessoa e, acima de tudo, um escritor encantador.


Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador da República
Mestre em Direito pela PUC/SP
Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL

A FAMÍLIA FORA DA LEI

7 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em reportagem do jornalista Rafael Duarte, sob o titulo “Laços de Familia”, publicada pelo Novo Jornal deste domingo, o leitor se depara com uma radiografia da família da sra. Wilma de Faria, mostrando o seu envolvimento com o crime.

Irmãos, filho e genro da governadora estão na lista de parentes que, usando do tráfico de influência, acharam fácil engordar suas contas bancárias com dinheiro desviado de secretarias e fundações, como a da Saúde que através do concurso de empresas terceirizadas botava todos os meses R$ 70 mil na mão do lobista Lauro Maia, filho da governadora e candidato a deputado estadual, segundo alguns observadores da cena política local, já previamente eleito com o apoio de vários prefeitos que se deixaram contaminar pelas facilidades que lhes foram oferecidas como contrapartida, entre as quais o famigerado “cheque-reforma” cujo manejo, como instrumento de compra do voto, acaba de ser suspenso pelo procurador eleitoral Flávio Venzon.

A poucos dias do término do seu mandato, do qual se afastará para disputar uma cadeira no Senado, Wilma de Faria tem sido bombardeada por manchetes desagradáveis que dão conta de que o seu mandato foi usado para enriquecer seus parentes e contraparentes. “Ao todo, seis parentes de Wilma respondem a processos na Justiça ou aparecem em ligações suspeitas de envolvimento com fraudes em quatro escândalos nas áreas da cultura (Foliaduto), saúde (Hígia), tributação (Ouro Negro) e educação (o único que não tem apelido)”, informa o Novo Jornal.

Por último, dois irmãos da governadora, filhos do primeiro casamento do seu pai, os chamados “gêmeos” Newton Nelson e e Nelson Newton, foram denunciados…

Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia

ERRAMOS

7 de março de 2010

Da Redação

O artigo “O ativismo judicial”, aqui publicado no último dia 3 de março, foi erroneamente atribuido ao SubProcurador Geral da República, Edilson Alves de França, quando o seu autor é o Professor Honório de Medeiros, ambos colaboradores efetivos desta publicação.

Nossas desculpas.

O VELHO CHICO BATISTA

7 de março de 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Apesar das penúrias do corpo o velho ri, alegre, triunfante, porque superou os obstáculos e chegou aos oitenta anos. Oitenta janeiros, reitera festivamente, mostrando os dentes álveos. Oitenta janeiros… Não é todo mundo que alcança essa graça, diz, sentado na beira da rede armada no meio da sala desprovida de móveis. Apenas alguns tamboretes, cangalhas e arreios encostados a um canto da parede de onde pendem litogravuras já um tanto esmaecidas representando o Coração de Jesus e o Coração de Maria ladeadas por um grande rosário.

Tinha dez anos em 1910 quando seus pais deixaram a fazenda Pocinhas e se mudaram para uma encruzilhada entre dois rios, a meio caminho da várzea e dos tabuleiros, recorda.

Reside há muitos anos em companhia de uma filha, Albertina, que não se casou e agora se dedica exclusivamente a cuidar de sua saúde e do seu bem-estar.

Há muitos anos viúvo de dona Olívia, mestra obstinada que no Estevão desasnou com abnegação e paciência três ou quatro gerações, ensinando-lhes a carta de ABC e as primeiras noções de português e aritmética, tornou-se famosa por fomentar e promover pontualmente desfiles cívicos, quando botava todo mundo para marchar por essas estradas cheias de pó.

Se conheci Bibi? E como a conheci! Desde que me entendi de gente na várzea do Açu, conheci Bibi. Sempre bem arrumada e empoada, cheirando a loção. Não dispensava os seus brincos e trancelim de ouro em volta do pescoço. O cabelo enroladinho como bosta de cabra… Era gente do velho João Feitor, filho do velho Maneo Feitor, uma tribo de negros que viviam nas terras do velho Lulu, pai de Cazuzô.

