OS AMIGOS DO ARRUDA

3 de março de 2010

Por André Giusti

É bem clássica a visita do Arcebispo de Brasília ao governador afastado e preso do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Clássica no sentido do padre visitando o preso, na esperança – quem sabe? – de arrancar uma confissão de culpa, ou lágrimas de arrependimento.

O padre e o preso. Tenho a vaga sensação de que a situação remete a alguma passagem clássica de nossa literatura, mas nesse início de noite cansado, quando escrevo quase às pressas, me será impossível transformar isso em lembrança concreta. Deixo que alguém procure por mim.

Não sei se Dom João Braz de Aviz costuma visitar presos por aí, se vai aos presídios e delegacias conferir a imagem terrena da morada do tinhoso. Talvez deixe para os simples padres das pequenas paróquias a visita aos pretos e pobres miseráveis, alguns dos quais menos ofensivos à sociedade do que outros tipos de encarcerados. Ou nem tão encarcerados, que merecem, pela hierarquia, a compaixão do arcebispo.

Dom João visitou Arruda e acabou contando a jornalistas como foi a conversa. Queixou-se o governador afastado e preso que ninguém o visita, à exceção de advogados e da mulher. Em outra cena clássica das prisões, a da lamúria dos encarcerados, muito embora sua “cela” não tenha grades, Arruda lamentou aos ouvidos do padre-mor que os amigos não apareceram desde que ele foi parar lá.

Se o cardeal não perguntou na hora, cabe agora a interrogação: que amigos, governador, no mais genuíno sentido dessa palavra, o senhor acha que pode ter conquistado? Cabe também a pronta reposta. Provavelmente, aqueles que se mantêm ao lado das pessoas apenas enquanto elas habitam os palácios.

É possível que o padre tenha pensado isso e ficado em silêncio.

DENE: DESENCONTRO NATALENSE DE ESCRITORES

3 de março de 2010

Por Patrício Jr*

patriciojr.com.br

E a Funcarte (Fundação Confusa das Artes), órgão municipal irresponsável por fazer cultura em Natal, acaba de chegar a um entendimento sobre o antigo “Encontro Natalense de Escritores”, antigo “Encontro Lusófono de Escritores”, antigo… ”Não sabemos ainda qual será o novo nome, mas vai ser revolucionário”. O evento de literatura agora vai se chamar DENE: Desencontro Natalense de Escritores. Será o maior evento de literatura que nunca vai ocorrer em Natal.

Para as mesas do DENE já estão confirmados os nomes de Machado de Assis, Miguel de Cervantes e José de Alencar. Serão mesas brancas, claro. O presidente da Funcarte dessa semana garantiu que o DENE vai ser um evento único. O (presidente) da semana que vem já se adiantou dizendo que garante a mesma coisa.

Todos os escritores convidados para o DENE serão substituídos de última hora por apadrinhados do presidente da Funcarte. E o melhor: (só) saberão que foram preteridos através da imprensa e passarão por esse constrangimento público sem receber nenhum pedido de desculpas da Prefeitura.

Segundo o (atual) presidente da Funcarte, essa prática tem por objetivo desqualificar o trabalho de escritores profissionais ao mesmo tempo em que prestigia artistas frustrados que se dedicaram mais ao puxa-saquismo do que ao trabalho sério. “Nossa política cultural sempre vai privilegiar quem faz parte da nossa panelinha”, afirmou. “Nós somos um órgão público, que dá oportunidades iguais a todos os artistas, contanto que eles estejam filiados ao partido da situação”.

Debates da gente
Os debates terão temas modernos, em consonância com o que é discutido nos maiores eventos de literatura do mundo. Na mesa “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, grandes nomes da literatura de gosto duvidoso discutirão o que os responsáveis pela decoração do “Natal em Natal” fumaram pra achar aquilo bonito. Segundo o presidente da Funcarte, esta mesa “será tão revolucionária e inovadora que as pessoas não vão entender nada”, mas a prefeita vai dar uma entrevista dizendo que aquilo tudo é “mágico-lúdico-fantástico” e então a cidade toda vai concordar com ela.

Outra mesa que promete gerar uma discussão saudável e edificante (será) “Usando a retórica para jogar a culpa no seu antecessor”. A própria prefeita será uma das debatedoras e falará sobre sua experiência em culpar a gestão anterior por todos os problemas da cidade.

A mediação deste debate ficará a cargo de um assessor baba-ovo, que concordará com tudo que a prefeita disser enquanto segura sua bolsa e não deixa ninguém chegar perto dela. A organização do DENE promete ainda servir um bolo de fubá pra prefeita e expulsar do recinto quem tentar fotografá-la no momento em que ela come a guloseima.

Na seara da literatura sustentável, teremos debates bem interessantes também. Dias Gomes, autor da novela global “O espigão”, vai compor a mesa “Toma que o espigão é teu”.

Na ocasião, ele defenderá a tese de que a novela dos espigões de Ponta Negra é dele. Como ninguém quer tomar pra si a autoria dessa novela, os organizadores creem que não haverá grandes polêmicas. Mas o Ministério Público já avisou: vai fazer uma reunião com Dias Gomes e depois, magicamente, ele voltará atrás em todas as decisões que tomou. Jogando a culpa no antecessor (da prefeita), claro.

Outras mesas da parte verde do evento que merecem destaque são: “Meu pé de algaroba no Midway”; “As escutas telefônicas mais incríveis da Operação Impacto”; e “Plano diretor: quem te viu, quem PV”.

Oficinas da gente
Mas nem só de debates viverá o DENE. Na oficina “Venda seu blog: pergunte-me como”, uma blogueira inescrupulosa e medonha ensinará como enriquecer às custas de inverdades sem se corroer de remorso. Os presentes aprenderão, por exemplo, como formatar uma tabela de preços para a própria opinião.

A blogueira adiantou, em coletiva, um pouco do conteúdo da oficina “Manipular a verdade dá trabalho: tem que buscar argumentos falsos, escrever de forma dúbia e ainda posar de imparcial”: “tudo isso gera um custo que deve ser repassado a quem está te prostituindo”, afirmou ela. Durante a oficina, a blogueira promete emitir várias opiniões favoráveis ao grupo político da situação. Isto se ela não receber uma contraproposta da oposição até lá.

Os professores da rede de ensino municipal serão os responsáveis pela oficina “Plano de Cargos e Salários: promessa é dúvida”, na qual mostrarão passo a passo o que você deve fazer para ser ludibriado por propostas de campanha que nunca serão cumpridas. Esta oficina promete atrasar todo o cronograma do evento porque minutos antes de começar os professores entrarão em greve. Mas a prefeita garantiu que vai receber todos para uma conversa franca assim que sua popularidade cair pelo fato de nossas crianças estarem sem aulas.

Outros destaques são as oficinas “Via Livre, mas nem tanto”, “Inaugurando postos de saúde sem médicos”, “Como trocar seu apoio político pelo silêncio da imprensa” e a grande sensação do evento: “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”.

Baixarias da gente
Claro que Câmara Cascudo não poderia ficar de fora. Para homenagear nosso maior intelectual, a organização apresentará algo totalmente inédito: um natalense que leu um livro de Câmara Cascudo! Sim, existe! E o presidente da Funcarte garantiu que o rapaz não frequenta o Beco da Lama, não dá aulas na universidade e nem é herdeiro do folclorista, fato que torna a descoberta realmente única.

O DENE ainda promete grandes debates que descambarão pra baixaria sem, no entanto, ter seus responsáveis advertidos pelos superiores. O próprio presidente da Funcarte se encarregará de pôr a culpa pelo atraso do evento em ex-funcionários que pediram exoneração porque a Prefeitura não ofereceu condições para que seus trabalhos fossem realizados. “É de suma importância que a gente continue mentindo para o povo, sem jamais assumir a própria inoperância”, afirmou, para em seguida sair cagando e andando.

Anote aí: o DENE ocorrerá em algum dia dos meses de março, abril, maio ou junho, talvez julho, quem sabe agosto, pode ser até em setembro, provavelmente em outubro, no máximo em novembro, se bem que dezembro…

(*) Publicado originalmente no PLOG

TSE EXPÕE SITUAÇÃO CRIMINAL DE CANDIDATOS

3 de março de 2010

Por Redação, com
informações do G1

Regra aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (2) cria mais um mecanismo para auxiliar os eleitores a escolher em quem votar nas eleições de outubro. O texto prevê a exibição na internet da certidão criminal dos candidatos, um dos documentos exigidos pelo TSE no pedido de registro da candidatura.

De acordo com o texto da resolução, os candidatos com certidão positiva terão de apresentar informações detalhadas sobre o andamento de cada processo criminal existente. As certidões serão digitalizadas pela Justiça Eleitoral e o eleitor vai poder consultar a situação criminal de cada candidato por meio do Sistema de Divulgação de Candidaturas, na página do TSE na internet.