Entre os antepassados dela havia um Maneo José Novo, para diferenciar de Maneo José Velho, que tinha a fama de adivinhão. Ah, como os conheci! Como os conheci! Pois veja só a astúcia desse negro, Maneo José Velho. Quando alguém lhe perguntava se ia chover, ele respondia invariavelmente dessa forma, Hoje chove ou não chove… Sim, essa era a sua eterna ladainha. Hoje chove ou não chove… O certo é que ele sempre acertava no seu palpite, pois afinal chovia ou não chovia. Mesmo assim, sempre havia alguém para gabar o negro e reconhecer o acerto de suas previsões. Ouvi muito o povo dizer, o Velho tinha razão…

Bibi era muito cavaquista e se arreliava com tudo. Era muito geniosa. Segurava uma pendenga danada com qualquer um que a provocasse, e não se cansava. Levava tudo a sério, sem discernir que as pessoas só queriam brincar com ela, ao provocá-la daquele maneira… Negra retinta, tinha o lábio inferior um tanto despencado que lhe dava a parecença de um peixe sonâmbulo dentro de um aquário. Se bem que nunca vi um aquário.

Acabou esclerosada, jogando dentro dos potes toda porcaria que encontrava. Todo doido tem sua mania, não é mesmo? Por que Bibi haveria de ser diferente? Ela tinha uma risada que era só dela. Mas não pense que ela ria muito não. Era uma mulher calada, que vivia pensando o dia inteiro, mormente quando não tinha nada para fazer. Ficava sentada num tamborete durante horas, sozinha, pensando. No fim, falava numa língua que ninguém entendia.

O velho ri gostosamente, lembrando-se de Bibi do Velho João Feitor. Noto que tem uma boa dentadura, de dentes brancos esfregados todos os dias com casca de juá. Nem mesmo os jovens que vivem nos matos têm uma dentadura assim, gaba-se, sem economizar no riso. Porém a vista é que não é boa. A vista é que não é boa, mas, que fazer?

Seu Chico não é como outros velhos que sentem uma nostalgia inenarrável do passado. Para ele, tempo bom é o presente.

Antigamente havia muitas coisas boas, mas ninguém queira que o passado volte. Tudo o que vive anda para frente, a não ser caranguejo que anda para trás, segundo sempre ouvi da boca de muita gente. Porém não posso jurar sobre isto porque estou nessa idade e nunca vi um caranguejo. Só dou minha opinião sobre o que conheço. Nunca vi o mar…

Cercado de netos, o velho observa a vida através duns óculos de lentes espessas e embaçadas pela abundante transpiração. A vida, àquela hora no Panom, está mergulhada no calor comatoso do meio-dia. O cabelo rebelde lhe dá uma aparência de menino vivaz.

Alcancei a casa do meu avô com jiraus cheios de queijos que sobravam de um ano para o outro, pois não havia fome suficiente para dar cabo de tanta fartura. Ah, pode escrever. Naquele tempo não havia fome que desse baixa em tanta fartura. Quase tudo era produzido em casa: a carne, o queijo, a manteiga, a farinha, o fubá, o mel, a banha… Mas, apesar de tudo, as casas eram cobertas de palha e as mulheres, por mais ricas que fossem, pariam sobre camas feitas de talos de carnaubeira.

Agora aqui todo mundo tem colchão de mola e luz elétrica; quase toda casa é feita de alvenaria e tem televisão. Eu prefiro o tempo de hoje, embora o sujeito só possa comprar um quilo de carne duas ou três vezes por semana. Penso que é melhor comer menos e dormir melhor. Melhor ainda, para quem pode, é comer e dormir bem. Isto sim é que é vida para a gente pedir a Deus. O resto é enfado e penitência.

Não tenho nada contra que anote nossa conversa. Pode anotar à vontade. Eu sempre soube que você vivia de anotar essas maluquiças de gente velha. Anote o que puder e quiser sem sobrosso e sem o receio de se fazer aborrecível. Pelo menos assim as coisas não se perdem e no futuro alguém vai saber que um dia, sem aviso, lhe recebi em minha humilde e honrada casa, já homem feito, depois de lhe ter visto menino recebendo as lições de Olívia e da sua avó.

Sempre soubemos que você não foi um menino igual aos outros. Sei que lia muito desde pequeno, orientado por sua avó que Seo Fonseca foi buscar no Ceará-Mirim, para reinar e ser dona dessas terras todas… Ler, como sabe, ajuda a pensar.

Trabalhar no Novo
Frequentemente sou abordado por amigos e colegas, geralmente da minha geração, sobre um assunto que está na boca de muita gente - este Novo Jornal.

Como é trabalhar no NJ, querem saber, às vezes com uma certa incredulidade. “É verdade que lá os colaboradores são pagos?” Esta indagação é feita fatalmente por todos, no começo ou no fim da conversa, pois afinal nenhum dos nossos jornais jamais adotou essa prática. Afinal, o trabalho intelectual, segundo alguns espertos, não tem preço…

Certa vez, ao ser convidado a colaborar num jornal local, o dono me disse à queima-roupa, logo após formalizar o convite: “Você é um grande intelectual. Por isso, não vou falar em dinheiro, para não ofendê-lo…”

Eu me lembro agora duma conversa com Dorian Jorge Freire, que se mostrava aborrecidíssimo com a poetisa Zila Mamede, a quem ele convidara havia um ou dois mses para escrever aos domingos no jornal que ele então dirigia. Pois bem, ela mandara a conta! “Nunca pensei que Zila fosse tão mercenária”, queixou-se, visivelmente contrariado. E, desta forma, matou a minha curiosidade sobre a repentina suspensão da colaboradora que, embora uma grande artífice do verso, produziu circunstancialmente uma prosa medíocre, insípida e sem estilo.

Pois, aqui, os colaboradores recebem, sim. Mas isto não é tudo. Também temos, por exemplo, workshops, como o que se realizou no penúltimo sábado no Vila do Mar, depois de um almoço em que nos confraternizamos, do diretor ao moço da portaria. Afinal, como costuma dizer-nos Cassiano Arruda Câmara, o principal capital do Novo Jornal é o elemento humano. E, sobretudo, diria eu, a transparência que rege as relações internas e externas da empresa com todos.

Confesso que pela primeira vez, depois de tantos anos de redação, fui testemunha, nessa confraternização, de um fato excepcional: a direção de um jornal detalhando para os seus funcionários o seu fluxo de caixa e informando-os sobre seus projetos. Outra coisa surpreendente, aqui, é a liberdade de opinião que desfrutamos, pelo menos até este momento. Sei que já até pediram minha cabeça à direção, mas ela, a cabeça, continua firme sobre os meus ombros e o jornal, firme e forte em sua disposição de bem informar aos cidadãos.

COOPERATIVA DESVIOU DINHEIRO PARA O PT

6 de março de 2010

A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT. Ela ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002

Do site Movimento Ordem Vigília
Contra a Corrupção
/revista Veja

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop.

Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros.

Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína. Agora, começa-se a entender por quê.

Leia no blog do Reinaldo Azevedo:
“A cada enxadada, uma minhoca”. Quando se lança a ferramenta em solo petista, então, basta que se tire um pouquinho de terra, e o que se vê é aquela celebração de anelídeos se retorcendo. Acostumados aos subterrâneos, reagem à luz. O Brasil assiste atônito, mas também satisfeito, ao descalabro instalado no Distrito Federal. Atônito com a canalhice. E satisfeito em ver José Roberto Arruda na cadeia.

Mas há uma coisa que, até agora, está no grupo das coisas jamais vistas — como enterro de anão e cabeça de bacalhau: petista na cadeia! A sensação, não muito distante da realidade, é a de que membros do partido têm especial licença para a falcatrua. E olhem que nem é preciso falar do mensalão do PT.

WILMA DE FARIA NO INFERNO

6 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Em fins do ano passado fomos agradavelmente surpreendidos certa manhã, na redação do Novo Jornal, com a inesperada visita da prefeita Micarla de Souza que, fazendo-se acompanhar de seu staff, fora desejar-nos um Feliz Natal e Ano-Novo.

Lá para tantas, dirigindo-se aos que ali se encontravam em pleno expediente, encareceu a importância da Imprensa e pediu-nos que deixássemos as coisas ruins de lado e escrevêssemos sobre as boas, porém ao fazê-lo ela, como jornalista que é, parece ter caido na real e, imediatamente, quase sem transição, reconheceu que dissera um disparate e voltou atrás, admitindo que havia muito mais coisas ruins do que boas para noticiarmos.