Segundo a resolução, o candidato será obrigado a apresentar a documentação sobre o andamento de cada processo. Se ele não fornecer as informações, a Justiça Eleitoral dará prazo de 72 horas para que ele apresente os dados. O concorrente poderá ter o registro de candidatura negado por ausência de documentos exigidos no pedido de registro.

O HOTEL DE MICARLA

3 de março de 2010

Por Franklin Jorge

O aluguel de um hotel de luxo para abrigar duas secretarias que têm se notabilizado pela sua inação e incapacidade de solucionar problemas em áreas de significativa representatividade, como a Saúde e a Educação, confirmam de maneira inquestionável o despreparo da prefeita Micarla de Souza (PV) para o exercício do cargo que, por inadvertência dos natalenses, ocupa atualmente em meio às mais contundentes críticas de toda a sociedade.

Micarla parece ignorar as mais comezinhas regras da administração pública. Seus últimos atos, marcados pelo inusitado, parecem contaminados de zombaria e provocação, por sua absoluta insustentabilidade perante a opinião pública que não se cansa de ver, nessa sucessiva enfieira de desmandos que cheiram a suspeição um mal explicado infantilismo reincidente…

A impressão que fica é a de que ela está sozinha e desamparada em meio à catástrofe, sem orientação e sem bússola que a leve ao porto seguro do bom senso e do respeito aos cidadãos. Este recente episódio, envolvendo o comprometimento diário de mais de R$ 4 mil com a contratação de um aluguel, para abrigar duas secretarias que são alvos da crítica contundente e contumaz dos cidadãos, é concludente e didático.

Mostra, sem postergações, o tamanho da avaria que contamina o governo de Micarla que, instalado há pouco mais de um ano, tem se destacado pelo ridículo e a inépcia que o tornam aos olhos de todos, manco e defeituoso…

O ATIVISMO JUDICIAL

3 de março de 2010

Por Honório de Medeiros, professor de Filosofia do Direito [UnP]]

Um dos mitos fundantes da nossa concepção de Estado é a do contrato social. Por este, nós cedemos nossa liberdade para que o Estado nos impeça de nos destruirmos uns aos outros. Tal noção, até onde sabemos, foi pela primeira vez exposta por Licofronte, discípulo de Górgias, como podemos ler na “Política”, de Aristóteles (cap. III):

De outro modo, a sociedade-Estado torna-se mera aliança, diferindo apenas na localização, e na extensão, da aliança no sentido habitual; e sob tais condições a Lei se torna um simples contrato ou, como Licofronte, o Sofista, colocou, “uma garantia mútua de direitos”, incapaz de tornar os cidadãos virtuosos e justos, algo que o Estado deve fazer.

E muito embora um estudioso outsider do legado grego tal qual I. F. Stone defenda que a primeira aparição da teoria do contrato social está na conversa imaginária de Sócrates com as Leis de Atenas relatada no “Críton”, de Platão, há quase um consenso acadêmico quanto à hipótese Licofronte estar correta. É o que se depreende da leitura de “Os Sofistas”, de W. K. C. Guthrie, ou da caudalosa obra de Ernest Barker.

Bellum omnium contra omnes, guerra de todos contra todos até a auto-aniquilação no Estado de Natureza, é o que ocorre se impera a liberdade absoluta, diz-nos Hobbes no final do Século XVI, início do Século XVII - recuperando a noção de contrato social - e não houver a criação de um artefato – o Estado –, assegurando-se, assim, a sobrevivência dos homens quando estiverem em contato uns com os outros, pois haverá a submissão da vontade de todos à vontade de um só ou de um grupo, e esta atuará em tudo quanto for necessário para a manutenção da paz comum.

Entretanto é com Jean Jacques Rousseau, após John Locke, que se firma o mito fundante do contrato social, influenciando diretamente a Revolução Americana e Francesa, bem como a idéia de Estado conforme a concebemos ainda hoje. Em “O Contrato Social”, Rousseau põe na vontade dos homens, da qual surge o Estado, a origem absoluta de toda a lei e todo o direito, fonte de toda a justiça. O corpo político, assim formado, tem um interesse e uma vontade comuns, a vontade geral de homens livres.

Quanto a esse corpo político, José López Hernández em “Historia de La Filosofía Del Derecho Clásica y Moderna”, observa que Rousseau atribui o poder legislativo ao povo, já que esse mesmo povo, existente enquanto tal por intermédio do contrato social detém a soberania e, portanto, todo o poder do Estado.

As leis, inclusive a do contrato social, que emanam do povo, assim as vê Rousseau: “são atos da vontade geral, exclusivamente”; “é unicamente à lei que todos os homens devem a justiça e a liberdade”; “todos, inclusive o Estado, estão sujeitos a elas”.

O ideário acima exposto, no qual a lei a todos submete por que decorrente da vontade geral do povo – este, frise-se mais uma vez, surgido graças ao contrato social e detentor da soberania - pode ser encontrado em obras muito recentes, como o “Curso de Direito Constitucional”, primeira edição de 2007, do Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil Gilmar Ferreira Mendes e outros. Às páginas 37, lê-se:

Por isso, quando hoje em dia se fala em Estado de Direito, o que se está a indicar, com essa expressão, não é qualquer Estado ou qualquer ordem jurídica em que se viva sob o primado do Direito, entendido este como um sistema de normas democraticamente estabelecidas e que atendam, pelo menos, as seguintes exigências fundamentais: a) império da lei, lei como expressão da vontade geral; (…)

Assim como é encontrado, expressamente, enquanto cláusula pétrea, imodificável, na Constituição da República Federativa do Brasil, no parágrafo único do seu artigo 1º:

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Há algo de estranho, portanto, nessa doutrina do “ativismo judicial” que viceja célere nos tribunais do Brasil, principalmente no nosso Supremo Tribunal Federal. Entenda-se, aqui, como “ativismo judicial”, o “suposto” papel constituinte do Supremo, na sua função de reelaborar e reinterpretar continuamente a Constituição, conforme pregação sutil do Ministro Celso de Mello em entrevista ao “Estado de São Paulo”, e a atividade judicante de meramente preencher uma “possível” lacuna legal ou mudar o sentido de uma norma infraconstitucional já existente por meio de uma sentença, baseando-se em princípios difusos e indeterminados da Constituição Federal, estratégia empregada na Itália, Alemanha e pelo próprio STF. “Não é por razões ideológicas ou pressão popular. É porque a Constituição exige. Nós estamos traduzindo, até tardiamente, o espírito da Carta de 88, que deu à corte poderes mais amplos”, diz, arrogantemente, o presidente do STF Gilmar Mendes.

Pergunta-se: teria o judiciário legitimidade, levando-se em consideração a doutrina exposta acima, para avançar na seara do legislativo, passando por cima da soberania do povo em produzir leis através de seus representantes, seja preenchendo lacunas (criando leis), seja alterando o sentido de normas jurídicas, seja modificando, via sentença, a legislação infraconstitucional? Ainda: teria amparo legal o STF para tanto?

Em que se basearia, qual seria o fulcro dessa atividade de invasão da competência do legislativo ao se criar normas jurídicas através de sentenças, ou modificar o sentido de outras por meio de interpretações? Seria, como deixa transparecer o presidente do STF em suas entrevistas, por que a Constituição Federal tem um “espírito” e somente os integrantes daquela Casa, em última instância, conseguem enxergá-lo em sua essência última? Que espírito é esse? O mesmo ao qual se refere São Paulo: “a letra mata, o espírito vivifica”?

Autoritário, tal argumento. Sob o véu de fumaça que é a noção de que haja um “espírito constitucional” a ser apreendido (interpretado segundo técnicas hermenêuticas somente acessíveis a iniciados – os guardiões do verdadeiro e definitivo saber) está o retorno do mito platônico das formas e idéias cuja contemplação é privilégio dos Reis-Filósofos enquanto. É a astúcia da razão a serviço do Poder.

Platão, esse gênio atemporal, legou aos espertos, com sua gnosiologia a serviço de uma estratégia de Poder, a eterna possibilidade de enganar os incautos lhes dizendo, das mais variadas e sofisticadas formas, ao longo da história, que somente “alguns”, os que estão no comando, podem encontrar e dizer “o espírito” da Lei, o certo e o errado, o bom e o mal, o justo e o injusto.

O mesmo estratagema a Igreja de Santo Agostinho, esse platônico empedernido, por séculos usou para administrar seu Poder: unicamente a ela cabia ligar a terra ao céu, e o céu à terra, por que unicamente seus príncipes sabiam e podiam interpretar corretamente o pensamento de Deus gravado na Bíblia.

E, assim, como no Brasil a última palavra acerca da “correta” interpretação de uma norma jurídica é do STF, e somente este pode “contemplar” e “dizer” o verdadeiro “espírito das leis”, aos moldes dos profetas bíblicos, em sua essência última, mesmo que circunstancial, estamos nós agora, além de submetidos ao autoritarismo dos pouco preparados representantes do povo, ao autoritarismo dos ativistas judiciais.

FIDEL FAZ A DEFESA DO AMIGO LULA

2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Num instante em que Lula tenta virar a página escrita na semana passada, em Cuba, o ditador aposentado Fidel Castro cuidou de redigir mais um capítulo.

Fidel manifestou-se em nota. No texto, remexeu o caldo que mistura a visita de Lula e a morte do dissidente cubano Orlando Zapata.

Acusado de “cúmplice” pelos opositores do regime de Havana, o presidente brasileiro foi defendido por Fidel.

Divulgada na TV estatal cubana, a nota companheira realça, a certa altura:

“Lula sabe, há muitos anos, que em nosso país jamais se torturou alguém, jamais se ordenou o assassinato de um adversário, jamais se mentiu para o povo”.

Zapata sucumbiu após 85 dias de greve de fome. Feneceu na terça-feira da semana passada, horas antes da chegada de Lula a Havana.

Instado a comentar o episódio, Lula lamentou que “uma pessoa se deixe morrer” por greve de fome, expediente que já adotou e desrecomenda.

Não pingou dos lábios de Lula nenhuma palavra que soasse a desaprovação à falta de democracia em Cuba.

O silêncio custou a Lula declarações acerbas dos dissidentes que permanecem em Cuba e um protesto barulhento de exilados, no consulado brasileiro de Miami.

Inveja pura, segundo Fidel: “Alguns invejosos de seu prestígio e de sua glória, ou pior ainda, os que estão a serviço do Império, o criticaram por visitar Cuba. Utilizaram para isso as calúnias que há meio século usam contra Cuba”.

No estágio seguinte de sua fatídica viagem, Lula voou para El Salvador. Ali, levou aos microfones uma declaração que agora ecoa como aprovação prévia à nota de Fidel:

“Não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome”.

O que dizer? Com um defensor do porte de Fidel, Lula já não precisa de agressores.

Depois de converter o romantismo de de Sierra Maestra num pesadelo de cinco décadas, o protoditador, metido em agasalho Adidas, decidiu matar o tempo como ficcionista.

Seus opositores, em trilha inversa, como que convertem Manuel Bandeira em realidade, adaptando-lhe a poesia:

Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do rei
Não tenho nada que quero
E sei que jamais terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui não sou feliz
A cana é muito dura
E os ditadores são senis…

PAC TEM NÚMEROS MAQUIADOS POR DILMA

2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

O governo maquiou os balanços oficiais do PAC com o propósito de esconder atrasos na execução das obras

Deve-se a revelação aos repórteres Eduardo Scolese e Ranier Bragon. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa:

“Três de cada quatro ações destacadas no primeiro balanço do PAC não foram cumpridas no prazo original”.

Para encobrir o problema, recorreu-se à maquiagem. Vão abaixo os detalhes que evidenciam a manobra:

1. Gestora do PAC, a ministra-candidata Dilma Rousseff reuniu os jornalistas, no início de fevereiro, para divulgar o balanço de três anos do programa.

2. Sob holofotes, a “mãe do PAC” anunciara que 40% das ações previstas no programa já haviam sido cumpridas.

3. Nas principais obras, a taxa de conclusão era, segundo a chefe da Casa Civil, de 36%.

4. Para corroborar as palavras da ministra, o Planalto distribuíra aos repórteres um documento em que a lista de obras é adornada por ilustrações.

5. Ao lado de cada empreendimento, três vocábulos traduziam o estágio em que se encontravam os canteiros de obras.

6. Para a maioria das obras mais relevantes do PAC, utilizou-se um carimbo verde: “Adequado”.

7. Os carimbos em amarelo –“Atenção”—e em vermelho –“Preocupante”— figuram no levantamento oficial como escassas exceções.

8. Os repórteres compararam esse levantamento de fevereiro ao balanço inaugural do PAC, que Dilma fizera em maio de 2007.

9. Confrontaram os dados também com os indicadores apresentados nos oito balanços que se seguiram ao primeiro.

10. Descobriram: muitas das obras que aparecem no balanço mais recente com o carimbo verde passaram por uma revisão de metas.

11. Os prazos de conclusão foram dilatados. Parte das obras, cuja conclusão fora prevista ainda para a era Lula, simplesmente foram jogadas para a próxima gestão.

12. O governo lançou mão do pa©osmético sem mencionar, de um balanço a outro, que ajeitava com ruge e batom a face do programa.

13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável.

14. Há mais: numa das obras que teve preservado o prazo de entrega trocou-se o objeto: em vez da conclusão da obra, a meta passou a ser a “entrega do projeto”.

15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes.

16. O primeiro balanço do PAC, aquele de maio de 2007, cobria o primeiro quadrimestre do progama –de janeiro a abril daquele ano.

17. O texto classificava como grandes 76 obras. Comparando-se esse levantamento com os posteriores, sobretudo o último, verifica-se:

18. Nada menos que 75% das grandes obras (57) padecem de atraso no cronograma. Onze foram empurradas para dentro da próxima gestão, a ser inaugurado em 2011.

19. Desses 57 empreendimentos atrasados, 38 ainda estão em andamento. Ganharam novos cronogramas.

20. O atraso médio é de um ano e meio em relação ao que fora prometido em 2007.

21. Significa dizer que que essas 38 obras deveriam figurar no último balanço trazido à luz por Dilma com carimbos amarelos ou vermelhos. Porém…

22. Porém, apenas 16% delas figuram na peça acompanhadas das inscrições “Atenção” e “Preocupante”. As demais foram brindadas com sombra verde: “adequado”.

No último dia 20 de fevereiro, ao discursar no Congresso petista que aclamou Dilma como presidenciável oficial, Lula dissera:

“Posso dizer que nunca antes na história do país houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado, tão discutido e tão planejado como nós fizemos o PAC”.

Considerando-se a checagem de Scolese e Bragon, Lula talvez estivesse falando de outro PAC, até aqui insuspeitado: o Programa de Aceleração do Cosmético.

O PATÍBULO DAS URNAS

2 de março de 2010

Por Josias de Souza,
da Folha de S.Paulo

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf…

…Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

1. “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade”.

2. “Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso”.

O Lula-1994 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Ouça-se o que dizia: “Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios…”

“…[...] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia…”

“…[...] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção”. Fecha parêntese.

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula.

Percebeu?

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1994: “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

“Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

REPERCUSSÃO: ‘MICARLA DE MIOLO MOLE’

2 de março de 2010

Da Redação

‘Micarla de miolo mole’, artigo aqui publicado no último sábado pelo jornalista Franklin Jorge, repercutiu extraordinariamente, conforme provam os comentários suscitados desde então. Espelham, de maneira veraz e incomplacente, como os natalenses julgam o “governo verde” da prefeita Micarla de Souza, que tem conjugado ao mesmo tempo em sua rotina incompetência e corrupção.

Mas, deixemos as palavras com os leitores:

21 comentários para “MICARLA DE MIOLO MOLE”

Magnaldo Silva - Cidade Satélite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 12:01
Boooooooooooooooooooooooooooooooa!!!

Pérola Martins, Cidade Verde disse:
28 de fevereiro de 2010 às 13:43
Micarla não (tem) preparo para ser prefeita de Natal. Não sabe o que está fazendo. Já começa que mantém em seu secretariado arrogante e mal-educadissimo Augusto Carlos Viveiros, o Rodrigues Neto, o Bosco Afonso, o Kalazans, o Kelps… Ela está enterrando definitivamente o seu futuro na politica. É uma nuvem passageira.

Wanda Lins disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:04
Ela está acabando com a nossa querida Natal. Uma horror, essa mulher!

Carlos José disse:
28 de fevereiro de 2010 às 14:05
Meus cumprimentos pelo sucesso desta página.

Paulo Chaves - Lausanne disse:
28 de fevereiro de 2010 às 15:07
Tenho acompanhado o crescente número de acessos computados nesta página. Mérito é isto: cultura, lucidez, competência para criar o novo em alguns textos inesqueciveis, como o que tem escrito sobre a governadora e a prefeita de Natal. Suas colocações são sempre apropriadas e atingem o alvo em artigos como “Governadora à beira de um ataque de nervos”, “A orgia do poder”, “Borboletário em transe” e muitos outros, como as transcrições que tem feito aqui dos artigos publicados aos domingos no Novo Jornal, onde você mostra o intelectual que é, sério, culto, da mesma categoria do seu mestre Antonio Carlos Villaça, que o admirava como um de seus mais caros confrades. Você não escreve para ocupar espaço, sem ter o que dizer, mas para transmitir conhecimento e dar prazer aos seus leitores em páginas que lhe sobreviverão. Não passo um dia sem acessá-lo! Seu velho amigo e admirador.

Sonia Mary disse:
28 de fevereiro de 2010 às 17:20
Essa menina mostra que não tem um pingo de juízo. Jogou fora a oportunidade de se livrar definitivamente do secretário-trapalhão (Kalazans) com o beneplácito dos natalenses. E agora esse Olegário, deus nos acuda!

Saul Urbano disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:48
Micarla perdeu uma grande oportunidade de se tornar liderança em Natal. Este é seu ultimo mandato.

Erick Rocha disse:
28 de fevereiro de 2010 às 18:51
Franklin, é verdade que o secretário Carlos Augusto Viveiros está retendo o pagamento de pessoas que trabalharam nos autos natalinos e queima de fogos? Li em algum lugar. Investigue e escreva a respeito.

Severino Miranda Leite disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:03
Micarla, v. ainda pode mudar para melhor. Crie juízo, minha filha.

Bento Duarte disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:15
Essa filha de Carlos Alberto passou o pé pela mão, como diz Franklin, comentando o desastre que é o seu governo. Esses “verdes” são uma verdadeira calamidade. São os gafanhotos da politica em Natal.

Mariana Freire disse:
28 de fevereiro de 2010 às 19:31
Micarla, não se acanhe de corrigir o erro. Ruim é persistir nele.

Antenor Bulhões disse:
28 de fevereiro de 2010 às 20:01
Viveiros é um dinossauro. Não sei com o Micarla o mantém.

Boy Chibata disse:
28 de fevereiro de 2010 às 21:27
Micarla taaa mais perdida do que cego em tiroteiooooooooo!

Walter Rodrigues - Neópolis disse:
1 de março de 2010 às 0:01
Vamos ser francos: O Partido Verde está “ferrando” Natal.

Zilma Feccoli - Vila de Ponta Negra disse:
1 de março de 2010 às 0:41
Nem o virtuoso Padre João Maria, santo popular de Natal, salvaria este desastre verde.

Manuca Benevides - Altos da Candelária disse:
1 de março de 2010 às 8:36
A “Borboleta” não tem um pingo de juizo! O apelido (um dos únicos acertos do seu pai) dela já diz tudo: futil, superficial, aerea… Sem os pés no chão, funcionando de arranco, tem dado todas essas mancadas. Ainda mais sendo de um partido de aproveitadores, de gente que não sabe distinguir um pé de milho de um de feijão, de um batata de um de macaxeira…Natal vai mal nas mãos dessa ciclotimica.

Rodrigo disse:
1 de março de 2010 às 13:21
e mais duas novidades da prefeita-bomba: fim da gestão democrática nas escolas e o aluguel vergonhoso do hotel da ladeira do sol, ao custo de cerca de 120 mil reais/mês, para funcionar duas secretarias num local totalmente inadequado. Até onde vai a cara-de-pau dessa mulher?

Jomar Chaves, Santos Reis disse:
1 de março de 2010 às 16:26
É uma deslumbrada essa prefeita de Natal. Tudo nela é falso, a começar pela bandeira verde, sabendo-se como se sabe em toda Natal que ela nunca plantou um pé de coentro ou alguma vez tenha se manifestado (antes da sua filiação a esse partido que aqui caiu nas piores mãos) em defesa do meio ambiente ou da preservação da natureza. Fico besta com tamanha hipocrisia… Micarla não é nada, só essa deslumbrada que está levando a cidade ao caos.

Mariele Bastos disse:
1 de março de 2010 às 18:11
Micarla não se emenda com o erro e está sempre se esmerando em errar mais. Vai acabar apenas com seus puxa-sacos.

Erasmo Neves disse:
1 de março de 2010 às 19:03
Se alguem fotografar Micarla ladeada por todo o seu secretariado vai pensar que se trata de um elenco mambembe e não de uma equipe governo. É visivel a olho nu a arrogância e o despreparo encarnados no “supersecretario” Augusto Viveiros e nos demais auxiliares e (na) “capitã” do time. Uma lástima!

Souza Neto disse:
1 de março de 2010 às 19:32
Seus adversários já podem comemorar antecipadamente mais esse desastre ‘made in’ prefeitura do Natal.

Leia mais sobre o governo de Micarla de Souza em postagens mais antigas, acessando o mecanismo de Busca colocado no alto à direita desta página. Neles, Franklin Jorge resume e comenta os disparates da prefeita de Natal.

Vale a pena ler de novo

2 de março de 2010

BORBOLETÁRIO EM TRANSE

Por Franklin Jorge

Crivada criticas por todos os lados, a prefeita Micarla de Souza reuniu-se recentemente, durante dois dias, em luxuoso hotel na Via Costeira, para discutir com o seu secretariado e técnicos da Fundação Getúlio Vargas soluções para os inúmeros problemas que enfrenta o seu borboletário. A isto ela chamou jocosamente de “imersão de gestão”.

Tendo inaugurado a pouco o segundo ano do seu mandato, seu governo é flor que já murchou. De fato, a cidade está completamente acéfala e manca, pois o seu governo está sem pernas e sua credibilidade mais em baixa do que barriga de cobra.

Além disso, não tocou num assunto esperado por todos: a faxina que prometeu fazer em seu secretariado. as perspectivas, porém, nesse aspecto, não são nada promissoras e admite-se que ela vai trocar seis por meia dúzia. Mesmo da prefeita Micarla de Souza.

Boiando entre a corrupção e a inércia, o governo de Micarla é um sétimo dia. Terminou, antes de ter começado com aquele famoso bate-boca em que queria por queria atingir o seu antecessor no cargo e, por inabilidade, acabou promovendo-o: a posição do ex-prefeito Carlos Eduardo é hoje bem melhor do que a sua, pois os natalenses já tiveram tempo suficiente para fazer o confronto entre os dois governos.

Ora, um governo que tem esse secretariado que conhecemos já tem digitais suficientes para dizer a que veio. Um governo que desmumificou - digamos assim - Augusto Carlos Vieiros, um homem que já estava morto politica e administrativamente e dele fez um supersecretário, graças às malasartes de ressuscitador do senador José Agripino Maia, que ao fazer semelhante indicação nos provou a todos que este governo é um balaio sem fundo que acolhe até os indesejáveis.

A propósito, para ministrar o workshop milionário os ‘tubarões’ - desculpem-me, os técnicos… - da Fundação Getúlio Vargas embolsarão do município a bagatela de R$ 3,3 milhões. E ainda há quem insista em alardear como estratosférico o cachê de R$ 221 mil cobrado pelo padre Fábio de Melo, pode? Problema de gosto não se discute, já de gastos exorbitantes e falta de transparência…

Pois bem. Sob o título Transparência zero na Urbana, o Território Livre (TL), blogue da jornalista Laurita Arruda abriu o verbo no sábado 16 do corrente, sobre a caixa preta da estatal, que como sabemos tem um histórico nada recomendável, sobretudo nos velhos tempos do ex-presidente Marcilio Carrilho. É uma sujeira só.

Diz ela, Laurita, comentando reportagem do Novo Jornal:

A preponderância das empresas terceirizadas para aquela empresa demonstra que a delegação do serviço não otimizou sua qualidade. Pelo contrário. E a culpa de quem é? Do povo, a falta de educação de sua gente. Está dito no jornal como “desculpa” dos administradores do lixo.

O presidente da companhia Bosco Afonso não quis citar os nomes das empresas contratadas: “Não gostaria de citar porque não fica bem ficar falando sobre o que cada empresa ganha”.

Segundo o Sindicato dos Garis de Natal, a Urbana economizaria 50% de seu orçamento se ela mesma prestasse o serviço que terceirizou. O orçamento anual da Urbana é de R$ 116 milhões, e mais da metade é destinado ao pagamento de empresas terceirizadas.

O Novo Jornal mostra, ainda, que a política de reciclagem praticamente não existe na Urbana. Fato, no mínimo, curioso para uma administração que se diz verde…

Na confusão de vozes quem também entrou em cena a Controladora Geral do Município, Regina Bezerra Mota, que foi logo avisando: “Todos os contratos pactuados entre a Urbana e empresas terceirizadas estão, sim, disponíveis no site da Prefeitura de Natal. Inclusive com nomes e valores relacionados a cada contratada”.

Menos mal, diria a blogueira que noutro post reafirmaria as “sombras” da mesma caixa preta:

Enquanto a caixa preta da Urbana não fica bem ser aberta, o TL recebe a informação que as empresas terceirizadas não estão nada satisfeitas com os pagamentos do Município de Natal. Estão em atraso três meses de 2008 e oito meses de 2009.

Algumas empresas terceirizadas já pensam em suspender a prestação de serviço. Outras, Lider e Marquise, por exemplo, não prestam mais horas extras. Daí o acúmulo de lixo na cidade.

Será que os técnicos da FGV recomendaram maior apego ético e transparência com os gastos públicos aos escafandristas do borboletário? Ou embolsará a sua grana e deixará o estafe “cagando e andando” para os bestas dos contribuintes?

MICARLA PROCURA SARNA PARA SE COÇAR

1 de março de 2010

Por Franklin Jorge

A prefeita Micarla de Souza não dá uma dentro. Agora, depois de sucessivos desencontros com a opinião pública que já não tem dúvidas sobre o seu despreparo e a má qualidade dos auxiliares, está alugando o antigo Novotel, na Ladeira do Sol, para nele instalar a Secretaria de Saúde, criando um novo problema sem ainda ter solucionado os que têm dado o que falar, como a coleta de lixo e o seu desnorteamento no manejo do meio ambiente.

Salta aos olhos que a prefeita está mal assessorada e não tem programa de governo. Seu arrogante secretário de Planejamento não está planejando nada nem tem levado em consideração preceitos administrativos racionais. Natal, em resumo, está acéfala.

Coloca-se ainda, nessa açodada e indefensável transferencia da Secretaria de Saúde de um local para outro o exorbitante aluguel e a inadequação funcional do prédio que inclui piscina e área de lazer. Há pouco a prefeitura não tinha R$ 3 mil para bancar o carnaval, agora vai gastar uma fabula (não dou os números porque nesse governo os números nunca são os mesmos que costumam ser divulgados…) para custear esse aluguel de marajá.

Outro grave problema afetará especialmente aos servidores que se utilizam do transporte urbano. A distancia, problema que somente seria solucionado com uma grande obra de engenharia de transito ou com a criação de um serviço complementar de transporte com este fim especifico.

Um grande e inutil investimento que sugere outras motivações, conforme sugere um leitor desta página. Sobretudo se levamos em consideração que a Secretaria de Saúde funciona atualmente no prédio do antigo Hotel Ducal, no bairro da Cidade Alta, onde circulam ônibus oriundos de todos os bairros de Natal. Um local estratégico, portanto, que se não agradava a todo mundo pelo menos, até agora, nunca foi questionado.

Para adequar o uso do prédio a essa nova realidade a prefeitura vai ter que fazer milagres: do ponto de vista da topografia, a área não comporta o aumento do fluxo de ônibus. O congestionamento é inevitável e de grandes proporções.

Qualquer leigo, desde que não seja parvo, percebe claramente que isto custará mensalmente uma considerável quantia subtraída aos cofres públicos, num momento em que o sistema de saúde é generalizadamente alvo da contundentes criticas da população, que reclama atendimento básico onde faltam médicos e medicamentos.

Micarla está investindo no caos e no desagrado dos servidores que não estão nada satisfeitos com a mudança. Vão ser os mais penalizados nesse processo inevitavelmente suspeito. A prefeita precisa explicar-se com urgencia. É sua obrigação e seu dever.


Leia mais sobre o assunto em novas postagens.

LULA, CÚMPLICE DE DITADORES

1 de março de 2010

Por Eleonora Bruzual*

Jóia rara, este lobo com pele de ovelha, que modera bem sua essência comunista na hora de se manter como um grande democrata no Brasil e desde lá promover e apoiar o bando castro-comunista que desestabiliza, persegue e destrói democracias.

Luiz Inácio Lula da Silva é um ser realmente aborrecível. Com uma capacidade de cálculo prodigiosa para atribuir-se logros em sua passagem pela Presidência do Brasil, não treme a voz para lisonjear tiranos e se estes contam com o “talão de cheques” dadivoso do militarote traidor Hugo Chávez, com mais euforia os seduz.

Assim, temos que nesta terça chegará à masmorra antilhana o velhaco Lula, e com segurança é capaz de afirmar que os tiranos Castro mantêm em Cuba há mais de 50 anos uma democracia sui generis…

Luis Inácio Lula da Silva, ao anunciar sua visita ao grande cárcere, cujo motivo será “despedir-se como mandatário de seu colega Raúl Castro e de seu irmão e antecessor Fidel”, não se contém e qualifica o sanguinário tirano como “velho amigo”.

Nada que nos surpreenda deste vivaldino sem moral, que há poucos dias rechaçou que o infame déspota venezuelano - esse que enriqueceu milhares de brasileiros e que serviu a Lula para “entesourar” acertos baseados em sua falta total de ética - seja um neo-tirano, e pelo contrário, o apelidou de democrata.

Lula expressou textualmente que rechaça as acusações de tendência autoritária lançadas contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, asseverando que considera que a Venezuela “vive uma democracia”, embora em um grau diferente da existente no Brasil.

Lula é um descarado que pretende nos manipular com uma subjetividade absurda. Lula mais cínico e aproveitador do que nunca, mais hoje, porque com certeza está granjeando que o infame militarote venezuelano lhe financie boa parte da campanha de sua “candidata” a sucedê-lo no governo, a ministra e ativista do Foro de São Paulo, Dilma Rousseff, ressalta na entrevista publicada na semana passada no jornal O Estado de São Paulo: “eu acredito que a Venezuela é uma democracia” e, não conformado, evidentemente aborrecido com o jornalista que lhe perguntou: “E seu governo, o que é?”. Respondeu-lhe: “É uma hiper-democracia. Meu governo é a essência mesma da democracia”.

Jóia rara, este lobo com pele de ovelha, que modera bem sua essência comunista na hora de se manter como um grande democrata no Brasil e desde lá promover e apoiar o bando castro-comunista que desestabiliza, persegue e destrói democracias. Com absoluto desembaraço, também defendeu a postura de seu governo frente ao que qualifica de “as suspeitas” em torno dos verdadeiros objetivos do programa nuclear do Irã.

Manipulando a opinião pública ao dizer que: “A comunidade internacional não deve repetir os erros que levaram ao ataque militar no Iraque, lançado pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush e seus aliados.

Creio que esse tema está mal resolvido. O Irã não é o Iraque”. O que quer dizer com isto, que ignora as ameaças desses sanguinários santarrões contra países democráticos? Ignora a matança e perseguição da dissidência, seus crimes, seus horrores?

Já faz as malas, este astuto político que abandonará o poder em 1º de janeiro de 2011, depois de haver exercido a presidência por oito anos. Teria que se perguntar, o que o leva a se despedir do tiranossauro cubano com quase um ano de antecedência? Que história alega para se sentir cômodo com uma asquerosa tirania com mais de meio século martirizando essa pobre ilha escrava? Lula sabe que Castro está moribundo?

Em Cancun, Lula apertará com o peito o herdeiro da tirania, Raúl Castro. Presta-se a essa papagaiada proposta pelo militarote e os tiranos Castro, de ver como as engenham para criar uma marmota continental que supra a OEA e deixe os Estados Unidos e o Canadá de fora porque decretaram que estão flutuando em qualquer parte, menos na América. Lula se presta a este absurdo; com certeza tirará seus bons lucros ao fazê-lo…

Lula vai se revolver no chiqueiro de Havana e, certamente, não se dá por aludido ante a demanda que sete médicos e um enfermeiro cubanos apresentaram ante os tribunais dos Estados Unidos contra Cuba e Venezuela.

Lula também considera que é “democrático” o trato dos médicos e sua permuta por petróleo e dinheiro que a estatal PDVSA presenteia aos tiranos Castro. Nem se inteira do conteúdo dessa justa demanda, onde estes oito cubanos acusam os demandados por conspiração para obrigá-los a trabalhar na condição de “escravos modernos”, como pagamento pela dívida cubana com o Estado venezuelano pelo fornecimento de petróleo.

Na demanda também se denuncia que “o convênio dos governos de Cuba e Venezuela constitui uma flagrante confabulação comparável ao comércio de escravos na América colonial”. Porém, Lula nem toma conhecimento… e se o faz é para aplaudir os democratíssimos Castro e seu servil Hugo Chávez.

*Jornalista venezuelana, editora do site “Gentiuno
Tradução: Graça Salgueiro

MAU EXEMPLO

1 de março de 2010

Por Olavo de Carvalho

Eles falam como autoridades no assunto precisamente porque ignoram que o desconhecem. Tomam-se a si próprios como unidades de medida porque não percebem o imensurável da distância que dele os separa

Que o senhor Marco Aurélio Garcia e dona Dilma Rousseff cochichassem entre si alguma opinião sobre a vida intelectual brasileira já seria, da parte deles, uma presunção descabida. Mas quando a emitem em público, e o fazem dando-se ares de quem dita regras de perfeição, entram em cheio no campo da obscenidade.

Pessoas que ocupam ou disputam cargos públicos deveriam refrear um pouco os seus impulsos exibicionistas antes de sair dando o mau exemplo de pontificar ex catedra sobre assuntos que estão acima da sua competência e até da sua compreensão.

Nem o ministro nem a candidata escreveram jamais um livro, deram um curso ou proferiram uma conferência que se notabilizasse pela amplitude da erudição, pela profundidade do pensamento ou pela criatividade das idéias.

Nada produziram, sequer, que os ombreasse à estatura mediana da classe acadêmica. Não são pensadores, nem artistas, nem educadores, nem profissionais da ciência. Não são sequer jornalistas.

Não têm com a vida intelectual senão a relação distante - e até inversa - de quem se beneficia das aparências dela para fins de propaganda partidária ou promoção pessoal. No mundo da alta cultura, não passam eles de parasitas e de aproveitadores. O único direito que lhes cabe, em tais matérias, é o de calar-se humildemente e dar ouvidos a quem sabe mais. Que se atrevam a ir um passo além disso - deveriam ser escorraçados de um recinto onde sua presença só serve para tudo aviltar e prostituir.

No fundo, o atrevimento da sua crítica aos “subintelectuais de direita” revela menos uma empáfia consciente do que uma falha de percepção, uma total incapacidade de apreender, não o mero sentido das palavras que empregam, mas as dimensões e proporções da situação de discurso, a relação entre fala e realidade, a diferença abissal entre aquilo que dizem e aquilo que são.

Eles falam como autoridades no assunto precisamente porque ignoram que o desconhecem. Tomam-se a si próprios como unidades de medida porque não percebem o imensurável da distância que dele os separa.

Nada têm nisso, porém, de excepcionais e singulares. Sua conduta mental está entre as mais típicas da burrice geral brasileira, tal como a literatura a exemplifica e qualquer educador com algum senso de observação pode confirmar.

Essa conduta não se compõe só da alienação existencial, do abismo entre pensamento abstrato e experiência concreta, mas da fusão desse handicap com um talento todo especial para o mimetismo linguístico.

O brasileiro, com efeito, capta num relance os novos giros verbais que lhe chegam do ambiente e passa de imediato a utilizá-los com um agudo senso de eficácia persuasória, desacompanhado, porém, de qualquer compreensão da sua carga semântica efetiva.

Só para dar um exemplo tirado da minha própria experiência pessoal, quando meus dois livros sobre a ciência da argumentação repuseram em circulação a velha expressão argumentum ad hominem, a nova geração, que a desconhecia por completo, notou o potencial ofensivo do termo e passou a empregá-lo a torto e a direito para fins de ataque.

E com a desenvoltura mais autoconfiante, sem ter a menor idéia das distinções e precauções que esse emprego exige (por exemplo, um exemplum in contrarium, logicamente uma das refutações mais legítimas, é com frequência apresentado sob a forma aparente de mera argumentação ad hominem).

Centenas de expressões extraídas diretamente dos meus escritos circulam hoje por aí com sentido diminuído, coisificado, prova de que foram copiadas por mimetismo instantâneo e não absorvidas mediante compreensão séria do seu significado.

A velocidade mesma com que se operam esses golpes de parasitagem verbal faz com que se tornem, por sua vez, infinitamente reprodutíveis e se alastrem em proporções epidêmicas, daí resultando que, no fim das contas, todo o debate público nacional se reduza a um obsessivo intercâmbio de camuflagens.

Juntem à deficiente ancoragem na realidade o mimetismo linguístico superficial, e terão a fórmula exata do impostor inconsciente, do vigarista que só consegue ludibriar os outros porque primeiro se ludibriou a si próprio ao ponto de poder praticar a vigarice com um elevado sentimento de idoneidade e de mérito.

Dona Dilma e o ministro Garcia exemplificam perfeitamente essa síndrome, cuja disseminação, em escala nacional, consolida a incultura presunçosa como uma espécie de título acadêmico, de especialidade científica ou prova de superioridade. Tal é hoje o típico “intelectual de esquerda” que se apresenta como modelo normativo e cobra da direita o dever de copiá-lo, sob pena de condená-la como “subintelectual”.

Não que subintelectuais inexistam na direita. Existem, e o primeiro a apontá-los ao descrédito sou em geral eu mesmo. Porém, o mais burro deles é ainda superior a Dilma Rousseff e Marco Aurélio Garcia, que só são “intelectuais” no sentido elástico e figurado que o termo possui em Antonio Gramsci.

DIREITO NATURAL E POSITIVISMO JURÍDICO

1 de março de 2010

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

A concepção de Direito Natural é antiquíssima e, através dos tempos, é representada, entre outros, por pensadores como Aristóteles, Cícero, Santo Agostinho, Hugo Grotius, São Tomás de Aquino, Rousseau, John Locke e Del Vecchio; recentemente, no século XX, podem ser lembrados os nomes de Lon Fuller e Ronald Dworkin.

Ela quer significar, em linhas gerais e respeitadas as muitas variantes (não são poucas), a existência de um Direito Natural, de um Direito fundado na razão ou no mais íntimo da natureza humana, na qualidade de ser individual ou coletivo, ou mesmo na nossa relação com Deus, que preexiste ao Direito que é produzido pelos homens ou pelo Estado e que deve ser sempre respeitado.

Por muitas variantes, deseja-se dizer que, assim como a maioria das escolas filosóficas, o jusnaturalismo tem seguidores que vão desde ardorosos apóstolos, como São Tomás de Aquino, que desenvolveu uma verdadeira tipologia de direitos baseada na relação entre os seres humanos e o criador, a moderados defensores, como Leon Fuller, que apenas afirma haver princípios preexistentes ao “Direito Positivo” e que devem ser considerados em qualquer sistema jurídico.

A escola do direito natural, não resta dúvida, foi de grande importância para o Direito Ocidental. Essencialmente, a teoria fundamenta-se na afirmação de que os seres humanos são parte de uma ordem natural de coisas e eles deveriam atuar em harmonia com essa ordem. Particularmente em suas mais modernas manifestações, a teoria sugere que, enquanto o relacionamento da humanidade com o mundo é uma questão de ordem natural, os relacionamentos entre seres humanos são, em grande parte, uma questão de contrato social.

Já como positivismo jurídico, devemos entender, para os fins deste pequeno artigo, as várias manifestações deste pensamento, sem ficarmos presos a esta ou aquela tendência específica. Aqui devem ser inseridas suas principais tendências: normativista, codicista, jurisprudência analítica, decisionismo; e seus principais estudiosos, como Thomas Hobbes, H. L. Hart, John Austin e Hans Kelsen, entre muitos outros.

O positivismo jurídico contrapõe-se à ideia de um Direito Natural. Enquanto que os partidários do jusnaturalismo se ocupam do fundamento e legitimação do Direito Positivo, baseando sua validade no respeito aos princípios e valores absolutos, aos positivistas interessa tão-somente a averiguação dos pressupostos lógico-formais de sua vigência. O Direito é positivo, no sentido de que é criação do homem. Kelsen, por exemplo, baluarte da tendência normativista, exalta a norma jurídica, ponto em torno do qual gira toda a sua concepção do Direito.

Foi com esse objetivo, por exemplo, que Austin lançou sua tentativa de desenvolver um sistema completamente articulado e lógico do Direito. Ele começou com a idéia de que o direito é o comando do soberano apoiado por uma sanção. A tarefa é desenvolver, partindo dessa premissa, um sistema que seja logicamente coerente e consistente. Kelsen, partindo do que ele chamou de “norma fundamental” como princípio básico, propugnou, com reconhecido sucesso, na mesma direção.

Os ideais positivistas, seguindo a lição de Hart, poder ser assim sintetizados: a) o Direito identifica-se com mandatos; b) não há, necessariamente, um nexo entre as esferas da Moral e do Direito; c) a análise do direito deve ser isolada das reflexões de ordem sociológica, ética, econômica e teleológica; d) o caráter lógico do sistema jurídico faz com que as decisões judiciais possam ser alcançadas independentemente de apoio em outros valores, como, por exemplo, éticos ou políticos; e) os juízos morais não se assemelham aos juízos a respeito de fatos.

Em linhas gerais, até certo ponto pessimistas quanto à natureza dos seres humanos e à capacidade destes de aplicar o Direito num sentido de Direito Natural (se é que este Direito Natural existe), os positivistas insistem que o importante mesmo é se ter um sistema de Direito e manter a integridade lógica desse tecido legal.

(*) Procurador da República,
Mestre em Direito pela PUC/SP e
Doutorando pelo King’s College London - KCL

O EXEMPLO QUE VEM DE LUIS GOMES

1 de março de 2010

Por Franklin Jorge

Luis Gomes, no alto da serra de mesmo nome, tem uma história quase secreta que vem sendo aos poucos revelada, graças à abnegação e persistência de um grupo de jovens liderados por Luciano Pinheiro, que é a alma e o espírito de uma instituição inspirada pelo padre Pedro Lapo, redentorista atualmente em Areia Branca e Serra do Mel, depois de viver vários anos na periferia do Recife. Sua passagem pela cidade, nos anos noventa do século passado, resultou em lições e prática de vida para muitos, como o próprio Luciano, que começavam então essa travessia.

Tendo aprendido a lição, Luciano tornou-se o líder de um grupo que está mudando a história de Luis Gomes, através de ações que fortalecem a auto-estima da população e lança as sementes de uma nova visão do mundo, construída através da educação e da cultura, de que o “Centro Cultural Escravo Jacó” é o fruto mais recente de uma árvore que se enraíza solidamente, crescendo para o alto e para os lados, oferecendo sombra e alimento para a fome de saber de todos os que buscam através de uma pratica cultural a verdade e a vida.

Instalado num espaço construído para ser uma delegacia, na rua que dá acesso à cidade, uma encantadora cidade com ares de vila, luminosa e fresca, homenageia o escravo que acompanhava Luis Gomes, quando a serra foi descoberta, em fins do século dezoito. A escolha do nome, mais que uma homenagem convencional, exprime toda uma filosofia de trabalho e de vida – o respeito pelos valores permanentes de uma cultura não imposta, autêntica e fecundante, construída por gerações e gerações de luisgomenses.

Poucas cidades do Rio Grande do Norte podem orgulhar-se de ter uma casa como esta. Um centro de cultura construído pela abnegação e mantido pela perseverança de alguns jovens capazes de enxergar o futuro com clareza, através de um voluntariado que nos enche de orgulho e satisfação, como testemunho de que nem tudo está perdido e ainda há lugar neste mundo para a esperança, o bem mais precioso num mundo que menospreza o idealismo e a virtude do desprendimento.

Visitando recentemente esse “Centro Cultural Escravo Jacó”, pude apreciar mais uma vez o registro de toda a riqueza da história de Luis Gomes, que continuaria no anonimato não fosse o trabalho do Grupo Mutirão, criador e mantenedor de um projeto de inclusão digital, de uma rádio comunitária, de uma pequena e sortida biblioteca e, agora, de um museu que reúne e preserva costumes e história do município que faz fronteira com o estado da Paraíba.

Prestam esses jovens idealistas um grande serviço não apenas ao município de Luis Gomes, mas ao futuro mesmo de sua terra e de sua gente.

ESTÃO DISCRIMINANDO A MINISTRA!

1 de março de 2010

Por Percival Puggina, do site Midia Sem Máscara

Discriminação positiva também é discriminação, se me faço entender. Vocês pensavam no quê? Discriminação positiva se faz com os portadores de deficiências, o que não parece ser o caso.

Durante recente debate no Senado Federal, após ouvir críticas de oposicionistas ao comportamento da ministra Dilma Rousseff, a senadora Cerys Slhessarenko pediu um aparte para dizer que aquelas afirmações feitas pelos senadores compunham um quadro de discriminação à mulher.

Pus-me a pensar. A confusão entre costumes e moral é das mais nocivas que se possa conceber. Pessoas tolas, observando que existem diferentes costumes, concluem que a moral “è móbile qual piuma al vento”. Salta aos olhos que isso leva diretamente ao relativismo e à imoralidade absoluta.

Pois o aparte da senadora nos sugere um exemplo que ilumina bem essa realidade: ainda que centenas de milhões de mulheres, ou mesmo que bilhões de mulheres, em inúmeras sociedades, vivam sob regras de violência e submissão, isso não torna tais preceitos moralmente aceitáveis.

Assim também com a escravidão por motivos de raça ou de dominação política.

Assim também com as condições de trabalho na China, embora atraiam como luzes as mariposas da indústria transnacional. Tais práticas são costumeiras por lá, podem até ser legais, mas são imorais.

O Fórum Social Mundial deveria fazer passeata contra o comunismo chinês. Em resumo: moral e costumes são coisas distintas e quem discrimina a mulher afronta a humanidade toda.

Por isso, a discriminação à ministra Dilma Rousseff me irrita.
Homens e mulheres têm iguais direitos políticos e não há sentido algum em tratar Serra e Ciro, de um modo por serem homens e a ministra de outro modo por ser mulher.

Isso não é justo! Todos são pré-candidatos a presidência da República e credores de equidade, ora essa.

E a ministra, meu caro leitor, vem sendo discriminada em proporções que já excederam os limites do escândalo. Sim, porque discriminação positiva também é discriminação, se me faço entender. Vocês pensavam no quê? Discriminação positiva se faz com os portadores de deficiências, o que não parece ser o caso.

Uma coisa é a cortesia dispensada às mulheres pelos homens bem educados. Ela faz parte das boas maneiras que convêm ao trato social. Ceder-lhes lugar, abrir-lhes as portas para que passem, levantar-nos quando se aproximam da mesa onde estamos, é apenas boa educação. Não é discriminação. Outra coisa é, no processo político, dispensar-se à candidata regalias e facilidades que não se conferem aos demais.

Outra coisa, ainda, é, num ato da Petrobrás onde o ministro responsável é o Edson Lobão, reservar toda a cena para a ministra da Casa Civil. O que está ela fazendo ali? E note-se que vem sendo privilegiada assim em tudo, em relação a todos, em toda parte.

De tanto que viaja sem ter por que, ela já não sabe mais onde está, nem fazendo o quê. Embarcam-na em todos os voos, erguem-na em todos os palanques, dão-lhe a palavra em todos os discursos, proclamam-na genitora do PAC, convidam-na para madrinha de todos os navios e mãe de todas as obras cuja execução depende de dinheiro que ainda não ganhamos. Isso é tão errado quanto agir como se a ministra não existisse e privilegiar a exposição de José Serra à imprensa. Mas se isso acontecesse!…

No entanto, a ministra está em toda a mídia, que a exibe como se ela estivesse vendendo espaço publicitário. Ou será que está? E o Serra, onde está? De uma hora para outra, tudo que se faz ou que se promete no Brasil é obra do PAC. E é obra com mãe. Bom, eu estou terminando de escrever um livro e quero deixar bem claro que ele não é obra do PAC.

Já passou da hora, do dia e do mês para uma ação firme do Ministério Público Federal, da Justiça Eleitoral e até do Tribunal de Contas da União contra essa escancarada, abusiva e desrespeitosa campanha feita com recursos públicos em favor da discriminadíssima candidata do presidente Lula. Queremos direitos iguais para todos os competidores, ora bolas!

NO PASSARÁN!

1 de março de 2010

Por Carlos Vereza, ator

Eu, Orlando Zapata,
Cubano dissidente,
e descrente,oro por você
Lula.
Por sua insensibilidade,
que nunca sabe de nada,
dos pedidos de socorro,
dos que foram fuzilados.
Oro por sua capacidade infinita
de omitir-se, de virar o rosto para o lado.
Oro por sua avidez,
sua falsa ideologia.
Uma palavra sua poderia salvar-me,
interromper minha greve de fome,
minha greve de liberdade,
minha greve de amor.
Sua cumplicidade com o arbítrio,
e a tortura em Cuba,
já tristemente saudosa de Batista.
Oro pelos intelectuais de “esquerda”,
pelo silêncio criminoso dos intelectuais de “esquerda.”
Ergo aos ceus minha prece,
por uma América Latina
livre dos ditadores,
populistas,
pais dos pobres.
Oro pelas veias cortadas
por aproveitadores da ignorância
dos povos,
dos pueblos,
dos Chicos.
Que o Deus negro
dos cubanos
perdoe sua falsa greve de hambre
alimentada por cumplices carcereiros.

Mas ustedes
No passarán

E mesmo assim,
oro por sua queda,
que ela não seja leve,
que ainda me sinto preso
à amargura,
a minha pouca santidade.

Lula, a Santería tudo viu,
tudo vê,
tudo sabe,
nada ignora.
E você e todos
os que sugaram minha comida
minha alma,
minha pouca alegria,
repito:
No passarán!

A ‘DIREITA’ QUE A ESQUERDA ADORA

28 de fevereiro de 2010


Por Heitor De Paola, de Mídia Sem Máscara

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas.

Não vim para debater, mas para combater.

Não sei se a frase em epígrafe já foi dita por alguém. Caso não tenha sido, é minha mesmo, pois resume a segunda parte deste artigo. Inverti a ordem original porque estou irritado, profundamente irritado!

Nos dias, desde a morte de Orlando Zapata coincidindo com a visita de Lula a Cuba, tenho recebido inúmeros emails de pessoas que se dizem conservadoras, “de direita”, e artigos de jornalistas idem, profundamente chocados com o silêncio de Lula em relação aos “dereitos omanos” por lá, ou condenando sua “pusilanimidade”.

Será que ainda não entenderam que o encontro de Lula com Fidel foi o encontro entre os dois fundadores do Foro de São Paulo, a maior organização comunista que já existiu na Iberoamérica?

Será que ainda não entenderam que Lula É comunista? Continuam achando que Lula é apenas “populista” e pertence a uma fantasiosa “esquerda vegetariana” e é um aliado da direita para enfrentar Chávez e a ficção chamada “bolivarianismo”?

Será que realmente acreditam que Lula queria protestar e não o fez por pusilanimidade (ao menos como entendo o termo: covardia, fraqueza, timidez)?

Será que ainda não entenderam que Lula apóia incondicionalmente tudo o que acontece em Cuba e quer implantar aqui e, se ainda não o fez é porque temos instituições que o impedem, principalmente as Forças Armadas que seu governo tudo faz para sucatear e destruir, principalmente o Exército?

Será que ainda não entenderam que se Lula falasse algo seria a favor, o que quase fez ao condenar a greve de fome como instrumento de luta (com o que concordo!) e deve ter sido objeto de vários brindes de excelente rum e baforadas de charuto entre Lula, Fidel e Raúl? O único depoimento sincero é o do Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano (vejam o título e as fotos no site).

Retorno agora à epígrafe cuja autoria reivindico: enquanto o comunismo avança celeremente sobre nós, financiado por banqueiros e empresários corruptos que já estão sentindo e gostando do bafo no cangote, o que faz a “direita”? Eventos e conclaves - financiados pelos ditos - para debater populismo, liberdade de expressão e qualquer coisa que imaginem que, se discutirem bem, vai resultar alguma coisa.

É a direita seguindo as diretrizes do PT: “precisamos discutir com toda a sociedade!”. Só que aprenderam mal: o PT discute somente entre as esquerdas, a “direita” burra convida comunistas para discutir sobre liberdade de expressão!

Sugiro que sigam outras diretrizes também, como discutir o orçamento dos grandes bancos na forma do “orçamento participativo”- e me convidem, de preferência para a “democratização” do capital!

Este bando que tem a desfaçatez de se dizer defensor das liberdades, da democracia, do estado de direito, ao mesmo tempo precisa sempre condenar a “ditadura”, pois tem vergonha de reconhecer que foi a Contra-Revolução de 64 que os (nos) salvou de já estarmos há 46 anos sob um regime castrista que ainda teremos, se depender destes idiotas cujo único interesse é amealhar fortunas ou conseguir um empreguinho nos grandes grupos de comunicação enquanto o Brasil afunda! Jamais reconhecem que o desenvolvimento de nosso País foi obra dos “milicos” que odeiam tanto quanto a esquerda.

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas. Enquanto eles ainda não sabiam falar ou controlar os esfíncteres, eu já estava nas ruas tentando conseguir armas para a campanha da “Legalidade” de Leonel Brizola, fazendo pichações contra a “ditadura” da qual só ouviram falar e nem sabem o que foi, pois acreditam no discurso esquerdista como sua bíblia. Enquanto eles começavam a balbuciar, eu estava preso em Fortaleza.

Mas naqueles tempos existia uma direita de verdade que nos derrotou. A Ação Católica, os militares honrados que assumiram o poder e morreram pobres (Castelo Branco, Emílio Medici), políticos com ideologia definida - Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, Mem de Sá, Britto Velho, Daniel Krieger - e não como hoje, interessados apenas em guardar dinheiro nas meias - só se distinguindo do PT pela peça do vestuário preferida como cofrinho! Aquela direita já teria expulsado a quadrilha que tomou conta de Brasília desde 1994. Combatia, não debatia!

Lula já disse: no Brasil a direita acabou! E o burro é ele? Com esta “direita” a esquerda está feita na vida!

EXILADOS OCUPAM CONSULADO EM MIAMI

28 de fevereiro de 2010

Um grupo de exilados cubanos ocupou nesta sexta-feira, durante uma hora, o consulado do Brasil em Miami. O objeto do protesto, que aconteceu de forma pacífica, foi denunciar a “cumplicidade” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no “assassinato” do preso político Orlando Zapata Tamayo.

Cerca de 15 integrantes da Assembleia da Resistência, entre ex-presos políticos cubanos e membros de organizações do exílio, entraram nas instalações do consulado do Brasil e ocuparam uma das salas enquanto exclamavam: “Lula, cúmplice!”, “Vergonha para Lula!” e “Viva Orlando Zapata Tamayo!”.

“Lula é cúmplice da ditadura castrista e do assassinato de Orlando Zapata”, expressou Orlando Gutiérrez, diretor do Diretório Democrático Cubano, que liderava o grupo que entrou no consulado brasileiro.

Gutiérrez ressaltou que o objetivo da ocupação era pôr em evidência a “vergonha que representa para o Brasil o fato de Lula aparecer abraçado aos irmãos Castro no momento em que estão assassinando um homem pelo mero fato de discordar”.

O presidente brasileiro se reuniu com Raúl e Fidel Castro na quarta-feira, dia seguinte da divulgação da morte de Orlando Zapata como consequência de uma greve de fome de 85 dias.

O grupo de exilados, pertencentes a organizações como Plantados e Madres y Mujeres Antirepresión por Cuba (MAR), entregou ao cônsul brasileiro, Luiz Augusto de Araújo Castro, uma foto na qual Lula abraça Fidel Castro, com a imagem de Zapata Tamayo impressa entre os dois.

No verso da fotografia se lê: “Fidel Castro, assassino; Lula, cúmplice”. A imagem, que o grupo pediu que o cônsul entregue ao presidente, “deve envergonhar Lula”.

“Não há melhor documento que o rosto do prisioneiro político que ia ser assassinado pelo regime castrista”, disse a presidente da MAR, Sylvia Iriondo. “O caso de Orlando mostra a trajetória e história de crimes e violações perpetradas pelo castrismo”, disse.

Sylvia denunciou que “ainda restam muitos presos políticos cubanos em condições críticas”, ao mesmo tempo que pediu à comunidade internacional para que não tolere a “impunidade e falta de vergonha” do regime de Havana.

Gutiérrez explicou que a ação de hoje é o “começo de uma campanha para alertar o povo brasileiro de que as ações de Lula são prejudiciais para o povo cubano”.

‘NOVO JORNAL’ PROMOVE WORKSHOP

28 de fevereiro de 2010

Por Franklin Jorge

Novo em tudo, até na maneira de relacionar-se com os seus funcionários, o Novo Jornal reuniu sua equipe de profissionais em almoço seguido de workshop, ontem, sábado 27, no Hotel Vila do Mar, na Via Costeira, num momento de trabalho e confraternização. A ideia é tornar esses encontros rotineiros.

Cassiano Arruda Câmara - que estava comemorando o fato de ter-se tornado avô naquele dia - quis fazer um balanço dos quatro meses de trabalho e anunciar mudanças, entre as quais, novas contratações e implantação de projetos, como a criação de novos cadernos e ampliação do raio de ação do jornal que conquistará novos leitores.

O balanço, em resumo, foi positivo. Em apenas 87 edições o jornal já tem 82 pontos de vendas em Natal, Parnamirim e praias e, nas próximas semanas, estará presente também em Mossoró, a segunda maior cidade do estado. A criação de um portal na internet faz parte dos planos a médio prazo.

Dentre as novidades, a estreia de Marcos Sá com uma página de sociedade que foge ao padrão comum das colunas sociais em circulação na imprensa local. E, já a partir desta semana, o jornalista Roberto Guedes deixa o Plural e passa a ter o seu próprio Jornal, em substituição ao da jornalista Ana Maria Cocentino. Será substituído por Paulo Tarcísio Cavalcanti. Ivan Cabral, o novo cartunista da primeira página, está rendendo Tulio Ratto que sai do jornal para dedicar-se a um programa de humor na TV Cabo Mossoró.

Novo pela forma diferenciada de apresentar a informação com responsabilidade e pluralidade, através de uma equipe comprometida com a verdade e a satisfação do leitor - seu principal alvo - o Novo Jornal está contribuindo com talento e criatividade para o aperfeiçoamento da democracia e do desenvolvimento do Rio Grande do Norte, estimulando o diálogo e a reflexão, adotando novos paradigmas que mudem conceitos e lancem olhares plurais sobre a realidade.