Penso em nossa jovem e açodada prefeita ao deter-me em comentários sobre o atual governo do Rio Grande do Norte, que já vários meses fornece combustível a péssimas notícias, a maioria de corrupção envolvendo pessoas do seu real sangue, a começar pelo primeiro-filho Lauro Maia, candidato a deputado estadual que já esteve preso o ano passado pela Polícia Federal, sob a suspeita de chefiar uma organização criminosa que molhava a sua mão todos os meses com uma propina de R$ 70 mil oriunda dos recursos da Secretaria de Estado da Saúde. Um dinheiro subtraído da população que depende do estado em suas vicissitudes.

Ontem mesmo, aqui, confessava o meu desânimo diante dessa como que fatalidade de escrever quase sempre sobre o mesmo assunto, ou seja, sobre as denúncias de corrupção que se tornaram rotineiras no curso dos dois mandatos da governadora Wilma de Faria, algumas ocorridas já há muito tempo e agora requentadas pelo Judiciário que responde assim ao clamor popular que, reanimado pela recente prisão do governador de Brasília, levou-nos a acreditar que a lei foi feita para todos, até, para os chamados “colarinhos brancos” ou aqueles contraventores que parecem ter as “costas largas” e que o vulgo, usando do insofismável direito de espernear, chama, jocosamente, de “picas grossas” (com perdão da má palavra…). Como o filho e os irmãos da sra. Wilma de Faria, nossa primeira mandatária, também chamada respeitosamente por todos de “a Gove”…

A poucas semanas do término do seu governo que entra para a história como um dos mais desastrosos e ineptos, a governadora Wilma de Faria tem experimentado o desgosto de ver o seu castelo ruir fragorosamente, por pressão de seus antigos aliados, do julgamento da opinião pública e da ação do Judiciário que resolveu, de uma só vez, fazer andar vários processos que dormiam nas gavetas envolvendo familiares seus que já se consideravam fora do alcance da lei.

O caso de seus irmãos gêmeos, Newton Nelson e Nelson Newton é sintomático. Já pareciam inocentados pelo silêncio do Ministério Público, até que o juiz Raimundo Carlyle aceitou a denúncia apresentada contra eles, fazendo o processo andar. Os dois vão responder por envolvimento em negócios escusos com a Secretaria da Educação e gráficas que lhe prestavam serviços e fornecia-lhe material superfaturado de uso nas escolas. Suspeita-se que a “diferença” paga pelo estado ia para o bolso deles. Já o médico Carlos Faria, também irmão da governadora, está atolado no lamaçal do Foliaduto, escandalo referente ao desvio de mais de R$ 2 milhões usados para a contratação de shows de axé music e forró que nunca se realizaram.

Para a governadora, que quer ser senadora, tudo isto representa dificuldade, ainda mais em ano eleitoral, quando a roupa suja é lavada com a mesma crueza com que o açougueiro esquerteja a rês. Desses “esquartejadores”, os deputados já deram provas que a governadora que não obedecem mais ao seu comando e não se mostram dispostos, mesmo seus tradicionais aliados, a ampliar seu aboio sobre o rebanho pacifico de eleitores encurralados. O presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria, por muitos anos seucprincipal colaborador na esfera legislativa, está agora “do outro lado”, como candidato a vice na chapa ao governo do estado escabeçada pela senadora Rosalba Ciarline.

Mas, o grande obstáculo é o Judiciário. Uma verdadeira pedra no sapato da governadora, até a Justiça Eleitoral começa a desmanchar-lhe todo um trabalho de financiamento de campanha disfarçado de ação administrativa. O “cheque-reforma”, uma forma sutil de compra de voto, teve a sua distribuição suspensa pelo procurador eleitoral Flávio Venzon, do Tribunal de Justiça Eleitoral. De junho a outubro está suspenso. Também não era para menos: em ano eleitoral, o “cheque-reforma” teve reajuste superior a 700% em relação ao ano de 2008, uma generosidade que deixou os agentes da lei de orelhas em pé. em 2008, por exemplo, a governadora aplicou no sistema R$ 592.750 e, este ano, a “bagatela” de R$ 4,5 milhões! Esmola grande demais, o santo desconfia, D. Wilma!

Mas tem mais…


Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia.